Mês: março 2013

Páscoa na Alemanha

A Páscoa pode ser uma data um tanto deprimente para brasileiros morando na Alemanha.

Acordar no domingo de páscoa com enormes ovos de chocolate esperando para serem comidos? Esquece. Ao visitar supermercados alemães perto da Páscoa você não vai passear por infinitos túneis de ovos de chocolate.

A tradição para a Páscoa é pintar a casca de ovos normais, cozidos, daqueles com clara e gema, e tal, e escondê-los pela casa para as crianças procurarem. Bom, quem esconde, oficialmente, é o coelho da Páscoa.

Agora, o que é que encoraja uma criança a passar a manhã de um domingo procurando ovos NORMAIS pela casa eu não sei dizer.
Tá, ovos pintados são bonitinhos, mas note a diferença:

Para não ser totalmente injusta, os alemães também comem chocolate na páscoa. Ovos de chocolate também existem, mas são daqueles minúsculos, de uns 3 cm de altura, sabe? Ou no máximo do tamanho de um ovo normal. Eles também escondem esses, de chocolate, junto com os normais, às vezes.

Mas é comum dar para as crianças coelhos de chocolates. Bons, sim, mas simples, só um chocolate fino em formato de coelho, sem nada dentro.

Eis os produtos pascoáveis que encontrei disponíveis nos supermercados para a Páscoa:

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Esses coelhos dourados da Lindt são os mais comuns, acho. Tem coelhos de todos os tamanhos, e alguns pacotes de mini-ovinhos.

Mas você pode também comprar coelhos Milka:

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Coelhos Kinder ovo:

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E até os ovos normais você pode comprar já pintados, prontos para serem escondidos. (?)

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É definitivamente menos delicioso, mas, pelo menos, representa uma considerável economia para os pais, comparando aos nossos ovos da Páscoa no Brasil que cada ano atingem preços cada vez mais incrompreensíveis…

Ah, e eles também fazem árvores de Páscoa!

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Algumas famílias também fazem um bolo em formato de cordeiro. Assim:

Até que parece gostoso!

Mas uma coisa sim é bem melhor na Páscoa alemã que no Brasil… Segunda feira depois da Páscoa também é feriado! XD


(Publicado em 31 de Março de 2013)

IKEA

Essa post com certeza não vale só para a Alemanha, mas para qualquer país que tem IKEA.

IKEA, para quem não sabe, é uma loja sueca de móveis e coisas para a casa. Tem uma parecida em São Paulo, a Etna. Só que a Etna, como tudo em SP, é super cara. No IKEA você mobilia sua casa inteira com uns 500 euros. Tá, vai, 500 talvez não. 550.

O fato é que o IKEA vende móveis baratíssimos. E de qualidade razoável. Não é que você vai comprar uma estante de madeira maciça por 10 euros, os móveis são feitos nos mais simples compensados e MDFs disponíveis, mas não são ruins. Eles apostam muito na flexibilidade, então você encontra vários móveis modulares personalizáveis.

Mas enfim, não estou escrevendo post para fazer propaganda da loja. Quero falar é da influência do IKEA nas casas alemãs.

Basicamente, é o seguinte: Toda casa alemã tem pelo menos uma coisa do IKEA dentro. Provavelmente várias. Se for casa de estudantes, ou pessoas novas sem altíssimos salários, pode apostar que uns 80% dos móveis e objetos básicos de casa (travesseiro, cobertor, talheres, pratos, etcetc) vieram do IKEA. Depois de duas ou três visitas a uma das enormes lojas para comprar seus próprios móveis e objetos de casa, você já será capaz de reconhecer de longe, numa foto embaçada e torta e de baixa resolução, um móvel do IKEA, e ainda saber o nome em sueco do mesmo. A primeira coisa que você pensará ao visitar um amigo pela primeira vez será algo tipo “Puxa, ele tem a [estante] Expedit na versão maior! Olha, esse é o Puf do conjunto da [cadeira] Poäng que eu tenho em casa! Ah, eu tava pensando em comprar essa [mesa] Lack, só que branca! Nossa, ficou bom, essa [cama] Malm do lado desse [gaveteiro] Bestä!

A repetição é tão grande que, outro dia, andando pela rua, começamos a contar quantas luminárias Regolit dava para ver pelas janelas acesas dos apartamentos em volta. A Regolit é a luminária mais barata que você encontra no IKEA, custa exatos 1,99 euros.

Em três quarteirões, contei 32 luminárias Regolit. Nas janelas acesas. Nas em que dava para enxergar a luminária.

Acho que dá para dizer com uma quantidade razoável de certeza que 100% das casas alemãs contém pelo menos uma Regolit em algum cômodo.

Enfim. Talvez seja meio entediante a repetição de móveis em todas as casas, ninguém tem nada original. Mas, fato, não precisar casar e convidar 378 pessoas para conseguir mobiliar o apartamento ao deixar a casa dos pais: não tem preço.

Só fica feio quando você vai num restaurante e os móveis também são do IKEA…


(Publicado em 26 de Março de 2013)

Morando em casas alemãs

As casas na Alemanha têm várias diferenças rapidamente perceptíveis, e bem esquisitas.

A primeira coisa que você vai notar ao visitar um amigo alemão é que você não vai entrar na casa dele pela sala. Todas as casas e apartamentos tem um pequeno (ou grande) hall de entrada para deixar seus vários casacos e, importante, os sapatos também. Ninguém na Alemanha anda de sapato em casa. Pode parecer frescura, mas é totalmente compreensível no inverno, quando você chega em casa depois de andar pela neve, e seu sapato tá cheio de neve que dali a um minuto vai derreter e virar uma bela poça de água suja embaixo do sapato. Preste atenção nisso se for visitar alguém na Alemanha. Os alemães vão achar muito estranho e mal-educado da sua parte se você entrar na casa sem tirar o sapato.

Então você chega na casa, e meia hora depois (se for inverno) você está finalmente pronto para atravessar o hall de entrada. É comum também, para os alemães, usar pantufas em casa. É tão comum que, ao visitar alguém, normalmente te oferecerão pantufas emprestadas. É tão comum que as pessoas de vez em quando até levam suas próprias pantufas quando vão na casa de alguém. Normal. Ok, sapatos e casacos devidamente guardados, pantufas nos pés, finalmente em casa. Nas casas alemãs, especialmente nos apartamentos, a planta normalmente é desenhada de maneira que todos os cômodos são acessados do hall. Às vezes a cozinha é aberta para sala (totalmente aberta, mesmo, parte da sala), mas normalmente são dois cômodos diferentes que não têm uma porta entre si. Sempre achei isso estranho!

Os cômodos costumam ser grandes e espaçosos, e repúblicas de estudantes normalmente não têm salas. Aquela medida padrão de quarto de apartamento em SP, 3x3m, é quase impensável, por aqui. Os quartos costumam ser bem maiores. Mas apartamentos nunca têm área de serviço. A máquina de lavar roupa costuma ficar na cozinha.

E entrando na cozinha, vc vai notar outra coisa muito muito esquisita. As bancadas da pia, nas cozinhas alemãs, não são de pedra! Normalmente são ou de alumínio ou de madeira! Alumínio até vai, mas madeira, que é super comum, é bizarro, você tira uma panela quente do fogão e precisa de um descanso de panela para poder colocar a panela para não queimar a pia? Nada a ver…

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Mesmo no banheiro também é raro ver bancadas de pedra. Pedra deve ser caro por aqui. O mais comum é só a louça, mesmo, no banheiro. Aliás, o banheiro é cheio de esquisitices. A coisa mais bizarra de todas é: NÃO TEM RALO! Quer dizer, tem um ralo para o chuveiro, mas um ralo para o banheiro todo, não! Aí você dirá, tudo bem, eu empurro a água com o rodo para o box e pronto, né?

Não. Para o chuveiro, os banheiros costumam ter ou banheira, ou um negócio muito esquisito de louça uns 10 ou 20cm elevado do chão. Assim:

Que idéia de girico, colocar o piso do chuveiro ELEVADO do banheiro… naaaada a ver. Acontece que eles não tiveram a brilhante idéia de rebaixar o forro do banheiro do apartamento de baixo para colocar as instalações hidráulicas do banheiros do apartamento de cima. É, os alemães não são muito bons de banheiro. Até porque box, como o que aparece na foto acima, também não são regra. O normal é aquela cortininha tosca que fica grudando em você durante o banho.

Aliás, voltando para cozinha, outro ponto interessante é que, normalmente eles só colocam azulejo em cima da bancada, em uma faixa de uns 70cm. Isso é legal, certamente a cozinha fica bem bonita sem ser coberta de azulejo.

Andando até o quarto, não sei dizer se é regra, mas percebi que não é nada incomum as camas não terem cabeceira. Super estranho.

Coisas boas das casas alemãs, porém, são:

– Aquecimento, óbvio, com -20˚C lá fora não ia rolar de ficar com frio dentro de casa também. Quando está a maior neve e frio do lado de fora, as casas parecem tão aconchegantes!

– Aquecimento também no piso do banheiro. Aí sim!

– Janelas de alta qualidade, nada daquelas terríveis janelas Sazazaki de todos os prédios de SP. (aquela toscona de alumínio que nunca dá para abrir o vão inteiro). As janelas daqui não costumam ter veneziana, e abrem de duas maneiras. Elas têm uma maçaneta, que nem de porta, que fica virada para baixo quando fechada. Virando a maçaneta na horizontal, a janela abre totalmente, como uma porta. Virando a maçaneta para cima, vira uma tipo uma janela maxim-ar de cabeça para baixo. Assim:

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São ótimas, essas janelas. Até porque elas precisam ser super bem isoladas, claro, então elas também cortam o barulho de fora de maneira bem eficiente quando fechadas.

Quanto a eletrodomésticos, na Alemanha é comum ter:

– fogões elétricos

– máquina de lavar louça (bem comum)

e

– fervedor de água (um bule que liga na tomada e ferve a água super rápido, aparece na foto da cozinha lá em cima)

Ok, acho que não esqueci de nada! Ah, sim, tem mais uma coisa que eu notei. Os alemães, embora super organizados na vida, são super desorganizados na casa. Sério, as casas por aqui são mó bagunçadas, e eles guardam muuuuito lixo. Sei lá, o trabalhinho que o filho – hoje com 30 anos de idade – fez no pré, coisas assim.. Achei uma contradição engraçada, os alemães, um povo super organizado, com casas bagunçadas. Os brasileiros são super desorganizados, mas as casas costumam ser super arrumadas!

Enfim, falando de casa tem que falar de IKEA, também. Mas fica para o próxima post.


(Publicado em 23 de Março de 2013)

Viajando pela Alemanha

Para continuar no tema estradas, achei que seria legal escrever um pouco sobre como as pessoas viajam de um lugar para outro na Alemanha.

Bom, basicamente, como em quase qualquer outro lugar, as opções são quatro: Carro, ônibus, trem e avião.

Vou deixar avião de lado que, convenhamos, comprar passagem de avião para ir de um lugar para outro num país um pouco maior que o estado de São Paulo é totalmente insustentável, não façam essas coisas.

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A opção provavelmente mais comum na Alemanha e na Europa, é, claro, ir de trem. Os trens aqui são super confortáveis, mesmo os mais baratos, e te levam para quase qualquer cidade que apareça no mapa. O serviço é, no geral, bem confiável. Às vezes quando neva demais os trens não andam, mas normalmente você não terá problemas. Os alemães te dirão que os trens aqui são super atrasados, nunca chegam no horário, sei lá o quê, etc e tal. Maior mentira. São super pontuais. Foram poucas as ocasiões que vi atrasos. Mas, pra quem adora chegar no horário, um atraso de 5 minutos a cada 20 viagens é tipo caos ferroviário, fujam para a Noruega!

As passagens de trem, no entanto, não são nenhuma pechincha. Viajando, digamos, de Berlim até Colônia, você vai pagar 70 euros, se comprar com antecedência. Se deixar para a última hora, 120 euros. Reservar com antecedência portanto é importante: até 3 dias antes da viagem, o preço é um. Menos de 3 dias, o preço praticamente dobra!

E é sempre um desafio encontrar a opção mais barata. Normalmente tem várias opções diferentes, trens regionais, intercity, eurocity, etcetc, cada um com preço e tempo de viagem diferentes. Aos fins de semana, passagens que valem o dia inteiro para grupos de até 5 pessoas te permitem passear num mesmo estado por um preço bem razoável. Mas as opções são infinitas e às vezes você se enrosca na maquininha da estação para achar a melhor oferta. Na dúvida, melhor perguntar.

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O site das ferrovias alemãs, onde você pode procurar as melhores conexões é o bahn.de .

Uma segunda opção é viajar de ônibus. Até pouquíssimo tempo atrás, não tinha nenhuma empresa fazendo conexões rodoviárias entre cidades alemãs, nem era permitido. Existia uma lei que proibia conexões rodoviárias de longa distância, com a intenção de manter o monopólio dessa viagens com a Deutsche Bahn, a empresa ferroviária, que é estatal. Não sei detalhes da história, mas recentemente essa lei mudou, e a partir do início de 2013 algumas empresas já começaram a oferecer viagens de ônibus. Os preços são melhores que os trens, então quem sabe a competição não faça com que os preços dos trens caiam também.

Finalmente, a outra opção é ir de carro. E agora a super supimpa surpresa… você não precisa ter um carro e nem mesmo alugar um!

Existe um site, por aqui, onde você pode combinar caronas. E é usado com muita freqüência, então você sempre acha ofertas de pessoas fazendo o mesmo percurso que você. Aqui as pessoas tem mais confiança, e claro, o país é mais seguro, então é super normal oferecer o espaço extra do seu carro pela internet ou viajar no carro de desconhecidos. E sai bem mais em conta que o trem.

Comparando com os preços que citei antes, de Berlim para Colônia as ofertas variam de 25 a 30 euros. Menos da metade do preço do trem comprado com antecedência. E para essas conexões mais importantes, entre cidades grandes, você pode procurar ofertas no dia anterior que sempre tem gente suficiente fazendo aquele percurso.

As ofertas costumam especificar a data e horário planejados para a saída da cidade de origem, o percurso pretendido (com mapinha e tudo), e detalhes sobre o carro (para você saber se é um carro apertado ou espaçoso) e sobre o motorista (se é fumante ou não, se está levando alguma coisa particular (um gato, digamos) ou também detalhes como “costumo dirigir rápido!” “Vamos com calma, preferimos segurança à pressa”.

Achando uma oferta que lhe seja conveniente, você liga para a pessoa, combina o local de saída (normalmente a estação central da cidade, ou algum ponto estratégico), e avisa a quantidade de bagagem que você tem pra levar. E pronto!

Os alemães, como qualquer grupo de pessoas em qualquer lugar do mundo, têm qualidades e defeitos. Uma qualidade fácil de apontar, inegável, e bem exemplar, é que no geral eles são super honestos. Então essas coisas combinadas pela internet com desconhecidos costuma funcionar super bem. Já viajei bastante assim e recomendo, é a opção mais rápida e mais barata. E já viajei com meninas de colegial cruzando o país sozinhas com motoristas completamente desconhecidos, então dá pra dizer que o país é seguro, mesmo. Mas, claro, sem falar alemão fica difícil combinar, tem que dar sorte da pessoa saber falar inglês. Em todo caso, o site onde você pode procurar e oferecer caronas é o mitfahrgelegenheit.de . Mirfahrgelegenheit significa opções de carona.

Uma particularidade das estradas, é que tem paradas só para banheiro. Assim, uma parada no meio da estrada só com banheiros, mais nada, nem restaurante, nem posto de gasolina, nem nada. Só banheiro. E pasmem: Cheirosinho e com papel!


(Publicado em 20 de Março de 2013)

O paraíso dos carros amarelos

As estradas alemãs – Autobahn – têm uma certa fama mundo afora. O motivo é que, em vários longos trechos das mesmas, não existe limite de velocidade. Aparecem às vezes placas com velocidade máxima permitida quando é um trecho de obras, ou próximo a saídas importantes, etc.
Mas se você vir uma placa assim:

Aproveita! Essa é a hora de testar os limites do carro. Pode ir à velocidade que quiser que não vai chegar multa em casa.

MAAAAAASSSSS calma, não é tão simples assim.

Na verdade, embora oficialmente não tenha um limite de velocidade, existe uma velocidade recomendada, que é de 130km/h. Qualquer coisa acima disso é um risco que você pode escolher correr. Significa que, se você estiver dirigindo a 200km/h, você não vai levar multa, mas se ocorrer qualquer acidente você será responsabilizado seja ele qual for.

A grande questão é, por que, então, não existe limite?

Alguns irão sugerir, bom, a Alemanha é um país fortemente controlado por indústrias automobilísticas! Alemães adoram seus carros!

Outros talvez dirão, acontece que os alemães são ótimos engenheiros, eles sabem calcular estradas onde velocidades altas são seguras!

Nah. Nada disso. O problema é a língua alemã.

A singela palavra alemã para limite de velocidade é “Geschwindigkeitsbegrenzung”. Repito. Geschwindigkeitsbegrenzung. Não, isso não foi um gato pisando no teclado, eu digitei certo.

Para ler Geschwindigkeitsbegrenzung numa placa, só se o limite de velocidade for 20km/h…

(E se você não entendeu o título do post: presta atenção, na próxima vez que você estiver viajando de carro, em todos os carros amarelos que passarem por você.)


(Publicado em 18 de Março de 2013)

Empregos que não existem na Alemanha

Aí vai uma lista de empregos que não existem na Alemanha. Se você trabalha em qualquer uma das áreas abaixo e pretende vir morar na Alemanha, fique avisado que sua experiência não terá valor! Vai pensando em outra carreira…

Frentista – Precisando reabastecer o carro, pode esquecer a ajuda. Melhor já ir descobrindo onde que fica o tanque e como que usa a bomba de gasolina que aqui ninguém vai fazer isso pra você!

Porteiro de prédio residencial – “Deixa com o porteiro se eu não estiver em casa” é uma frase que você nunca precisará saber em alemão. Os prédios residenciais não têm porteiro, quem recebe as cartas são as caixinhas de correio com o seu nome na entrada do prédio, e quem abre a porta para a visita é você apertando o botão do interfone. Aliás, detalhe interessante: normalmente você usa uma única chave para abrir o portão do prédio, a porta do prédio, a porta do porão com os depósitos dos apartamentos, a porta da garagem de bicicleta, e a porta do seu próprio apartamento. Ainda assim, a sua chave não abre o apartamento do vizinho. Hi-tech!

Cobrador de ônibus – Sua passagem você compra na maquininha de passagens no ponto ou estação, e carimba na maquininha dentro do ônibus/tram/metrô ao entrar. Se não carimbar, viaja de graça. A não ser, claro, que entre o fiscal no seu ônibus para fiscalizar as passagens de todo mundo. A multa por não carimbar o bilhete, se você for pego por um fiscal, é de 40 euros. Não adianta tentar fazer as coisas a la Brasil, eles calculam a quantidade de fiscalizações necessárias para que, estatisticamente, não valha a pena o risco de não carimbar. Tudo bem alemão.

Entregador de sofá – sei lá, não precisa ser só sofá. Mas aqui, se vc compra alguma coisa numa loja, você é que se vira para levar pra casa. De um gato a um piano de cauda, não é muito comum as lojas oferecerem serviço de entrega. Ok, talvez pro piano de cauda, que é um artigo mais específico, mas para trazer o sofá que compramos outro dia, precisamos alugar uma van e ir na loja buscar.

Os caras da mudança – Ok, não é que não existe. Dá para contratar uma empresa para fazer a sua mudança. Mas é super caro e bem incomum, mais para famílias maiores e casas grandes. Se você for estudante, ou um casal novo morando junto num apartamento, ou enfim uma pessoa jovem sem rios de dinheiro para distribuir, é normal você fazer a sua mudança por conta própria. Alugue uma van por um dia, escale alguns amigos e amigas fortes e energéticos, e ponha-se a carregar móveis pra cima e pra baixo!

Empregado doméstico – Tudo bem, existe também pessoas que você pode contratar para limpar sua casa um dia ou outro. (Aliás, aqui não é nada incomum a pessoa da limpeza ser um homem) Mas ter alguém que vá todos os dias arrumar sua cama e lavar sua louça, esquece. Pode ir descobrindo como funciona a máquina de lavar roupa. E esse negócio de “ajudar” a esposa a limpar a casa, só se você tiver mais de 40 anos. Aqui os homens não “ajudam”, eles fazem metade da limpeza e cuidados da casa que é de obrigação de todo mundo que lá mora.

Manobrista – Pfffffff…. esquece.

Ok, esses são só alguns exemplos. Aliás, são também empregos que provavelmente serão mais e mais raros no Brasil também, com o preço da mão-de-obra subindo para, imaginem, salários justos, e tal! Enfim, seja como for, o fato é que os europeus não são nada preguiçosos, por aqui você não contrata ninguém para fazer coisas que você pode fazer sozinho! Nada mal!


(Publicado em 17 de Março de 2013)

Cadê minha casa?

Quem nunca morou fora do país talvez nunca tenha percebido que no Brasil a gente tem o sistema mais sagaz ever de numeração de edifícios. Esse é o tipo de coisa que em cada país é diferentes, e a gente nunca ouve falar sobre como é em outros países uma vez que não é um assunto importante a não ser que você more lá, e obviamente se você mora no local você sabe como funciona.

Mas no Brasil isso funciona brilhantemente. O número da casa ou prédio é a distância da mesma até o início da rua. Apartamentos em prédios são numerados por andar. Tudo faz sentido.

Na Alemanha, não. Quer dizer, faz sentido, mas bem menos.

Pra começar, os edifícios são numerados sequencialmente. Pelo menos aqui em Dresden, um lado da rua tem numeração ímpar, e do outro lado, par. Mas já me disseram que em Berlim algumas ruas tinham numeração sequencial que começava de um lado, 1, 2, 3, 4, ia até o final da rua, e daí voltava do outro lado na direção oposta. Ou seja, vc teria de um lado da rua o número 1, e, do outro, digamos, o número 139.

Tá, até aí não é tão mal. Você não sabe quanto você vai ter que andar para chegar de onde você está até o número x, mas pelo menos você sabe em que direção andar (desde que você não esteja em Berlim).

Mas para encontrar um determinado apartamento num edifício a coisa complica. Seu endereço diz somente “Rua Tal, número X”. Apartamentos não têm números! Na porta do prédio tem o interfone, e para cada apartamento, a pessoa que mora lá põe o seu sobrenome na frente do botão. Se você estiver visitando alguém que more numa república com outros 4 ou 5 estudantes, pode ficar complicado achar o sobrenome do seu amigo escrito minúsculo junto com outros 4 sobrenomes num papelzinho de 2x5cm… Mas tudo bem, consegui interfonar e a pessoa apertou o botão para abrir a porta para mim. Mas como eu faço para achar a porta do apartamento no prédio? Se a pessoa esqueceu de te avisar, você vai ter que ir subindo de andar em andar e ler o nome do morador na frente de cada porta até achar seu amigo!

Bom, pelo menos os prédios têm bem menos andares e apartamentos…


(Publicado em 14 de Março de 2013)