Mês: maio 2013

Como levar as crianças para a escola

Esse post é a parte 4 do post sobre bikes: “E o que fazer com as crianças?”. Mas vou um pouco além para abordar, de maneira mais geral, como levar as crianças pra escola. Esse post estou planejando há meses (na verdade era uma das idéias que inspirou a criação do blog), mas precisei de um tempo para colecionar todas as fotos necessárias. E ainda vou precisar pegar umas da internet. Mas vamos lá.

Então, a questão final de adotar bikes como meio de transporte: Mas não dá, eu tenho crianças pequenas!

Keine Sorge!

Os alemães tem mil e duzentas alternativas diferentes para levar o(s) nenê(s) na bike de maneira segura e confortável.

A primeira, mais prática e fácil, são as cadeirinhas de nenê que podem ir na frente ou atrás. Na frente é meio raro achar, porque acho que as opções são cadeirinhas menores. Para trás, as cadeiras disponíveis carregam crianças de 9 meses até 4 anos de idade. e são ajustáveis para encaixar sua criança que muda de tamanho a cada mês.

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E claro, você pode facilmente combinar ambos e colocar um nenê na frente e outro atrás.

Mas se vc ainda estiver na dúvida achando perigoso, ah, sei lá, eu sou meio desequilibrado, vou cair com a bike e as crianças, aí vai todo mundo ter que correr pro hospital, desastre, perigoso, awawa awawa. Ok, tem outras soluções.

Você pode também conectar à sua bike um trailer de criança. É super complexo, com cadeirinhas, cintos de segurança, fecha para não chover na criança, e tem carrinhos com tamanhos diferentes para uma ou duas crianças.

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Esses trailers são super práticos. Além de conectar à bike, você pode também levá-lo separado, quando estiver andando, como se fosse um carrinho de bebê. É super comum, por aqui, ver esses carrinhos conectados às bikes ou sendo levados à parte. São caros, claro, mais ou menos o preço de uma bike nova. Mas bem seguros e confortáveis.

Essas opções são as mais comuns: as cadeirinhas e os trailers.

Outras alternativas menos frequentemente encontráveis existem. Tem uma opção de trailer que fica na frente da bike, também. Mas esse eu só vi uma vez e nem consegui achar nenhuma foto.

A opção provavelmente mais simples e mais barata e adicionar um banquinho, que nem o banco da bike, só que menor, na frente. A criança fica sentadinha lá como se estivesse dirigindo a bicicleta.

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É provavelmente a opção menos segura, mas para percursos curtos e crianças um pouco maiores, que já conseguem se equilibrar bem, pode ser uma boa alternativa.

E uma outra alternativa, para crianças que já estejam aprendendo a andar nas suas próprias bicicletas, você pode conectar à sua bike uma meia-bicicleta infantil. Fica assim:

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Aí a criança já vai pedalando, mas você não precisa ir devagar para esperar o pentelhinho te alcançar. Nunca vi, mas achei na internet uma foto com uma meia-bicicleta-de-criança-para-duas-crianças-conectável-à-bike-de-adulto:

E com cestinha na frente e atrás, ainda!

E, claro, se você for paciente e não tiver pressa, tem opções de bicicletas infantis para crianças de praticamente qualquer idade. Para as mais pequenininhas, as bikes não tem pedal, a criança só senta e vai empurrando o chão.

Mas, como eu falei, eu ainda quero abordar algumas outras opções de nenêmóveis comuns por aqui…

Quando o tempo está bom, é frenquente ver professoras do jardim da infância e do primário levando a turminha pela cidade para um centro de esportes, para um museu, para um parquinho ou simplesmente passeando pela cidade para aprender alguma coisa. Numa cidade pequena como Dresden, as crianças sempre vão a pé, mesmo, em duplinhas, com dois ou três adultos tomando conta. São bonitinhos.

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Mas mais bonitinho ainda é quando as crianças ainda são bem pequenas, e para facilitar o passeio as tias colocam quatro ou cinco crianças sentadinhas num carrinho-de-mão fofo e colorido para ir empurrando:

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Bem engraçadinhos!

Mas claro, todas essas opções são para quando não tá muito frio, né… E como faz quando neva horrores?

Leve as crianças de trenó.

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É SUPER comum, quando neva, ver pais levando os pimpolhos para escola sentadinhos em trenozinhos de madeira. Fico imaginando as crianças acordando e vendo super felizes que nevou, e gritando pela casa: “MÃÃÃÃÃEEEE NEVOOOOU, VAMOS DE TRENÓ????””

E ainda dá pra conectar dois trenós e levar toda a criançada de uma vez só!

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Só cuidado para não perder nenhuma pelo caminho…

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Para saber mais sobre bikes na Alemanha, veja as partes 1, 2, e 3 do post Pedalando na Alemanha: Parte 1 – Onde e para quem?, Parte 2 – Quando pedalar e onde estacionar?Parte 3 – Com chuva e carga?


(Publicado em 26 de Maio de 2013)

Nomes e sobrenomes alemães

Ah, o assunto desse post é interessante. A intenção não é saber quais nomes são usados na Alemanha nem nada disso, mas sim para ver as regras de primeiros nomes e sobrenomes na Alemanha. Prepare-se: É BI.ZAR.RO.

Começando pelo primeiro nome, então. Se você tiver um filho na Alemanha e quiser/puder registrá-lo aqui (só dá se um dos pais for cidadão alemão), não vai rolar nomes como Maicon, Edyleuza ou Rosmarilson. O nome terá que ser aceito pelo Standesamt (algo equivalente ao cartório de registro civil) e deverá seguir algumas regras nada cisnormativas:

1 –  Tem que ser possível identificar o sexo da criança pelo primeiro nome. Se o primeiro nome for um nome neutro, como, digamos, sei lá.. Íris ou.. Ariel, sei lá, nesse caso tem que ter um segundo nome que especifique o gênero. Porque, que absurdo, né, não sabermos se alguém é mulher ou homem ao ler seu nome impresso em algum lugar, é tipo o horror.

Além disso, claro, seguindo essa lógica, é também proibido dar um nome feminino para um menino ou vice-versa, exceto Maria, que pode ser usado como segundo nome para meninos.

2 – O nome não pode ser absurdo ou degradante, claro.

3 – Sobrenomes, nomes de produtos ou nomes de objetos não são permitidos como primeiros nomes. Tudo bem.

Basicamente o que significa é que você não pode inventar nomes, e tem que deixar claro se a criança é menino ou menina. (aproveita e mergulha o nenê em tinta rosa ou azul para não restarem dúvidas).

Tá, mas e aí, eu sou brasileira, meu esposo(a) é alemão, mas eu queria chamar minha filha de Laís, porque convenhamos, é um nome que denota inteligência, confiança, coragem, e acima de tudo modéstia. Quero chamar minha filha de Laís, mas aqui na Alemanha esse nome não existe, como faz?

Bom, não que eu recomende dar para a criança um nome que não será facilmente reconhecido por aqui – é um saco ter que soletrar o nome toda vez. Se o nome que você der para a criança não for aceito pela Standesamt, você pode recorrer legalmente da decisão. Em casos em que a criança tiver pais de diferentes nacionalidades, é possível que o nome seja aceito se for normal no outro país. Como exemplo um caso de um casal germano-chinês que queria dar um nome chinês para a filha, e a Standesamt só aceitou após confirmar com a embaixada chinesa que o nome era normal na China (http://german.about.com/library/blname_reg.htm). Então há chances de você conseguir chamar sua filha de Laís, UFA!

E as leis de sobrenomes eu acho ainda mais peculiares.

Na Alemanha não dá pra ter vários sobrenomes. Você tem um sobrenome. Fim. Nada de Dom Pedros Primeiros por aqui.

Se você casar, mudar seu nome logicamente não é obrigatório, e tanto o marido quanto a esposa podem adotar o sobrenome do cônjuge. Mas aí vou ter que abrir mão do meu nome original? Bom, a alternativa é você combinar os dois nomes com um hífen. Então, digamos que a Angelina Jolie e o Brad Pitt fossem alemães, e o Brad quisesse adotar o nome da Angelina mas sem abrir mão do seu nome, ele poderia se chamar Brad Pitt-Jolie. Não Brad Pitt Jolie. Brad Pitt-Jolie.

Mas as 6 crianças do casal não poderiam se chamar Pitt-Jolie (nem Jolie-Pitt, aliás), mas só Jolie.

Quer dizer, os filhos recebem automaticamente só o nome comum do casal e isso não é opção. Se o casal mantiver seus próprios sobrenomes e ninguém adotar nome de ninguém, aí os pais podem escolher qual dos sobrenomes a criança vai ter. Mas só um (e todas as crianças tem que ter o mesmo, me parece)! Muito embora eu ache que um sobrenome seria mais do que o suficiente pros meus filhos, acho bizarro que não exista a opção de dar dois sobrenomes… mas enfim. Eles não querem saber de acúmulo de sobrenomes por aqui. Inclusive tem um caso de um casal em que a mulher já tinha o sobrenome hifenado e se casou e queria adotar o nome do marido e ficar com um sobrenome com dois hifens “Thalheim-Kunz-Hallstein”. Mas a Corte Suprema (o caso foi longe) não aceitou e manteve a proibição de adotar nomes com dois hífens. (http://www.thelocal.de/society/20090505-19067.html)

Ainda que o acúmulo de nomes e sobrenomes nada raro no Brasil seja questionável, essas proibições, sei não. Acho o maior exagero. Como li em algum lugar: no mínimo irônico vindo de um país com uma língua que acumula substantivos numa única palavra infinita…

Ainda falando um pouco mais sobre nomes. Aqui o sobrenome é híper importante. (Bom, acho que na verdade o Brasil é uma das poucas exceções nesse sentido, onde quase nunca as pessoas são tratadas pelo sobrenome ao invés do primeiro nome). Mas em qualquer situação que você não conheça a pessoa, ou quase qualquer situação que não seja absolutamente informal entre família e amigos, você será sempre tratado pelo seu sobrenome, precedido de Herr (Senhor) ou Frau (Senhora). Aliás, aqui até faz sentido que eles insistam em primeiros nomes com gênero específico. Sempre que eu mando um email para alguém que não me conhece e assino com o meu nome completo sem Frau nem Herr, e não há nada no email que indique um ou outro, recebo uma resposta me tratando como “Caro Senhor Awawa”…

E eles levam a sério esse negócio de tratar por você (du) ou por senhor(a) (Sie). Realmente é só digamos pessoas da sua idade, colegas de classe, tal, ou crianças, ou família estendida (tipo a família do seu namorado(a)) que você trata automaticamente por você. Qualquer outra pessoa desconhecida deve ser tratada por senhor ou senhora, e só se o mais velho ou o que estiver mais alto na hierarquia é que pode ter a iniciativa de começar a usar o “du” e primeiros nomes. (E a pessoa vai sempre perguntar antes se tudo bem).

É bem difícil se acostumar a tratar todo mundo por senhor(a) e a ser tratado pelo seu sobrenome. Por outro lado, em família eles sempre usam du, então é normal vc tratar, digamos, a bisavó de 96 anos de idade do seu namorado, por você ao invés de senhora, o que eu também acho particular!

Mas pelo menos não tem aquela separação besta entre Senhora e Senhorita (tá, em português a gente não usa, mas digamos Miss e Mrs. em inglês), Frau vale para todas as mulheres.


(Publicado em 24 de Maio de 2013)

Oi, tudo bem?

Na Alemanha, um simples “oi tudo bem” pode ser um pouco mais significativo do que parece. A resposta breve, simples e não comprometedora que nós brasileiros damos a essa pergunta (“tudo!”), que vale igual tanto para quando você acabou de ser promovido a diretor geral da Apple quanto para poucos minutos depois da morte do seu cachorro, aqui não vale.

Sabe quando vc vê alguém na rua, pela janela do ônibus e grita “Oi, Fulano!! Tudo bem?”. Não funciona.

Ao perguntar para algum alemão (e é educado perguntar) “Wie geht’s” (como vai?), espere uma longa e detalhada resposta.

Embora possam ser descritos como “fechados”, os alemães costumam ser na verdade bem abertos se vc perguntar como vão as coisas. Nada é pessoal demais. “Ah, eu tive um ataque cardíaco no mês passado, agora tenho que tomar vários remédios durante um ano, meu médico disse que 30% das pessoas que tiveram ataque cardíaco morrem no primeiro ano, então tem que tomar vários cuidados, e tal, aí eu pedi demissão, mas tá meio complicado para pagar as contas, e…”.

E eles esperam respostas igualmente precisas da sua parte. Fique à vontade para descrever aquela briga que o seu tio teve com a sua avó na semana passada sobre o seu cachorro, eles vão ouvir com atenção.

E se você tiver um(a) namorado(a) alemão(ã), fique tranquilo em saber que toda a família e os amigos próximos dele(a) que lembrarem de perguntar “e como vai o(a) namorado(a)?” saberão detalhes da sua vida. (mas nada além do socialmente aceitável, claro, não se assuste). Mas várias vezes já me desentendi com o moço ao ouvi-lo no telefone explicando “Ah, tudo bem, ela estava meio deprimida por não conseguir arranjar um emprego, né, e especialmente agora, no inverno, mas agora ela começou a trabalhar, então as coisas melhoraram, e a mãe dela veio visitar recente, também, e também um professor da universidade apareceu por aqui, ela ficou contente de poder falar um pouco de português com alguém, porque ela não conhece nenhum brasileiro, aqui, sabe, mas ela fez alguns amigos no curso de alemão e…”.

Aliás, às vezes nas coisas mais simples eu sinto que os alemães se explicam demais. Por exemplo, indo comprar um casaco de inverno na C&A, namorado perguntando para a vendedora “Ah, você pode ajudar a gente com os casacos de inverno, aqui? Não, pq sabe o que é, a minha namorada é do Brasil e esse é o primeiro inverno dela aqui, e a gente não sabe qual casaco é melhor e…”

Nada é pessoal demais.

(todas as conversas-exemplos são baseadas em fatos reais!)


(Publicado em 17 de Junho de 2013)

Pedalando na Alemanha – Parte 3: com chuva e carga?

Essa é a terceira parte do post sobre bicicletas na Alemanha. A primeira e a segunda partes você encontra aqui e aqui, respectivamente.

Esse post é mais simples, basicamente para discutir questões de praticidade que pessoas que não usam bike como meio de transporte costumam perguntar, ou usar de desculpa para ir de carro até a padaria da esquina.

O que fazer se eu estiver indo de bike e começar a chover?

Aqui é muito simples. Se vc realmente não quiser se molhar (um pouquinho de chuva só faz mal se vc for feito de açucar), termine o percurso de tram. Vc pode deixar a bike onde está e buscar quando passar por lá de novo, ou, mais prático ainda, levar a bike com você no tram. Estou falando de tram pq é o principal transporte público de Dresden, que é onde eu moro, mas vale, em outras cidades, para metrôs e ônibus também.

Sempre dá pra levar a bike junto, normalmente você paga uma tarifa um pouco maior para levar bicicleta ou cachorro.

Aqui em Dresden, o bilhete para uma viagem de tram/ônibus/trem custa 2,00€. Para levar bicicleta ou cachorro você compra também um bilhete de preço reduzido (que é o mesmo que vale para crianças de 6 até 14 anos) por 1,40€. Então para ir de tram com a sua bike ou o seu cachorro, você paga um total de 3,40€. Parece muito, mas aqui, e em qualquer cidade da Alemanha e provavelmente da europa inteira, tem várias opções diferentes de bilhete. Você pode comprar o bilhete para uma viagem, ou o bilhete de 4 viagens, que sai mais barato, ou o de um dia inteiro, ou o de uma semana inteira, ou o de um mês, ou o de um semestre. Para a bike, tem a opção de bilhete mensal de bike. Então, por exemplo, se vc usa trem todo dia, digamos, vc vai de bike até a estação, daí pega o trem, e aí vai o resto do caminho de bike, vale a pena comprar um desses bilhetes mensais de bike, que custam só 16€. (ainda precisa do seu bilhete próprio, também, claro. O mensal custa 52,50€. Enfim, eu falo mais das várias opções de bilhetes de transporte público em um post futuro sobre transporte público.

Mas não ficam lotados, os trams/ônibus/metrôs? Cabe a bike?

Às vezes eles ficam bem cheios, sim. Não é assim, uma estação da Sé às 18h, mas em alguns horários pode ser um pouco complicado colocar a bike pra dentro, sim. Mas os alemães são muito tranquilos em relação a transporte público. Não tem empurra-empurra, mesmo quando está lotado todo mundo que quer descer consegue descer, é tudo muito tranquilo. E se tem alguém com uma bicicleta ou um carrinho de bebê, sempre arranjam um jeito de abrir espaço para a pessoa. Mas, claro, se realmente não der, sempre tem a possibilidade de estacionar a bike em algum lugar e buscar depois.

A outra questão é, como levar coisas na bicicleta?

Tem várias opções. Você pode colocar uma cestinha na frente, uma cestinha atrás, uma cestinha na frente E uma atrás…

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Ou, se você não é fã das cestinhas, tem a opção de colocar uma bolsa de bicicleta, que fica do lado da roda traseira. (Nesse caso o ideal é colocar duas, para equilibrar o peso, mas funciona só com uma, também)

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Você pode dar um jeito de prender suas coisas na garupa…

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E, claro, se você prefere uma bike mais simples e clean, a opção é levar as coisas na mochila, ou, ainda, na mão mesmo. não é tão difícil quanto parece.

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No próximo e último post sobre bikes: E o que fazer com as crianças?


(Publicado em 16 de Maio de 2013)

Pedalando na Alemanha – Parte 2: Quando pedalar e onde estacionar?

Antes de partir para os próximos dois tópicos do assunto bicicletas, um detalhe que esqueci no post anterior.

Às vezes você vai encontrar, em calçadas e áreas para pedestres, essas duas placas:

placasAs duas placas indicam que o tráfego é compartilhado entre bikes e pedestres. A diferença é que, na placa da esquerda, não tem separação entre onde vai a bike e onde vai o pedestre. A placa da direita indica que um lado da calçada é ciclovia e o outro é para pedestres. (Normalmente a ciclovia terá um piso vermelho).

Mas vamos para o assunto do dia.

Primeiro: Quando andar de bike? De manhã? De tarde? A Noite? Na hora do rush? De fim de semana? No domingo? Todo dia? Só às quartas?

Vai de bike quando quiser. Mesmo na hora do rush, no problem, vai tranquilo. A única restrição que eu sugeriria é não ir na neve. No inverno a quantidade de bikes que você vê pela rua diminui drasticamente, pq o ventinho de -20˚C batendo na sua cara e na sua mão, precisa ter nascido na Sibéria ou ser descendente direto de ursos polares pra suportar. E, lógico, se tiver nevado digamos que não é a opção mais segura.

Nossa, mas tá a maior neve, o transporte público resolveu entrar em greve e eu preciso chegar no trabalho, como faz? Bom, dependendo do caminho que você for fazer, dá pra ir de bike na neve também. Depende de ser um caminho bem mantido. Isso significa que o caminhão da prefeitura terá passado por lá de manhã espalhando areia ou pedrinhas. No centro da cidade não será um grande problema, além de ser bem mantido, como o tráfego de pessoas e carros é alto, a neve derrete rápido.

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Mas fica ruim de andar na rua porque ela fica mais estreita, já que a areia ou pedrinhas estará só no meio.

De qualquer maneira, durante o inverno poucas pessoas vão de bike. E por tal motivo, é a melhor época do ano para comprar uma bike usada, as lojas estarão cheias de opções.

Aí tá, cheguei no lugar de bike, tal, que que eu faço agora? Pode parar em qualquer lugar? Tem bicicletário? Vão roubar minha bike?

Lugar para estacionar a bicicleta não falta. Espalhados pela cidade, você vai encontrar diferentes tipos de paraciclos. Parte dos equipamentos urbanos, eles ocuparam por vezes o espaço de uma ou duas vagas, ou o espaço extra da calçada que alarga na esquina, ou ainda praças ou calçadas generosas.

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Especialmente em pontos estratégicos, como em estações de trem, a oferta de locais para estacionar a bike vai ser bem ampla. (e mesmo assim pode ser um desafio encontrar um espaço vazio)

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De qualquer maneira, na falta de um lugar apropriado, opções alternativas não faltam. Sinta-se livre para prender sua bike num poste de rua, em um portão, um guarda-corpo ou mesmo em uma árvore. Fique tranquilo que, se o dono (do portão, digamos) se incomodasse, teria uma plaquinha avisando.

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Lojas, supermercados, farmácias e outros estabelecimentos comerciais com freqüência têm seu próprio mini-paraciclo-portátil que eles colocam na frente da loja ao abrir a mesma. Só tome cuidado em não esquecer a bicicleta parada num desses paraciclos quando a loja fechar: eles colocarão o paraciclo com bike e tudo pra dentro da loja, e aí, só no dia seguinte…

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E na falta de qualquer uma dessas opções, você pode sempre encostar sua bike no muro ou parede mais próximo e resolvido. Claro que nesse caso sua bicicleta estará um pouco menos segura, mas sério, pra alguém passar e sair carregando sua bike na boa sem ninguém perceber, pouco provável, se for durante o dia. E por aqui me parece que a quantidade de roubos de bicicleta é bem pequena, pelo menos em Dresden, onde eu moro. Talvez em cidades maiores valha a pena ser mais cuidadoso, mas, por aqui, vejo até bike sem corrente nenhuma parada num canto tranquilamente. (Não recomendaria, claro). E também é raríssimo ver bikes com partes roubadas abandonadas em postes. (roda da frente, banco, a bicicleta inteira menos a roda, etc, variando de acordo com o que está preso no paraciclo, e o que é facilmente retirável).

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Mas claro, o ideal é sempre prender a bike em um paraciclo ou poste, e passar a corrente pelo quadro e pela roda da frente, que é mais fácil de tirar.

Espaço para guardar a bike em casa também não deve ser problema. Todos os prédios vão ter algum canto para guardar a bike, normalmente um mini-paraciclo onde deixar sua bike se vc usa bastante, e um bicicletário fechado, trancado e tal, para guardar a sua bike durante o inverno, ou quando estiver viajando.

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Finalmente, recomendo ainda cuidado ao parar a bike em algum poste muito perto da rua. Se ocorrer de alguém esbarrar na sua bicicleta e derrubá-la, e parte dela acabar ficando pro lado da rua, desastres podem acontecer.

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Não deve ser animador encontrar sua bike assim!

No próximo post: O que fazer na chuva e como carregar coisas na bike!


(Publicado em 8 de Maio de 2013)

1˚ de Maio

Hoje é 1˚ de Maio, e, como no Brasil e provavelmente no mundo inteiro, é feriado de dia do trabalho. Ou, em alemão, Tag der Arbeit. E, como qualquer bom dia do trabalho, tem lá suas manifestações, passeatas, etc.

Mas além do dia do trabalho, essa data tem também alguns outros significados e tradições na Alemanha, relacionadas com a primavera.

A primeira é a tradição de  “entrar em Maio dançando”. Basicamente significa que na virada de 30 de Abril para 1˚ de Maio você passa dançando. Vai numa balada e fica dançando a noite inteira, e tal, para comemorar a chegada da primavera. Mas na Bavária a coisa vai um pouco mais longe. A tradição é ter uma árvore de maio: Você corta uma bétula e tira todos os galhos, deixando só o topo da copa. Ela é então decorada com uma coisa redonda, tipo uma guirlanda, com fitas coloridas. Como não deu para entender nada, vai aí uma fotinha:

Então, preparada a árvore, você dança em volta dela na entrada de Maio.

É também tradição tentar roubar as árvores de maio de outras cidades. Quer dizer, cada cidade tem a sua, e elas tentam roubar as árvores umas das outras.

A segunda tradição desse dia também inclui uma árvore de maio com fitas coloridas. O costume é que os rapazes cortam uma dessas bétulas (são umas árvores com troncos brancos), decoram com fitas coloridas, e colocam, durante a noite, na frente da janela de sua amada.

Além disso, se vc não gosta da pessoa, ao invés da Bétula com fitas coloridas, segundo a tradição você coloca na frente da janela um pinheiro. Mais felizmente ninguém é assim tão cruel e essa parte da tradição é deixada de lado.

A árvore seria deixada na frente da janela da tal amada por um mês, até dia primeiro de Julho, quando, ao buscar de volta a árvore com fitas, o rapaz receberia da mãe da amada um bolo, do pai da amada uma caixa de cerveja, e, da amada, um beijo. (mas só se ela gostar dele também, claro).

Isso é comum não na Alemanha inteira, mas em partes da Alemanha Ocidental, como na Rheinland (a área ao longo do rio Reno), acontece bastante. (Lembre-se que, no caso da sua amada ter uma irmã, é recomendado colocar o nome da moça na árvore, para não gerar confusões.)

Eu sei. Você, pessoa que, como eu, atenta para a igualdade de gêneros, está agora se indignando com essas tradições machistas onde a iniciativa tem que sempre vir do homem. Mas a tradição é machista só em 75% do tempo! Ahá! Em anos bissextos, são as moças que deixam árvores nas janelas dos seus amados. E homens casados deixam árvores nas janelas de suas esposas, também nos anos bissextos. (aparentemente, uma vez casado, as demonstrações de amor podem ocorrer com freqüência 4 vezes menor).

Mas certamente deve ser bem simpático acordar no primeiro de maio com uma árvore com fitas coloridas na sua janela! (só funciona porque na Alemanha não tem prédios de apartamentos com 30 andares, claro).


(Publicado em 1˚ de Maio de 2013)