Mês: junho 2013

Biergarten: não dá para ser mais alemão.

Não tem nada mais alemão que um Biergarten. E é uma das coisas mais legais da Alemanha. Vindo para cá, não deixe de visitar algum.

Como diz o nome, Biergarten seria algo como um “Jardim de cerveja”.

Na verdade é um restaurante/bar ao ar livre onde as pessoas vão para, essencialmente, tomar cerveja, comer um salsichão com mostarda ou um Pretzel. De verdade. Todos os esteriótipos clichês que você conhece da Alemanha unidos numa coisa só. Só falta um alemão gordo com trajes típicos da Bavária para completar o ambiente.

Mas esse só tem na Bavária mesmo. No resto da Alemanha, contente-se com a cerveja, o pretzel e o salsichão. Tá, talvez mesmo na Bavária os trajes típicos não sejam lá tão comuns.

Para dar uma idéia melhor do ambiente de um Biergarten, aí vão algumas imagens:

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Simpático Biergarten ao longo do rio Elba, em Dresden.

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Mas ainda que você não seja muito fã de cerveja, tem outras opções de bebida. Refrigerantes normais, refrigerantes alemães, refrigerantes misturados com cerveja, e até um cafezinho, se for o caso.

Nota importante: os alemães chamam refrigerante de “Limonade”. Limonade pode ser qualquer refrigerante, ainda que nem tenham limões envolvidos no processo. Portanto, se te oferecerem Limonade, não espere um suco de limão. Uma limonada normal, assim, limão, água e açúcar, não tem. Nunca vi suco de limão em lugar nenhum.

E como assim refrigerantes alemães? Na verdade aqui na Alemanha tem vários refrigerantes diferentes. Bionade, por exemplo, é uma marca bem famosa por aqui, de refrigerantes de laranja com gengibre, Hollunder (uma frutinha redonda pequena vermelha ou preta), Lichia, Marmelo ou Ervas. Sabores super normais.

Fassbrause também é outra marca de refrigerantes, produzidos por uma companhia de cerveja, com vários sabores diferentes, também, freqüentemente disponível nos Biergärten. Vale a pena experimentar alguns desses refrigerantes diferentes. Tanto Bionade quanto Fassbrause são produzidos pelo mesmo processo da cerveja, quer dizer, fermentação, e portanto tem um ligeiro gosto de cerveja, sem o álcool.

E os Biergärten funcionam da seguinte maneira: Eles tem um “balcão”, você vai lá, compra a sua cerveja e seu salsichão e senta numa das mesinhas. Não tem serviço, você que busca o que você quer, e as mesas são normalmente super grandes e compridas, e é completamente normal sentar na mesma mesa que outras pessoas, não se intimide.

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Tem algumas outras opções de comida, além do salsichão, normalmente batatas, talvez uma salada, coisas também bem alemãs.

Biergärten são super comuns pela Alemanha toda, têm um ambiente super simpático, com as mesas ao ar livre, especialmente se estiver em um parque ou nas margens de um rio. Não deixe de visitar um!


(Publicado em 23 de Junho de 2013)

Kubb

Que jogo esquisito é esse com essa torrinha de madeira que esses alemães estão jogando no parque?

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Kubb.

Na verdade, é um jogo originalmente sueco. Mas ainda que este blog não seja Manha de Suécia, vale a pena um post sobre o Kubb. Não sei dizer se é tendência na Alemanha toda ou se é uma coisa só daqui, mas jovens jogando bastões de madeira em paralelepípedos de madeira podem ser encontrados nos parques de Dresden em qualquer dia com tempo bom no final da tarde.

Nunca joguei, logo não conheço as regras nos mínimos detalhes. Mas basicamente tem uma torre de madeira no meio, uns paralelepípedos de madeira de cada lado, e os bastões com os quais você tem que acertar e derrubar os paralelepípedos, que são os tais Kubbs. (nessa foto não são paralelepípedos, mas costumam ser)

Os bastões pontudos e o materlinho são para marcar o campo, que deve ter 5x8m.

O jogo pode ser jogado com duas ou mais pessoas, separadas em dois times. Os Kubbs são colocados no limite do campo, cinco para cada time, equidistantes. O rei (a peça que parece uma torre) fica no centro do campo. Assim:

Se eu entendi bem, funciona assim:

O time “A” começa, atirando os 6 bastões a partir da sua linha de base (onde estão posicionados os Kubbs), tentando derrubar os Kubbs do outro time.

O time “B” então deve jogar os Kubbs que tiveram sido derrubados na metade do campo do time “A”. Os Kubbs devem ser colocados de pé onde tiverem sido jogados. Basicamente, a estratégia é tentar jogar os Kubbs o mais próximo possível um do outro, para que possam ser derrubados de uma vez só. Então o time “B” começa a atirar os seis bastões para derrubar os Kubbs do time “A”. Mas antes de derrubar os Kubbs da linha de base, devem primeiro derrubar todos os Kubbs que estiverem de pé no meio do campo. Novamente, todos os Kubbs que tiverem sido derrubados devem ser jogados para o outro lado do campo.

Se o time que estiver jogando os bastões não conseguir terminar de derrubar todos os Kubbs que estiverem no meio do campo, o Kubb que estiver mais próximo da linha que divide os dois campos passa a marcar a linha de base, a partir da qual o outro time atirará os bastões.

O jogo continua desta maneira até que um dos times consiga derrubar todos os Kubbs do campo oposto, os que estiverem na linha de base e os que estiverem no campo. Se esse time ainda tiver bastões sobrando, deve então tentar derrubar o rei. Se conseguir, termina o jogo e o time em questão ganha.

Se o rei for derrubado em qualquer outro momento do jogo, o time que o tiver derrubado imediatamente perde.

Basicamente é isso, com alguns outros detalhes para o caso de um Kubb ter sido jogado fora do campo, ou ter derrubado outro, e todas os possíveis imprevistos que podem acontecer durante o jogo.

As pernas não eram para ser o foco da foto.

As pernas não eram para ser o foco da foto.

Talvez um dos motivos de ser tão popular por aqui seja pelo fato de não ter um número máximo de jogadores, o que o torna um ótimo jogo para grupos de amigos. Não precisa nem dividir os times com o mesmo número de pessoas em cada, já que o número de jogadas será sempre igual. Basta que as pessoas se revezem para atirar os bastões, e todo mundo se diverte.

Dado o clima ingrato da Alemanha, assim que o tempo melhora vai todo mundo correndo tomar um sol no parque, em grupos de amigos com violão, churrasqueira, bicicleta, picnic, cerveja, o que for. O Kubb é uma boa adição às atividades para se fazer ao ar livre.

Pelo visto os Berlinenses também jogam Kubb.


(Publicado em 22 de Junho de 2013)

Transporte público na Alemanha

Diante da escalada de manifestações ocorrendo em São Paulo, no Rio, e em outras cidades brasileiras, me pareceu superficial vir aqui escrever um post sobre, sei lá, os jardins que os alemães que não moram em casa alugam ou compram, às vezes bem longe de suas casas, para ter um lugar verde para plantar umas plantas e cultivar umas coisinhas. Ou um outro post, sobre, sei lá, o que os alemães fazem no seu tempo livre, ou bichos de estimação que os alemães tem, entre outros vários assuntos que tenho planejados para futuros posts.

De fato, essa semana tem que ser alguma coisa que contribua para a discussão.

O ideal seria, claro, um post sobre violência policial na Alemanha, ou repressão a manifestações na Alemanha. Existe? Existe. Aliás, aqui em Dresden, o dia 13 de fevereiro é uma ótima data para presenciar alguns absurdos por parte da polícia e da justiça, que misteriosamente não proíbem a manifestação neo-nazista, mas tentam parar os manifestantes que saem às ruas para bloquear os nazistas. Vídeos de manifestantes pacíficos, que estão simplesmente sentados no chão, sendo arrastados pela polícia para desbloquear o caminho dos nazistas, ou ainda o vídeo mais chocante que vi desse mesmo dia, em que nazistas atiram pedras em um edifício onde moram estrangeiros , xingando e gritando ameaças aos mesmos, enquanto dois carros de polícia assistem a tudo de longe sem tomar nenhuma atitude.

Outros registros, de policiais tirando seus capacetes e se juntando aos manifestantes do movimento Occupy, em Frankfurt, também existem.

Mas eu, nunca tendo participado de uma manifestação na Alemanha nem estando suficientemente informada sobre a política, a atuação das autoridades e da polícia, ou a reação do povo por aqui, não estou capacitada para escrever sobre isso.

Entretanto, um post que já estava planejado e que vem a calhar neste momento, ainda que a discussão já esteja muito além do transporte público, é esse: como funciona o transporte público alemão.

Até já escrevi um pouco sobre o assunto, nas dicas sobre Berlim e Dresden, e no post sobre empregos que não existem na Alemanha (cobrador de ônibus sendo um deles). Esse post é uma compilação do que já foi dito e outras informações adicionais.

O transporte público alemão é gerido por empresas públicas responsáveis por uma cidade ou uma região. Então em cada cidade ou região apresentará diferenças. Até aí não é muito diferente do Brasil, exceto que aqui as empresas são mesmo públicas, não tem Via Quatro criando logos para suas próprias linhas de metrô.

Tem muitos pontos positivos no transporte público por aqui. Em primeiro lugar, TUDO é 100% integrado. Não tem essa história esquisita de, ok, você pode pegar vários ônibus durante 3 horas, mas se entrar no metrô tem que pagar extra. Se você comprar um bilhete de transporte, que aqui em Dresden vale por 1h, nessa 1h vc pode pegar quantos ônibus, trams, metrôs ou trens regionais você quiser. Como assim, trem regional? Quer dizer, com o mesmo passe do ônibus você pode pegar também o trem regional que vai, sei lá, para Leipzig. Só que, claro, se você estiver só com o bilhete de Dresden, você só pode usar esse trem dentro dos limites da cidade, então você pode pegar um trem regional de uma estação para outra dentro de Dresden.

Em várias cidades, especialmente nas metrópoles, os limites da cidade funcionam por zonas. Quer dizer que você pode comprar um bilhete para uma zona, duas, três, o que for, dependendo da onde você vai. A Zona 1 seria a área principal da cidade, a zona 2 as áreas mais periféricas e a Zona 3 as cidades em volta. É um sistema que aqui faz sentido, pagar de acordo com a distância que você anda, mas obviamente só faz sentido porque não rola uma expulsão das classes mais baixas para as periferias como nas metrópoles brasileiras. Por aqui, normalmente, as cidades em volta e as áreas periféricas são escolha de famílias que preferem ter uma casa maior, jardim, mais espaço para as crianças, essas coisas.

As tarifas variam, claro, de cidade para a cidade, mas não são baratas. Em Dresden, uma cidade pequena, com distâncias facilmente realizáveis de bike, o bilhete unitário custa 2,00€, bem caro se comparado a Berlim, uma metrópole, onde o bilhete custa 2,40€.

Mas a verdade é que, se você é um usuário habitual de transporte público, você nunca vai pagar a tarifa unitária. Tem alternativas que saem muito mais em conta. Vou usar Dresden como exemplo, mas as informações são similares para qualquer cidade. Aqui, se você pega transporte público todo dia para ir para o trabalho, você tem as seguintes opções:

> o ticket mensal, por 52,50€. Se você vai e volta do trabalho 5 dias por semana, portanto usa o tram aproximadamente 42 vezes por mês. Com o bilhete mensal, você acaba pagando só 1,25€ por viagem. Mas, claro, tendo o bilhete mensal, você pode usar o transporte público infinitamente durante o mês todo. Então se além dessas idas ao trabalho vc ainda usar durante o fim de semana umas duas vezes, talvez durante a semana mais duas ou três vezes para ir para outros lugares, digamos que você acabe usando o transporte público um total de umas 62 vezes durante o mês, já sai 0,85€ a viagem. Vale muuuito a pena.

> o bilhete mensal abonado: você pode também se inscrever para receber o bilhete mensal todo mês por correio, como uma assinatura de revista. Dessa maneira, você paga só 46€ pelo bilhete, e pode cancelar sua “assinatura” quando quiser. Nesse caso, cada viagem, na estimativa só-trabalho sai 1,09€, e na estimativa trabalho+passeios, 0 74€.

> o bilhete anual, por 520,00€. Se você realmente só usar o transporte público para ir e voltar do trabalho, portanto um total aproximado de 42×11 (12 meses menos 1 mês de férias) = 462 vezes, cada viagem já sai por 1,12€, ou, naquela média de trabalho + algumas viagens extras, 62×11 + digamos só 10 vezes durantes as férias porque vc foi viajar = 692 viagens por ano. Cada viagem sai por 0,75€. Parece mais caro que o bilhete mensal abonado, mas só porque eu calculei esse mês de férias. Se você receber o bilhete assinado durante o ano todo, sai um total de 552€. Aí vale mais a pena comprar o bilhete anual, mesmo. Uma coisa interessante do bilhete anual, é que ele não vale só para a pessoa que comprou. Você pode emprestar o seu para outra pessoa sem o menor problema. E, durante o fim de semana e feriados, durante às 18h do dia anterior ao feriado até às 6 da manhã do dia do feriado (ou sábado ou domingo), ele serve como bilhete família. Você pode levar com você portanto outro adulto e duas crianças.

E o bom também do bilhete anual e do bilhete mensal abonado é que você pode levar com você a sua bike OU o seu cachorro grande. Nos bilhetes normais, para levar bike ou cachorro grande tem que pagar extra.

O que nos leva para o próximo item: o que pode levar no transporte público?

Bom, basicamente qualquer coisa que passe pelas portas, exceto que para algumas coisas você tem que pagar extra. Mas já ouvi história até de gente mudar de casa de tram. Tipo levando móveis e tal. O meu namorado me jurou que junto com 4 amigos, trouxeram de uma loja até a universidade, de tram e ônibus, 5 pacotes de 25kg de concreto. Nada é impossível.

Mas oficialmente te dizem que você pode levar com você, gratuitamente:

> 1 carrinho de bebê (com ou sem bebê dentro)

> 1 cadeira de rodas (com você nela, não uma pessoa extra)

> 1 par de Esquis (mas não pode ir usando)

> 1 trenó (o tipo pequeno, sem renas)

> 1 animal pequeno (dentro de caixinha)

ou

> 1 bagagem de mão

E pagando extra você pode também levar

> uma bicicleta

> um cachorro grande

ou

> bagagem grande

E o que é “extra?” Para levar a bicicleta com cachorro dentro da mala, você tem que ter um bilhete extra, de tarifa reduzida. O bilhete de tarifa reduzida é o mesmo que serve para crianças de até 14 anos, e custa 70% do bilhete normal. Então o unitário reduzido custa 1,40€

Mas se você leva sempre sua bike ou seu São Bernardo com você pro trabalho, e você tiver o bilhete mensal não-abonado, que não inclui bicicleta ou São Bernardo, você pode comprar o bilhete mensal de bicicleta, por 16€, que é mais barato que o bilhete mensal reduzido. Isso também pode lhe ser útil caso você seja estudante. O que nos leva a ainda mais uma questão importante: mas e estudante não paga meia?

Melhor que isso. Estudante não paga! Bom, quase. Primeiro, lembro que isso varia de estado para estado e caso para caso. Mas, no geral, se você é estudante você tem um bilhete semestral para o transporte público, que você pode usar também infinitamente naquele semestre. Aliás, mais do que isso. É melhor ainda que um bilhete mensal ou anual, porque não vale só na cidade em que você estuda, mas no estado inteiro. Então se você estuda, digamos, na universidade de Dortmund, e sua família é de Colônia, você pode ir para casa todos os fins de semana sem pagar nada. Muito prático. Se a sua família não é do mesmo estado onde você estuda, pelo menos dá pra ir passear nas cidades próximas sem pagar nada, o que também é legal. Só se você estudar em Berlim, Hamburg ou Bremen é que você sai em desvantagem, já que essas cidades são estados separados. =( Qüé qüé qüé…

E porque “quase” não paga?

Bom, aqui na Alemanha praticamente todas as universidade são públicas. Mas não são 100% gratuitas. Você paga uma taxa de matrícula a cada semestre. Essa taxa varia de estado para estado, e costuma ser entre 100 e 300 euros. Parte (a maior parte) dessa taxa vai para pagar esse bilhete semestral, e o que resta financia o grêmio estudantil e as organizações estudantis que organizam moradias para os alunos e coisa do tipo. Escrevo mais sobre isso num post sobre universidades. Mas portanto você acaba pagando uns 150 euros para esse bilhete, que vale infinitamente durante todo o semestre. Mas, se não me engano, ele não inclui bicicletas ou São Bernardos, daí o bilhete mensal de 16€ caso você queira muito levar todo o dia o seu São Bernardo para assistir a aula com você.

Quem não leu ainda nenhum dos outros posts que mencionam transporte públicos pode estar se perguntando: e como funcionam esses bilhetes? É um cartão, tipo o bilhete único de SP? É um bilhete tipo o do metrô, que você passa numa catraca? Como funciona?

Para os bilhetes normais (unitário, de 4 viagens, diário, tal), você valida o bilhete no tram ou ônibus, ou na plataforma do metrô ou trem. Validar significa que você carimba o bilhete numa maquininha dentro do ônibus ou na plataforma. Não tem cobrador, você que se auto-cobra, digamos. Se você não carimbar o seu bilhete, viaja de graça. A não ser, claro, que entre o fiscal no seu ônibus para fiscalizar as passagens de todo mundo. A multa por não carimbar o bilhete, se você for pego por um fiscal, é de 40 euros. E eles calculam a quantidade de fiscalizações necessárias para que, estatisticamente, não valha a pena o risco de não carimbar.

Para os bilhetes mensais ou anuais, não precisa carimbar, o bilhete já vem com o mês em que é válido impresso.

O bilhete semestral de estudante é, na verdade, a carteirinha da universidade. Mas você tem que ter em mãos também uma identidade sua para provar que você é você, já que o bilhete semestral só vale para você.

Mas e como é o transporte público na Alemanha? É bom? É cheio? Fica lotado? É organizado?

Super. Organizado demais. Todos os trens, ônibus, trams, metrôs, o que for, tem horário marcado para passar em cada ponto, e raramente eles vêm fora do horário. Em várias estações tem displays eletrônicos que mostram o tempo para o próximo ônibus de cada linha chegar. Todas as estações, com ou sem display, tem um mural com uma folha para cada linha mostrando os horários da mesma. Então você sempre sabe, quando está no ponto, quando vem o próximo ônibus. E, claro, as informações também são facilmente encontráveis na internet, e tem aplicativos para o celular, de maneira que você sempre pode planejar, com bastante precisão, qual ônibus quer pegar.

Os ônibus aqui também ficam cheios, na hora do rush. Nas cidades grandes, claro, mas mesmo em Dresden, lá pelas cinco da tarde os trams ficam bem cheios. Mas nunca vi nada chegar perto de uma Estação da Sé às 18h ou dos trens híper-lotados da CPTM, por exemplo. Aqui o transporte fica cheio. Às vezes bem cheio. Mas não superlotado. E as pessoas são super tranquilas em termos de dar espaço para passar, para sair, etc. Regras básicas como deixar as pessoas saírem antes de entrar e ficar à direita na escada rolante do metrô são respeitadas à risca. Os ônibus esperam calmamente até todo mundo conseguir descer no ponto, se estiver muito cheio, ninguém perde o ponto porque estava longe da porta. As pessoas são bem tranquilas para levantar só quando chegar no ponto, e não 20 minutos antes. Se alguém precisar entrar ou sair com carrinho de bebê, cachorro ou bicicleta, sem problemas, com um pouco de paciência as pessoas se re-arranjam para dar espaço. Minha impressão é que os alemães são bem tranquilos e respeitosos no transporte público. Sempre tem lugar pra velhinha sentar. O motorista não acelera loucamente assim que você entra no ônibus, derrubando todo mundo que está de pé.

E os trens e ônibus são super modernos, silenciosos e confortáveis. Dentro do ônibus sempre tem um visor que vai mostrando as próximas estações, e as conexões possíveis. Você nunca vai precisar perguntar nada para o motorista, informação sobre o percurso não falta, nos pontos e dentro dos ônibus. E funcionam 24h.

E finalmente, talvez o ponto mais importante sobre o transporte público daqui, tomando Dresden como exemplo novamente. Aqui o tram é prioridade sobre tudo. Até sobre pedestre. Se tem um tram chegando, fecham todos os semáforos para o tram passar primeiro, sempre. De maneira que ir de tram é muito mais rápido que outros meios de transporte. As ruas são estreitas, muitas delas têm só uma faixa para carro, os semáforos tem longos períodos em que ficam abertos para pedestres, estacionar na rua é caro, não tem estacionamentos particulares, praticamente, só públicos, alguns bolsões ou estacionamentos subterrâneos, que também são pagos, e a gasolina é cara. Andar de carro, nas cidades alemãs não vale muito a pena. O transporte público é pensado para que seja mais rápido e barato e fácil que o particular e isso funciona. Claro, tem congestionamento também. Mas vindo de São Paulo, os congestionamentos daqui quase não são dignos do nome.

As tarifas para o transporte público de cada cidade podem ser facilmente encontradas na internet no site das empresas que fazem o transporte municipal. Aí vão os links das cidades mais importantes para ajudar:

Berlim (BVG); Bremen (BSAG)Colônia (KVB); Dresden (DVB)Düsseldorf (Rheinbahn); Frankfurt (RMV); Hamburg (HVV): Hannover (Üstra); Munique (MVV); Nuremberg (VAG); Stuttgart (VVS).


(Publicado em 17 de Junho de 2013)

Restaurantes na Alemanha

Algumas coisas interessam saber quando você visita um restaurante num país diferente. Como funciona a caixinha? Como pede a conta? Vêm pãozinho? Paga? Etc.

Tem bastante coisa diferente em restaurantes alemães. Pra começar, se você estiver chegando no restaurante meio tarde, depois das 22h, é bom perguntar antes de ir se acomodando se eles ainda estão servindo comida. É bem comum a cozinha fechar antes do restaurante, e os restaurantes também não costumam fechar muito tarde. Por aqui, em Dresden, 23h é um horário padrão para fechar restaurantes, embora alguns fiquem até meia noite.

Se o menu estiver todo em alemão, não se desespere. A maioria dos restaurantes oferece um menu em inglês também, é só pedir.

Uma coisa particular do menu é que, na maioria das vezes, as bebidas aparecem antes. Até faz sentido, já que normalmente se pede as bebidas antes, mas pode gerar alguns segundos de confusão se você está acostumado a abrir o cardápio no final já procurando as bebidas.

Na Alemanha é raríssimo restaurantes oferecerem Couvert. Na verdade, eu nunca vi. Só não digo que não existe porque não visitei ainda 100% dos restaurantes alemães. Mas me dizem que não é completamente inexistente, e, no caso de te trazerem uns pãezinhos antes da comida, pode ter certeza que estarão inclusos no preço. Os alemães são normalmente muito honestos, então um pãozinho extra empurrado sem ser pedido e depois adicionado à conta traria infinitas reclamações.

Mas se tiver alguma coisa já na mesa, que pode ou não ser consumida, por exemplo uma garrafa de vinho, não é cortesia. Meio óbvio, mas é bom avisar.

Aliás uma coisa peculiar é que em nenhum restaurante tem guardanapos à vontade na mesa! Acho péssimo, mas eles só trazem o guardanapo, um, quando trazem a comida. Às veeeeeezes o um guardanapo já está na mesa, junto com os talheres. Um. Guardanapos à vontade, nunca vi.

Outra particularidade é que em grande parte dos restaurantes, especialmente os restaurantes alemães mesmo, a variedade de escolhas de prato é relativamente pequena. Com certeza todos eles vêm com pepino.

Já para as bebidas, a variedade é bem razoável. É comum alguns tipos diferentes de refrigerantes, além dos clássicos, e algumas bebidas não alcóolicas também diferentes, como ginger ale, água tônica, sei lá. Os sucos é que não são muito variados, já que eles também não tem muitas frutas locais por aqui. Suco de maçã e laranja sempre tem. Suco de limão, nunca. Aliás, cuidado: limonade não significa limonada. Significa refrigerante. Qualquer refrigerante, não precisa conter nada de limão.

E se for pedir água, lembre-se de avisar se você quiser sem gás. A água default, aqui, é a com gás. Se você não avisar, trarão água com gás 100% das vezes. E atenção se estiver comprando água também em outros lugares: pra várias marcas de água minera, a água azul (etiqueta azul, tampinha azul) é a COM gás. Vermelha é a sem gás. Outras marcas têm a etiqueta azul pra água sem gás e vermelha pra água com gás. Ou seja… altas confusões. Tem que prestar atenção no que está escrito, mesmo (sprizig, ou mit Kohlensäure = COM gás, still ou ohne Kohlensäure = SEM gás. Medium = com um pouco de gás, estilo se fosse uma água com gás que você tivesse deixado a garrafa aberta por três dias… Sim, tem gente que gosta assim.). A única certeza, em termos de cor, é que a água com etiqueta verde é a Medium.

Vários restaurantes têm menus de almoço: uma seleção de alguns pratos do menu normal oferecidos durante o horário de almoço por um preço bem menor, às vezes até metade do preço original! (mas normalmente os pratos são um pouco menores que os do menu original, também)

Na hora de pagar, o gesto universal para “traz a conta?” vale aqui também. A conta NUNCA vai incluir o serviço. Se você quiser dar uma caixinha, 10% é o padrão, mas fique perfeitamente à vontade para pagar mais, menos, ou nada, se o serviço tiver sido ruim. Não haverá jamais nenhum tipo de pressão para que você dê caixinha. Você pode deixar umas moedas na mesa, ao sair, ou falar, na hora que der o dinheiro ou o cartão para o garçom, quanto ele deve cobrar. Por exemplo, se sua conta saiu, digamos, 22,70, e você der 30 euros para o garçom dizendo “vinte-cinco”, já fica claro.

Em praticamente todos os restaurantes eles fazem a “troca de dinheiro” na mesa mesmo, com você. Os garçons costumam ter uma carteira grande, ou uma pochete com dinheiro, e já te dão o troco ali na hora. Se você for pagar com cartão, eles trazem a máquina. Se você estiver sem dinheiro, só cartão, é mais seguro perguntar antes de pedir, se aceitam cartão. Em restaurantes não costuma ser problema, mas muuuuuuitos lugares na Alemanha não aceitam cartão, muitos mesmo. Aqui na europa existe um cartão chamado EC card, que é um cartão de débito que vale em todos os países que usam o euro, independente do seu banco. Então os lugares costumam aceitar só esse cartão, que é mais comumente usado, ao invés dos cartões de crédito e débito com os quais nós estamos acostumados. Então é sempre bom andar com dinheiro, ou perguntar antes.


(Publicado em 8 de Junho de 2013)