Mês: janeiro 2014

Correio alemão 2: Packstation

No post que escrevi há algum tempo sobre o correio alemão falei de muitas coisas sagazes sobre o correio daqui, mas deixei de fora possivelmente a mais sagaz de todas, que só vim a descobrir recentemente: As Packstations, ou estações de pacotes.

Wikipedia – High Constrast

Basicamente são uns armarinhos tipo escaninho de diferentes tamanhos que ficam no meio da rua, próximo a agências do correio ou em estações de trem, lugares estratégicos. E serve para vc receber encomendas. Ao invés de entregarem na sua casa, ou deixarem com o vizinho, ou ainda no correio para você buscar, eles deixam nessas estações. Você recebe uma carta na sua casa como aquela já mostrada no post anterior que diz que sua encomenda foi entregue para um vizinho ou coisa do tipo:

Só que nesse caso a carta diz “Ihre Sendung liegt in Ihrer Packstation”, ou, “sua encomenda está na sua estação de pacotes” daí o endereço da estação mais próxima, onde terão deixado o seu pacote, e o horário a partir do qual ele estará disponível lá.

O prático é que estando nessas estações você pode ir buscar sua encomenda em qualquer horário do dia ou da noite.

Você leva a sua carta amarela e na estação tem um computadorzinho com um leitor de código de barras. Você coloca sua carta no leitor e a um dos armarinhos abre, revelando sua encomenda! E você ainda assina na tela. É bem legal!

Não deve ser a coisa mais rara do mundo, aposto que tem coisas similares no Brasil em algum lugar, mas eu nunca tinha visto e achei bem prático e simples. E você pode pedir pra sua encomenda ser entregue direto lá, caso você nunca esteja em casa nos horários que o carteiro aparece, ou caso você não queria que outra pessoa que more com você veja o pacote porque é um presente, por exemplo. Bom!


(Publicado em 17 de Janeiro de 2014)

 

Religião na Alemanha

Religião é um tema curioso na Alemanha. A população é bem dividida em três partes: Não-religiosos (34%), Católicos (29,9%) e protestantes (29,8%), de acordo com estimativas de 2014. Essa separação entre as duas vertentes da religião cristã se vê com clareza entre os estados – alguns com maioria protestante, outros com maioria católica. Os estados católicos têm alguns feriados religiosos diferentes dos estados protestantes, por exemplo, além de alguns costumes e tradições que também se dividem entre a parte católica e a parte protestante.

Eu talvez não seja assim a pessoa mais indicada para discutir religião dado minha incorrigível irreligiosidade (caio nos 34% de ateus e agnósticos), mas de estatística e história entendo um pouco. Na Alemanha tem uma alta presença de protestantes basicamente porque é daqui que veio o Martinho Lutero – pai do protestantismo -, mais especificamente da cidade de Eisleben, na Saxônia-Anhalt, que fica na parte da Alemanha que foi a Alemanha Oriental. Então eram mais os estados da Alemanha Oriental que eram protestantes, e os do Oeste e Sul da Alemanha, católicos.

Só que com o final da Segunda Guerra Mundial e conseqüente separação da Alemanha em duas, a Alemanha Oriental passou a ser regida pelo regime socialista. E como socialismo e igreja não são super melhores amigos, durante os anos de Alemanha Oriental a população daquele lado (ou melhor, desse lado, já que estou na Saxônia) foi gradualmente ficando menos e menos religiosa. E desde a reunificação das duas Alemanhas, ambas as religiões estão perdendo fiéis enquanto o número de pessoas que não são afiliadas a nenhuma religião continua crescendo.

O resultado é que hoje a região que era antes a Alemanha Oriental é a região menos religiosa do mundo.

Um mapa para ilustrar melhor:Konfessionen-in-Deutschland(Bowzer – Wikipedia)

Como fica claro nesse mapa, são exatamente os estados da Alemanha Oriental que tem hoje maioria de pessoas que não seguem nenhuma religião.

No geral a Alemanha é bem de boa com religião. Embora o partido do governo chame-se União democrática cristã, religião quase não entra na política. Radicais religiosos querendo criar leis impondo suas morais e visão de mundo pro resto do país são minoria, se é que existem. Nas questões políticas mais polêmicas que costumam ser fortemente influenciadas pela igreja, a Alemanha é parcialmente progressista. O aborto, por exemplo, é legalizado, e já é discussão do passado. Mas por outro lado o casamento gay ainda não foi legalizado. A alternativa da União Estável já é possível para pessoas do mesmo sexo desde 2001, e segundo pesquisas desse ano, 74% dos alemães são a favor da legalização do casamento gay, também. Então é muito provavelmente só uma questão de tempo.

Em termos de religião, o que na Alemanha é bem esquisito e diferente, é que se você for afiliado a uma das igrejas maiores (basicamente se vc for protestante ou católico), a receita federal recolhe o dízimo junto com o Imposto de Renda!

*momento para exclamações*

Sim, você leu certo. Se vc faz parte de uma igreja, aqui, vc é obrigado a pagar o dízimo, junto com o seu IR. Se não me engano, o valor varia entre 8 e 9% do imposto. Quer dizer, se vc paga, sei lá, 1000 euros de IR, daí tem que pagar mais 90 euros para a sua respectiva igreja. Não é tanto, 9% do imposto, mas de pouquinho em pouquinho, não é por acaso que a igreja católica alemã é a maior contribuinte dos cofres do vaticano! (Ouvi dizer, não tenho fontes confiáveis)

Mas a Alemanha não é o único país a recolher dízimo no IR, alguns outros países na Europa também o fazem.

Basicamente até agora eu só falei de católicos, protestantes e ateus. Mas e os outros? Da população que não é nem católica, nem protestante, nem não-religiosa (aproximadamente 10%), os alemães se dividem principalmente entre muçulmanos, judeus, budistas, hindus e outras vertentes do cristianismo (sendo cristãos ortodoxos os mais comuns). A maioria dessas outras religiões são praticadas por imigrantes ou alemães de origens não-alemãs. Muçulmanos são os mais comuns, somando entre 2,6 a 5% da população total. E quando se trata de muçulmanos, infelizmente a Alemanha já não é mais tão de boa. Os muçulmanos sofrem fortes preconceitos pelo resto da população. Não é ainda tão sério como na França, que proíbe burqas, nem como na Suiça, que foi ainda mais longe e proibiu a construção de minaretes (a torre das mesquitas de onde o muaddin chama o povo para as orações, o correspondente islâmico das torres de sinos de igrejas cristãs). Só que sendo minoria, aparecem sempre controvérsias e casos polêmicos, como as decisões recentes de cortes alemãs de que escolas podem obrigar alunas muçulmanas a participarem das aulas de natação, e de que professoras muçulmanas de escolas públicas não podem usar o véu dentro da escola. A Alemanha ainda tem a evoluir em respeito a liberdades religiosas e em se entender com a comunidade muçulmana do país.

Para finalizar, mais três mapas da Alemanha (com dados censitários de 2011) mostrando a porcentagem respectivamente de católicos, protestantes, e não-religiosos por municipalidade alemã:

Católicos
(Michael Sander – Wikipedia)

Protestantes
(Michael Sander – Wikipedia)

 

Sem religião (Michael Sander – Wikipedia)


(Publicado em 6 de Janeiro de 2014, dados atualizados em 07 de Setembro de 2016)

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