Day: janeiro 6, 2014

Religião na Alemanha

Religião é um tema curioso na Alemanha. A população é bem dividida em três partes: Não-religiosos (34%), Católicos (29,9%) e protestantes (29,8%), de acordo com estimativas de 2014. Essa separação entre as duas vertentes da religião cristã se vê com clareza entre os estados – alguns com maioria protestante, outros com maioria católica. Os estados católicos têm alguns feriados religiosos diferentes dos estados protestantes, por exemplo, além de alguns costumes e tradições que também se dividem entre a parte católica e a parte protestante.

Eu talvez não seja assim a pessoa mais indicada para discutir religião dado minha incorrigível irreligiosidade (caio nos 34% de ateus e agnósticos), mas de estatística e história entendo um pouco. Na Alemanha tem uma alta presença de protestantes basicamente porque é daqui que veio o Martinho Lutero – pai do protestantismo -, mais especificamente da cidade de Eisleben, na Saxônia-Anhalt, que fica na parte da Alemanha que foi a Alemanha Oriental. Então eram mais os estados da Alemanha Oriental que eram protestantes, e os do Oeste e Sul da Alemanha, católicos.

Só que com o final da Segunda Guerra Mundial e conseqüente separação da Alemanha em duas, a Alemanha Oriental passou a ser regida pelo regime socialista. E como socialismo e igreja não são super melhores amigos, durante os anos de Alemanha Oriental a população daquele lado (ou melhor, desse lado, já que estou na Saxônia) foi gradualmente ficando menos e menos religiosa. E desde a reunificação das duas Alemanhas, ambas as religiões estão perdendo fiéis enquanto o número de pessoas que não são afiliadas a nenhuma religião continua crescendo.

O resultado é que hoje a região que era antes a Alemanha Oriental é a região menos religiosa do mundo.

Um mapa para ilustrar melhor:Konfessionen-in-Deutschland(Bowzer – Wikipedia)

Como fica claro nesse mapa, são exatamente os estados da Alemanha Oriental que tem hoje maioria de pessoas que não seguem nenhuma religião.

No geral a Alemanha é bem de boa com religião. Embora o partido do governo chame-se União democrática cristã, religião quase não entra na política. Radicais religiosos querendo criar leis impondo suas morais e visão de mundo pro resto do país são minoria, se é que existem. Nas questões políticas mais polêmicas que costumam ser fortemente influenciadas pela igreja, a Alemanha é parcialmente progressista. O aborto, por exemplo, é legalizado, e já é discussão do passado. Mas por outro lado o casamento gay ainda não foi legalizado. A alternativa da União Estável já é possível para pessoas do mesmo sexo desde 2001, e segundo pesquisas desse ano, 74% dos alemães são a favor da legalização do casamento gay, também. Então é muito provavelmente só uma questão de tempo.

Em termos de religião, o que na Alemanha é bem esquisito e diferente, é que se você for afiliado a uma das igrejas maiores (basicamente se vc for protestante ou católico), a receita federal recolhe o dízimo junto com o Imposto de Renda!

*momento para exclamações*

Sim, você leu certo. Se vc faz parte de uma igreja, aqui, vc é obrigado a pagar o dízimo, junto com o seu IR. Se não me engano, o valor varia entre 8 e 9% do imposto. Quer dizer, se vc paga, sei lá, 1000 euros de IR, daí tem que pagar mais 90 euros para a sua respectiva igreja. Não é tanto, 9% do imposto, mas de pouquinho em pouquinho, não é por acaso que a igreja católica alemã é a maior contribuinte dos cofres do vaticano! (Ouvi dizer, não tenho fontes confiáveis)

Mas a Alemanha não é o único país a recolher dízimo no IR, alguns outros países na Europa também o fazem.

Basicamente até agora eu só falei de católicos, protestantes e ateus. Mas e os outros? Da população que não é nem católica, nem protestante, nem não-religiosa (aproximadamente 10%), os alemães se dividem principalmente entre muçulmanos, judeus, budistas, hindus e outras vertentes do cristianismo (sendo cristãos ortodoxos os mais comuns). A maioria dessas outras religiões são praticadas por imigrantes ou alemães de origens não-alemãs. Muçulmanos são os mais comuns, somando entre 2,6 a 5% da população total. E quando se trata de muçulmanos, infelizmente a Alemanha já não é mais tão de boa. Os muçulmanos sofrem fortes preconceitos pelo resto da população. Não é ainda tão sério como na França, que proíbe burqas, nem como na Suiça, que foi ainda mais longe e proibiu a construção de minaretes (a torre das mesquitas de onde o muaddin chama o povo para as orações, o correspondente islâmico das torres de sinos de igrejas cristãs). Só que sendo minoria, aparecem sempre controvérsias e casos polêmicos, como as decisões recentes de cortes alemãs de que escolas podem obrigar alunas muçulmanas a participarem das aulas de natação, e de que professoras muçulmanas de escolas públicas não podem usar o véu dentro da escola. A Alemanha ainda tem a evoluir em respeito a liberdades religiosas e em se entender com a comunidade muçulmana do país.

Para finalizar, mais três mapas da Alemanha (com dados censitários de 2011) mostrando a porcentagem respectivamente de católicos, protestantes, e não-religiosos por municipalidade alemã:

Católicos
(Michael Sander – Wikipedia)

Protestantes
(Michael Sander – Wikipedia)

 

Sem religião (Michael Sander – Wikipedia)


(Publicado em 6 de Janeiro de 2014, dados atualizados em 07 de Setembro de 2016)

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