Mês: maio 2015

Fauna alemã

Já que estamos falando de bichos, porque não um post sobre a fauna alemã?

A Alemanha tem bem menos biodiversidade que o Brasil e outros países nas regiões tropicais. Mas lógico que têm vários bichos típicos daqui que não existem no Brasil. A maioria a gente já conhece de desenhos e filmes, já que vários desses são comuns também na América do Norte. Então vamos ver quais animais silvestres você talvez tenha a chance de ver por aqui.

Raposa (Vulpes vulpes)

"Vulpes vulpes laying in snow" por Shiretoko-Shari Tourist Association. Licenciado sob Attribution, via Wikimedia Commons

“Vulpes vulpes laying in snow” por Shiretoko-Shari Tourist Association. Licenciado sob Attribution, via Wikimedia Commons

Esse bicho fofo laranja certamente não é o mais fácil de avistar por aí. Mas, se você tiver sorte, às vezes elas podem ser vistas até em cidades. Eu já vi uma atravessando uma rua aqui em Dresden. Demorei um pouco para me tocar que era uma raposa, vi um bicho passando e comentei com o namorado “nossa, que laranja esse cachorro!” e ele respondeu “é porque era uma raposa!”. Mas foi muito rápido, nem se eu tivesse com uma câmera na mão teria conseguido fotografar. Também já vi uma raposa num campo, mas eu estava no trem. Foi fácil de ver porque tinha neve por todo o lado, então era um bicho laranja no meio do tapete branco de neve. E, outra ocasião, foi uma raposa num parque, que eu vi bem de perto, mas porque estava morta, tadinha. Prefiro ver de longe mas vivas. Em alemão, Fuchs.

Que som faz uma raposa?

E o que come uma raposa?

Coelho (Oryctolagus cuniculus)

Esses são fáceis de ver! Os coelhinhos fofuchos aparecem freqüentemente em parques e áreas verdes, mesmo em cidades grandes. Em alemão se diz Kaninchen (coelhinho!).

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Esquilos (Sciurus vulgaris)

Também comum em parques e áreas verdes urbanas são os esquilos, mais especificamente os esquilos-vermelhos, que são, pasmem, vermelhos. Em alemão, chamam-se Eichhörnchen. Eich significa carvalho, e Hörnchen significa chifrinho, e se refere a esses pêlos altos que eles têm nas orelhas, que lembram chifres.

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Bem fofos! Eles não são tão confiados quanto os esquilos que você encontra na América do Norte ou na Inglaterra, então pra vê-los você vai ter que sentar num parque e ficar prestando atenção nas árvores. Eles são mais assustadinhos mas estão lá, e logo aparecem. Esses aí de cima eu vi em Berlim. O aqui embaixo, fotografei num parque em Dresden. Ele não tem ainda os “chifres” porque é filhote.

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Fofo.

Cervo

Cervos são comuns em florestas, mas eu nunca vi um sem ser em cativeiro. Tem alguns pequenos zoológicos de animais locais, às vezes até em parques, onde tem alguns cervos. Tem mais de uma espécie comum por aqui, uma delas são as que têm esses pontinhos brancos, fofos, bem que nem o Bambi. Mas a espécie mais comum é o veado-vermelho, que na verdade é marrom. Já renas são norte-americanas, e não existem por aqui.

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É relativamente comum, aqui, caçar cervos. Eu tenho uma amiga cujo irmão é caçador, o que é uma coisa muito surreal para mim. Meio chapeuzinho vermelho. Ele uma vez nos deu carne de cervo para comer no ano novo. Hesitei bastante em comer a carne, mas de repente é melhor comer a carne de um cervo que viveu de boas na floresta até ser caçado do que a de uma vaca que foi criada pra isso e bem mal-tratada durante a vida até ir pro matadouro. Sei lá. Cervo em alemão, Reh.

Lince (Lynx lynx)

Os super maravilhosos linces existem por aqui, embora não sejam super comuns. Você certamente não vai encontrar um na sua viagem, exceto em algum zoológico. O da foto abaixo eu vi num zoológico de animais locais perto de Moritzburg. Uns fofos.

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Porco-espinho (Erinaceus europaeus)

"Erinaceus europaeus (Linnaeus, 1758)" by Michael Gäbler. Licensed under CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

“Erinaceus europaeus (Linnaeus, 1758)” by Michael Gäbler. Licensed under CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

Porcos-espinhos são híper mega fofinhos e desde que eu mudei pra Alemanha estou procurando um. Eles podem aparecer no seu jardim, e são relativamente comuns. Mas, na falta de um jardim, ainda não me deparei com um desses. Em alemão, Igel.

Toupeira (Talpa europaea)

Outro bichinho que pode aparecer no seu quintal é a toupeira, esse bicho aqui:

"Talpa europaea MHNT" by Didier Descouens - Own work. Licensed under CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons

“Talpa europaea MHNT” by Didier Descouens – Own work. Licensed under CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons

Tem mais ou menos o tamanho de um ratinho. Também nunca vi. Em alemão se chama Maulwurf.

Castor (Castor fiber)

"Beaver pho34" por Per Harald Olsen - User made.. Licenciado sob CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

“Beaver pho34” por Per Harald Olsen – User made.. Licenciado sob CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Esse castor não é a mesma espécie daquele encontrado na América do Norte, mas é, claro, bem parecido. Também constrói represas em córregos, como essa daqui:

"Beaver dam" by Juliux - Own work. Licensed under CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

“Beaver dam” by Juliux – Own work. Licensed under CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

Em alemão, Biber.

E, finalmente:

Lobo (Canis lupus)

Historicamente, o lobo era encontrado por toda a Alemanha (toda a europa, por sinal), mas foi gradualmente exterminado ao longo dos séculos XVIII e XIX, principalmente pelo perigo que ele representava para as pessoas. A Europa ocidental passou a ser totalmente livre dos lobos, que ficaram limitados à europa oriental e norte da Ásia. Mas, de 50 anos pra cá, pequenas populações de lobos estão gradualmente voltando ao seus locais de origem, e já podem ser encontrados (embora ainda bem raramente) em partes da Alemanha.

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(esse eu fotografei num zoológico, mesmo)

Acho que são esse os animais mais conhecidos e símbolos daqui. Tem, claro, centenas de espécies de aves, ainda, e muitos outros animais. Em breve escreverei também sobre a flora alemã, ou mais especificamente as árvores mais comuns por aqui!


(Publicado em 30 de Maio de 2015)

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Bichos de estimação na Alemanha

Hoje de manhã fomos até uma cidadezinha próxima buscar a nossa nova membra da família. Uma gatinha, Elli!

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É, na verdade, nossa segunda gata. A primeira é a Amy, que está agora com 3 anos.

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Então já que hoje foi dia de adotar bichinho, pensei em finalmente sentar para escrever um post que já estou planejando há uns dois anos. Prepara que vai ser longo, esse post.

Aqui na Alemanha, como no Brasil, é bem comum ter bichos de estimação (Apesar de que eu tenho impressão de que no Brasil é um pouco mais, porque todos ou praticamente todos os meus amigos de lá têm bichos de estimação). Mas uma diferença, por enquanto, é a preferência por gatos. Aqui na Alemanha a população de gatos é de 8.4 milhões, enquanto a de cães é de 5.4 milhões. E se não me engano a população de gatos cresce mais que a de cães. No Brasil, a população de gatos é de 21 milhões e a de cães, 37 milhões. Mas prevê-se que nos próximos anos os gatos ultrapassaram os cães em número. Normal, gato é mais fácil de ter em apartamento, dá menos trabalho, dá pra ter mais de um também com mais tranquilidade. Só para esses números fazerem mais sentido em comparação um com o outro: na Alemanha tem 82 milhões de habitantes. No Brasil, 202 mi. De maneira que a relação gatos x pessoas tanto no Brasil quanto na Alemanha é de 10%. A relação cachorro x pessoas na Alemanha é de 6,5% e no Brasil, 18%.

Mas além de gatos e cachorros, por aqui também é muito comum ter coelhinhos como bicho de estimação. Principalmente quem tem criança pequena acaba preferindo coelhos, que são mais dóceis e bobinhos. E também, como no Brasil, algumas pessoas têm chinchilas, passarinhos, hamsters ou peixes. Mas o tchan é ter gato.

E talvez seguindo essa tendência que a suprema corte alemã determinou, em 2013, que nenhum contrato de aluguel pode proibir o inquilino de ter animais domésticos. O proprietário só pode interferir em casos específicos (por exemplo se um cachorro late a noite inteira e incomoda os vizinhos), mas não proibir no geral. Desde então, qualquer contrato de aluguel que proíba animais domésticos passa a ser inválido (quer dizer, a parte da proibição é inválida, não o contrato inteiro), mesmo que esteja lá escrito e assinado pelo inquilino.

Uma coisa diferente em relação a como as pessoas cuidam dos seus gatos, por aqui, é que a grande maioria dos gatos podem sair de casa para passear. Pessoas que tem gato preferem apartamentos no térreo ou com acesso ao exterior para o gato poder sair para suas patrulhas noturnas. Não que isso seja raro, no Brasil. Mas ONGs de gatos normalmente só dão gatos para quem puder manter o gato só dentro de casa, pelo risco de atropelamento, do gato de perder, de alguém levar o gato, etc. Por aqui, é ao contrário. É bem mais fácil conseguir adotar um gato se na sua casa tem a possibilidade do gato sair.

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Além disso, ninguém põe rede na janela. Claro que prédios altos são em bem menor número por aqui, e talvez em apartamentos mais altos não seja tão incomum. Mas nos predinhos mais típicos, que têm no máximo 4 andares, é bem raro colocar rede. Também nunca vi ou ouvi falar de gatos que caíram da janela.

Mas uma coisa bem comum, isso sim, são cartazes de gatos desaparecidos. Não é à toa, se todo mundo deixa o gato sair. Mas realmente, quase toda semana eu vejo um cartaz novo de algum gato desaparecido. Às vezes os cartazes somem rápido – imagino que o gato tenha voltado. Mas ainda prefiro deixar meus gatos só dentro de casa, mesmo.

E como se adota um gato, cachorro ou outro bicho?

Bom, primeiro vamos dar alguns conselhos, né. Se você, brasileiro, quiser adotar um bicho de estimação na Alemanha, pesquise antes todos os detalhes de como levar o animal de volta para o Brasil, mesmo que você não planeje voltar. É muito injusto com o bicho adotar ele e depois abandonar quando resolver ou precisar voltar pro Brasil. Pesquisando um pouco sobre o assunto na internet, encontrei muitos americanos procurando descobrir como adotar cachorros, e recebendo como resposta que nos abrigos de animais próximos às bases militares americanas daqui os funcionários já se recusam a doar animais para americanos, porque a maioria pega cachorros quando vêm e os abandonam no abrigo quando são transferidos de volta para os Estados Unidos. Não façam isso com seus bichinhos, não é legal.

Mas se você ama animais e tem certeza que saberá cuidar de um, e está disposto a levá-lo para o Brasil se resolver ou precisar voltar, essas são as opções:

1. Pegar um bichinho no abrigo de animais (Tierheim). Em praticamente todas as cidades existe um abrigo de animais, administrado pela prefeitura. Você pode visitá-lo nos horários de atendimento ao público e olhar os vários cachorros, gatos, coelhos, chinchilas, ratinhos e passarinhos e até porcos-espinho esperando uma nova casa. Normalmente o processo de adoção é bem simples. Você vai lá, escolhe um bicho, lê as informações sobre aquele animal em específico, e decide adotar. Assina-se um contrato, paga-se um preço fixo e leva-se o bichinho. Não me lembro de nenhuma outra condição. O preço cobre vacinas e castração, e também assegura que você não está levando o bicho pra, sei lá, fazer macumba. Na maioria dos abrigos, os animais disponíveis para adoção vêm castrados, vacinados e chipados. O preço varia dependendo do bicho. Aqui em Dresden, quando visitamos o Tierheim, o preço para gatos era de 70€. No geral, gatos custam até 100€, cachorros até 200€ e bichos menores entre 10€ e 30€. O único porém era que, com gatos, eles faziam uma divisão entre gatos que saem e gatos que não saem. Gatos que moravam em apartamentos sem poder sair, podem ser doados para pessoas que moram em apartamentos. Gatos que saíam para passear eles só doam para pessoas que possam deixá-los sair para passear. E aí você está se perguntando: ué, mas e como eles sabem onde o gato morava antes? Pois é. Se o gato tiver sido deixado no abrigo pelos antigos donos, eles sabem. Mas obviamente a maioria dos gatos é achada na rua. E esses eles, por via das dúvidas, doam só para quem puder deixar sair. Conseqüentemente, se você não puder (ou não quiser) deixar seu gato sair, as opções de gatos adotáveis no abrigo reduzem bastante. Quando fomos, não tinha nenhum gato de apartamento. Saímos tristes de mãos vazias. Então recorremos à segunda opção:

2. Adotar um filhote de gato de alguém cuja gata acabou de ter filhotes.
Achar alguém com gatos para doar não seria tão fácil se não existisse a internet. Nossa saída foi procurar no Ebay Kleinazeige. Kleinanzeige significa pequenas ofertas, e o Ebay Kleinanzeige é uma versão do Ebay para coisas bem baratas ou gratuitas das quais outras pessoas querem se desfazer. Coisas ou, claro, gatos e outros animais domésticos. Lá você encontra facilmente filhotes de gatos na sua região, ou gatos que precisam de uma nova casa. Quando pegamos nossa primeira gata, encontramos uma oferta por uma família cuja gata tinha acabado de ter filhotes. Por aqui só se dá os filhotes quando esses completam dois meses de vida. Foi quando adotamos nossa gatinha fofa. Essa familia era, na verdade, dona de um hotel para bichos, um daqueles lugares onde você pode deixar seu gato ou cachorro durante alguma viagem. A família tinha seus próprio gatos, sem raça definida, que volta e meia davam cria. Eles pediam uma taxa meio simbólica de 20€. Segundo o homem que conhecemos, ele usava o dinheiro para “consolar” os filhos pela partida dos gatinhos filhotes. Cada criança ganhava 10€ quando um dos gatinhos era adotado, e logo se conformavam. Escolhemos nossa gatinha e voltamos para casa felizes e contentes.

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3. Adotar um gato cujo dono não pode mais cuidar por algum motivo qualquer.
Da mesma maneira você pode adotar um gato já adulto, que precisa de uma casa nova. Várias pessoas precisam por algum motivo ou outro (alguns motivos bem ruins, outros válidos) abrir mão de seus gatos, mas não querem deixá-los no abrigo, e preferem procurar por conta própria um novo dono. Nossa segunda gata adotamos desse jeito. Os motivos para doar o gato são dos mais variados. O motivo mais válido que eu vi, e que era bem comum entre as ofertas que apareciam para a minha região, era que algum filho dos donos era alérgico à gatos, e só descobriu-se isso quando a família adotou o gato, ou um tempo depois que o filho nasceu. Com uma alergia fraca às vezes é possível conviver, mas se a alergia for forte não tem jeito mesmo. Lá se vai o pobre do gatinho para outro dono. Outros motivos comuns eram a pessoa dizer que não tinha mais tempo para cuidar do gato porque trabalha demais, ou até porque um novo trabalho impossibilita ter bichos domésticos por que a pessoa precisa viajar com muita freqüência, coisas assim. Só era estranho algumas pessoas que diziam que queriam doar seus gatos porque estavam esperando um filho. Tem pessoas que acham que não é possível ter nenê e gato ao mesmo tempo, porque gato arranha, sei lá. Tudo bem, mas então se a pessoa acha isso, por que foi arranjar um gato antes de ter filho? Enfim. Assim encontramos nossa segunda gata, e assim você pode também encontrar um cachorro ou outro animal. Alguns oferecem sem pedir nenhum dinheiro em troca, mas vários pedem uma pequena taxa simbólica mais para se certificar que a pessoa que está levando não quer, sei lá, fazer sopa de gato com pedaços de cachorro.

Claro que tudo o que eu falei até agora diz respeito a ofertas de animais sem raça definida. Também tem muita gente que oferece nesses sites gatos ou cachorros de raça, os quais eles compraram por 200€, 300€, 500€, e querem revender o gato por um motivo qualquer. Sei lá, não gostou. Acho isso bem horrível, comprar e vender bicho como se fosse mercadoria. Não entendo bem a idéia por trás. Será que a pessoa está “revendendo” pelo mesmo preço que pagou, ou reduziu um pouco porque o bicho está “usado”??? Sei lá, não gosto da idéia. Também aparecem filhotes de bichos de raça à venda por preços altíssimos. O que, claro, nos leva à quarta possibilidade para adquirir um bichinho:

4. Comprar um bicho no pet-shop.
Isso é bem diferente por aqui do que no Brasil. Um Pet-shop que queira vender gatos ou cachorros precisa ser licenciado pra isso, e são pouquíssimos os pet-shops que o são. No geral, em pet-shop só encontra animais menores à venda, como coelhos, hamsters, peixes e pássaros. Para esses animais a opção mais comum é comprar num pet-shop, mesmo. Mas gatos e cachorros eu nunca vi em loja. Certamente existem lojas que vendem animais de raça, mas realmente não é comum. Aqui em Dresden, por exemplo, não tem nenhum pet-shop licenciado para vender gatos e cachorros.

São essas, mesmo, as opções por aqui. Feirinha de filhotes ou de animais eu nunca vi nem ouvi falar, acho que não existe, não. Se alguém souber de alguma e quiser me corrigir nos comentários, fique à vontade!

Mas, claro, as informações necessárias para quem quer ter um bichinho por aqui não terminam na adoção. E depois? Precisa registrar? É obrigatório vacinar e castrar? Como funciona?

Os únicos animais domésticos que precisam ser registrados são cachorros. Se você adotar um cachorro, tem que ir até a prefeitura para registrá-lo, e terá que pagar um imposto sobre o cachorro. Além disso, se ao passear com o seu cão você não limpar a sujeira dele na rua, você pode ser multado em até 1000€, dependendo do tamanho da sujeira! E se o seu cachorro morder e machucar alguém, você responde pelas lesões como se você as tivesse feito. Portanto, pense muito bem antes de adotar um cachorro, é uma responsabilidade maior. Gatos e outros animais não precisam ser registrados.

Vacinação, castração e derivados não são obrigatórios, mas altamente recomendados.

Aliás, uma outra coisa que interessa saber: pode levar animais nos trens e transportes públicos?

Pode. Gatos ou cachorros pequenos em caixas pode tranquilamente sem pagar taxas extras. Cachorros na guia pagam uma passagem reduzida. Nós trazendo a Elli, sua caixa de areia e árvore de arranhar desmontada no trem:

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E talvez a uma informação que de repente muita gente veio a esse post esperando ler. E se eu quiser levar meu bichinho do Brasil pra Alemanha, ou da Alemanha para o Brasil?

Bom, primeiro já vou avisando que não vou escrever detalhadamente sobre isso porque são muuuuitas informações, e como não tive essa experiência, não sou a melhor pessoa para falar a respeito. Mas vou dar uma resumida básica pra você ter uma idéia e indicar outros lugares onde saber mais detalhes.

É perfeitamente possível trazer seu gato ou cachorro para a Alemanha ou levá-lo de volta pro Brasil. O que você vai precisar é planejar com bastante antecedência, especialmente se estiver trazendo os animais pra Alemanha, e já ficar preparado para o custo extra que isso vai significar.

Para trazer seu bichinho pra cá as regras são iguais em praticamente toda a União Européia. Você vai precisar começar todo o processo com uns 5 meses de antecedência, então se estiver planejando vir com os bichos, comece a ler detalhes dos requisitos o quanto antes. Você vai precisar colocar microchip no bichinho, vacinar contra raiva, fazer sorologia, tirar um certificado com um veterinário, tirar um passaporte para trânsito de cães e gatos e tirar um Certificado Zoossanitário Internacional (tem que ir pra São Paulo pra fazer isso). Todas essas coisas tem momentos específicos para serem feitas, tipo 10 dias antes, entre 30 e 40 dias antes, etc, etc. Por isso você precisa se planejar nos mínimos detalhes.

Além dessas documentações, você precisa, claro, ver todos os detalhes com a companhia aérea, reservar a passagem, pagar a taxa extra, comprar as caixas de transporte para o seu animal, etc etc. Esse post nesse blog aqui explica muuuito detalhadamente tudo o que a autora fez, passo a passo, para trazer dois cães para a Alemanha. Ela dá dicas em relação à companhia aérea, dá todos os detalhes das documentações e como consegui-las, custos, tudo o que você precisa saber. Mas, claro, como é um post num blog, ele pode estar desatualizado, ou vir a ficar desatualizado. Nesse link tem algumas informações do Ministério da Agricultura sobre a documentação necessária para levar animais domésticos para a União Européia. Mas, óbvio, não deixe de pesquisar informações oficiais atualizadas, e confirmar por telefone com as autoridades necessárias para ter certeza que você realmente não deixou nada escapar. Se você chegar aqui sem a documentação correta, seu bichinho poderá ficar em quarentena no aeroporto, ser enviado de volta ou ser sacrificado. Não corra esse risco!

Para levar o bichinho daqui para o Brasil é um pouco mais simples porque não é necessário fazer a sorologia para checar a presença de anticorpos contra raiva. E essa sorologia no outro caso precisa ser feita certo tempo depois da vacina e antes da viagem, e é o que acaba fazendo o processo ser tão demorado. Para levar da Alemanha para o Brasil, você vai precisar do chip, da vacina, do passaporte e dos certificados, validados no consulado brasileiro. Mais detalhes aqui, ou no site do consulado mais próximo de você ou da Embaixada em Berlim.


(Publicado em 25 de Março de 2015)

Como passar uma boa impressão entre alemães

Eu queria ter lido as coisas que vou escrever antes de ter vindo pra Alemanha. Mas ninguém me falou, nem meu namorado alemão, provavelmente porque pra ele é tão óbvio que nem lhe passou pela cabeça que essas dicas seriam necessárias.

Então, depois de cometer muitos erros em como interagir com os alemães que eu acredito que tenha dificultado minha integração por aqui nos primeiros anos, aos poucos fui aprendendo pequenas regras de convivência que fazem toda a diferença na impressão que as pessoas criam sobre você.

Nunca é tarde demais para aprender essas pequenas regras e aplicá-las. A minha impressão é de que desde que eu tenho mudado pequenos elementos do meu comportamento para se adequar à cultura local, as pessoas têm respondido de maneira bem mais positiva.

Então, quem sabe, com esse singelo post de pequenas dicas eu consiga ajudar alguém a se integrar entre os alemães com mais facilidade.

Algumas das coisas que eu vou mencionar já foram discutidas em diferentes posts sobre outros assuntos, mas achei que valia a pena juntar num único post algumas regrinhas.

Primeira coisa. Ao conhecer um alemão, o cumprimento básico de qualquer situação é um aperto de mão. Um aperto de mão nunca é demais nem de menos. Se você esperar o alemão em questão tomar a iniciativa do cumprimento, pode ser que ele só acene com a cabeça ou até te dê um semi abraço (se for, digamos, alguém muito próximo de alguém muito próximo de você). Mas se você tomar a iniciativa, pode ter certeza que em qualquer situação um aperto de mão sempre cabe. Sempre. Nunca é demais ou de menos. É a opção mais segura.

Mas a dica mais importante na verdade não é essa, mas outra: ao apertar a mão do seu novo conhecido alemão, certifique-se de dar um aperto bem forte e decidido. Os alemães as vezes quase quebram os ossos das mãos uns dos outros com seus apertos-de-mão-braço-de-ferro. Um aperto de mão solto, sem vontade, passa uma má impressão.

Não tenho fontes, mas poderia apostar que isso tem uma importância triplicada numa eventual entrevista de emprego. Tenho quase certeza que na decisão desse aperto de mão inicial pode estar contida uma impressão forte sobre sua personalidade. Aperto forte: pessoa forte, decidida. Aperto fraco: pessoa fraca, insegura.

Segunda coisa: limite toques ao aperto de mão. Não encoste em pessoas desconhecidas. Aliás, não encoste em ninguém, por via das dúvidas. Se precisar muito chamar a atenção e a pessoa não estiver te ouvindo, um toque bem de leve no braço, ou nas costas, basta (quando digo costas me refiro àquela região das costas perto do braço, onde tem aquele osso sobressalente. Nunca na cintura!) Não encoste em outras partes do corpo, jamais no ombro (que pra gente é meio comum). Essas regras de toque eu aprendi meio sem perceber. Fui internalizando esses costumes até que quando um amigo brasileiro veio me visitar e pediu licença para uma moça desconhecida dando um típico tapinha no ombro, eu fiquei quase indignada com o atrevimento, rsrsrs!

Terceira coisa: ao comer com alemães, algumas coisas básicas não devem jamais ser esquecidas, jamais. Já falei disso umas duas vezes, pq é importante mesmo. Nunca, nunca, nunca comece a beber antes de brindar. Os alemães brindam quase sempre, quase em qualquer ocasião, eles adoram mesmo brindar. É muito mal-educado começar a beber antes de brindar com todo mundo.

E super importante: ao brindar, olhe nos olhos da pessoa com quem vc esta brindando, faça absoluta questão de olhar nos olhos. Eu não tinha a menor ideia de que isso era importante, e ninguém nunca me avisou que eu estava fazendo errado. Provavelmente são aquelas coisas que vc nem pensa a respeito conscientemente, mas passa uma impressão sobre a pessoa. Quer dizer, talvez os alemães à minha volta não tenham pensado “Nossa, como essa moça é grossa, nem me olhou ao brindar!”, mas tenho quase certeza que a impressão que eles tiveram de mim, inconsciente, foi diferente do que se eu tivesse olhado nos olhos.

Eu sempre olhei pro copo, ué, pra saber onde bater meu copo, não derrubar a bebida, e tal. Só descobri que estava fazendo errado quando uma amiga brasileira comentou o assunto. Desde então, fui olhar e, realmente, durante TODOS os brindes os alemães estavam sempre me olhando diretamente nos olhos. Certamente devem ter achado ruim eu não ter respondido de acordo. Agora tomo o maior cuidado com isso.

Já no que diz respeito à comida: nem sempre os alemães esperam todos os outros para começar a comer, eu ainda não sei bem quando eles acham que faz sentido esperar, e quando eles acham que não precisa. Mas uma coisa é constante: eles SEMPRE falam bom apetite (Guten Apetit) antes de começar a comer  sempre, sempre. Portanto, na dúvida, eu fico olhando em volta e esperando até alguém começar a comer, pra saber que já é ok. E não esqueça do Guten Apetit.

Uma coisa que os alemães esperam de você é que você seja direto. Se eles, por exemplo, te convidarem para uma coisa qualquer, e você não quiser ir, nunca diga “vou dar uma passada” sem a menor intenção de ir. Diga que não vai. Se vc der a entender que vai e não for, eles podem ficar seriamente ofendidos. Nunca ofereça algo se não for de verdade. Se você disse algo do gênero, “ah, quando você vier para o Brasil, pode ficar lá em casa!” e aí arranjar uma desculpa esfarrapada quando eles te derem as datas da viagem, eles vão ficar muito ofendidos, também. Só ofereça se for sincero, pra qualquer coisa. E qualquer coisa que você queria pedir deles, ou não queria aceitar, seja direto, diga que não, e porquê. Evite mentir, mas claro, também não precisa ser grosso e dizer que não vai na festa porque acha ele um chato. Os alemães muitas vezes acabam indo em eventos que não querem ir pq o motivo para dizer não não pode ser dito, eles não querem mentir sobre o motivo, e também não querem disfarçar, dizer que vai, e não ir. A regra é: Não minta, não desconverse, mas não seja grosso. É uma linha tênue entre ser direto e ser grosso, mas ela existe e aos poucos você vai enxergá-la melhor.

E finalmente, uma regra que vc vai aprender na primeira aula de qualquer curso de alemão, mas que sempre é bom falar: trate desconhecidos por Sie (senhor/a), nunca por du (você). Isso é super difícil de acostumar, já que a gente usa você pra quase qualquer um em quase qualquer situação. Mas aqui, tome o cuidado de usar sempre o modo formal da linguagem quando a pessoa for desconhecida. Se for alguém mais jovem, pode não ter tanto problema, mas na dúvida use o Sie.

É isso! Espero sinceramente ajudar outros desavisados com essas dicas, hehehe! Boa sorte!


(Publicado em 23 de Maio de 2015)

Morangos e Aspargos

Sempre nessa época do ano, primavera, eu vejo por aí (aqui em Dresden) algumas banquinhas temporárias de rua, vendendo aspargos.

Por algum motivo misterioso, aspargos frescos, como se fosse algo que você está passando pela rua e tem vontade de comprar.

Mais misterioso ainda é o fato de todas as banquinhas de aspargos venderem, também, morangos. Aspargos e morangos. Por que essa combinação? Vender morangos na rua eu compreendo, mas aspargos?

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Uma banquinha de aspargos e morangos

Talvez os morangos sejam para incentivar a compra dos aspargos…

Mas uma coisa que não existe por aqui são banquinhas itinerantes de frutas, vulgo caminhão da pamonha (que aqui, no caso, seria o caminhão dos aspargos). Nem caminhão de gás. Nem feira.

Para comprar frutas, as opções são supermercados e lojinhas de frutas. Não sei de outras cidades, mas aqui em Dresden tem muitas desses mercadinhos de frutas, que normalmente são de vietnamitas.

Mercadinho de frutas e legumes

Mercadinho de frutas e legumes

Eu sei também de uma ou outra barraquinha de frutas e legumes, mas que são fixas, estão lá todo dia. Essas costumam ser ótimos lugares para encontrar umas frutas diferentes, menos comuns nos supermercados, tipo uma que parece uma mini-melancia (Stachelbeere) (na foto mais pra baixo).

Banquinha fixa de frutas e legumes

Banquinha fixa de frutas e legumes

Entre as frutas (não vou falar de legume porque sou muito ruim de nome de legume) mais comuns, que você acha com mais facilidade por aqui estão maçãs, bananas, laranjas… os normais, que se compra em qualquer época do ano. Comuns também, mas só em determinadas épocas são tangerinas (só daquela pequena, já vi pelo nome de clementina, também), morangos… Basicamente todas as frutas “normais” você encontra por aqui, também: abacaxi, melão, melancia (mas elas são bem menores), abacate (só aquele menorzinho, preto), pêras… Só que algumas, como bananas, são importadas de países tropicais distantes e nem sempre são tão gostosas quanto se fossem frescas.

Limões tem tanto do amarelo quanto do verde, embora eles usem o verde com bem menos freqüência que a gente.

Mas o legal mesmo são as frutas “especiais”, aquelas que não são muito comuns no Brasil mas são típicas daqui. São basicamente as frutas vermelhas, ou frutas silvestres. São as que tem beere no nome: Morango (Erdbeere) é uma, mas aqui tem também framboesa (Himbeere), amora (Maulbeere), mirtilos (nunca ouvi falar esse nome em português, em inglês se chama blueberry, em alemão, Heidelbeere), groselhas (Johannisbeere) e cerejas (Kirschen, ok, essa não tem beere no nome). Principalmente no verão tem muitas dessas frutas por aí, inclusive direto na árvore, que nem nossas amoreiras urbanas. Os alemães fazem vários doces e geléias diversos dessas frutas, e é tudo uma delícia. Um exemplo é a Joghurtbombe (Bomba de Iogurte) e o Vanillepuding mit heißen Kirschen (Pudim com cereja quente) dos quais já falei aqui no blog.

Wild-Berries

Da esquerda pra direita, em cima: Erdbeere (morangos), Heidelbeere (mirtilos), Strachelbeere (não descobri nome em português). Embaixo: Himbeere (framboesas), Johannisbeere (groselha) e Maulbeere (amoras).

Uma das minhas frutinhas silvestres preferidas é a groselha, que em alemão chama Johannisbeer. Pra mim, até vir pra Alemanha, groselha era uma bebida/cobertura de sorvete rosa doce muito esquisita que eu nunca gostei. Mas eis que ela é feita dessas frutinhas que são uma delícia. São pequenas frutinhas redondinhas que vêm em cachos. Tem de várias cores, branca, preta, rosa, mas a vermelha é a mais comum. A planta, um arbusto, é ótima para se ter no jardim. Doces feitos dessa frutinha também são uma delícia, como um pão doce que sempre tem em padarias, o Johannisbeerschneke.

[Não tem nada a ver com esse post, mas outro dia eu passei numa padaria de manhã e vi maravilhosos Johannisbeerschneke e fiquei morrendo de vontade de comer um. Pensei em voltar lá mais tarde para tomar um café e comer um doce. Quando cheguei, tinha um, ainda. Mas uma senhora que chegou dois segundos antes de mim levou o último Johannisbeerschneke. Foi um grande trauma da minha vida.]

E já que estamos falando de frutas (embora o post fosse pra ser só sobre as barraquinhas de morangos e aspargos), porque não falar sobre sucos de frutas?

Aqui sempre tem suco de maçã, é o mais comum e mais adorado pelos alemães, embora seja o suco mais sem graça de todos os tempos. Suco de laranja também é facilmente encontrado, mas um natural mesmo é mais difícil de achar. A maioria é aqueles sucos de laranja sem graça que você compra em tetrapack no supermercado e nem tem gosto de laranja.

Suco de limão não existe. Já pedi em restaurante só para receber de resposta um olhar confuso com sobrancelhas erguidas. E cuidado, a palavra Limonade, muito comum, não tem nada a ver com limonada, e nem mesmo com limão. Limonade é a palavra que eles usam pra, pasmem, refrigerantes. Coca-cola é uma limonade. Como aqui tem vários refrigerantes diversos e diferentes, limonade é a palavra geral para, digamos assim, sucos com gás. Não precisa ter limões envolvidos.

Suco de cereja sempre tem em restaurantes, eu acho bom, embora seja bem “forte”, digamos assim. Já suco de groselha, embora a frutinha seja uma delícia, é horrível, nunca peça.

Ok, acabou virando um post sobre frutas, mas serve. Então se você vier pra Alemanha no verão, não deixe de experimentar essas frutinhas típicas daqui, ou os vários doces feitos com elas (que você também vai encontrar em outras épocas do ano). Aliás, estou planejando um post sobre doces para breve. Enquanto ele não vem, você pode matar o seu tempo na nossa nova super incrível página do facebook que ainda está meio vazia, mas juro que vai ser bem legal segui-la! Clica ali no logo em cima do calendário na coluna da direita!


(Publicado em 20 de Maio de 2015)

Morando em casas alemãs – Parte 2

Um dos primeiros posts que eu escrevi pro blog, em Maio de 2013 foi sobre algumas diferenças da casa típica alemã. Relendo esse post recentemente, percebi que tem outras coisas que eu não abordei que talvez eu não soubesse ou ainda não tivesse percebido na época. Então pensei em fazer uma parte 2.

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Uma dessas coisas, que eu não tinha reparado antes, eu só parei para pensar a respeito quando meu namorado achou estranho como fazemos no Brasil: porta social e de serviço. No Brasil é tão comum que você nem pensa em porque temos freqüentemente duas portas para entrar em casa. Mesmo apartamentos pequenos muitas vezes têm uma porta na cozinha e uma na sala, e até os que têm só uma porta costumam ainda ter um elevador social e um elevador de serviço.

Por aqui, isso não existe. Não existe tão profundamente que quando meu namorado visitou um apartamento com uma porta social e uma de serviço, achou que tinha duas portas para possibilitar a divisão do apartamento em dois.

Essa separação entre social e de serviço vem dessa cultura de ter alguém trabalhando na sua casa pra você. Em países como o Brasil, isso tem suas origens na escravidão, e se sustenta na desigualdade social que ainda existe hoje. Por diferentes circunstâncias históricas e sociais, na Alemanha isso não é e nem nunca foi comum para a grande maioria das pessoas. Um resultado disso é que é raríssimo ter alguém para limpar a sua casa pra você. Quando muito – e mesmo isso é muito raro – chama-se alguém para fazer uma faxina em situações específicas (Aproveite, caso você ainda não tenha lido, para ler aqui outro dos primeiros posts que eu escrevi pra cá, o Empregos que não existem na Alemanha).

Enfim, e portanto, aqui as casas e apartamentos tem uma porta (claro, casas maiores terão mais de uma, mas vai ser uma porta normal de entrada e uma porta da sala para o jardim, por exemplo), e os prédios com elevadores também não têm elevadores separados. Ou entradas separadas do próprio prédio. E as casas e apartamentos também não têm quartinho de empregada. E, aliás, também, as casas daqui não tem edícula – que é bem comum no Brasil. Aquele quartinho dos fundos, uma casinha separada no fundo do quintal? Aqui isso também não existe.

MAS, falando de quartos extras, uma coisa que quase todas as famílias alemãs têm é um quarto de hóspedes. Em casas, mesmo, sempre tem um porão espaçoso, o qual acaba virando um cômodo extra que serve de quarto de hóspedes, e depósito de tranqueiras também. Se for um apartamento pequeno, certamente tem um sofá-cama ou coisa do gênero. Por aqui é muito comum receber hóspedes na sua casa, até porque é bem normal as famílias morarem espalhadas pela Alemanha. E também comum ter amigos em várias partes do país, que estudaram com você na universidade e foram trabalhar em outras cidades.

Aliás, falando ainda sobre quartos, uma coisa que eu acho em particular é que não me parece muito raro que casais (mais velhos) durmam em quartos separados. Aliás, mesmo vários casais jovens às vezes moram juntos mas cada um tem seu próprio quarto.

Outra coisa bem típica de casas alemãs são jardins. Cimentar o quintal inteiro é uma coisa totalmente inconcebível para alemães, eles adoram jardins e jardinagem. Tanto é que muitos que moram em apartamentos acabam alugando um jardinzinho separado! Mas mesmo os prédios têm seu jardinzinho. Apartamentos no térreo costumam ter seu jardim privativo, também.

Jardins nos fundos de prédios

Jardins nos fundos de prédios

Mas, pera. Apartamentos no térreo? Pois é, isso é totalmente normal por aqui. Como já discutimos, não tem várias entradas diferentes e elevadores separados nos prédios. E também não tem zelador. E o térreo também não têm salões de festas ou outros espaços que parecem bem legais mas ninguém nunca usa. Aliás, isso é unânime por aqui, se alguém achar um prédio com coisas no térreo que não sejam apartamentos, por aqui, achou um ET. Os prédios por aqui são bem “simples” nesse sentido, todos os andares são apartamentos normais. No máximo algum dos apartamentos virou escritório.

Apartamentos no térreo com janelas direto para a calçada

Apartamentos no térreo com janelas direto para a calçada

Apartamentos no térreo com recuo

Apartamentos no térreo com recuo

Você deve estar se perguntando se não é inconveniente morar no térreo, com janelas direto na rua? Eu acho que deve ser bem inconveniente, sim. Normalmente o apartamento é um pouco elevado em relação à rua, pra não ficar totalmente no mesmo nível, mas a maioria das pessoas que moram no térreo acabam tendo meias-cortinas (aquelas cortininhas que ficam só na metade inferior da janela) ou vidros foscos nas janelas que dão para a rua. Mas, claro, tem a vantagem de ter o tal jardim, se você mora no térreo. Aliás, para quem tem gato é ótimo, já que dá pra deixar o gato sair (e os gatos daqui praticamente todos saem).

Ah, piscina em casa ou no prédio também nunca vi. Embora os alemães adorem uma piscina.

É isso! Provavelmente daqui a um tempo eu escrevo uma parte 3 com novas impressões!


(Publicado em 16 de Maio de 2015)

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Männertag – O dia dos homens

Hoje é feriado na Alemanha. A primeira quinta feira 40 dias após da Páscoa é, na religião cristã, o dia da Ascenção, em que Jesus ascendeu ao céu. O Feriado é por causa dessa comemoração, chamada em alemão Christhimmelfahrt. Mas no mesmo dia é também o não oficial Dia dos Homens, ou Männertag em alemão, ou ainda também chamado Dia dos Pais, Vatertag.

A tradição do Männertag já vem de longa data, e, como talvez possa-se imaginar pelo nome “Dia dos Homens”, não é uma data de comemorações fofinhas.

Basicamente a tradição é juntar um grupo de amigos – só homens, claro – e fazer uma caminhada puxando um carrinho de mão cheio de garrafas de cerveja ou vinho dentro. O qual, claro, eles bebem o dia inteiro para ficar tão bêbados quanto humanamente possível. Tanto que os acidentes de tráfego relacionados a alcoolismo aumentam em 3 vezes nesse dia. Que beleza de comemoração!

Steffen Gebhart at en.wikipedia

Em certas partes da Alemanha, o dia é comemorado com mais afinco, como é o caso daqui, Dresden, onde muitos jovens (rapazes) aproveitam o dia para se embebedar loucamente.

Quanto ao fato de ser também o dia dos pais, isso na verdade não importa muito por aqui. Esses dias como dia das mães, dia dos pais, dia das crianças, que no Brasil são híper comemorados, por aqui não têm muito valor, não. Sabe-se que é o dia das mães, ou dia dos pais, mas raramente as mães ou pais ganham presentes ou almoços com a família. Aliás, nem mesmo o dia dos namorados (aqui também comemorado no dia 14 de fevereiro) recebe muita atenção por aqui.

Mas a tradição do Dia dos Homens tem um background. Provavelmente teve início em procissões do dia da Ascenção (segundo o Wikipedia), celebrado desde o século XVIII. Os homens sentavam-se em carrinhos de mão e eram levados para a praça do vilarejo, onde o prefeito dava um presente (um grande presunto) ao homem com o maior número de filhos. O que, convenhamos, é uma tradição bem mais divertida. Mas aos poucos a parte religiosa foi se perdendo e a tradição foi sendo simplificada a um grupo de homens passeando com cerveja e presunto. Tudo bem.


(Publicado em 14 de Maio de 2015)
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(Publicado em 13 de Maio de 2015)

 

As quatro estações 1: Primavera

Uma das coisas muito legais de se morar na Alemanha é perceber as diferenças entre as diferentes estações do ano. Como aqui as quatro estações são bem marcadas, cada uma tem suas particularidades, suas características, seus cheiros.. e cada uma te permite diferentes atividades e hobbies.

Como já discuti em um post sobre caminhar na floresta, os alemães gostam muito de atividades ao ar livre. E em cada parte do ano são diferentes as possibilidades.

Então nesse ano resolvi fazer quatro post, um para cada estação, que serão publicados nos momentos correspondentes. Certamente não é novidade para quem está lendo, mas vale lembrar que no hemisfério Norte as estações são trocadas. A Primavera começa no final de Março e vai até o final de Junho, seguida do Verão, até o final de Setembro, o Outono começa então e termina no final de Dezembro, quando começa oficialmente o inverno. Portanto agora, em Maio, estamos no auge da primavera.

Aliás, essa história de estações em momentos diferentes do ano é uma coisa que os alemães acham muuuuito incrível quando você fala que vem do Brasil. Para eles parece inconcebível a idéia de natal no verão e inverno em julho… É quase como se você dissesse que no Brasil o Papai-Noel veste amarelo e roxo e seu trenó é guiado por cavalos marinhos.

Mas morando aqui, você até entende por quê. As estações são tão características que elas acabam marcando muito como você conta o tempo, e as suas memórias. Às vezes você pode não lembrar quando aconteceu determinado evento, mas você lembra se estava nevando, se as folhas estavam caindo, se estava florido ou muito calor. De maneira que é bem normal usar as estações do ano como referência de data, no estilo “Eu sei o que você fez no verão passado”.

Mas voltando à primavera.

A primavera é sem dúvida a melhor época do ano. E o motivo é tão somente o fato de que ela sucede o inverno. Não que o inverno seja a pior época do ano. Tem diversas coisas legais no inverno (que serão discutidas no post sobre o inverno). Mas depois de vários meses de tempo frio e dias curtos e escuros, quando as folhas nas árvores começam a nascer, a temperatura sobe o suficiente para dar para sair de camiseta e o horário de verão começa, atrasando o pôr do sol para depois das 8 da noite, todo mundo fica de bom humor.

De verdade.

Todo mundo fica de bom humor. É uma coisa perceptível.

De uma semana pra outra, todo mundo tira suas bikes da garagem e as ruas das cidades ficam novamente cheias de pessoas de bicicleta, adultos, crianças, avós, todo mundo. Aliás, março/abril é provavelmente o pior momento para comprar uma bike usada: todas as bikes usadas à venda somem das lojas/mercados de pulga rapidinho.

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As pessoas saem, as ruas ficam cheias de pessoas andando, passeando, conversando, andando com carrinhos de nenê.

Os parques das cidades ficam cheios de gente tomando sorvete, jogando futebol, kubb ou outros jogos, fazendo churrasco… E não só nos fins de semana. Como anoitece cada vez mais tarde (e muda bem rápido!), ainda sobram 3, 3h30 depois das 18h para sentar no parque com amigos e tomar uma cerveja depois do trabalho.

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Uma coisa particular também é que, durante a primavera neva pólen. Como explicar? Tem tanto pólen de várias árvores voando pelos ares, que tem dias que você vê vários pontinhos brancos, quase como neve, mesmo. Ou pedacinhos de algodão voando. Não dá pra explicar e é difícil de fotografar, mas eu tirei uma foto de um cantinho no chão da entrada de um prédio onde tinham se acumulados vários montinhos de pólen:

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(Aliás, a primavera é certamente a estação do ano mais odiada pra quem tem alergia a pólen)

Na primavera os pássaros voltam das suas férias em terras do Sul, e você os ouve novamente cantar de manhã. As árvores florescem, tudo fica colorido ou verde claro…

As sorveterias reabrem (as que fecham durante o inverno), todo mundo toma sorvete o tempo todo… os Biergartens também reabrem, os restaurantes e bares colocam mesas nas calçadas… não tem como não ficar de bom humor na primavera!

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(Publicado em 4 de Maio de 2015)

 

Cigarros alemães

É bem perceptível que aqui na Alemanha – e acho que na Europa como um todo – fuma-se bem mais que no Brasil, principalmente entre jovens percebe-se uma grande diferença.

No Brasil, aproximadamente 15% da população maior de 15 anos é fumante. Na Alemanha, essa taxa é de quase 25%. Entre jovens de 18 a 25, a porcentagem na Alemanha é ainda maior: 32%! (Interessantemente procurando os dados do Brasil, descobri que é o país que teve maior redução na taxa de fumantes nos anos recentes, devido às medidas governamentais anti-fumo. Mas enfim, estamos aqui para falar da Alemanha)

As leis de proibição do cigarro variam na Alemanha de estado para estado. No geral, proíbe-se o fumo em lugares fechados, inclusive restaurantes, mas nem sempre em bares. Na Saxônia, por exemplo (onde moro), é proibido fumar em lugares fechados, a exceção sendo bares, mas só depois que a cozinha estiver fechada. Ou seja, enquando serve-se comida, é proibido fumar. Quando serve-se apenas bebidas, é permitido fumar. Em baladas também é permitido. Já na Renânia do Norte-Vestfália (o estado onde ficam as cidades de Colônia, Düsseldorf, Dortmund e Bonn), a proibição se estende a qualquer lugar fechado de acesso público incluindo bares e baladas. Em outros estados, como Baden-Württemberg (onde fica Stuttgart), é proibido fumar em locais fechados, mas restaurantes e outros lugares podem oferecer salas separadas para fumantes. A tendência é que as leis sejam enrijecidas em todos os estados.

Mas o mais peculiar mesmo são os próprios cigarros. Eu não sei nada sobre cigarros uma vez que não fumo nem nunca fumei. Mas a particularidade daqui é que os alemães quase nunca compram cigarros já montados. É bem comum ver um alemão colocando umas ervinhas num papelzinho e enrolando-o, o que leva muitos desavisados a imaginar que estariam fumando algo alternativo e possivelmente ilegal. Mas é só um cigarro normal. Aqui frequentemente compra-se um pacotinho onde vem separado o tabaco, o papelzinho para enrolar e o filtro.

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Há os cigarros “normais” já montados também. Como no Brasil, embalagens de cigarro na União Européia têm de conter avisos bem visíveis quanto aos perigos do cigarro. Mas os avisos utilizados na UE (são padronizados e iguais em todos os países, mudando apenas, claro, a língua) são bem mais simples e menos assustadores que as terríveis fotos que aparecem nos maços de cigarros no Brasil. Por aqui aparece apenas escrito em letras garrafais mensagens como:

Rauchen kann tödlich sein. – Fumar pode ser letal

Rauchen fügt Ihnen und den Menschen in Ihrer Umgebung erheblichen Schaden zu. – Fumar é extremamente prejudicial para você e para as pessoas à sua volta

Raucher sterben früher – Fumantes morrem mais cedo

Schützen Sie Kinder – lassen Sie sie nicht Ihren Tabakrauch einatmen! – Proteja as crianças – Não os deixem respirar a fumaça do seu cigarro!

Rauchen macht sehr schnell abhängig: Fangen Sie gar nicht erst an! – Fumar causa vício rápido: nem comece!

Entre outras mensagens do gênero.

“MarlboroStangeDeutsch1” by Jared Preston – Wikipedia.


(Publicado em 3 de Maio de 2015)