Mês: junho 2015

O dia mais longo do ano

Hoje, 21 de Junho, é o solstício de verão no hemisfério norte. O dia mais longo do ano (No hemisfério Sul, é o solstício de inverno, ou o dia mais curto do ano). O que significa é que fica claro até bem tarde.

Que horas exatamente se põe o sol depende, claro, da sua posição no mundo. Aqui especificamente em Dresden o sol nasceu hoje às 4:49 e vai se por às 21:23. Como ainda fica claro depois do pôr do sol e antes do nascer, dá pra dizer que o dia começa lá pelas 4 e vai até às 22! E isso porque a gente está quase tão a Leste na Alemanha quanto possível. Em Colônia, que está bem a oeste, o sol nasce e se põe meia hora depois, então fica claro até umas 22:30.

Dresden COLOGNE

Quanto mais pra Norte você for a partir da Linha do Equador, mais longo vai ser o dia em Junho e mais curto em Dezembro, e quanto mais próximo você estiver do limite do fuso a Oeste, mais tarde amanhece e escurece (mas a duração do dia é sempre igual naquela latitude). Comparando Bremen e Stuttgart, que estão praticamente na mesma longitude, mas em diferentes latitudes (Bremem bem a norte, Stuttgart bem pro Sul):

Stuttgart Bremem

(e sim, é o primeiro dia do verão e as temperaturas na Alemanha tão variando entre 9˚ e 21˚….)

Mas enfim, tudo isso pra falar que se você estiver na Alemanha nessa época do ano, lá pelas 21h, 22h, vai estar assim:

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Dresden no dia 20 de Junho de 2015 às 21:25

Isso pq nesse dia ainda tava um pouco nublado, então não tava tão claro quanto se estivesse totalmente aberto. O legal disso é que ainda sobram 3, 4 horas de dia depois do trabalho/faculdade, as quais você pode aproveitar tranquilamente tomando uma cerveja sentado na grama com os amigos ou tomando um sorvete com as crianças.

Um monte de gente no parque no final da tarde de um dia ensolarado de verão.

Um monte de gente no parque no final da tarde de um dia ensolarado de verão.

O post sobre o horário de verão fala um pouco mais sobre esse assunto horários, verões e tal.

E aqui um mapa dos fusos horários do mundo, só porque eu acho bem legal:


(Publicado em 21 de Junho de 2015)

Bikes para alugar

Há dois anos fiz uma série de quatro posts sobre bikes na Alemanha abordando várias questões relativas a bicicletas: onde pedalar e quem pedala, quando pedalar e onde estacionar, como pedalar com chuva e carga, e como levar as crianças junto na bike.

Mas um detalhe que eu não discuti foi aluguel de bikes. Ou melhor, bikes compartilhadas.

Você certamente já conhece o conceito de bikes compartilhadas, já que ele está aos poucos sendo implantado em algumas cidades do Brasil também. Normalmente as bikes são alugadas por alguma empresa em colaboração com a prefeitura. Várias estações são espalhadas pela cidade, onde você pode retirar e devolver as bikes. Freqüentemente tem um app no celular onde você pode procurar a estação mais próxima de você, e os preços dessas bikes para alugar costumam ser bem em conta.

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Aqui funciona assim também, com um pequeno plus: a bike pode ser retirada ou devolvida em qualquer lugar, não apenas nas estações!

Funciona assim: a bicicleta fica presa não na estação como normalmente, mas com um cadeado normal de bike, daqueles de senha.

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Em determinada área da cidade (o centro, basicamente), a bike pode ser deixada em qualquer lugar. Encontrando uma bike, você pode desbloqueá-la pelo app (com o número da bike ou lendo o código QR), por telefone, ou com o seu cartão de membro. Você recebe então a senha para abrir o cadeado (no app, por SMS, telefone ou no visorzinho que tem na própria bike) e pronto!

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Ali onde está escrito “Nicht verfügbar / not available” (não disponível) e “verfügbar / available” (disponível), pisca uma luzinha verde para você saber se dá para alugar aquela bike, ou não (pode não estar disponível porque a pessoa que a emprestou ainda está usando, e não devolveu oficialmente ainda).

Para devolvê-la você pára em qualquer lugar, tranca a bike com o cadeado e devolve via celular, cartão de membro ou telefone. Super prático!

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Os preços são bem razoáveis. Se você não tiver o cartão de membro custa 1€ a cada meia hora, ou 9€ por 24 horas. Comprando o cartão de membro (custa 3€ por mês), você pode usar a bike gratuitamente por meia hora, 0,50€ por cada meia hora adicional ou 5€ por 24h. Vale bem a pena se você usa com freqüência. Para se registrar é gratuito, mas você precis colocar 9€ de crédito na sua conta quando se registrar (esses 9€ você pode usar para alugar a bike, claro). Esses preços são para Dresden, não sei se em outras cidades é diferente.

Fora do que eles chamam de “zona flex”, você só pode retirar e devolver as bikes nas estações, como de costume.

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Pelo app ou pela internet é fácil ver onde tem estações ou bicicletas paradas.

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No mapa da internet, acima, os pontos verdes grandes mostram as estações, os verdes pequenos mostram as bikes “soltas”, e os cinzas mostram as estações onde no momento não há bikes.

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Essa SZ-bike, verde, é específica daqui de Dresden, mas é parceira da Next-bikes (a azul), que tem em várias cidades da Alemanha. Eu acho que é a única empresa que tem esse sistema de deixar a bike em qualquer lugar e não apenas em estações. Algumas outras cidades têm bikes compartilhadas de outras empresas, que funcionam só via estações. Os preços também são os de Dresden. Não sei se variam por cidade, mas certamente são nessa mesma faixa de preço.

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Bem mais sagaz, esse sistema! Em termos de segurança, não acredito que seja tão mais problemático uma vez que todas as bikes têm GPS e portanto fica muito fácil encontrar uma bike eventualmente roubada. E facilita muuuuito para o usuário não precisar procurar uma estação com espaços vazios na hora de devolver a bike, especialmente sendo que o valor muda a cada meia hora.


(Publicado em 14 de Junho de 2015)

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Sapatos? Pra quê?

Morando na Alemanha você logo perceberá que os alemães mais jovens tem um quê de bicho-grilo. Eles são todos naturebas, coisas orgânicas, fair-trade, e tal.

Em vários sentidos isso é positivo, claro: são saudáveis, se preocupam com o meio ambiente, evitam marcas que não têm preocupações sociais ou ambientais, essas coisas.

Mas em determinados momentos isso é levado um pouco ao extremo.

Um bom exemplo é a moda de andar descalço. Pela rua. Sim. Descalço. Pela rua.

Dois ilustres rapazes caminhando descalços no asfalto, por que não? (Um dos chapéus pode ter sido adicionado no Photoshop para resguardar identidades alheias)

Dois ilustres rapazes caminhando descalços no asfalto, por que não? (Um dos chapéus pode ter sido adicionado no Photoshop para resguardar identidades alheias)

Por quê? Não sei. Não sei. Eu suspeito que seja uma coisa de retornar às origens, sentir o mundo nos pés, tocar a natureza com a pele, sei lá.

Sim, eu sei o que você está pensando. Mas… na rua? A rua é suja! O asfalto queima quando tá sol! Tem xixi de cachorro! Tem xixi de bêbado! Tem bituca de cigarro! Tem caco de vidro! Tem chiclete! Tem todo tipo de nojeira na qual você vai pisar com seus pés desprotegidos! Por quê?? Por quê??

Aqui em Dresden, no verão, é realmente muito comum ver jovens andando descalços pela rua, especialmente aqui na Neustadt, o bairro onde moram os estudantes da universidade, onde tem todos os bares, e tal. Não sei se é uma coisa daqui ou da Alemanha em geral, mas já vi um ou outro em Berlim, também.

Ainda não tive a coragem de chegar num alemão descalço para perguntar qual o motivo dessa rebeldia de abandonar os sapatos.

Sem ter mais o que escrever sobre o assunto, termino esse post com algumas das fotos de pessoas andando descalças que colecionei ao longo dos meses:

Homem levando seu cachorro para passear, ambos descalços.

Homem levando seu cachorro para passear, ambos descalços.

Alguém tranquilamente andando de bicicleta, descalço.

Alguém tranquilamente andando de bicicleta, descalço.

Respeitável casal andando de mãos dadas pela rua, descalços.

Respeitável casal andando de mãos dadas pela rua, descalços.

Duas simpáticas jovens mulheres andando descalças.

Duas simpáticas jovens mulheres andando descalças.

Um jovem rapaz esperando o tram na estação, descalço. (e nesse dia, embora fosse em Junho, tava 12˚C. Não era dia de andar descalço.)

Um jovem rapaz esperando o tram na estação, descalço. (e nesse dia, embora fosse em Junho, tava 12˚C. Não era dia de andar descalço.)

Um honrado jovem andando descalço pela calçada.

Um honrado jovem andando descalço pela calçada.

Ir à biblioteca também não requere o uso de sapatos.

Quem disse que ir à biblioteca requere o uso de sapatos?

Ir ao supermercado comprar cervejas também é uma atividade para a qual sapatos são desnecessários.

Ir ao supermercado comprar cervejas também é uma atividade para a qual sapatos são desnecessários.


(Publicado em 9 de Junho de 2015)

 

Plaquinhas coloridas pelas ruas

Se você mora ou já esteve na Alemanha, talvez tenha se deparado com uma plaquinha estranha na rua e se perguntado o que seria. Uma dessas aqui:

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Talvez você nunca nem tenha parado pra prestar atenção. Mas agora que você leu esse post, vai perceber que elas estão realmente por todo lado. Normalmente você vai vê-las nas paredes dos prédios ao longo das ruas. Mas, se não tiverem prédios, ou se o recuo frontal for muito grande, você vai vê-las também fincadas na grama ou em um lugar qualquer, assim:

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E o que é, afinal? Essas plaquinhas servem para indicar os poços de visita na rua em questão. Aquelas tampas que ficam na rua e dão acesso a infraestruturas diversas como encanamentos e outras coisas que ficam enterradas e podem precisar de manutenção. Eu tive que ir pesquisar esse nome “poço de visita”, eu chamaria de bueiro, mas bueiro é só o buraco pra onde vai a água da chuva, né. Então, poço de visita.

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Todas as aberturas nas ruas que dão acesso a serviços subterrâneos estão indicadas por plaquinhas desse tipo em alguma parede nas proximidades. E por quê? É que durante o inverno, em períodos com muita neve, as tampas podem ficar totalmente escondidas pela neve. Imagina os bombeiros chegando para apagar um incêndio e tendo que primeiro tirar a neve de toda a rua pra descobrir onde que está a tampa do hidrante?

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Daí as plaquinhas.

Vamos pegar uma de exemplo para ver como elas indicam a posição da tampa.

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Ok, essa está com uns adesivos em cima, mas dá pra ver. As laranjas indicam tampas que dão acesso à tubulação de aquecimento. São dois tubos, um por onde vem água quente, para o aquecimento dos edifícios (não sei exatamente como funciona) e outro por onde sai água fria. Acho que os acessos na rua devem ser para manutenção, ou talvez para registros onde pode-se desligar a água se necessário. Seja como for, a plaquinha indica a posição da tampa a partir do local onde está afixada. O número embaixo indica a distância perpendicular à rua a partir da plaquinha na qual está a tampa (no caso, 5m). O número à direita (0,3) indica que a tampa está a 30cm de distância da plaquinha, na direção da rua à direita da plaquinha.

As letras e números em cima (ES 25 no caso dessa plaquinha) indicam detalhes do tubo em questão, que tipo de tubo que é, tamanho, etc.

Já a cor da plaquinha indica o tipo de “serviço” (e está escrito em cima, também). A laranja então é para esses encanamentos para aquecimento; a azul, para água potável; a branca com as bordas vermelhas é para hidrante; a amarela para gás; a verde para encanamento de esgoto e; a branca, para a fiação elétrica. As indicações na primeira linha mudam um pouco, mas os números embaixo indicam sempre a distância da plaquinha até a tampa.

Engraçado é como essas plaquinhas passam totalmente batido até alguém apontar uma para você (como estou fazendo agora), e a partir de então você vai notá-las todas o tempo todo para sempre.


(Publicado em 4 de Junho de 2015)