Mês: novembro 2015

Sobre banheiros na Alemanha

Eu sei, é um tema curioso, talvez, para um post. Mas eu juro que há o que falar sobre banheiros na Alemanha, então por que não? Prometo que se tiver foto, vai ser só de banheiros limpos. 😉

A primeira coisa que você deve saber sobre banheiros na Alemanha é que aqui sempre se joga o papel higiênico no vaso. Isso nem é estranho, papel higiênico e feito com um material que praticamente dissolve na água, né? Ele é feito pra ser jogado no vaso. Depois que você se acostuma com isso você começa a se perguntar porque que a gente não joga no vaso no Brasil… não sei. Mas os alemães acham nojentíssima a idéia de jogar o papel higiênico no lixinho do banheiro e deixar e depois ter que retirar aquele lixo com papel higiênico sujo… aqui realmente sempre se joga no vaso, mesmo se for no banheiro, sei lá, do trem. Se você vir um aviso que pareça estar dizendo ‘não jogue papel higiênico no vaso’ mas vc não sabe exatamente porque está alemão, pode ter certeza que o aviso na verdade diz ‘não jogue nada ALÉM de papel higiênico no vaso’. Porque obviamente essa regra não serve pra absorvente, ou seja o que for. Só o papel.

Aliás, papel higiênico aqui é sempre de boa qualidade… nunca vi daqueles papéis higiênicos toscos que parecem feitos de jornal, que tem às vezes em banheiros de escola e faculdade no Brasil. Aqui eles são sempre no mínimo com 3 camadas, se não for mais.

E sempre tem papel. Eu me surpreendi uma vez numa viagem de carro, de parar na estranha em um lugar que era só banheiro. No meio da estrada, não tinha mais nada, era só um banheiro público no meio da estrada. E o banheiro era limpo e tinha papel. Achei inacreditável. Nunca me aconteceu de ir num banheiro sem papel aqui.

E isso nos leva a um próximo ponto: é raro achar um banheiro que não tenha que pagar pra entrar. Normalmente banheiros públicos vc tem que pagar uns 50 centavos pra entrar, mesmo em shoppings, estações e tal. Em restaurantes, lanchonetes e bares se você for cliente você pode, claro, usar o banheiro de graça, mas se você entrar só pra usar o banheiro também tem que pagar uns 50 centavos. O único lugar em que você costuma encontrar banheiros públicos que dá pra usar sem pagar são museus. Nooooormalmente dá pra entrar nos banheiros de museus sem estar visitando o museu. Mas mesmo isso já está mudando: em alguns museus têm uma catraca no banheiro que abre se você tiver o ticket de entrada do museu com código de barras e tal. Se não, tem que colocar uma moedinha de 50 centavos. Às vezes é irritante ter que pagar 50 centavos pra usar um banheiro, mas como eles estão sempre limpos e têm papel, vale a pena e talvez até faça sentido.

E acho que a coisa mais curiosa dos banheiros na Alemanha é que em QUALQUER banheiro, absolutamente TODOS mesmo, SEMPRE tem uma daquelas escovas de vaso sanitário do lado do vaso. Tô falando qualquer banheiro MESMO, pode ser o banheiro público no meio da estrada, o banheiro no shopping, o banheiro na casa de alguém, o banheiro do escritório ou da escola. Sempre tem a escova guardadinha ali do lado. Isso porque aqui na Alemanha espera-se que você mesmo limpe o vaso depois de usá-lo, quando necessário.

escova

Uma coisa ruim dos banheiros aqui, no inverno, é que nem sempre eles ficam com o aquecedor ligado. Em banheiros de escritório, escola, onde tem bastante uso e não tem alguém limpando a cada 20 minutos (que é o caso de um banheiro de shopping, por exemplo), é normal deixar a janela do banheiro aberta pra entrar um ar e sair o cheiro, e tal, e portanto o aquecedor fica desligado. Eu odeio ter que usar o banheiro no escritório onde trabalho porque tá sempre mó gelado lá dentro!

Mas pelo menos as torneiras quase sempre têm água quente. As torneiras aqui (de banheiros, cozinhas, etc) costumam ser assim:

perlator-entkalken-300x199

Se você abre ela pra esquerda, sai água quente, e pra direita, água fria. Quase todas as torneiras são assim, e é bem conveniente no inverno. Só que vale lembrar que água quente custa mais caro, então é melhor evitar usar se não for necessário. A gente até desliga o registro de água quente da pia do banheiro aqui de casa pra economizar um pouco.

Outra coisa bem diferente: os alemães não escovam o dente no trabalho ou na faculdade! Se você levar sua escovinha lá pra escovar o dente depois do almoço no escritório, como todo mundo faz no Brasil, fique avisado que vão te achar meio estranho e exagerado por aqui! E aqui é bem comum ter escova de dente elétrica.

Acho que é isso o que há para ser falado sobre banheiros na Alemanha! Nesse post aqui eu falei um pouco sobre como são as casas alemães, e lá também mencionei outras particularidades dos banheiros como a ausência de um ralo geral e do box – aqui é sempre cortininha!


(Publicado em 18 de Novembro de 2015)

 

9 de Novembro

Era pra eu escrever esse post ontem, que foi 9 de novembro, mas enfim. Serve.

9 de Novembro é uma data importante na Alemanha, com diversos acontecimentos históricos. O mais recente e talvez mais lembrado é o dia da queda do muro de Berlim, 9 de Novembro de 1989. Um acontecimento importante o suficiente para fazer do dia 9 de Novembro um feriado. Não fosse por outras memórias ligadas a essa data, especialmente àquela de 9 de Novembro de 1938, que ficou conhecido como a Noite dos Cristais.

Nessa noite de 1938, sinagogas, lojas e residências de proprietários judeus foram atacadas, destruídas, queimadas e arruinadas por multidões enfurecidas instigadas ao ódio anti-semita pelo partido nazista. Membros do NSDAP (o partido nazista) e do SA (Sturmabteilung, a milícia militar nazista), que organizaram e iniciaram os ataques a pedido de Hitler, vestiram-se à paisana para dar a impressão para a população que os ataques foram uma manifestação espontânea da população alemã contra os judeus, que foram multados em 1 bilhão de marcos pelo governo nazista, além de obrigados a limpar e reorganizar a bagunça resultante e a pagar dos próprios bolsos o prejuízo que tiveram em suas lojas, casas e sinagogas.

Loja de proprietário judeu destruídas após a noite dos cristais. Bundesarchiv, Bild 146-1970-083-42

Sinagoga destruída após a Noite dos Cristais.

Para relembrar a história, na noite de 9 de novembro há vigílias e manifestações nas sinagogas das cidades alemãs. Além, claro, de vários carros de polícia em volta das sinagogas, por via das dúvidas.

Manifestação pela tolerância na frente da sinagoga de Dresden em 9 de Novembro de 2015.

Manifestação pela tolerância na frente da sinagoga de Dresden em 9 de Novembro de 2015.

Muitos carros de polícia em volta da sinagoga.

Muitos carros de polícia em volta da sinagoga.

E, como falei lá no começo, foi nessa mesma noite, 51 anos depois, que o muro de Berlim foi derrubado 32 anos após sua construção.

É um tremendo desafio escrever aqui um texto sucinto, correto e apropriado sobre um evento tão importante e que marcou o fim de uma era. Mas vou tentar.

A parte talvez mais curiosa da história da queda do muro é que foi tudo meio sem querer. Com o desgaste do regime, o controle dos cidadãos na Alemanha Oriental e outros países da europa oriental estava ficando gradualmente menos rígido. Em 19 de Agosto de 1989, a Hungria desativou as defesas na borda com a Áustria. Isso significa que embora a borda física ainda existisse (grades com arame farpado, ou barreiras similares), não haviam mais soldados vigiando a borda, de maneira que a fuga para o oeste via Hungria-Aústria foi extremamente facilitada. Multidões de cidadãos da Alemanha Oriental começaram a viajar para a Hungria para fugir para o Oeste – não muito diferente das multidões de refugiados do oriente médio que hoje fazem o caminho contrário para subir à Alemanha via Hungria. Os então leste-alemães seguiam para a Alemanha Ocidental onde eram dados a condição de refugiados e autorizados a permanecer.

O governo alemão então proibiu viagens à Hungria, só para assistir o percurso de fuga se deslocar para a República Tcheca, país para o qual os então leste-alemães podiam viajar livremente devido a acordos entre os dois governos. A movimentação de refugiados era tão grande que o governo leste-alemão acabou decidindo permitir a saída (definitiva) de cidadãos diretamente pela Alemanha, e um pouco mais tarde no mesmo dia (9 de novembro) permitir também viagens de ida e volta para a Alemanha Ocidental (ou seja, os cidadãos leste-alemães poderiam ir para a Alemanha Ocidental sem precisar fugir do país para nunca mais voltar). O chefe do partido em Berlim Oriental e porta-voz para a mídia, Günter Schabowski, ficou responsável por comunicar as mudanças nas regras, mas ele não tinha estado presente nas discussões e não estava ciente de todos os detalhes envolvidos. Ele recebeu uma nota pouco antes da conferência de imprensa em que comunicaria as mudanças, mas não foi informado de que as regras passariam a valer no dia seguinte, para que desse tempo de informar os guardas da fronteira a respeito das novas regras. Na conferência, Schabowski leu em voz alta a nota que tinha recebido, e ao ser perguntado quando passariam a valer as novas regras respondeu que, pelo que a nota dizia, presumia que as regras passavam a valer imediatamente.

A notícia rapidamente se espalhou pelos dois lados da Alemanha e leste-alemães começaram a se reunir nos check-points do muro de Berlim exigindo que os portões fossem abertos, enquanto berlinenses do outro lado se juntavam nas saídas com flores e champagne para recebê-los. Na confusão das informações, os guardas da borda não sabiam o que fazer e ninguém do governo queria ser o responsável por dar a ordem de atirar em quem atravessasse sem autorização, de maneira que eles acabaram por abrir os portões e massas de pessoas fluiram para Berlim Ocidental de encontro aos berlinenses do outro lado em uma grande e emocionante comemoração.

Com a grande multidão de pessoas de ambos os lados, logo os do lado Oeste subiram no muro para ajudar os do leste a escalar e pular para o outro lado, seguido pelas iniciativas de destruição do muro com marretas e o que tivesse disponível.

Eis um momento emocionante da história do mundo que eu gostaria de ter testemunhado em pessoa. Nem dá pra imaginar o que essas pessoas devem ter sentido ao poderem se reencontrar depois de mais de 50 anos divididos.

Fotógrafa: Sue Ream

Lear 21 via English Wikipedia.

Dois 9 de Novembros, um em 1938 e outro em 1989, que marcaram o início e o fim de tempos sombrios da história alemã, que esperamos que não se repitam. Infelizmente, há ainda aqueles que desejam tanto a perseguição e intolerância aos não-alemães quanto a separação com muros e fechamento das fronteiras. Em contextos um pouco diferentes, é claro, mas movidos pelo mesmo radicalismo, ódio e medo que no passado. Felizmente não são a maioria.

Se você quiser saber o que visitar em Berlim para saber mais sobre a história da cidade e da Alemanha durante o século XX, dá uma lida no post de dicas de viagem sobre Berlim!


(Publicado em 10 de Novembro de 2015)

Viscos

Se você tiver visitado a Alemanha durante o inverno, talvez tenha visto e se perguntado o que seriam umas misteriosas “bolas” de folhas em árvores. Assim:

IMG_3238

Chamam-se viscos, ou visgos. Você possivelmente nunca tenha ouvido falar esse nome porque é uma planta de climas temperados, mas talvez já tenha se deparado com o nome em inglês: Mistletoe (em alemão, Mistelzweig).

Visco é uma planta parasita que se desenvolve nos galhos de uma árvore hospedeira, “roubando” água e nutrientes da mesma. Elas são bem comuns por aqui então no inverno, quando as árvores perdem suas folhas, você vê viscos pelos galhos de algumas árvores por aí.

IMG_3237

Na maior parte das vezes o visco, embora parasita, não representa grande perigo para a árvore hospedeira, que sobrevive normalmente. Só em alguns casos quando a “infestação” de viscos for realmente muito severa, quando nem parece que a árvore está sem folhas de tantos viscos nos seus galhos, é que a árvore pode acabar morrendo. E o visco também tem sua própria importância ecológica, servindo no inverno de alimentação para algumas espécies de pássaros, etc.

E por serem vistos só no inverno (já que no verão eles ficam cobertos pelas folhas da árvore), eles acabaram culturalmente associados à essa época, sendo usado por exemplo como decoração de natal pendurada em portas. E é também bem conhecida a tradição de que sob uma decoração de visco, um casal deve se beijar. O que deve ser bem interessante quando se é pré-adolescente, ficar tentando criar situações diversas pra encontrar aquele amor platônico embaixo de uma decoração de visco na época do natal e ter então uma boa desculpa pra um primeiro beijo!


(Publicado em 8 de Novembro de 2015)

Limpadores de chaminé e boa sorte

Ontem, conversando qualquer coisa com um alemão sobre algo que ele estava torcendo pra que acontecesse, ele comentou que teria que encostar em um limpador de chaminé.

Minha reação foi, claro, “AHM?”. Limpador de chaminé?

“Não é assim no Brasil?”

“A gente não tem nem chaminé no Brasil, quem dirá limpadores de chaminé!”

Ele então explicou que na Alemanha diz-se que dá sorte tocar em um limpador de chaminé. Limpador de chaminé não é um objeto, mas uma pessoa com essa profissão, mesmo. Aparentemente se você é um limpador de chaminé as pessoas te param na rua e pedem pra encostar em você, para dar sorte. O que nos leva à próxima óbvia pergunta: mas como você sabe que a pessoa é limpador de chaminé, assim, andando na rua?

Eles usam um uniforme específico. Bem específico:

« Atlantic cup 2005 003 » Martin Schuster — Wikipedia

Atlantic cup 2005 003 » Martin Schuster — Wikipedia

ADN-ZB/Pätzold/1.2.83/Schwerin: Mit besonderer Liebe pflegen die Männer der Schornsteinfegerinnung das schornsteinreichste und kulturhistorisch interessanteste Gebäude ihrer Stadt, das Schweriner Schloß. 365 Türme und Türmchen, von denen viele einst als Kamine dienten und reich verziert sind, geben ihm das einmalige Gepräge.

Pois é, eles usam essas cartolas e esses uniformes com os botões dourados. Eu demorei a acreditar que eles realmente até hoje usam esse mesmo uniforme, mas aparentemente é isso mesmo. Me parece um uniforme não muito prático para limpar uma chaminé, mas que experiência tenho eu com limpeza de chaminés?

Seja como for, já fiquem avisados: precisando de uma ajudinha do universo para ganhar aquele prêmio, passar naquela prova ou conseguir aquele emprego, basta procurar um limpador de chaminé. Mas tenha boa noção e primeiro PEÇA PERMISSÃO! Os alemães não saem encostando em outras pessoas assim sem consenso, muito menos em desconhecidos, e as pessoas antes de encostar em um limpador de chaminé sempre pedem permissão.

Confesso que ainda não testei pra ver se funciona.

Mas uma vez que estamos falando de coisas que dão sorte, lembrei de outra coisa que eu aprendi recentemente em relação a isso por aqui. Ultimamente eu estava esperando uma determinada resposta e torcendo pra que fosse positiva, e em várias situações em que eu estava pensando no assunto me pegava cruzando os dedos sem nem perceber.

Perguntei pro namorado se os alemães também cruzam os dedos para desejar boa sorte. Primeiro ele disse que não sabia porque não era supersticioso, mas eu logo expliquei que não é questão de acreditar que cruzar os dedos de fato muda alguma coisa, é mais uma expressão corpórea de quando você torce por algo. Você não cruza os dedos imaginando que isso realmente vá influenciar o resultado, mas porque é assim que você expressa essa torcida, é algo cultural. Ele respondeu então que embora o “cruzar os dedos” não seja estranho para os alemães, eles expressam torcida de outra maneira: com o punho fechado e os dedos cobrindo o dedão. Assim:

Beide_Daumen_drücken

„Beide Daumen drücken“ Grey Geezer – Wikipedia.

O nome pra isso é “die Daumen drücken”, ou “apertar os dedões”. Isso seria o equivalente a cruzar os dedos pra gente.

Outros símbolos e superstições relacionadas a boa sorte ou má sorte são iguais em ambos os países: cruzar com gato preto dá má sorte (mas não, gente, deixa os gatos em paz!), passar por baixo de uma escada, quebrar um espelho… trevo de quatro folhas e joaninha são símbolos de boa sorte, e por aqui podemos ainda adicionar a esses símbolos cogumelos vermelhos com pontinhos brancos e porcos. É, porcos, aparentemente, são símbolo de sorte na Alemanha. Então tá.


(Publicado em 07 de Novembro de 2015)

 

Andando com carrinhos de bebê pela Alemanha

Uma coisa que eu notei aqui na Alemanha já desde o começo é o alto número de carrinhos de bebê.

Parece uma coisa meio absurda de imaginar – que aqui vc veria mais carrinhos de bebê que no Brasil – uma vez que aqui a taxa de natalidade é bem menor, né.

Mas bom, além do fato de eu morar não apenas na cidade alemã com a maior taxa de natalidade como também no bairro de cidade alemã com a maior taxa de natalidade do país, tem outra coisa: aqui as pessoas andam com carrinho de bebê pra todo lado. Na calçada, no ônibus, no trem, dentro das lojas e restaurantes… nenhum lugar é apertado demais pra entrar o carrinho de bebê e ninguém nunca vai reclamar de você tentar enfiar um carrinho de bebê em algum lugar que não tem espaço. É totalmente normal entrar por exemplo em restaurantes – mesmo que bem pequenos – e deixar o carrinho de bebê do lado da sua mesa – até quando ele tá totalmente atrapalhando a passagem e dificultando o uso da mesa do lado. E, de verdade: ninguém jamais vai reclamar.

Aqui um exemplo bem leve de carrinhos de bebê em pequenos cafés. Leve porque esse carrinho é até que bem pequeno e o café nem tanto. Já vi carrinhos bem mais espaçosos em cafés bem mais apertados.

2015-10-30 16.36.15

E se você só vai entrar rapidinho na loja, por exemplo na padaria comprar um pãozinho, é comum também deixar o carrinho na porta e entrar só com o nenê, mesmo.

2015-10-31 13.27.02

Eu ficaria com medo de roubarem o carrinho, mas…

E em trams, trens e ônibus, estar com carrinho de bebê não é nenhum impedimento. Mesmo nas horas de pico quando o tram (aqui em Dresden o principal meio de transporte público são os trams, também conhecidos como VLT) está lotado, se vc entrar com um carrinho as pessoas vão dar um jeito de abrir espaço para você. Tem sempre um espaço destinado a carrinhos de bebê, cadeiras de roda ou bicicletas, e suficiente espaço para caber mais de um desses ao mesmo tempo. Ninguém faz cara de “afe, que saco” quando tem que abrir espaço pra alguém tentando entrar ou sair do tram com um carrinho de bebê.

E claro, você também vê muitos pais e mães passeando com seus nenês em carrinhos pelas calçadas. Não consigo imaginar isso nas ruas super inclinadas com degraus nas calçadas de São Paulo, mas nas cidades relativamente planas da Alemanha isso não é problema.

carrinho4 carrinho5

Certamente por toda essa facilidade e boa aceitação das pessoas em volta que seja tão comum ver carrinhos de bebês por aqui e não tão comum no Brasil. Depois de vir pra cá comecei a me perguntar como as pessoas fazem com seus nenês em São Paulo ou outra grande cidade brasileira. Absolutamente impensável entrar com um carrinho de nenê num ônibus ou mesmo no metrô em horários mais cheios. Calçadas com degrau são quase a regra e impossibilitam totalmente andar com o carrinho por aí. Sério, quem não tem carro, como faz? Tem que carregar o bebê toda hora? Não deve ser fácil…

O que me lembra outra coisa que eu “estranhei” por aqui no começo: crianças já mais velhas no carrinho. Não sou muito boa com idade de criança, já que não tenho filhos nem tive irmãos mais novos, mas sempre me pareceu que o carrinho era só pra antes da criança aprender a andar, e que, uma vez andando, que ande. Comentando isso com uma amiga, ela respondeu que é muuuuuito mais prático o carrinho, porque criança pequena anda muito devagar e cansa rápido, né. Faz todo o sentido, claro. E se vc pode entrar com o carrinho em qualquer lugar e andar com ele por qualquer lugar, por que não?

E já que estamos falando de nenês e locais públicos, vale a pena falar também rapidinho sobre amamentação pra terminar o assunto: por aqui é totalmente normal e aceitável amamentar em público, em absolutamente qualquer situação. Ninguém acha isso estranho, ninguém nem olha duas vezes pra uma mãe amamentando de boas seu nenê.

Como falei, não tenho filhos e portanto não tenho experiência com as dificuldades de quando se tem uma criança pequena. Mas pelo que observei, parece mesmo mais fácil ser pai e mãe de nenês por aqui!

E se você quiser saber outras maneiras que os alemães carregam suas crianças pela cidade sem carro, dá uma lida nesse post aqui!


(Publicado em 5 de Novembro de 2015)