Mês: dezembro 2015

Dez costumes alemães que eu não incorporei

Esse post é continuação do post anterior, onde eu mencionei 10 costumes alemães que já incorporei no meu dia-a-dia e nem parece mais que já foi diferente. Nesse post, vou falar de 10 costumes alemães que eu ainda não incorporei (porque é difícil!) ou que acho que jamais incorporarei (pq não fazem o menor sentido!)

Vamos lá…

DEZ costumes alemães que eu total NÃO incorporei

1 – Se reunir pra mostrar foto da sua viagem pros seus amigos que não estavam lá
Vou colocar esse primeiro porque acabei de ter que agüentar outra dessas situações. Os alemães A-DO-RAM chamar os amigos pra mostrar as fotos da viagem. Eu gosto de ver foto de viagem alheia. No facebook, no flickr. Onde eu decido quanto tempo eu olho cada foto, passo rapidão se não achar graça, olho mais tempo se for interessante… Mas eventos assim, com o fulano mostrando uma por uma as fotos da viagem, e contando as coisas que aconteceram naquele dia que pra ele são muito interessantes mas pra você totalmente aleatórias eu acho insuportável!

“Ah, aqui a gente tava tirando foto dessa montanha, aí chegou um grupo de japoneses e começou a tirar foto e foi muito chato.” *muda pra próxima foto, aparecendo o amigo em questão* “Mas aí a gente aproveitou e pediu pra eles tirarem foto da gente, e aí foi bom, porque no final ficou super boa essa foto, e a fulana tava olhando pro lado, mas ficou bem engraçado, e…”

“Aqui essa árvore que aparece aqui nessa foto é a que aparece aqui nessa outra foto meio de ladinho, ó, essa daqui, tá vendo? Aí ali do lado é que era nosso hotel, e aí essa árvore dava pra ver da minha janela, então eu lembro muito bem dessa árvore, que eu achei bem bonita uma hora que parou uns pássaros coloridos em cima, só que eu não consegui fotografar os pássaros, então ficou só a árvore, mesmo.”

Ah, não, gente. Os alemães adoram isso. Acho que eles devem gostar de assistir, também, se não não mostrariam, né? Sei lá. Em algumas situações tudo bem, até faz sentido. Por exemplo os meus sogros mostrando as fotos da viagem deles pro Brasil. Aí tudo bem, eu quero ver e conversar sobre as fotos que eles tiraram no meu país, faz sentido. Mas um amigo x mostrando as fotos mal tiradas da viagem aleatória que ele fez pra uma praia sem graça não sei aonde…Eu gosto de olhar as fotos de viagens alheias. No facebook. Posta lá que eu olho, comento e curto, e ainda acho bem legal. Mas slideshow, sei não. Aliás, isso nos leva para o próximo item:

2 – Não ter facebook / não ter nenhuma rede social / não se comunicar pela internet a não ser por email
Os alemães não são as pessoas mais comunicativas desse mundo. Tudo bem, nós brasileiros somos HÍPER-MEGA-SOCIÁVEIS-AO-EXTREMO. Não é que eu queira que os alemães fiquem o tempo todo conectados no facebook e no whatsapp que nem eu. Mas sabe quando bloquearam o wpp no Brasil, outro dia? Se fosse aqui, aposto todos os euros que eu tenho que os alemães nem. teriam. percebido. Sério. Se bloquear o facebook, então. Vai passar totalmente batido pra eles.

Diferente de nós, os alemães não tem necessariamente contas no facebook. Alguns tem. Outros não. Não é esquisito, pra eles, que alguns amigos não tenham facebook. Os que tem raramente colocam o nome de verdade, lá, normalmente eles colocam um nome inventado qualquer, por paranóia com privacidade. E os que têm facebook postam coisas muuuuuito raramente. Talvez entre os mais jovens, adolescentes, seja diferente, não sei. Mas entre as pessoas da minha geração, entre 25 e 30 anos, os poucos amigos alemães que têm facebook postam algo ou comentam/curtem coisas tipo umas 3 vezes por ano, talvez.

Isso pra mim é meio impensável. Não pelo facebook, em particular. Mas estar conectado o tempo todo é algo que é normal pra mim já faz bastante tempo. E principalmente depois que eu vim morar aqui isso passou a ser mais importante ainda, pra manter contato com as pessoas do Brasil que importam pra mim. Se eu e meus amigos no Brasil fossem tão ausentes da internet quanto os alemães são, com certeza eu já teria perdido contato com quase todos meus amigos nesses quase 4 anos que estou na Alemanha. E aliás, é meio isso que acontece com o meu namorado: os amigos de faculdade dele quase todos estão morando agora em outras cidades, e ele só fica sabendo deles tipo uma vez por ano quando muito. Não dá pra manter contato só por email, sabe. Isso exige você parar pra escrever um email específico para uma pessoa. Pelo face a pessoa posta lá alguma coisa da vida dela, vc vê, acha legal, acompanha… ainda que você não comente por algum motivo qualquer, você tá lá acompanhando e se sente próximo da pessoa dessa maneira. Isso pra mim é bem importante, sentir que estou de alguma maneira acompanhando a vida dos amigos mesmo estando longe.

Aqui nesse post eu falei um pouco sobre essa relação esquisita que os alemães têm com a internet.

3 – Esbarrar nas pessoas e não pedir desculpas
Bom, esse costume eu espero nunca incorporar. Não sei se em todas as regiões da Alemanha é assim, mas pelo menos na Saxônia as pessoas são grossas, que meu Deus. Não apenas esbarram em você e não pedem desculpas, em lugares cheios eu tenho a impressão honesta de que as pessoas não fazem o MENOR esforço para NÃO esbarrar em você. Você tá lá no caminho? E daí? Vou passar mesmo assim. Whatever.

Credo. Melhorem, alemães, melhorem.

4 – Achar que sanduíche é ou com queijo ou com presunto
Isso aqui não faz o menor sentido. Mas às vezes você quer comer uma coisinha qualquer, sabe, tipo um misto quente, ou até mesmo um misto frio, só pra disfarçar? Não. “Misto” é um conceito que os alemães ainda não incorporaram. Ou o pão é com queijo, ou o pão é com presunto, ou o pão é com salame. Todos terão tomate e pepino. Mas queijo E presunto, ou queijo E salame? Impensável. Quando eu estava escrevendo minha dissertação e passava o dia na biblioteca, não tinha almoço na cantina, só uns sanduichinhos frios e coisinhas assim. Às vezes eu almoçava lá e pra não comer um pão só com queijo ou só com salami, comprava dois, um com queijo e um com salame e “misturava” o conteúdo dos pães. Só assim.

5 – Lavar a louça fechando o ralo da pia
Os alemães têm uma maneira muito particular de lavar a louça. Pelo menos pra mim é particular. Eles fecham o ralo da pia e enchem a pia de água, tipo como quem vai deixar alguma coisa de molho. Mas aí eles lavam a louça assim, com a água ali parada. Imagino que seja a maneira que eles encontraram de lavar a louça usando pouca água, não sei. Mas eu juro que NÃO SEI como se lava a louça assim! Tá, pra lavar os primeiros dois pratos tudo bem, mas e aí? A água já tá suja e nojenta, COMO que lava a louça com água suja, gente???? Juro que pra mim é um grande mistério. Não sou a favor de lavar a louça esbanjando água, eu sempre fecho a água quando estou passando detergente na louça, etcetc. Não acho, de verdade, que lavar a louça como eu lavo gaste mais água que lavar a louça desse jeito curioso alemão…

Por sorte, quase toda casa alemã tem máquina de lavar louça, então não tenho nem que lavar a louça do meu jeito causando estranheza aos alemães, nem que observar, indignada, essa maneira absurda de lavar louça.

6 – Não ter ralo geral no banheiro e o piso dentro do box ser elevado em relação ao resto do banheiro

Os alemães não são muito bons de banheiro, sei lá. Ok, isso não é bem um costume, mas uma maneira como eles constroem suas casas, ou mais especificamente, seus banheiros. Mas aqui é assim: normalmente o chuveiro é dentro da banheira, com só uma cortininha pra separar a área do banho do resto do banheiro. E quando tem um box de fato, ou um chuveiro que não seja sobre a banheira, aí o piso da área do chuveiro é ELEVADO em relação ao resto do banheiro! Gente, isso não faz sentido nenhum, e se a água escorre pro resto do banheiro? E pra fazer tudo ficar ainda mais absurdo, NÃO TEM RALO GERAL nos banheiros!!! não tem ralo geral! Tem ralo na pia, tem ralo na banheira, tem ralo no box. Mas um ralo geral não tem! Tudo bem, eu entendo que não precise lavar o banheiro com uma mangueira de água, como muita gente no Brasil faz. Basta um pano úmido, e pra isso não precisa de ralo. Justo. Só que e quando escorre um monte de água do box ou mesmo da pia por algum motivo qualquer? Quer dizer, é uma área molhada, isso pode acontecer. Isso, na verdade, aconteceu ontem mesmo. Estava tomando banho num box e não percebi que o ralo estava meio entupido com cabelo. E a água estava acumulando. O box era bem fechado, então enquanto a porta estava fechada, estava tudo bem. Mas aí quando eu abri a porta, toda a água que eu não percebi que estava acumulada no chão escorreu de uma vez só pro banheiro, cujo piso está mais baixo que o do box, claro. Sem ralo pra onde empurrar a água, a única maneira de secar o banheiro foi com pano, torce o pano na pia, põe o pano no chão, torce o pano na pia, põe o pano no chão, torce o pano na pia… Não, algo aí não tá certo.

7 – Abrir a janela quando está muito frio lá fora
Eis algo que os alemães A.DO.RAM fazer. Abrir a janela pra entrar um “arzinho” quando tá DEZ GRAUS NEGATIVOS LÁ FORA.

“Não, mas tem que abrir um pouquinho, se não junta umidade na janela e aí estraga sei lá o quê”
“Mas tem que trocar o ar, não sei o quê etcetc”
“Não, mas tá muito quente aqui dentro, deixa entrar um arzinho.”
“Mas tá com cheiro forte da comida que a gente comeu agora, deixa sair um pouco o cheiro.”

Ok, só que não enquanto eu tô sentada do lado da janela, sabe!!

8 – Usar pantufas
Isso tem a ver com o costume que eu mencionei no outro post, sobre não usar sapato em casa. Eu já acostumei a sempre tirar o sapato antes de entrar em casa. Mas nunca me acostumei a usar pantufas. Os alemães (ok, não todos, mas muitos) fazem mór questão de umas pantufinhas. Invariavelmente eles te oferecem pantufas emprestadas se você está visitando. Mas eu tô de meia, sabe, não vejo porque pantufas. Quando eu não tô de meia, tá, uso havaianas. Mas não pantufas. E os alemães não sacaram, ainda, a praticidade das havaianas.

9 – Não necessariamente responder “tudo” quando alguém pergunta “tudo bem?”
No Brasil a gente fala “tudo bem?”. Aqui, os alemães perguntam “tudo bem?”. É uma pergunta, assim, de verdade, e tal. Não precisa responder “tudo”. Pode responder “não muito, viu”, “ah, mais ou menos”, “não mesmo”, “tô péssima!”. Pra gente tudo bem é tipo “bom dia”, não é uma pergunta de verdade. Isso eu ainda não consegui me acostumar. Se alguém me pergunta “tudo bem”, eu respondo automaticamente “tudo”, independente de qualquer coisa. É a resposta automática. Tipo “bom dia.” “bom dia.”. “Tudo bem?” “Tudo”.

Outro dia mesmo eu percebi o quanto é automático pra mim responder tudo quando tive o seguinte diálogo:

“Oi, Laís, tudo bem?”
“Tudo, só que minha vó faleceu ontem, tô bem triste.”

Não tava tudo bem. Minha vó tinha falecido. Eu estava (ainda estou) bem triste com o fato. Mas o “tudo” foi totalmente automático. “Tudo bem, mas tô super triste.”

10 – Não confiar em datas de validade
Uma coisa quase totalmente sem utilidade para os alemães são datas de validade. Eles ignoram datas de validade completamente. Ontem mesmo a gente comeu uma gelatina que tinha perdido a validade em 2011. Não sei, na verdade, como são as pessoas no Brasil em relação a datas de validade. Mas quando eu vejo que passou a data de validade, eu jogo o negócio fora. Sei lá, prefiro não arriscar. Passou a data de validade, vai que eu morro?

Os alemães eles olham, cheiram, experimentam, procuram no google e só aí decidem se é melhor jogar fora ou se podem comer. Ninguém morreu da gelatina de 2011, podia mesmo comer. Eles falam que é obrigatório por lei para todos os produtos, ter data de validade. Só que algumas coisas não perdem a validade tipo nunca. E mesmo assim eles têm que pôr uma data, lá. Aí eles meio que ignoram totalmente a data e tentam descobrir de outras maneiras se podem ou não podem comer.

O meu namorado chega ao extremo de se perguntar se dever tomar determinado REMÉDIO que perdeu a validade. Isso eu proibi. Não, gente, remédio fora de validade você JOGA FORA, não fica se perguntando se tudo bem, pelo amor de Deus…

Ok, acho que já deu! Esses são só alguns costumes estranhos que eu depois de quase 4 anos ainda acho estranhos, alguns dos quais eu provavelmente acharei estranhos pelo resto da vida (Sanduíche tem que ser com queijo E presunto, gente, acordem!!!).


(Publicado em 29 de Dezembro de 2015)

Dez costumes alemães que eu incorporei

Uma coisa de se mudar (ou passar muito tempo) num lugar diferente é que aos poucos, algumas coisas que antes pareciam totalmente estranhas para você passam a ser normais. Várias coisas que no começo eu achava totalmente sem sentido aqui hoje me parecem totalmente normais e eu até esqueço que outra coisa diferente já foi o normal.

Ultimamente andei pensando em algumas dessas coisas, então resolvi escrever um post com 10 costumes diferentes alemães que eu já incorporei totalmente, e 10 outros que eu ainda não incorporei ou acho que jamais incorporarei!

Não costumo fazer posts desse tipo, mas às vezes é legal!

DEZ costumes alemães que eu já incorporei total!

1 – Natal que dura 3 dias.
Ok, isso nao é exatamente um costume, mas foi isso que me fez pensar no assunto desse post. Aqui na Alemanha, dia 26 de Dezembro é feriado também, e chamado de  “segundo dia de Natal” ou “segundo feriado de Natal”. Como eles comemoram o Natal principalmente na véspera, dia 24, o Natal acaba tendo 3 dias. Acho bem esperta, essa idéia! Dia 24 não é feriado oficial, embora muita gente não trabalhe. Aliás, outro feriado dobrado é a Páscoa. Tanto a sexta-feira antes da Páscoa – sexta-feira santa – quanto a segunda-feira seguinte são feriados. Também é o segundo dia de Páscoa, segunda-feira. Segunda-feira é tão Páscoa, ainda, que eu fui perguntar agora pro meu namorado como chamava esse dia, e o seguinte diálogo seguiu:
“Sabe a segunda-feira depois da Páscoa?”
“Ahm? Como assim?”
“Ué, a segunda feira. Depois. Da Páscoa.”
“Ué, tem alguma coisa na segunda feira depois? Só sei da segunda-feira DE páscoa.”
“… É, isso. Como chama?”
“Segunda-feira de páscoa”
“Ok, esquece.”.

Com o Natal é a mesma coisa, inclusive, se vc disser para alguém, por exemplo “vamos nos encontrar no dia seguinte ao Natal?”, pode ter certeza que a pessoa vai marcar o encontro pro dia 27 de Dezembro!

Não sei se eu incorporei totalmente esse “costume”, mas dia 26 quando algum amigo no Brasil comentou que ia ter que trabalhar já no dia 26, eu brevemente pensei “ué, mas é feriado!”

(Até porque aqui quase ninguém mesmo trabalha em domingo e feriado, é proibido abrir lojas nesses dias! Aliás, outra coisa que eu incorporei: lembrar de fazer as compras para o Sábado porque no Domingo fecha tudo! Mas não vou fazer um item pra isso.)

2 – Passar muito rápido pelo caixa, especialmente em supermercados.
Esse aqui é SUPER importante. Muito mesmo. Os alemães CORREM no caixa. É tudo muito rápido, vc põe as suas compras na esteira o mais apertado possível, logo atrás já vem o próximo com as compras seguintes, etc. Quando chega no caixa, o caixa vai passando os produtos mega rápido, fecha a compra e já começa a passar o próximo cliente independente de você já ter ou não terminado de empacotar as suas compras. E se você ficar enrolando com isso, todo mundo vai te olhar feio que você está lá atrapalhando os outros. Normalmente se você não conseguiu terminar de colocar suas compras nas sacolas antes de pagar, você paga, e leva o resto para o balcão atrás do caixa (tem sempre tipo uma mesa-balcão para situações assim) e termina de empacotar lá sem atrapalhar o caixa e os outros clientes que estão com pressa. Sério, é tudo muito rápido.

E para pagar é a mesma coisa. O ideal é você chegar no caixa com o dinheiro já pronto, que se você ficar na hora ali contando moedinha uma por uma, pode ter certeza que vão te olhar feio, e, dependendo da falta de paciência do caixa (que não são as pessoas mais simpáticas que você vai encontrar pela Alemanha), suspiros impacientes, roladas de olhos para cima e sons diversos denotando desaprovação. Chega com o dinheiro contado na mão ou paga logo com uma nota de 50 euros ou cartão. Porque além de tudo, você é que vai ser considerado o mal-educado da história, se ficar lá enrolando.

Esse costume eu incorporei totalmente. Já peguei a manha de ser rápida no caixa, e da última vez que fui pro Brasil, fiquei me mordendo pra não perder a paciência nas vezes em que fui no supermercado, com a lentidão de todo mundo em pegar produto por produto, colocar leeentamente na sacola, procurar beeem devagar as moedinhas uma por uma… E aliás, isso nos leva ao próximo item:

3 – Não ter sacolinha pra cada grão de arroz que você compra
Os alemães são muito econômicos com sacolinhas plásticas. Ou melhor dizendo, nós é que somos extremamente esbanjadores de sacolinhas plásticas. No Brasil, você vai numa farmácia e compra um esmalte e eles te colocam numa sacolinha plástica. Você nem tem a opção de não ter a sacolinha, porque a pessoa do caixa passa o esmalte – ou o que for – no leitor de código de barras e já põe direto na sacolinha. Nem dá tempo de dizer “não precisa”. Aqui você rapidamente esquece esse exagero de sacolas plásticas. Em lugares como farmácia, lojas menores, eles só te dão uma sacola se você pedir especificamente por uma. Às vezes eles perguntam. Supermercados atê têm sacolinhas plásticas gratuitas mas elas são MUITO toscas, bem pequenas e super finas. É raríssimo alguém usar as sacolinhas disponíveis, raro mesmo. Normalmente as pessoas trazem suas próprias sacolas, ou, se tiver esquecido, compra uma decente reutilizável de pano ou de papel. Quando a gente esquece as sacolas de pano a gente ou compra uma de papel no supermercado, que é bem útil pra juntar o lixo de papel (veja o próximo item!), ou leva as coisas em caixas.

Aliás, sobre caixas nos supermercados: você não precisa pedir uma, basta pegar qualquer uma que já esteja vazia. Tem dois tipos de supermercado, os mais caros, tipo Rewe e Konsum, e os de desconto, tipo Aldi, Lidl e Netto. Esses últimos são os mais comuns e freqüentes, e o que a maioria das pessoas usa no dia-a-dia. Os preços são mais baixos, mas os produtos não são diferentes, a diferença maior é que tem algumas coisas mais “especiais” que você não encontra nesses supermercados, e também que eles são mais “bagunçados”. Então por exemplo, em vez de tirar os produtos da caixa e colocar bonitinhos na estante, eles colocam a caixa aberta com os produtos direto na estante.

Daí as caixas vazias. Quando as pessoas pegam todos os produtos daquela caixa, ficam lá sobrando as caixas vazias, que você pode pegar, se quiser, pra colocar suas compras. A gente faz isso com freqüência quando compramos nesses supermercados de desconto até porque eles normalmente não têm cestinha, só carrinho, e a gente raramente faz compras em grandes quantidades. Então a gente acaba pegando caixa também para carregar as coisas enquanto está fazendo as compras.

4 – A maneira de separar o lixo
Aqui separa-se o lixo, mas não é isso especificamente que eu incorporei – já que eu já separava o lixo antes – mas sim a maneira particular de separar o lixo. Aqui tem um lixo para recicláveis (embalagens, principalmente) (amarelo), um lixo orgânico (marrom), um lixo para papel (azul), e um lixo para outros (preto). E vidro só pode jogar nuns contâiners em locais específicos. Separar dessa maneira já ficou totalmente automático, agora. Sempre que você está num lugar diferente, tipo a casa de outra pessoa, e você precisa jogar algo no lixo, vc não pergunta “onde fica o lixo?”, você pergunta “onde fica o lixo reciclável?” ou “qual que é o lixo orgânico?”. O curioso é que o lixo reciclável é amarelo, mas eles às vezes chamam ele de “Der Grüne Punkt”, ou “o ponto verde”. Esse ponto verde é o símbolo de lixo reciclável, que é verde, esse aqui:

Todos os produtos que têm esse símbolo em algum lugar da embalagem (às vezes em preto e branco) vão no lixo com tampa amarela. Só que às vezes, por exemplo em restaurantes, eles têm só dois lixos, um para recicláveis e outro para as outras coisas. E aí às vezes eles marcam os dois com plaquinhas dizendo “Grüner Punkt” e “Sonst” (outros) ou algo similar.

E assim o lixo amarelo acaba às vezes sendo chamado de Ponto Verde. Não é daltonismo, não.

Para saber melhor sobre como funciona a separação de lixo e reciclagem na Alemanha, tem esse post aqui que explica tudo direitinho.

5 – Ficar sem sapato e sem casaco em casa
Aqui na Alemanha todo mundo tira o sapato antes de entrar em casa. Quer dizer, depois de entrar, mas antes de entrar nos outros cômodos. Nas casas e apartamentos você entra sempre em um hall de entrada, nunca direto na sala. Lá as pessoas deixam seus sapatos e casacos. O casaco, óbvio, pq quando tá frio fora dentro tem aquecimento. O sapato pra não sujar o chão. Especialmente quando tem neve, você chega com o sapato cheio de neve que vai derreter nos próximos minutos e criar uma poça de água suja embaixo. Nada que você queira na sua sala de estar.

Você se acostuma totalmente a tirar o sapato e o casaco assim que chega em casa. O casaco, aliás, você se acostuma totalmente a tirar quando chega em qualquer lugar. Qualquer tipo de jaqueta, mesmo que seja mais fina porque está só fresquinho, todo mundo sempre tira quando chega num lugar fechado. Se você continuar usando seu casaco ou jaqueta, as pessoas vão achar BEM estranho e perguntar porque você está fazendo algo tão sem sentido. Tira esse casaco e pendura ali na entrada antes que te olhem estranho!

6 – Fechar o zíper do casaco
E já que estamos no tema casacos e inverno, outro “costume” que você logo incorpora por aqui: fechar o zíper do casaco/jaqueta. Eu coloquei costume entre aspas porque isso não é um costume, é uma coisa totalmente normal que faz todo sentido. Casaco não funciona se tiver aberto, gente. A gente não sabe disso antes de viver um inverno de fato. Casaco de inverno, ou mesmo uma jaqueta mais fina, são a prova de água e vento, e é isso principalmente que faz com que o casaco te deixe quentinho, porque não entra aquele vento gelado. Obviamente isso só funciona se você fechar o casaco. Mas no Brasil a gente não tem inveeeeerno inverno de verdade, muito menos casaco de verdade, e aí a gente não sabe que casaco é pra fechar. É sempre assim: se você vir um brasileiro passeando por aqui no inverno (se estiver só viajando), a pessoa tá sempre com o casaco aberto. No maior frio. Gente, fecha o casaco. Você vai sofrer bem menos com o frio.

(Eu ouvi muita “bronca” do namorado no começo “mas fecha esse casaco, tá o maior frio!” “Mas eu não tô com frio na barriga, tô com frio sei lá onde!” “Mas não importa, se você deixa o vento frio entrar, não vai esquentar nunca!”)

7 – Atender o telefone falando seu nome
Um outro costume típico que eu já incorporei é atender o telefone falando meu nome completo, ou só o sobrenome. Aqui todo mundo sempre atende o telefone falando o nome inteiro ou sobrenome. Nome inteiro = nome + sobrenome. Se você tiver muitos nomes, não precisa atender falando “Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, alô?”, basta “D. Pedro I, alô?”.

É bem prático já saber quem atendeu o telefone quando você liga na casa de alguém, por exemplo. No Brasil se você pergunta o nome da pessoa que atendeu antes de dizer quem é, as pessoas ficam muuuuito ofendidas e desconfiadas!

8 – Tratar desconhecidos por sr./sra. + sobrenome
E falando de nomes e sobrenomes, uma coisa que primeiro é muuuuito estranho por aqui, e depois fica meio normal, é usar os sobrenomes das pessoas que você não conhece. Todas as pessoas que você ou não conhece, ou não é próximo, você trata sempre pelo sobrenome e a forma formal de tratar as pessoas, Sie. Eu ainda acho totalmente estranho meu chefe me chamar de Senhora e usar meu sobrenome toda hora, e aliás em geral ainda acho muito estranho ser tratada pelo sobrenome. Mas esses dias recebi um email de banco do Brasil, e a pessoa – que eu não conheço e com quem nem nunca falei – me tratou pelo primeiro nome e se apresentou com o primeiro nome. Totalmente normal no Brasil. Mas ao responder o email, eu me senti totalmente estranha dizendo “Boa tarde, Ana!” pra alguém com quem eu nunca nem falei! E me deu um ligeiro medo de que ela se ofendesse, mesmo sabendo que eu não estava fazendo nada de estranho. Mas você realmente se acostuma a tratar desconhecidos pelo sobrenome.

9 – Deixar as pessoas saírem antes de entrar no metrô/trem/tram
Hehe, talvez esse item seja mais uma esperança de que isso vai um dia ser assim em São Paulo… Mas aqui as pessoas de fato esperam os passageiros saírem do metrô antes de entrarem. Até dão espaço, esperando do ladinho da porta. É tudo tão mais fácil assim, queria tanto que isso fosse assim em SP!

10 – Não oferecer comida
Uma coisa que os alemães fazem muito raramente, e os nós fazemos quase sempre, é oferecer o que você tá comendo para as pessoas em volta. Os alemães só oferecem quando é, sei lá, um pacote de bolachas, algo assim que tem na embalagem várias daquela determinada comida. Oferecer, digamos, o prato que você pediu no restaurante pra outra pessoa experimentar é uma coisa totalmente estranha, aqui. Não tem nada de errado em pedir pra experimentar, se você quiser, mas oferecer do nada ninguém oferece. Isso eu incorporei tanto que me incomodo demais quando estou com brasileiros ou no Brasil e me oferecem para experimentar o que estão comendo. Agora acabo achando isso muito estranho – se eu quiser eu peço, oras. E algumas pessoas no Brasil não apenas oferecem, mas insistem MUITO até se convencerem de que você realmente não quer. Nossa, isso me incomoda muito! Que é aliás outro costume que eu incorporei: não insistir quando alguém disser não, e dizer sim tranquilamente quando quiser dizer sim para algo que me foi oferecido.

Também escrevi um post sobre essa história de oferecer/aceitar/insistir aqui.

 

Ok, foi bem difícil fazer essa lista, porque tem mais um monte de coisas que daria pra mencionar, e mais um monte de coisas que eu vou lembrar daqui a 10 minutos e achar que deveria ter escrito também! Mas pronto. Só que como o post já está gigante, vou deixar os 10 costumes que eu ainda não incorporei ou acho que jamais incorporarei para postar amanhã num post parte 2!


(Publicado em 28 de Dezembro de 2015)

Estrelas de Herrnhut

Antes de mais nada, Feliz Natal!

Continuando séries de posts de Natal… resolvi escrever um post sobre a estrela de Herrnhut. Eu já mencionei essa estrela no primeiro post sobre Natal na Alemanha, sobre decorações natalinas por aqui. Mas falei bem pouco sobre ela, e um símbolo tão importante por aqui precisa de um post só pra si.

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Bom, na verdade ela é um símbolo importante só na Saxônia. Em outras regiões da Alemanha, são poucas as estrelas de Herrnhut que você vai ver por aí. Mas na Saxônia quase todo mundo tem uma em casa, e locais como igrejas, museus, etc, sempre tem umas gigantes penduradas na frente, também.

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A história das estrelas de Herrnhut têm sua origem na cidade de Niesky (na Saxônia, quase na divisa com a Polônia) em uma escola da Igreja dos Irmãos Morávios, uma denominação protestante. Nessa escola, um professor de matemática inventou essa estrela para usar de exercício de geometria para os seus alunos, que tinham que calcular o volume da estrela. A igreja acabou adotando a estrela como símbolo do Advento e um dos alunos começou a montar estrelas e vender as instruções para a montagem em um livro. Alguns anos depois seu filho fundou a fábrica das estrelas na cidade de Herrnhut, também na Saxônia. A fábrica até hoje existe e é a única fabricante oficial das estrelas de Hernnhut. Todas as que tem para vender vêm dessa fábrica.

A estrela original da história tinha 110 pontas (tem uma foto aqui!), mas as que são confeccionadas para venda têm, normalmente, 26 pontas.

Dá para comprar a estrela em vários tamanhos e cores diferentes, para pendurar dentro de casa (de papel) ou fora (de plástico). De papel parece que é uma coisa toscona, mas as de papel são bem bonitas e bem feitinhas, também. Normalmente vêm em branco, amarelo ou vermelho, ou ainda em duas cores alternadas (algumas pontas de uma cor, outras pontas de outra cor, alternando), ou duas cores sendo o centro da estrela de uma cor e a pontinha de outra.

Estrelas no menor tamanho disponível, aprox. 10 cm de diâmetro.

Estrelas no menor tamanho disponível, aprox. 10 cm de diâmetro.

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Esse ano eu comprei duas estrelas do tamanho maior para pendurar dentro de casa, de presente de Natal para meu irmão e minha mãe. É tranquilíssimo de comprar pra levar ou enviar por correio porque elas vêm desmontadas numa caixinha.

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Estrela sendo montada

Estrela sendo montada

Estrelas prontas! No caso eu mandei uma vermelha e uma amarela, mas eles aproveitaram para misturar as cores e ficar com duas coloridas.

Estrelas prontas! No caso eu mandei uma vermelha e uma amarela, mas eles aproveitaram para misturar as cores e ficar com duas coloridas.

Só as pequenas já vem montadas, mas também numa caixinha. Os preços em qualquer lugar que você vá são sempre os mesmos, variando entre 20 e 30 euros para as estrelas para pendurar dentro de acordo com o tamanho (sem cabo e lâmpada, que custam outros 10 euros extra), e entre 40 e 50 euros para as de pendurar fora. As bem pequenas acho que custam uns 12 euros, mais ou menos. Você encontra elas para vender nos mercados de Natal, em algumas lojas nas cidades da Saxônia, ou pela internet em sites como o Amazon. Em alemão chama Herrnhuter Stern.

Nós ainda não temos uma, mas ano que vem certamente vou comprar uma para pendurar em casa!


(Publicado em 25 de Dezembro de 2015)

 

Bolachinhas de Natal

Já escrevi tantos posts sobre o Natal que está ficando difícil inventar novos temas para posts em época de Natal.

Mas esse ano pensei em escrever sobre as bolachinhas de Natal.

Uma coisa super típica daqui da Alemanha durante o Natal são essas bolachinhas. Tem vários tipos diferentes, então eu pensei em falar um pouco sobre algumas dessas bolachinhas, inclusive com receita!

Claro que tradições variam um pouco de família para família. Por aqui, a minha sogra prepara um pratão de bolachinhas variadas para cada um da família, assim:

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Nham.

Então vamos lá:

Butterplätzchen

A bolachinha talvez mais comum é aquela bolachinha simples de manteiga com formatos diferentes, em alemão chama Butterplätzchen. Essa daqui:

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Pra cortar as bolachinhas, você tem essas várias forminhas com mil formatos diferentes:

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Ingredientes:
250g de Farinha de Trigo
100g de Açúcar
1 Pitada de Sal
1 Gema
200g de Manteiga

Modo de preparo:
Misturar a farinha, açúcar, sal, gema e manteiga com as mãos. Embrulhar a massa em filme plástico e colocar na geladeira por 30 minutos. Separar em pequenas porções e abrir a massa com o rolo de massa em uma forma afarinhada até ficar bem fina, com uma espessura de uns 2mm. Use as forminhas pra cortar as bolachinhas.Você pode assá-las assim, ou ainda decorá-las com açúcar colorido, com gema, com açúcar cristal, com amêndoas, etc…

Coloque na bandeja do forno para assar. Vc pode também decorar depois de assadas. Asse a 175˚C por 20 minutos, e as que vieram depois por 12 minutos (porque aí o forno já estará aquecido). Retire, deixe esfriar e pronto!

A gente costuma comer sem decorar, mesmo, mas vc pode decorar de mil maneiras!

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Mokka-Ecken

Outra bolachinha que tá mais para um bolinho, que sempre tem por aqui, são os “triângulos de café”, ou Mokka-Ecken. Eles têm essa cara aqui:

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Ingredientes:
200g de Manteiga ou Margarina
200g de Açúcar mascavo
2 Ovos
1 colher de chá de Canela
1 colher de chá de cravo moídos
125g de Avelã moídas
250g de Farinha
1 Barra de Chocolate de 100g
1 colher de chá de Fermento
2 colheres de sopa de Rum ou Água
Para a cobertura,
3 colheres de chá de Café instantâneo
200g de Açúcar de confeiteiro
bolinhas de chocolate para decorar (aqui na receita original são tipo uns chocolates em formato de grão de café, não sei se tem isso no Brasil)

Modo de Preparo:
Bater a manteiga, açúcar, ovos, canela e o cravo em pó na batedeira. Adicionar a avelã, o chocolate (cortado em pedacinhos), farinha, fermento e rum, e continuar batendo.

Colocar numa bandeja forrada com manteiga e colocar no forno. Assar a 175˚C por 20 min.

Para a cobertura: Misturar o café instantâneo com 3 colheres de sopa de água quente, e misturar com o açúcar de confeiteiro. Colocar a cobertura sobre a massa já assada, e cortar a massa em quadrados e depois em triângulos. Colocar uma bolinha de chocolate por bolachinha. Espere esfriar e pronto!

 

Vanillekipferl

Ou bolachinhas de baunilha. Elas são uma delícia.

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Ingredientes:
140g Manteiga derretida
100g de Açúcar
1 Fava de Baunilha ou essência de Baunilha
2 Gemas
200g de Farinha
100g de Amêndoas moídas

Modo de preparo:
Bater o açúcar, manteiga, baunilha e gemas na batedeira. Adicionar a farinha e as amêndoas e continuar batendo.

Deixar a massa descansar por 1 hora.

Fazer um rolo comprido com a massa, e cortar em pequenos pedaços para montar uma meia-lua (veja na foto o formato da bolachinha) (Forre a mesa de trabalho com farinha para a massa não grudar).

Asse por 12 minutos a 180˚C e quando estiver pronto, rolar as bolachinhas em uma mistura de 1:2 açúcar/açúcar de confeiteiro.

Pronto!

Ufa!

Ok, no final foram receitas só de três bolachinhas, mas tem milhares de tipos diferentes de bolachinhas que dá pra fazer… mas é mó difícil traduzir receita de alemão porque eu não conheço o vocabulário de cozinha (não conheço em português, mesmo!) e nem todos os ingredientes têm no Brasil, também… Então quem sabe no próximo Natal (ou amanhã) eu me anime a postar mais umas receitas para outras bolachinhas.

Aproveite e leia também os posts dos outros anos sobre Natal!

Natal na Alemanha 1: Decorações
Natal na Alemanha 2: Comida
Natal na Alemanha 3: Outras coisas
Mercados de Natal
Casinha de bolo de gengibre
Com o que presentear alemães

Feliz Natal!

Adendo: Por uma enorme coincidência, descobri um outro blog de outra moça morando na Alemanha que resolveu escrever um post no mesmo dia sobre bolachinhas também! hahaha! Ela escreveu duas outras receitas que não aparecem nesse post, então achei ótimo para complementar. Então dá uma olhada lá se quiser mais duas receitas de bolachinhas de Natal!

Divergências Vitais – Natal na Alemanha: Plätzchen


(Publicado em 24 de Dezembro de 2015)

 

A relação dos alemães com a língua alemã

Uma coisa definitivamente frustrante sobre morar na Alemanha é, claro, a língua. Não porque ela seja particularmente difícil. Sim, é difícil, mas certamente bem mais fácil que muitas outras línguas. O que torna a experiência frustrante é a relação dos alemães com a língua alemã.

Eles gostam demais da própria língua.

Você deve estar pensando que ué, não tem nada de errado nisso. Eu também gosto bastante de português. Normal gostar da sua própria língua, não é?

Claro. Só que a maneira como as pessoas lidam com pessoas que aprendem ou estão em processo de aprendizado da sua língua é variada. E a maneira como as pessoas se dispõe a tentar entender outras pessoas em outras línguas que não a sua própria também é bem variada.

Já antes de vir para Alemanha essa relação dos alemães com sua própria língua me incomodava bastante. Eu morei na Itália por um ano e lá fiz alguns amigos alemães e austríacos. E quando esses falantes nativos de alemão estavam juntos, mesmo que com outras pessoas que não entendiam nada de alemão, eles falam alemão entre si e não faziam o menor esforço em te incluir na conversa. Em várias situações em que eu estava em um grupo onde a maioria presente era falante nativo de alemão, eles se comunicavam só em alemão, excluindo da conversa, sem a menor cerimônia, eu e os outros não-alemães presentes.

E nas primeiras vezes que eu visitei o namorado na Alemanha, antes de morar aqui, passei por várias situações semelhantes. Entre amigos dele, fosse um grupo pequeno ou grande, ninguém fazia o menor esforço para me incluir na conversa sabendo que eu não entendia uma palavra de alemão. Mesmo todos sendo perfeitamente capazes de falar inglês, ninguém se dava ao esforço. E eles não achavam nem um pouco estranho nem se sentiam nem um pouco mal de te excluir completamente da conversa. É quase como se você, não falando alemão, se tornasse completamente invisível.

Aos poucos, especialmente durante meu primeiro ano aqui, fui aprendendo alemão até chegar em um ponto de fluência em que conversas cotidianas não são mais problema. Mas mesmo já podendo participar das conversas ainda sinto demais os problemas dessa relação que os alemães têm com a própria língua.

Essa exigência que os alemães fazem com os estrangeiros aqui de falar e entender alemão perfeitamente independente do tempo que vc teve para aprender acaba sendo uma maneira discreta mas muito efetiva de várias pessoas extravasarem sua xenofobia. Mesmo quem não é particularmente anti-imigrante e não tem necessariamente nada contra estrangeiros acaba revelando muito da sua xenofobia escondida quando se discute a necessidade de falar alemão.

É necessário falar alemão para viver na Alemanha? Óbvio. É necessário para um estrangeiro aprender alemão se quiser viver aqui? Necessário é, mas essa é uma questão bem relativa. Ninguém aprende uma língua de um dia pro outro. Alemão não é uma língua fácil, e para quem nunca aprendeu outra a não ser a própria língua nativa, ficar fluente em uma língua nova é um processo bem demorado. E isso é uma coisa que me parece que os alemães não estão dispostos a entender. Claro, há excessões. Mas eis um exemplo que ilustra muito bem esse problema: numa conversa entre colegas de trabalho sobre refugiados, uma mulher estava contando que foi em um evento sobre refugiados em que um jovem sírio contou a sua história. O rapaz tinha 17, 18 anos, chegou na Alemanha há uns 2 anos, e, segundo a pessoa que estava contando a história, falava alemão perfeito. Ele estava contando que nos últimos anos fez o colegial aqui na Alemanha, sem problemas, mas ao terminar o curso, não foi autorizado a participar do Abitur – a prova nacional de ensino médio que te dá acesso à universidade, algo mais ou menos equivalente ao ENEM. A mulher que estava contando essa história disse que não sabia porque ele não podia fazer a prova. Então os outros colegas em volta começaram a discutir a situação tentando imaginar qual poderia ser o motivo. A conclusão imediata, automática, foi de que provavelmente ele não sabia alemão suficiente. Vai ver – concluíram os alemães – que é necessário um determinado certificado de alemão para fazer a prova, que ele não conseguiu obter. Confusa com essa conclusão curiosa, questionei: “ué, mas você não disse que ele falava alemão perfeito?”. A resposta: “Bom, ele falava alemão muito bem, mas vai ver ele não escreve alemão bem o suficiente e por isso não passou na prova de língua”.

Quer dizer.

Um estrangeiro estava contando que não podia fazer o Abitur que lhe daria acesso à universidade. Segundo a narradora da história, ele falava alemão perfeito. E AINDA ASSIM a conclusão imediata dos alemães presentes era de que se ele não podia fazer o Abitur, devia ser quase com certeza porque ele não sabia alemão suficiente.

Burocracias complicadas referente aos direitos dos refugiados? Leis injustas para estrangeiros? Não, nada disso passou pela cabeça como possibilidade. O problema certamente era a incapacidade do menino – que falava alemão perfeito – de falar alemão. Coerência zero.

Isso para mim ilustra bem a questão: os alemães acham que para viver aqui é necessário falar alemão PERFEITO. E que qualquer coisa que você não consegue, como estrangeiro, qualquer acesso que você não tem, certamente é porque você não fala a língua suficientemente bem. Entendem o problema?

É praticamente impossível atingir um nível de perfeição em uma língua estrangeira aprendida depois de adulto. Mesmo que você fale a língua muito muito bem, seu vocabulário vai sem dúvida ser menor do que o de alguém que aprendeu a falar falando aquela língua. Sua pronúncia nunca vai ser totalmente perfeita. Nenhum estrangeiro que aprendeu alemão depois de adulto será capaz de falar alemão – gramática, vocabulário e pronúncia – melhor que um alemão. A grande maioria vai falar um alemão suficiente, mas com uma forte pronúncia e vocabulário reduzido. E ISSO TUDO BEM. Só que a língua vai sempre ser uma maneira dos alemães extravasarem discretamente sua xenofobia e insistir que é porque você não fala alemão bem o suficiente que você não consegue as coisas aqui.

Meio do gênero: “ah, não tenho nada contra estrangeiros virem morar aqui. Mas tem que falar alemão perfeito.”. Ou seja, a pessoa diz pra si mesma que não tem nada contra, mas impõe uma barreira intransponível. E não se dispõe ao menor esforço para ajudar o outro a transpor essa barreira.

Claro que não são todos os alemães que são assim. Muitos alemães – principalmente pessoas mais jovens e que já moraram um tempo em outro país e sabem o sufoco que é se comunicar diariamente em uma língua estranha – não exigem de ninguém uma pronúncia ou compreensão perfeita de alemão para respeitá-los igualmente. Muitos se esforçam pra te ajudar com a língua e não se incomodam com seus erros. E, claro, é bom lembrar que a minha frustração é muito relacionada ao fato de eu morar em Dresden – uma cidade com relativamente poucos estrangeiros, onde as pessoas têm pouquíssima convivência e tempo de convivência com pessoas de fora no seu dia-a-dia. Certamente em muitas cidades grandes da Alemanha Ocidental a experiência é bem diferente, e as pessoas são bem mais tranqüilas em relação à língua.

E, mesmo aqui em Dresden, acredito mesmo que isso melhore aos poucos nos próximos anos, com mais e mais pessoas indo morar no exterior, e mais pessoas vindo do exterior morar aqui.

Mas de uma maneira ou de outra, uma dica importante para quem está querendo vir morar na Alemanha: aprende alemão. Corre, faz curso, estuda, se esforça, porque não falar alemão vai complicar demais pra você ser aceito por aqui.


 

(Publicado em 22 de Dezembro de 2015)

Confraternização de Natal da firma

Eu sei, estou atrasada com os posts. Mas agora entre Natal e Ano Novo tenho vários posts planejados pra compensar!

E o primeiro é sobre confraternizações de Natal de firmas… alemãs.

Aqui, como no Brasil, as empresas costumam fazer suas confraternizações de Natal em algum dia de dezembro. Mas pela minha experiência até o momento, essas confraternizações são bem diferentes das que a gente faz no Brasil.

Hoje foi a do escritório onde trabalho. A comemoração consistiu em ir visitar uma cidadezinha 1h30 de distância, nas montanhas de Erzgebirge, para visitar o mercado de Natal, um museu e depois jantar!

Saímos do escritório às 13h numa van alugada pelo chefe, chegamos na cidadezinha às pouco depois das 14h30, visitamos a igreja principal da cidade onde estava tendo um breve concerto de órgão, tomamos um Glühwein no mercado de Natal na praça central, visitamos um museu de brinquedos de madeira (A região de Erzgebirge é famosa pela arte em madeira, várias decorações, objetinhos super bem trabalhados com mil detalhes, de madeira), tomamos outro Glühwein no mercado de Natal, demos uma volta, e fomos para o restaurante. O restaurante era no topo de uma montanha, uns 2km de distância do centro da cidadezinha. A van ia levar o pessoal do centro pro restaurante, mas alguns preferiram ir andando, porque alemães adoram uma caminhada, especialmente se for subindo uma montanha. Aliás, todo o programa foi bem alemão. Com hora marcada pra cada parte do dia, tudo muito bem organizado e planejado, sem tempo nem sobrando nem faltando!

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A cidadezinha que visitamos hoje.

As confraternizações de natal das empresas no Brasil costumam ser um jantar em algum lugar, às vezes um churrasco, mas com mais freqüência é só uma festinha ali no escritório mesmo no último dia antes do recesso. Por aqui são bem variadas. No escritório do meu namorado eles alugam todo ano uma sala num restaurante onde você pode cozinhar sua própria comida, e os chefes cozinham para os empregados!! E umas comidas super sofisticadas! Entre o prato principal e a sobremesa, eles ficam mostrando no projetor fotos que o pessoal mandou especialmente pra ocasião, que são eventos importantes ou marcantes daquele ano pra cada pessoa: as viagens que a pessoa fez, os projetos que ela terminou no escritório, coisas assim.

Num outro escritório onde uma amiga trabalha eles fazem uma janta num restaurante, mas também com essa parte de mostrar fotos. Nesse ano foi um slideshow das fotos da viagem de um dos colegas para Ruanda. Os alemães adooooram assistir slideshow de fotos de viagens dos amigos com comentários. Eu gosto de olhar fotos que outras pessoas postam de suas viagens no facebook, por exemplo, onde eu olho no meu próprio ritmo, e tal, parar nas que me interessam e pular as sem graça… mas assistir slideshow de foto de viagem alheia com comentários acho, sei lá… bem alemão.

Uma outra coisa bem diferente é que aqui não se faz amigo secreto no escritório (ou em lugar nenhum, eu nunca ouvi falar de ninguém fazendo amigo secreto, aqui!). Normalmente todo mundo ganha um presente do/s chefe/s e o pessoal se junta pra comprar algum presente pro/s chefe/s também. Esse ano eu ganhei um vale para uma livraria, o que pra mim é um presente bem útil, e também uma garrafa de vinho. Meu namorado, que trabalha há bastante tempo num escritório, já ganhou dos presentes piores aos melhores. No ano passado ele ganhou uma câmera digital compacta. Noutro ano ele ganhou um joguinho de batalha naval bem tosco, que deve ter custado uns 5 euros. No ano mais bem sucedido do escritório, o pessoal ganhou um iPad mini. (!!!) Mas lógico que foi bem no ano que ele não estava lá… Nesse escritório o presente acaba sendo um resultado do sucesso do escritório naquele ano.

Presentes pros chefes também são os mais variados. No meu escritório trabalham 11 pessoas pra um chefe, então dá pra juntar uma graninha e comprar algo legal. No do meu namorado são menos pessoas e 3 chefes, então os presentes são menos caros, mas mais criativos. Teve um ano que eles fizeram um livro de receitas de macarrão, porque toda sexta feira um deles cozinha macarrão para os outros (cada semana um). Teve um ano que eles fizeram uns selos (selos de verdade, mesmo, para enviar carta) personalizados com imagens de projetos do escritório… num outro escritório que eu trabalhei eles faziam todo ano uma placa de metal de pendurar na parede com fotos dos projetos que o escritório tinha completado naquele ano. Comprar presente pra chefe é uma coisa que eu demorei pra me acostumar… no Brasil nunca trabalhei em lugar nenhum onde os colegas se juntassem pra comprar um presente pros chefes, achei isso totalmente estranho no início!

É isso o que eu sei sobre confraternizações de Natal de empresas na Alemanha. A minha experiência é com escritórios de arquitetura, que normalmente são empresas pequenas de até 10 pessoas, talvez em empresas bem grandes seja bem diferente, não sei. Se sua experiência for outra, conta aí nos comentários como foi!


(Publicado em 19 de Dezembro de 2015)