Mês: abril 2016

O tempo louco de Abril

Os alemães têm um ditado que diz: “April, April, der macht was er will.” Abril, Abril, ele faz o que quer. E eles vão sempre te dizer que em Abril, no que diz respeito ao clima, qualquer coisa pode acontecer.

Mas eu nunca tinha sentido tão claramente a verdade desse ditado até esse ano!

No comecinho de abril a temperatura subiu até quase 20°C, saiu o maior sol, deu pra andar até de camiseta e fazer churrasco no parque, parecia que a primavera ia finalmente engrenar de vez. Todo mundo guardou os apetrechos de inverno no fundo do armário certos de que não íamos precisar dessa chateação de luva e gorro até Novembro. Mas ao longo do mês a temperatura foi caindo, o tempo foi ficando pior, até que chegou a um extremo de frio fora de época no fim de semana passado (23, 24 de Abril), com a máxima em 8°C, e a mínima 0°C, com umas mudanças extremas no clima várias vezes durante o dia.

Pra dar uma ideia: ontem, no domingo, acordamos às 10:00. Estava chovendo. Quando meu namorado desceu para comprar pão às 11:00, estava sol. Quando ele voltou e sentamos para tomar café, começou a chover granizo. Meu namorado ia visitar um amigo às 13:00, então às 12:30 ele olhou o tempo para decidir se ia de bicicleta ou se pegava o tram. Estava sol. Ele foi de bicicleta. Lá pelas 14:30 pensei: “Puxa, acho que vou descer até o café na esquina e comer um bolo”. Estava nevando. Pensei: “Meh, deixa”. Tirei uma soneca. Acordei meia hora depois. Estava sol. Pensei: “Bolo”. Desci. Estava tudo seco lá fora. Comi o bolo e tomei um café, e quando saí do café às 16:00 estava sol de novo, mas o chão estava molhado. Voltei pra casa. Começou a garoar. Meu namorado voltou pra casa lá pelas 18:00. Estava sol. Resolvemos ir no cinema, o filme começava às 19:30. Ainda estava sol. Deixamos as bicicletas na rua na frente do cinema. Quando voltamos não estava chovendo, mas as bicicletas estavam beeem molhadas.

Hoje não foi diferente. Só até a hora do almoço já tinha nevado duas vezes (bem rapidinho) com o maior sol nas pausas. E um frio insano pra essa época do ano, de manhã estava 0˚C!

Frio em abril ninguém agüenta mais… em novembro e dezembro é legal, chegou o inverno, natal, neve, oba…. mas em abril… quando as árvores já estão verdes de novo, já está tudo florido, vc já guardou as luvas e gorros e o casaco de inverno, já tirou a bicicleta da garagem… em abril as pessoas querem saber é de sol! Mas eis que os alemães estão certos: Abril faz o que quer!


(Publicado em 25 de… Abril! de 2016)

Comprando (e doando) roupas na Alemanha

No fim de semana passado fomos comprar algumas roupas novas, e eu prestei atenção em várias coisas que são diferentes do Brasil no tópico comprar roupas, e achei que dá um post.

Talvez a primeira coisa a se discutir é onde comprar roupas na Alemanha. Não que tenha muita diferença. A opção mais em conta são as grandes lojas como C&A, H&M e Primark. Primark é de longe a mais barata, os preços são tão absurdamente baixos que vc fica se perguntando como eles fizeram pra produzir aquilo e vender por aquele preço e ainda obter lucro. Suspeito que a resposta não é nada boa. Por isso por aqui a maioria das pessoas que pode evita comprar nessas lojas – não é nenhum segredo que as roupas são produzidas em países onde os empregados são extremamente mal-pagos e vivem em condições de semi-escravidão. Mas também é verdade que não é todo mundo que pode pagar roupas em lojas fair-trade mega ecologicamente e socialmente corretas e insanamente caras, então também não julgo quem acaba se rendendo às lojonas mega baratas… Primark nesse sentido é a mais barata (sério, tem que procurar muito lá pra achar alguma peça de roupa por mais de 10 euros) e a “pior” no sentido de salários, origem das roupas, direitos trabalhistas, etc. Um pouco melhores são a C&A e a H&M, também ainda bem baratas mas não tanto quanto a Primark. A próxima opção em termos de preço seriam lojas grandes de outlet como a TK Max. Depois, as redes grandes mas não tão em conta que vc encontra em qualquer shopping tipo, sei lá, M Office, Sinn Leffers, e várias outras que existem no mundo todo.

Aliás shoppings mesmo não são suuuper comuns. Lógico que tem alguns, mas não é um a cada esquina. Aqui em Dresden, por exemplo, só tem 3. Mas em todas as cidades têm sempre umas enormes ruas comerciais, só para pedestres, com todas as lojas que também têm em shoppings como lojas de rua.

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Prager Straße, a principal rua comercial de Dresden.

E uma opção que os alemães gostam muito são as lojas de rua mais alternativas. Tem muitas, e também está aumentando muito o número de lojas que atraem os alemães mais social ou ecologicamente corretos, lojas fair-trade, ou, sei lá, tem até loja de roupas veganas. Mas, lógico, essas são todas super caras… Mas tem algumas dessas lojas de rua de marcas alternativas que não são super caras e têm roupas bem bonitas e diferentes… essas são as lojas que eu mais gosto.

E pros alemães mais alternativos mas vivendo de bolsa de estudo, brechós são uma opção bem atrativa.

Mas em lojas de roupas uma coisa que é bem diferente aqui são os trocadores. Os trocadores em si não são diferente, mas a atitude dos alemães em relação a trocadores: não tem nenhuma frescura em termos de separar trocadores femininos e masculinos. Na grande esmagadora maioria das lojas eles são unisex. Se a loja for maior e tiver seções masculina e feminina grandes o suficiente, certamente haverá um provador numa seção e outro na outra. Mas ninguém vai achar estranho se vc for provar as suas roupas no provador da outra seção, até porque é super comum por exemplo você moça ficar sentada nas cadeiras/sofás exatamente na frente dos provadores masculinos enquanto seu marido/namorado experimenta as roupas e te mostra, ou ao contrário.

E também ninguém presta atenção na quantidade de roupas que vc leva pro provador. As únicas lojas que eu já vi em que rola um sistema de cartões com o número de roupas que você está levando pro provador – que nem é comum em qualquer loja grande no Brasil – foram na Primark e na TK Max. Mas mesmo em outras lojas grandes como a C&A e H&M não é assim, ninguém presta atenção se você está saindo do provador com o mesmo número de roupas em cabides que quando entrou.

E outra coisa que está começando a mudar aqui é que quando as lojas (principalmente as maiores) estão começando a cobrar por sacolas. Em supermercados já é super raro as pessoas não levarem sua própria sacola, e isso é uma diferença bem gigante em comparação ao Brasil: no Brasil as pessoas tem uma necessidade por saquinho que MEUDEUS. Vc vai numa farmácia comprar um ESMALTE e te dão um saquinho. Qualquer coisa tem que ter um saquinho que AIDEMIMTERQUELEVARESSACOISAQUEEUACABEIDECOMPRARASSIMNAMÃOEXPOSTASPARATODOS OUENTÃOCOLOCARNAMINHABOLSA/MOCHILA/BOLSO/SACOLAPRÓPRIA! Aqui é bem normal, por exemplo, vc ir no supermercado comprar uma ou outra coisa e levar pra casa na mão mesmo, sem nenhuma sacola. Sacolas em supermercados costumam ser pagas, mas em outras lojas que dão sacolas gratuitas pras suas compras (tipo, sei lá, uma livraria por exemplo) seeeeempre te perguntam se você precisa de sacola no caixa antes de já ir te dando uma sacola. Bem frequentemente as pessoas não precisam e não pedem. E agora nas lojas de roupas maiores estão começando a cobrar por sacolas, também.

Ok, abordamos tudo o que se refere a comprar roupas. Mas e para desfazer-se delas? O que os alemães fazem com roupas velhas que não querem mais?

As duas opção mais comuns são ou deixar as roupas numa caixa na frente do portão de casa, ou colocar em contâiners de doação de roupas que tem espalhados pela cidade.

Deixar coisas que você não quer mais mas podem ainda ser úteis pra alguém numa caixa na frente de casa é bem comum por aqui – pelo menos aqui no bairro onde eu moro, onde tem muitos jovens. Eu escrevi um post só sobre esse assunto aqui. Mais comum é doar livros ou coisas de cozinha (pratos, etc) nessas caixas, mas volta e meia eu vejo umas com roupas também. Não sei se funciona muito bem, eu particularmente acho meio nojento, sei lá (embora não veja problema em comprar roupa em brechó). Mas pode ser frescura minha, os alemães são bem desligados com essas coisas.

A outra opção, os containers de doação de roupas, você encontra por todo lado na cidade, normalmente próximos aos outros contâiners de lixo (vidro e papel). São containers normalmente do exército da salvação, cruz vermelha ou outras organizações similares. O que acontece com as roupas depende do container. Não são todos de ONGs, tem também containers de redes de brechós, por exemplo, e nesse caso as roupas doadas são apenas revendidas em brechós! Bem estranho, isso, mas não é muito fácil de controlar: algumas roupas doadas em containers são até roubadas por pessoas que então revendem. E nem todos os containers que tem por aí são legais, alguns estão lá ilegalmente.

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Stefan Flöper / Wikipedia

Para se certificar que as suas roupas velhas serão doadas a quem de fato precisa, e não revendidas para o lucro de quem as coletou de graça, o mais recomendado é entregar as roupas diretamente em centros de coleta de organizações em que você confie – por exemplo você pode doá-las em campos de refugiados, ou para a cruz vermelha diretamente. Doar nos containers é pouco recomendado porque você realmente não sabe o que vai acontecer com a roupa – se ela vai ser revendida pelo próprio dono do container ou roubada dos containers para ser revendida. As que são revendidas acabam, quando em boa qualidade, sendo revendidas em países da europa oriental ou, quando em má qualidade, em países africanos. Certamente não era a sua intenção ao doar suas roupas velhas…

Mesmo as organizações que de fato doam as roupas para pessoas que precisam têm que vender uma parte para pagar o processo de organização e seleção das doações. Felizmente na verdade não há falta de roupas doadas: as organizações que trabalham com pessoas necessitadas (tipo a cruz vermelha) têm muito mais doações (de roupas) que a demanda. Isso eu posso confirmar: no ano passado trabalhei um tempinho de voluntária num campo de refugiados ajudando a organizar as roupas doadas, e tinha realmente muuuuuuuuuuuuita, mas muuuuuuuuuita roupa lá, muito mais do que todas as pessoas do campo conseguiriam usar. Ainda bem! =) Então mesmo essas organizações às vezes revendem as roupas para levantar dinheiro para as outras necessidades. Em 2013, por exemplo, a Cruz Vermelha juntou 3.5 milhões de euros com roupas doadas, que são então revertidos para outros projetos da organização. Acho que o ideal é doar direto na Cruz vermelha ou doar em containers específicos da Cruz Vermelha (ou alguma outra organização que você confie). E, claro, não comprar roupas que você só vai usar uma vez e depois jogar fora… =)


(Publicado em 24 de Abril de 2016)

Pressa, impaciência e pontualidade

Ontem eu fui numa reunião em que algumas coisas aconteceram que eu achei muito emblemáticas de certas características típicas dos alemães: pressa, impaciência, pontualidade. Ou, resumindo: nóia.

A reunião era na prefeitura de uma cidadezinha (vilarejo é a palavra mais apropriada) pra apresentar o projeto da pracinha da cidade que fizemos. Na verdade a ocasião em si era o encontro, sei lá, mensal ou semanal do conselho da cidade, aberto aos cidadãos para discutir as questões diversas que dizem respeito ao local: projetos, verbas, eventos, etc.

A reunião estava marcada para as 19:00, e nós chegamos às 18:05. Isso porque da última vez que tivemos uma reunião em outra cidade, nos atrasamos 15min porque tinha nevado muito na noite anterior. Então dessa vez o chefe resolveu sair com 1:30 de antecedência, embora só precisássemos de meia hora pra chegar lá. Só que quando chegamos, a prefeitura estava fechada, e ninguém lá dentro ou por perto pra abrir a porta pra gente. Então demos uma volta, olhamos o vilarejo, voltamos, ficamos conversando na porta da prefeitura, até que, às 18:50, começaram a chegar as pessoas que participariam da reunião. Entramos na sala onde a reunião ia acontecer e começamos a ligar o computador ao beamer, essas preparações básicas pré-apresentação. Só que o laptop que levamos não estava conectando ao beamer imediatamente. Mas assim. Não conectou imediatamente. Mas o computador estava reconhecendo o Beamer e eu precisava de tipo 10 minutos pra descobrir que botão precisava apertar pra conectar o negócio direito. Não era nada impossível de resolver, eu só precisava sentar no computador 10 minutos pra olhar com calma e descobrir o que estava faltando fazer pra conexão funcionar.

SÓ QUE:

Tenta fazer isso com uns 6 alemães atrás de você super noiados em começar a reunião pontualmente às sete e comentando coisas como “Não, aperta esse botão!” “Aperta aquele” “Tem que reiniciar o computador!” “Não, tem que reiniciar o beamer!” “Ai meu deus, será que não vai funcionar?” “Traz o outro laptop lá, fulano!!” “Não, pera, tenta com o meu, aqui!” “Mas o seu não tem o programa que a gente precisa!” “O fulano trouxe o dele também, ele instalou o programa, pega lá!”. Gente, que stress… eu só precisava de 5 minutos de silêncio e tranquilidade pra descobrir o negócio…

E isso tudo porque a reunião precisava a todo custo começar EXATAMENTE às 19:00. Às 19:00 estavam as pessoas do conselho sentadas na mesa e perguntando pra gente – que estava obviamente ainda tentando resolver o negócio – se podiam começar.

Às 19:01, após colocar o cabo em outro computador e o mesmo conectar-se ao beamer, a reunião começou. Com o presidente do conselho tocando um SININHO oficial de início da reunião do conselho, um sino, mesmo, de verdade. Uma coisa que se você fosse cego ficaria em dúvida se era a reunião do conselho da cidade que estava começando, ou o Papai Noel chegando no seu trenó para entregar os presentes de Natal.

Lembrando que essa situação toda não era uma reunião de uma prefeitura de uma grande cidade, num enorme auditório, com centenas de pessoas assistindo. Era uma prefeitura de um vilarejo, tinha ao todo umas 20 pessoas na sala onde a reunião ia acontecer, incluindo os 4 arquitetos do projeto…

Esse tipo de situação é bem típica. Os alemães são pontuais e extremamente paranóicos quando as coisas não estão andando como planejado e eles acham que estão DOIS MINUTOS E DEZESSETE SEGUNDOS ATRASADOS, MEUDEUSQUEVERGONHA! Nóia com pontualidade vai ser bem visível se vc fizer um curso de qualquer coisa aqui. Não apenas os professores começam a aula exatamente no horário marcado, mas eles fazem questão de terminar a aula EXATAMENTE no minuto marcado pra aula terminar. Semana passada mesmo minha professora de alemão se desculpou por terminar a aula TRÊS MINUTOS antes do horário. TRÊS MINUTOS. Era pra terminar às 20:45, e ela terminou às 20:42. “Bom, é isso, tá um pouco mais cedo, mas acho que tudo bem eu terminar agora, né?”. Gente… E era a mesma coisa na faculdade. Os professores chegavam, preparavam lá no powerpoint no computador, e ficavam de pé olhando pro relógio no computador esperando ele marcar exatamente o horário de início da aula, pra só então começar a falar. Mesmo que já tivesse todo mundo na sala sentado esperando. E se terminasse 2 minutos mais cedo, eles pediam desculpas… como se a gente fosse estar super noiado pensando “Não, mas e os meus últimos 2 minutos de aula, gente! Eu paguei por 3h de aula, não 2h58!!!!”

E a pressa característica também se traduz em outras atitudes um tanto irritantes. Como por exemplo quando você está andando na rua com um alemão. Uma coisa que os alemães super gostam de fazer é sair pra dar uma volta. Assim, uma volta sem nenhum objetivo específico, só pra andar um pouco, tomar um ar fresco, e tal. Até aí, legal. Só que eles não saem pra andar calmamente apreciando a paisagem. Eles andam como se tivessem atrasados pra chegar em algum lugar… mesmo que não tenha nenhum destino específico nem nenhuma pressão de horário. Já tô num relacionamento de 6 anos e até hoje eu ainda tenho que puxar meu namorado quando a gente tá andando na rua, porque além de CORRER, ele tem pernas tipo gigantes, então se deixar em 30 segundos ele já está 5 passos à frente e nem se toca…

E a impaciência vai ficar óbvia se você precisar pagar qualquer coisa e tiver que procurar dinheiro na carteira. Recomendo estar sempre com o dinheiro preparado e contado, que os alemães vão te fuzilar com olhar de laser se você ficar contando moedinha por moedinha com eles ali esperando você pagar.

Os alemães certamente têm vários outros hábitos que são bem legais e exemplares. Mas às vezes tudo o que eu queria era poder chacoalhar a Alemanha inteira gritando “MEEEEU, RELAAAAXAAAA!”…


(Publicado em 21 de Abril de 2016)

Finderlohn – Recompensa por um achado

Hoje eu descobri uma coisa muito curiosa sobre a Alemanha, algo que eu jamais teria imaginado. Eis que aqui a recompensa caso vc encontre algo de valor que alguém perdeu é algo “regulamentado”.

Vou começar a história do início: Na segunda feira a carteira do meu namorado foi furtada (sim, essas coisas acontecem aqui também). Lá se foram documentos, cartões, dinheiro, etcetc. Ele foi à polícia fazer o BO, cancelou os cartões, e dois dias depois recebeu uma mensagem no facebook de alguém que encontrou a carteira com os documentos próximo ao local onde foi roubada. Lógico que a boa alma que encontrou a carteira e se deu ao trabalho de procurar meu namorado no facebook não pediu nenhuma recompensa para devolver a carteira, mas a situação lembrou uma outra experiência do meu namorado com objetos achados: ele contou que uma vez seu pai encontrou numa floresta um cofre aberto. No cofre tinham alguns documentos, então ele levou o cofre e entregou para a polícia. Na delegacia, o policial que colheu as informações da situação perguntou ao meu sogro se ele queria pedir uma recompensa pelo achado.

E aí que veio o grande ponto de interrogação.

Como assim o policial perguntou se ele queria uma recompensa?

Fomos pesquisar e descobrimos que por lei você pode pedir uma recompensa sobre objetos achados, variando de acordo com o valor do objeto: Se o objeto tiver valor de até 500 euros, você pode pedir até 5%. Se for mais que 500 euros, vc pode pedir 5% dos 500 euros e 3% sobre o valor excedente. E se você encontrar um animal de estimação, vc pode pedir até 3% do “valor” do animal (sei lá como eles calculam o valor de um bicho, mas enfim).

Mas como assim? Como assim tem uma lei que oficializa pedir uma recompensa pra devolver algo que alguém encontrou por aí? Pra mim parece totalmente bizarro porque parece que a lei aprova e encoraja a atitude de ajudar o próximo apenas se você vai receber algo em retorno. Parece algo estranho pra se colocar em lei. Mas pensando melhor, chegamos à conclusão de que provavelmente a idéia é mesmo regulamentar algo que existe. Talvez pra encorajar alguém que encontra algo de muito valor a devolver, ou então para limitar o valor que alguém pode pedir para devolver algo encontrado.

Independente de recompensas, achado é roubado, sim: pela lei se você encontra algo que não te pertence você tem a obrigação de entregar para a polícia (isso é igual no Brasil, claro). E se a polícia te perguntar se vc encontrou algo e vc disser que não, e depois mudar de idéia e resolver devolver, você perde o direito à recompensa.

Fiquei ainda mais surpresa quando fui pesquisar um pouco mais a fundo para ver como isso funciona no Brasil. Eis que a lei brasileira também regulamenta recompensas por objetos encontrados! Só que pelo que eu li, é mais algo pensado para coisas de realmente muito valor, porque ela pode ser decidida de acordo com o esforço da pessoa que encontrou para encontrar o objeto, a probabilidade de que o dono conseguisse encontrar novamente o objeto por conta própria, e a situação econômica de ambos. Acho que a grande diferença que me surpreendeu (bom, eu não sabia da lei no Brasil ser assim, também fiquei surpresa de descobrir que é similar) é o policial perguntar para a pessoa que encontrou o objeto perdido se ela quer exigir uma recompensa, quer dizer, a coisa toda ser tão oficial e tão regulamentada que não é que vc pode ligar pra pessoa, dizer que achou o objeto perdido e pedir uma recompensa, mas o policial pra quem vc entregou o objeto vai te perguntar e anotar no papel oficial que você quer ou não quer a recompensa.

Que coisa!

Pra concluir, eis…
aqui as fontes das informações sobre o Finderlohn (recompensa pelo achado),

aqui a fonte sobre a lei no Brasil,

E aqui um post passado sobre o que os alemães fazem quando encontram objetos perdidos.


(Publicado em 13 de Abril de 2016)