Comida

Como a Alemanha mudou meu paladar

Uma das coisas mais difíceis de acostumar, para quem se muda de um país para outro, é a comida. Vale para quaquer pessoa mudando de qualquer país para qualquer outro, a comida é sempre uma questão difícil. Comida brasileira é de longe do que eu mais sinto falta aqui (exceto, claro, pessoas queridas que estão no Brasil). E os posts possivelmente mais comuns nos grupos de facebook de estrangeiros ou brasileiros aqui são pessoas perguntando onde encontram esse ou aquele ingrediente específico, ou como substituí-lo.

Aqui em Dresden não tem um único restaurante brasileiro, e eu não super sei cozinhar. Já tentei várias vezes fazer feijão mas não consigo temperar direito e não tenho paciência de esperar cozinhar totalmente, de maneira que o gosto nunca fica igual. Fica um feijão muito improvisado. Desisti.

O que significa que eu quase nunca como comida “normal”. Realmente muito raro eu comer assim um básico arroz e feijão com gosto de arroz e feijão. Outro dia viajando numa cidade encontrei um restaurante brasileiro e juro, quando chegou a comida e eu dei a primeira garfada quase comecei a chorar de saudade (“quase” aqui é só disfarce, saíram lágrimas de verdade). Outro dia ofereci um pote de doce-de-leite que estava sobrando aqui em casa (eu trouxe, ou alguém trouxe pra mim, sei lá, e eu não queria comer) num grupo de brasileiros daqui e em 5 segundos umas 20 pessoas responderam desesperadas que queriam muito aquele doce-de-leite.

Mas enfim. Tudo isso foi só introdução. A questão principal é: eu raramente tenho acesso a comida brasileira de fato, o que me obrigou a adaptar meus hábitos alimentares. Como qualquer imigrante tem que fazer, claro. Inevitavelmente mudar de país faz com que seus hábitos alimentares mudem até certo ponto. Certamente quem vai morar nos EUA acaba comendo mais fast food, quem vai morar no Japão acaba comendo muitos frutos do mar, etc.

Então esse post é sobre como o Alemanha mudou meus hábitos alimentares, e eventualmente inclusive minhas preferências alimentares.

Refrigerantes

A primeira coisa (que eu mencionei no post anterior, e que foi o ponto de partida pra escrever esse post): refrigerante. No Brasil eu era absolutamente viciada em Coca-cola. Tomava muito mesmo, coca no almoço, coca na janta. E eu não era nenhuma exceção, tem gente que toma menos, mas no geral muitas pessoas no Brasil tomam muito refrigerante, e coca-cola está sempre presente em festas, jantares e almoços com muitas pessoas, restaurantes, etc. Ir comer em algum lugar e não ter coca-cola como opção para beber é quase inimaginável.

Nos meus primeiros dois anos na Alemanha eu trouxe esse costume pra cá, e foi bem difícil. Escrevi um post inteiro sobre o quanto os alemães não tem menor idéia de como servir coca-cola. Aqui, se você pede uma coca num restaurante, ela vem sem gelo, quente, sem gás, e muito provavelmente nem é coca-cola de verdade mas alguma marca alternativa. Se você for convidado para almoçar ou jantar na casa de alguém, você pode ter certeza absoluta que não vai ter coca-cola na geladeira da pessoa. Refrigerantes no geral são coisas que os alemães bebem com pouquíssima frequência. Logo parei de pedir coca em restaurantes, porque era sempre nojenta, e passei a tomar só em casa. Depois de uma viagem ao Brasil em que uma amiga querida me apresentou a bebida mais simples e mais maravilhosa da terra – água com gás com gelo e limão – foi um pulinho pra abandonar a coca de vez. Passei a tomar água com gás com gelo e limão em casa, o que supriu a necessidade por uma bebida gelada e gasosa e eu te garanto: se você fica um mês sem beber refrigerante quando você voltar vai te parecer doce demais. A Alemanha curou de fato meu vício em coca de uma vez por todas. Acho que faz tipo um ano que eu não tomo uma coca, e a última vez deve ter sido assim pq não tinha outra opção e eu estava com muita sede, e me arrependi depois do primeiro gole. De todas as mudanças no paladar pelas quais a Alemanha foi responsável, passar de absolutamente viciada em coca para achar coca meio nojento foi realmente a mais radical.

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Açúcar

Na verdade a minha tolerância a coisas com muito açúcar no geral mudou. No Brasil coloca-se muito açucar nas coisas, nos doces, no café, onde der. Quando queremos evitar açúcar no Brasil, a alternativa é adoçante artificial, mas nunca simplesmente nada. Aqui isso é bem diferente. Por exemplo café. Colocar açúcar no café é raríssimo aqui. Só se for um espresso. Mas aqui não se toma tanto café espresso, mas café com leite. Sem açucar. Quando eu ainda tomava café com açucar e me ofereciam café em casas alheias e eu pedia açúcar, as pessoas tinham que ir procurar o potinho de açúcar no canto mais esquecido do armário da cozinha de onde ele sai uma vez por ano. Parei de tomar café com açúcar na mesma época que abandonei a coca-cola. E doces muito doces eu hoje não agüento nem olhar. Cocada, que era um doce que eu adorava quando morava no Brasil, por exemplo. Só de pensar em morder uma cocada já dá enjôo por ser tão doce. Quando faço bolos aqui com receitas brasileiras, coloco menos da metade do açúcar da receita e mesmo assim os alemães convidados a experimentarem dizem que é super doce. Ah, e adoçante artificial é algo que nem existe aqui. Eu nem tinha percebido isso (porque sempre detestei adoçante) até virem me visitar parentes que só tomam café com adoçante, e reclamarem de nunca ter adoçante em lugar nenhum. Realmente não tem mesmo.

Batata ou arroz

O alimento básico de cada cultura pode ter diferentes caras, gostos e cheiros, mas tem algo em comum: carboidratos. Qualquer cultura tem basicamente um item da culinária presente em quase todas as refeições, e que é a fonte principal de carboidratos e conseqüentemente energia e talz. No Brasil é o arroz e feijão, também comum em outros países latino-americanos. Na Itália é a massa. Em muitos países asiáticos também é arroz. Em vários países africanos é a mandioca. E na Alemanha, assim como outros países norte europeus, esse alimento básico sempre presente é a batata. Batata em diferentes formas e consistências: batata cozida, purê, batata assada, etc. Eu ainda prefiro arroz, mas acabo comendo pouco arroz por aqui. Como mais quando vou em restaurante vietnamita (que é a comida oriental mais presente por aqui) ou indiano.

Bom, na verdade essa mudança de hábito não é uma mudança de paladar, eu ainda prefiro arroz a batata. Arroz é bem mais gostoso. Mas uma coisa que você certamente nunca vai encontrar aqui é um prato com arroz E batata. É arroz OU batata. Pra gente batata é um legume, né, você poderia colocar batata junto com uma salada, talvez. Na Alemanha se chamar batata de legume eles te olham estranho.

Óleo

Uma diferença grande é a quantidade de óleo usada nas comidas por aqui. Aqui se usa beeeem menos óleo para cozinhar que no Brasil. E quando usa, usa-se preferencialmente azeite a outros óleos. Isso é uma coisa que eu notei também da última vez que fui pro Brasil, como certas comidas que você compra vem muito oleosas. Por exemplo salame e presunto. Sei lá, você tira o salame da embalagem ele vem todo gosmento e oleoso. Aqui ele vem sequinho. Isso me dá a impressão de que várias coisas meio “básicas” (básicas no sentido de alimentos que você compra assim no supermercado, como salame e presunto) são de pior qualidade no Brasil. Não sei se pior qualidade é a melhor maneira de descrever, mas a minha impressão, comparando um presunto que sai da embalagem sequinho com um que sai da embalagem todo oleoso e gosmento, é que o primeiro é mais saudável que o outro. Será que estou viajando?

Enfim, só sei que eu acostumei a usar bem menos óleo para cozinhar aqui.

Temperos prontos

Aqueles cubinhos ou potinhos de tempero pronto para carne, arroz, ou o que for, são super incomuns aqui. Eu usava sempre pra cozinhar no Brasil. No começo eu comprava aqui também (tinha que procurar meia hora no supermercado até achar os cubinhos escondidos num canto esquecido) e usava para cozinhar, mas aos poucos fui acostumando a cozinhar como meu marido e temperar as coisas com sal, pimenta do reino e cebola. Sei lá, talvez isso seja meio básico, e acho que várias pessoas lendo no Brasil logo dirão que também não usam tempero pronto nunca. Acho que quem gosta de cozinhar não usa mesmo. Mas eu usava e desaprendi aqui.

Pão

Pão é um assunto de extrema importância para um alemão. Alemães adoram pão. Na verdade, se você perguntar para qualquer alemão morando fora da Alemanha do que ele mais sente falta, pode ter certeza que a primeira resposta sem hesitação será “PÃO!”.

Aqui tem muitos tipos diferentes de pão, e eles comem no café da manhã sempre uma seleção variada desses. Esse post aqui explica melhor.

Pão branco é o menos querido entre a maioria dos alemães. Eu ainda não troco um pãozinho francês com crosta bem crocante por nada no mundo, mas os pães alternativos alemães – pretos, com sementes as mais diversas e todo tipo de coisas que você poderia imaginar colocar num pão antes de assá-lo – eu aprendi a gostar. Eu realmente não gostava no começo, só comia pão que não fosse branco se fosse realmente a única opção, e ainda fazia cara feia. Hoje gosto da variedade e como pães diferentes também. (Mas se a opção for entre um pãozinho francês e um outro pãozinho qualquer, vou inevitavelmente escolher o pãozinho francês que ainda não tem igual).

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Comidas diferentes em diferentes épocas do ano

Uma coisa interessante daqui é que, como as estações do ano são bem marcadas e bem diferente, as verduras, legumes e frutas disponíveis variam bastante entre as épocas do ano. Por exemplo, em Abril e Maio come-se muito aspargo. Em Outubro e Novembro, receitas com abóbora são muito comuns, assim como doces com ameixas. O verão, de Junho a Agosto, é época das frutas vermelhas, que aparecem em todos os bolos e doces. Essas variações são tão comuns que quando chega determinada época do ano as pessoas já começam a ficar com vontade de aspargos, ou de abóbora, ou do que for comum daquele período. E isso é uma coisa que morando aqui você logo acostuma e incorpora, até porque comprar framboesas em dezembro (por exemplo), até dá, mas pelo triplo do preço que custa no verão. E você só encontra em supermercados mais “gourmet” em embalagens com pequenas quantidades. Quando encontra.

 

Não sei, com essa lista ficou parecendo que os alemães comem muito melhor que a gente e são muito mais saudáveis. Isso em parte é verdade, mas só em parte. Eu não acho que a comida normal deles seja mais saudável, tipo o prato do almoço diário de um alemão médio. Um PF na Alemanha seria provavelmente: batata cozida, repolho cozido e alguma carne de porco, possivelmente um schnitzel (que é alguma carne à milanesa). Não acho isso mais saudável que arroz, feijão, bife e salada. Talvez igual? Não sei. Com certeza acho repolho e batata cozida bem menos gostoso que arroz, feijão e salada. De vez em quando até vai, mas como prato básico de comer todo dia? Yuk. Pra falar a verdade as comidas típicas alemãs – as bem normais – eu não tenho nem vontade de olhar. Saudades de um quilo, ou de um PF basicão.

À esquerda: Yuk! À direita: Yum! Tá, a foto da direita tá toscona, pq eu tirei rapidão com o celular, mas essa é a comida que proporcionou lágrimas de saudades.

Mas no que diz respeito a açúcar aí sim dá pra dizer que os costumes por aqui são mesmo mais saudáveis. A gente consome realmente muito açúcar no Brasil, e é vício. Quando você começa a reduzir o consumo, logo você vai perdendo a vontade de coisas muito doces. Mas dar esse primeiro passo de reduzir o consumo é muito difícil quando todo mundo em volta tá comendo um maravilhoso pudim de leite com uma coca-cola bem gelada. Então acho que acaba virando um vício coletivo.

E da última vez que estive no Brasil eu tive, mesmo, a impressão de que a comida industrializada era mesmo de pior qualidade.

Pra finalizar, acho que vale a pena comentar também que a adaptação em termos de comida varia muuuuito de imigrante pra imigrante. Se você cozinha muito em casa, e é só você em casa que cozinha, a adaptação é bem menor porque você continua cozinhando da mesma maneira de antes – você descobre onde encontrar os ingredientes mais raro, ou acha alguns substitutos suficientemente similares e pronto. Principalmente se as outras pessoas pra quem você cozinha têm os mesmos hábitos alimentares que o seu (por exemplo se você mudou com a família brasileira pra cá, em contraste com alguém que montou uma família binacional aqui). Se por outro lado você não cozinha nada mas come de tudo, aí inevitavelmente você se adapta à comida 100%.

Pra mim não foi nem um nem outro, mas um meio termo. Eu sempre fui bem fresca pra comer, tem um monte de coisa que eu não gosto, e normalmente quando eu encontro algo que gosto eu repito aquilo infinitamente. Em todos os restaurantes que eu vou regularmente (tem um italiano, um indiano, um tailandês e uma padaria) inevitavelmente assim que eu chego lá a pessoa que vem me atender já chega me dizendo meu próprio pedido. Que é sempre o mesmo. E eles já decoraram. Sério, a padaria do lado de casa (em que eu paro todo dia de manhã pra comprar dois pãozinhos com gotas de chocolate que é meu café da manhã dos dias de semana), assim que eu entro a pessoa que está atendendo já coloca dois Schokobrötchen na sacolinha de papel sem nem perguntar. E isso porque tem umas 5 pessoas diferentes que trabalham lá. Mas voltando: eu sou fresca pra comer mas não cozinho muito. Cozinho às vezes. Meu marido cozinha com mais freqüência, mas come de tudo. Então algumas coisas que eu não comia antes porque não estava acostumada e achava que não gostava, passei a comer. Mas várias outras coisas que seriam comuns se só meu marido cozinhasse e eu comesse qualquer coisa não aparecem nunca na nossa geladeira. Então fomos adaptando nossos costumes culinários um ao outro de maneira que as nossas comidas típicas em casa acabam sendo uma mistura de Brasil e Alemanha.


(Publicado em 30 de Novembro de 2017)

Comendo com alemães – Atualizado

Este humilde blog completa 5 anos daqui a poucos meses. Em 5 anos muita coisa muda, tanto fatos quanto impressões. Esse ano “renovei” vários posts antigos, principalmente escritos no primeiro ano de blog, e acho que isso vai ser uma tendência inevitável enquanto o blog continuar vivo.

Um dos temas sobre o qual escrevi bem no comecinho, e que precisa de atualização, é hábitos ao comer.

Talvez o mais importante: os alemães sempre falam “Bom apetite” antes de comer. Guten Apetit, ou às vezes só Guten, ou Lass/t es dir/euch schmecken são as diferentes frases que eles usam, mas sempre se diz algo antes de começar. Normalmente espera-se todo mundo estar sentado com comida no prato antes de começar (com muito mais frequência que no Brasil, onde em situações informais não se espera nunca), mas há exceções: em almoços rápidos, informais entre colegas de trabalho às vezes já começa-se antes dos outros. Na dúvida preste sempre atenção para ver se os outros estão esperando ou se já estão comendo, porque se você começar numa situação em que todo mundo espera, pega bem mal.

Com bebidas é ainda mais importante esperar, os alemães brindam sempre. Preste sempre atenção nos outros e só comece a beber depois que outros já estiverem bebendo – ou depois do brinde. Aqui é muito importante olhar nos olhos da pessoa que está brindando com você, faz parte do brinde. Esses detalhes é bom prestar atenção porque são aquelas coisas pequenas que a gente nem percebe que fez errado, mas passa uma má impressão!

Essas coisas eu já escrevi em posts passados, de temas variados.

Mas tem um outro assunto que eu ainda não abordei, que é como os alemães comem. Para mim, mesmo depois de quase 6 anos aqui, uma coisa que não me entra na cabeça é como eles usam colher. Não como mas em que situações. No Brasil só se usa colher pra tomar sopa, sopa líquida, mesmo. Ou pra comer sobremesa. Usar colher para qualquer outra comida é super estranho, parece que a pessoa não aprendeu a usar garfo e faca, fica feio. Mas aqui se usa colher pra qualquer coisa que tenha molho, basicamente. Macarrão, por exemplo, ou massas no geral – que não precisam ser cortadas – os talheres que se põe na mesa são só garfo e colher! E frequentemente, mas bem comum mesmo, os alemães dispensam totalmente o garfo e comem tudo com colher!

Nossa, eu confesso que isso me passa uma super má impressão. É engraçado pq eu não tenho lá grandes preocupações com etiqueta ou “boas maneiras” no sentido exagerado dos dois termos, mas comer com colher qualquer coisa que não seja totalmente líquida, ou sobremesa, eu acho totalmente bizarro.

Toda semana às terças feiras o pessoal do escritório pede comida indiana pro almoço. Comida indiana quem conhece sabe, é basicamente pedaços de legumes, batata, frango ou outros com muuuuito molho muito gostoso. Com arroz e pão pra comer junto. A idéia é que o molho você mistura com o arroz ou molha o pão no molho e assim come o molho. A ideia não é comer o molho como se fosse sopa. Mas toda terça-feira eu olho em volta e tá todo mundo comendo a comida indiana só com colher, como se fosse sopa. Eu hein. Com massa é a mesma coisa, penne, spirelli, essas massas que não precisa cortar? Não comem com garfo mas com colher. Sempre que eu “reclamo” disso pro meu marido ele me assegura que esse costume é mais específico daqui da Saxônia, e que em outras partes da Alemanha isso não é tão comum. Mas você pode ter certeza que em qualquer lugar da Alemanha, se você pedir uma massa, os talheres que serão colocados ao lado do seu prato são garfo e colher. Nunca faca.

Uma outra coisa que eu acho curiosa é que em algumas situações o guardanapo que você usou para uma refeição é reutilizado (por você mesmo, não por outra pessoa). Tipo, na época de Natal você almoça/janta com a família vários dias seguidos, certo. Dia 24, dia 25, dia 26. Nesses dias os alemães montam a mesa bem bonita, com decorações natalinas e guardanapos daqueles grossos.

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E curiosamente depois que se retira a mesa deixa-se os guardanapos lá, nos mesmos lugares, para usar e novo pra janta ou pro café ou o que for, no dia seguinte. Um tanto estranho. Eu não sei como que eles usam o guardanapo que faça sentido reutilizar, mas ao final da janta o meu não está só sujo como também dobrado, amassado, sei lá. Eu fico super dobrando o guardanapo. Aí eu olho e os outros tão todos bonitinhos e só o meu tem que ser reposto pq eu destruí o negócio, hehe. Mas gente, reutilizar o guardanapo de papel? Estranho, isso, hein. Estranho.

Aliás, voltando às bebidas, legal falar também das opções. Num almoço ou janta com alemães, na casa de alguém, vão te oferecer pra beber: cerveja, vinho, água (com gás) e talvez algum suco. Só. Coca-cola e outros refrigerantes, que são quase essenciais numa casa brasileira, são super raros aqui. Já fiz um post inteiro sobre coca-cola na Alemanha, que dá mto assunto. Mas se tem uma coisa que a Alemanha curou em mim foi o vício em coca. Realmente parei de beber coca e refrigerantes no geral depois que vim pra cá. Essa foto acima é de um dos meus primeiros (talvez o primeiro) natais aqui, e aquela coquinha ali no fundo tava lá especialmente pra mim. Na época eu ainda não conseguia imaginar um jantar sem coca. Engraçado como essas coisas mudam.

Aliás, muita coisa mudou nas minhas preferências em termos de comida e bebida depois de quase 6 anos aqui, dá pra fazer um post só sobre isso. Ok, vou fazer um post só sobre isso.


(Publicado em 26 de Novembro de 2017)

Bolachinhas de Natal

Já escrevi tantos posts sobre o Natal que está ficando difícil inventar novos temas para posts em época de Natal.

Mas esse ano pensei em escrever sobre as bolachinhas de Natal.

Uma coisa super típica daqui da Alemanha durante o Natal são essas bolachinhas. Tem vários tipos diferentes, então eu pensei em falar um pouco sobre algumas dessas bolachinhas, inclusive com receita!

Claro que tradições variam um pouco de família para família. Por aqui, a minha sogra prepara um pratão de bolachinhas variadas para cada um da família, assim:

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Nham.

Então vamos lá:

Butterplätzchen

A bolachinha talvez mais comum é aquela bolachinha simples de manteiga com formatos diferentes, em alemão chama Butterplätzchen. Essa daqui:

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Pra cortar as bolachinhas, você tem essas várias forminhas com mil formatos diferentes:

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Ingredientes:
250g de Farinha de Trigo
100g de Açúcar
1 Pitada de Sal
1 Gema
200g de Manteiga

Modo de preparo:
Misturar a farinha, açúcar, sal, gema e manteiga com as mãos. Embrulhar a massa em filme plástico e colocar na geladeira por 30 minutos. Separar em pequenas porções e abrir a massa com o rolo de massa em uma forma afarinhada até ficar bem fina, com uma espessura de uns 2mm. Use as forminhas pra cortar as bolachinhas.Você pode assá-las assim, ou ainda decorá-las com açúcar colorido, com gema, com açúcar cristal, com amêndoas, etc…

Coloque na bandeja do forno para assar. Vc pode também decorar depois de assadas. Asse a 175˚C por 20 minutos, e as que vieram depois por 12 minutos (porque aí o forno já estará aquecido). Retire, deixe esfriar e pronto!

A gente costuma comer sem decorar, mesmo, mas vc pode decorar de mil maneiras!

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Mokka-Ecken

Outra bolachinha que tá mais para um bolinho, que sempre tem por aqui, são os “triângulos de café”, ou Mokka-Ecken. Eles têm essa cara aqui:

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Ingredientes:
200g de Manteiga ou Margarina
200g de Açúcar mascavo
2 Ovos
1 colher de chá de Canela
1 colher de chá de cravo moídos
125g de Avelã moídas
250g de Farinha
1 Barra de Chocolate de 100g
1 colher de chá de Fermento
2 colheres de sopa de Rum ou Água
Para a cobertura,
3 colheres de chá de Café instantâneo
200g de Açúcar de confeiteiro
bolinhas de chocolate para decorar (aqui na receita original são tipo uns chocolates em formato de grão de café, não sei se tem isso no Brasil)

Modo de Preparo:
Bater a manteiga, açúcar, ovos, canela e o cravo em pó na batedeira. Adicionar a avelã, o chocolate (cortado em pedacinhos), farinha, fermento e rum, e continuar batendo.

Colocar numa bandeja forrada com manteiga e colocar no forno. Assar a 175˚C por 20 min.

Para a cobertura: Misturar o café instantâneo com 3 colheres de sopa de água quente, e misturar com o açúcar de confeiteiro. Colocar a cobertura sobre a massa já assada, e cortar a massa em quadrados e depois em triângulos. Colocar uma bolinha de chocolate por bolachinha. Espere esfriar e pronto!

 

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Ou bolachinhas de baunilha. Elas são uma delícia.

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Ingredientes:
140g Manteiga derretida
100g de Açúcar
1 Fava de Baunilha ou essência de Baunilha
2 Gemas
200g de Farinha
100g de Amêndoas moídas

Modo de preparo:
Bater o açúcar, manteiga, baunilha e gemas na batedeira. Adicionar a farinha e as amêndoas e continuar batendo.

Deixar a massa descansar por 1 hora.

Fazer um rolo comprido com a massa, e cortar em pequenos pedaços para montar uma meia-lua (veja na foto o formato da bolachinha) (Forre a mesa de trabalho com farinha para a massa não grudar).

Asse por 12 minutos a 180˚C e quando estiver pronto, rolar as bolachinhas em uma mistura de 1:2 açúcar/açúcar de confeiteiro.

Pronto!

Ufa!

Ok, no final foram receitas só de três bolachinhas, mas tem milhares de tipos diferentes de bolachinhas que dá pra fazer… mas é mó difícil traduzir receita de alemão porque eu não conheço o vocabulário de cozinha (não conheço em português, mesmo!) e nem todos os ingredientes têm no Brasil, também… Então quem sabe no próximo Natal (ou amanhã) eu me anime a postar mais umas receitas para outras bolachinhas.

Aproveite e leia também os posts dos outros anos sobre Natal!

Natal na Alemanha 1: Decorações
Natal na Alemanha 2: Comida
Natal na Alemanha 3: Outras coisas
Mercados de Natal
Casinha de bolo de gengibre
Com o que presentear alemães

Feliz Natal!

Adendo: Por uma enorme coincidência, descobri um outro blog de outra moça morando na Alemanha que resolveu escrever um post no mesmo dia sobre bolachinhas também! hahaha! Ela escreveu duas outras receitas que não aparecem nesse post, então achei ótimo para complementar. Então dá uma olhada lá se quiser mais duas receitas de bolachinhas de Natal!

Divergências Vitais – Natal na Alemanha: Plätzchen


(Publicado em 24 de Dezembro de 2015)

 

Vegetarianismo e produtos orgânicos

Desde que vim morar na Alemanha passei a conhecer vários vegetarianos. No Brasil eu conhecia uns dois. Aqui cada vez que convidamos alguém em casa temos que oferecer uma alternativa vegetariana pro jantar, ou no mínimo ter o cuidado de perguntar antes de decidir o que cozinhar, porque as chances são grandes de que carne não possa estar no menu.

As fontes divergem, mas parece que há mais de 6 milhões de vegetarianos, o que daria quase 10% da população total alemã. É a terceira maior taxa de vegetarianismo na União Européia, perdendo apenas pra Itália e pra Suécia. Desses 6 milhões, aproximadamente 800.000 são veganos.

Pesquisando esses números, descobri também um termo que nunca tinha ouvido falar: part-time vegetarians. Parece um tanto engraçado que alguém escolha ser vegetariano apenas parte do tempo, mas parece que uma boa parte dos alemães escolhem reduzir o consumo de carne ao invés de cessá-lo totalmente, conscientemente não comendo carne em 3 ou mais dias da semana. Eu li em uma fonte que 52% dos alemães fazem essa escolha… não sei se é fato, mas não duvido completamente.

O resultado é que praticamente qualquer restaurante tem opções de pratos vegetarianos, embora carne suína seja um elemento super importante da cozinha alemã. Nos refeitórios, por exemplo, como os de universidades (conhecido como mensa), SEMPRE tem no mínimo uma opção vegetariana, sem exceção.

O engraçado é que, embora vegetarianismo seja super normal, churrascos entre amigos também são, mesmo entre vegetarianos. Eles não grelham só carne, mas também legumes, queijos, carne de soja, um monte de alternativas.

Essa alta taxa de vegetarianismo no país é sintoma de uma crescente preocupação com maus-tratos de animais, além de outras questões de sustentabilidade e saúde relacionadas com a produção de carne.

E para quem também atenta ao bem estar dos animais, mas não escolhe o vegetarianismo, existem alternativas: as comidas orgânicas, ou “bio”. Agora isso está aos poucos ficando mais comum no Brasil também, mas aqui já há um tempo tem essa tendência de escolher produtos definidos como orgânicos. São os produtos que tem um selo “bio”, esse aqui:

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Esse selo garante um nível de qualidade de acordo com regras da União Européia, que, resumindo:

  • O produto respeita a natureza
  • O produto foi produzido de maneira sustentável
  • Os processos de produção desse produto são controlados anualmente por autoridades para certificar que eles respeitam todas as regras de produção orgânica, além das regras da vigilância sanitária e do respeito ao consumidor.
  • Animais de fazenda podem pastar livremente ao ar-livre e são tratados de acordo com condições avançadas de bem-estar animal.
  • Organismos modificados geneticamente não são permitidos
  • Para comida, há limitações estritas quanto ao uso de pesticidas químicos, fertilizantes e antibióticos.
  • Agricultura orgânica tem limitações estritas quanto ao uso de aditivos alimentares e outros.
  • A maioria dos aditivos para os produtos da fazenda vêm da própria fazenda usando recursos e conhecimento locais.

(Lógico que essas regras são bem mais precisas que esses itens vagos que são só pra dar uma idéia geral)

Esse é um dos selos de comida orgânica que existe (o europeu), o mais comum, mais há outros selos tb, com regras mais ou menos estritas. Além disso, o prefixo “bio” só pode ser usado no nome de um produto se ele respeitar essas regras e tiver algum dos selos. Então você não pode dar um nome qualquer pro seu produto com “bio” na frente sem ter esse selo.

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Alguns produtos orgânicos no supermercado. Obviamente eles sempre têm embalagens verdes.

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Então comprar carnes orgânicas também é uma boa alternativa pra quem não escolhe o vegetarianismo.

Qualquer supermercado vende uma seleção de produtos orgânicos, mas há também supermercados só de orgânicos, pra quem realmente quer consumir exclusivamente produtos orgânicos.

Mas claro que nem tudo é lindo e perfeito: o maior problema dessa questão dos orgânicos é que os produtos com esse selo são bem mais caros que os “normais”. Como a foto lá de cima exemplifica bem, o litro de leite orgânico custa 1,09€, enquanto o litro de leite “normal”, apenas 0,55€. Então a questão de escolher produtos orgânicos não se limita só a uma preocupação com o meio-ambiente, mas também a uma questão financeira e social: se você está com o dinheiro contado, certamente não é a maneira como o leite foi produzido que vai ser seu critério pra compra, especialmente quando um é o dobro do preço do outro…

Mas é claro que essa tendência de preferir orgânicos não é nada negativa, e a Alemanha é o maior importador de produtos orgânicos na Europa: 40% dos produtos no mercado têm o selo.

Esse artigo do Spiegel (em inglês) fala um pouco mais sobre os produtos orgânicos na Alemanha pra quem interessar o assunto.


(Publicado em 24 de Setembro de 2015)

 

Doces alemães

Apesar da comida alemã não ser a mais atraente que você já conheceu, em uma coisa eles bem que acertam: doces.

O curioso é que, se você for tentar fazer doces brasileiros por aqui, vai perceber que leite condensado não é tão fácil de encontrar, doce de leite não existe, várias coisinhas que pra gente são essenciais para doces aqui não são comuns. Mas na verdade isso é até um ponto positivo daqui: os doces alemães não são mega doces e enjoativos, como aquele bicho-de-pé que vc come uma bolinha e já não agüenta mais pensar em doce. Sempre que eu faço algum doce brasileiro aqui, os alemães reclamam do excesso de açúcar. E você acaba acostumando e depois também acha tudo muito doce no Brasil. (mas não menos delicioso, hehehe)

Um ou outro doce ou sobremesa alemã eu já comentei aqui no blog: a Bomba de Iogurte, o Pudim de baunilha com cerejas e o Berliner, que parece um sonho.

Um tipo de doce que você vai sempre encontrar em padarias são tortas de morango/framboesa/groselha ou outras frutinhas desse tipo. Elas têm essa cara aqui:

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O bolinho do lado é outra coisa que você encontra com freqüência por aqui, chama Quarkbällchen (bolinha de quark) e é bem parecido com um bolinho de chuva, só que com uma casca menos crocante.

Parecidas e também comuns são outras tortas/bolos como cheesecake, Zupfkuchen (é um cheesecake com chocolate), e outras várias sempre cortadas exatamente nesse tamanho padrão de torta de padaria.

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Da esquerda pra direita temos: alguma torta com frutinhas vermelhas; Pflaumenkuchen, que é torta de ameixas; Apfel mit Decke, um bolo de maçã com cobertura de açúcar derretido; Eierschecke, é um bolinho típico aqui de Dresden feito com ovo e uma cobertura de maçã e; Karibikschnitte, que é um bolo de chocolate, abacaxi e côco que é uma delícia.

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E outro doce que você sempre encontra em padarias diversas chama Schweineohr (orelha de porco). O nome talvez não seja tão atrativo, mas o doce bem que é:

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É uma massa folhada com as pontas mergulhadas em chocolate. Esse outro parecido é menor e feito de marzipã, portanto um tanto mais doce:

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O outro da foto é alguma massa folhada qualquer, tem vários doces folhados. Não sou muito fã então acho que nunca experimentei nenhum desses, logo não sei dizer o que eles contêm.

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Um bolo que você encontra sempre por aí é o Donauwelle (ondas do Danúbio). É esse daqui:

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Uma massa com chocolate e creme, recheado com cerejas e uma cobertura meio durinha (mas não muito) de chocolate. Qualquer doce com cerejas dentro é uma delícia, claro.

Um ingrediente bem comum em doces por aqui e que não existe no Brasil é semente de papoila. Não existe no Brasil porque aparentemente papoila é uma planta com a qual dá pra fazer sonífero, ou drogas, sei lá, e portanto ela é proibida. Mas aqui não é e as sementes, ou a pasta feita delas, dá ótimos doces. Como esse bolo abaixo. Às vezes parece chocolate, então você pode acabar pedindo um doce achando que é com chocolate, mas na verdade é a pasta dessa semente. Em alemão chama Mohn, então já sabe, se tiver Mohn no nome, não é chocolate. Mas é bom, também.

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Mas o que é provavelmente meu doce preferido é o Johannisbeerschnecke. Johannisbeer é a groselha (a fruta), sobre a qual discutimos nesse post sobre frutas. Schnecke significa caracol, e é o nome dado a doces em formato espiral com açúcar derretido por cima. É MUITO gostoso.

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Outros Schneckes também são ótimos, como o abaixo, de quark.

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Tem muitos outros doces que eu não falei porque não consegui fotografar desde que comecei a “colecionar” fotos (toscas tiradas com o celular, mas enfim) de doces pra esse post. Então quem sabe uma hora dessas aparece um Doces Parte 2.


(Publicado em 29 de Julho de 2015)

Morangos e Aspargos

Sempre nessa época do ano, primavera, eu vejo por aí (aqui em Dresden) algumas banquinhas temporárias de rua, vendendo aspargos.

Por algum motivo misterioso, aspargos frescos, como se fosse algo que você está passando pela rua e tem vontade de comprar.

Mais misterioso ainda é o fato de todas as banquinhas de aspargos venderem, também, morangos. Aspargos e morangos. Por que essa combinação? Vender morangos na rua eu compreendo, mas aspargos?

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Uma banquinha de aspargos e morangos

Talvez os morangos sejam para incentivar a compra dos aspargos…

Mas uma coisa que não existe por aqui são banquinhas itinerantes de frutas, vulgo caminhão da pamonha (que aqui, no caso, seria o caminhão dos aspargos). Nem caminhão de gás. Nem feira.

Para comprar frutas, as opções são supermercados e lojinhas de frutas. Não sei de outras cidades, mas aqui em Dresden tem muitas desses mercadinhos de frutas, que normalmente são de vietnamitas.

Mercadinho de frutas e legumes

Mercadinho de frutas e legumes

Eu sei também de uma ou outra barraquinha de frutas e legumes, mas que são fixas, estão lá todo dia. Essas costumam ser ótimos lugares para encontrar umas frutas diferentes, menos comuns nos supermercados, tipo uma que parece uma mini-melancia (Stachelbeere) (na foto mais pra baixo).

Banquinha fixa de frutas e legumes

Banquinha fixa de frutas e legumes

Entre as frutas (não vou falar de legume porque sou muito ruim de nome de legume) mais comuns, que você acha com mais facilidade por aqui estão maçãs, bananas, laranjas… os normais, que se compra em qualquer época do ano. Comuns também, mas só em determinadas épocas são tangerinas (só daquela pequena, já vi pelo nome de clementina, também), morangos… Basicamente todas as frutas “normais” você encontra por aqui, também: abacaxi, melão, melancia (mas elas são bem menores), abacate (só aquele menorzinho, preto), pêras… Só que algumas, como bananas, são importadas de países tropicais distantes e nem sempre são tão gostosas quanto se fossem frescas.

Limões tem tanto do amarelo quanto do verde, embora eles usem o verde com bem menos freqüência que a gente.

Mas o legal mesmo são as frutas “especiais”, aquelas que não são muito comuns no Brasil mas são típicas daqui. São basicamente as frutas vermelhas, ou frutas silvestres. São as que tem beere no nome: Morango (Erdbeere) é uma, mas aqui tem também framboesa (Himbeere), amora (Maulbeere), mirtilos (nunca ouvi falar esse nome em português, em inglês se chama blueberry, em alemão, Heidelbeere), groselhas (Johannisbeere) e cerejas (Kirschen, ok, essa não tem beere no nome). Principalmente no verão tem muitas dessas frutas por aí, inclusive direto na árvore, que nem nossas amoreiras urbanas. Os alemães fazem vários doces e geléias diversos dessas frutas, e é tudo uma delícia. Um exemplo é a Joghurtbombe (Bomba de Iogurte) e o Vanillepuding mit heißen Kirschen (Pudim com cereja quente) dos quais já falei aqui no blog.

Wild-Berries

Da esquerda pra direita, em cima: Erdbeere (morangos), Heidelbeere (mirtilos), Strachelbeere (não descobri nome em português). Embaixo: Himbeere (framboesas), Johannisbeere (groselha) e Maulbeere (amoras).

Uma das minhas frutinhas silvestres preferidas é a groselha, que em alemão chama Johannisbeer. Pra mim, até vir pra Alemanha, groselha era uma bebida/cobertura de sorvete rosa doce muito esquisita que eu nunca gostei. Mas eis que ela é feita dessas frutinhas que são uma delícia. São pequenas frutinhas redondinhas que vêm em cachos. Tem de várias cores, branca, preta, rosa, mas a vermelha é a mais comum. A planta, um arbusto, é ótima para se ter no jardim. Doces feitos dessa frutinha também são uma delícia, como um pão doce que sempre tem em padarias, o Johannisbeerschneke.

[Não tem nada a ver com esse post, mas outro dia eu passei numa padaria de manhã e vi maravilhosos Johannisbeerschneke e fiquei morrendo de vontade de comer um. Pensei em voltar lá mais tarde para tomar um café e comer um doce. Quando cheguei, tinha um, ainda. Mas uma senhora que chegou dois segundos antes de mim levou o último Johannisbeerschneke. Foi um grande trauma da minha vida.]

E já que estamos falando de frutas (embora o post fosse pra ser só sobre as barraquinhas de morangos e aspargos), porque não falar sobre sucos de frutas?

Aqui sempre tem suco de maçã, é o mais comum e mais adorado pelos alemães, embora seja o suco mais sem graça de todos os tempos. Suco de laranja também é facilmente encontrado, mas um natural mesmo é mais difícil de achar. A maioria é aqueles sucos de laranja sem graça que você compra em tetrapack no supermercado e nem tem gosto de laranja.

Suco de limão não existe. Já pedi em restaurante só para receber de resposta um olhar confuso com sobrancelhas erguidas. E cuidado, a palavra Limonade, muito comum, não tem nada a ver com limonada, e nem mesmo com limão. Limonade é a palavra que eles usam pra, pasmem, refrigerantes. Coca-cola é uma limonade. Como aqui tem vários refrigerantes diversos e diferentes, limonade é a palavra geral para, digamos assim, sucos com gás. Não precisa ter limões envolvidos.

Suco de cereja sempre tem em restaurantes, eu acho bom, embora seja bem “forte”, digamos assim. Já suco de groselha, embora a frutinha seja uma delícia, é horrível, nunca peça.

Ok, acabou virando um post sobre frutas, mas serve. Então se você vier pra Alemanha no verão, não deixe de experimentar essas frutinhas típicas daqui, ou os vários doces feitos com elas (que você também vai encontrar em outras épocas do ano). Aliás, estou planejando um post sobre doces para breve. Enquanto ele não vem, você pode matar o seu tempo na nossa nova super incrível página do facebook que ainda está meio vazia, mas juro que vai ser bem legal segui-la! Clica ali no logo em cima do calendário na coluna da direita!


(Publicado em 20 de Maio de 2015)

Universidades alemãs: mensa

Já escrevi um pouco sobre universidades em quatro posts. Um sobre os aplausos curiosos típicos de universidades por aqui, um sobre os esportes oferecidos por universidades, outro sobre os professores, e o post mais recente, sobre bibliotecas.

Nesse post, vou abordar os típicos refeitórios das universidades alemãs, ou, como chamam os alemães, a Mensa (Mensen no plural, mas óbvio que eu vou falar as mensas e não as mensen).

Ok, pra ser honesta, não sei se eles são assim em todas as universidades alemãs, ou só aqui em Dresden. Mas eu suspeito que não sejam muito diferentes em outras universidades.

Aqui funciona assim: Tem várias mensas e cafés nos diferentes edifícios da universidade. Elas são todas bem parecidas. Para comprar algo, você precisa do cartão da mensa. É um cartão verdinho que você faz no caixa. Precisa de um comprovante de que você é estudante, que você recebe semestralmente quando faz a matrícula pro semestre seguinte, e um depósito de 5 euros (que é devolvido se você devolver o cartão).

Você coloca crédito no cartão (também no caixa) e paga colocando ele sobre uma maquininha que lê e desconta o que você gastou.

Tem as mensas restaurante, e tem as mensas café também, que só vendem uns doces e “sanduíches”. O sanduíche está entre aspas porque na Alemanha sanduíche de padaria = pão com queijo OU presunto OU salami, mais tomate e pepino.

Alte Mensa2

Studentenwerk-dresden.de

TellerRandt

Studentenwerk-dresden.de

Tellerrandt2

Studentenwerk-dresden.de

Nas mensas restaurantes, para pegar a comida é meio como num bufê, mas você não se serve sozinho. Tem normalmente opções de prato, que são uma combinação de alguma carne, algum carboidrato e algum legume. Por exemplo, peixe com batata e repolho. Em todas as mensas tem sempre uma opção vegetariana, já que tem bastante vegetariano na Alemanha, e em algumas tem também uma alternativa de macarrão self-service, com duas opções de macarrão e duas opções de molho (um com carne e um vegetariano). Costuma também ter um bufê (bem ruinzinho) de salada. O preço é fixo pelo prato ou por peso no caso da salada. Como costuma ter umas 3 opções de prato, às vezes dá pra vc fazer uma troca de coisas equivalentes, tipo se um prato tem arroz e o outro tem batata, se vc pede o um com batata ou o outro com arroz, normalmente não tem problema.

Mas no geral a comida é bem ruim. As opções de carne são quase sempre carne de porco, que é o que mais se come na Alemanha, e de qualidade bem questionável. Tem sempre um molho qualquer para a carne que eles jogam em quantidades tão exageradas que o prato vira quase uma sopa. Quase sempre o acompanhamento de legume é repolho sem gosto, ou outras coisas similares e os pratos no geral não são nem um pouco atrativos. As massas são moles e ruins. Eis aqui alguns exemplos tirados diretamente do site (onde fica disponível o menu da semana de cada mensa).

Chili con carne mit Reis und Salat

Chilli com carne com arroz e repolho – studentenwerk-dresden.de

Feuerfleisch vom Rind mit Kartoffelkroketten und Rotkohlsalat

Carne de porco com bolinhos fritos de batata e repolho – studentenwerk-dresden.de

Hähnchenfleisch süß-sauer an Erdnussreis

Frango agridoce com arroz e amendoim (?) – studentenwerk-dresden.de

Spargel-Gemüseragout mit Kurkumareis und Eisberg-Radicchiosalat

Arpargos com legumes, risoto e salada – studentenwerk-dresden.de

Mediterranes Pfannengemüse mit einer Rucola-Süßkartoffelschnitte

Uns legumes refogados com uma batata doce à milanesa e alface – Studentenwerk-dresden.de

Peixe à milanesa com purê de batata e brócoli.

Peixe à milanesa com purê de batata e brócoli. O único prato dos apresentados que eu comeria sem reclamar. – Studentenwerk-dresden.de

Um macarrão picante com  legumes refogados – Studentenwerk-dresden.de

Um macarrão picante com legumes refogados – Studentenwerk-dresden.de

Zwei scharfe Kokosplinsen mit Sesam-Koriander-Dip und Gemüsesalat

Não sei quê isso. – Studentenwerk-dresden.de

Sentiu vontade de almoçar lá? Eu não.

Mas se tem uma coisa que não dá pra reclamar é dos preços. Pratos como esses apresentações acima custam uma média de 2,50€, no máximo uns 3,00€. Os pratos de massas custam no máximo 2,00€. (Isso em Dresden. Em cidades maiores e mais caras os preços certamente são correspondentes!)

É, se tem algo na Alemanha que não é bonito nem atrativo são as comidas.

Mas bem, entre as sobremesas até que tem algumas coisas bem simpáticas. As opções normalmente são as mesmas em qualquer mensa: iogurte com frutas, uma fatia de bolo de limão ou de bolo mámore, umas cookies bem grandes e gostosas, algumas pães doces típicos de padarias, e algumas opções de tortas também. Nas mensas café tem sempre algumas alternativas de almoço como os já mencionados sanduíches, algum pedaço de pizza meio esquisita, coisas assim. Mas esses já costumam ser bem caros, praticamente o mesmo preço do prato de comida.

Opções de bebida são refrigerantes diversos (em garrafas), água (só com gás), e, claro, variedades de café.

E pelo site do Studentenwerk (a “organização” que organiza as mensas e as moradias estudantis) dá para ver o endereço de todas as mensas, o cardápio da semana presente e da semana seguinte, e horário de abertura.

É isso! Ficam mais umas fotos:

Neue Mensa

Studentenwerk-dresden.de

Alte Mensa

Studentenwerk-dresden.de

Uma mensa café super simpática – Studentenwerk-dresden.de

Uma mensa café super simpática – Studentenwerk-dresden.de


(Publicado em 2 de Abril de 2015)