Educação e Trabalho

Escritórios alemães – Parte 1

O tópico de como é trabalhar na Alemanha é um sobre o qual eu ainda não falei muito no blog. Esse post já faz um tempo que eu tô pra escrever, mas sempre que eu tento acabo desistindo porque nunca sei se as coisas que eu acho diferentes aqui são mesmo gerais ou particulares do escritório em que eu trabalho.

Então, se você também trabalha na Alemanha e tiver uma experiência totalmente diferente da descrita nesse post, compartilha nos comentários pra gente saber que nem todos os alemães são estranhos! =)

Minha experiência é com escritórios de arquitetura, que são normalmente escritórios pequenos, de no máximo 10 pessoas. Certamente tem muitas coisas muito diferentes em empresas grandes. Eu conheço aqui quatro escritórios, dois para os quais eu fiz alguns trabalhos temporários, o no que eu estou trabalhando há alguns meses, e o no qual meu namorado trabalha. Vou tentar falar de coisas mais genéricas, e não específicas de escritórios de arquitetura, até porque eu quero também fazer um post sobre a prática de arquitetura na Alemanha em breve.

A primeira coisa que eu notei por aqui foi que as pessoas não trabalham ouvindo música. Nos escritórios em que trabalhei no Brasil, sempre ficava o rádio ligado com música de fundo, ou então se não tivesse música de fundo, todo mundo ficava ouvindo a própria música no fone de ouvido. Música no trabalho dá pra viver sem, mas certamente faz bastante falta. A princípio, até dá pra levar seu fone e ficar ouvindo música, mas dado que ninguém faz isso e volta e meia seu chefe ou algum colega vem falar com você sobre qualquer coisa do trabalho, fica meio chato.

Acho que um dos motivos pra isso é que toda hora toca o telefone. Direto. No Brasil, normalmente tinha só o telefone geral do escritório, e normalmente quem ligasse falava com o chefe (lembrando, novamente, que estou falando de escritórios pequenos, de 5 a 10 pessoas). Aqui, mesmo em escritórios pequenos, é comum cada pessoa ter seu próprio ramal e falar diretamente com os clientes, fornecedores, etc, relacionados aos projetos em que está trabalhando.

A diferença que pra mim é mais estranha é ser chamada pelo sobrenome. No meu escritório, o chefe chama todo mundo pelo sobrenome e pela forma formal de tratamento Sie, mesmo quem trabalha com ele há mais de 10 anos. Já os colegas se tratam pelo primeiro nome e por du, entre si. Ficar trocando entre Sie (Senhor/a) e du (você) ainda gera uma certa confusão pra mim, principalmente pra conjugar os verbos de acordo. Mas isso também varia de escritório pra escritório. No do meu namorado, todo mundo se trata por du, mesmo com os chefes. Acho assim mais fácil, até porque eu ainda acho muito estranho ser chamada pelo sobrenome. E com outros profissionais que trabalham com você só que não no mesmo escritório, como os fornecedores, clientes, etc, todo mundo sempre se trata pelo sobrenome e Sr. ou Sra. Sempre sempre.

Outra diferença importante aqui é a quantidade insana de burocracia. Pra tudo, tudo, tudo, tem um papel, um documento, um contrato, um formulário, um comprovante. Em qualquer escritório – e isso eu tenho certeza que é geral em 100% das empresas alemãs – tem uma quantidade infinita de pastas exatamente assim:

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Juro, exatamente assim. Se você me disser que encontrou um escritório na Alemanha que não tem PELO MENOS umas 20 dessas pastas exatamente assim, eu te direi que você ou cruzou a fronteira pra algum país vizinho e não percebeu, ou não viu todos os cômodos do escritório – talvez as pastas estejam no porão. Mas em algum lugar elas estão.

Já falei sobre isso nesse post aqui, os Alemães são muuuuito noiados com papel, eles guardam TU-DO. No escritório do meu namorado, até pouco tempo atrás eles chegavam ao exagero de imprimir TODOS os emails que o escritório recebia para guardar nessas pastas!!!!!

E esse exagero acho que se expressa bem em desperdício de papel. Talvez eu que seja noiada com isso, mas eu sempre guardo qualquer pedaço de folha em branco pra usar pra alguma coisa, e folhas usadas só de um lado eu sempre uso de rascunho. Rascunho eles até usam, mas o que é desperdiçado de papel com a plotter, por exemplo, pra mim é dolorido de ver.

E no tema computadores, tem umas diferenças grandes também. Aqui é bem comum usar mac. Claro, várias empresas, provavelmente ainda a maioria, usa windows, mesmo. Mas em muuuuuuitas se usa mac. Principalmente em escritórios de arquitetura têm vários que usam Apple. O que no Brasil é raríssimo, na minha experiência.

E a questão da internet é outra coisa: alguns escritórios bloqueiam a internet TOTALMENTE. Ok, isso talvez seja raro, mas num dos escritórios em que eu trabalhei, e no escritório em que um amigo meu trabalha, simplesmente não tem internet nos computadores. Não é que o facebook ou o gmail são bloqueados: simplesmente não. Tem. Internet. Quer dizer, o programa de email com o email do escritório tem, mas o browser é totalmente bloqueado. Nesse escritório que eu fiquei temporariamente, tinha um computador no escritório todo com internet pra caso você precisasse pesquisar alguma coisa específica. Isso eu acho totalmente inviável hoje em dia. Não sei de outras profissões, mas como arquiteta eu preciso da internet direto – olhar coisas no google maps, pesquisar esse ou aquele detalhe construtivo, pesquisar materiais, fornecedores… não tem como trabalhar direito sem internet.

Fora que para um escritório tão pequeno – aquele tinha umas 6 pessoas além dos dois chefes – é uma mega falta de confiança por parte dos chefes bloquear a internet. Sabe, pra quê? Isso acaba criando um clima ruim na empresa em que em vez de trabalhar junto, você tem a impressão de que o chefe está contra você. Isso acabava naquele escritório se traduzindo de outras maneiras também: ninguém conversava absolutamente nada durante o trabalho, ficava todo mundo trabalhando em silêncio como zumbis nos seus computadores sem internet. Credo.

E falando sobre trabalhar junto e colegas: aqui as pessoas não fazem happy hour com os colegas da empresa! Pelo menos nos escritórios que eu conheço realmente não tem isso. A confraternização entre os colegas acontece de outras formas: por exemplo sempre que tem aniversário de alguém, aí ou o aniversariante traz um bolo pra todo mundo, ou rola um almoço com os colegas, etc…

Outra coisa que não é rara é um almoço “comunitário” onde um cozinha para todos. No escritório do meu namorado, às sextas, sempre um cozinha macarrão para todos, cada semana um dos colegas que cozinha. No escritório de um amigo, que é num lugar meio afastado sem restaurantes por perto, todo dia alguém cozinha pra todo mundo. Pra quem não se adapta bem à comida duvidosa alemã, como eu, algo assim seria um pesadelo!

Ok, ainda dá pra escrever várias outras coisas, mas o post já está muito grande, então o resto ficará para uma parte 2.


(Publicado em 4 de fevereiro de 2016)

 

Confraternização de Natal da firma

Eu sei, estou atrasada com os posts. Mas agora entre Natal e Ano Novo tenho vários posts planejados pra compensar!

E o primeiro é sobre confraternizações de Natal de firmas… alemãs.

Aqui, como no Brasil, as empresas costumam fazer suas confraternizações de Natal em algum dia de dezembro. Mas pela minha experiência até o momento, essas confraternizações são bem diferentes das que a gente faz no Brasil.

Hoje foi a do escritório onde trabalho. A comemoração consistiu em ir visitar uma cidadezinha 1h30 de distância, nas montanhas de Erzgebirge, para visitar o mercado de Natal, um museu e depois jantar!

Saímos do escritório às 13h numa van alugada pelo chefe, chegamos na cidadezinha às pouco depois das 14h30, visitamos a igreja principal da cidade onde estava tendo um breve concerto de órgão, tomamos um Glühwein no mercado de Natal na praça central, visitamos um museu de brinquedos de madeira (A região de Erzgebirge é famosa pela arte em madeira, várias decorações, objetinhos super bem trabalhados com mil detalhes, de madeira), tomamos outro Glühwein no mercado de Natal, demos uma volta, e fomos para o restaurante. O restaurante era no topo de uma montanha, uns 2km de distância do centro da cidadezinha. A van ia levar o pessoal do centro pro restaurante, mas alguns preferiram ir andando, porque alemães adoram uma caminhada, especialmente se for subindo uma montanha. Aliás, todo o programa foi bem alemão. Com hora marcada pra cada parte do dia, tudo muito bem organizado e planejado, sem tempo nem sobrando nem faltando!

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A cidadezinha que visitamos hoje.

As confraternizações de natal das empresas no Brasil costumam ser um jantar em algum lugar, às vezes um churrasco, mas com mais freqüência é só uma festinha ali no escritório mesmo no último dia antes do recesso. Por aqui são bem variadas. No escritório do meu namorado eles alugam todo ano uma sala num restaurante onde você pode cozinhar sua própria comida, e os chefes cozinham para os empregados!! E umas comidas super sofisticadas! Entre o prato principal e a sobremesa, eles ficam mostrando no projetor fotos que o pessoal mandou especialmente pra ocasião, que são eventos importantes ou marcantes daquele ano pra cada pessoa: as viagens que a pessoa fez, os projetos que ela terminou no escritório, coisas assim.

Num outro escritório onde uma amiga trabalha eles fazem uma janta num restaurante, mas também com essa parte de mostrar fotos. Nesse ano foi um slideshow das fotos da viagem de um dos colegas para Ruanda. Os alemães adooooram assistir slideshow de fotos de viagens dos amigos com comentários. Eu gosto de olhar fotos que outras pessoas postam de suas viagens no facebook, por exemplo, onde eu olho no meu próprio ritmo, e tal, parar nas que me interessam e pular as sem graça… mas assistir slideshow de foto de viagem alheia com comentários acho, sei lá… bem alemão.

Uma outra coisa bem diferente é que aqui não se faz amigo secreto no escritório (ou em lugar nenhum, eu nunca ouvi falar de ninguém fazendo amigo secreto, aqui!). Normalmente todo mundo ganha um presente do/s chefe/s e o pessoal se junta pra comprar algum presente pro/s chefe/s também. Esse ano eu ganhei um vale para uma livraria, o que pra mim é um presente bem útil, e também uma garrafa de vinho. Meu namorado, que trabalha há bastante tempo num escritório, já ganhou dos presentes piores aos melhores. No ano passado ele ganhou uma câmera digital compacta. Noutro ano ele ganhou um joguinho de batalha naval bem tosco, que deve ter custado uns 5 euros. No ano mais bem sucedido do escritório, o pessoal ganhou um iPad mini. (!!!) Mas lógico que foi bem no ano que ele não estava lá… Nesse escritório o presente acaba sendo um resultado do sucesso do escritório naquele ano.

Presentes pros chefes também são os mais variados. No meu escritório trabalham 11 pessoas pra um chefe, então dá pra juntar uma graninha e comprar algo legal. No do meu namorado são menos pessoas e 3 chefes, então os presentes são menos caros, mas mais criativos. Teve um ano que eles fizeram um livro de receitas de macarrão, porque toda sexta feira um deles cozinha macarrão para os outros (cada semana um). Teve um ano que eles fizeram uns selos (selos de verdade, mesmo, para enviar carta) personalizados com imagens de projetos do escritório… num outro escritório que eu trabalhei eles faziam todo ano uma placa de metal de pendurar na parede com fotos dos projetos que o escritório tinha completado naquele ano. Comprar presente pra chefe é uma coisa que eu demorei pra me acostumar… no Brasil nunca trabalhei em lugar nenhum onde os colegas se juntassem pra comprar um presente pros chefes, achei isso totalmente estranho no início!

É isso o que eu sei sobre confraternizações de Natal de empresas na Alemanha. A minha experiência é com escritórios de arquitetura, que normalmente são empresas pequenas de até 10 pessoas, talvez em empresas bem grandes seja bem diferente, não sei. Se sua experiência for outra, conta aí nos comentários como foi!


(Publicado em 19 de Dezembro de 2015)

 

Escolas alemãs

Esses dias eu recebi um email de um rapaz me pedindo para escrever sobre o dia-a-dia nas escolas alemãs.

É um assunto um tanto difícil uma vez que eu vim pra cá bem depois de terminar a escola, e não tenho filhos ainda para acompanhar seus dias escolares.

Mas, andei dando uma perguntada para alguns alemães e juntei algumas informações que dão um post talvez interessante sobre escolas por aqui. E também é um ótimo momento pra escrever esse post, já que amanhã começa o ano letivo por aqui (mas isso varia de estado pra estado, então em alguns estados já começou na semana passada ou anterior, e em outros ainda vai começar na semana que vem ou seguinte).

No geral, me parece que as escolas aqui funcionam de maneira bem parecida às escolas no Brasil. O sistema educacional eu já expliquei como funciona neste post aqui, onde eu expliquei também como funciona o sistema de notas, que é bem diferente.

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Uma escola, aí.

Já as aulas são mais ou menos as mesmas: 5, 6, ou 7 por dia dependendo da escola e da série, de 45 min, com 5 minutos de intervalo entre as aulas e 20 minutos a cada 2 aulas. As matérias são mais ou menos as mesmas, mas no colegial você tem algumas opções de matérias. Por exemplo, além de inglês você tem que estudar uma outra língua estrangeira. Na escola do meu namorado, as opções eram francês ou latim. Nos últimos dois anos você ainda pode escolher algumas matérias para focar. Então por exemplo, se você escolher física você tem 5 aulas de física por semana, enquanto os que não escolheram física têm só 3. Isso considerando que você escolheu fazer o Gymnasium, ou seja, estudar todos os 12 anos de escola (lê lá o post do sistema educacional pra entender as possibilidades e diferentes tipos de escola. Gymnasium é a versão mais “completa”, que te dá como diploma o Abitur, que é o que você precisa para ingressar em uma universidade). No Abitur (o exame final de término da escola, seria como um vestibular, só que em vez de ser um exame de ingresso na universidade é um exame de término do ensino médio) você também pode escolher algumas matérias para fazer o exame, mas tem algumas regras: parece que tem 4 “blocos” de matéria (por exemplo, um bloco seriam as línguas estrangeiras, outro, as matérias exatas, etc), e você tem que fazer o exame para pelo menos uma matéria de cada bloco. Você vai escolher, claro, baseado no curso que você quiser estudar na universidade e as matérias exigidas no Abitur para aquele curso.

Uma diferença é que não tem períodos diferentes (matutino, vespertino, noturno…). Todo mundo estuda no mesmo horário, começando lá pelas 8 da manhã (varia de escola para escola e principalmente nos diferentes estados), e vai até por volta da hora do almoço, embora em algumas ocasiões, séries ou semestres pode ir até um pouco mais tarde, também. Outra coisa é que se você chega atrasado você não espera até a segunda aula pra entrar, você entra quando chegar para perder o mínimo possível da aula. Mas, claro, chegar atrasado é bem problemático, a “punição” (sei lá, ligar para os pais, nota, o que for) variando de escola para escola.

E freqüentar a escola é obrigatório aqui. Se você faltar muitas vezes sem uma justificativa dos pais (atestado médico ou o que for), a polícia pode ir até a sua casa te buscar e te levar para a escola (e seus pais certamente enfrentarão problemas com as autoridades se você não estiver freqüentando a escola). O que significa que por aqui não existe aquela alternativa de educar os filhos em casa que é relativamente comum nos EUA. Todo mundo tem que ir pra escola, aqui.

Tem escolas particulares também, mas não é tão comum como no Brasil. São mais escolas com iniciativas pedagógicas diferentes como a Escola Waldorf, escolas Montessori, ou internatos. Mas tem escola pública pra todo mundo e elas são bem boas, então as particulares são mesmo para casos “especiais” (pais que queiram uma educação particular, e tal).

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Um Gymnasium cuja construção tinha acabado de terminar, prestes a ser inaugurado.

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O mesmo Gymnasium

Positivo é que, mesmo a maior parte das escolas sendo pública, elas não estão hiper saturadas de alunos. Como eu falei tem só um período, e as salas costumam ter não mais que 30 alunos, mesmo no colegial. Normalmente a classe é a mesma através dos anos (exceto, claro, quem saiu e quem entrou na escola, mas no geral eles não costumam misturar os alunos de novo a cada início de ano letivo).

Uma coisa particular é que, pelo que me disseram, não é sempre que tem cantina na escola. Normalmente os alunos trazem comida de casa. Meu namorado contou que na escola dele tinha uma cantina que era gerida pelos pais, que faziam comidinhas para vender lá. Mas não é a regra. E em nenhuma escola tem lanche ou almoço ‘incluso’, você que traz ou compra o seu.

Mas os livros parece que você ganha da escola, não precisa comprar.

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Uma sala de aula fofinha da primeira serie, com os livrinhos e uns docinhos pras crianças preparadinhos para receber os alunos no primeiro dia de aula. Deu até vontade de voltar pra primeira série!

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Outra salinha preparada pro início das aulas, com os livrinhos novos separadinhos ali do lado. A coleção de livros novos no começo do ano letivo era a melhor parte de estudar, não era?

Uma diferença bem grande é que aqui só se chama os professores e professoras pelo sobrenome, com Frau (senhora) ou Herr (senhor) na frente. Imagina você chamando a sua tia da primeira série de Senhora Oliveira? (mas no jardim da infância eles também chamam as tias de tias, ufa!) Ah, os professores e professoras são senhores, mas as alunas e alunos eles (profs) chamam pelo primeiro nome, mesmo. E aqui se aplica aquela regrinha que você aprendeu na sua aula de alemão: Os professores você trata por Sie (senhor/a), os alunos e alunas são tratados por du (você).

Talvez a coisa mais interessante é que tem um ano de escola – o décimo ano, que seria o correspondente ao primeiro colegial – em que os alemães estudam o ano inteiro a respeito do 3˚ Reich (o período entre 1933 e 1945). Quase em todas as matérias esse tema é tratado exaustivamente nesse ano, e os jovens alemães terminam o décimo ano sabendo nos mínimos detalhes todas as atrocidades cometidas pelo país durante a segunda guerra mundial. A idéia é chocar, mesmo, para que a história não seja repetida.

Mas, de longe, de looooooooonge a melhor parte de estudar em uma escola alemã é a Schultüte!! Escrevi um post inteiro sobre isso aqui, mas vou dar uma resumida: no primeiro dia de aula da primeira série, ou seja, quando as crianças entram na escola, todas as crianças ganham uma Schultüte. É um cone gigante cheio de doces e brinquedos dentro, preparados pelos pais! É uma coisa totalmente regra, todo mundo ganha, e é meio que um símbolo de início da escola, você vê sempre por aí.

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Nessas duas salas de aula preparadas para o início das aulas, por exemplo:

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Ali no mural ali atrás uns desenhinhos de Schultüte.

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Ou nessa daqui, com os desenho de uma Schultüte na lousa! Fofo.

Acho que é isso o que eu tenho a falar sobre escolas. Se uma hora dessas eu resolver arranjar alguma criança, saberei mais sobre escolas alemãs e escreverei um outro post. (Provavelmente quando esse blog estiver comemorando seu décimo aniversário, ou coisa assim.)

Pra terminar, umas fotos de umas escolas por aqui:

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Ah, sim, vale lembrar que a maioria das coisas que eu escrevi aqui foi baseado no que alguns poucos alemães me contaram sobre suas experiências em suas escolas. Pode ser que algumas das informações passadas não sejam gerais e variem entre escolas em diferentes lugares da Alemanha. Se você tem alguma coisa pra adicionar, deixa um comentário! =)


(Publicado em 23 de Agosto de 2015) (Espero que o post tenha te ajudado um pouco no que você queria saber, Rômulo! =) )

Universidades alemãs: mensa

Já escrevi um pouco sobre universidades em quatro posts. Um sobre os aplausos curiosos típicos de universidades por aqui, um sobre os esportes oferecidos por universidades, outro sobre os professores, e o post mais recente, sobre bibliotecas.

Nesse post, vou abordar os típicos refeitórios das universidades alemãs, ou, como chamam os alemães, a Mensa (Mensen no plural, mas óbvio que eu vou falar as mensas e não as mensen).

Ok, pra ser honesta, não sei se eles são assim em todas as universidades alemãs, ou só aqui em Dresden. Mas eu suspeito que não sejam muito diferentes em outras universidades.

Aqui funciona assim: Tem várias mensas e cafés nos diferentes edifícios da universidade. Elas são todas bem parecidas. Para comprar algo, você precisa do cartão da mensa. É um cartão verdinho que você faz no caixa. Precisa de um comprovante de que você é estudante, que você recebe semestralmente quando faz a matrícula pro semestre seguinte, e um depósito de 5 euros (que é devolvido se você devolver o cartão).

Você coloca crédito no cartão (também no caixa) e paga colocando ele sobre uma maquininha que lê e desconta o que você gastou.

Tem as mensas restaurante, e tem as mensas café também, que só vendem uns doces e “sanduíches”. O sanduíche está entre aspas porque na Alemanha sanduíche de padaria = pão com queijo OU presunto OU salami, mais tomate e pepino.

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Studentenwerk-dresden.de

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Studentenwerk-dresden.de

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Studentenwerk-dresden.de

Nas mensas restaurantes, para pegar a comida é meio como num bufê, mas você não se serve sozinho. Tem normalmente opções de prato, que são uma combinação de alguma carne, algum carboidrato e algum legume. Por exemplo, peixe com batata e repolho. Em todas as mensas tem sempre uma opção vegetariana, já que tem bastante vegetariano na Alemanha, e em algumas tem também uma alternativa de macarrão self-service, com duas opções de macarrão e duas opções de molho (um com carne e um vegetariano). Costuma também ter um bufê (bem ruinzinho) de salada. O preço é fixo pelo prato ou por peso no caso da salada. Como costuma ter umas 3 opções de prato, às vezes dá pra vc fazer uma troca de coisas equivalentes, tipo se um prato tem arroz e o outro tem batata, se vc pede o um com batata ou o outro com arroz, normalmente não tem problema.

Mas no geral a comida é bem ruim. As opções de carne são quase sempre carne de porco, que é o que mais se come na Alemanha, e de qualidade bem questionável. Tem sempre um molho qualquer para a carne que eles jogam em quantidades tão exageradas que o prato vira quase uma sopa. Quase sempre o acompanhamento de legume é repolho sem gosto, ou outras coisas similares e os pratos no geral não são nem um pouco atrativos. As massas são moles e ruins. Eis aqui alguns exemplos tirados diretamente do site (onde fica disponível o menu da semana de cada mensa).

Chili con carne mit Reis und Salat

Chilli com carne com arroz e repolho – studentenwerk-dresden.de

Feuerfleisch vom Rind mit Kartoffelkroketten und Rotkohlsalat

Carne de porco com bolinhos fritos de batata e repolho – studentenwerk-dresden.de

Hähnchenfleisch süß-sauer an Erdnussreis

Frango agridoce com arroz e amendoim (?) – studentenwerk-dresden.de

Spargel-Gemüseragout mit Kurkumareis und Eisberg-Radicchiosalat

Arpargos com legumes, risoto e salada – studentenwerk-dresden.de

Mediterranes Pfannengemüse mit einer Rucola-Süßkartoffelschnitte

Uns legumes refogados com uma batata doce à milanesa e alface – Studentenwerk-dresden.de

Peixe à milanesa com purê de batata e brócoli.

Peixe à milanesa com purê de batata e brócoli. O único prato dos apresentados que eu comeria sem reclamar. – Studentenwerk-dresden.de

Um macarrão picante com  legumes refogados – Studentenwerk-dresden.de

Um macarrão picante com legumes refogados – Studentenwerk-dresden.de

Zwei scharfe Kokosplinsen mit Sesam-Koriander-Dip und Gemüsesalat

Não sei quê isso. – Studentenwerk-dresden.de

Sentiu vontade de almoçar lá? Eu não.

Mas se tem uma coisa que não dá pra reclamar é dos preços. Pratos como esses apresentações acima custam uma média de 2,50€, no máximo uns 3,00€. Os pratos de massas custam no máximo 2,00€. (Isso em Dresden. Em cidades maiores e mais caras os preços certamente são correspondentes!)

É, se tem algo na Alemanha que não é bonito nem atrativo são as comidas.

Mas bem, entre as sobremesas até que tem algumas coisas bem simpáticas. As opções normalmente são as mesmas em qualquer mensa: iogurte com frutas, uma fatia de bolo de limão ou de bolo mámore, umas cookies bem grandes e gostosas, algumas pães doces típicos de padarias, e algumas opções de tortas também. Nas mensas café tem sempre algumas alternativas de almoço como os já mencionados sanduíches, algum pedaço de pizza meio esquisita, coisas assim. Mas esses já costumam ser bem caros, praticamente o mesmo preço do prato de comida.

Opções de bebida são refrigerantes diversos (em garrafas), água (só com gás), e, claro, variedades de café.

E pelo site do Studentenwerk (a “organização” que organiza as mensas e as moradias estudantis) dá para ver o endereço de todas as mensas, o cardápio da semana presente e da semana seguinte, e horário de abertura.

É isso! Ficam mais umas fotos:

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Studentenwerk-dresden.de

Alte Mensa

Studentenwerk-dresden.de

Uma mensa café super simpática – Studentenwerk-dresden.de

Uma mensa café super simpática – Studentenwerk-dresden.de


(Publicado em 2 de Abril de 2015)

 

Universidades alemãs: bibliotecas

Não sei se dá pra falar sobre bibliotecas de universidades alemãs como um conjunto e tão distinto de bibliotecas de universidades brasileiras. Mas eu adoro visitar bibliotecas públicas em lugares novos porque volta e meia você encontra umas muuuuito legais. E na minha universidade, a TU Dresden, tem um ótimo exemplo de uma biblioteca imperdível.

O nome da biblioteca é Sächsische Landesbibliothek Staats- und Universitätsbibliothek Dresden, convenientemente abreviado para SLUB. É a biblioteca central da universidade de Dresden, e também a biblioteca estadual da Saxônia.

O edifício da SLUB foi projetado pelo escritório de arquitetura Ortner & Ortner, e inaugurado em 2003, e tem essa cara:

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Mas essa é só uma partezinha da biblioteca. Na verdade, a maior parte da biblioteca – incluindo praticamente toda a parte aberta ao público – é subterrânea.

Vou fazer basicamente um tour virtual mostrando as diferentes coisas legais dessa biblioteca. A entrada se dá pela avenida principal que cruza a universidade, em uma pequena praça que se abre para a entrada da biblioteca. Essa praça fica literalmente lo-ta-da de bicicletas em fins de semestre e durante o verão (Não é o caso dessa foto).

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Entrada a partir da rua, chegando na praça das bicicletas

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A praça com o estacionamento de bikes (nesse dia com poucas bikes). A entrada da foto anterior aparece ali no canto à direita

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Praça de bikes na entrada, com poucas bikes. Essa foto é no outono, ou seja, bem no início do semestre de inverno. Durante o verão e primavera tem várias linhas de bicicletas no centro da praça.

Aliás, é interessante saber os momentos em que a biblioteca fica cheia. A época mais crítica é em fevereiro. Fevereiro é final do semestre de inverno na faculdade e freqüentemente o mês mais frio do inverno. Em fevereiro, se você chegar na biblioteca depois das 10 da manhã já não encontra lugar pra sentar. E olha que mesa de trabalho é o que não falta! Mas o mesmo não acontece no final do semestre de verão, em Julho/Agosto. Mesmo nas semanas de prova dá pra chegar tranquilamente a tarde e achar lugar pra sentar. Com o sol e tempo bom lá fora, acho que as pessoas não ficam muito animadas em estudar dentro da biblioteca, muito menos nessa que é subterrânea…

Mas voltando. Entrando então pela entrada principal, a primeira coisa são os armários. Uma saguão gigante lotado de armários (e em fevereiro é difícil até encontrar armário vazio, se você chegar tarde).

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Saguão de entrada, com os armários. Seguindo ali pela esquerda têm bem mais armários do que os que aparecem na foto.

Em dias de chuva as pessoas deixam seus guarda-chuvas secando sobre os armários e fica parecendo uma intervenção artística.

Em dias de chuva as pessoas deixam seus guarda-chuvas secando sobre os armários e fica parecendo uma intervenção artística.

Os armários nessa biblioteca assim como em qualquer outra biblioteca ou aliás em qualquer lugar que tenha armários para guardar coisas, na Alemanha, funciona, da seguinte maneira: A chave fica presa ao armário quando ele está aberto. Você coloca as suas coisas, e pra trancar e tirar a chave, você tem que depositar uma moeda de 1 ou de 2 euros (tem armário que aceita moeda de 1 euro, armário que aceita moeda de 2 euros, e armário que aceita as duas). Assim:

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Uma vez colocada a moeda, você fecha o armário e a ao trancar, a chave sai. Quando você voltar e colocar a chave para destrancar, a moeda inserida cai nessa bandejinha que aparece na foto, e você pega ela de volta e sai feliz e contente com seu euro. Mas isso significa que convém ter sempre uma moeda de um ou dois euros guardada num local separado da carteira para essas situações. Nessa biblioteca tem em um canto do saguão uma máquina de troco, para você trocar dinheiro e pegar umas moedas caso tenha gastado a sua moeda-de-biblioteca pra comprar um docinho na padaria de manhã.

E de quebra você ainda volta e meia encontra uma moeda esquecida num armário recentemente esvaziado! (e em compensação também esquece moedas de quando em quando ao esvaziar seu armário) Aliás, muitas coisas seguem esse esquema de depositar moeda, carrinhos no supermercado, carrinhos no aeroporto, armários em museus, academias, lugares diversos… é bem prático.

Bom. Como qualquer biblioteca, você deve deixar sua mochila e casaco no armário e entrar só com o material que for usar. Mas na verdade, ao passar pela catraca e entrar na biblioteca, o primeiro espaço é um salão de trabalho com muitas mesas onde você pode levar sua mochila e casaco. Nesse salão você pode também conversar em voz alta, diferente do resto da biblioteca. Então é onde ficam as pessoas que estão fazendo trabalhos em grupo, por exemplo, ou aquelas que chegaram realmente sem nenhuma moeda e conseqüentemente não puderam usar os armários, hehe.

Num dos lados têm os balcões e máquinas onde você empresta os livros. Nos balcões o funcionário da biblioteca faz o empréstimo pra você. Nas máquinas, você passa o código de barra do livro e a sua carteirinha e faz o empréstimo self-service! Bem prático.

Ali do lado do balcão tem também umas estantes onde ficam os livros encomendados. Nem todos os livros do acervo ficam acessíveis para você na parte aberta da biblioteca. Vários dos livros ficam guardados nos depósitos. Aí quando você quer retirar algum desses livros, você reserva e eles trazem para você do depósito e colocam naquela estante, marcado com o número da sua carteirinha para você encontrar. Os seus livros ligados à sua carteirinha vão sempre ser colocados mais ou menos no mesmo cantinho específico. E uma coisa muito legal – que eu infelizmente não tenho uma foto pra colocar – é que os livros são retirados do depósito (3 andares abaixo) e trazidos para o lugar onde ficam essas estantes automaticamente! Quando você reserva um livro (dá pra reservar pela internet), uma máquina o encontra no depósito e o coloca no elevador. Tem umas janelas dentro da biblioteca que mostram os livros chegando nas esteiras rolantes e subindo nos elevadores de livros, é bem legal! Mas eu infelizmente não tenho uma foto para mostrar. Volte aqui daqui a umas semanas e quem sabe eu tenha tirado uma foto e colocado aqui.

Também ali do lado ficam outros armários. Esses são especiais: para usar um você precisa se cadastrar e reservar. Você receberá uma chave assim que liberar um armarinho, e poderá usá-lo por 14 dias. As portas dele são transparentes de maneira que é possível ver que neles são guardados apenas livros: A idéia é que você pode usá-los para guardar os livros que estiver usando na biblioteca. Quer dizer, se você tem um livro que você está usando, mas não quer levar ele pra casa todo o dia só pra trazer de volta pra biblioteca no dia seguinte, você pode deixá-los lá nos armarinhos transparentes. Os livros dentro dos armarinhos têm que estar emprestados normalmente como se você os tivesse levado pra casa. É só um jeito sagaz de você não precisar carregá-los para lá e para cá caso vá trabalhar principalmente na biblioteca.

Daí seguindo pelos corredores da biblioteca você vai encontrar, além das várias estantes com muitos livros, muitas mesas de trabalho diferentes.

Tem mesa com banquinho alto, mesa com cadeira normal, mesa sem banquinho… e tem sempre pelo menos uma tomada por mesa com cadeira. Algumas mesas têm computadores, eu chutaria que uns 10% das mesas têm computadores fixos. E todas têm lâmpadas, claro. É bem comum para as pessoas que estão trabalhando na biblioteca deixar suas coisas na mesa quando precisa sair para ir ao banheiro, comer, fumar, sei lá. Se for uma coisa breve como ir ao banheiro, as pessoas deixam até o laptop na mesa. Se for algo mais longo como almoçar ou tomar um café na cantina, aí normalmente as pessoas levam seus eletrônicos e deixam só os livros/cadernos, etc. Não sei o quão seguro é, eu costumo deixar o laptop em saídas curtas, mas não sejamos ingênuos de achar que não há nenhuma possibilidade de furto. É um risco, talvez pequeno, mas ele existe.

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Falando ainda em mesas de trabalho, uma das melhores opções se silêncio é importante para você é o salão de leitura, ou Lesersaal, em alemão. Ele fica no nível -2, o nível mais baixo da parte aberta da biblioteca, mas tem um pé direito tão alto que chega à superfície. Ele é iluminado por aberturas zenitais (janelas no teto), sendo uma das poucas partes da biblioteca com iluminação natural durante o dia. Nesse salão há também uma área em que não é permitido usar eletrônicos, de maneira que nem o som de alguém digitando no teclado do laptop deve te incomodar.

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Lesersaal

Caso você queira fazer um trabalho em grupo na biblioteca, tem ainda outra alternativa bem legal: as salas para trabalhos em grupo. Tem salas de diversos tamanhos, para 4, 6, 10, 15 e até 20 pessoas. São salas fechadas, algumas com computador, algumas com projetor, outras só com mesas. E qualquer um pode reservá-las e usá-las gratuitamente pela internet. No site da SLUB tem um calendário mostrando os horários em que cada sala está ocupada. Claro que em certos períodos – como fim de semestre – fica difícil achar uma sala livre em horários normais (que não seja domingo às 8 da manhã, por exempl0). Mas reservando com antecedência, tudo é possível. No formulário de reserva online você pode até reservar ela repetidamente sempre naquele mesmo horário toda semana – e fazer um grupo de estudo, por exemplo. Bem legal!

E uma dessas salas de grupos é uma sala especial para pais com crianças. Tem uns brinquedos, colchões, e coisas para entreter as crianças enquanto os pais ficam trabalhando nos seus trabalhos ali do lado! Aliás, a universidade me parece bem friendly para pessoas com filhos (Não sei pq não tenho filhos, mas pelo que sei tem muitas opções pra quem quer estudar e não tem com quem deixar as crianças).

E ainda outra opção de mesa de trabalho na biblioteca – possivelmente a opção mais legal de todas – são as salinhas individuais. Você pode reservar uma salinha individual pra seu uso próprio para usar por 3 meses. Você recebe a chave da salinha e pode inclusive deixar suas coisas lá, fica sendo sua sala, mesmo. Só que claro, tem bem menos sala do que pessoas que gostariam de usar essas salas, então funciona da seguinte forma: As salas são emprestadas por 3 meses. Algumas semanas antes de começar um trimestre abre no site na biblioteca as inscrições para usar as salinhas. Você se inscreve e eles sorteiam aleatoriamente os nomes dos alunos que poderão usar as salinhas. Se você for sorteado, eles te avisam por email e você vai lá buscar a chave para usar a salinha naquele trimestre. A única condição para se inscrever para as salinhas é que você precisa estar fazendo um trabalho de conclusão de curso, dissertação ou tese. No momento de receber a chave você tem então que apresentar uma carta do seu orientador ou orientadora atestando que você está, de fato, escrevendo um TCC, tese ou dissertação. Dentre as, se não me engano, 40 salinhas disponíveis, 10 são isoladas acusticamente para que eventuais estudantes de música possam usá-las para seus trabalhos com música, também.

E, porque sentar em mesas não é o suficiente, tem pela biblioteca, também, sofás. Algumas opções diferentes de sofás. Que são usados majoritariamente para tirar uma sonequinha depois do almoço. Eu, por exemplo, fiz bom uso de um dos sofás quando tive a brilhante idéia de ir à biblioteca ler para um trabalho no dia 22 de dezembro, o último dia antes das férias de natal. Cheguei quase na hora do almoço, fiquei meia hora lendo, fui almoçar, e voltei morrendo de sono. Pensei “puxa, vou continuar lendo sentada naquele confortável sofazinho!”. Acordei 3 horas depois.

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Sofás dentro da biblioteca, ao lado do salão de leitura, freqüentemente ocupado por estudantes capotados.

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Sofás no saguão de entrada. No fundo aparecem as máquinas de devolução self-service e de troca de dinheiro.

Além de tudo isso, a SLUB tem em seus três andares abertos ainda áreas de revistas e jornais, áreas de livros raros, área de CDs e DVDs, área com copiadora e impressoras, livros de qualquer área de conhecimento (embora o acervo não seja suuuuuper bom, segundo o que me contam os alunos alemães, porque o governo gastou todo o dinheiro para construir a biblioteca e depois não tinha mais dinheiro para comprar livros! Mas não sei até que ponto essa história é verídica ou lenda urbana entre os estudantes), etc.

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E como faz para encontrar um livro específico nessa infinidade de salas, corredores, cantos e estantes? Muito fácil! No site da biblioteca tem nada menos nada mais que um mapa 3D virtual da biblioteca! Quando você procura um livro no catálogo, tem lá do lado do código de identificação do livro um botãozinho para mostrar em que estante ele está, no mapa virtual.

Pela internet, fazendo o login com seu número de carteirinha e senha, você pode ver todo o histórico de livros emprestados, livros a serem devolvidos e quando, pode fazer a renovação online, reservar as salas de grupos, reservar livros, pedir livros, etcetc. Tudo é possível pela internet. A maior parte das mídias são emprestadas por 28 dias, exceto CDs e DVDs que são emprestados por 14 dias. Esse período pode ser renovado duas vezes se não houverem reservas. E se você esquecer de devolver o livro, pode ter certeza que não escapará da multa! Só não consegui descobrir pelo site qual o número limite de mídias que podem ser emprestadas simultaneamente. Será que não tem limite?

Aliás, para ser associado da biblioteca e emprestar livros, não é necessário ser estudante da universidade. Como é uma biblioteca estadual, qualquer um pode ser membro, basta ter 14 anos de idade ou mais.

Assim como a máquina self-service de empréstimo, tem também a máquina self-service de devolução. Você passa a carteirinha, e coloca o livro numa esteira que lê o código de barras, engole o livro, e te dá um recibo de devolução. Bem prático, especialmente se você quiser devolver livros aos domingos.

Aos domingos?

Sim, aos domingos. A SLUB fica aberta todos os dias da semana e quase todos os dias do ano com pouquíssimas exceções! De segunda a sábado, o horário de funcionamento é das 8:00 à meia noite. De domingo, das 10:00 às 18:00. Alguns feriados durante o ano têm horários reduzidos de abertura, e em outros a biblioteca fecha. Mas o fato é que a maior parte do tempo a biblioteca está aberta.

Só que aos domingos e depois de certo horário não tem funcionários nos balcões de empréstimos e em outras áreas da biblioteca. De maneira que, se você quiser emprestar ou devolver um livro no domingo, tem que usar as máquinas self-service de empréstimo e devolução.

MAS, calma, não acaba aí! Saindo da área da biblioteca, e voltando ao saguão, temos ainda algumas opções de entretenimento na SLUB. Subindo um andar chegamos no andar onde tem o auditório e a cantina. A cantina, claro, possivelmente o lugar mais importante da biblioteca, tem opções diversas de sanduíches, cafés, doces e frutas, pãezinhos e salsichas. Eles pedem pra não levar marmita de casa, mas sendo essa a única área da biblioteca com mesas onde é permitido comer, esse pedido é solenemente ignorado pelos estudantes.

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Subindo mais um andar, no nível +2, tem um pequeno museu. Com livros raros, originais de pessoas importantes, e tal. O museu é uma grande sala com uma outra sala dentro dessa sala. A sala dentro da sala chama-se Salão dos tesouros! Essa sala fica trancada, mas para visitar bastar usar um interfone na porta da sala para pedir que suba alguém da administração para abrir a sala para você. Dentro dela você encontra partituras originais de Beethoven, desenhos originais de Dürer, mapas e livros extremamente antigos, e, pasmem, pasmem, o calendário maia do Fim do Mundo! Sim, ele mesmo, aquele calendário que terminava em 2012 e fez as pessoas acharem que o mundo terminaria então fica ali, no salão dos tesouros da biblioteca de Dresden, acessível para visita de Segunda a Domingo das 10:00 às 18:00!

É isso, agora acho que falei tudo. Provavelmente amanhã eu vou lembrar de mais alguma coisa muito legal relacionada a essa biblioteca que eu esqueci de falar, mas enfim. De qualquer maneira, fica a dica: se você for arquiteto, a visita à biblioteca é imperdível. Se você não for arquiteto, mas for um amante de bibliotecas, também. Se você não for nem arquiteto nem amante de livros ou bibliotecas, vá pelo menos para ver o tal calendário Maia.

Ficam aí mais algumas fotos:

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(Publicado em 31 de Março de 2015)

 

Universidades Alemãs: esportes

Eu queria já há um tempo fazer uma série de posts sobre aspectos das universidades alemãs. Mas claro, tudo o que eu posso dizer a respeito de universidades alemãs é baseado na minha experiência com a universidade onde eu estudo – a Universidade Técnica de Dresden.

Uma das coisas que me impressionou logo no início do curso foi a quantidade de esportes oferecidos pela Universidade semestralmente. Aliás, mais que semestralmente. Tem também esportes oferecidos nos dois períodos de férias – durante março, e durante agosto e setembro.

Só para dar um exemplo da variedade, nesse semestre de inverno (os semestres aqui são denominados semestre de inverno – o primeiro semestre, que vai de Outubro até Fevereiro – e semestre de verão – o segundo semestre, que vai de Abril a Julho) tem, entre os esportes mais comuns, também as seguintes opções:

Canoagem, sinuca, frisbee, caminhada, esgrima, equilibrismo (segundo o wikipedia chama Slackline também em português: se equilibrar em cima de uma corda. Eu chamo de equilibrismo), malabarismo (sim, malabarismo), danças diversas (flamenco, salsa, samba, hip hop, dança havaiana, dança do ventre, jazz), todas as ginásticas possíveis, lutas variadas (ju jutsu, jiu jitsu, Kung Fu, Krav Magá, defesa pessoal), esportes de inverno diversos (ski, patinação no gelo), patinação, bicicleta, sauna (?? sei lá o que se aprende num curso de sauna, mas tem), arco e flecha, xadrez, capoeira (!) e até bateria de escola de samba.

Oswald Hicker - Flickr

Oswald Hicker – Flickr

Isso sem falar, claro, nos clássicos futebol, basquete, vôlei, natação…

Ou seja, basicamente qualquer esporte que lhe vier à mente, ou até atividades que muito duvidosamente poderiam ser denominadas esportes (sauna??), dá pra fazer na universidade. Alguns são oferecidos por outras escolas/academias/empresas que oferecem esportes específicos, mas aí numa turma especial para a universidade por um preço bem mais baixo que o normal.

O que nos leva ao próximo assunto: tem que pagar? Sim. Mas é basicamente um valor simbólico. A maioria dos cursos custa apenas 20€. O semestre inteiro. Vale super a pena! Alguns cursos são um pouco mais caros, como canoagem, que custa 40€, e os cursos oferecidos por externos ficam na faixa dos 40, 50€. Mas raramente mais que isso.

Outra coisa muito legal é que os cursos não são restritos aos estudantes da universidade. Cada curso tem três preços: o primeiro, mais baixo, para estudantes, o segundo para funcionários, e o terceiro (normalmente na faixa dos 60€ para cursos que custam 20€ para estudantes) para pessoas sem ligação com a universidade. Alguns poucos cursos não têm essa opção, mas a maioria é aberto para pessoas de fora também.

Mas para se registrar para algum desses cursos tem que ficar atento: tem uma data de matrícula que vale para todos os cursos, mas cada um tem um horário específico em que o cadastro (online) abre. As matrículas para os cursos mais concorridos (os esportes mais comuns, e também alguns mais diferentões que servem a muitos gostos) acabam literalmente em segundos. Tem que ficar pronto no site atualizando até abrirem as inscrições e fazer tudo o mais rápido possível. Semestre passado tentei me inscrever para o curso de canoagem, cliquei no botão de inscrição no exato momento em que ele apareceu, digitei meus dados o mais rápido que pude, e quando cliquei “OK” as vagas já tinham terminado! Foi bem frustrante… mas com os outros cursos que tentei não foi tão extremo (patinação, patinação no gelo, krav magá). Os cursos mais concorridos também têm uma infinidade de vagas (vôlei, basquete, futebol…) em mil horários diferentes.

Bloemmie29 - Flickr

Bloemmie29 – Flickr

E, novamente, estou falando especificamente da TU Dresden… mas suspeito que em outras universidades não seja tão diferente.

Mas se você estudou em universidades brasileiras, você já deve ter notado uma diferença bem básica: os esportes e cursos não são ligados a nenhuma faculdade específica. Ou seja, as faculdades não têm seus times próprios de esportes, e, consequentemente, aquelas competições inter faculdades ou inter universidades também não existem por aqui. (Bom, talvez as faculdades de educação física tenham algo do tipo, já que é mais específico da área. Mas para um aluno regular de outras áreas certamente não tem aqueles eventos famosos “inter…” super típicos e importantes nas universidades brasileiras.


(Publicado em 1˚ de Outubro de 2014)

 

Universidades alemãs: professores

Continuando o tema de universidades alemãs, algumas particularidades no comportamento dos professores daqui são dignas de nota.

A primeira e mais bizarra de todas: 100% das aulas que eu tive na Alemanha até o presente momento começaram com o professor perguntando aos alunos se tem mais gente chegando, ou se ele pode começar a aula. Essa é uma pergunta que me irrita profundamente. Eu entendo que o professor não queira ser interrompido por alunos chegando atrasados. Mas o que ele espera, quando pergunta aos alunos já presentes na sala, se tem outros alunos que estão a caminho? Sabe, eu não telefono para todos os meus colegas de classe de manhã para saber se eles vêm ou não à aula, ou a que horas pretendem chegar! Como é que eu vou saber se tem mais gente a caminho? Os professores devem imaginar que moramos todos na mesma república, ou então que a primeira coisa que fazemos ao acordar de manhã é postar na página do facebook da turma o horário em que pretendemos chegar na universidade, sei lá! Não faz sentido, essa pergunta! Eu tenho uma vontade muito incontrolável de responder “COMO vc espera que a gente saiba onde estão os outros!! Nós já estamos aqui!”. E sabe, no nosso caso, a gente é uma turma de 15 pessoas, dá até pra perguntar se a turma está completa ou não, isso dá pra responder. Só que mesmo na disciplina que dividimos com outro curso, somando umas 40 ou 50 pessoas na sala, os professores fazem a mesma pergunta! Quer dizer, eu não sei nem dizer se tem alguém faltando, eles ainda querem que eu diga se os faltantes estão ou não estão a caminho! Sei lá, olha pela janela e vê se tem mais alguém vindo! De verdade, essa pergunta me tira do sério.

Aliás quanto à pontualidade, os alemães são mesmo bem alemães. Pela minha experiência, os professores ficam com tudo preparadinho, powerpoint no modo apresentação, olhando pro relógio esperando dar a hora oficial de início da aula, para começar a falar. Se isso parece exagero desnecessário, pelo menos é positivo no fim da aula. Eles são conseqüentes: as aulas nunca ultrapassam o horário de término. O professor fica de olho no relógio para ter certeza que vai respeitar o horário da aula. Com freqüência, se der o horário de término e o professor ainda não tiver terminado o que pretendia falar, ele interrompe mesmo, com bom-obrigado-até-logo. E se ocorrer de ele passar do horário, ainda que só dois minutos, não é desrespeitoso se algum aluno avisar que o horário de término já passou. Eles respeitam e ainda pedem mil desculpas. Mas bom, essa é a minha experiência particular. Não sei dizer se vale para qualquer curso em qualquer universidade. No nosso é sempre assim.

Sobre a quantidade de mulheres em cargos de professores universitários, não tenho dados concretos, mas pela minha impressão e experiência, aqui tem bem menos professoras que no Brasil. Pelo menos comparando com a faculdade que eu cursei, Arquitetura da USP, onde a taxa era de 44% de professoras e 56% de professores (contei agora pelos nomes no site da faculdade). Meu namorado, que cursou arquitetura aqui, conseguiu apontar apenas duas professoras na sua faculdade. Na minha, ainda não conheci nenhuma.

Embora a Alemanha esteja bem na frente em termos de igualdade de gêneros, essa diferença é bem gritante. Talvez o motivo seja o fato de que aqui os professores das universidades (que são todas públicas) não são contratados por concurso público, mas indicados para o cargo por outros professores ou pessoas em altos cargos na universidade. Basicamente não dá para você se candidatar, alguém tem que te indicar. Estranho, fato. Mas pelo menos existem algumas políticas que admitem o problema e tentam corrigi-lo: no caso de um homem e uma mulher terem sido apontados para o cargo e terem qualificações semelhantes, a preferência será dada à mulher.

Outra peculiaridade é que os professores, todos, são sempre tratados pelo sobrenome, e sempre tratam os alunos pelo sobrenome. Isso faz parte daquelas coisas que a gente já sabe sobre os países norte-americanos e norte-europeus, mas é mto difícil se acostumar a ser tratada pelo sobrenome! Isso, claro, é característica da relação professor-aluno por aqui. Aqui os alunos têm bem menos contato direto com o professor, a relação é bem distante. Ninguém jamais adicionaria seu professor no facebook (mas bom os alemães quase não usam facebook. Preciso falar disso em outro post.)

Para finalizar, algumas fotos de universidades alemãs:

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O belo edifício da faculdade de biologia da TU Dresden. Droga, devia ter estudado biologia. (Hm, só que aí eu não poderia apreciar o quão belo é esse edifício! Esquece.)

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Auditório da TU Dresden

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Edifício do Instituto de gestão florestal da faculdade de ciências ambientais da TU Dresden no outono.

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Mesmo edifício por dentro, também bem legal. Aliás, todos os edifícios de universidades alemãs que eu visitei até agora são super novinhos e bem cuidados e limpinhos. Not bad, Alemanha, not bad.


(Publicado em 4 de Dezembro de 2013)