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Assistindo à Copa na Alemanha

Provavelmente não é novidade que os alemães gostam muito de futebol. As últimas novidades da Bundesliga (o equivalente alemão do Brasileirão) (Alemanhão?) também são tópico de conversa na mesa de jantar e nos encontros de família, e, pelo menos entre as pessoas que eu conheço, futebol parece ser tão de interesse das mulheres quanto dos homens.

Na Copa, claro, não é diferente. Todo e qualquer alemão lembra profundamente bem e com detalhes a decepção de perder a final de 2002 para o Brasil, e a semifinal de 2006 para a Itália, na Copa da Alemanha…

A Copa de 2006 na Alemanha foi, inclusive, um marco na relação dos alemães com seu próprio país, pelo que me contam. Até hoje os alemães carregam um peso muito grande de culpa da Segunda Guerra Mundial, e por causa disso nacionalismo é muito mal visto por aqui (e com frequência quando aparece vem mesmo de neonazistas). É bem raro, por exemplo, ver bandeiras da Alemanha em janelas ou na frente de residências familiares tal qual se vê muito em alguns países como os EUA. Normalmente as bandeiras da só são vistas na frente de edifícios públicos governamentais e olhe lá.

A exceção é durante a Copa do Mundo, desde 2006. Entre o jogo de abertura e a final, todo mundo vira patriota. Bandeiras podem ser vistas – especialmente nos dias de jogos – nos vidros dos carros, nos espelhos retrovisores, nas vitrines de lojas e mesas de bar. Pessoas trajando a camisa oficial da seleção alemã são vistas com frequência, e, durante o jogo, todo tipo de apetrechos esdrúxulos nas cores da bandeira decoram os torcedores. Mais ou menos como no Brasil.

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Mas, apesar disso, aqui você não sente a mesma vibe de Copa que no Brasil. Nos dias de jogo não dá aquela sensação de que a cidade inteira está naquela expectativa, esperando a hora do jogo. Depois do jogo – ainda que a Alemanha tenha ganhado de 4×0 – as pessoas não saem felizes buzinando e soltando fogos.

Só que uma coisa positiva que me parece diferente do Brasil é que aqui é muito mais comum ir assistir ao jogo em algum bar ou algum lugar com telão do que em casa. Na verdade, qualquer restaurante, bar ou lugar que venda comida ou bebida vai mostrar os jogos da Copa em uma TV razoavelmente grande. É o que eles chamam de “Public Viewing“, assim em inglês mesmo. E se você ouvir esse termo na Alemanha, saiba que se refere necessariamente a assistir futebol em público. Uma opção comum para a Copa – já que a mesma acontece sempre em Junho/Julho, quando aqui é verão – é assistir aos jogos em Biergartens. Durante jogos da Alemanha os mesmos lotam e ninguém vai te incomodar se durante as 3 horas que você passou lá (2 horas de jogo + 1 hora de antecedência para pegar um lugar bom) você só tomar uma cerveja. Mas não conte com cornetas e fogos quando sai gol. Quem sabe na Final. E, a propósito, cantar o hino da Alemanha junto é proibido. Nacionalista demais. Suspeite se alguém por perto estiver cantando, melhor sentar mais longe e ficar alerta.

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Mas estranho mesmo é assistir aos jogos do Brasil com comentarista alemão. Claro que no Brasil, num jogo digamos Guiné Bissau x Butão, o comentarista não vai gritar “Gooooooooooooooooooaoaoaoaooalllllll!!! Do Butããão!!! * Butão-tão-tão-tão…*”, mas pelo menos um “Gol!” suficientemente óbvio para você saber que foi mesmo gol vai rolar. Aqui já me aconteceu várias vezes de achar que o Gol não valeu porque o comentarista não falou nada na hora do Gol! Como recentemente num jogo da Costa do Marfim. Um jogador de nome Gervinho marcou um gol para a Costa do Marfim quando o placar estava 2×0 para a Colômbia. Os comentários foram os seguintes: *Jogador se aproximando do gol* “Gervinho…. Gervinhoooooo…..” *jogador marcando o Gol* “…” *uns 20 segundos passam sem nenhum comentário* “É, parece que a Costa do Marfim ainda está no jogo.”.

Sai o gol e você não sabe se pode comemorar ou se estava impedido ou coisa do tipo.

Para piorar a experiência do último jogo do Brasil (Brasil x Camarões, o último jogo da fase de grupos), o canal alemão que estava transmitindo o jogo estava mostrando, ao mesmo tempo, o jogo México x Croácia. Eles ficavam alternando entre um e outro, e claro que era na hora que estavam mostrando o México que saía gol do Brasil. Dos 5 gols marcados durante o jogo só vimos 2 em tempo real (pelo menos não vimos o de Camarões). Destrói completamente a tensão e emoção de assistir o jogo…

A única saída nesse caso teria sido assistir ao jogo pela internet. Os jogos da Copa estão sendo transmitidos por dois canais alemães, o ARD e o ZDF. Eles dividem os jogos entre si, e nos seus sites oficiais é possível acessar os livestreams de todos os jogos. O problema é que o livestream vem com 1 minuto de atraso, então você ouve as pessoas comemorando em volta mas só vê o gol 1 minuto depois… mas para o jogo da Costa do Marfim serve!


(Publicado em 26 de Junho de 2014)

 

Nichtlustig

Antes de mais nada, feliz páscoa ligeiramente atrasado! Aqui está menos atrasado que no Brasil porque segunda feira depois da páscoa ainda é feriado de páscoa.

Ano passado eu escrevi um post sobre Páscoa, então esse ano escrevo sobre outra coisa: Nichtlustig.

Nichtlustig (nicht lustig = sem graça) é o nome de um quadrinho muito muito famoso na Alemanha, desenhado por um rapaz de nome Joscha Sauer. Não é uma história continuada, como a Turma da Mônica, mas mais no estilo tirinha, só que com só um quadrinho. E, como o nome indica, as piadas são meio bobonas, meio simples (o humor alemão não costuma ser muito refinado), mas de alguma maneira o traço do desenhista deixa as coisas mais engraçadas. Todos os personagens são fofos, tem olhões gigantes e cara de bobões. Acaba adicionando para as piadas “sem-graça”, e para o carisma dos personagens. Para mostrar exemplos, eis aqui alguns quadrinhos com o tema páscoa:

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Nichtlustig – nichtlustig.de

“Onde estão as minhas coisas??”
“Esse ano escondi tudo EXCETO os ovos! Boa páscoa!”

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Nichtlustig – nichtlustig.de

“Desculpa! Pensei que fosse de chocolate!” (aqui na Alemanha é comum, na Páscoa, comer coelhos de chocolate ao invés de ovos de chocolate)

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Nichtlustig – nichtlustig.de

“Socorro! Onde estou?”
“Esse ano eu escondi VOCÊ e os ovos que têm que TE procurar!”

Nichtlustig - nichtlustig.de

Nichtlustig – nichtlustig.de

“Desentupi o vaso. Fica 200 euros.”
“Mas admita, foi um bom esconderijo.”

Não tem personagens principais, mas alguns são recorrentes, como o Yeti, o Papai Noel, o Dinossauro, a Morte, entre outros.

O Nichtlustig é tão conhecido por aqui que com freqüência você vai encontrar quadrinhos em livros de alemão, por exemplo. Em qualquer livraria na Alemanha você encontra alguns dos livros publicados pelo autor dos quadrinhos (com uma seleção dos quadrinhos) a venda, além de outros produtos com a “marca”, como camisetas, calendários, cartões postais, bichos de pelúca, canetas, cadernos, canecas, etc. Dá para comprar na loja online, também.

Enfim, simpáticos e engraçados, esses quadrinhos são também uma boa maneira de aumentar seu vocabulário alemão! Dá um like na página deles no face para receber quadrinhos no seu feed! =)

(ah, e para quem não fala e nem pretende falar alemão, tem uma página do face que posta versões em inglês dos quadrinhos. Não sei se é oficial, mas acho que serve!)


(Publicado em 22 de Abril de 2014)

 

Erlebnisbäder

Na Alemanha há uma cultura forte de “banho”. Não banho, assim, de chuveiro. Banho de piscina e lago. É relativamente comum as pessoas irem nadar em lagos ou rios nas proximidades de onde moram, uma coisa que para a gente parece um tanto estranha e “rural”. Um hobbie talvez para o Chico-Bento, não para quem mora em cidade.

Mas, nos poucos e preciosos dias de verão, com o tempo aberto e as temperaturas no topo, e sendo a Alemanha um país quase totalmente cercado por outros países, e portanto com poucas praias, qualquer água serve. Até as fontes pela cidade ficam cheias de criancinhas se divertindo. De biquini, de roupa, sem, tanto faz, o importante é não perder a oportunidade de se molhar.

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E para aproveitar a água mesmo no inverno, você encontra em qualquer cidade alemã uma variedade de piscinas freqüentáveis sem necessidade de ser sócio de clube nenhum, fazer exame médico, nem nada.

Tem piscinas cobertas e piscinas abertas, mas, a opção mais legal mesmo são os Erlebnisbäder. Erlebnis significa algo como aventura, uma tradução talvez um pouco exagerada, mas, basicamente, um Erlebnisbad seria um mini-parque aquático.

Em um Erlebnisbad você vai provavelmente encontrar:

Uma piscina olímpica, possivelmente com trampolins;

Uma piscina para diversão, com eventuais cachoeiras, águas borbulhando num canto, mais bolhas saindo da parede para massagem nas costas, possivelmente até um pequeno rio com corrente;

Um toboágua divertido;

Hidromassagem, normalmente para até 6 pessoas;

Sauna;

Área para crianças pequenas com piscininhas rasinhas e talvez um escorregador, quem sabe em formato de elefante;

Uma piscina descoberta (mas você entra na piscina na parte coberta), possivelmente mais quente que as outras. Em um ou outro caso também já vi a piscina descoberta ser com água salgada;

e, claro, uma lanchonete, onde você deve comer batata-frita, que aparentemente é o que se come quando se vai na piscina na Alemanha.

Na área descoberta tem também sempre um gramado para tomar sol. Algumas piscinas mais avançadas vão oferecer ainda mais opções para você relaxar e se divertir na água.

Mas e como funciona? Não precisa ser sócio?

Não.

Essa é a melhor parte. Funciona mesmo como um parque aquático, só que bem mais barato, lógico, e com preços variados. Normalmente tem opções como 2h, 5h, ou diária. E você não precisa decidir antes quanto tempo quer ficar, você paga o tempo que tiver ficado na saída (ou a diferença, em alguns casos, quando você tem que pagar já na entrada).

Os preços variam, claro, de acordo com o tamanho e variedade de opções oferecidas da piscina, mas costuma ser algo em torno de 5 ou 6 euros para 2h, e 10, 12 euros para a diária. Algumas piscinas mais avançadas podem oferecer ainda opções, por exemplo, piscina + sauna por um preço, só piscina por outro.

Se você vai com freqüência, tem normalmente alternativas de passes com desconto. Não precisa fazer exame médico, basta chegar e mergulhar.

Os vestiários também são um ponto interessante: na maioria das piscinas que visitei, os vestiários não eram separados por sexo. Quer dizer, você entra para se trocar numa cabine só para você, mas as cabines não são agrupadas por sexo, e tem sempre umas cabines família, para pais com filhos pequenos, e tal. (também ajuda se você vai com o namorado mas leva tudo numa mochila só).

E funciona sempre assim. Você chega por um corredor e as cabines estão dispostas ao longo de corredores perpendiculares a esse corredor de acesso. Aí você vai lá, entra na cabine, se troca, e sai pelo outro lado. As cabines têm então duas portas, uma que dá para o corredor que te leva para a saída, e outra que dá para o corredor com os armários e que te dá acesso à piscina. E para evitar que as cabines desocupadas fiquem com a porta trancada do lado em que a pessoa entrou e destrancada só do lado em que a pessoa saiu, elas tem um mecanismo simples porém sagaz que tranca as duas portas de uma vez só.

Muito bem, calção de banho ou biquini colocados, toalha em mãos e havaina no pé, você sai pelo outro lado e deixa sua mochila/bolsa/sacola/o que for em um dos inúmeros armários.

Antes de entrar na piscina, é normalmente obrigatório tomar uma ducha. Não se preocupe, os banheiros e duchas são sim, separados por sexo! =D MAS saiba também que os alemães, especialmente os da antiga Alemanha Oriental, são bem tranqüilos em relação aos seus corpos. Se você for à praia, por exemplo, não é raro que as pessoas se troquem ali mesmo, em público, sem grandes preocupações, e topless ou whatever-less também não são raros. Então em piscinas acontece de vez em quando das pessoas (claro, senhores e senhoras mais velhos, não pessoas novas) se trocarem fora da cabine mesmo, na frente do armário. Não se assuste, portanto, se vir um senhor peladão. Ele provavelmente não é um tarado maluco.

Vale a pena experimentar um Erlebnisbad se você estiver na Alemanha, mesmo viajando. Você encontra dessas piscinas em quase qualquer cidade da Alemanha, principalmente no sul do país. O melhor horário para ir é durante a semana no final do dia. Vários fecham só às 22h, então é tranqüilo chegar lá pelas 19h e ter ainda bastante tempo de piscina, sem muita gente. Só preste atenção, caso você queira comer a importante e tradicional batata-frita, que as lanchonetes costumam fechar antes, às 20h.

É uma ótima maneira de aproveitar o verão, e também de se animar nos invernos gelados e escuros!


(Publicado em 25 de Julho de 2013)

Schrebergärten

Se você já viajou de trem pela Alemanha, talvez tenha notado ao longo da linha na periferia das cidades estranhas casinhas super pequenas em pequenos lotes com quintais. Se você tiver passado no inverno, quando as plantas estão secas, pode ter imaginado que seriam casas de pessoas mais pobres.

Não.

Acontece que os alemães adoram um jardim. Mesmo. Ter um jardim em casa é um grande ponto positivo, muitas vezes mais importante que ter espaço para carro.  Aqueles quintais típicos de casas brasileiras, forrados de pisos frios e azulejos sem um pedacinho de terra aqui seriam uma medonha aberração incompreensível.

Mesmo os prédios costumam ter um pedacinho de jardim, ainda que pequeno.

Jardins no espaço livre de edifícios de apartamentos

Jardins no espaço livre de edifícios de apartamentos

Você ficaria surpreso de saber que os apartamentos no térreo não são fortemente rejeitados, apesar da inconveniência e falta de privacidade de ter suas janelas de cara para a calçada. Vários deles têm seus próprios jardins, e morando no térreo, dá para deixar seu gato sair para dar uma volta. (São pouquíssimos os gatos daqui que moram só dentro do apartamento. A maioria dos gatos pode sair.)

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Alemães gostam tanto de um jardinzinho que aqueles que não têm um em casa alugam um Schrebergarten. Os agrupamentos de pequenos lotes de jardins são encontrados principalmente às margens das ferrovias e estradas, onde é complicado construir por causa do barulho. Você encontra desses por toda a Alemanha, é realmente comum. A maior parte das pessoas que alugam são mais velhos, principalmente aposentados. A idade média é de 60 anos. Mas tem famílias novas também. Inclusive alguns apartamentos vêm com um jardim junto, não necessariamente vizinho ao apartamento.

Os aluguéis variam de acordo com o tamanho e localização, claro, mas são no geral bem baratos. Parece que a média é de 373 euros por ano, o que dá só 31 euros por mês de aluguel. Bem em conta, para um lugarzinho ao sol. (exceto que sol na Alemanha é meio raro, mas tudo bem). Os tamanhos podem variar entre 50m² e 300m², se não me engano.

A tradição dos Schrebergärten é antiga, tendo tido início há aproximadamente 200 anos atrás, quando as pessoas começaram a mudar das áreas rurais para as cidades em busca de empregos, e sentiam falta de contato com a natureza, espaços verdes e tranqüilos.

Lá os alemães aproveitam para plantar verduras e frutas, flores, plantas, às vezes tem um espaço para as crianças brincarem… As casinhas abrigam pequenas cozinhas, talvez uma salinha para sentar, certamente um banheiro, e, claro, as ferramentas de jardinagem.

Loteamento de jardins ao longo de linha ferroviária em Dresden.

Loteamento de jardins ao longo de linha ferroviária em Dresden.

Ótima ocupação para velhinhos aposentados que gostam de jardinagem!


(Publicado em 3 de Julho de 2013)

Kubb

Que jogo esquisito é esse com essa torrinha de madeira que esses alemães estão jogando no parque?

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Kubb.

Na verdade, é um jogo originalmente sueco. Mas ainda que este blog não seja Manha de Suécia, vale a pena um post sobre o Kubb. Não sei dizer se é tendência na Alemanha toda ou se é uma coisa só daqui, mas jovens jogando bastões de madeira em paralelepípedos de madeira podem ser encontrados nos parques de Dresden em qualquer dia com tempo bom no final da tarde.

Nunca joguei, logo não conheço as regras nos mínimos detalhes. Mas basicamente tem uma torre de madeira no meio, uns paralelepípedos de madeira de cada lado, e os bastões com os quais você tem que acertar e derrubar os paralelepípedos, que são os tais Kubbs. (nessa foto não são paralelepípedos, mas costumam ser)

Os bastões pontudos e o materlinho são para marcar o campo, que deve ter 5x8m.

O jogo pode ser jogado com duas ou mais pessoas, separadas em dois times. Os Kubbs são colocados no limite do campo, cinco para cada time, equidistantes. O rei (a peça que parece uma torre) fica no centro do campo. Assim:

Se eu entendi bem, funciona assim:

O time “A” começa, atirando os 6 bastões a partir da sua linha de base (onde estão posicionados os Kubbs), tentando derrubar os Kubbs do outro time.

O time “B” então deve jogar os Kubbs que tiveram sido derrubados na metade do campo do time “A”. Os Kubbs devem ser colocados de pé onde tiverem sido jogados. Basicamente, a estratégia é tentar jogar os Kubbs o mais próximo possível um do outro, para que possam ser derrubados de uma vez só. Então o time “B” começa a atirar os seis bastões para derrubar os Kubbs do time “A”. Mas antes de derrubar os Kubbs da linha de base, devem primeiro derrubar todos os Kubbs que estiverem de pé no meio do campo. Novamente, todos os Kubbs que tiverem sido derrubados devem ser jogados para o outro lado do campo.

Se o time que estiver jogando os bastões não conseguir terminar de derrubar todos os Kubbs que estiverem no meio do campo, o Kubb que estiver mais próximo da linha que divide os dois campos passa a marcar a linha de base, a partir da qual o outro time atirará os bastões.

O jogo continua desta maneira até que um dos times consiga derrubar todos os Kubbs do campo oposto, os que estiverem na linha de base e os que estiverem no campo. Se esse time ainda tiver bastões sobrando, deve então tentar derrubar o rei. Se conseguir, termina o jogo e o time em questão ganha.

Se o rei for derrubado em qualquer outro momento do jogo, o time que o tiver derrubado imediatamente perde.

Basicamente é isso, com alguns outros detalhes para o caso de um Kubb ter sido jogado fora do campo, ou ter derrubado outro, e todas os possíveis imprevistos que podem acontecer durante o jogo.

As pernas não eram para ser o foco da foto.

As pernas não eram para ser o foco da foto.

Talvez um dos motivos de ser tão popular por aqui seja pelo fato de não ter um número máximo de jogadores, o que o torna um ótimo jogo para grupos de amigos. Não precisa nem dividir os times com o mesmo número de pessoas em cada, já que o número de jogadas será sempre igual. Basta que as pessoas se revezem para atirar os bastões, e todo mundo se diverte.

Dado o clima ingrato da Alemanha, assim que o tempo melhora vai todo mundo correndo tomar um sol no parque, em grupos de amigos com violão, churrasqueira, bicicleta, picnic, cerveja, o que for. O Kubb é uma boa adição às atividades para se fazer ao ar livre.

Pelo visto os Berlinenses também jogam Kubb.


(Publicado em 22 de Junho de 2013)

Cinema na Alemanha

Ir ao cinema na Alemanha é um tanto difícil. Ainda que você esteja numa cidade grande, vai ser um desafio encontrar filmes com o som original. Em 99% dos cinemas, os filmes são dublados em Alemão. (aliás, isso vale para a TV, também, tudo dublado). Ainda que você entenda bem alemão, se filmes dublados não te apetecem, você vai ter que procurar o um cinema da cidade (talvez tenham dois) que passa filmes na língua original. E quando você achar, vai ter duas, talvez três, opções de filmes na língua original. Talvez legendados em alemão, talvez legendados em inglês, talvez sem legenda.

Claro, em Berlim tudo bem, vão ter várias opções. Em outras cidades, boa sorte.

Para indicar que um filme está com o som original, e não dublado, do lado do título do filme estará escrito “(OV)”, que significa Originalversion.

O ingresso no cinema, por aqui, custa por volta de 7 euros, e o ingresso para estudante é ligeeeeeiramente mais barato. Para dar um exemplo, no cinema que eu costumo ir, aqui em Dresden, entre sexta-feira e domingo a inteira é 7,40€ e a “meia” é  6,60€… grande desconto!

Em praticamente todos os cinemas, o bilhete já vem com o lugar marcado. E ao comprar o bilhete no cinema, o caixa das entradas é o mesmo caixa das pipocas e refrigerantes e coisa e tal. E na hora de comprar a pipoca, fique esperto: Na Alemanha, pipoca doce é default. Se vc não especificar que quer pipoca salgada, vão te dar a doce. Nada a ver, comer pipoca doce no cinema. Aliás, é possível que nem tenha a opção de pipoca salgada…

Na hora de ver o filme, outras estranhices: você não vai assistir 317 trailers antes de começar seu filme. E nem vídeos explicando que não pode entrar com latas e garrafas, até porque pode, e pedindo para você desligar seu pager (!) ou celular, nem mesmo explicando onde estão as saídas de emergência e que você deve seguir as orientações da brigada de incêndio que estará identificada com esse símbolo.

E depois do filme, em vários cinemas as luzes só acendem depois de terminarem todos os créditos!


(Publicado em 25 de Abril de 2013)