Lazer

Churrasquinho no parque

Um hobby muito muito alemão nos meses quentes é fazer um churrasquinho no parque.

Todo alemão que se preze tem uma churrasqueira simples em casa e um parque/jardim à mão. O legal é que não tem lugar específico pra fazer churrasco. Pode fazer basicamente em qualquer lugar e assim que começa a esquentar é realmente muito comum ver gente fazendo churrasco nos parques.

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Além disso, não exige muito planejamento. Basta juntar os amigos, cada um leva alguma coisa, e pronto. Como por aqui tem sempre muitas áreas verdes, sempre vai ter um lugar por perto que sirva para o churrasco que você não precise se deslocar grandes distâncias carregando a churrasqueira. As churrasqueiras que todo mundo têm são bem simplificadas, basicamente uma caixa de metal com uma grelha em cima, e pés. Custam super barato e podem ser encontradas em qualquer loja.

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O que você encontrará com certeza num churrasco alemão: salsichas de diferentes tipos, carne de porco de diferentes tipos, frangos. Bifes mesmo também aparecem, mas em menor quantidade já que por aqui é bem caro. Além disso, em um grupo de alemães sempre tem um (ou vários) vegetarianos, de maneira que uns bifes de soja também são de se esperar. Mas não é só carne que se coloca na grelha. Os alemães com freqüência aproveitam a churrasqueira para legumes, verduras e queijos, também.

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Na foto, queijo de cabra com azeite, limão e azeitonas. Uma delícia! Queijo feta (de cabra) é comumente usado em churrascos.

Além disso, claro, pãezinhos e talvez algumas frutas.

Enquanto alguns cuidam da churrasqueira, os outros conversam distraidamente deitados na grama num estilo picnic.

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Oficialmente, não pode colocar a churrasqueira no gramado, tem que colocar sobre outros pisos. Mas muita gente ignora essa regra e faz o churrasco sobre o gramado, mesmo. Mas tenha em mente que é sim possível que apareça um policial para te dar bronca e mandar você mudar de lugar.

E se você for o organizador oficial do churrasco, não esqueça também de levar lençóis para as pessoas sentarem, talheres, pratos e copos, o necessário para a churrasqueira (carvão, álcool, fósforos), sacos de lixo e guardanapos!


(Publicado em 4 de Agosto de 2014)

 

 

 

Como abrir uma cerveja alemã

Ainda que você saiba bem pouco sobre a Alemanha, você certamente sabe da cerveja, a Alemanha é conhecida pelas suas cervejas. E uma diferença básica do Brasil é que aqui cerveja em lata praticamente não existe. Comprando num bar ou biergarten, a cerveja vem normalmente da tap (máquina, torneira, sei lá se tem um nome específico). Em mercados e supermercados, vende-se sempre em garrafas de meio litro.

A idade a partir da qual você consegue comprar álcool varia para o tipo de bebida. Cerveja e vinho – ou outras bebidas alcoólicas mais simples podem ser consumidas a partir dos 14 anos em presença dos pais ou responsáveis, ou a partir dos 16 anos sem a presença de pais ou responsáveis. Já bebidas mais fortes como whisky, vodka, etc, só podem ser consumidas a partir dos 18 anos. Em supermercados é pouco provável que você consiga comprar bebidas alcoólicas sendo menor de idade. Para facilitar para o caixa, ao passar uma bebida alcoólica pelo leitor de código de barras, o barulhinho que a máquina faz é diferente daquele feito para outros produtos, para lembrar o caixa de verificar se a pessoa fazendo a compra tem a idade mínima. Mas, claro, nunca é completamente impossível.

Como no Brasil, beber álcool na rua não é proibido – muito pelo contrário, é bem comum. E uma coisa bem típica para jovens é comprar cervejas e beber no parque ou na rua em points da cidade onde os estudantes se reúnem com freqüência quintas, sextas e sábados a noite. Aqui em Dresden, ainda não descobri se é algo típico daqui ou comum em outras cidades também, mas na Neustadt – o bairro “alternativo” da cidade, onde os bares estão, e consequentemente os jovens – tem muitas lojinhas de bebida, as chamadas Spätshop. Spät significa “tarde” (não tarde de o período do dia após o meio dia e antes do anoitecer, mas tarde o contrário de cedo), portanto um Spätshop é, a princípio, simplesmente uma loja que fica aberta até tarde. E o objetivo dessas lojinhas é justamente vender álcool para jovens à noite – uma vez que todos os supermercados fecham às 22h e não abrem de domingo.

E aí talvez tendo lido o título desse post tenha lhe ocorrido agora: mas puxa, se eles só compram cerveja em garrafa em lojinhas de rua para beber na rua… como que eles abrem as garrafas? Todo mundo anda com um abridor de garrafa no bolso?

Pois então, esse é na realidade o tópico desse post. Como abrir cervejas alemãs.

Os alemães freqüentemente bebem cerveja de garrafa em situações em que não há um abridor de garrafa em mãos, e por tal motivo acabaram por desenvolver diversas técnicas para abrir garrafas de cerveja. Morando na Alemanha você certamente presenciará garrafas de cerveja (ou outras bebidas vendidas em garrafas de vidro) sendo abertas em uma das maneiras ilustradas a seguir, ou similares…

1. Usar uma garrafa para abrir a outra.IMG_1829

Possivelmente a técnica mais comumente usada para abrir uma garrafa de cerveja é usar uma segunda garrafa como abridor. Funciona bem porque a tampa é de metal – bem resistente – e, claro, a garrafa é comprida e portanto fácil de segurar e usar como alavanca. Só tome cuidado para não abrir a garrafa errada (a que está de cabeça para baixo)! Outra coisa que pode acontecer, caso você ainda seja amador na ciência de abrir cervejas, é quebrar ligeiramente a boca da garrafa aberta… e perder os estilhaços de vidro dentro da cerveja!

E, claro, ainda que você seja super expert em abrir garrafas com outras garrafas, o fato é que a última garrafa da turma terá que ser aberta de outra maneira.

2. Abrir na borda de alguma coisa.IMG_1823

Uma opção fácil é encontrar uma borda – um banco, uma lixeira, qualquer coisa com uma borda – e usá-la para segurar a tampa enquanto você empurra a garrafa para baixo. Diferente da foto, a borda ideal é de metal, e não madeira.

3. Abrir com uma chaveIMG_1828IMG_1826

Algo que todo mundo tem no bolso, facilmente disponível, é uma chave. E pela sua boa resistência, pode ser usada de diferentes maneiras para abrir uma garrafa. Claro, é muito menos conveniente pelo seu tamanho pequeno e formato difícil de manusear.

4. Abrir com o celularIMG_1831

Pode parecer uma alternativa não muito esperta, mas já presenciei alemães usando iPhones para abrir garrafas. Mas sim, eu concordo com o que você está pensando, se for pra usar o iPhone melhor simplesmente comprar um chaveiro abridor de garrafas.

5. Com algum objeto qualquer que você tenha à disposição no momento.IMG_1825IMG_1824

Com habilidade, qualquer coisa funciona.

Uma outra alternativa muito comum é abrir garrafa com um isqueiro, um objeto também frequentemente carregado em bolsos e bolsas. Mas esse não tínhamos em mãos, por isso faltou a foto.

E, finalmente, uma possibilidade em último caso é tentar abrir a garrafa com o dente. Tem quem consiga. Não recomendo.

Mas a conclusão é que basicamente qualquer coisa serve. Menos abridores de garrafa. Acho que é meio que uma questão de honra para os alemães saber abrir garrafas de maneiras menos habituais.


(Publicado em 31 de Julho de 2014)

 

Lagos

Ontem experimentei um hobby super típico no verão na Alemanha: nadar em lago.

Já comentei um pouco sobre isso no post sobre as piscinas (Erlebnisbäder), mas os alemães adoram água. No verão, qualquer aguinha é imediatamente ocupada por crianças e adultos se divertindo. E como a Alemanha não é um país com muitas praias, o substituto que os alemães que não moram perto da costa norte do país encontraram para resolver o verão são os vários lagos espalhados pelo país.

Vários, talvez a maioria, desses lagos não são naturais. São grandes buracos criados no processo de escavação para obtenção de carvão para produção de energia ou cascalho para utilização na construção civil. Após a extração do minério desejado, o buraco é então preenchido com água e voilà: Um belo lago para o uso da comunidade local. Alguns são também pequenas represas. Seja qual for a origem do lago, no verão estará repleto de alemães felizes nadando e tomando sol às margens. Uma praia sem ondas e com grama no lugar de areia (em alguns lugares eles até colocam areia).

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E embora os lagos sejam normalmente um pouco afastado das cidades, alguma infraestrutura pode ser encontrada às margens. Biergartens, por exemplo, são quase imprescindíveis.

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Lá você poderá tomar um sorvete, ou comer alguma coisinha e beber uma cerveja numa pausa entre mergulhos.

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Os lagos viram mesmo praias no verão. Você encontrará pessoas com guardas-sol ou, alternativamente, barracas de camping (pela sombra, não para acampar), toalhas estendidas na grama para tomar sol, bóias de diferentes tipos e tamanhos para as crianças, e até pedalinhos, canoas e banana boats poderão ser vistos.

A experiência de nadar em lago é um tanto incomum no Brasil – pelo menos para pessoas que nasceram e passaram a vida inteira em grandes cidades como eu. No Brasil lagos e rios nem sempre são limpos, existem doenças tipicamente contraídas em águas de lagos (esquistossomose) e lugares afastados das cidades são normalmente vistos como perigosos. De maneira que até vir morar na Alemanha eu nunca tinha nadado em um lago, e nunca tinha imaginado que poderia ser um hobbie normal para o verão. Mas o fato é que é uma experiência totalmente diferente de nadar em piscinas ou praias. A primeira coisa que você nota é o espaço infinito para nadar. Piscinas são pequenas e o mar, apesar de não ter o problema do tamanho, é sempre um tanto perigoso para nadadores. Nunca é muito recomendado se afastar da costa e ir onde não dá pé. Passando de um determinado ponto, a correnteza dificulta a volta. Fora que a água salgada e as constantes ondas, embora ofereçam suas próprias particularidades em experiências aquáticas, não são as versões mais confortáveis para o nado. No lago é diferente. Espaço não falta, sabendo nadar não há grandes perigos em se afastar da margem, e a água calma e doce não dificulta a permanência. Me senti um peixe.

Claro, as bordas dos lagos, um tanto lamacentas e cheias de algas são um tanto desconfortáveis, mas basta avançar alguns metros para onde não dá pé que a experiência muda.

E, claro, sendo a Alemanha, não precisa se preocupar com qualidade da água ou segurança. Os lagos mais visitados (aliás, provavelmente todos, mas com certeza os mais visitados) são constantemente e minuciosamente monitorados na qualidade da água e outros possíveis perigos para visitantes.

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Mas certamente o ponto mais particular mesmo de um passeio a um lago alemão – especialmente se você estiver na antiga Alemanha Oriental – é a grande quantidade de nudistas. Grande mesmo. Ontem o lago estava cheio de gente, das quais no mínimo metade estava totalmente nu. Isso é completamente normal por aqui, portanto não estranhe. Os alemães são muuuuuito tranquilos em relação a corpos e aparência. Ninguém estava preocupado em prestar atenção no corpo de ninguém. Mesmo mulheres jovens tinham total liberdade para tomar sol nuas sem nenhum tipo de assédio, ninguém nem mesmo olha duas vezes (na verdade, espere você receber olhares feios e broncas se parar para olhar outras pessoas nuas).  Essa cultura de liberdade do corpo (em alemão chama-se FKK – Freikörperkultur, cultura do corpo livre) é super típica da ex-Alemanha Oriental, sendo a alta taxa de não-religiosos entre os alemães um dos principais motivos.

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Aproveite para fazer um longo passeio de bicicleta para um lago nas proximidades. O caminho certamente será simpático.

Informações sobre os lagos próximos à você podem ser encontradas com facilidade na internet, basta digitar “Badeseen in *nome da cidade ou região*”. Esse site, por exemplo, reúne informações sobre todos, ou quase todos, os lagos visitáveis da Alemanha incluindo atividades disponíveis no local, infraestrutura presente, se é possível fazer nudismo, se tem areia, etc. Aproveite!


(Publicado em 21 de Julho de 2014)

 

Assistindo à Copa na Alemanha

Provavelmente não é novidade que os alemães gostam muito de futebol. As últimas novidades da Bundesliga (o equivalente alemão do Brasileirão) (Alemanhão?) também são tópico de conversa na mesa de jantar e nos encontros de família, e, pelo menos entre as pessoas que eu conheço, futebol parece ser tão de interesse das mulheres quanto dos homens.

Na Copa, claro, não é diferente. Todo e qualquer alemão lembra profundamente bem e com detalhes a decepção de perder a final de 2002 para o Brasil, e a semifinal de 2006 para a Itália, na Copa da Alemanha…

A Copa de 2006 na Alemanha foi, inclusive, um marco na relação dos alemães com seu próprio país, pelo que me contam. Até hoje os alemães carregam um peso muito grande de culpa da Segunda Guerra Mundial, e por causa disso nacionalismo é muito mal visto por aqui (e com frequência quando aparece vem mesmo de neonazistas). É bem raro, por exemplo, ver bandeiras da Alemanha em janelas ou na frente de residências familiares tal qual se vê muito em alguns países como os EUA. Normalmente as bandeiras da só são vistas na frente de edifícios públicos governamentais e olhe lá.

A exceção é durante a Copa do Mundo, desde 2006. Entre o jogo de abertura e a final, todo mundo vira patriota. Bandeiras podem ser vistas – especialmente nos dias de jogos – nos vidros dos carros, nos espelhos retrovisores, nas vitrines de lojas e mesas de bar. Pessoas trajando a camisa oficial da seleção alemã são vistas com frequência, e, durante o jogo, todo tipo de apetrechos esdrúxulos nas cores da bandeira decoram os torcedores. Mais ou menos como no Brasil.

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Mas, apesar disso, aqui você não sente a mesma vibe de Copa que no Brasil. Nos dias de jogo não dá aquela sensação de que a cidade inteira está naquela expectativa, esperando a hora do jogo. Depois do jogo – ainda que a Alemanha tenha ganhado de 4×0 – as pessoas não saem felizes buzinando e soltando fogos.

Só que uma coisa positiva que me parece diferente do Brasil é que aqui é muito mais comum ir assistir ao jogo em algum bar ou algum lugar com telão do que em casa. Na verdade, qualquer restaurante, bar ou lugar que venda comida ou bebida vai mostrar os jogos da Copa em uma TV razoavelmente grande. É o que eles chamam de “Public Viewing“, assim em inglês mesmo. E se você ouvir esse termo na Alemanha, saiba que se refere necessariamente a assistir futebol em público. Uma opção comum para a Copa – já que a mesma acontece sempre em Junho/Julho, quando aqui é verão – é assistir aos jogos em Biergartens. Durante jogos da Alemanha os mesmos lotam e ninguém vai te incomodar se durante as 3 horas que você passou lá (2 horas de jogo + 1 hora de antecedência para pegar um lugar bom) você só tomar uma cerveja. Mas não conte com cornetas e fogos quando sai gol. Quem sabe na Final. E, a propósito, cantar o hino da Alemanha junto é proibido. Nacionalista demais. Suspeite se alguém por perto estiver cantando, melhor sentar mais longe e ficar alerta.

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Mas estranho mesmo é assistir aos jogos do Brasil com comentarista alemão. Claro que no Brasil, num jogo digamos Guiné Bissau x Butão, o comentarista não vai gritar “Gooooooooooooooooooaoaoaoaooalllllll!!! Do Butããão!!! * Butão-tão-tão-tão…*”, mas pelo menos um “Gol!” suficientemente óbvio para você saber que foi mesmo gol vai rolar. Aqui já me aconteceu várias vezes de achar que o Gol não valeu porque o comentarista não falou nada na hora do Gol! Como recentemente num jogo da Costa do Marfim. Um jogador de nome Gervinho marcou um gol para a Costa do Marfim quando o placar estava 2×0 para a Colômbia. Os comentários foram os seguintes: *Jogador se aproximando do gol* “Gervinho…. Gervinhoooooo…..” *jogador marcando o Gol* “…” *uns 20 segundos passam sem nenhum comentário* “É, parece que a Costa do Marfim ainda está no jogo.”.

Sai o gol e você não sabe se pode comemorar ou se estava impedido ou coisa do tipo.

Para piorar a experiência do último jogo do Brasil (Brasil x Camarões, o último jogo da fase de grupos), o canal alemão que estava transmitindo o jogo estava mostrando, ao mesmo tempo, o jogo México x Croácia. Eles ficavam alternando entre um e outro, e claro que era na hora que estavam mostrando o México que saía gol do Brasil. Dos 5 gols marcados durante o jogo só vimos 2 em tempo real (pelo menos não vimos o de Camarões). Destrói completamente a tensão e emoção de assistir o jogo…

A única saída nesse caso teria sido assistir ao jogo pela internet. Os jogos da Copa estão sendo transmitidos por dois canais alemães, o ARD e o ZDF. Eles dividem os jogos entre si, e nos seus sites oficiais é possível acessar os livestreams de todos os jogos. O problema é que o livestream vem com 1 minuto de atraso, então você ouve as pessoas comemorando em volta mas só vê o gol 1 minuto depois… mas para o jogo da Costa do Marfim serve!


(Publicado em 26 de Junho de 2014)

 

Nichtlustig

Antes de mais nada, feliz páscoa ligeiramente atrasado! Aqui está menos atrasado que no Brasil porque segunda feira depois da páscoa ainda é feriado de páscoa.

Ano passado eu escrevi um post sobre Páscoa, então esse ano escrevo sobre outra coisa: Nichtlustig.

Nichtlustig (nicht lustig = sem graça) é o nome de um quadrinho muito muito famoso na Alemanha, desenhado por um rapaz de nome Joscha Sauer. Não é uma história continuada, como a Turma da Mônica, mas mais no estilo tirinha, só que com só um quadrinho. E, como o nome indica, as piadas são meio bobonas, meio simples (o humor alemão não costuma ser muito refinado), mas de alguma maneira o traço do desenhista deixa as coisas mais engraçadas. Todos os personagens são fofos, tem olhões gigantes e cara de bobões. Acaba adicionando para as piadas “sem-graça”, e para o carisma dos personagens. Para mostrar exemplos, eis aqui alguns quadrinhos com o tema páscoa:

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Nichtlustig – nichtlustig.de

“Onde estão as minhas coisas??”
“Esse ano escondi tudo EXCETO os ovos! Boa páscoa!”

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Nichtlustig – nichtlustig.de

“Desculpa! Pensei que fosse de chocolate!” (aqui na Alemanha é comum, na Páscoa, comer coelhos de chocolate ao invés de ovos de chocolate)

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Nichtlustig – nichtlustig.de

“Socorro! Onde estou?”
“Esse ano eu escondi VOCÊ e os ovos que têm que TE procurar!”

Nichtlustig - nichtlustig.de

Nichtlustig – nichtlustig.de

“Desentupi o vaso. Fica 200 euros.”
“Mas admita, foi um bom esconderijo.”

Não tem personagens principais, mas alguns são recorrentes, como o Yeti, o Papai Noel, o Dinossauro, a Morte, entre outros.

O Nichtlustig é tão conhecido por aqui que com freqüência você vai encontrar quadrinhos em livros de alemão, por exemplo. Em qualquer livraria na Alemanha você encontra alguns dos livros publicados pelo autor dos quadrinhos (com uma seleção dos quadrinhos) a venda, além de outros produtos com a “marca”, como camisetas, calendários, cartões postais, bichos de pelúca, canetas, cadernos, canecas, etc. Dá para comprar na loja online, também.

Enfim, simpáticos e engraçados, esses quadrinhos são também uma boa maneira de aumentar seu vocabulário alemão! Dá um like na página deles no face para receber quadrinhos no seu feed! =)

(ah, e para quem não fala e nem pretende falar alemão, tem uma página do face que posta versões em inglês dos quadrinhos. Não sei se é oficial, mas acho que serve!)


(Publicado em 22 de Abril de 2014)

 

Erlebnisbäder

Na Alemanha há uma cultura forte de “banho”. Não banho, assim, de chuveiro. Banho de piscina e lago. É relativamente comum as pessoas irem nadar em lagos ou rios nas proximidades de onde moram, uma coisa que para a gente parece um tanto estranha e “rural”. Um hobbie talvez para o Chico-Bento, não para quem mora em cidade.

Mas, nos poucos e preciosos dias de verão, com o tempo aberto e as temperaturas no topo, e sendo a Alemanha um país quase totalmente cercado por outros países, e portanto com poucas praias, qualquer água serve. Até as fontes pela cidade ficam cheias de criancinhas se divertindo. De biquini, de roupa, sem, tanto faz, o importante é não perder a oportunidade de se molhar.

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E para aproveitar a água mesmo no inverno, você encontra em qualquer cidade alemã uma variedade de piscinas freqüentáveis sem necessidade de ser sócio de clube nenhum, fazer exame médico, nem nada.

Tem piscinas cobertas e piscinas abertas, mas, a opção mais legal mesmo são os Erlebnisbäder. Erlebnis significa algo como aventura, uma tradução talvez um pouco exagerada, mas, basicamente, um Erlebnisbad seria um mini-parque aquático.

Em um Erlebnisbad você vai provavelmente encontrar:

Uma piscina olímpica, possivelmente com trampolins;

Uma piscina para diversão, com eventuais cachoeiras, águas borbulhando num canto, mais bolhas saindo da parede para massagem nas costas, possivelmente até um pequeno rio com corrente;

Um toboágua divertido;

Hidromassagem, normalmente para até 6 pessoas;

Sauna;

Área para crianças pequenas com piscininhas rasinhas e talvez um escorregador, quem sabe em formato de elefante;

Uma piscina descoberta (mas você entra na piscina na parte coberta), possivelmente mais quente que as outras. Em um ou outro caso também já vi a piscina descoberta ser com água salgada;

e, claro, uma lanchonete, onde você deve comer batata-frita, que aparentemente é o que se come quando se vai na piscina na Alemanha.

Na área descoberta tem também sempre um gramado para tomar sol. Algumas piscinas mais avançadas vão oferecer ainda mais opções para você relaxar e se divertir na água.

Mas e como funciona? Não precisa ser sócio?

Não.

Essa é a melhor parte. Funciona mesmo como um parque aquático, só que bem mais barato, lógico, e com preços variados. Normalmente tem opções como 2h, 5h, ou diária. E você não precisa decidir antes quanto tempo quer ficar, você paga o tempo que tiver ficado na saída (ou a diferença, em alguns casos, quando você tem que pagar já na entrada).

Os preços variam, claro, de acordo com o tamanho e variedade de opções oferecidas da piscina, mas costuma ser algo em torno de 5 ou 6 euros para 2h, e 10, 12 euros para a diária. Algumas piscinas mais avançadas podem oferecer ainda opções, por exemplo, piscina + sauna por um preço, só piscina por outro.

Se você vai com freqüência, tem normalmente alternativas de passes com desconto. Não precisa fazer exame médico, basta chegar e mergulhar.

Os vestiários também são um ponto interessante: na maioria das piscinas que visitei, os vestiários não eram separados por sexo. Quer dizer, você entra para se trocar numa cabine só para você, mas as cabines não são agrupadas por sexo, e tem sempre umas cabines família, para pais com filhos pequenos, e tal. (também ajuda se você vai com o namorado mas leva tudo numa mochila só).

E funciona sempre assim. Você chega por um corredor e as cabines estão dispostas ao longo de corredores perpendiculares a esse corredor de acesso. Aí você vai lá, entra na cabine, se troca, e sai pelo outro lado. As cabines têm então duas portas, uma que dá para o corredor que te leva para a saída, e outra que dá para o corredor com os armários e que te dá acesso à piscina. E para evitar que as cabines desocupadas fiquem com a porta trancada do lado em que a pessoa entrou e destrancada só do lado em que a pessoa saiu, elas tem um mecanismo simples porém sagaz que tranca as duas portas de uma vez só.

Muito bem, calção de banho ou biquini colocados, toalha em mãos e havaina no pé, você sai pelo outro lado e deixa sua mochila/bolsa/sacola/o que for em um dos inúmeros armários.

Antes de entrar na piscina, é normalmente obrigatório tomar uma ducha. Não se preocupe, os banheiros e duchas são sim, separados por sexo! =D MAS saiba também que os alemães, especialmente os da antiga Alemanha Oriental, são bem tranqüilos em relação aos seus corpos. Se você for à praia, por exemplo, não é raro que as pessoas se troquem ali mesmo, em público, sem grandes preocupações, e topless ou whatever-less também não são raros. Então em piscinas acontece de vez em quando das pessoas (claro, senhores e senhoras mais velhos, não pessoas novas) se trocarem fora da cabine mesmo, na frente do armário. Não se assuste, portanto, se vir um senhor peladão. Ele provavelmente não é um tarado maluco.

Vale a pena experimentar um Erlebnisbad se você estiver na Alemanha, mesmo viajando. Você encontra dessas piscinas em quase qualquer cidade da Alemanha, principalmente no sul do país. O melhor horário para ir é durante a semana no final do dia. Vários fecham só às 22h, então é tranqüilo chegar lá pelas 19h e ter ainda bastante tempo de piscina, sem muita gente. Só preste atenção, caso você queira comer a importante e tradicional batata-frita, que as lanchonetes costumam fechar antes, às 20h.

É uma ótima maneira de aproveitar o verão, e também de se animar nos invernos gelados e escuros!


(Publicado em 25 de Julho de 2013)

Schrebergärten

Se você já viajou de trem pela Alemanha, talvez tenha notado ao longo da linha na periferia das cidades estranhas casinhas super pequenas em pequenos lotes com quintais. Se você tiver passado no inverno, quando as plantas estão secas, pode ter imaginado que seriam casas de pessoas mais pobres.

Não.

Acontece que os alemães adoram um jardim. Mesmo. Ter um jardim em casa é um grande ponto positivo, muitas vezes mais importante que ter espaço para carro.  Aqueles quintais típicos de casas brasileiras, forrados de pisos frios e azulejos sem um pedacinho de terra aqui seriam uma medonha aberração incompreensível.

Mesmo os prédios costumam ter um pedacinho de jardim, ainda que pequeno.

Jardins no espaço livre de edifícios de apartamentos

Jardins no espaço livre de edifícios de apartamentos

Você ficaria surpreso de saber que os apartamentos no térreo não são fortemente rejeitados, apesar da inconveniência e falta de privacidade de ter suas janelas de cara para a calçada. Vários deles têm seus próprios jardins, e morando no térreo, dá para deixar seu gato sair para dar uma volta. (São pouquíssimos os gatos daqui que moram só dentro do apartamento. A maioria dos gatos pode sair.)

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Alemães gostam tanto de um jardinzinho que aqueles que não têm um em casa alugam um Schrebergarten. Os agrupamentos de pequenos lotes de jardins são encontrados principalmente às margens das ferrovias e estradas, onde é complicado construir por causa do barulho. Você encontra desses por toda a Alemanha, é realmente comum. A maior parte das pessoas que alugam são mais velhos, principalmente aposentados. A idade média é de 60 anos. Mas tem famílias novas também. Inclusive alguns apartamentos vêm com um jardim junto, não necessariamente vizinho ao apartamento.

Os aluguéis variam de acordo com o tamanho e localização, claro, mas são no geral bem baratos. Parece que a média é de 373 euros por ano, o que dá só 31 euros por mês de aluguel. Bem em conta, para um lugarzinho ao sol. (exceto que sol na Alemanha é meio raro, mas tudo bem). Os tamanhos podem variar entre 50m² e 300m², se não me engano.

A tradição dos Schrebergärten é antiga, tendo tido início há aproximadamente 200 anos atrás, quando as pessoas começaram a mudar das áreas rurais para as cidades em busca de empregos, e sentiam falta de contato com a natureza, espaços verdes e tranqüilos.

Lá os alemães aproveitam para plantar verduras e frutas, flores, plantas, às vezes tem um espaço para as crianças brincarem… As casinhas abrigam pequenas cozinhas, talvez uma salinha para sentar, certamente um banheiro, e, claro, as ferramentas de jardinagem.

Loteamento de jardins ao longo de linha ferroviária em Dresden.

Loteamento de jardins ao longo de linha ferroviária em Dresden.

Ótima ocupação para velhinhos aposentados que gostam de jardinagem!


(Publicado em 3 de Julho de 2013)