Pessoas

O (ou a falta de) senso de humor alemão

Sempre que algum colega faz aniversário, no escritório, o chefe dá de presente um buquê de flores para o aniversariante. Já comentei em outro post que, aqui, os aniversários redondos (20, 30, 40, 50…) são especialmente importantes. Hoje foi o aniversário de 40 anos de um colega meu, e por isso o buquê de flores dele foi particularmente especial: veio com diferentes tipos de massa como enfeite! Massa, macarrão, mesmo. Curioso. Eu queria tirar uma foto mas acabei esquecendo. Eram basicamente diferentes tipos de macarrão, embalados num plástico transparente (pq a idéia, é, de fato, fazer o macarrão eventualmente) de tal maneira que pareciam, no buquê, flores curiosas.

Todos acharam bem inusitado. Ele foi logo colocar o buquê num vaso com água, para não secar, e eu não resisti fazer uma piadinha: “Só não deixe na água muito tempo se não fica mole demais!”. Estava me referindo ao macarrão lógico. Ele não entendeu. Tive que explicar.

Há duas semanas atrás fui a Paris encontrar uma amiga que estava viajando lá. Ela estava com um grupo de outros brasileiros. Fizemos um picnic. Compramos, no supermercado, muitos queijos. O supermercado tinha um funcionário que era especificamente um recomendador de queijos. Brincamos que ele era “queijoliê”. Durante o picnic, combinamos que não era para conversar sobre trabalho. O assunto ficou voltando repetidamente como piada, cada vez que alguém comentava qualquer coisa que poderia ser minimamente relacionada à profissão de alguém presente, a pessoa em questão logo comentava que não podia responder porque não era pra falar de trabalho. Ao conversarmos sobre os vários queijos que estávamos comendo, eu comentei “Ainda bem que nenhum de nós é queijoliê”. Foi uma piadinha bobinha puxando os assuntos daquele dia – o queijoliê e o não falar sobre trabalho. Todos riram, felizes. Eu percebi que era a primeira vez que todos riam, felizes, de alguma piadinha boba que eu fiz EM ANOS. (É possível que o vinho tenha ajudado)

Mas esse comentários bobos fazendo referência a outras partes da conversa é algo que nunca teria gerado risos num grupo de alemães. O senso de humor alemão (ou a falta dele) é uma característica conhecida e frequentemente apontada em piadas e comentários a respeito da cultura alemã. É verdade que o humor alemão é diferente do que a gente conhece.

Uma diferença grande está muito á língua alemã. Em comparação ao português, a língua alemã tem bem menos variações na entonação. A gente sempre ouve (de vários estrangeiros, não só alemães) que o português brasileiro é uma língua muito “cantada”. Em português é fácil, alterando só a entonação das palavras, denotar maior informalidade, maior formalidade, carinho, sarcasmo, impaciência, e vários outros significados subentendidos. Você pode falar uma frase cujo significado é quase exatamente o oposto do que as palavras usadas indicam, e só pela entonação deixar o significado real claro. Digamos, um exemplo bem simples: “Nossa, você canta bem, né?”. Dá pra falar essa frase com uma entonação honesta e uma sarcástica. Ou então meio sem entonação, pra demontrar que você não está nem um pouco interessado nas habilidades de canto da pessoa em questão, um significado de indiferença. Outras pequenas indicações físicas reforçam um significado ou outro. Se você fala isso olhando diretamente pra pessoa, é ou a frase honesta ou a sarcástica. Olhando pra outro lado é a frase indiferente. Expressões faciais também colaboram. E assim vai. Na nossa cultura e na nossa língua, o significado de uma frase vai muito além do significado real das palavras usadas, dependendo de todo um conjunto de expressões faciais, comportamento, entonação e contexto pra ser entendido.

Não é que em alemão não tenha isso também. Tem. Só que esses outros fatores são bem menos importantes pra compreensão do significado. Eles contribuem, mas o principal mesmo são as palavras usadas. Muitos alemães entre brasileiros se confundem na comunicação achando que coisas que foram ditas tinham significado literal, quando não tinham. Um caso típico é você comentar com um alemão “ah, então passa lá em casa qualquer hora” e aí ele te liga no fim de semana perguntando se pode ir na sua casa às 16h.

São várias as vezes que eu faço comentários sarcásticos, deixando bem claro pelo meu tom de voz que é sarcasmo, e vejo que os interlocutores alemães estão me olhando com cara de quem não sabe se eu tô falando sério ou não. Em situações em que seria bem óbvio, num grupo de brasileiros, que eu não estava falando sério.

Além disso, uma outra característica da língua que dificulta certas piadas, é que ela é muito precisa e dá menos margem para ambigüidades em comparação com outras línguas. E eu suspeito que seja isso responsável por impossibilitar o senso de humor como o que a gente conhece, que é uma aparente incapacidade de relacionar comentários com temas anteriores da conversa. Como o caso do queijoliê. Ou o macarrão nas flores. Porque colocar as flores na água mto tempo faria elas ficarem moles? Pq não era óbvio que eu estava fazendo uma piadinha me referindo ao macarrão? Suponho que seja essa ausência de ambigüidade da língua alemã é que faça com que eles sejam menos “treinados” pra identificar outros tipos de ambigüidade. Será? Não sei. Só sei que são vááários os exemplos de piadinhas desse tipo que eu faço e me vejo tendo que explicar pra pessoa o que eu quis dizer.

Quando eu estava pra casar, ano passado, o tema casamento era um assunto recorrente nas conversas de almoço entre as colegas do trabalho. Numa ocasião estávamos falando do meu vestido, que eu tinha escolhido que seria vermelho, e não branco. Eu tinha acabado de buscar o vestido, pronto, da costureira, daí o assunto. Poucos minutos depois, o assunto mudou para a apresentação do coral de uma colega. O nome do coral tem qualquer coisa a ver com frutas vermelhas, e por isso as meninas (é um coral feminino) tinham que todas ir com roupas vermelhas, rosas ou roxas para a aprensentação, e minha colega estava comentando que não tinha nenhuma roupa vermelha, rosa ou roxa (ela usa mais roupas de cores azuladas). Eu comentei, brincando “Bom, eu tenho um vestido vermelho novinho se você quiser emprestado…” me referindo, é claro, ao meu vestido de casamento, que eu tinha acabado de buscar, que era vermelho, e sobre o qual tínhamos conversado poucos minutos depois. Ela não entendeu. Eu tive que explicar.

Também numa conversa de almoço do trabalho, estávamos conversando sobre o fato de que a máquina de café estava na assistência técnica. A máquina de café do escritório faz cafés maravilhosos, eu (e outros colegas também) estava bem transtornada com a ausência da máquina de café. Minha colega comentou que a outra colega que tinha levado a máquina pra assistência técnica, a Ana, disse que provavelmente ficaria pronta e voltaria no dia seguinte. Algumas frases depois, comentando sobre alguma outra coisa da tal Ana, a mesma colega com quem eu estava conversando sobre a máquina de café falou que a Ana parecia estar com um início de gripe e se pá ia acabar tendo que ficar o resto da semana em casa. Eu comentei, com um tom dramático exagerado “Ó Não!! A Ana não pode ficar em casa o resto da semana!!!” me referindo, na verdade, ao fato de que se a Ana não viesse ela também não traria de volta a máquina de café. Quer dizer, a gente tinha conversado sobre a máquina de café SEGUNDOS antes, sério. Nope, não rolou uma compreensão direta, tive que explicar que eu estava brincando que não era a Ana que faria falta, mas a máquina de café.

As piadas dos alemães são como a comunicação alemã: diretas, sem sutilezas, sem risco de serem mal compreendidas.

E pra pessoas de outras culturas – especialmente pra nós, que fazemos graça de tudo, que floodamos a internet com memes de qualquer situação segundos depois dela ter ocorrido – pode bem parecer que os alemães não têm senso de humor. Mas talvez o pior resultado disso seja que se você estava acostumado a fazer as pessoas rirem com o que você fala no Brasil, aqui você perca essa habilidade…


(Publicado em 28 de Agosto de 2018)

Trümmerfrauen – As mulheres que reconstruíram a Alemanha

Recentemente eu precisei para um projeto procurar algumas fotos antigas de uma rua aqui de Dresden. A dica de uma colega foi dar uma olhada no catálogo da Deutsche Fotothek – o departamento de fotografias históricas da Biblioteca Estadual da Saxônia, a SLUB (Sächsische Landesbibliothek – Staats- und Universitätsbibliothek), onde eu então me perdi por horas a fio. A Fotothek disponibiliza online as fotos do seu catálogo, um imenso banco de fotografias antigas – a maioria aqui da região, mas outras de outros locais também. Dá pra ficar horas lá assistindo a história de Dresden se desenrolar desde o advento da fotografia até anos recentes. Claro que as fotos mais impressionantes são as da época da guerra e especialmente do pós-guerra. Como expliquei no post sobre Dresden, a cidade foi destruída quase por completo em 13 de Fevereiro de 1945, um dos últimos bombardeios de grande escala da segunda guerra. Mais impressionante que as fotos da cidade destruída (que já são tão famosas e amplamente divulgadas) são porém as fotos dos anos seguintes, quando os sobreviventes limparam os destroços e reconstruiram partes da cidade.

A história da Enttrümmerung (remoção de destroços) e Wiederaufbau (reconstrução) de Dresden (e outras cidades alemãs) é particularmente interessante porque esse foi um trabalho realizado majoritariamente por mulheres. Os homens sobreviventes, que não eram muito velhos ou doentes para serem soldados, permaneceram algum tempo detidos pelas forças aliadas após o final da guerra.

Desta história criou-se o termo “Trümmerfrauen“, literalmente traduzido para “mulheres dos destroços”, para se referir ás mulheres sobreviventes que juntas removeram os destroços de suas cidades destruídas e reconstruíram as mesmas.

Em Dresden há inclusive um monumento à Trümmerfrau (Trümmerfrau – singular, Trümmerfrauen – plural), uma escultura bem na frente do edifício da prefeitura.

A iniciativa de recordar e comemorar o esforço dessas mulheres é bem digna. Foi um trabalho que não apenas exigiu muito esforço físico e muitas horas de trabalho árduo ao longo de vários meses, mas especialmente que necessitou uma tremenda resiliência e e força de vontade de ver sua cidade completamente destruída e ainda assim encontrar energia mental para se levantar todos os dias e ir empilhar tijolos.

Infelizmente essa memória é muitas vezes resignificada por grupos neo-nazis ou ultra-nacionalistas que usam esse e outros monumentos que glorificam os esforços de reconstrução do país como motivo para enaltecer e exaltar os alemães etcetc, convenientemente esquecendo de mencionar que a cidade precisou ser reconstruída porque foi destruída pela guerra que os maridos daquelas mulheres inventaram de começar, e que a sociedade como um todo leva a culpa pelas atrocidades cometidas durante a guerra, tenha sido por participação ativa ou passiva. Vítimas da guerra eram os sobreviventes de certa maneira, mas ainda sempre culpados pela mesma, e pelo assassinato em massa de judeus e outros grupos. Se não pela direta participação então pela silenciosa aquiescência aos horrores do holocausto.

Mas mesmo mantendo em vista o contexto, ainda é possível admirar os esforços da reconstrução, então voltando às fotos. Li as regras e consultei a Fotothek a respeito do uso das fotos da Fotothek e por sorte é permitido publicar as imagens na resolução disponibilizada gratuitamente online desde que seja para uso pessoal – no caso de websites, contam como uso pessoal aqueles que não visam lucro, não têm propagandas, etc.  E lá na Fotothek há inúmeras fotos desses trabalhos de remoção dos destroços e reconstrução e é um tanto engraçado ver que as mulheres que nas fotos aparecem são mesmo iguaizinhas à escultura! Nos tempos de austeridade pós guerra não era muita a variedade de vestimentas, de maneira que todas estão exatamente como a mulher símbolo esculpida: um avental para proteger as poucas roupas que sobraram, um pano na cabeça para segurar o cabelo e proteger a cabeça do sol, e uma machete, pá ou outra ferramenta similar na mão.

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SLUB Dresden/Deutsche Fotothek, Rössing, Roger & Rössing, Renate. 1953.  http://www.deutschefotothek.de/documents/obj/88897352

(Clicando na foto você verá a página da mesmoa na Deutsche Fotothek, com todas as informações sobre a foto e link para download. Antes de sair compartilhando por aí, leia as regras de uso! Compartilhar em redes sociais, por exemplo, não é permitido.)

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SLUB Dresden/Deutsche Fotothek, Peter, Richard sen. 1945. http://www.deutschefotothek.de/documents/obj/88950446

Mulheres trabalham em montanha de destroços na frente da fábrica de cigarros Yenidze.

O que mais me impressiona nessas fotos é ver as mulheres rindo e sorrindo, como se cantassem e conversassem enquanto reorganizam sua cidade em ruínas. Me emociona ver a resiliência do ser humano simbolizada nessas imagens. Certamente todas as mulheres dessas fotos perderam um ou vários familiares na guerra, muitas certamente perderam suas casas e todos os seus pertences. Mas lá estão elas trabalhando juntas na reconstrução, ainda capazes de sorrir!

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SLUB Dresden/Deutsche Fotothek, Peter, Richard jun. 1945/1955. http://www.deutschefotothek.de/documents/obj/71301521

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SLUB/Deutsche Fotothek,  Höhne, Erich & Pohl, Erich. 1946. http://www.deutschefotothek.de/documents/obj/70600276

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SLUB Dresden/Deutsche Fotothek, Peter, Richard jun. 1945/1955. http://www.deutschefotothek.de/documents/obj/71301520

As pedras e tijolos retirados dos destroços que podiam ser reutilizados para a reconstrução eram meticulosamente organizados, empilhados e marcados.

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SLUB Dresden/Deutsche Fotothek, GERMIN. 1948. http://www.deutschefotothek.de/documents/obj/71555864

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SLUB Dresden/Deutsche Fotothek, Peter, Richard jun. 1945/1954. http://www.deutschefotothek.de/documents/obj/90041153

Mas também é importante notar que a história das Trümmerfrauen é a partir de certo ponto um tanto exagerada. Se você procurar Trümmerfrauen no google, vai encontrar diversos artigos explicando que a idéia de que todas as mulheres sobreviventes se uniram para reconstruir suas cidades é um mito. Como explicam alguns pesquisadores e historiadores, embora a maioria dos trabalhadores no esforço de remoção de destroços e limpezas fossem de fato mulheres (e isso se vê com clareza nas fotos históricas), foi na verdade uma porcentagem pequena das mulheres sobreviventes que se dedicou a esse trabalho. A maioria da população ainda via esse tipo de trabalho manual e físico como algo indigno. Principalmente na Alemanha Ocidental a imagem da Trümmerfrau é uma distorção da verdade – uma vez que nas regiões do país então controladas pelos Estados Unidos, França e Inglaterra a imagem tradicional do papel das mulheres na sociedade tornava a realização de trabalho manual por mulheres ainda mais indesejado pela sociedade. Foi mais na Alemanha Oriental, então controlada pela União Soviética, em que as mulheres trabalhando na reconstrução das cidades eram em número mais significativo, pois fazia parte dos ideais soviéticos representar as mulheres também como trabalhadoras. Muitas faziam aquele trabalho não por ideais bonitos de esforços generalizados para a reconstrução do país, mas porque era o único trabalho disponível, ainda que pagasse quase nada.

Toda história tem muitos lados e um contexto muito mais complexo que o que pode ser mostrado em uma dúzia de fotos, é claro. Mas independente disso, não deixa de ser admirável o papel importante que as mulheres tiveram na recuperação do país no pós-guerra, e especialmente o quanto isso mostra a resiliência humana. No fundo é essa a principal mensagem passada pelo monumento à Trümmerfrau: a de sobrevivência.

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SLUB Dresden/Deutsche Fotothek, Peter, Richard sen. 1945. http://www.deutschefotothek.de/documents/obj/88950446

Mulheres trabalham retirando destroços na frente das ruínas do edifício da prefeitura de Dresden, onde hoje localiza-se o monumento à Trümmerfrau.

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Alguns artigos sobre o assunto, onde pesquisei o tema para escrever esse post:

http://www.spiegel.de/spiegelgeschichte/mythos-truemmerfrauen-nachkriegs-elend-in-deutschland-a-1190734.html

https://www.dw.com/en/dismantling-the-german-myth-of-trümmerfrauen/a-18083725

https://www.welt.de/geschichte/article174070519/Was-die-echten-Truemmerfrauen-geleistet-haben.html

O site da Deutsche Fotothek:

http://www.deutschefotothek.de


(Publicado em 03 de Agosto de 2018)

Sie/Du: Formas de Tratamento

A inspiração para esse post veio de uma conversa durante o almoço com colegas do trabalho. Por algum motivo qualquer alguém comentou sobre tratar alguém por Sie ou por Du, e seguiu-se uma longa discussão sobre as preferências pessoais de cada presente – quando eles preferem ser tratados por Sie, quando eles preferem ser tratados por Du, quando eles preferem tratar alguém por Sie ou quando acham estranho, e o mesmo para Du.

O que você terá aprendido na sua aula de alemão, provavelmente na primeira ou segunda aula do Básico 1 do curso de alemão é: amigos e família você trata por Du, pessoas no ambiente de trabalho e pessoas desconhecidas, você trata por Sie.

Mas a realidade é bem mais complexa que isso. E além disso esse blog não é sobre língua alemã, mas sobre cultura alemã. Então eu não vou falar de regrinhas que aparecem no seu livro Deutsche Sprache A1 ou no Duolingo, mas do que eu ouço os alemães falarem sobre quando eles se sentem confortáveis ou desconfortáveis com o uso do Sie ou do Du.

A conversa no almoço do trabalho começou com uma discussão sobre como usamos Sie e Du dentro do escritório. Em cada local de trabalho é diferente. No nosso escritório usamos sempre Sie com o chefe e Du com os colegas. E o chefe sempre usa Sie com todos. O normal é, quando você usa Sie você também usar o sobrenome da pessoa, e com Du vai o primeiro nome. Então, por exemplo, se algum colega me pedisse para imprimir uma planta qualquer, ele diria da seguinte forma (todos os nomes dos exemplos são fictícios, exceto meu primeiro nome):

Laís, kannst du mir den Plan so und so ausdrucken?

E meu chefe, pedindo o mesmo, diria:

Frau Ribeiro, können Sie mir den Plan so und so bitte ausdrucken?

Mas a grande questão – que é o que estávamos discutindo no almoço – é: que nome usar quando você está conversando com o chefe sobre outro colega? Por exemplo, se uma colega minha fosse falar para o chefe que eu imprimi a planta, ela poderia dizer ou:

Herr Steinmeier, Frau Ribeiro hat schon den Plan ausgedruckt. ou…

Herr Steinmeier, die Laís hat schon den Plan ausgedruckt.

Obviamente o “correto” seria usar o sobrenome nesse caso. Mas aí é que entra a complexidade do negócio: tem vários níveis de distância que você pode manter de uma pessoa de acordo com a maneira que você conversa com ela. Como você escolhe usar Sie, Du, nomes e sobrenomes é uma dessas maneiras. Então no meu escritório foi definido que o chefe usa sempre Sie e a gente usa sempre Sie com o chefe. Mas o nível de intimidade que ele tem com os seus empregados pode variar e aparecer de outras maneiras, incluindo essa. Então alguns colegas se sentem na liberdade de se referir aos outros colegas para o chefe com o primeiro nome. E o chefe dependendo da situação ou da pessoa a quem ele está se referindo, usa o primeiro nome ou o sobrenome. Alguém que começou a trabalhar no escritório a pouco tempo é sempre “Herr” ou “Frau” Fulano. Alguém que já trabalha lá a mais tempo, embora ele trate por Sie e pelo sobrenome, ele às vezes se refere àquela pessoa para outras pelo primeiro nome. Outra maneira de mostrar uma intimidade maior ou de manter uma distância maior é na escolha de suprimir ou não ou “Herr” ou “Frau” antes do sobrenome quando você fala diretamente com a pessoa. Se minha colega do exemplo acima se sente bem de boas com o chefe, ela poderia dizer simplesmente:

Steinmeier, die Laís hat schon den Plan ausgedruckt.

Mas essa é uma escolha arriscada. Falar só o sobrenome de alguém sem Herr ou Frau na frente costuma soar bem grosseiro e mal-educado.

Essas dinâmicas funcionam diferente em cada lugar. Tem escritórios em que todo mundo se trata sempre por Sie e pelo sobrenome, mesmo entre colegas que almoçam juntos todos os dias. Mas em outros lugares, por exemplo o escritório onde meu marido trabalha, todo mundo se trata por Du, incluindo os chefes.

Mas uma coisa é certa: outras pessoas no ambiente profissional, que não trabalham diretamente com você (digamos pessoas de outra empresa com quem você está fazendo algum trabalho, clientes, terceiros, firmas contratadas para algum serviço, etc) você certamente sempre trata por Sie e sobrenome. Tem pessoas com quem eu trabalho em conjunto há mais de um ano (digamos o mestre de obra responsável pela obra de algum projeto meu, ou a pessoa da prefeitura responsável pelo projeto que estamos fazendo) de quem eu nem sei o primeiro nome. Só sei a inicial do primeiro nome porque é parte do endereço de email da pessoa.

Mas regras sociais à parte, é sempre muito interessante prestar atenção nas preferências pessoais de cada um e no significado que fica atribuído a cada escolha de linguagem. Na conversa do almoço do outro dia, os colegas presentes todos concordaram veementemente que é ótimo que na nossa empresa tratamos o chefe por Sie e vice-versa, e que eles acham ótimo que seja mantida essa distância entre chefe e empregados pelo emprego do Sie. Depois de dois anos e meio na empresa eu já acostumei com isso e acharia estranhíssimo tratar o chefe por Du. E o mais curioso é que meu entendimento sobre respeito e pessoalidade também mudou um pouco no seguinte sentido: no início eu achava negativo vc, como chefe, manter distância dos seus empregados, porque na minha visão isso facilitaria pro chefe por exemplo mandar as pessoas embora em qualquer oportunidade, sem pensar no impacto pessoal que vai ter na vida daquela pessoa perder o emprego. Mas agora trabalhando lá há um tempo eu vejo que o contrário é verdade. Meu chefe respeita pra caramba os empregados do escritório. As pessoas que trabalham lá são todos contratados fixo desde o início, recebem salários decentes, trabalham lá há muito tempo. Tirar férias é tranquilíssimo, ninguém trabalha de fim de semana nunca, raramente depois das 18, ninguém jamais entra em contato com vc durante suas férias… como é correto. E se eu vejo o que os meus amigos do Brasil contam, ou uma ou outra experiência que tive lá, onde as pessoas são extremamente próximas num nível pessoal, as pessoas frequentemente trabalham sem serem contratados fixo, não conseguem tirar férias, trabalham uma quantidade de horas extras absurda… e tudo isso enquanto o chefe tá sendo super fofo contigo e te tratando como bff. Quer dizer. Talvez a distância que é mantida quando vc trata alguém por Sie e não por Du não sirva pra vc esquecer que seu empregado é um ser humano com vida pessoal mas pra vc não esquecer que vc tem que ter um respeito profissional por ele. E não achar que ele tá lá trabalhando pra vc pq ele é seu parça que tá te dando um help e que vc pode pedir pra ele trabalhar até às duas da manhã do domingo por um salário lixo porque é pra isso que servem os amigos.

Mas saindo um pouco do ambiente de trabalho, vale a pena discutir também o uso do Sie/Du em outras situações.

Por exemplo lojas. Na maioria dos lugares em que você for, como cliente você será tratado por Sie. Tem alguns lugares, lojas ou empresas que querem parecer jovens e inovadoras, onde você talvez seja tratado por Du. Parece que não cai muito bem, exceto com outras pessoas muito jovens.

E uma coisa que eu acho curiosa é a forma de tratamento em ambientes familiares. No Brasil é bem normal tratar todo mundo por você. A principal exceção são pessoas idosas, que costuma tratar-se por senhor ou senhora. Mesmo que a pessoa seja próxima, é bem comum chamar os próprios avós de senhor e senhora. Já os alemães são diferentes nesse sentido. Dentro de ambientes familiares, mesmo a avó e o avô são tratados por Du. Mas e se for a família do seu namorado ou namorada, ou amigos? O mais comum é logo tratar por Du, mas nesse caso lembre-se de respeitar a hierarquia antes de sair chamando o seu sogro de Carlão. Deixe que as pessoa mais velhas definam que o Du pode ser usado..

O que nos leva ao próximo ponto: quem pode decidir quando trocar de Sie pra Du? Se você assiste muitos filmes e séries americanos, talvez acha que funcione como lá: as pessoas mais velhas te tratam pelo primeiro nome e você os trata por Sr. Sobrenome até que eles lhe digam “pode me chamar de Fulano”. Não. Aqui não é uma decisão unilateral. O que acontece é que, em situações em que ambas as alternativas seriam possíveis, a pessoa mais velha ou que está acima na hierarquia é quem por perguntar se vocês podem se tratar por Du. Mas atenção: a diferença aqui é que é realmente uma pergunta, você poderia responder ‘não, preferia continuar usando Sie se você não se incomodar’.

Mas a maior parte das situações do dia-a-dia é meio pré-definido. Em situações de trabalho sempre Sie, na universidade todo mundo se trata por Du, exceto os professores, que te tratam e devem ser tratados por Sie, em situações familiares usa-se Du, etc… a melhor dica que se pode dar: presta atenção em como a outra pessoa te trata e segue a mesma linha. Se alguém está te tratando por Sie, nunca mude pra Du sem antes esclarecer com a pessoa se tudo bem. Se alguém está te tratando por Du, significa que vc pode usar Du também, mesmo que seja numa situação em que vc sentiria um certo receio em tratar a pessoa pelo primeiro nome, porque é o chefe ou uma pessoa muito mais velha, sei lá. Se a pessoa está usando Du com vc (e vc for adulto) você pode usar Du com ela. O que não tem por aqui é uma relação entre dois adultos em que um usa Sie com o outro e o outro usa Du com o primeiro. Ou os dois usam Sie e sobrenome ou os dois usam Du e primeiro nome.

Resumindo: é tudo um tanto mais complicado que as regras que você aprende no curso de alemão, rsrsrs. Na dúvida, evite formular frases com “você” até ter certeza qual dos dois é pra usar. Por exemplo, em vez de “você já imprimiu os documentos?”, use “os documentos já estão impressos?”. (Sind die Unterlagen schon ausgedruckt worden?) Ou em vez de “aqui no escritório vocês fazem de tal jeito?, você pode falar “aqui no escritório faz-se de tal jeito?” (Wird das hier im Büro so gemacht?) Ou então, é, vez de “Você precisa de alguma ajuda?” você pode dizer “Posso ajudar com alguma coisa?” (Kann ich helfen? – o correto seria dizer kann ich Ihnen helfen? ou kann ich dir helfen?, mas na dúvida vc deixa o Ihnen ou dir conveniente de fora assim não corre riscos.) Sempre tem um jeito ou outro de evitar colocar a segunda pessoa numa frase, e em vez disso reestruturar a frase para a primeira pessoa ou de uma maneira genérica.

E talvez você esteja se perguntando, mas e se eu sem querer usar Du com uma pessoa que era pra usar Sie? É muito ruim? Fica muito feio?

Olha, ficar fica. Mas se vc é estrangeiro, as pessoas podem levar isso em consideração e te dar um desconto pq vc não conhece as regras. Se você errar e perceber: corrija. De preferência peça desculpas e repita a frase com Sie no lugar de Du.

Por exemplo:

Die Unterlage habe ich dir heute früh geschickt. Entschuldigung, ich habe sie Ihnen heute früh geschickt.

Se vc erra às vezes sem perceber, quando perceber peça desculpas já pelas vezes passadas e futuras, tipo:

Ach, entschuldigen Sie mich wenn ich Sie manchmal duze, es ist nur weil es in meiner Sprache nur eine Form von Anrede gibt und ich das deswegen manchmal verwechsle.
(Ah, eu já peço desculpas se eu te tratar por Du às vezes, é que na minha língua só tem uma forma de tratamento, e por isso eu às vezes troco.)

E muito importante também é não se referir pelo primeiro nome a uma pessoa com a qual você não deveria ter nenhuma intimidade. Por exemplo: como no meu escritório todo mundo trata o chefe pelo sobrenome, se eu num almoço entre colegas falasse do chefe pelo primeiro nome, todo mundo ia achar MUITO estranho, talvez suspeitar que a gente tá tendo um caso ou coisa do tipo. Ia cair muito mal. Uma vez numa reunião sobre um projeto, uma colega minha do escritório, conversando com uma pessoa da prefeitura, estava tratando ela por Du e primeiro nome, e vice-versa. Depois da reunião, a colega fez questão de me explicar que estudou junto com aquela pessoa e que elas portanto são super amigas e se conhecem muito bem. Eu já tinha imaginado que fosse algo assim, mas achei interessante que ela fizesse questão de justificar pra mim, pra que eu não achasse estranho. E mesmo assim, ela não se referiu pra mim àquela pessoa pelo primeiro nome. Tipo, ela não disse “Ah, eu conheço a Angela da faculdade, a gente estudou juntas e somos amigas”, ela disse “Ah, é que eu conheço bem a Sra. Merkel da faculdade, a gente estudou juntas e somos amigas”. Numa situação de trabalho, se você trata alguém por Du que não é colega da mesma empresa, espera-se uma justificativa de da onde você conhece aquela pessoa no nível pessoal. Porque só de trabalhar em conjunto, mesmo que por muitos anos, você nunca trocaria de Sie para Du.

Espero que esse post não tenha ficado muito confuso… mas o assunto é confuso, mesmo! Mas não se preocupe, no início você estranha, mas depois de um tempo você acostuma com essas regras sociais e o contrário começa a te parecer estranho!


(Publicado em 29 de Abril de 2018)

Sobrenome dos filhos na Alemanha

Leis e costumes referentes a nomes e sobrenomes é um assunto que sempre me interessou bastante. Já escrevi vários posts diversos sobre esse assunto: um com algumas regras referentes a nomes e sobrenomes na Alemanha, outro sobre mudar de nome ao casar, e outro sobre nomes não-alemães na Alemanha.

Mas um tema relacionado que eu abordei pouco é como funciona o sobrenome dos filhos. No caso de casamento, de filhos de pais não casados, de segundo casamento ou de divórcio, em todas essas situações tem regras referentes ao nome ou à mudança de nome dos filhos.

Pensei nesse tema de novo porque recentemente comentaram comigo que a partir dos 5 anos a criança tem direito de escolher se seu sobrenome muda ou fica o mesmo no caso do sobrenome do pai responsável mudar. Então fui pesquisar a respeito e ler as regras todas que envolvem os sobrenomes dos filhos na Alemanha. Que eu vou explicar em breve a seguir.

Mas antes, uma pequena recapitulação pra quem não leu os posts que eu linkei ali em cima. Aqui na Alemanha não se fala em “nome de casado” ou “nome de solteiro”, mas em “nome de nascimento” ou “nome de família”. Aqui você não pode acumular sobrenomes, como no Brasil. Só pode ter um. Então quando um casal se casa, eles podem escolher um nome de família – ou seja, um sobrenome pra ser o sobrenome da família formada a partir daquele casamento. Você não precisa necessariamente mudar de nome ao casar, mas se você tiver filhos, um dos dois sobrenomes vai ter que ser escolhido para a criança (já que não pode ter dois), e esse sobrenome é que é então o nome de família. Se vierem outras crianças, elas automaticamente receberão o mesmo sobrenome. Se você ao casar adotar o nome do seu cônjuge, esse será o nome de família, e as crianças vão automaticamente receber esse sobrenome ao nascerem. Ok. Vamos aos casos especiais, então.

Quando a criança nasce, filha de pais casados
Se os pais compartilharem um nome, a criança recebe automaticamente esse nome, como já discutimos. Mas se os dois ao casarem mantiveram seus respectivos nomes de nascimento, um dos dois sobrenomes – o do pai ou o da mãe – terá que ser escolhido para a criança. Os pais têm um mês após o nascimento para decidir qual sobrenome a criança vai levar. Se eles não entrarem em acordo, a justiça decide qual dos dois vai escolher o sobrenome.

Quando a criança nasce, filha de pais não casados
Se os pais de uma criança não são casados no momento do nascimento da mesma, automaticamente quem tem a custódia da criança é a mãe. E portanto a criança recebe o nome da mãe. Se os pais quiserem compartilhar a custódia eles podem entregar uma declaração de custódia (Sorgerechtserklärung). Se isso tiver sido feito antes do nascimento da criança, aí os dois podem escolher qual dos dois sobrenomes a criança vai receber. De novo eles têm um mês após o nascimento da criança para decidir. Se a tal declaração for entregue após o nascimento da criança, a criança recebe o nome da mãe.

A criança que recebeu o sobrenome da mãe automaticamente pode ter seu sobrenome mudado para o do pai nas seguintes circunstâncias:
a. Se ambos os pais estiverem de acordo. Se a criança tiver 5 anos de idade ou mais, a criança também tem que estar de acordo com a mudança de sobrenome.
b. Se após o nascimento os pais entregarem a tal declaração de custódia compartilhada. Nesse caso, eles têm até três meses para decidir se a criança fica com o nome da mãe ou muda para o nome do pai. Novamente a criança também tem que concordar com a mudança de nome se tiver 5 anos de idade ou mais.
c. Se os pais se casarem e escolherem um nome de Família, esse nome vai ser automaticamente o nome da criança. Mas se a criança tiver 5 anos ou mais, ela tem que concordar. Se ambos os pais casarem e mantiverem seus nomes de casamento, eles têm então até 3 meses para decidir se a criança fica com o nome da mãe ou muda para o do pai.

Troca de sobrenome da criança em caso de divórcio dos pais
Uma situação recorrente é que o casal com mesmo sobrenome se divorcia, e a criança fica sob custódia da mãe. Muitas vezes a mãe decide voltar a usar seu sobrenome de nascimento e aparece a questão de mudar o sobrenome da criança para o sobrenome de nascimento da mãe. Se ambos os pais estão de acordo com a mudança de sobrenome da criança, não há problema. Novamente a criança de 5 anos ou mais também toma parte na decisão. Mas se o pai (na maioria dos casos) da criança não estiver de acordo, e quiser que a criança mantenha seu sobrenome, daí a mudança só é possível em casos excepcionais em que se prove que é a melhor alternativa para o bem estar da criança.
Estou usando aqui “mãe” e “pai” da maneira como essas ocasiões são mais recorrentes. Mas pode ser ao contrário também: pode ser que o nome de família do casal era o sobrenome da mãe, e aí ao se divorciar a criança ficou sob custódia do pai e ele quer trocar o sobrenome da criança para o dele. E aí só é possível se a mãe estiver de acordo. Mas convenhamos que esse é um caso raro. E também, claro, o mesmo é válido para se a criança tiver dois pais ou duas mães em vez de um pai e uma mãe.

Troca de sobrenome da criança no caso de novo casamento de um dos pais
Se o responsável pela custódia da criança – seja o pai ou a mãe – casar de novo e adotar o nome do novo parceiro como nome de família, é possível mudar o nome da criança para o novo nome de família. Mas novamente, só se a parte que não ficou como principal responsável pela criança também estiver de acordo. E a criança, se tiver 5 anos ou mais, também tem que concordar. Uma particularidade aqui é que existe ainda a opção de a criança adotar um nome hifenado. Se você leu os outros posts sobre nome você sabe que na Alemanha existem os sobrenomes hifenados, que é uma combinação de dois sobrenomes. É uma alternativa pra quem quer adotar um nome de família ao casar, mas não quer abrir mão de seu sobrenome de nascimento. Aí você pode ter um sobrenome que é a combinação dos dois com um hífen. A criança nesse caso recebe só o nome de família. Mas no caso de novo casamento da mãe (por exemplo, ou pai), e mudança de nome para o nome do novo marido, a criança pode também adotar um sobrenome hifenado: o seu de nascimento mais o novo nome de família da mãe. Nesse caso é mais fácil conseguir que a justiça autorize a mudança de nome mesmo se o pai da criança não estiver de acordo.

CONFUSO TUDO ISSO?

Então pra facilitar vou dar uns exemplos práticos.

Como de costume, vou usar aqui uns nomes bem genéricos de exemplo, digamos assim um rapaz de nome Brad Pitt e uma moça de nome, sei lá, Angelina Jolie.

Digamos que o Brad e a Angelina resolvam se casar e adotem Jolie como nome de família. O Brad Pitt passa a se chamar Brad Jolie. Brad e Angelina Jolie resolvem ter um filho, e batizar o mesmo com um nome bem genérico e comum, digamos por exemplo Knox. O sobrenome da criança vai ser automaticamente o nome de família, Jolie. Knox Jolie.

Alguns anos depois Brad e Angelina resolvem que o casamento não tá dando certo e é hora de partir pra outra, e decidem se divorciar. Brad fica com a custódia de Knox e volta a se chamar Brad Pitt. Como Knox mora com o pai e é ele quem cuida do filho e a Angelina só aparece pra visitar de vez em quando num domingo por mês ou coisa assim, Brad acha bem justo mudar o nome de Knox para Knox Pitt. Se a Angelina tiver de acordo, tá sussa. Se ela disser não, nada feito.

Nesse meio tempo Brad reecontra uma ex-namorada de muito tempo atrás, eles voltam a se ver e resolvem se casar. Uma moça com um nome qualquer, por exemplo Jennifer Anniston.  Brad e Jennifer se casam e Brad resolve adotar o nome da nova esposa, e passa a se chamar Brad Anniston.

A nova família formada por Brad, Jennifer e Knox querem compartilhar o mesmo sobrenome, e portanto mudar o sobrenome de Knox para Knox Anniston. Se a Angelina disser que tudo bem, tá feito. Se ela disser que não, fica mais difícil. Mas aí eles podem considerar chamar Knox de Knox Jolie-Anniston, e aí fica mais fácil conseguir autorização para mudar o nome de Knox mesmo a Angelina achando ruim.

E em todos esses casos, se o Knox já tiver completado 5 anos, ele também dá pitaco no assunto e tem que concordar com qualquer mudança no seu sobrenome.

É isso!

Aqui as fontes das informações todas pra quem quiser:

http://www.familien-wegweiser.de/wegweiser/stichwortverzeichnis,did=158646.html

http://www.gesetze-im-internet.de/nam_ndg/NamÄndG.pdf

https://www.finanztip.de/namensrecht-kind/


(Publicado em 15 de Março de 2018)

Pequenas denúncias

Esse post de título um tanto enigmático me deu na telha de escrever na semana passada, ao comprar uma água. E é sobre pequenas coisas, pequenos detalhes, que te denunciam como estrangeiro na Alemanha. Não coisas grandes como erros gramaticais ou pronúncia da língua. Coisinhas pequenas, não necessariamente erradas, discretas, porém que nenhum alemão jamais faria ou expressaria dessa maneira.

Quem já viu o filme Bastardos Inglórios vai lembrar bem da cena em que o espião americano infiltrado entre os nazistas é descoberto ao pedir duas cervejas num bar, mostrando o dedo indicador e o do meio. Os alemães contam nos dedos começando com o dedão, então “dois”, na linguagem dedística alemã, seria levantar o dedão e o indicador. Se você, como a pessoa normal que é, levantar o dedo indicador e o do meio para indicar dois: ! Estrangeiro!

Então aqui vão outras coisinhas que poderiam resultar na sua execução imediata se você fosse um espião estrangeiro infiltrado entre os nazistas em 1940.

1. Volume de bebida
A história da água foi que eu pedi ontem uma garrafa de água no subway, e quando a pessoa do caixa me perguntou qual tamanho, eu distraidamente respondi “A pequena, de 500”. 500 mL, claro. Na Brasil a gente fala de tamanho das bebidas em mL. 300, 500, 700. Só a partir de 1L qua a gente passa pra litros. Mas aqui  na Alemanha é tudo sempre em Litros. 0,3, 0,5, 0,7. A resposta certa no caso da água teria sido “null komma fünf“, “zero vírgula cinco” (ou só “komma fünf“). Todo mundo entende se você fala em mL, claro, mas nenhum alemão jamais responderia àquela pergunta com “fünfhundert“. Jamé.

2. Emails
Duas pequenezas em emails eu descobri outro dia que eram diferentes. São pequenezas tão discretas que eu nunca teria notado. Mas provavelmente os alemães que receberam emails escritos por mim notaram. Quando você escreve um email (ou carta) em português, é algo assim:

“Caro Sr. Fulano de Tal,

Como conversamos por telefone, envio em anexo o documento xyz, etc.

Atenciosamente,
Eu Mesmo da Silva”

Se a gente seguisse a mesma regra que os alemães, essa mesma carta seria assim:

Caro Sr. Fulano de Tal,

como conversamos por telefone, envio em anexo o documento xyz, etc.

Atenciosamente
Eu Mesmo da Silva

Sacou a diferença? São duas. A mais importante e mais denunciativa é a primeira: aqui você sempre começa o email com letra minúscula (depois do “Caro fulano”, que aliás em alemão seria “Sehr geehrte(r) xyz). O motivo faz sentido: A frase começou com “Caro fulano, xxx”, não tem porquê colocar maiúscula depois da vírgula. Mas por algum motivo misterioso em português e em inglês se faz assim em emails e cartas. A segunda diferença não é tão determinante. Entre o “Atenciosamente” (em alemão você escreveria “Mit Freundlichen Grüßen“) e o seu nome, os alemães não costumam colocar vírgula. Mas não é uma regra tão definitiva: às vezes eles também colocam uma vírgula.

3. Futebol
Duas grandes pequenas diferenças existem entre nós e os alemães ao falar de futebol. A primeira é a contagem do tempo. No Brasil a gente conta em duas vezes de quarenta e cinco minutos. Então se alguém chega e te pergunta “E o jogo? Tá onde?”, você responderia algo como “30 minutos do segundo tempo”. Na Alemanha, a resposta seria “75 minutos”. O jogo é contado em 90 minutos, não duas vezes de 45. Então se você fala em algum minuto do 0 ao 45, você com certeza está se referindo ao primeiro tempo. A expressão “aos quarenta e cinco do segundo tempo” não faria sentido aqui.
Outra diferença (embora essa seja mais algo que denunciaria um alemão no Brasil que o contrário) é a contagem dos gols. No Brasil a gente sempre coloca quem tem mais gols primeiro. Por exemplo: “O jogo ficou sete a um pra Alemanha”. Na Alemanha você fala os gols do time da casa primeiro. “O jogo ficou um a sete.” é certamente algo que você nunca disse em português.

Talvez agora você esteja prestes a escrever um comentário perguntando a mesma coisa que eu perguntei pro marido alemão quando conversamos sobre esse assunto: como faz quando não tem time da casa? E se for, digamos, Marrocos x Japão jogando no Uruguai? A resposta foi: ¯\_(ツ)_/¯. Bom, tem sempre uma regra pra qual time é o time da casa mesmo nesses campeonatos internacionais, no sentido de qual time tem que trocar de roupa se os uniformes forem da mesma cor, né. Mas sei lá se tem toda essa preocupação em ser específico. Acho que colocar o número maior na frente e dizer quem ganhou (ou está ganhando) faz mais sentido e os alemães podiam pensar em adotar essa regra simples, ficadica.

4. Casaco
Dois compartamentos referentes a casacos te denunciariam imediatamente como estrangeiro (de país onde não faz frio) na Alemanha.

A primeira é andar por aí no frio com o casaco aberto. Algo que não faz nenhum sentido lógico: o casaco serve pra isolar seu corpo do frio, pra ele não perder calor. Não funciona se o casaco estiver aberto. Mas no Brasil, como quase não faz frio, a gente praticamente nem têm casacos que isolam, então efetivamente tanto faz se o casaco está aberto ou fechado. Daí a gente chega bobo no país frio durante o inverno e demora uns tempos pra descobrir que casaco de inverno só funciona quando fecha o zíper.

A outra coisa sobre casacos é que, como os interiores dos edifícios são aquecidos, as pessoas tiram o casaco ao entrar em qualquer lugar. É meio que a reação direta e automática a entrar num local: tirar o casaco. Só que no Brasil a gente usa o casaco o dia inteiro, dentro de casa e do escritório e do restaurante e de todos os lugares, já que costuma estar a mesma temperatura dentro e fora. Então a gente não tem esse costume de imediatamente tirar o casaco ao entrar num local, e às vezes fica lá distraído de boas no seu casaco. Os alemães acham isso meeeeega estranho, a ponto de chamar a atenção que alguém esteja usando casaco sem estar lá fora.

5. Meio Pãozinho
Digamos que eu te dê um pãozinho, um pãozinho normal, pão francês, e te peça pra cortar ao meio e me dar metade e comer a outra metade. Em que eixo do pãozinho você vai cortá-lo? Provavelmente você vai cortá-lo assim:

paozinho

Dê o pãozinho a um alemão e peça para ele cortá-lo ao meio para comer só metade e em 100% dos casos o pãozinho será cortado neste eixo:

paozinho

No Brasil, a gente só corta o pãozinho no lado maior quando a gente vai fazer um sanduíche, e comer as duas metades ao mesmo tempo, fechadas. Se for pra comer só metade e dar a outra metade pra outra pessoa ou devolver pro saquinho de pão, o pãozinho será cortado no eixo menor. Aqui, se um alemão concordar em dividir um pãozinho com você e você cortar o mesmo no lado menor pode ter certeza que o alemão vai te olhar como se você tivesse feito a coisa mais estranha e inesperada que ele já presenciou em sua vida!

Aliás já que estamos falando de pãozinho, uma dica pra você não cometer um erro que eu cometo regularmente, inclusive hoje mesmo na hora do almoço: Se você disser para um alemão te trazer uns pãezinhos da padaria, lembre-se de especificar que você quer pãezinhos brancos, aqui conhecidos como “Kleinbrötchen” (entre outros nomes possíveis). Se você quiser o pãozinho da imagem acima, tem que ser específico. Se você disser simplesmente “traz um pãozinho”, vai vir qualquer coisa menos pão branco. Se forem vários vai ser uma variação de pães diversos em que uns 10% a 20% serão pãezinhos brancos. Então se você quiser só pãezinhos brancos, seja específico. Se você for passar a noite na casa de alguém e a pessoa combinar um horário pra tomar café na manhã seguinte (sim, eles vão combinar um horário específico pra se “encontrar” pro café da manhã) e a pessoa te perguntar se você tem alguma preferência pro café, quantos pãezinhos você come, e tal: lembre-se de especificar que você só come pãezinhos brancos (se for o caso), se não é capaz de não ter um único pãozinho francês na seleção de 20 pãezinhos que seu anfitrião colocar na mesa do café no dia seguinte.

É isso! Daria pra escrever sobre mil outras coisinhas, mas deu pra dar uma ideia…


(Publicado em 22 de Agosto de 2017)

Lembranças do Brasil para a Alemanha

Às vezes eu dou uma olhada nos termos de busca que trazem pessoas ao blog, para ter uma ideia de que temas interessam às pessoas. Um que volta e meia aparece, e que eu nunca abordei é esse: o que dar de presente para um alemão. Na verdade eu falei um pouco sobre isso, sim, nesse post. Mas foi uma coisa mais geral sobre presentes para alemães, e o que eu tenho percebido pelos termos de busca é que as pessoas querem saber, na verdade, o que dar de lembrança do Brasil para um alemão. Possivelmente pq virão para cá visitar alguém e querem saber o que trazer de presentinho, algo assim.

Daí esse post.

Minha primeira descoberta nesse sentido é de que é arriscado trazer vários doces brasileiros. A gente sempre pensa em dar doces, já que temos maravilhosos doces típicos no Brasil, mas quase sempre quando eu ou trago doces do Brasil ou faço algum doce típico brasileiro para os alemães, quase sempre eles acham muito doce. O último bolo de cenoura que eu fiz para os colegas do escritório eu coloquei um QUARTO da quantidade de açúcar indicada na receita, e mesmo assim eles acharam muito doce (porque a cobertura era com leite condensado). Eles disseram que gostaram, mas a verdade é que meu bolo durou bem mais do que o outro bolo que minha colega tinha feito para a mesma ocasião. Droga. No geral a reação é positiva mas sem entusiasmo. Um “Hmm, gostoso, gostei, sim!”, que não chega nem perto de um “NOSSA, QUE DELÍCIA!! Me ensina como faz, é bom demais!!!”.

Paçoquinha é um doce que parece funcionar. Eu ganhei recentemente 3 enormes caixas com 50 paçoquinhas cada. Deixei uma no escritório e outra dei pro meu marido levar pro escritório dele. As pessoas pareceram gostar das paçocas. Inicialmente olharam com hesitação, perguntaram se tinha que colocar em água ou como que comia… mas depois de experimentada, a caixa esvaziou bem rápido. Apesar de que dois dias depois uma colega saiu de férias e durante os dias em que ela não veio a caixa demorou bem mais para esvaziar. Então pode ser que ela que tenha comido todas as paçoquinhas e o resto dos colegas na verdade nem gostou tanto.

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Eu ainda acho que alguns doces, mesmo que eles não gostem muito, ainda vale a pena trazer de presentinho pq são bem típicos. Tipo um pote de um doce de leite bem legal, daqueles que você compra em Minas, sei lá. Acho que é um presente que seria apreciado mesmo que demore muito para ser totalmente comido.

No ano passado no meu aniversário eu fiz, também para os colegas do escritório, brigadeiros, cajuzinhos e beijinhos. Os brigadeiros eu levei quase metade de volta pra casa, os cajuzinhos sumiram rápido mas foi porque eu comi quase todos, mas os beijinhos pareceram apetecer ao gosto germânico com sucesso. Acho que foi a preferência unânime entre os colegas. Talvez o côco compense um pouco o excesso de açúcar? Não sei.

Mas é isso, doce é legal mas é arriscado.

Uma nota importante sobre importar comidas: há regras e proibição de importação de certos alimentos e produtos, especialmente produtos de origem animal. Eu não vou me aventurar a listar aqui as regras pq essas coisas mudam e se eu colocar alguma coisa aqui, certamente muitas pessoas vão usar essa informação como verdade absoluta sem checar as regras reais nas fontes confiáveis. Então fica apenas aqui o link para o site da alfândega alemã na página sobre regras referentes a importação de alimentos (em inglês). Veja lá se o que você está trazendo é permitido trazer, e se precisa ser declarado. E pelamordedeus nunca procure informações desse gênero em blogs pessoais, procure sempre na fonte original da informação, ou seja, no site da alfândega. 

Saindo um pouco das comidas, uma coisa que talvez seja legal seja umas canecas com motivos típicos. Por exemplo, eu ganhei esses dias de umas amigas brasileiras umas canecas com imagens de araras e tucanos. Super bonitinhas, acho que (além de terem sido um ótimo presente para mim) seriam também uma ótima lembrancinha do Brasil para alemães. Aqui eles tomam muito tanto café quanto chá e todos têm várias canecas diferentes em suas casas.

Uma outra idéia que pode funcionar bem é um espremedor de limão. A gente trouxe um para a minha sogra, da última vez que estivemos no Brasil, e ela gostou tanto que quando minha mãe veio visitar no mês passado, pediu para ela trazer mais dois, para ela dar de presente para outras pessoas! O que é curioso, pq eu já vi espremedor de limão aqui pra vender… mas são raros e a verdade é que quase ninguém conhece. Então sei lá, um espremedor de limão com alguns limões verdes e uma “receita” de caipirinha poderia ser uma boa idéia. E uma garrafa de cachaça.

Pode ser legal também, talvez, um CD com músicas brasileiras. Mas não um CD do Netinho, sei lá. Um CD com umas músicas MPB clássicas, ou músicas instrumentais bossa nova, uma coisa simpática pra colocar de fundo musical no jantar com a família, algo assim. Claro, se a pessoa que você for presentear for uma pessoa jovem, pode ser meio arriscado dar um CD, hoje em dia as pessoas nem tem mais aparelhos que tocam CD. Mas pessoas mais velhas (sei lá, 45 anos pra cima?) que não estão muito por dentro dos Spotifys e Youtubes e Apple Musics da vida ainda adoram dar CD. A gente ganhou 3 CDs de presente de casamento de amigos dos meus sogros que não foram convidados pro casamento mas queriam mandar uma lembrancinha. ¯\_(ツ)_/¯ E o meu sogro sempre bota CD na lista de presente de Natal dele… então pronto, acho que um CD com umas músicas simpáticas típicas pode cair bem com algum presenteado mais velho.

Ok, aqui termina a minha criatividade em presentes-genéricos-do-Brasil-para-pessoas alemãs-aleatórias. Se você que está lendo esse ilustre post tiver mais alguma ideia brilhante, ajude a completar essa lista nos comentários!


(Publicado em 27 de Junho de 2017)

Abrindo e fechando portas

As vezes são as pequenas coisas e pequenos costumes bobos que são os mais difíceis de mudar. Você pode passar anos num local onde todo mundo faz determinada coisa do jeito A, tentar fazer as coisas do jeito A, mas acabar sem querer fazendo do jeito B toda vez.

Uma coisa desse tipo, pra mim, é abrir e fechar portas. Eu sei, eu sei, “Ué, tem jeitos diferentes de abrir e fechar portas?”, você está se perguntando.

Mais ou menos.

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Uma diferença a respeito das portas, aqui, é que quando vc fecha a porta, ela tranca sozinha. A fechadura funciona de um jeito que você só conseque abrir por dentro. Por fora precisa sempre de chave. Nem todas as portas de entrada são assim, mas a grande maioria é.

O que significa que você só usa a chave pra trancar a porta quando você está saindo e deixando a casa vazia. Se tiver alguém dentro, você só fecha desse jeito. E você nunca tranca a porta por dentro, nunca nunca. Até porque o objetivo desse sistema é segurança: você poder sair correndo de casa no caso de uma emergência ou incêndio, não precisar ficar procurando chave pra poder abrir a porta e correr pra fora. Faz todo sentido.

Mas isso resulta num costume diferente em relação a abrir e fechar portas que é: quem fecha ou abre a porta quando duas ou mais pessoas entram juntas num local.
Veja só: quando o normal é trancar a porta por dentro depois de entrar num local, ou trancar por fora com chave ao sair, normalmente a pessoa que abre a porta é a mesma que fecha. Porque se ela abriu a porta, ela está com a chave na mão. Então o normal, no Brasil (e a gente nem percebe que é assim) é a pessoa que está com a chave abrir a porta, sair, esperar fora enquanto as outras pessoas saem, e então trancar a porta depois de todo mundo. A pessoa que abriu a porta é a pessoa que fecha a porta, essa é a regra.
Só que aqui, quando você está saindo de um local, você nem precisa pegar a chave. E quando vc está entrando, você só precisa da chave na hora de abrir a porta. Logo, o normal é que quem for o último a passar pela porta é que fecha a mesma. Porque que a primeira pessoa que passou pela porta ficaria esperando pra fechar a mesma, se pra fechar é só puxar?

Isso parece uma bobeirinha, mas é um costume estranhamente enraizado nos pés. Quase sempre quando eu passo por uma porta por último eu deixo ela aberta subconscientemente achando que a pessoa que abriu é que vai fechar! E os alemães – não sabendo do por quê disso – sempre acham muito estranho quando eu faço isso. O meu namorado desde o começo brinca que eu nasci num metrô. Demorou pra eu enteder o que ele queria dizer… mas é porque no metrô as portas fecham automaticamente… rsrsrs

E embora eu saiba, conscientemente, que se for a última a passar pela porta devo fechá-la, várias vezes eu, distraída, esqueço. Essa semana mesmo isso ocorreu com colegas do escritório quando saímos pra almoçar. Eu passei e deixei a porta aberta – distraidamente – e minha colega ficou confusa achando que estávamos esperando mais alguém e por isso que eu tinha deixado a porta aberta!

Na hora fatídica de passar pela porta eu sempre me pego pensando “opa! quem que fecha a porta, mesmo? a pessoa que abriu ou a pessoa que saiu por último?”. Eu acho incrível como a gente fica tão profundamente acostumado com uma coisinha tão pequena e boba!

Mas embora eu ainda faça isso “errado” aqui, certamente quando for ao Brasil de novo vou fazer errado lá também…

É isso, então lembre-se sempre de fechar as portas pelas quais você for o último a passar pros alemães não te acharem estranho!

Nesse post aqui eu falei sobre chaves e sistemas de fechaduras usados na Alemanha. Tem uns bem high-tech.


(Publicado em 12 de Maio de 2017)