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Fauna alemã

Já que estamos falando de bichos, porque não um post sobre a fauna alemã?

A Alemanha tem bem menos biodiversidade que o Brasil e outros países nas regiões tropicais. Mas lógico que têm vários bichos típicos daqui que não existem no Brasil. A maioria a gente já conhece de desenhos e filmes, já que vários desses são comuns também na América do Norte. Então vamos ver quais animais silvestres você talvez tenha a chance de ver por aqui.

Raposa (Vulpes vulpes)

"Vulpes vulpes laying in snow" por Shiretoko-Shari Tourist Association. Licenciado sob Attribution, via Wikimedia Commons

“Vulpes vulpes laying in snow” por Shiretoko-Shari Tourist Association. Licenciado sob Attribution, via Wikimedia Commons

Esse bicho fofo laranja certamente não é o mais fácil de avistar por aí. Mas, se você tiver sorte, às vezes elas podem ser vistas até em cidades. Eu já vi uma atravessando uma rua aqui em Dresden. Demorei um pouco para me tocar que era uma raposa, vi um bicho passando e comentei com o namorado “nossa, que laranja esse cachorro!” e ele respondeu “é porque era uma raposa!”. Mas foi muito rápido, nem se eu tivesse com uma câmera na mão teria conseguido fotografar. Também já vi uma raposa num campo, mas eu estava no trem. Foi fácil de ver porque tinha neve por todo o lado, então era um bicho laranja no meio do tapete branco de neve. E, outra ocasião, foi uma raposa num parque, que eu vi bem de perto, mas porque estava morta, tadinha. Prefiro ver de longe mas vivas. Em alemão, Fuchs.

Que som faz uma raposa?

E o que come uma raposa?

Coelho (Oryctolagus cuniculus)

Esses são fáceis de ver! Os coelhinhos fofuchos aparecem freqüentemente em parques e áreas verdes, mesmo em cidades grandes. Em alemão se diz Kaninchen (coelhinho!).

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Esquilos (Sciurus vulgaris)

Também comum em parques e áreas verdes urbanas são os esquilos, mais especificamente os esquilos-vermelhos, que são, pasmem, vermelhos. Em alemão, chamam-se Eichhörnchen. Eich significa carvalho, e Hörnchen significa chifrinho, e se refere a esses pêlos altos que eles têm nas orelhas, que lembram chifres.

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Bem fofos! Eles não são tão confiados quanto os esquilos que você encontra na América do Norte ou na Inglaterra, então pra vê-los você vai ter que sentar num parque e ficar prestando atenção nas árvores. Eles são mais assustadinhos mas estão lá, e logo aparecem. Esses aí de cima eu vi em Berlim. O aqui embaixo, fotografei num parque em Dresden. Ele não tem ainda os “chifres” porque é filhote.

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Fofo.

Cervo

Cervos são comuns em florestas, mas eu nunca vi um sem ser em cativeiro. Tem alguns pequenos zoológicos de animais locais, às vezes até em parques, onde tem alguns cervos. Tem mais de uma espécie comum por aqui, uma delas são as que têm esses pontinhos brancos, fofos, bem que nem o Bambi. Mas a espécie mais comum é o veado-vermelho, que na verdade é marrom. Já renas são norte-americanas, e não existem por aqui.

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É relativamente comum, aqui, caçar cervos. Eu tenho uma amiga cujo irmão é caçador, o que é uma coisa muito surreal para mim. Meio chapeuzinho vermelho. Ele uma vez nos deu carne de cervo para comer no ano novo. Hesitei bastante em comer a carne, mas de repente é melhor comer a carne de um cervo que viveu de boas na floresta até ser caçado do que a de uma vaca que foi criada pra isso e bem mal-tratada durante a vida até ir pro matadouro. Sei lá. Cervo em alemão, Reh.

Lince (Lynx lynx)

Os super maravilhosos linces existem por aqui, embora não sejam super comuns. Você certamente não vai encontrar um na sua viagem, exceto em algum zoológico. O da foto abaixo eu vi num zoológico de animais locais perto de Moritzburg. Uns fofos.

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Porco-espinho (Erinaceus europaeus)

"Erinaceus europaeus (Linnaeus, 1758)" by Michael Gäbler. Licensed under CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

“Erinaceus europaeus (Linnaeus, 1758)” by Michael Gäbler. Licensed under CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

Porcos-espinhos são híper mega fofinhos e desde que eu mudei pra Alemanha estou procurando um. Eles podem aparecer no seu jardim, e são relativamente comuns. Mas, na falta de um jardim, ainda não me deparei com um desses. Em alemão, Igel.

Toupeira (Talpa europaea)

Outro bichinho que pode aparecer no seu quintal é a toupeira, esse bicho aqui:

"Talpa europaea MHNT" by Didier Descouens - Own work. Licensed under CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons

“Talpa europaea MHNT” by Didier Descouens – Own work. Licensed under CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons

Tem mais ou menos o tamanho de um ratinho. Também nunca vi. Em alemão se chama Maulwurf.

Castor (Castor fiber)

"Beaver pho34" por Per Harald Olsen - User made.. Licenciado sob CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

“Beaver pho34” por Per Harald Olsen – User made.. Licenciado sob CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Esse castor não é a mesma espécie daquele encontrado na América do Norte, mas é, claro, bem parecido. Também constrói represas em córregos, como essa daqui:

"Beaver dam" by Juliux - Own work. Licensed under CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

“Beaver dam” by Juliux – Own work. Licensed under CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

Em alemão, Biber.

E, finalmente:

Lobo (Canis lupus)

Historicamente, o lobo era encontrado por toda a Alemanha (toda a europa, por sinal), mas foi gradualmente exterminado ao longo dos séculos XVIII e XIX, principalmente pelo perigo que ele representava para as pessoas. A Europa ocidental passou a ser totalmente livre dos lobos, que ficaram limitados à europa oriental e norte da Ásia. Mas, de 50 anos pra cá, pequenas populações de lobos estão gradualmente voltando ao seus locais de origem, e já podem ser encontrados (embora ainda bem raramente) em partes da Alemanha.

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(esse eu fotografei num zoológico, mesmo)

Acho que são esse os animais mais conhecidos e símbolos daqui. Tem, claro, centenas de espécies de aves, ainda, e muitos outros animais. Em breve escreverei também sobre a flora alemã, ou mais especificamente as árvores mais comuns por aqui!


(Publicado em 30 de Maio de 2015)

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Bichos de estimação na Alemanha

Hoje de manhã fomos até uma cidadezinha próxima buscar a nossa nova membra da família. Uma gatinha, Elli!

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É, na verdade, nossa segunda gata. A primeira é a Amy, que está agora com 3 anos.

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Então já que hoje foi dia de adotar bichinho, pensei em finalmente sentar para escrever um post que já estou planejando há uns dois anos. Prepara que vai ser longo, esse post.

Aqui na Alemanha, como no Brasil, é bem comum ter bichos de estimação (Apesar de que eu tenho impressão de que no Brasil é um pouco mais, porque todos ou praticamente todos os meus amigos de lá têm bichos de estimação). Mas uma diferença, por enquanto, é a preferência por gatos. Aqui na Alemanha a população de gatos é de 8.4 milhões, enquanto a de cães é de 5.4 milhões. E se não me engano a população de gatos cresce mais que a de cães. No Brasil, a população de gatos é de 21 milhões e a de cães, 37 milhões. Mas prevê-se que nos próximos anos os gatos ultrapassaram os cães em número. Normal, gato é mais fácil de ter em apartamento, dá menos trabalho, dá pra ter mais de um também com mais tranquilidade. Só para esses números fazerem mais sentido em comparação um com o outro: na Alemanha tem 82 milhões de habitantes. No Brasil, 202 mi. De maneira que a relação gatos x pessoas tanto no Brasil quanto na Alemanha é de 10%. A relação cachorro x pessoas na Alemanha é de 6,5% e no Brasil, 18%.

Mas além de gatos e cachorros, por aqui também é muito comum ter coelhinhos como bicho de estimação. Principalmente quem tem criança pequena acaba preferindo coelhos, que são mais dóceis e bobinhos. E também, como no Brasil, algumas pessoas têm chinchilas, passarinhos, hamsters ou peixes. Mas o tchan é ter gato.

E talvez seguindo essa tendência que a suprema corte alemã determinou, em 2013, que nenhum contrato de aluguel pode proibir o inquilino de ter animais domésticos. O proprietário só pode interferir em casos específicos (por exemplo se um cachorro late a noite inteira e incomoda os vizinhos), mas não proibir no geral. Desde então, qualquer contrato de aluguel que proíba animais domésticos passa a ser inválido (quer dizer, a parte da proibição é inválida, não o contrato inteiro), mesmo que esteja lá escrito e assinado pelo inquilino.

Uma coisa diferente em relação a como as pessoas cuidam dos seus gatos, por aqui, é que a grande maioria dos gatos podem sair de casa para passear. Pessoas que tem gato preferem apartamentos no térreo ou com acesso ao exterior para o gato poder sair para suas patrulhas noturnas. Não que isso seja raro, no Brasil. Mas ONGs de gatos normalmente só dão gatos para quem puder manter o gato só dentro de casa, pelo risco de atropelamento, do gato de perder, de alguém levar o gato, etc. Por aqui, é ao contrário. É bem mais fácil conseguir adotar um gato se na sua casa tem a possibilidade do gato sair.

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Além disso, ninguém põe rede na janela. Claro que prédios altos são em bem menor número por aqui, e talvez em apartamentos mais altos não seja tão incomum. Mas nos predinhos mais típicos, que têm no máximo 4 andares, é bem raro colocar rede. Também nunca vi ou ouvi falar de gatos que caíram da janela.

Mas uma coisa bem comum, isso sim, são cartazes de gatos desaparecidos. Não é à toa, se todo mundo deixa o gato sair. Mas realmente, quase toda semana eu vejo um cartaz novo de algum gato desaparecido. Às vezes os cartazes somem rápido – imagino que o gato tenha voltado. Mas ainda prefiro deixar meus gatos só dentro de casa, mesmo.

E como se adota um gato, cachorro ou outro bicho?

Bom, primeiro vamos dar alguns conselhos, né. Se você, brasileiro, quiser adotar um bicho de estimação na Alemanha, pesquise antes todos os detalhes de como levar o animal de volta para o Brasil, mesmo que você não planeje voltar. É muito injusto com o bicho adotar ele e depois abandonar quando resolver ou precisar voltar pro Brasil. Pesquisando um pouco sobre o assunto na internet, encontrei muitos americanos procurando descobrir como adotar cachorros, e recebendo como resposta que nos abrigos de animais próximos às bases militares americanas daqui os funcionários já se recusam a doar animais para americanos, porque a maioria pega cachorros quando vêm e os abandonam no abrigo quando são transferidos de volta para os Estados Unidos. Não façam isso com seus bichinhos, não é legal.

Mas se você ama animais e tem certeza que saberá cuidar de um, e está disposto a levá-lo para o Brasil se resolver ou precisar voltar, essas são as opções:

1. Pegar um bichinho no abrigo de animais (Tierheim). Em praticamente todas as cidades existe um abrigo de animais, administrado pela prefeitura. Você pode visitá-lo nos horários de atendimento ao público e olhar os vários cachorros, gatos, coelhos, chinchilas, ratinhos e passarinhos e até porcos-espinho esperando uma nova casa. Normalmente o processo de adoção é bem simples. Você vai lá, escolhe um bicho, lê as informações sobre aquele animal em específico, e decide adotar. Assina-se um contrato, paga-se um preço fixo e leva-se o bichinho. Não me lembro de nenhuma outra condição. O preço cobre vacinas e castração, e também assegura que você não está levando o bicho pra, sei lá, fazer macumba. Na maioria dos abrigos, os animais disponíveis para adoção vêm castrados, vacinados e chipados. O preço varia dependendo do bicho. Aqui em Dresden, quando visitamos o Tierheim, o preço para gatos era de 70€. No geral, gatos custam até 100€, cachorros até 200€ e bichos menores entre 10€ e 30€. O único porém era que, com gatos, eles faziam uma divisão entre gatos que saem e gatos que não saem. Gatos que moravam em apartamentos sem poder sair, podem ser doados para pessoas que moram em apartamentos. Gatos que saíam para passear eles só doam para pessoas que possam deixá-los sair para passear. E aí você está se perguntando: ué, mas e como eles sabem onde o gato morava antes? Pois é. Se o gato tiver sido deixado no abrigo pelos antigos donos, eles sabem. Mas obviamente a maioria dos gatos é achada na rua. E esses eles, por via das dúvidas, doam só para quem puder deixar sair. Conseqüentemente, se você não puder (ou não quiser) deixar seu gato sair, as opções de gatos adotáveis no abrigo reduzem bastante. Quando fomos, não tinha nenhum gato de apartamento. Saímos tristes de mãos vazias. Então recorremos à segunda opção:

2. Adotar um filhote de gato de alguém cuja gata acabou de ter filhotes.
Achar alguém com gatos para doar não seria tão fácil se não existisse a internet. Nossa saída foi procurar no Ebay Kleinazeige. Kleinanzeige significa pequenas ofertas, e o Ebay Kleinanzeige é uma versão do Ebay para coisas bem baratas ou gratuitas das quais outras pessoas querem se desfazer. Coisas ou, claro, gatos e outros animais domésticos. Lá você encontra facilmente filhotes de gatos na sua região, ou gatos que precisam de uma nova casa. Quando pegamos nossa primeira gata, encontramos uma oferta por uma família cuja gata tinha acabado de ter filhotes. Por aqui só se dá os filhotes quando esses completam dois meses de vida. Foi quando adotamos nossa gatinha fofa. Essa familia era, na verdade, dona de um hotel para bichos, um daqueles lugares onde você pode deixar seu gato ou cachorro durante alguma viagem. A família tinha seus próprio gatos, sem raça definida, que volta e meia davam cria. Eles pediam uma taxa meio simbólica de 20€. Segundo o homem que conhecemos, ele usava o dinheiro para “consolar” os filhos pela partida dos gatinhos filhotes. Cada criança ganhava 10€ quando um dos gatinhos era adotado, e logo se conformavam. Escolhemos nossa gatinha e voltamos para casa felizes e contentes.

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3. Adotar um gato cujo dono não pode mais cuidar por algum motivo qualquer.
Da mesma maneira você pode adotar um gato já adulto, que precisa de uma casa nova. Várias pessoas precisam por algum motivo ou outro (alguns motivos bem ruins, outros válidos) abrir mão de seus gatos, mas não querem deixá-los no abrigo, e preferem procurar por conta própria um novo dono. Nossa segunda gata adotamos desse jeito. Os motivos para doar o gato são dos mais variados. O motivo mais válido que eu vi, e que era bem comum entre as ofertas que apareciam para a minha região, era que algum filho dos donos era alérgico à gatos, e só descobriu-se isso quando a família adotou o gato, ou um tempo depois que o filho nasceu. Com uma alergia fraca às vezes é possível conviver, mas se a alergia for forte não tem jeito mesmo. Lá se vai o pobre do gatinho para outro dono. Outros motivos comuns eram a pessoa dizer que não tinha mais tempo para cuidar do gato porque trabalha demais, ou até porque um novo trabalho impossibilita ter bichos domésticos por que a pessoa precisa viajar com muita freqüência, coisas assim. Só era estranho algumas pessoas que diziam que queriam doar seus gatos porque estavam esperando um filho. Tem pessoas que acham que não é possível ter nenê e gato ao mesmo tempo, porque gato arranha, sei lá. Tudo bem, mas então se a pessoa acha isso, por que foi arranjar um gato antes de ter filho? Enfim. Assim encontramos nossa segunda gata, e assim você pode também encontrar um cachorro ou outro animal. Alguns oferecem sem pedir nenhum dinheiro em troca, mas vários pedem uma pequena taxa simbólica mais para se certificar que a pessoa que está levando não quer, sei lá, fazer sopa de gato com pedaços de cachorro.

Claro que tudo o que eu falei até agora diz respeito a ofertas de animais sem raça definida. Também tem muita gente que oferece nesses sites gatos ou cachorros de raça, os quais eles compraram por 200€, 300€, 500€, e querem revender o gato por um motivo qualquer. Sei lá, não gostou. Acho isso bem horrível, comprar e vender bicho como se fosse mercadoria. Não entendo bem a idéia por trás. Será que a pessoa está “revendendo” pelo mesmo preço que pagou, ou reduziu um pouco porque o bicho está “usado”??? Sei lá, não gosto da idéia. Também aparecem filhotes de bichos de raça à venda por preços altíssimos. O que, claro, nos leva à quarta possibilidade para adquirir um bichinho:

4. Comprar um bicho no pet-shop.
Isso é bem diferente por aqui do que no Brasil. Um Pet-shop que queira vender gatos ou cachorros precisa ser licenciado pra isso, e são pouquíssimos os pet-shops que o são. No geral, em pet-shop só encontra animais menores à venda, como coelhos, hamsters, peixes e pássaros. Para esses animais a opção mais comum é comprar num pet-shop, mesmo. Mas gatos e cachorros eu nunca vi em loja. Certamente existem lojas que vendem animais de raça, mas realmente não é comum. Aqui em Dresden, por exemplo, não tem nenhum pet-shop licenciado para vender gatos e cachorros.

São essas, mesmo, as opções por aqui. Feirinha de filhotes ou de animais eu nunca vi nem ouvi falar, acho que não existe, não. Se alguém souber de alguma e quiser me corrigir nos comentários, fique à vontade!

Mas, claro, as informações necessárias para quem quer ter um bichinho por aqui não terminam na adoção. E depois? Precisa registrar? É obrigatório vacinar e castrar? Como funciona?

Os únicos animais domésticos que precisam ser registrados são cachorros. Se você adotar um cachorro, tem que ir até a prefeitura para registrá-lo, e terá que pagar um imposto sobre o cachorro. Além disso, se ao passear com o seu cão você não limpar a sujeira dele na rua, você pode ser multado em até 1000€, dependendo do tamanho da sujeira! E se o seu cachorro morder e machucar alguém, você responde pelas lesões como se você as tivesse feito. Portanto, pense muito bem antes de adotar um cachorro, é uma responsabilidade maior. Gatos e outros animais não precisam ser registrados.

Vacinação, castração e derivados não são obrigatórios, mas altamente recomendados.

Aliás, uma outra coisa que interessa saber: pode levar animais nos trens e transportes públicos?

Pode. Gatos ou cachorros pequenos em caixas pode tranquilamente sem pagar taxas extras. Cachorros na guia pagam uma passagem reduzida. Nós trazendo a Elli, sua caixa de areia e árvore de arranhar desmontada no trem:

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E talvez a uma informação que de repente muita gente veio a esse post esperando ler. E se eu quiser levar meu bichinho do Brasil pra Alemanha, ou da Alemanha para o Brasil?

Bom, primeiro já vou avisando que não vou escrever detalhadamente sobre isso porque são muuuuitas informações, e como não tive essa experiência, não sou a melhor pessoa para falar a respeito. Mas vou dar uma resumida básica pra você ter uma idéia e indicar outros lugares onde saber mais detalhes.

É perfeitamente possível trazer seu gato ou cachorro para a Alemanha ou levá-lo de volta pro Brasil. O que você vai precisar é planejar com bastante antecedência, especialmente se estiver trazendo os animais pra Alemanha, e já ficar preparado para o custo extra que isso vai significar.

Para trazer seu bichinho pra cá as regras são iguais em praticamente toda a União Européia. Você vai precisar começar todo o processo com uns 5 meses de antecedência, então se estiver planejando vir com os bichos, comece a ler detalhes dos requisitos o quanto antes. Você vai precisar colocar microchip no bichinho, vacinar contra raiva, fazer sorologia, tirar um certificado com um veterinário, tirar um passaporte para trânsito de cães e gatos e tirar um Certificado Zoossanitário Internacional (tem que ir pra São Paulo pra fazer isso). Todas essas coisas tem momentos específicos para serem feitas, tipo 10 dias antes, entre 30 e 40 dias antes, etc, etc. Por isso você precisa se planejar nos mínimos detalhes.

Além dessas documentações, você precisa, claro, ver todos os detalhes com a companhia aérea, reservar a passagem, pagar a taxa extra, comprar as caixas de transporte para o seu animal, etc etc. Esse post nesse blog aqui explica muuuito detalhadamente tudo o que a autora fez, passo a passo, para trazer dois cães para a Alemanha. Ela dá dicas em relação à companhia aérea, dá todos os detalhes das documentações e como consegui-las, custos, tudo o que você precisa saber. Mas, claro, como é um post num blog, ele pode estar desatualizado, ou vir a ficar desatualizado. Nesse link tem algumas informações do Ministério da Agricultura sobre a documentação necessária para levar animais domésticos para a União Européia. Mas, óbvio, não deixe de pesquisar informações oficiais atualizadas, e confirmar por telefone com as autoridades necessárias para ter certeza que você realmente não deixou nada escapar. Se você chegar aqui sem a documentação correta, seu bichinho poderá ficar em quarentena no aeroporto, ser enviado de volta ou ser sacrificado. Não corra esse risco!

Para levar o bichinho daqui para o Brasil é um pouco mais simples porque não é necessário fazer a sorologia para checar a presença de anticorpos contra raiva. E essa sorologia no outro caso precisa ser feita certo tempo depois da vacina e antes da viagem, e é o que acaba fazendo o processo ser tão demorado. Para levar da Alemanha para o Brasil, você vai precisar do chip, da vacina, do passaporte e dos certificados, validados no consulado brasileiro. Mais detalhes aqui, ou no site do consulado mais próximo de você ou da Embaixada em Berlim.


(Publicado em 25 de Março de 2015)