berliner

Um detalhe sobre o Carnaval

No ano passado eu escrevi um post sobre o famoso Carnaval de Colônia, o maior e mais tradicional da Alemanha.

Aqui em Dresden não se comemora muito o carnaval, mas uma coisinha ou outra acontece. A principal comemoração são as crianças que fazem, nas escolas. Aqui não é feriado no carnaval (só em Colônia) então nesses dias, especialmente hoje, terça-feira, as crianças vão fantasiadas pra escola.

Mas é bem comum comer sonho (Pfannkuchen ou Berliner, fiz um post só sobre esse doce aqui) nessa época do ano, particularmente nesses dias de carnaval. Sexta, segunda e hoje tinha uma enorme caixa de sonhos na cozinha do escritório pra todo mundo. Sexta e segunda as caixas ficaram lá abertas para quem quisesse pegar um sonho. Hoje, porém tinham duas caixas enormes de sonhos, fechadas, e pouco antes do almoço a gente se juntou na cozinha para tomar um copo de champagne (pra comemorar o carnaval?) e comer os sonhos. E aí que eu descobri uma outra “tradição” dessa época. Na caixa tinha um único sonho “falso”. Em vez de ser recheado com geléia ou creme, como os outros, ele estava recheado com mostarda!! Aparentemente isso é uma brincadeira típica do Carnaval, de todo mundo comer os sonhos juntos e aí um deles ser “falso” e essa pessoa tem que fazer a limpeza depois. Sorte que eu não peguei o sonho com mostarda, não ia ter entendido nada de porque tinha mostarda no sonho, lol.

Berliner_und_Faschingsbrezeln

Mas não se preocupe, pelo menos no nosso caso a pessoa que pegou o sonho com mostarda pôde substitui-lo por um gostoso com geléia.

Ok, esse post ficou meio curto, mas é porque de fato não tem muito o que falar sobre carnaval quando se mora em Dresden.


(Publicado em 9 de Fevereiro de 2016)

 

Berliner

Existe um doce típico na Alemanha durante a época do Carnaval (de Novembro a Fevereiro/Março) que se parece com os nossos sonhos (sonho o doce que vende na padaria, não os sonhos da sua vida e tal).

No oeste da Alemanha, esse doce é conhecido como Berliner, que significa berlinense. Em Berlim e no leste da Alemanha, ele é conhecido como Pfannkuchen, que no oeste é a palavra para panqueca (a palavra pra panqueca no leste é Eierkuchen, ou “torta de ovos”).

Pfannkuchen ou Berliner, o doce é o mesmo. É uma massa frita como a do sonho, só que ao invés do recheio de creme duvidoso, aqui o recheio é de geléias diversas. O Berliner mais típico tem essa cara:

„Berliner-Pfannkuchen“ by User Rainer Zenz on de.wikipedia - Own work

„Berliner-Pfannkuchen“ by User Rainer Zenz on de.wikipedia – Own work

Mas é comum encontrar também os com açúcar derretido, que são ainda mais deliciosos:

„Berliner mit Zuckerguss-01“ by boerge30 - day 141 #tasskaff365 at flickr.

„Berliner mit Zuckerguss-01“ by boerge30 – day 141 #tasskaff365 at flickr.

A semelhança com os nossos sonhos parece que não é coincidência. Eles descendem das Bolas de Berlim, que são a versão portuguesa dos Berliner. Com a diferença que ao invés da geléia, tem o creme duvidoso de recheio.

Os Berliner com açúcar são os mais comuns, mas nessa época do ano você pode encontrar diversas variações nas padarias, incluindo versões com chocolate ou coisas coloridas:

„Berliner Pfannkuchen in Stuttgart“ by Dr. Bernd Gross - Own work.

„Berliner Pfannkuchen in Stuttgart“ by Dr. Bernd Gross – Own work.

Uma curiosidade final sobre o Berliner. Existe uma história de que o John F. Kennedy, ao fazer o seu famoso discurso em Berlim em 1963, que na sua famosa frase “Ich bin ein Berliner” (eu sou berlinense), ele teria cometido o erro de colocar o artigo, quando o correto seria “Ich bin Berliner“, e portanto o significado teria sido “eu sou um sonho [o doce]” e não “eu sou berlinense”. A frase que ele disse na verdade estava correta (tem toda uma explicação gramatical no Wikipedia), mas o equívoco de que ele teria dito “eu sou um sonho” ao invés de “eu sou berlinense”, e conseqüentemente virado piada em Berlim, ficou bem famoso (e além da frase que ele disse estar correta, como já mencionado em Berlim o doce Berliner é chamado Pfannkuchen, e não Berliner).


(Publicado em 22 de fevereiro de 2015)