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Ciclovias de longa distância

Há duas semanas atrás fizemos uma atividade nova para a gente (ou melhor, pra mim), mas bem comum entre os alemães: Um tour de longa distância de bicicleta! Pedalamos 60km, de um local na Böhmische Schweiz (o lado tcheco da Sächsische Schweiz) até em casa, em Dresden. A pedalada demorou 5 horas (contando três paradas de aproximadamente 20 min) e foi uma das coisas mais legais que eu já fiz por aqui: o caminho ao longo do vale do rio Elba é super cênico e o sentimento de missão cumprida ao chegar em casa depois de 60km na bike é ótimo.

O mais legal é que pela Alemanha há diversas ciclovias de longa distância, de maneira que se você for dessas pessoas ativas que gosta de pedalar por horas a fio, não vai precisar se arriscar pedalando do lado de carros há 120km/h. (Fora que nenhuma auto-estrada é assim nossa, que lugar bonito!)

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A ciclovia em que pedalamos, que cruza a Sächsische Schweiz, chama-se Elberadweg. Como diz o nome, é uma ciclova ao longo do rio Elba, mas o mais impressionante: ao longo de TODA a sua extensão!! Um total de 1260km de ciclovia, muitas vezes dupla (duas ciclovias, uma em cada margem do rio), começando na nascente do rio Elba, na República Tcheca, passando por Praga, pelas paisagens maravilhosas da Sächsische Schweiz, por Dresden, Meißen, Dessau, Magdeburg, Hamburgo e terminando na foz do Elba no Mar do Norte, quase na Dinamarca! Perto desse total, nosso tour de míseros 60km ficou até sem graça!

mapa Elberadweg

Mas ter uma ciclovia dessas na porta de casa é realmente um privilégio pra quem gosta de pedalar. Mesmo percorrendo um pequeno trecho você já vai cruzar pequenos e bucólicos vilarejos, campos, florestas, passar por castelos, maravilhosas montanhas (vistas do vale do rio, claro) e grandes cidades. É um caminho extremamente cênico.

E bastante conveniente é ser uma ciclovia ao longo de um rio, o que significa que ela é relativamente plana a maior parte do percurso. Principalmente se você escolhe descer o rio (ou seja, em direção a Hamburgo), não haverá longas e difíceis subidas.

E porque na Alemanha não poderia ser diferente, é claro que tem um site do Elberadweg com mil informações super detalhadas do percurso todo incluindo mapa interativo, pontos de interesse ao longo do percurso como biker-friendly hotéis, pensões, restaurantes e cafés, além de pontos turísticos, etcetcetc. Dá pra planejar todo o seu passeio, tirar um mês de férias e percorrer a ciclovia completa, parando nos diversos pontos interessantes pelo caminho!

Para terminar, ficam algumas fotos da região do nosso passeio!


Leia também os outros posts com o tema bikes!

Pedalando na Alemanha 1 – Onde e para quem
Pedalando na Alemanha 2 – Quando pedalar e onde estacionar
Pedalando na Alemanha 3 – Com chuva e carga
Bikes para alugar
Bicicletas e polícia


(Publicado em 04 de Agosto de 2018)

Bicicletas e a polícia

O que tem uma coisa a ver com a outra, você está se perguntando?

Eu já escrevi vários posts sobre pedalar na Alemanha (esse, esse também, mais esse, esse aqui e esse outro), mas recentemente, passei por três situações diferentes que eu achei que calhariam contar no blog, e talvez combinem bem num post. Um post sobre bicicletas e a polícia.

Como eu já devo ter mencionado em algum dos outros posts sobre bicicletas, é obrigatório para ciclistas terem farol na frente e atrás da bike a noite. Isso não é novidade, nem diferente: no Brasil é obrigatório também. Mas desde que eu cheguei me avisaram que por aqui isso é levado a sério e você pode mesmo ser parado pela polícia e multado se seu farol não estiver funcionando. Então eu sempre me certifiquei que as luzes estavam em ordem, mas nunca tinha me acontecido de me pararem ou de ver algum policial parando ciclistas sem farol. Até outro dia.

O meu farol dianteiro tinha queimado, e eu demorei um pouco pra trocar porque era verão e só escurecia depois das 21h, e normalmente esse horário eu já tinha voltado pra casa. Alguns dias aconteceu de eu voltar depois de escurecer, e eu super preocupada com o farol, olhando ansiosa pra cada carro de polícia que passava achando que eles poderiam me parar e me multar a qualquer momento. Mas não aconteceu nada e eventualmente eu comprei uma lâmpada nova, troquei, e tudo bem.

Só que o fio que liga a lâmpada à roda (é daqueles faróis que acendem com a energia produzida pela roda) estava (ainda está) meio com mal contato e às vezes o farol apaga e eu preciso dar uma mexidinha de leve no fio para ele voltar a acender. Lógico que a única vez na vida que eu passei por um policial parando bicicletas foi num desses momentos em que o farol apagou por causa do mal-contato do fio.

O policial estava numa esquina fazendo justamente isso: olhando as bicicletas que passavam e parando aquelas que estavam irregulares por um motivo ou outro. Ele me parou e perguntou se eu sabia que o farol da frente não estava funcionando. Eu respondi que estava sim, era só um mal-contato que fazia com que ele apagasse de vez em quando. Lógico que quando testamos – ele segurou a bicicleta e eu girei o pedal pra ligar o farol – não funcionou. Testamos umas 20 vezes e nada… E eu insistindo “não, mas eu troquei na semana passada, é só um mal-contato, eu tenho certeza que está funcionando, não pode ser!!”
Aí ele foi checar a de trás e LÓGICO que nessa situação o farol de trás TAMBÉM resolveu não funcionar. Por que, né, seria muito fácil se tudo funcionasse como devia. E o policial falando “mas como assim, uma bicicleta tão nova e você não troca o farol… não pode, é perigoso, bláblá…” “Mas eu troquei, eu juro que está funcionando!!”.

Ele falou que a multa para cada farol que não estava funcionando era 10 euros, e eu teria que voltar empurrando a bicicleta… Aí, inconformada com os faróis, eu falei que ia dar uma volta ali na esquina num círculo pra ver se funcionava. Pronto, foi só pedalar de verdade que os dois faróis voltaram a acender… Ele deu ok, e eu fui embora bem aliviada, que os 20 euros teriam feito falta.

Então taí, eles fiscalizam mesmo. Na ocasião era no final do verão, quando começa a escurecer mais cedo, e já é mais freqüente que as pessoas pedalem a noite também. Então acho que nessa época eles fiscalizam com mais freqüência, até pra algumas pessoas multadas servirem de exemplo pra todo mundo ir consertar logo seus faróis antes do outono e inverno, quando escurece beeeem mais cedo.

Primeira dica: não ande a noite sem faróis.

A segunda experiência com bicicletas e a polícia foi um pouco menos feliz. Eu estava outro dia saindo tranquilamente da biblioteca quando encontrei um amigo – também brasileiro – meio sem saber o que fazer: a bicicleta dele tinha sido roubada, ali na frente da biblioteca. Era uma bicicleta super boa que ele tinha trazido do Brasil, achando que aqui poderia usá-la tranquilamente sem medo de roubo… só que não.

Ligamos para a polícia, que nos disse que teríamos que fazer um B.O. ou online ou numa delegacia. Foi até bem fácil fazer o B.O. no site da polícia, apesar de que precisamos de uma ajudinha alemã pra entender tudo o que estava sendo perguntado no formulário. Coisas importantes que eles perguntam: uma descrição da bicicleta – se você tiver foto melhor ainda; algum número de registro (tipo um número do chassi pra bicicletas, que fica gravado em algum lugar do quadro, costuma ter nas bicicletas daqui, imagino que nas do Brasil também); e se você tem um documento que comprove a compra da bicicleta. Isso é um detalhe que se você comprou uma bicicleta usada, meio tosca, você certamente não tem, e eu acho que se eles encontrarem a bicicleta roubada mas você não puder provar que é sua porque não tem esse documento de compra, suspeito que eles não devolvem ela pra você, não…

Então se você comprar uma bicicleta nova, ou semi-nova, boa e cara, certifique-se de guardar ou exigir o documento de compra pra poder provar que ela é sua!

Então segunda dica: cuidado onde você deixa sua bicicleta, se ela for boa vale a pena investir num cadeado mais seguro. Os melhores que tem aqui, pelo que eu sei, são esses assim:

ou assim:

E são super caros, por volta de uns 80 euros por um cadeado bom. E mesmo assim, não deixe sua bike em locais com pouca visibilidade e com pouco movimento (ou use uma toscona qualquer que se roubarem tudo bem).

A terceira experiência com bicicletas e as autoridades (dessa vez não foi a polícia) aconteceu no fim de semana passado. Eu deixei a bicicleta de manhã na estação de trem, e voltei para buscá-la a noite. Quando cheguei, tinha o seguinte adesivo na minha bicicleta:

2015-09-29 14.45.18

Na verdade ele não tinha sido colocado na minha bicicleta mas em alguma outra do lado, e a pessoa quando buscou tirou o adesivo e jogou na minha bicicleta. É um adesivo da prefeitura, e está dizendo a bicicleta já está lá há vários dias, e não é permitido deixar sua bicicleta em locais públicos por tempo indefinido. O aviso informa que se você não retirar a sua bicicleta até dia 8 de outubro, eles vão “guinchar” a bicicleta e aí você (se quiser buscar a bicicleta na prefeitura depois) terá que pagar uma taxa pelo trabalho deles de quebrar o cadeado, retirar a bicicleta e guardá-la até você ir lá buscar. Está marcado com a data de 15 de setembro, então eles te dão umas três semanas pra descobrir esse aviso lá na sua bicicleta e retirá-la, bastante tempo. O adesivo é de plástico pra não estragar na chuva e dessa cor agradável pra você ver bem de longe. Eu olhei as outras bicicletas paradas por ali e algumas outras tinham esses adesivos colados no quadro.

Como era na estação de trem, devem ter várias pessoas que deixam a bike lá e vão viajar e voltam sabe-se lá quando, e tal. O que eu não sei é como que a prefeitura consegue controlar quais bicicletas já estão lá há muito tempo e devem receber avisos pra retirar… Será que eles fotografam o local e chegam de tantos em tantos dias? Me parece tanto trabalho…

Então, terceira e última dica: não deixe sua bicicleta por muitos dias seguidos num local público.

E isso. Bicicletas dão vários posts mesmo.