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Viajando pela Alemanha – Atualizado

Em Março de 2013, no comecinho da vida deste ilustre blog (que hoje completa exatamente 4 anos de idade), eu escrevi um post sobre como viajar pela Alemanha.

Naquela época a maior parte das viagens a gente fazia com Mitfahrgelegenheit – esquemas de caronas pagas combinadas pela internet. Viagens de trem eram super caras e as companhias de ônibus estavam apenas começando a existir.

Citando um trechinho do post: “Até pouquíssimo tempo atrás, não tinha nenhuma empresa fazendo conexões rodoviárias entre cidades alemãs, nem era permitido. Existia uma lei que proibia conexões rodoviárias de longa distância, com a intenção de manter o monopólio dessa viagens com a Deutsche Bahn, a empresa ferroviária, que é estatal. Não sei detalhes da história, mas recentemente essa lei mudou, e a partir do início de 2013 algumas empresas já começaram a oferecer viagens de ônibus. Os preços são melhores que os trens, então quem sabe a competição não faça com que os preços dos trens caiam também.”

Realmente de lá pra cá as coisas mudaram bastante, e principalmente por causa dessa mudança na lei. Então vale a pena um post atualizado sobre o assunto. Em 2013 várias empresas de ônibus começaram a aparecer aos poucos oferecendo cada vez mais possibilidades de trechos e horários. As passagens de ônibus costumam ser muito baratas. A conexão que eu faço com mais freqüência de ônibus – Dresden-Berlim – costuma custar tão somente 6 euros. O percurso é relativamente rápido, entre 2h e 2h30 dependendo da estação em que você subir e descer. Nos primeiros anos depois da mudança tinham várias companhias oferecendo o mesmo percurso. Mas elas foram se fundindo (uma foi comprando as outras) e agora a companhia principal é o Flixbus. No começo eles faziam viagens só dentro da Alemanha, mas agora já dá pra ir quase pra qualquer lugar da Europa.

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Conexões do Flixbus

Só que ônibus acaba só valendo a pena para ir para locais não muito distantes. Com essas conexões todas, qualquer ônibus que você pega vai quase sempre parando em várias cidadezinhas no caminho, o que deixa a viagem muuuuito longa. O trem raramente precisa desviar do caminho pra parar numa estação em uma cidade qualquer, porque normalmente a estação já está no caminho do trem. Mas o ônibus tem que sair da estrada, entrar na cidade – onde tem semáforo e limite de velocidade – e essas paradas acabam fazendo você perder muuuuito tempo. O percurso mais longo que fizemos de ônibus até agora foi daqui de Dresden até Viena, 6 horas de viagem (480km) parando só em Praga no meio do caminho. Foi relativamente tranquilo. Mas para ir por exemplo para Colônia (580km) demora 9 horas de ônibus. Vai parando em várias cidades no meio do caminho… acaba nem valendo a pena, de trem demora menos de 6h!

Mas e os preços do trem? Isso é outra coisa que mudou muito do post antigo pra cá. As passagens de trem costumavam ser sempre muito caras. De Dresden pra Colônia, por exemplo (é um percurso que eu faço com freqüência também) a gente costumava pagar pelo menos 70 euros cada trecho. Hoje tem umas promoções de passagens por 29 ou 19 euros, e se você tiver uma relativa flexibilidade de data e comprar as passagens com antecedência, você quase sempre encontra as passagens com promoção. Nos últimos 2 ou 3 anos a gente passou a viajar muito mais frequentemente de trem, e foram pouquíssimos os casos em que não conseguimos uma passagem na promoção. A última passagem que compramos que foi mais cara que isso foi uma para dois dias antes do Natal. Custou por volta de 70 euros, e se tivéssemos comprado para o dia anterior, teríamos pago 24! Mas não tinha como não ir trabalhar naquele um dia, então não teve jeito… Então com um pouco de flexibilidade e antecedência, hoje em dia você sempre acha passagens de trem pagáveis.

Além disso, se você pega trens com relativa freqüência você pode ainda comprar um cartão de desconto. Tem um que dá desconto de 25% sobre quaquer passagem, 50% ou até 100%! A gente tem o Bahncard 25, de 25% de desconto, que é o ideal para quem viaja ocasionalmente. A gente costuma pegar trem umas 4 vezes por ano, e já vale a pena, já que o cartão custa só 60 euros. Além de ser barato, tooooda hora tem umas promoções de compre um bahncard 25 e ganhe outro de graça, ou teste o Bahncard 25 por 3 meses de graça, etc.

O de 50% de desconto já é para pessoas que viajam com bastante freqüência, já que custa 255 euros. E o de 100% de desconto é mais para firmas comprarem para empregados que precisam todo dia ir para uma cidade diferente a trabalho, porque custa 4.200 euros! Mas se você trabalhar para a Deutsche Bahn você tem o Bahncard 100, parte dos benefícios!

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Com essas facilidades todas de trens e ônibus, acabou ficando bem raro pra gente usar a Mitfahrgelegenheit. Basicamente para cidades próximas – como Berlim – nós vamos de ônibus, e cidades mais distantes, de trem.

Há também outros aspectos que vale a pena comparar entre trem e ônibus, além do preço e tempo de viagem:

Viajar de trem é beeeem mais confortável que de ônibus. Tem restaurante no trem, você pode sempre levantar e dar uma volta pra esticar as pernas, passa uma pessoa vendendo café… se você, que nem eu, às vezes passa mal em viagem, o trem com certeza é melhor que ônibus…

Outra vantagem do trem é que dá pra reservar lugar. O Flixbus não tem lugares reservados o que é péssimo não só pelo risco de você não conseguir sentar com a pessoa que está viajando com você – caso o ônibus esteja muito cheio – mas também pela confusão que fica na hora de entrar no ônibus, todo mundo no desespero de ser o primeiro a entrar pra pegar lugares juntos… E se você pega o ônibus numa estação intermediária, às vezes ele já chega cheio… No trem dá para reservar lugar (nos ICs e ICEs, nos trens regionais não dá), mas você paga extra: 4,50 por viagem. A gente quase sempre reserva porque você pode realmente correr o risco de viajar de pé. Já isso é uma desvantagem do trem: no ônibus eles não podem vender mais passagens que assentos, então você com certeza vai sentado. Mas no trem pode, e tem vezes que fica realmente realmente cheio. Viajar de pé ninguém merece… Então por via das dúvidas a gente sempre reserva lugar.

Também vantajoso nos trens é que os funcionários da Deutsche Bahn costumam ser simpáticos (há, claro, exceções). No Flixbus, motoristas simpáticos é que são exceção… e meu deus, às vezes são umas pessoas realmente MUITO grossas.

Um ponto que costumava ser vantajoso em viajar de ônibus era que tem Wi-Fi grátis. Ainda tem, mas agora tem nos trens também (demorou!). E em ambos tem tomadas do lado de cada assento.

Acho que é isso!

Aqui nesse post eu falei mais sobre trens e estações, como funciona tudo direitinho. Vale a pena se você está só viajando por aqui e não fala alemão, tem umas boas dicas para você não perder seu trem! 🙂


(Publicado em 16 de Março de 2017)

Viajando pela Alemanha

Para continuar no tema estradas, achei que seria legal escrever um pouco sobre como as pessoas viajam de um lugar para outro na Alemanha.

Bom, basicamente, como em quase qualquer outro lugar, as opções são quatro: Carro, ônibus, trem e avião.

Vou deixar avião de lado que, convenhamos, comprar passagem de avião para ir de um lugar para outro num país um pouco maior que o estado de São Paulo é totalmente insustentável, não façam essas coisas.

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A opção provavelmente mais comum na Alemanha e na Europa, é, claro, ir de trem. Os trens aqui são super confortáveis, mesmo os mais baratos, e te levam para quase qualquer cidade que apareça no mapa. O serviço é, no geral, bem confiável. Às vezes quando neva demais os trens não andam, mas normalmente você não terá problemas. Os alemães te dirão que os trens aqui são super atrasados, nunca chegam no horário, sei lá o quê, etc e tal. Maior mentira. São super pontuais. Foram poucas as ocasiões que vi atrasos. Mas, pra quem adora chegar no horário, um atraso de 5 minutos a cada 20 viagens é tipo caos ferroviário, fujam para a Noruega!

As passagens de trem, no entanto, não são nenhuma pechincha. Viajando, digamos, de Berlim até Colônia, você vai pagar 70 euros, se comprar com antecedência. Se deixar para a última hora, 120 euros. Reservar com antecedência portanto é importante: até 3 dias antes da viagem, o preço é um. Menos de 3 dias, o preço praticamente dobra!

E é sempre um desafio encontrar a opção mais barata. Normalmente tem várias opções diferentes, trens regionais, intercity, eurocity, etcetc, cada um com preço e tempo de viagem diferentes. Aos fins de semana, passagens que valem o dia inteiro para grupos de até 5 pessoas te permitem passear num mesmo estado por um preço bem razoável. Mas as opções são infinitas e às vezes você se enrosca na maquininha da estação para achar a melhor oferta. Na dúvida, melhor perguntar.

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O site das ferrovias alemãs, onde você pode procurar as melhores conexões é o bahn.de .

Uma segunda opção é viajar de ônibus. Até pouquíssimo tempo atrás, não tinha nenhuma empresa fazendo conexões rodoviárias entre cidades alemãs, nem era permitido. Existia uma lei que proibia conexões rodoviárias de longa distância, com a intenção de manter o monopólio dessa viagens com a Deutsche Bahn, a empresa ferroviária, que é estatal. Não sei detalhes da história, mas recentemente essa lei mudou, e a partir do início de 2013 algumas empresas já começaram a oferecer viagens de ônibus. Os preços são melhores que os trens, então quem sabe a competição não faça com que os preços dos trens caiam também.

Finalmente, a outra opção é ir de carro. E agora a super supimpa surpresa… você não precisa ter um carro e nem mesmo alugar um!

Existe um site, por aqui, onde você pode combinar caronas. E é usado com muita freqüência, então você sempre acha ofertas de pessoas fazendo o mesmo percurso que você. Aqui as pessoas tem mais confiança, e claro, o país é mais seguro, então é super normal oferecer o espaço extra do seu carro pela internet ou viajar no carro de desconhecidos. E sai bem mais em conta que o trem.

Comparando com os preços que citei antes, de Berlim para Colônia as ofertas variam de 25 a 30 euros. Menos da metade do preço do trem comprado com antecedência. E para essas conexões mais importantes, entre cidades grandes, você pode procurar ofertas no dia anterior que sempre tem gente suficiente fazendo aquele percurso.

As ofertas costumam especificar a data e horário planejados para a saída da cidade de origem, o percurso pretendido (com mapinha e tudo), e detalhes sobre o carro (para você saber se é um carro apertado ou espaçoso) e sobre o motorista (se é fumante ou não, se está levando alguma coisa particular (um gato, digamos) ou também detalhes como “costumo dirigir rápido!” “Vamos com calma, preferimos segurança à pressa”.

Achando uma oferta que lhe seja conveniente, você liga para a pessoa, combina o local de saída (normalmente a estação central da cidade, ou algum ponto estratégico), e avisa a quantidade de bagagem que você tem pra levar. E pronto!

Os alemães, como qualquer grupo de pessoas em qualquer lugar do mundo, têm qualidades e defeitos. Uma qualidade fácil de apontar, inegável, e bem exemplar, é que no geral eles são super honestos. Então essas coisas combinadas pela internet com desconhecidos costuma funcionar super bem. Já viajei bastante assim e recomendo, é a opção mais rápida e mais barata. E já viajei com meninas de colegial cruzando o país sozinhas com motoristas completamente desconhecidos, então dá pra dizer que o país é seguro, mesmo. Mas, claro, sem falar alemão fica difícil combinar, tem que dar sorte da pessoa saber falar inglês. Em todo caso, o site onde você pode procurar e oferecer caronas é o mitfahrgelegenheit.de . Mirfahrgelegenheit significa opções de carona.

Uma particularidade das estradas, é que tem paradas só para banheiro. Assim, uma parada no meio da estrada só com banheiros, mais nada, nem restaurante, nem posto de gasolina, nem nada. Só banheiro. E pasmem: Cheirosinho e com papel!


(Publicado em 20 de Março de 2013)