coisas diferentes

Pequenas denúncias

Esse post de título um tanto enigmático me deu na telha de escrever na semana passada, ao comprar uma água. E é sobre pequenas coisas, pequenos detalhes, que te denunciam como estrangeiro na Alemanha. Não coisas grandes como erros gramaticais ou pronúncia da língua. Coisinhas pequenas, não necessariamente erradas, discretas, porém que nenhum alemão jamais faria ou expressaria dessa maneira.

Quem já viu o filme Bastardos Inglórios vai lembrar bem da cena em que o espião americano infiltrado entre os nazistas é descoberto ao pedir duas cervejas num bar, mostrando o dedo indicador e o do meio. Os alemães contam nos dedos começando com o dedão, então “dois”, na linguagem dedística alemã, seria levantar o dedão e o indicador. Se você, como a pessoa normal que é, levantar o dedo indicador e o do meio para indicar dois: ! Estrangeiro!

Então aqui vão outras coisinhas que poderiam resultar na sua execução imediata se você fosse um espião estrangeiro infiltrado entre os nazistas em 1940.

1. Volume de bebida
A história da água foi que eu pedi ontem uma garrafa de água no subway, e quando a pessoa do caixa me perguntou qual tamanho, eu distraidamente respondi “A pequena, de 500”. 500 mL, claro. Na Brasil a gente fala de tamanho das bebidas em mL. 300, 500, 700. Só a partir de 1L qua a gente passa pra litros. Mas aqui  na Alemanha é tudo sempre em Litros. 0,3, 0,5, 0,7. A resposta certa no caso da água teria sido “null komma fünf“, “zero vírgula cinco” (ou só “komma fünf“). Todo mundo entende se você fala em mL, claro, mas nenhum alemão jamais responderia àquela pergunta com “fünfhundert“. Jamé.

2. Emails
Duas pequenezas em emails eu descobri outro dia que eram diferentes. São pequenezas tão discretas que eu nunca teria notado. Mas provavelmente os alemães que receberam emails escritos por mim notaram. Quando você escreve um email (ou carta) em português, é algo assim:

“Caro Sr. Fulano de Tal,

Como conversamos por telefone, envio em anexo o documento xyz, etc.

Atenciosamente,
Eu Mesmo da Silva”

Se a gente seguisse a mesma regra que os alemães, essa mesma carta seria assim:

Caro Sr. Fulano de Tal,

como conversamos por telefone, envio em anexo o documento xyz, etc.

Atenciosamente
Eu Mesmo da Silva

Sacou a diferença? São duas. A mais importante e mais denunciativa é a primeira: aqui você sempre começa o email com letra minúscula (depois do “Caro fulano”, que aliás em alemão seria “Sehr geehrte(r) xyz). O motivo faz sentido: A frase começou com “Caro fulano, xxx”, não tem porquê colocar maiúscula depois da vírgula. Mas por algum motivo misterioso em português e em inglês se faz assim em emails e cartas. A segunda diferença não é tão determinante. Entre o “Atenciosamente” (em alemão você escreveria “Mit Freundlichen Grüßen“) e o seu nome, os alemães não costumam colocar vírgula. Mas não é uma regra tão definitiva: às vezes eles também colocam uma vírgula.

3. Futebol
Duas grandes pequenas diferenças existem entre nós e os alemães ao falar de futebol. A primeira é a contagem do tempo. No Brasil a gente conta em duas vezes de quarenta e cinco minutos. Então se alguém chega e te pergunta “E o jogo? Tá onde?”, você responderia algo como “30 minutos do segundo tempo”. Na Alemanha, a resposta seria “75 minutos”. O jogo é contado em 90 minutos, não duas vezes de 45. Então se você fala em algum minuto do 0 ao 45, você com certeza está se referindo ao primeiro tempo. A expressão “aos quarenta e cinco do segundo tempo” não faria sentido aqui.
Outra diferença (embora essa seja mais algo que denunciaria um alemão no Brasil que o contrário) é a contagem dos gols. No Brasil a gente sempre coloca quem tem mais gols primeiro. Por exemplo: “O jogo ficou sete a um pra Alemanha”. Na Alemanha você fala os gols do time da casa primeiro. “O jogo ficou um a sete.” é certamente algo que você nunca disse em português.

Talvez agora você esteja prestes a escrever um comentário perguntando a mesma coisa que eu perguntei pro marido alemão quando conversamos sobre esse assunto: como faz quando não tem time da casa? E se for, digamos, Marrocos x Japão jogando no Uruguai? A resposta foi: ¯\_(ツ)_/¯. Bom, tem sempre uma regra pra qual time é o time da casa mesmo nesses campeonatos internacionais, no sentido de qual time tem que trocar de roupa se os uniformes forem da mesma cor, né. Mas sei lá se tem toda essa preocupação em ser específico. Acho que colocar o número maior na frente e dizer quem ganhou (ou está ganhando) faz mais sentido e os alemães podiam pensar em adotar essa regra simples, ficadica.

4. Casaco
Dois compartamentos referentes a casacos te denunciariam imediatamente como estrangeiro (de país onde não faz frio) na Alemanha.

A primeira é andar por aí no frio com o casaco aberto. Algo que não faz nenhum sentido lógico: o casaco serve pra isolar seu corpo do frio, pra ele não perder calor. Não funciona se o casaco estiver aberto. Mas no Brasil, como quase não faz frio, a gente praticamente nem têm casacos que isolam, então efetivamente tanto faz se o casaco está aberto ou fechado. Daí a gente chega bobo no país frio durante o inverno e demora uns tempos pra descobrir que casaco de inverno só funciona quando fecha o zíper.

A outra coisa sobre casacos é que, como os interiores dos edifícios são aquecidos, as pessoas tiram o casaco ao entrar em qualquer lugar. É meio que a reação direta e automática a entrar num local: tirar o casaco. Só que no Brasil a gente usa o casaco o dia inteiro, dentro de casa e do escritório e do restaurante e de todos os lugares, já que costuma estar a mesma temperatura dentro e fora. Então a gente não tem esse costume de imediatamente tirar o casaco ao entrar num local, e às vezes fica lá distraído de boas no seu casaco. Os alemães acham isso meeeeega estranho, a ponto de chamar a atenção que alguém esteja usando casaco sem estar lá fora.

5. Meio Pãozinho
Digamos que eu te dê um pãozinho, um pãozinho normal, pão francês, e te peça pra cortar ao meio e me dar metade e comer a outra metade. Em que eixo do pãozinho você vai cortá-lo? Provavelmente você vai cortá-lo assim:

paozinho

Dê o pãozinho a um alemão e peça para ele cortá-lo ao meio para comer só metade e em 100% dos casos o pãozinho será cortado neste eixo:

paozinho

No Brasil, a gente só corta o pãozinho no lado maior quando a gente vai fazer um sanduíche, e comer as duas metades ao mesmo tempo, fechadas. Se for pra comer só metade e dar a outra metade pra outra pessoa ou devolver pro saquinho de pão, o pãozinho será cortado no eixo menor. Aqui, se um alemão concordar em dividir um pãozinho com você e você cortar o mesmo no lado menor pode ter certeza que o alemão vai te olhar como se você tivesse feito a coisa mais estranha e inesperada que ele já presenciou em sua vida!

Aliás já que estamos falando de pãozinho, uma dica pra você não cometer um erro que eu cometo regularmente, inclusive hoje mesmo na hora do almoço: Se você disser para um alemão te trazer uns pãezinhos da padaria, lembre-se de especificar que você quer pãezinhos brancos, aqui conhecidos como “Kleinbrötchen” (entre outros nomes possíveis). Se você quiser o pãozinho da imagem acima, tem que ser específico. Se você disser simplesmente “traz um pãozinho”, vai vir qualquer coisa menos pão branco. Se forem vários vai ser uma variação de pães diversos em que uns 10% a 20% serão pãezinhos brancos. Então se você quiser só pãezinhos brancos, seja específico. Se você for passar a noite na casa de alguém e a pessoa combinar um horário pra tomar café na manhã seguinte (sim, eles vão combinar um horário específico pra se “encontrar” pro café da manhã) e a pessoa te perguntar se você tem alguma preferência pro café, quantos pãezinhos você come, e tal: lembre-se de especificar que você só come pãezinhos brancos (se for o caso), se não é capaz de não ter um único pãozinho francês na seleção de 20 pãezinhos que seu anfitrião colocar na mesa do café no dia seguinte.

É isso! Daria pra escrever sobre mil outras coisinhas, mas deu pra dar uma ideia…


(Publicado em 22 de Agosto de 2017)

Objetos que não existem no Brasil

O post anterior foi sobre objetos típicos do dia-a-dia brasileiro que não existem ou são incomuns na Alemanha. Inevitavelmente terá que seguir um post sobre objetos típicos do dia-a-dia alemão que não existem no Brasil! E é esse!

Lembrando (porque lógico que sempre aparece alguém comentando “ah, mas isso tem, awawa, só é incomum”), sim, a maioria desses objetos existem no Brasil, só são incomuns. Foi isso que eu quis dizer com “objetos do dia a dia que não existem ou são incomuns”. OK, BORA:

1 – Pasta com furinho

2017-02-15-14-23-11

Se você procurar dessas pastas no Brasil você certamente acha, mas acalme-se, acalme-se, há um motivo para ela ser o primeiríssimo item dessa lista. Essa pasta é provavelmente O UM OBJETO MAIS COMUM na Alemanha. Tipo se você juntar todos os objetos existentes na Alemanha, essas pastas vão ser provavelmente assim uns 50%. Pelo menos. Os alemães adoram guardar papel, imprimir tudo o que possível, e eles sempre, SEMPRE, arquivam os papéis nessas pastas. Assim, não é uma coisa que bastante gente tem, mas alguns outros têm outros tipos de pastas e tal. Não, não. TODOS os alemães têm pelo menos 20 dessas pastas em casa. Se você é um leitor assíduo do meu blog você já tá sentindo aqui o repeteco, porque eu já desabafei sobre o amor alemão por essas pastas em uns 3 posts.

2 – Caderno quadriculado

whatsapp-image-2017-02-16-at-23-04-25

Ontem uma amiga que ficou um mês na Alemanha no ano passado perguntou se nesse post eu ia falar do caderno quadriculado. É claro que eu ia falar do caderno quadriculado. O caderno quadriculado é possivelmente o primeiro objeto curioso do dia-a-dia alemão que você nota morando aqui. Basicamente qualquer caderno, qualquer caderno bem simplão que você compra na papelaria da esquina, é quadriculado. Eu não sei bem porquê, mas os alemães só usam caderno quadriculado, gente! No Brasil caderno quadriculado era uma coisa muito específica que você comprava pra aula de matemática da terceira série, e só. Porque você usaria uma folha quadriculada pra escrever normal? Só atrapalha, gente. Não, não, caderno quadriculado, desculpa, não faz sentido isso não, Alemanha.

2017-02-16-23-07-31

3 – Chaleira elétrica

img_6937

Chaleira elétrica é um eletrodoméstico presente em todas e qualquer residência alemã. É uma coisa tão incrivelmente prática que eu não entendo como não é mais comum no Brasil. Tem pra vender, e não é nada inacessível, uma basicona de plástico que nem essa custa uns 50 reais. Mas por algum motivo as pessoas não estão acostumadas a usar. Recomendo, gente, comprem. Perguntei para alguns amigos se não é comum, mesmo, e a maioria respondeu que não mas um ou outro disse que é. Então talvez esteja ficando mais comum.

4 – Gaseificador de Água

img_6939

Outra presença quase imprecindível na morada germânica: um gaseificador de água. Já falei em outros posts, aqui default é tomar água com gás. Se você pede água sem especificar, te trazem água com gás. Então nada mais normal que ter um gaseificador de água em casa, claro. Até porque água se toma a da torneira, não é comum comprar água mineral.

5 – Tabuinhas de pão

img_6940

No Brasil normalmente a gente tem uma tábua: pra bater carne, cortar alguma coisa, etc. Aqui além das tábuas de cozinha, de cortar coisas, todo mundo têm essas tabuinhas pequenas e fininhas, que são pra comer pão. Os alemães comem pão de uma forma bem particular, na minha humilde opinião, que é nessas tabuinhas em vez de prato. Porque aí você usa pra cortar o pão (que aqui frequentemente são aqueles pães grandões que você corta em fatias) e o queijo (que eles frequentemente compram em blocos em vez de fatiado). Eu achava bem nada a ver comer numa tabuinha, mas acostumei!

6 – Essa “esponja” de louça:

2017-02-15-15-57-16

É a esponja default de lavar a louça. Lavar a louça, aliás, é uma coisa curiosamente diferente aqui na Alemanha. Eles lavam a louça fechando o ralo e enchendo a bacia de água, e aí lavam louça ali na água parada. Acho esquisitíssimo, não sei como faz pra lavar a louça assim. Desse e outros costumes alemães que eu não incorporei na minha vida eu falei nesse post aqui. Aliás, já que estamos falando de louça, os alemães sempre deixam a louça suja do lado da pia, nunca dentro. Tipo, do lado da bacia. Essa é uma eterna briga entre eu e meu namorado, eu acho que fica mó feio e mais bagunçado deixar do lado, ele se incomoda de deixar dentro pq às vezes ele quer usar a bacia pra, sei lá, lavar uma fruta, e aí não dá pq tá cheio de coisa dentro. E eu digo, ué, quer lavar a fruta e não tem espaço, que tal lavar as louças antes? Ou colocar na máquina de lavar louça (outro objeto bem comum nas casas alemãs, por sinal) (as vezes as louças estão na pia esperando a máquina ser esvaziada ou é alguma coisa que não pode colocar na máquina). Aliás esse problema da fruta, ou genericamente de usar a torneira quando tem louça na pia, não é um problema no Brasil porque as torneiras da pia da cozinha costumam ser super altas! Percebi isso na última vez que voltei pro Brasil, como parecia que a água voava por todo lado porque as torneiras eram tão altas! As torneiras aqui ficam mais perto da pia. Aí realmente não sobra espaço pra usar a torneira, se tiver louça na pia.

Agora a grande questão é: Será que as torneiras costumam ser mais altas no Brasil porque as pessoas costumam deixar as louças dentro da bacia e não fora, ou será que as pessoas aqui deixam as louças fora da bacia porque a torneira é baixa? Quem veio primeiro, a torneira ou a louça?

7 – Torneira com misturador em qualquer pia

2017-02-15-15-56-58

E já que estamos falando de torneira! Aqui todas as torneiras da casa têm misturador, ou seja, água quente e fria. Na pia da cozinha e na pia do banheiro sempre tem água quente também. Uma maravilha quando tá frio! Curiosamente, as máquinas de lavar roupa também usam água quente, o que é algo bem incomum no Brasil. Meu namorado ficou um tanto chocado quando fomos lavar roupa no Brasil e a máquina não tinha opção de lavar quente, rsrsrs. Ele achava que precisava lavar quente a todo o custo roupas como peças íntimas, ou panos sujos, coisas que você queira lavar bem lavado. Aqui os produtos de limpeza não costumam ser tão químicos como no Brasil, então talvez isso faça uma diferença, também.

8 – Interfone que abre porta

img_6932

Na verdade a diferença não é o interfone mas a ausência de porteiro nos prédios, né. No Brasil quase todos os prédios têm porteiro, então o interfone não precisa ter um botão que abre a porta do prédio. Mas nos prédios que não têm porteiro certamente é que nem aqui: o interfone tem um botão que abre a porta lá embaixo. Nessa foto você deve ter notado que o meu interfone tem também um outro botão (todos têm), que eu nunca na vida usei, e suponho pelo desenhinho que seja pra acender a luz lá embaixo. Mas ela já acende automaticamente, então sei lá pra que serve esse botão. Em alguns prédios o interfone tem também uma câmera pra você ver quem é, mas é mais raro.

9 – Gancho pra pendurar casaco

img_6934

Claro que não é inexistente no Brasil, mas aqui é um objeto presente em absolutamente qualquer lugar. Em qualquer casa, escritório, escola, restaurante (a maioria), costuma ser comum também em banheiros de shoppings e lojas, etcetc. Tem em todo lugar porque no inverno quando você entra num lugar fechado a primeira coisa que você faz é tirar o casacão e pendurar em algum canto. E todos os casacos têm uma alcinha logo embaixo do capuz, pra pendurar.

10 – Aquecedor

2016-11-12-18-17-10

Presença constante no dia-a-dia alemão, os aquecedores. Aqui nesse post eu falei um pouco sobre como as casas e locais fechados são aquecidos.

Ok, já deu pra ter uma idéia. Suspeito que esses dois posts sobre objetos do dia-a-dia diferentes nos dois países terão várias continuações, porque desde que eu escrevi o post sobre os objetos que não existem na Alemanha, há dois dias atrás, já pensei em uns cinco outros objetos que poderiam ter ido pra lista!


(Publicado em 16 de Fevereiro de 2017)

Curta o Manha de Alemanha no face!

Esquentadores-de-mão

Pequenas e sagazes soluções para enfrentar o frio alemão incluem um tal esquentador-de-mão. Não, não são luvas. Esquentador-de-mão seria a tradução literal para Handwärmer, embora eu concorde que “esquentador-de-mão” não é assim, “nooossa, que sacada de marketing, esse nome, vai dar a maior publicidade!”. Mas o que são, afinal, esses Handwärmer?

É isso aqui:

IMG_3213

É basicamente um “pacotinho” com um líquido dentro e uma coisinha dobrável de metal do tamanho de uma moeda.

Nessa outra foto dá pra ver melhor a moedinha:

IMG_3214

Não é que ela é dobrável, mas talvez dê para ver na foto que ela é côncava, e basicamente se vc “dobrar” ela fica convexa. Ou côncava pro outro lado. Nossa, que difícil explicar.

Enfim, e como é que esse negócio serve pra esquentar sua mão? É quente? Não. Bom, enquanto ele está líquido, não. Daí a moedinha: serve para você iniciar uma reação que cristaliza todo o líquido, e, no processo, gera calor. O líquido vai se solidificando aos poucos e o pacotinho vai ficando bem quente, chega a uns 55˚C. Você coloca no bolso e esquenta o seu bolso e as suas mãos no dia frio! O processo dura de uns 20 a 40 minutos, dependendo do tamanho e da quantidade de líquido dentro e tal. O tempo que você demora num percurso a pé. Prático, não?

solidificando

Mas e depois, joga fora?

Não, claro que não, o Handwärmer é reutilizável. Para fazê-lo líquido novamente basta colocar em água fervente de uns 5 a 10 min. E aí reiniciar todo o processo quando quiser, com a tal moedinha.

Mas que mágica é essa?? Cooomo assim esse líquido de pirilimpimpim solidifica quando vc dobra a moedinha, que negócio dos diabos é esse?

Na verdade é uma coisa super simples. A reação em questão é a geracão de calor por uma cristalização exotérmica de uma solução supersaturada. O líquido no pacotinho é uma solução supersaturada de acetato de sódio, ou seja, tanto acetato de sódio quanto possível colocar na água de maneira que todo o acetato dissolva. Dobrando a moedinha você gera uma nucleação, que inicia a cristalização, que gera calor. Para voltar ao estado líquido, o calor é necessário para dissolver o sal de novo.

Talvez você tenha percebido através da minha explicação-tradução-livre-direta-do-wikipedia que meus conhecimentos de química se limitam a aulas de muitos anos atrás no colegial. Se alguém aí entender melhor de química que eu e quiser escrever uma explicação mais acessível para leigos, agradeço.

Na dúvida tem aqui um vídeo explicando todo o processo. Está em alemão, mas as imagens são bem auto-explicativas:

(Como vc pode ter notado pelo título do vídeo, outro nome possível em alemão é Wärmepad)

Mas químicas à parte, basicamente é o seguinte: a água é uma solução supersaturada de acetato de sódio, e eis que se você gera energia nessa solução ela imediatamente começa a cristalizar e gerar calor, fim. O fato é que é um negócio bem simples e dá até pra fazer em casa. O que nos leva ao próximo ponto:

Mas quanto custa um mágico esquentador-de-mão?

Super barato, tipo 1 ou 2 euros no máximo. Dá pra comprar uma caixa e levar de presente para todos os seus amigos no Brasil, que provavelmente nunca vão usar já que quase nunca faz frio.

Não é uma coisa particular da Alemanha, claro, você provavelmente encontrará esquentadores-de-mão em outros países frios. Existem ainda outros tipos, que duram várias horas, ou esquentadores de sola, vários outras coisas menos simples, mas acho que são mais raros ou mais específicos para pessoas que fazem esportes de inverno e coisas do tipo.

Na verdade, mesmo esses esquentadores de mão não são assim “nossa, que objeto essencial, todo mundo tem!”. Embora você ache para vender com relativa facilidade, confesso que nunca vi ninguém com um.

Você encontra sagazes esquentadores-de-mão em lojas de tranqueiras (Mäcgeiz, por exemplo) , às vezes como souvenir de algum ponto turístico (como no da foto, comprado na catedral de Colônia), e de vez em quando você até ganha de brinde-propaganda de alguma empresa. Ou em lojas online como Amazon.

Mas vale a pena ter um desses no bolso nos dias de inverno!

IMG_3225


(Publicado em 10 de Novembro de 2013)