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Correio alemão

O correio alemão oferece alguns serviços muito sagazes que valem a pena um post.

Uma das coisas provavelmente mais práticas é o serviço de mudança de endereço. Se você se mudar, você pode pagar uma pequena taxa para o correio para que eles reencaminhem para o endereço novo toda a correspondência no seu nome que for enviada para o endereço antigo. O serviço se chama “Nachsendenservice” e custa 15,20 € por 6 meses ou 25,20 € por um ano! Convenhamos que é muito conveniente você não precisar quebrar a cabeça para lembrar todas as pessoas ou empresas que podem te mandar alguma correspondência importante para ir mudar o endereço registrado assim que se mudar de casa. Ao invés disso, você vai mudando o endereço registrado a medida que for recebendo as correspondências no endereço novo. O mesmo serviço pode ser utilizado também para reencaminhar a sua correspondência a cuidados de outra pessoa, caso você resolva morrer, ou então passe um tempo fora do país, ou então esteja em alguma condição qualquer que te impossibilite de receber ou cuidar de correspondência. Prático!

Outra coisa que eu acho bem supimpa é como eles entregam pacotes. Aquela coisa que você precisa estar em casa para receber, ou porque precisa de assinatura ou porque não cabe na caixa de correio, sabe? E, lógico, o/a carteiro/a vem entregar o pacote no mesmo horário que você está no trabalho, e aqui as pessoas não tem empregados domésticos ou porteiro do prédio para receber por você. No Brasil, se eles não conseguirem entregar, eles voltam com o pacote umas duas vezes em outros dias. Aqui eles costumam entregar o pacote para algum vizinho, alguém da família da casa do lado, do apartamento de baixo ou até na loja no térreo do seu prédio.

Aí você não precisa esperar mais 2 ou 3 dias para receber o pacote, ou buscar na filial sei-lá-qual do correio durante o expediente. Você aperta a campainha do vizinho depois do trabalho, pega lá seu pacote e tudo resolvido.

Claro, você está aí pensando, pô, mas e eu lá sei se o vizinho é de confiança? E se eu comprar um computador na internet e o carteiro entregar pro vizinho, que por sinal odeia meu cachorro, e o fulano resolve ficar com o computador e insistir que nunca recebeu computador nenhum?

Bom, claro que eles são alemães e tudo é feito com muita formalidade… o vizinho tem que assinar por você, vai ficar registrado quem recebeu o pacote e quando, e o vizinho passa a ser responsável pelo pacote até que você o receba. Se você estiver esperando uma entrega e ela tiver sido feita para o vizinho, você receberá na sua caixa de correio um papelzinho como esse:

DHL

Embaixo da palavra “Empfänger” estará escrito seu sobrenome e seu endereço. No quadradinho do lado, o sobrenome e o endereço do vizinho para quem o pacote foi entregue. Algumas vezes o carteiro escreve a mão, mas outras vezes, como no exemplo acima, ele simplesmente imprime as informações de uma maquininha portátil tipo aquelas de pagar com cartão, que ele tem sempre em mãos. Você assina na maquininha, também, e não no papel! Uh, hi-tech!

A princípio você teria que entregar para o seu vizinho esse papel amarelo e mostrar um documento de identidade. Mas e se você quiser que alguém busque o pacote pra você? Aí você usa o verso do papel, que tem essa cara:DHL 1Você teria que preencher esses campos com o nome e endereço do fulano que vai buscar seu pacote e assinar embaixo.

Só que, claro, na maioria dos casos o seu vizinho que você encontra todo dia de manhã saindo de bicicleta ou levando o lixo pra fora não vai se preocupar de pedir uma identidade ou verificar se você tem mesmo o papel amarelo com o seu nome antes de entregar seu pacote. Esses formalidades são mais para casos especiais.

Eu acho bem prático buscar a entrega com o vizinho ao invés de ter que ter alguém em casa na hora que o carteiro vier para receber, ou ter que ir buscar numa filial x dos correios.

Mas talvez a coisa mais legal do correio alemão é a máquina de selos.

Na frente das filiais, e em alguns outros lugares aleatórios, como talvez um shopping ou o aeroporto, você encontra uma máquina onde você pode comprar selos de quaisquer valores inimagináveis. Basicamente você define o valor, e a máquina imprime o mesmo num selo e pronto! Muito prático para comprar selos a qualquer hora do dia e da noite, e não somente quando o correio está aberto.

Os selos impressos pela máquina têm essa cara.

Além disso, diferente da maioria de máquinas desse tipo onde você coloca notas e moedas, a máquina de selos do correio aceita até moedinhas de 1 e 2 centavos, as moedas mais inúteis da face da terra! E aqui na Alemanha, claro, se uma coisa custa 4,99 € e você paga com uma nota de 5 €, eles SEMPRE, 100% das vezes, te dão o 1 centavo de troco. Sempre. Resultado: carteira pesando dois quilos com uns 50 centavos em moedas de 1 e 2….

Comecei a guardar as moedas de 1 e 2 centavos num cofrinho e usar sempre que preciso mandar uma carta. É só ir lá no correio num horário qualquer e comprar os seus selos na máquina. Claro, de preferência um horário em que não vá ter pessoas esperando para usar a máquina depois de você, porque convenhamos: pagar 0,58 € (o valor do selo para correspondência padrão) colocando na máquina, uma por uma, moedas de 0,01 € e 0,02 €, vai demorar um bocado.

Só vale lembrar que a máquina só aceita 15 moedas por selo. Então às vezes vc tem que comprar dois ou três selos de valores aleatórios somando 0,58 €, ou o que for que você precisar, para gastar todas as moedinhas. (você vai colocando as moedinhas na máquina até dar 15, e imprime o selo no valor aleatório que foi somado com as tais moedinhas, digamos, 0,21€. Depois imprime outro selo com outras moedinhas somando os 0,37 € restantes). Claro que às vezes você acumula um cofrinho de porquinho gordo de moedas de 1 e 2 centavos e no final compra só dois selos. Mas eu acho uma alternativa sagaz para se livrar dessas malditas moedinhas de maneira economicamente vantajosa.


(Publicado em 5 de Novembro de 2013)

 

Eleições

Hoje, 22 de Setembro, foi o dia de eleições parlamentares na Alemanha.

Na Alemanha funciona assim: Tem o Bundestag, que é o parlamento, cujos membros são eleitos pelo povo a cada 4 anos. A chanceler Angela Merkel é a chefe do governo e é eleita pelo parlamento, não diretamente pelo povo. Tem um presidente, que é eleito pelo parlamento e pelos parlamentos estaduais, mas ele não tem nenhum poder efetivo e só serve para acenar da sacada, entregar flores, e tal.

O edifício do Parlamento Alemão

O edifício do Parlamento Alemão

Angela Merkel, a chanceler alemã.

O Bundesrat é o “Conselho federal” e seria algo como o nosso senado. Tem 69 membros, cada um representando seu estado (são 16 federações (estados) na Alemanha, cada um tem direito a 3-6 representantes no Bundesrat de acordo com a população do estado). O Bundesrat pode vetar leis propostas pelo Bundestag. Os membros do Bundesrat não são eleitos diretamente pelo povo, mas pelo governo do estado. Pode inclusive incluir o próprio governador do estado e seus parlamentares

Daí cada estado tem também seu governador e seu parlamento. De novo é o parlamento que é escolhido nas eleições, e esse escolhe o chefe do parlamento que é então o governador do estado.

E então o que exatamente foi a eleição de hoje?

Nesse domingo os alemães foram às urnas e fizeram dois xizes (Uhuu, somos mais avançados que a Alemanha em alguma coisa! Aqui eles ainda votam em papel, pfff!): um para um candidato, vou chamar de “Voto 1” e um para um partido, vou chamar de “Voto 2”.

A cédula tem essa cara:

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A coluna da esquerda é o “Voto 1”, a um candidato a parlamentar referente à sua área. As “áreas” não seguem necessariamente os limites de uma cidade ou estado, eles montam as áreas de acordo com a quantidade de pessoas que mora lá e outros critérios diversos. (Curiosidade engraçada: note que embaixo do nome do candidato(a), diz a profissão do mesmo!)

A coluna da direita é o “Voto 2”, o voto a um partido.

Todos os candidatos que forem eleitos diretamente, quer dizer, aquele que ganhar mais Votos 1 na sua área, entram no parlamento. Esses são mais ou menos metade do parlamento. A outra metade dos lugares é dividida entre os partidos, de acordo com as porcentagens de Votos 2 para os mesmos.  Um partido precisa ter pelo menos 5% dos Votos 2 para entrar no parlamento. Com 4,9%, fica de fora.

Esse sistema de votos significa que acontece, às vezes, de os candidatos de um partido que foram eleitos pelo Voto 1 excederem a quantidade de cadeiras no parlamento às que o partido tem direito de acordo com a porcentagem do Voto 2. Todos os candidatos eleitos no Voto 1 entram no parlamento. Então se isso significar que um partido vai ter, digamos, 3 membros a mais que a porcentagem permitia, aí todos os outros partidos ganham mais cadeiras, também, para respeitar a porcentagem indicada pelo Voto 2. Portanto a quantidade de membros do parlamento não é sempre a mesma.

Outra coisa que pode acontecer é de um fulano ter sido eleito pelo Voto 1, mas seu partido não ter conseguido o mínimo de 5% no Voto 2. Esse candidato entra no parlamento mesmo assim. Então ainda que um partido não tenha tido o mínimo necessário, pode ser que tenha uma ou outra pessoa do partido no parlamento.

Uma vez terminada a contagem (manual! pf!) dos votos, os eleitos já imediatamente assumem o cargo.

Acho que a essa altura só sobrou lendo a post quem se interessa por política. Então vale a pena explicar um pouco sobre os principais partidos, por que não?

Como na maioria dos países, na Alemanha tem dois partidos maiores que sempre ganham. Alguns partidos médios que entram no parlamento às vezes sim às vezes não, e os pequenos que quase nunca entram.

Os resultados da eleição de hoje ainda não estão completamente definidos, mas provavelmente não vão mudar muito mais do que os cálculos feitos a partir das cédulas já contadas e da pesquisa de boca-de-urna, e tal. O resultado mostrado pelos jornais no momento (meia noite) é o seguinte:

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O partido que tem a maior quantidade de eleitores, no momento, e que portanto elege a chanceler Merkel é a CDU, ou União democrática cristã (na imagem aparece como “Union”). É o partido de centro-direita, que se preocupa prioritariamente com a economia e menos com programas sociais. A Angela Merkel já é chanceler desde 2005, e ao que tudo indica nos resultados das eleições de hoje, será reeleita pela segunda vez. (Bom, embora a eleição não seja diretamente para chanceler, as pessoas já sabem antes a escolha de cada partido, então com o resultado da eleição parlamentar vc sabe quem vai ser eleito para chanceler pelo parlamento). Na Alemanha não tem limite para reeleição, então uma mesma pessoa pode ser reeleita mil vezes. O ex-chanceler Kohl, por exemplo, também da CDU, foi chanceler por nada menos que 16 anos seguidos!

O texto diz “A Alemanha é forte e deve permanecê-lo”. A CDU costuma usar sempre nas suas propagandas a Angela Merkel, que é bem carismática e no geral a população gosta dela. Vários cartazes gigantes da CDU mostram só uma grande foto dela escrito embaixo “Chanceler pela Alemanha”. Meio “chanceler, chanceler, é ela, é ela, uhuu!”

O segundo maior partido alemão é o SPD, ou Partido social-democrata. É o partido de centro-esquerda. Eles dão prioridade a programas sociais, educação, emprego, coisa e tal, e menos à economia, o que provavelmente explica porque no momento com a crise do Euro não é o partido mais votado. Entre outras propostas, querem implantar um salário mínimo (Nope, na Alemanha não tem um salário mínimo!) de 8,50€.

(Observação adicionada em 15 de Novembro de 2014 – Após as eleições, cujos resultados foram basicamente os apontados acima, a pela ausência de outros partidos de direita no parlamento, a CDU foi “forçada” a fazer coalizão com SPD para obter maioria no parlamento (sem maioria, fica quase impossível para o chanceler governar). Para que os dois partidos concordassem e entrassem em coalizão, alguns acordos foram feitos, incluindo um a respeito do salário mínimo de 8,50€, que agora foi aprovado e adotado na Alemanha.)

O candidato da SPD para chanceler. O texto diz “VOCÊ o tem nas mãos”. (se referindo ao poder de mudar as coisas) Na verdade não diz “você” mas “O/a Senhor/a”, que os alemães são super educados, e tal.

Em terceiro lugar nos votos até o momento está o partido “Die Linke”, que significa literalmente “A Esquerda”. Eles, claro, só falam de programas sociais. Sugerem salário mínimo de 10€, maiores impostos sobre grandes riquezas, sistema de saúde único, entre outras coisas. Embora Die Linke tenha algumas propostas em comum com o SPD (embora mais “radicais”), eles normalmente não fazem coalizões porque Die Linke é um partido que descende de certa forma do partido da alemanha oriental, e os outros partidos não querem se ligar à ele pelos motivos históricos.

Os cartazes de Die Linke são sempre vermelhões com grandes textos brancos. Nos das imagens temos “Parar os nazistas”, “Creches para todos”, “Bilhete social de transporte” (uma coisa muito específica, não sei bem a que se refere), “salários mais altos”, “Mais impostos para milionários” e “Direitos iguais para todos” (em várias línguas, indicando que o cartaz se refere a direitos para imigrantes).

Em quarto lugar aparece o Grüne, que é o partido verde alemão. Eles se preocupam, claro, com o meio ambiente, e querem 100% de energia renovável, por exemplo. Mas também têm a vertente social, querem mais creches (está em falta, na Alemanha), programas sociais, integração de imigrantes, casamento gay. Uma coisa muito legal do Partido Verde, é que eles são super atentos à igualdade entre os sexos, e aplicam isso diretamente no próprio partido: Entre os membros do partidos, tem que ter SEMPRE 50% de mulheres! E o chefe do partido são sempre dois, uma mulher e um homem. Eles também propõe um salário mínimo de 8,50€ e mais leis para assegurar que mulheres recebem salários iguais aos dos homens.

Cartaz do partido verde sugerindo mais creches. A menininha faz um trocadilho de Hello Kitty com Kita (Kindergarten). Do tipo, não quero Hello Kitty, quero creche! Fofo!
O slogan “Und du?” significa “E você” e aparece em todos os cartazes. No caso, diz “eu digo creches! E você?”. O interessante aqui é que eles usam sempre o “du”, você, ao invés do “Sie”, senhor/a. Isso indica que eles querem se aproximar mais do eleitor, e que são jovens e tal. (as novas gerações usam “du” mais e mais freqüentemente)

Em quinto e sexto lugares aparecem o FDP (Partido livre democrático) e a AfD (Alternativa para a Alemanha).

FDP (sim, FDP!) é um partido de direita, que realmente só dá prioridade para a economia, bancos e pessoas com muito dinheiro. O nome já diz tudo. Aliás, ao que tudo indica esse ano vai ser a primeira vez que o FDP não vai entrar no parlamento.

“Para a Alemanha permanecer forte”. Senhores brancos de terno são os candidatos e os eleitores do partido.

Eu não sei muito sobre a AfD, só que eles querem a volta do Marco Alemão (a moeda que a Alemanha adotava antes do Euro).

Finalmente, vale ainda falar sobre os Piraten (Partido Pirata) (Sim, pirata, mesmo) e o NDP (Partido nacional da Alemanha).

Os Piratas são um partido bem recente, criado por jovens e como o nome já diz, a coisa mais importante do partido é mudar as leis relacionadas à internet. A Alemanha é um país suuuper chatinho no que diz respeito à internet. Praticamente todos os vídeos do Youtube com músicas originais são bloqueados por direitos autorias, o Grooveshark também é bloqueado assim como o Netflix. Você corre sim o risco de ser processado se baixar músicas ou filmes ilegalmente e o negócio é tão ridículo, que se você tocar uma música num local público sem pagar a taxa necessária referente aos direitos autorais, pode ter que pagar multa. Para dar um exemplo do exagero e da fiscalização, meu namorado contou que alguns amigos da faculdade tiveram que pagar multa por ouvir música na faculdade, numa sala com 150 pessoas, sei lá, sem ter pago a taxa dos direitos autorais. Basicamente as leis alemães referentes a internet foram criadas por senhores de 70 anos que certamente nunca na vida usaram a internet. Daí os piratas. Claro que eles discutem outras coisas além da internet, mas como são um partido muito novo, ainda não está muito claro qual é o programa.

“Vigilância do Estado nunca mais!” é uma referência às dicussões recente de vigilância dos EUA na internet alheia, e como o governo atual alemão tem lidado com isso. “nunca mais” é uma referência à Alemanha Oriental. A senhora com a cabeça de câmera, é, claro, a Angela Merkel, facilmente reconhecível pela posição das mãos.

A NDP é o partido da extrema-direita. Basicamente, como já indica o nome, é o partido que descende do partido nazista da época do Hitler (o qual se chamava NSDAP, ou Partido trabalhador Nacional-socialista alemão). Eles não se definem nazistas, claro, até porque não pode, mas 100% das pessoas sabem que é isso. Eles têm propostas radicais e extremistas, são fortemente anti-imigrantes, anti-islâmicos, homofóbicos, anti-democráticos, etc etc. As propagandas deles incluem sempre criancinhas loirinhas de olhos azuis e frases referindo-se a família, Alemanha, Alemanha, alemães, Alemanha, família, Alemanha, alemães. Medo. Felizmente, eles nunca entram no parlamento. Mas em alguns estados conseguem votos suficientes para entrar nos parlamentos estaduais.

Bom, tem ainda alguns outros pequenos partidos menos importantes e de que se ouve pouco falar, mas basicamente é essa a minha resumida e altamente imparcial explicação dos partidos alemães que certamente não reflete nem precisa minhas preferências pessoais.

Uma última curiosidade sobre as eleições que cabe mencionar, é que na Alemanha dá para votar por correio, também. O voto não é obrigatório, como na maioria dos países, mas se você quiser votar e não puder ir às urnas no dia da eleição (porque está viajando, ou o que for), pode enviar seu voto por correio algumas semanas antes. Todos os eleitores recebem antes das eleições uma carta em casa que diz onde você deve votar, data, etc, e junto a cédula para votação por correio. Mais e mais pessoas estão escolhendo votar por correio. Eu acho bizarro e impossível de saber se o voto foi seu mesmo… Acaba com a obrigatoriedade do voto ser secreto, e facilita loucamente a compra de votos, né? Mas sei lá, se eles fazem assim, deve funcionar suficientemente bem.


(Publicado em 23 de Setembro de 2013)

 

Sistema educacional alemão

Continuando na linha dos “sistemas numéricos que não fazem o menor sentido”, o sistema de notas nas escolas e universidades alemãs também é bem questionável.

As notas podem variar de 1 a 6, onde, pasmem, 1 é a nota mais alta e 6 é a nota mais baixa.

Cada número significa um “conceito” variando de muito bom para insuficiente.

1 = sehr gut (muito bom) – entre 90% e 100%

2 = gut (bom) – entre 80% e 90%

3 = befriedigend (satisfatório) – entre 65% e 80%

4 = ausreichend (suficiente) – entre 50% e 65%

5 = mangelhaft (deficiente) – menos de 50%

6 = ungenügend (insuficiente) – também menos de 50% só que tipo bem menos

4 é a nota mínima (máxima?) para aprovação. Então se você tirar 5 ou 6, é reprovado. Portanto para facilitar, nas universidades eles costumam usar notas só de 1 a 5, meio numa idéia de não precisar especificar o quão mal vc foi, apenas que foi mal o suficiente para não passar.

O que eu acho que não condiz muito com a cultura alemã… os alemães são mega precisos e específicos, acho que faria muito mais sentido para eles dizer exatamente o quão mal você foi na prova. Mas enfim!

E já que estamos falando de notas, porque não uma breve explicação do complicado e esquisito sistema educacional alemão?

Na Alemanha tem algumas opções diferentes de escolas. Achei um desenho na internet que resume bem como funciona:

Como fica claro por essa bela palavra colorida em comics sans a vida escolar começa no Kindergarten, ou Jardim de Infância, aos 3 anos de idade. Claro que para crianças mais novas tem creches, também. E a educação obrigatória só começa na Grundschule, ou escola primária.

Aliás, aqui na Alemanha esse negócio de educação obrigatória é levado muito a sério. Se a criança estiver fora da escola, a polícia vai lá na casa da criança buscar a criança e levar para a escola. (claro, não pq vc faltou na aula um dia, mas se vc tiver sumido da escola sem explicações, e tal). Aliás, se vc faltar na aula um dia, já deve explicações para a escola.

Mas enfim, a Grundschule, ou escola primária, começa aos 6/7 anos de idade e dura 4 anos. E aí vem a parte estranha da história: aos 10 anos de idade você já tem que escolher para que tipo de escola você vai: Hauptschule, Realschule ou Gymnasium. Não é uma escolha totalmente livre, o professor vai orientar os pais do que é mais indicado para a criança de acordo com as notas. Cada tipo de escola tem uma quantidade diferente de anos e só com um diploma do Gymnasium que você pode ingressar na universidade, então a escolha aos 10 anos de idade basicamente decide se vc vai ter um emprego simples que não exige qualificação, um emprego médio que só exige qualificação tipo ensino técnico, ou um emprego que exige qualificação universitária. Um tanto cedo para definir todo o futuro da criança, na minha opinião.

Mas sejamos um pouco mais específicos: a Hauptschule dura 5 anos, portanto você estuda até os 14/15 anos mais ou menos. O mínimo permitido por lei.

A Realschule tem 6 anos e com o diploma da Realschule você pode fazer um ensino técnico para profissões que não exigem alta qualificação.

o Gymnasium dura 8 anos, então você termina com 17/18 anos (depende do estado, em alguns estados tem um ano a mais) e faz ao final o Abitur. O Abitur é uma prova nacional estilo vestibular, só que não específica para cada universidade, mas geral do país. É tipo a prova mega-final do colegial.

Um Gymnasium.

Um Gymnasium.

Com o Abitur é que você pode se inscrever em universidades, e ser aceito dependendo da sua nota. Se você não tiver tido nota suficiente para a universidade ou o curso que você quer fazer, você ou fica na lista de espera ou tenta um outro curso ou universidade que exija uma nota um pouco mais baixa. Na verdade a diferença maior vai ser entre os cursos, porque não tem uma grande diferença entre as universidades alemãs. A grande maior parte é pública e num nível similar de qualidade. Inclusive para alguns cursos, como medicina, você não pode escolher a universidade. Você se inscreve numa instituição central, que então distribui os alunos entre as diversas universidades.

Nem todos os cursos universitários exigem uma nota específica, então ainda que você tenha ido mal no Abitur, você consegue ingressar em algum curso de alguma universidade. Mas o Abitur tem uma nota mínima para passar também, de acordo com aquele sistema de notas explicado no começo. Então se você tirar 5 no seu Abitur, você não passa e portanto não pode se inscrever na universidade, mas tem que repetir o último ano do colegial.

Basicamente aqui não tem a questão das universidades públicas não terem vagas suficientes para todos os alunos que querem estudar. Mas algumas universidades são bem lotadas, e nos primeiros anos em alguns cursos tem aluno assistindo aula sentado no chão e tal. Então não é totalmente perfeito.

E, claro, esse sistema maluco de decidir o quão inteligente você é para fazer a escola boa, média ou ruim aos 10 anos é bem questionável. Mas existem atalhos e caminhos entre as escolas e portanto não é que se você for fazer a Haupschule seja completamente impossível forever fazer um curso universitário depois. Mas não é muito comum.

O sistema todo é portanto bem mais complicado do que esse resumo, e melhor explicado por esse maluco diagrama abaixo:

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A Hauptschule costuma ser bem ruim e bem mal vista e falam de fechá-las e deixar só Gymnasium e Realschule. E também há discussões sobre fazer uma escola única que vai até o final, afinal todo mundo é esperto o suficiente para terminar o colegial e é altamente tosco definir que uma criança de 10 anos é muito burra para fazer o Gymnasium… quem sabe mudem isso em algum momento do futuro. Mas, pelo menos, as escolas são na sua grande maioria públicas, e suficientes para todas as crianças. Tem escolas particulares, também, mas é bem incomum estudar em escola particular.

E boa qualidade e suficiente oferta das universidades públicas é também super positivo, claro. (E, pasmem, a infraestrutura das universidades públicas NÃO está caindo aos pedaços!). Na maioria dos estados a universidade é gratuita, mas você paga uma taxa de uns 200 euros no começo de cada semestre. A maior parte dessa taxa é para pagar o seu bilhete de transporte público ilimitado que vale no estado inteiro, e o resto vai para o grêmio estudantil. Então na verdade você não paga nada para a universidade em si. Em alguns poucos estados isso é diferente e tem também uma taxa que você paga para a universidade no começo do semestre, de uns 500 euros. Mas essa taxa é super impopular e está sendo aos poucos extinta em todos os estados.

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Uma universidade alemã.

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O edifício da Faculdade de Biologia da Universidade Técnica de Dresden.

Biblioteca da Universidade Técnica de Dresden

Biblioteca da Universidade Técnica de Dresden

Comecei esse post querendo falar sobre o sistema de notas na Alemanha e acabou virando um post sobre todo o sistema educacional! Mas tudo bem. Em breve escrevo um post mais específico sobre coisas interessantes referentes às universidades.

Mas resumindo: a educação é pública e decente, embora tenha seus problemas e coisas a melhorar!


(Publicado em 20 de Setembro de 2013)

Horário alemão

Combinar ou descobrir um horário na Alemanha pode ser um desafio para alguém em processo de aprender a língua. Tem várias peculiaridades em como a língua alemã descreve números e horários.

Uma coisa particular que eu notei é que eles nunca usam as horas de 1 a 12 para a tarde. Em várias situações em que eu mencionei o horário de 12 horas, o interlocutor alemão repetiu o horário de 24h para confirmar.
Por exemplo: “a biblioteca fica aberta até às 6 e meia?” “…é, até às 18 e trinta.”
Isso me aconteceu em vários momentos, basicamente todas as vezes em que eu usei as horas de 1 a 12 para me referir a algum horário à tarde ou à noite, a pessoa repetiu o horário com as horas de 1 a 24 para confirmar.

Um grande problema para entender os números é que em alemão eles são meio complicados. Para números com dois algarismos, eles falam primeiro o segundo algarismo, e depois o primeiro. Por exemplo, digamos, 35 em alemão é fünfunddreißig ou cinco (fünf) e (und) trinta (dreißig). (E para confundir mais na escrita eles juntam tudo).

Já o número 135 seria hundertfünfunddreißig. Cem (Hundert) cinco (fünf) e trinta (dreißig). Convenhamos, não é o sistema mais esperto de todos os tempos.

Óbvio que acontece direto, quando, por exemplo, um professor ou professora pede para vc abrir o livro na página 47, de vc abrir na página 74 pq está acostumado a pensar nos números em ordem diferente. Mas, claro, se vc errar o número da página vai demorar uns 10 segundos para perceber o erro e abrir a página certa. Mas se vc entender errado um horário, o problema é maior.

Claro, se a pessoa falasse 14 e vc entendesse 41 não teria problema uma vez que não existe 41h. Mas e se a pessoa falar, digamos, 2:35 bem rápido? Vc pode se confundir e ouvir só o trinta e cinco, fünfunddreißig, e pensar que a pessoa quis dizer 5:30. Cinco e meia, ou cinco e trinta. Fünfunddreißig. Para piorar, com as horas de 24, 2:35 vira vierzehnundfünfunddreißig. E aí? Pelo telefone o que vc vai ouvir no meio desse monte de palavra misturada?

Sim, também em alemão tem maneiras diferentes de falar os horários redondos, tipo :30, :15, :45, ;00… Mas como em português, às vezes ao invés de dizer cinco e meia vc diz cinco e trinta. Acontece.

Mas espere, não é só!

Porque os alemães achavam que ainda estava muito simples explicar horários, e que era melhor complicar um pouco, eles resolveram escolher uma maneira totalmente ilógica de dizer “e meia”. Halb fünf. Parece simples, ué, halb é que nem inglês, half, né? Halb fünf, cinco e meia, né? Óbvio, né?

SÓQUENÃO!

Halb fünf significa QUATRO e meia. Sim, pq faz muito sentido vc dizer “metade cinco” querendo dizer falta uma metade de hora pras 5, em vez de um simples e indubitável QUATRO E MEIA.

E em alguns lugares da Alemanha eles usam a mesma idéia para :45 e :15. Só que de maneira mais ilógica AINDA!  No geral na Alemanha oriental, Viertel zehn (quarto dez) significa 9:15. Algo como “um quarto de hora a caminho do 10”, saca? Totalmente insano. Dreiviertel zehn significaria 9:45. Na Alemanha Ocidental eles são mais específicos e dizem “Viertel nach neun” para 9:15 (um quarto depois de nove) e “Viertel vor zehn” para 9:45 (um quarto antes das 10). Mais compreensível.

Para se referir à hora “em ponto”, na Alemanha ocidental, é comum dizer “Punkt zehn”. Bem 10 em ponto, mesmo. Aqui em Dresden, e em geral na Alemanha oriental, se o horário já é claro e vc só quiser especificar que é em ponto naquele horário, vc pode dizer simplesmente “um”: “Wir treffen uns um“. “Um” é a preposição para horas, então seria como se vc dissesse “A gente se encontra às“. Soa engraçado. Você talvez esteja se perguntando em que situação você já saberia o horário mas não que era em ponto. Um exemplo seria, digamos, você vai ao cinema para assistir um filme que começa às 9:30. Aí vc diz pro seu amigo:  “A gente se encontra às.”  e fica claro que vc quer dizer às 9:00. Ou então você pode dizer nesse caso “Wir treffen uns um zehn nach”. Ficaria claro que vc quis dizer às 9:10. Peculiar.

Com essa história de trocar a ordem dos algarismos nas dezenas, preços também podem confundir, às vezes. Uma vez perguntei o preço de uma coisa qualquer num mercado de Natal e o moço me disse: “neununddreißig”. Talvez por otimismo, entendi que custava 9,30€. Nove euros e trinta centavos. Nove e trinta. Neun und dreißig. É claro que o preço era 39€.

Esse é um erro que os alemães não cometeriam porque se custasse de fato 9 euros e 30 centavos eles diriam “neun Euro dreißig”. O mesmo pode ser usado para especificar um horário: “neun Uhr dreißig”.

Mas as confusões, para quem está aprendendo alemão, são inevitáveis. Melhor sempre repetir para confirmar.

Convenhamos que, para um país conhecido por ter bons engenheiros, a maneira como eles descrevem números e horários não é das mais lógicas já inventadas… diante disso, é até bem impressionante que eles sejam sempre tão pontuais!


(Publicado em 23 de Agosto de 2013)

Transporte público na Alemanha

Diante da escalada de manifestações ocorrendo em São Paulo, no Rio, e em outras cidades brasileiras, me pareceu superficial vir aqui escrever um post sobre, sei lá, os jardins que os alemães que não moram em casa alugam ou compram, às vezes bem longe de suas casas, para ter um lugar verde para plantar umas plantas e cultivar umas coisinhas. Ou um outro post, sobre, sei lá, o que os alemães fazem no seu tempo livre, ou bichos de estimação que os alemães tem, entre outros vários assuntos que tenho planejados para futuros posts.

De fato, essa semana tem que ser alguma coisa que contribua para a discussão.

O ideal seria, claro, um post sobre violência policial na Alemanha, ou repressão a manifestações na Alemanha. Existe? Existe. Aliás, aqui em Dresden, o dia 13 de fevereiro é uma ótima data para presenciar alguns absurdos por parte da polícia e da justiça, que misteriosamente não proíbem a manifestação neo-nazista, mas tentam parar os manifestantes que saem às ruas para bloquear os nazistas. Vídeos de manifestantes pacíficos, que estão simplesmente sentados no chão, sendo arrastados pela polícia para desbloquear o caminho dos nazistas, ou ainda o vídeo mais chocante que vi desse mesmo dia, em que nazistas atiram pedras em um edifício onde moram estrangeiros , xingando e gritando ameaças aos mesmos, enquanto dois carros de polícia assistem a tudo de longe sem tomar nenhuma atitude.

Outros registros, de policiais tirando seus capacetes e se juntando aos manifestantes do movimento Occupy, em Frankfurt, também existem.

Mas eu, nunca tendo participado de uma manifestação na Alemanha nem estando suficientemente informada sobre a política, a atuação das autoridades e da polícia, ou a reação do povo por aqui, não estou capacitada para escrever sobre isso.

Entretanto, um post que já estava planejado e que vem a calhar neste momento, ainda que a discussão já esteja muito além do transporte público, é esse: como funciona o transporte público alemão.

Até já escrevi um pouco sobre o assunto, nas dicas sobre Berlim e Dresden, e no post sobre empregos que não existem na Alemanha (cobrador de ônibus sendo um deles). Esse post é uma compilação do que já foi dito e outras informações adicionais.

O transporte público alemão é gerido por empresas públicas responsáveis por uma cidade ou uma região. Então em cada cidade ou região apresentará diferenças. Até aí não é muito diferente do Brasil, exceto que aqui as empresas são mesmo públicas, não tem Via Quatro criando logos para suas próprias linhas de metrô.

Tem muitos pontos positivos no transporte público por aqui. Em primeiro lugar, TUDO é 100% integrado. Não tem essa história esquisita de, ok, você pode pegar vários ônibus durante 3 horas, mas se entrar no metrô tem que pagar extra. Se você comprar um bilhete de transporte, que aqui em Dresden vale por 1h, nessa 1h vc pode pegar quantos ônibus, trams, metrôs ou trens regionais você quiser. Como assim, trem regional? Quer dizer, com o mesmo passe do ônibus você pode pegar também o trem regional que vai, sei lá, para Leipzig. Só que, claro, se você estiver só com o bilhete de Dresden, você só pode usar esse trem dentro dos limites da cidade, então você pode pegar um trem regional de uma estação para outra dentro de Dresden.

Em várias cidades, especialmente nas metrópoles, os limites da cidade funcionam por zonas. Quer dizer que você pode comprar um bilhete para uma zona, duas, três, o que for, dependendo da onde você vai. A Zona 1 seria a área principal da cidade, a zona 2 as áreas mais periféricas e a Zona 3 as cidades em volta. É um sistema que aqui faz sentido, pagar de acordo com a distância que você anda, mas obviamente só faz sentido porque não rola uma expulsão das classes mais baixas para as periferias como nas metrópoles brasileiras. Por aqui, normalmente, as cidades em volta e as áreas periféricas são escolha de famílias que preferem ter uma casa maior, jardim, mais espaço para as crianças, essas coisas.

As tarifas variam, claro, de cidade para a cidade, mas não são baratas. Em Dresden, uma cidade pequena, com distâncias facilmente realizáveis de bike, o bilhete unitário custa 2,00€, bem caro se comparado a Berlim, uma metrópole, onde o bilhete custa 2,40€.

Mas a verdade é que, se você é um usuário habitual de transporte público, você nunca vai pagar a tarifa unitária. Tem alternativas que saem muito mais em conta. Vou usar Dresden como exemplo, mas as informações são similares para qualquer cidade. Aqui, se você pega transporte público todo dia para ir para o trabalho, você tem as seguintes opções:

> o ticket mensal, por 52,50€. Se você vai e volta do trabalho 5 dias por semana, portanto usa o tram aproximadamente 42 vezes por mês. Com o bilhete mensal, você acaba pagando só 1,25€ por viagem. Mas, claro, tendo o bilhete mensal, você pode usar o transporte público infinitamente durante o mês todo. Então se além dessas idas ao trabalho vc ainda usar durante o fim de semana umas duas vezes, talvez durante a semana mais duas ou três vezes para ir para outros lugares, digamos que você acabe usando o transporte público um total de umas 62 vezes durante o mês, já sai 0,85€ a viagem. Vale muuuito a pena.

> o bilhete mensal abonado: você pode também se inscrever para receber o bilhete mensal todo mês por correio, como uma assinatura de revista. Dessa maneira, você paga só 46€ pelo bilhete, e pode cancelar sua “assinatura” quando quiser. Nesse caso, cada viagem, na estimativa só-trabalho sai 1,09€, e na estimativa trabalho+passeios, 0 74€.

> o bilhete anual, por 520,00€. Se você realmente só usar o transporte público para ir e voltar do trabalho, portanto um total aproximado de 42×11 (12 meses menos 1 mês de férias) = 462 vezes, cada viagem já sai por 1,12€, ou, naquela média de trabalho + algumas viagens extras, 62×11 + digamos só 10 vezes durantes as férias porque vc foi viajar = 692 viagens por ano. Cada viagem sai por 0,75€. Parece mais caro que o bilhete mensal abonado, mas só porque eu calculei esse mês de férias. Se você receber o bilhete assinado durante o ano todo, sai um total de 552€. Aí vale mais a pena comprar o bilhete anual, mesmo. Uma coisa interessante do bilhete anual, é que ele não vale só para a pessoa que comprou. Você pode emprestar o seu para outra pessoa sem o menor problema. E, durante o fim de semana e feriados, durante às 18h do dia anterior ao feriado até às 6 da manhã do dia do feriado (ou sábado ou domingo), ele serve como bilhete família. Você pode levar com você portanto outro adulto e duas crianças.

E o bom também do bilhete anual e do bilhete mensal abonado é que você pode levar com você a sua bike OU o seu cachorro grande. Nos bilhetes normais, para levar bike ou cachorro grande tem que pagar extra.

O que nos leva para o próximo item: o que pode levar no transporte público?

Bom, basicamente qualquer coisa que passe pelas portas, exceto que para algumas coisas você tem que pagar extra. Mas já ouvi história até de gente mudar de casa de tram. Tipo levando móveis e tal. O meu namorado me jurou que junto com 4 amigos, trouxeram de uma loja até a universidade, de tram e ônibus, 5 pacotes de 25kg de concreto. Nada é impossível.

Mas oficialmente te dizem que você pode levar com você, gratuitamente:

> 1 carrinho de bebê (com ou sem bebê dentro)

> 1 cadeira de rodas (com você nela, não uma pessoa extra)

> 1 par de Esquis (mas não pode ir usando)

> 1 trenó (o tipo pequeno, sem renas)

> 1 animal pequeno (dentro de caixinha)

ou

> 1 bagagem de mão

E pagando extra você pode também levar

> uma bicicleta

> um cachorro grande

ou

> bagagem grande

E o que é “extra?” Para levar a bicicleta com cachorro dentro da mala, você tem que ter um bilhete extra, de tarifa reduzida. O bilhete de tarifa reduzida é o mesmo que serve para crianças de até 14 anos, e custa 70% do bilhete normal. Então o unitário reduzido custa 1,40€

Mas se você leva sempre sua bike ou seu São Bernardo com você pro trabalho, e você tiver o bilhete mensal não-abonado, que não inclui bicicleta ou São Bernardo, você pode comprar o bilhete mensal de bicicleta, por 16€, que é mais barato que o bilhete mensal reduzido. Isso também pode lhe ser útil caso você seja estudante. O que nos leva a ainda mais uma questão importante: mas e estudante não paga meia?

Melhor que isso. Estudante não paga! Bom, quase. Primeiro, lembro que isso varia de estado para estado e caso para caso. Mas, no geral, se você é estudante você tem um bilhete semestral para o transporte público, que você pode usar também infinitamente naquele semestre. Aliás, mais do que isso. É melhor ainda que um bilhete mensal ou anual, porque não vale só na cidade em que você estuda, mas no estado inteiro. Então se você estuda, digamos, na universidade de Dortmund, e sua família é de Colônia, você pode ir para casa todos os fins de semana sem pagar nada. Muito prático. Se a sua família não é do mesmo estado onde você estuda, pelo menos dá pra ir passear nas cidades próximas sem pagar nada, o que também é legal. Só se você estudar em Berlim, Hamburg ou Bremen é que você sai em desvantagem, já que essas cidades são estados separados. =( Qüé qüé qüé…

E porque “quase” não paga?

Bom, aqui na Alemanha praticamente todas as universidade são públicas. Mas não são 100% gratuitas. Você paga uma taxa de matrícula a cada semestre. Essa taxa varia de estado para estado, e costuma ser entre 100 e 300 euros. Parte (a maior parte) dessa taxa vai para pagar esse bilhete semestral, e o que resta financia o grêmio estudantil e as organizações estudantis que organizam moradias para os alunos e coisa do tipo. Escrevo mais sobre isso num post sobre universidades. Mas portanto você acaba pagando uns 150 euros para esse bilhete, que vale infinitamente durante todo o semestre. Mas, se não me engano, ele não inclui bicicletas ou São Bernardos, daí o bilhete mensal de 16€ caso você queira muito levar todo o dia o seu São Bernardo para assistir a aula com você.

Quem não leu ainda nenhum dos outros posts que mencionam transporte públicos pode estar se perguntando: e como funcionam esses bilhetes? É um cartão, tipo o bilhete único de SP? É um bilhete tipo o do metrô, que você passa numa catraca? Como funciona?

Para os bilhetes normais (unitário, de 4 viagens, diário, tal), você valida o bilhete no tram ou ônibus, ou na plataforma do metrô ou trem. Validar significa que você carimba o bilhete numa maquininha dentro do ônibus ou na plataforma. Não tem cobrador, você que se auto-cobra, digamos. Se você não carimbar o seu bilhete, viaja de graça. A não ser, claro, que entre o fiscal no seu ônibus para fiscalizar as passagens de todo mundo. A multa por não carimbar o bilhete, se você for pego por um fiscal, é de 40 euros. E eles calculam a quantidade de fiscalizações necessárias para que, estatisticamente, não valha a pena o risco de não carimbar.

Para os bilhetes mensais ou anuais, não precisa carimbar, o bilhete já vem com o mês em que é válido impresso.

O bilhete semestral de estudante é, na verdade, a carteirinha da universidade. Mas você tem que ter em mãos também uma identidade sua para provar que você é você, já que o bilhete semestral só vale para você.

Mas e como é o transporte público na Alemanha? É bom? É cheio? Fica lotado? É organizado?

Super. Organizado demais. Todos os trens, ônibus, trams, metrôs, o que for, tem horário marcado para passar em cada ponto, e raramente eles vêm fora do horário. Em várias estações tem displays eletrônicos que mostram o tempo para o próximo ônibus de cada linha chegar. Todas as estações, com ou sem display, tem um mural com uma folha para cada linha mostrando os horários da mesma. Então você sempre sabe, quando está no ponto, quando vem o próximo ônibus. E, claro, as informações também são facilmente encontráveis na internet, e tem aplicativos para o celular, de maneira que você sempre pode planejar, com bastante precisão, qual ônibus quer pegar.

Os ônibus aqui também ficam cheios, na hora do rush. Nas cidades grandes, claro, mas mesmo em Dresden, lá pelas cinco da tarde os trams ficam bem cheios. Mas nunca vi nada chegar perto de uma Estação da Sé às 18h ou dos trens híper-lotados da CPTM, por exemplo. Aqui o transporte fica cheio. Às vezes bem cheio. Mas não superlotado. E as pessoas são super tranquilas em termos de dar espaço para passar, para sair, etc. Regras básicas como deixar as pessoas saírem antes de entrar e ficar à direita na escada rolante do metrô são respeitadas à risca. Os ônibus esperam calmamente até todo mundo conseguir descer no ponto, se estiver muito cheio, ninguém perde o ponto porque estava longe da porta. As pessoas são bem tranquilas para levantar só quando chegar no ponto, e não 20 minutos antes. Se alguém precisar entrar ou sair com carrinho de bebê, cachorro ou bicicleta, sem problemas, com um pouco de paciência as pessoas se re-arranjam para dar espaço. Minha impressão é que os alemães são bem tranquilos e respeitosos no transporte público. Sempre tem lugar pra velhinha sentar. O motorista não acelera loucamente assim que você entra no ônibus, derrubando todo mundo que está de pé.

E os trens e ônibus são super modernos, silenciosos e confortáveis. Dentro do ônibus sempre tem um visor que vai mostrando as próximas estações, e as conexões possíveis. Você nunca vai precisar perguntar nada para o motorista, informação sobre o percurso não falta, nos pontos e dentro dos ônibus. E funcionam 24h.

E finalmente, talvez o ponto mais importante sobre o transporte público daqui, tomando Dresden como exemplo novamente. Aqui o tram é prioridade sobre tudo. Até sobre pedestre. Se tem um tram chegando, fecham todos os semáforos para o tram passar primeiro, sempre. De maneira que ir de tram é muito mais rápido que outros meios de transporte. As ruas são estreitas, muitas delas têm só uma faixa para carro, os semáforos tem longos períodos em que ficam abertos para pedestres, estacionar na rua é caro, não tem estacionamentos particulares, praticamente, só públicos, alguns bolsões ou estacionamentos subterrâneos, que também são pagos, e a gasolina é cara. Andar de carro, nas cidades alemãs não vale muito a pena. O transporte público é pensado para que seja mais rápido e barato e fácil que o particular e isso funciona. Claro, tem congestionamento também. Mas vindo de São Paulo, os congestionamentos daqui quase não são dignos do nome.

As tarifas para o transporte público de cada cidade podem ser facilmente encontradas na internet no site das empresas que fazem o transporte municipal. Aí vão os links das cidades mais importantes para ajudar:

Berlim (BVG); Bremen (BSAG)Colônia (KVB); Dresden (DVB)Düsseldorf (Rheinbahn); Frankfurt (RMV); Hamburg (HVV): Hannover (Üstra); Munique (MVV); Nuremberg (VAG); Stuttgart (VVS).


(Publicado em 17 de Junho de 2013)

Nomes e sobrenomes alemães

Ah, o assunto desse post é interessante. A intenção não é saber quais nomes são usados na Alemanha nem nada disso, mas sim para ver as regras de primeiros nomes e sobrenomes na Alemanha. Prepare-se: É BI.ZAR.RO.

Começando pelo primeiro nome, então. Se você tiver um filho na Alemanha e quiser/puder registrá-lo aqui (só dá se um dos pais for cidadão alemão), não vai rolar nomes como Maicon, Edyleuza ou Rosmarilson. O nome terá que ser aceito pelo Standesamt (algo equivalente ao cartório de registro civil) e deverá seguir algumas regras nada cisnormativas:

1 –  Tem que ser possível identificar o sexo da criança pelo primeiro nome. Se o primeiro nome for um nome neutro, como, digamos, sei lá.. Íris ou.. Ariel, sei lá, nesse caso tem que ter um segundo nome que especifique o gênero. Porque, que absurdo, né, não sabermos se alguém é mulher ou homem ao ler seu nome impresso em algum lugar, é tipo o horror.

Além disso, claro, seguindo essa lógica, é também proibido dar um nome feminino para um menino ou vice-versa, exceto Maria, que pode ser usado como segundo nome para meninos.

2 – O nome não pode ser absurdo ou degradante, claro.

3 – Sobrenomes, nomes de produtos ou nomes de objetos não são permitidos como primeiros nomes. Tudo bem.

Basicamente o que significa é que você não pode inventar nomes, e tem que deixar claro se a criança é menino ou menina. (aproveita e mergulha o nenê em tinta rosa ou azul para não restarem dúvidas).

Tá, mas e aí, eu sou brasileira, meu esposo(a) é alemão, mas eu queria chamar minha filha de Laís, porque convenhamos, é um nome que denota inteligência, confiança, coragem, e acima de tudo modéstia. Quero chamar minha filha de Laís, mas aqui na Alemanha esse nome não existe, como faz?

Bom, não que eu recomende dar para a criança um nome que não será facilmente reconhecido por aqui – é um saco ter que soletrar o nome toda vez. Se o nome que você der para a criança não for aceito pela Standesamt, você pode recorrer legalmente da decisão. Em casos em que a criança tiver pais de diferentes nacionalidades, é possível que o nome seja aceito se for normal no outro país. Como exemplo um caso de um casal germano-chinês que queria dar um nome chinês para a filha, e a Standesamt só aceitou após confirmar com a embaixada chinesa que o nome era normal na China (http://german.about.com/library/blname_reg.htm). Então há chances de você conseguir chamar sua filha de Laís, UFA!

E as leis de sobrenomes eu acho ainda mais peculiares.

Na Alemanha não dá pra ter vários sobrenomes. Você tem um sobrenome. Fim. Nada de Dom Pedros Primeiros por aqui.

Se você casar, mudar seu nome logicamente não é obrigatório, e tanto o marido quanto a esposa podem adotar o sobrenome do cônjuge. Mas aí vou ter que abrir mão do meu nome original? Bom, a alternativa é você combinar os dois nomes com um hífen. Então, digamos que a Angelina Jolie e o Brad Pitt fossem alemães, e o Brad quisesse adotar o nome da Angelina mas sem abrir mão do seu nome, ele poderia se chamar Brad Pitt-Jolie. Não Brad Pitt Jolie. Brad Pitt-Jolie.

Mas as 6 crianças do casal não poderiam se chamar Pitt-Jolie (nem Jolie-Pitt, aliás), mas só Jolie.

Quer dizer, os filhos recebem automaticamente só o nome comum do casal e isso não é opção. Se o casal mantiver seus próprios sobrenomes e ninguém adotar nome de ninguém, aí os pais podem escolher qual dos sobrenomes a criança vai ter. Mas só um (e todas as crianças tem que ter o mesmo, me parece)! Muito embora eu ache que um sobrenome seria mais do que o suficiente pros meus filhos, acho bizarro que não exista a opção de dar dois sobrenomes… mas enfim. Eles não querem saber de acúmulo de sobrenomes por aqui. Inclusive tem um caso de um casal em que a mulher já tinha o sobrenome hifenado e se casou e queria adotar o nome do marido e ficar com um sobrenome com dois hifens “Thalheim-Kunz-Hallstein”. Mas a Corte Suprema (o caso foi longe) não aceitou e manteve a proibição de adotar nomes com dois hífens. (http://www.thelocal.de/society/20090505-19067.html)

Ainda que o acúmulo de nomes e sobrenomes nada raro no Brasil seja questionável, essas proibições, sei não. Acho o maior exagero. Como li em algum lugar: no mínimo irônico vindo de um país com uma língua que acumula substantivos numa única palavra infinita…

Ainda falando um pouco mais sobre nomes. Aqui o sobrenome é híper importante. (Bom, acho que na verdade o Brasil é uma das poucas exceções nesse sentido, onde quase nunca as pessoas são tratadas pelo sobrenome ao invés do primeiro nome). Mas em qualquer situação que você não conheça a pessoa, ou quase qualquer situação que não seja absolutamente informal entre família e amigos, você será sempre tratado pelo seu sobrenome, precedido de Herr (Senhor) ou Frau (Senhora). Aliás, aqui até faz sentido que eles insistam em primeiros nomes com gênero específico. Sempre que eu mando um email para alguém que não me conhece e assino com o meu nome completo sem Frau nem Herr, e não há nada no email que indique um ou outro, recebo uma resposta me tratando como “Caro Senhor Awawa”…

E eles levam a sério esse negócio de tratar por você (du) ou por senhor(a) (Sie). Realmente é só digamos pessoas da sua idade, colegas de classe, tal, ou crianças, ou família estendida (tipo a família do seu namorado(a)) que você trata automaticamente por você. Qualquer outra pessoa desconhecida deve ser tratada por senhor ou senhora, e só se o mais velho ou o que estiver mais alto na hierarquia é que pode ter a iniciativa de começar a usar o “du” e primeiros nomes. (E a pessoa vai sempre perguntar antes se tudo bem).

É bem difícil se acostumar a tratar todo mundo por senhor(a) e a ser tratado pelo seu sobrenome. Por outro lado, em família eles sempre usam du, então é normal vc tratar, digamos, a bisavó de 96 anos de idade do seu namorado, por você ao invés de senhora, o que eu também acho particular!

Mas pelo menos não tem aquela separação besta entre Senhora e Senhorita (tá, em português a gente não usa, mas digamos Miss e Mrs. em inglês), Frau vale para todas as mulheres.


(Publicado em 24 de Maio de 2013)

Reciclagem na Alemanha

Bom, falar sobre reciclagem na Alemanha é um pouco complicado, porque as regras são diferentes em cada estado. Então basicamente eu vou escrever sobre reciclagem na Saxônia. Mas acredito que nos outros estados, embora alguns detalhes sejam diferentes, no geral a história seja bem similar.

Na verdade, a primeira coisa vale para a Alemanha toda:

Esse é o símbolo da reciclagem para os produtos alemães. Quer dizer que todas as embalagens que podem ser jogadas no lixo reciclável vem com esse simbolozinho (em verde ou preto e branco) impresso em algum canto. Na verdade, praticamente qualquer embalagem é reciclável. Acaba indo para o lixo não-reciclável mesmo só guardanapo, sujeira, e tampinha de garrafa de vidro (misteriosamente não-reciclável).

Aqui na Saxônia tem 5 tipos de lixo: lixo normal não-reciclável, lixo reciclável (embalagens, basicamente), lixo orgânico, lixo de papel e lixo de vidro. Cada casa ou prédio têm latonas de lixo de cada tipo, exceto vidro, que são assim:

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(ok, não sei se dá pra chamar isso de lata, mas enfim)

As cores das tampas indicam o tipo de lixo: Amarelo é para o lixo reciclável, preto é para o lixo não-reciclável, azul é o lixo de papel e marrom é o lixo orgânico.

Parece meio nojento ter um lixo orgânico dentro de casa, quer dizer, uma lata de lixo só com resto de comida… Mas a única coisa viva e visível que eu vi aparecer no lixo orgânico por aqui foram fungos, mesmo. De resto, nem mesmo uma formiguinha. E olha que a gente é mó enrolão e às vezes demora horrores para pôr o lixo pra fora. Mas sendo a lata bem fechada, não sai cheiro nem entra bicho. (ajuda o fato de ter bem menos insetos de lixo por aqui, claro)

Quanto ao lixo de papel, é importante lembrar que não pode jogar o lixo dentro de sacos de plástico, é para ter realmente só papel. (Aliás, não sei pra quê precisa um saco de plástico para o lixo de papel, lembrando que é só papel seco, né. Basicamente você tem lá sua lata de lixo de papel, leva ela para a latona, joga lá e pronto, não precisa de saquinhos extras.

Os caminhões de cada tipo de lixo vêm em dias e com freqüência diferentes. Aqui em Dresden, bem no meio da cidade, o de papel, por exemplo, passa uma vez a cada duas semanas. Os outros passam uma ou duas vezes por semana. Quando é dia do caminhão vir, você ou a pessoa que cuida do prédio (normalmente os prédios têm uma pessoa que limpa as escadas uma vez por semana, põe o lixo pra fora, e coisinhas assim) coloca a latona do lixo correspondente na porta do prédio, o caminhão passa e o lixeiro coloca a lata atrás do caminhão e o próprio caminhão segura a lata, vira de cabeça pra baixo para soltar o lixo, e devolve para o chão.

Os caminhões aqui não são desesperados para sair correndo que nem os do Brasil, ou pelo menos de São Paulo, que os lixeiros têm que correr loucamente para alcançar. Eles vão calmamente parando aqui e ali.

Mas a pergunta, é, e o que você faz com o vidro, se não tem uma latona no prédio para vidros?

Bom, garrafas você normalmente devolve para o supermercado, dependendo do tipo. Algumas garrafas (as de vinho, por exemplo), por algum motivo não são retornáveis. Essas e os outros vidros você joga num dos containers que estão espalhados pela cidade. Sempre tem um conjunto de containers suficientemente perto da sua casa. Lá você encontrará:

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– container para vidros transparentes

– container para vidros verdes e marrons

– containers para papel (caso você tenha por exemplo um monte de caixas de uma mudança para jogar fora, ou coisa assim, que não caiba na sua latona em casa, você pode levar para o container para poder jogar fora tudo de uma vez)

Misteriosamente tem dois containers para papel, um para papel normal e outro para papelão. Vai saber porque existe essa diferenciação, se no seu lixo de casa é tudo junto! Mésanfã.

Em alguns prédios maiores, com muitos apartamentos, normalmente não tem as latas, mas um conjunto de containers para o prédio.

Os containers podem ser esses normais como os da foto, ou containers subterrâneos. Aí no chão você tem só uma lata de lixo de um tamanho relativamente normal, que é na verdade um buraco para um container subterrâneo.

E você encontra, também espalhados pela cidade, containers para doação de roupas velhas, que têm essa cara aqui:

Mas e como que funciona a separação de lixo em termos de taxas, multas e tal? Ou o que encoraja as pessoas a separarem direito?

Bom, novamente, isso muda um pouco em cada estado, mas basicamente é o seguinte. Essas latas padrão com as cores diferentes você recebe da companhia que busca o lixo (não tenho certeza se é pública ou privatizada, acho que também varia de estado para estado) de acordo com a quantidade de pessoas que mora na sua casa ou no seu prédio. Então, sei lá, se forem 4 pessoas na casa, você recebe uma lata de x litros, se for um prédio com 6 apartamentos, uma lata de 3x litros, etc, algo assim.

Você paga uma taxa pelo lixo, de acordo com a quantidade de lixo média produzida (também calculada, acredito, pela quantidade de pessoas que moram no local), e aqui que fica o detalhe: você paga uma taxa menor para o lixo reciclável que para o lixo não-reciclável. Então se você tiver mais lixo não-reciclável do que reciclável, você acaba pagando mais. “Ah, beleza, então eu jogo tudo no lixo reciclável e pronto”. Também não é tão fácil assim. Se quando o caminhão vier buscar, eles perceberem que o lixo está misturado, eles não levam, ou então cobram a taxa maior, a do lixo não-reciclável. Logo, melhor separar direito. Também vale para a história dos saquinhos de plástico no lixo de papel, se não tiver só papel, o caminhão não leva. Aqui no meio da cidade pode não ser um problema muito grande, mas se você mora mais longe do centro, onde o caminhão passa menos vezes, digamos, uma vez a cada 2 semanas, pode ser bem inconveniente se eles não levarem o lixo porque estava misturado, e você acabar tendo que acumular o lixo de 4 semanas até a próxima vez que o caminhão passar. Em alguns estados você pode também levar multa, se o lixo estiver misturado. Melhor separar direito.


(Publicado em 18 de Abril de 2013)