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Como a Alemanha mudou meu paladar

Uma das coisas mais difíceis de acostumar, para quem se muda de um país para outro, é a comida. Vale para quaquer pessoa mudando de qualquer país para qualquer outro, a comida é sempre uma questão difícil. Comida brasileira é de longe do que eu mais sinto falta aqui (exceto, claro, pessoas queridas que estão no Brasil). E os posts possivelmente mais comuns nos grupos de facebook de estrangeiros ou brasileiros aqui são pessoas perguntando onde encontram esse ou aquele ingrediente específico, ou como substituí-lo.

Aqui em Dresden não tem um único restaurante brasileiro, e eu não super sei cozinhar. Já tentei várias vezes fazer feijão mas não consigo temperar direito e não tenho paciência de esperar cozinhar totalmente, de maneira que o gosto nunca fica igual. Fica um feijão muito improvisado. Desisti.

O que significa que eu quase nunca como comida “normal”. Realmente muito raro eu comer assim um básico arroz e feijão com gosto de arroz e feijão. Outro dia viajando numa cidade encontrei um restaurante brasileiro e juro, quando chegou a comida e eu dei a primeira garfada quase comecei a chorar de saudade (“quase” aqui é só disfarce, saíram lágrimas de verdade). Outro dia ofereci um pote de doce-de-leite que estava sobrando aqui em casa (eu trouxe, ou alguém trouxe pra mim, sei lá, e eu não queria comer) num grupo de brasileiros daqui e em 5 segundos umas 20 pessoas responderam desesperadas que queriam muito aquele doce-de-leite.

Mas enfim. Tudo isso foi só introdução. A questão principal é: eu raramente tenho acesso a comida brasileira de fato, o que me obrigou a adaptar meus hábitos alimentares. Como qualquer imigrante tem que fazer, claro. Inevitavelmente mudar de país faz com que seus hábitos alimentares mudem até certo ponto. Certamente quem vai morar nos EUA acaba comendo mais fast food, quem vai morar no Japão acaba comendo muitos frutos do mar, etc.

Então esse post é sobre como o Alemanha mudou meus hábitos alimentares, e eventualmente inclusive minhas preferências alimentares.

Refrigerantes

A primeira coisa (que eu mencionei no post anterior, e que foi o ponto de partida pra escrever esse post): refrigerante. No Brasil eu era absolutamente viciada em Coca-cola. Tomava muito mesmo, coca no almoço, coca na janta. E eu não era nenhuma exceção, tem gente que toma menos, mas no geral muitas pessoas no Brasil tomam muito refrigerante, e coca-cola está sempre presente em festas, jantares e almoços com muitas pessoas, restaurantes, etc. Ir comer em algum lugar e não ter coca-cola como opção para beber é quase inimaginável.

Nos meus primeiros dois anos na Alemanha eu trouxe esse costume pra cá, e foi bem difícil. Escrevi um post inteiro sobre o quanto os alemães não tem menor idéia de como servir coca-cola. Aqui, se você pede uma coca num restaurante, ela vem sem gelo, quente, sem gás, e muito provavelmente nem é coca-cola de verdade mas alguma marca alternativa. Se você for convidado para almoçar ou jantar na casa de alguém, você pode ter certeza absoluta que não vai ter coca-cola na geladeira da pessoa. Refrigerantes no geral são coisas que os alemães bebem com pouquíssima frequência. Logo parei de pedir coca em restaurantes, porque era sempre nojenta, e passei a tomar só em casa. Depois de uma viagem ao Brasil em que uma amiga querida me apresentou a bebida mais simples e mais maravilhosa da terra – água com gás com gelo e limão – foi um pulinho pra abandonar a coca de vez. Passei a tomar água com gás com gelo e limão em casa, o que supriu a necessidade por uma bebida gelada e gasosa e eu te garanto: se você fica um mês sem beber refrigerante quando você voltar vai te parecer doce demais. A Alemanha curou de fato meu vício em coca de uma vez por todas. Acho que faz tipo um ano que eu não tomo uma coca, e a última vez deve ter sido assim pq não tinha outra opção e eu estava com muita sede, e me arrependi depois do primeiro gole. De todas as mudanças no paladar pelas quais a Alemanha foi responsável, passar de absolutamente viciada em coca para achar coca meio nojento foi realmente a mais radical.

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Açúcar

Na verdade a minha tolerância a coisas com muito açúcar no geral mudou. No Brasil coloca-se muito açucar nas coisas, nos doces, no café, onde der. Quando queremos evitar açúcar no Brasil, a alternativa é adoçante artificial, mas nunca simplesmente nada. Aqui isso é bem diferente. Por exemplo café. Colocar açúcar no café é raríssimo aqui. Só se for um espresso. Mas aqui não se toma tanto café espresso, mas café com leite. Sem açucar. Quando eu ainda tomava café com açucar e me ofereciam café em casas alheias e eu pedia açúcar, as pessoas tinham que ir procurar o potinho de açúcar no canto mais esquecido do armário da cozinha de onde ele sai uma vez por ano. Parei de tomar café com açúcar na mesma época que abandonei a coca-cola. E doces muito doces eu hoje não agüento nem olhar. Cocada, que era um doce que eu adorava quando morava no Brasil, por exemplo. Só de pensar em morder uma cocada já dá enjôo por ser tão doce. Quando faço bolos aqui com receitas brasileiras, coloco menos da metade do açúcar da receita e mesmo assim os alemães convidados a experimentarem dizem que é super doce. Ah, e adoçante artificial é algo que nem existe aqui. Eu nem tinha percebido isso (porque sempre detestei adoçante) até virem me visitar parentes que só tomam café com adoçante, e reclamarem de nunca ter adoçante em lugar nenhum. Realmente não tem mesmo.

Batata ou arroz

O alimento básico de cada cultura pode ter diferentes caras, gostos e cheiros, mas tem algo em comum: carboidratos. Qualquer cultura tem basicamente um item da culinária presente em quase todas as refeições, e que é a fonte principal de carboidratos e conseqüentemente energia e talz. No Brasil é o arroz e feijão, também comum em outros países latino-americanos. Na Itália é a massa. Em muitos países asiáticos também é arroz. Em vários países africanos é a mandioca. E na Alemanha, assim como outros países norte europeus, esse alimento básico sempre presente é a batata. Batata em diferentes formas e consistências: batata cozida, purê, batata assada, etc. Eu ainda prefiro arroz, mas acabo comendo pouco arroz por aqui. Como mais quando vou em restaurante vietnamita (que é a comida oriental mais presente por aqui) ou indiano.

Bom, na verdade essa mudança de hábito não é uma mudança de paladar, eu ainda prefiro arroz a batata. Arroz é bem mais gostoso. Mas uma coisa que você certamente nunca vai encontrar aqui é um prato com arroz E batata. É arroz OU batata. Pra gente batata é um legume, né, você poderia colocar batata junto com uma salada, talvez. Na Alemanha se chamar batata de legume eles te olham estranho.

Óleo

Uma diferença grande é a quantidade de óleo usada nas comidas por aqui. Aqui se usa beeeem menos óleo para cozinhar que no Brasil. E quando usa, usa-se preferencialmente azeite a outros óleos. Isso é uma coisa que eu notei também da última vez que fui pro Brasil, como certas comidas que você compra vem muito oleosas. Por exemplo salame e presunto. Sei lá, você tira o salame da embalagem ele vem todo gosmento e oleoso. Aqui ele vem sequinho. Isso me dá a impressão de que várias coisas meio “básicas” (básicas no sentido de alimentos que você compra assim no supermercado, como salame e presunto) são de pior qualidade no Brasil. Não sei se pior qualidade é a melhor maneira de descrever, mas a minha impressão, comparando um presunto que sai da embalagem sequinho com um que sai da embalagem todo oleoso e gosmento, é que o primeiro é mais saudável que o outro. Será que estou viajando?

Enfim, só sei que eu acostumei a usar bem menos óleo para cozinhar aqui.

Temperos prontos

Aqueles cubinhos ou potinhos de tempero pronto para carne, arroz, ou o que for, são super incomuns aqui. Eu usava sempre pra cozinhar no Brasil. No começo eu comprava aqui também (tinha que procurar meia hora no supermercado até achar os cubinhos escondidos num canto esquecido) e usava para cozinhar, mas aos poucos fui acostumando a cozinhar como meu marido e temperar as coisas com sal, pimenta do reino e cebola. Sei lá, talvez isso seja meio básico, e acho que várias pessoas lendo no Brasil logo dirão que também não usam tempero pronto nunca. Acho que quem gosta de cozinhar não usa mesmo. Mas eu usava e desaprendi aqui.

Pão

Pão é um assunto de extrema importância para um alemão. Alemães adoram pão. Na verdade, se você perguntar para qualquer alemão morando fora da Alemanha do que ele mais sente falta, pode ter certeza que a primeira resposta sem hesitação será “PÃO!”.

Aqui tem muitos tipos diferentes de pão, e eles comem no café da manhã sempre uma seleção variada desses. Esse post aqui explica melhor.

Pão branco é o menos querido entre a maioria dos alemães. Eu ainda não troco um pãozinho francês com crosta bem crocante por nada no mundo, mas os pães alternativos alemães – pretos, com sementes as mais diversas e todo tipo de coisas que você poderia imaginar colocar num pão antes de assá-lo – eu aprendi a gostar. Eu realmente não gostava no começo, só comia pão que não fosse branco se fosse realmente a única opção, e ainda fazia cara feia. Hoje gosto da variedade e como pães diferentes também. (Mas se a opção for entre um pãozinho francês e um outro pãozinho qualquer, vou inevitavelmente escolher o pãozinho francês que ainda não tem igual).

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Comidas diferentes em diferentes épocas do ano

Uma coisa interessante daqui é que, como as estações do ano são bem marcadas e bem diferente, as verduras, legumes e frutas disponíveis variam bastante entre as épocas do ano. Por exemplo, em Abril e Maio come-se muito aspargo. Em Outubro e Novembro, receitas com abóbora são muito comuns, assim como doces com ameixas. O verão, de Junho a Agosto, é época das frutas vermelhas, que aparecem em todos os bolos e doces. Essas variações são tão comuns que quando chega determinada época do ano as pessoas já começam a ficar com vontade de aspargos, ou de abóbora, ou do que for comum daquele período. E isso é uma coisa que morando aqui você logo acostuma e incorpora, até porque comprar framboesas em dezembro (por exemplo), até dá, mas pelo triplo do preço que custa no verão. E você só encontra em supermercados mais “gourmet” em embalagens com pequenas quantidades. Quando encontra.

 

Não sei, com essa lista ficou parecendo que os alemães comem muito melhor que a gente e são muito mais saudáveis. Isso em parte é verdade, mas só em parte. Eu não acho que a comida normal deles seja mais saudável, tipo o prato do almoço diário de um alemão médio. Um PF na Alemanha seria provavelmente: batata cozida, repolho cozido e alguma carne de porco, possivelmente um schnitzel (que é alguma carne à milanesa). Não acho isso mais saudável que arroz, feijão, bife e salada. Talvez igual? Não sei. Com certeza acho repolho e batata cozida bem menos gostoso que arroz, feijão e salada. De vez em quando até vai, mas como prato básico de comer todo dia? Yuk. Pra falar a verdade as comidas típicas alemãs – as bem normais – eu não tenho nem vontade de olhar. Saudades de um quilo, ou de um PF basicão.

À esquerda: Yuk! À direita: Yum! Tá, a foto da direita tá toscona, pq eu tirei rapidão com o celular, mas essa é a comida que proporcionou lágrimas de saudades.

Mas no que diz respeito a açúcar aí sim dá pra dizer que os costumes por aqui são mesmo mais saudáveis. A gente consome realmente muito açúcar no Brasil, e é vício. Quando você começa a reduzir o consumo, logo você vai perdendo a vontade de coisas muito doces. Mas dar esse primeiro passo de reduzir o consumo é muito difícil quando todo mundo em volta tá comendo um maravilhoso pudim de leite com uma coca-cola bem gelada. Então acho que acaba virando um vício coletivo.

E da última vez que estive no Brasil eu tive, mesmo, a impressão de que a comida industrializada era mesmo de pior qualidade.

Pra finalizar, acho que vale a pena comentar também que a adaptação em termos de comida varia muuuuito de imigrante pra imigrante. Se você cozinha muito em casa, e é só você em casa que cozinha, a adaptação é bem menor porque você continua cozinhando da mesma maneira de antes – você descobre onde encontrar os ingredientes mais raro, ou acha alguns substitutos suficientemente similares e pronto. Principalmente se as outras pessoas pra quem você cozinha têm os mesmos hábitos alimentares que o seu (por exemplo se você mudou com a família brasileira pra cá, em contraste com alguém que montou uma família binacional aqui). Se por outro lado você não cozinha nada mas come de tudo, aí inevitavelmente você se adapta à comida 100%.

Pra mim não foi nem um nem outro, mas um meio termo. Eu sempre fui bem fresca pra comer, tem um monte de coisa que eu não gosto, e normalmente quando eu encontro algo que gosto eu repito aquilo infinitamente. Em todos os restaurantes que eu vou regularmente (tem um italiano, um indiano, um tailandês e uma padaria) inevitavelmente assim que eu chego lá a pessoa que vem me atender já chega me dizendo meu próprio pedido. Que é sempre o mesmo. E eles já decoraram. Sério, a padaria do lado de casa (em que eu paro todo dia de manhã pra comprar dois pãozinhos com gotas de chocolate que é meu café da manhã dos dias de semana), assim que eu entro a pessoa que está atendendo já coloca dois Schokobrötchen na sacolinha de papel sem nem perguntar. E isso porque tem umas 5 pessoas diferentes que trabalham lá. Mas voltando: eu sou fresca pra comer mas não cozinho muito. Cozinho às vezes. Meu marido cozinha com mais freqüência, mas come de tudo. Então algumas coisas que eu não comia antes porque não estava acostumada e achava que não gostava, passei a comer. Mas várias outras coisas que seriam comuns se só meu marido cozinhasse e eu comesse qualquer coisa não aparecem nunca na nossa geladeira. Então fomos adaptando nossos costumes culinários um ao outro de maneira que as nossas comidas típicas em casa acabam sendo uma mistura de Brasil e Alemanha.


(Publicado em 30 de Novembro de 2017)

Comendo com alemães – Atualizado

Este humilde blog completa 5 anos daqui a poucos meses. Em 5 anos muita coisa muda, tanto fatos quanto impressões. Esse ano “renovei” vários posts antigos, principalmente escritos no primeiro ano de blog, e acho que isso vai ser uma tendência inevitável enquanto o blog continuar vivo.

Um dos temas sobre o qual escrevi bem no comecinho, e que precisa de atualização, é hábitos ao comer.

Talvez o mais importante: os alemães sempre falam “Bom apetite” antes de comer. Guten Apetit, ou às vezes só Guten, ou Lass/t es dir/euch schmecken são as diferentes frases que eles usam, mas sempre se diz algo antes de começar. Normalmente espera-se todo mundo estar sentado com comida no prato antes de começar (com muito mais frequência que no Brasil, onde em situações informais não se espera nunca), mas há exceções: em almoços rápidos, informais entre colegas de trabalho às vezes já começa-se antes dos outros. Na dúvida preste sempre atenção para ver se os outros estão esperando ou se já estão comendo, porque se você começar numa situação em que todo mundo espera, pega bem mal.

Com bebidas é ainda mais importante esperar, os alemães brindam sempre. Preste sempre atenção nos outros e só comece a beber depois que outros já estiverem bebendo – ou depois do brinde. Aqui é muito importante olhar nos olhos da pessoa que está brindando com você, faz parte do brinde. Esses detalhes é bom prestar atenção porque são aquelas coisas pequenas que a gente nem percebe que fez errado, mas passa uma má impressão!

Essas coisas eu já escrevi em posts passados, de temas variados.

Mas tem um outro assunto que eu ainda não abordei, que é como os alemães comem. Para mim, mesmo depois de quase 6 anos aqui, uma coisa que não me entra na cabeça é como eles usam colher. Não como mas em que situações. No Brasil só se usa colher pra tomar sopa, sopa líquida, mesmo. Ou pra comer sobremesa. Usar colher para qualquer outra comida é super estranho, parece que a pessoa não aprendeu a usar garfo e faca, fica feio. Mas aqui se usa colher pra qualquer coisa que tenha molho, basicamente. Macarrão, por exemplo, ou massas no geral – que não precisam ser cortadas – os talheres que se põe na mesa são só garfo e colher! E frequentemente, mas bem comum mesmo, os alemães dispensam totalmente o garfo e comem tudo com colher!

Nossa, eu confesso que isso me passa uma super má impressão. É engraçado pq eu não tenho lá grandes preocupações com etiqueta ou “boas maneiras” no sentido exagerado dos dois termos, mas comer com colher qualquer coisa que não seja totalmente líquida, ou sobremesa, eu acho totalmente bizarro.

Toda semana às terças feiras o pessoal do escritório pede comida indiana pro almoço. Comida indiana quem conhece sabe, é basicamente pedaços de legumes, batata, frango ou outros com muuuuito molho muito gostoso. Com arroz e pão pra comer junto. A idéia é que o molho você mistura com o arroz ou molha o pão no molho e assim come o molho. A ideia não é comer o molho como se fosse sopa. Mas toda terça-feira eu olho em volta e tá todo mundo comendo a comida indiana só com colher, como se fosse sopa. Eu hein. Com massa é a mesma coisa, penne, spirelli, essas massas que não precisa cortar? Não comem com garfo mas com colher. Sempre que eu “reclamo” disso pro meu marido ele me assegura que esse costume é mais específico daqui da Saxônia, e que em outras partes da Alemanha isso não é tão comum. Mas você pode ter certeza que em qualquer lugar da Alemanha, se você pedir uma massa, os talheres que serão colocados ao lado do seu prato são garfo e colher. Nunca faca.

Uma outra coisa que eu acho curiosa é que em algumas situações o guardanapo que você usou para uma refeição é reutilizado (por você mesmo, não por outra pessoa). Tipo, na época de Natal você almoça/janta com a família vários dias seguidos, certo. Dia 24, dia 25, dia 26. Nesses dias os alemães montam a mesa bem bonita, com decorações natalinas e guardanapos daqueles grossos.

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E curiosamente depois que se retira a mesa deixa-se os guardanapos lá, nos mesmos lugares, para usar e novo pra janta ou pro café ou o que for, no dia seguinte. Um tanto estranho. Eu não sei como que eles usam o guardanapo que faça sentido reutilizar, mas ao final da janta o meu não está só sujo como também dobrado, amassado, sei lá. Eu fico super dobrando o guardanapo. Aí eu olho e os outros tão todos bonitinhos e só o meu tem que ser reposto pq eu destruí o negócio, hehe. Mas gente, reutilizar o guardanapo de papel? Estranho, isso, hein. Estranho.

Aliás, voltando às bebidas, legal falar também das opções. Num almoço ou janta com alemães, na casa de alguém, vão te oferecer pra beber: cerveja, vinho, água (com gás) e talvez algum suco. Só. Coca-cola e outros refrigerantes, que são quase essenciais numa casa brasileira, são super raros aqui. Já fiz um post inteiro sobre coca-cola na Alemanha, que dá mto assunto. Mas se tem uma coisa que a Alemanha curou em mim foi o vício em coca. Realmente parei de beber coca e refrigerantes no geral depois que vim pra cá. Essa foto acima é de um dos meus primeiros (talvez o primeiro) natais aqui, e aquela coquinha ali no fundo tava lá especialmente pra mim. Na época eu ainda não conseguia imaginar um jantar sem coca. Engraçado como essas coisas mudam.

Aliás, muita coisa mudou nas minhas preferências em termos de comida e bebida depois de quase 6 anos aqui, dá pra fazer um post só sobre isso. Ok, vou fazer um post só sobre isso.


(Publicado em 26 de Novembro de 2017)

Diferenças entre a Alemanha e a América do Norte

O blog anda meio parado, mas é por um bom motivo: passei as últimas três semanas de férias. Aproveitamos o tempo para viajar para os Estados Unidos e Canadá, e fazia já um tempo que eu não viajava para fora da Europa (2 anos e meio desde minha última visita ao Brasil). Essa viagem foi interessante para eu perceber como várias coisas que são diferentes aqui eu já me acostumei tanto que até esqueci que são diferentes em outros lugares. Nesse sentido é interessante também notar o quanto os países do continente americano têm muitas semelhanças entre si. Diferenças também, claro. Mas muitas coisas que eu notei serem diferentes nos EUA daqui são no Brasil assim também.

Então resolvi fazer um post listando as principais diferenças que notamos entre a América do Norte e a Alemanha/Europa.

Restaurantes/Comida
A primeira coisa que notamos – e que nos incomodou muito – foi que nos EUA em fast foods e cafés você sempre seeeempre recebe talheres e pratos e copos descartáveis. Não importa se você especificar que vai comer no local, em qualquer restaurante ou café onde você tem que pedir a comida no balcão vem tudo, sempre, em pratos e copos de papelão ou plástico. Não dá pra acreditar a quantidade desnecessária de lixo gerado. Cada cafézinho num copo descartável, que desespero! Na Alemanha as coisas realmente só vem em copos descartáveis quando você especifica que quer não vai comer no local. Mas isso também é uma diferença que notamos: na América do Norte as pessoas frequentemente tomam café e comem andando na rua, indo de um lugar pro outro. Principalmente em cafés eram poucos os que sentavam para tomar o café no local. Aqui sentar num café pra tomar uma xícara de café com calma e comer um bolinho é um costume bem típico.

Aliás comida foi outra coisa, embora não seja nenhuma surpresa: nossa, como foi difícil achar comida decente nos EUA! Tudo fast food, tudo cheio de açucar, cheio de óleo… eu não sou nenhuma fã de comida alemã, mas pelo menos em qualquer supermercado você encontra várias coisas saudáveis e não se costuma colocar tanto açucar em tudo.

E finalmente, em relação a restaurantes, outra diferença grande é como se dá a caixinha. Na Alemanha você recebe a conta e na hora de pagar diz quanto quer que o garçom cobre, adicionando normalmente algo entre 5 e 10% de caixinha. Normalmente as pessoas arredondam o valor da conta em algo próximo a 10%. Por exemplo, se a conta deu algo entre 22 e 23,5 euros, você falaria para cobrar 25. Se você estiver pagando com cartão ou com diheiro a mais. Se você está pagando com 25 euros, digamos, uma conta de 22, aí vc diz “está certo assim”. Nos EUA a caixinha varia entre 15% e 20%, ou até 25% se o cliente for bem generoso. Mas nunca se dá a caixinha direto pro garçom, você sempre deixa na mesa depois de pagar a conta. No Canadá a caixinha era sempre 15%, e na hora de passar o cartão a maquininha pergunta se você quer deixar uma caixinha e você digita a porcentagem que quer deixar de caixinha.

Pessoas
O que eu mais gostei durante essa viagem foi da simpatia das pessoas. As pessoas na América do Norte (e isso vale 100% pro continente americano inteiro) são muuuuuuuito mais simpáticas e amigáveis que os alemães meudeusnemsecompara. Os alemães (pelo menos – ou principalmente – os saxões) são com bastante frequencia super grossos sem a menor necessidade. As palavras trocadas com desconhecidos são sempre limitadas ao mínimo necessário, e sorrisos parece que custam dinheiro. Nos EUA era tão fácil falar com as pessoas em qualquer situação… No Canadá nem tanto porque estávamos na parte francesa e alguns realmente não queriam falar inglês. Mas fora esses, os outros eram bem simpáticos também.

Outra coisa é que nesses dois países a sociedade é tão diversa e misturada (mais que no Brasil) que ninguém se sente peixe fora d’água. Você pode ter qualquer cara e se encaixar bem por  lá (numa cidade grande, claro, não numa vilazinha no meio do nada onde todo mundo vota Trump, né). Aqui se você é um pouquinho diferente em aparência, todo mundo te olha o tempo todo. É bizarro. Eu tenho a sorte de passar um tanto despercebida por aqui em termos de aparência, mas vejo isso com clareza quando estou com amigos mais obviamente estrangeiros que eu. Não quero nem imaginar como uma pessoa negra ou árabe se sente o tempo todo aqui. Um amigo meu brasileiro que parece um pouco árabe nos poucos dias que passou aqui me visitando para o meu casamento relatou todo tipo de olhar feio e falta de educação que ele passou. No tram as pessoas evitando sentar perto dele, ignorando totalmente quando ele tentava parar alguém pra pedir informações de como chegar em algum lugar… se foi assim em poucos dias, imagina morar aqui…

Aliás, uma coisa que notei é que nos EUA e Canadá as pessoas SEMPRE perguntam de onde você é. Sempre mesmo, as pessoas têm essa curiosidade, e eu acho que é na maior parte das vezes só curiosidade mesmo, não uma necessidade de categorização. Aqui um desconhecido nuuuuunca te perguntaria de onde você é, nunca mesmo. E as pessoas conhecidas esperam um tanto pra perguntar. Eu acho que as pessoas acham que é um pouco mal-educado perguntar, talvez pq pareça que elas queiram te julgar de acordo, se perguntarem? Não sei, mas o fato é que não se pergunta nunca.

Carro
Uma diferença gritante é em relação ao uso de carro. Aqui na Alemanha as pessoas adoram carro, claro, no país da VW, Porsche, Audi, Mercedes, BMW e tantas outras marcas de carro não tinha como ser diferente. Mas nossa, nem se compara às américas. Nos EUA e Canadá – e no Brasil também é assim – as cidades são feitas pra carros. É comum morar em subúrbios onde se faz tudo de carro, todo mundo tem carro e todo mundo usa carro diariamente. Aqui é comum deixar o carro em casa em várias situações, muita gente vai pro trabalho de bicicleta ou transporte público e o mais comum é ter só um carro por família, e não um pra cada membro maior de 18 anos. E a gasolina nos EUA é absuuuurdamente barata, chegamos a pagar uns 2,80$ por galão, que são 3,7L. Ou seja, 0,75$ por litro. Na Alemanha custa por volta de 1,30€ (1,57$) por L, o dobro do preço!

Pagamentos
E finalmente, um ponto bem diferente é como as pessoas pagam por coisas. Aqui na Alemanha é comum pagar as coisas do dia a dia (comida, restaurante, supermercado, coisas do dia-a-dia) com dinheiro. Vários lugares nem aceitam cartão de crédito, só o cartão de débito europeu. Alguns não aceitam cartão nenhum. Então tem que sempre ter dinheiro na carteira. Nos EUA, Canadá, e no Brasil também, qualquer lugar aceita cartão. Não sei exatamente como é no Brasil atualmente, mas nos EUA você pode pagar qualquer quantia com cartão de crédito, até uma garrafinha de água. E quase todo mundo paga tudo sempre com cartão. Bem mais prático, mas perigoso de gastar muito dinheiro sem perceber. Já escrevi um post falando sobre esse costume alemão e suas origens aqui.

É isso! Bom, não, tem várias outras diferenças, claro, mas isso foi o que a gente notou com mais clareza e imediatamente.

Doces alemães

Apesar da comida alemã não ser a mais atraente que você já conheceu, em uma coisa eles bem que acertam: doces.

O curioso é que, se você for tentar fazer doces brasileiros por aqui, vai perceber que leite condensado não é tão fácil de encontrar, doce de leite não existe, várias coisinhas que pra gente são essenciais para doces aqui não são comuns. Mas na verdade isso é até um ponto positivo daqui: os doces alemães não são mega doces e enjoativos, como aquele bicho-de-pé que vc come uma bolinha e já não agüenta mais pensar em doce. Sempre que eu faço algum doce brasileiro aqui, os alemães reclamam do excesso de açúcar. E você acaba acostumando e depois também acha tudo muito doce no Brasil. (mas não menos delicioso, hehehe)

Um ou outro doce ou sobremesa alemã eu já comentei aqui no blog: a Bomba de Iogurte, o Pudim de baunilha com cerejas e o Berliner, que parece um sonho.

Um tipo de doce que você vai sempre encontrar em padarias são tortas de morango/framboesa/groselha ou outras frutinhas desse tipo. Elas têm essa cara aqui:

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O bolinho do lado é outra coisa que você encontra com freqüência por aqui, chama Quarkbällchen (bolinha de quark) e é bem parecido com um bolinho de chuva, só que com uma casca menos crocante.

Parecidas e também comuns são outras tortas/bolos como cheesecake, Zupfkuchen (é um cheesecake com chocolate), e outras várias sempre cortadas exatamente nesse tamanho padrão de torta de padaria.

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Da esquerda pra direita temos: alguma torta com frutinhas vermelhas; Pflaumenkuchen, que é torta de ameixas; Apfel mit Decke, um bolo de maçã com cobertura de açúcar derretido; Eierschecke, é um bolinho típico aqui de Dresden feito com ovo e uma cobertura de maçã e; Karibikschnitte, que é um bolo de chocolate, abacaxi e côco que é uma delícia.

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E outro doce que você sempre encontra em padarias diversas chama Schweineohr (orelha de porco). O nome talvez não seja tão atrativo, mas o doce bem que é:

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É uma massa folhada com as pontas mergulhadas em chocolate. Esse outro parecido é menor e feito de marzipã, portanto um tanto mais doce:

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O outro da foto é alguma massa folhada qualquer, tem vários doces folhados. Não sou muito fã então acho que nunca experimentei nenhum desses, logo não sei dizer o que eles contêm.

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Um bolo que você encontra sempre por aí é o Donauwelle (ondas do Danúbio). É esse daqui:

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Uma massa com chocolate e creme, recheado com cerejas e uma cobertura meio durinha (mas não muito) de chocolate. Qualquer doce com cerejas dentro é uma delícia, claro.

Um ingrediente bem comum em doces por aqui e que não existe no Brasil é semente de papoila. Não existe no Brasil porque aparentemente papoila é uma planta com a qual dá pra fazer sonífero, ou drogas, sei lá, e portanto ela é proibida. Mas aqui não é e as sementes, ou a pasta feita delas, dá ótimos doces. Como esse bolo abaixo. Às vezes parece chocolate, então você pode acabar pedindo um doce achando que é com chocolate, mas na verdade é a pasta dessa semente. Em alemão chama Mohn, então já sabe, se tiver Mohn no nome, não é chocolate. Mas é bom, também.

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Mas o que é provavelmente meu doce preferido é o Johannisbeerschnecke. Johannisbeer é a groselha (a fruta), sobre a qual discutimos nesse post sobre frutas. Schnecke significa caracol, e é o nome dado a doces em formato espiral com açúcar derretido por cima. É MUITO gostoso.

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Outros Schneckes também são ótimos, como o abaixo, de quark.

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Tem muitos outros doces que eu não falei porque não consegui fotografar desde que comecei a “colecionar” fotos (toscas tiradas com o celular, mas enfim) de doces pra esse post. Então quem sabe uma hora dessas aparece um Doces Parte 2.


(Publicado em 29 de Julho de 2015)

Universidades alemãs: mensa

Já escrevi um pouco sobre universidades em quatro posts. Um sobre os aplausos curiosos típicos de universidades por aqui, um sobre os esportes oferecidos por universidades, outro sobre os professores, e o post mais recente, sobre bibliotecas.

Nesse post, vou abordar os típicos refeitórios das universidades alemãs, ou, como chamam os alemães, a Mensa (Mensen no plural, mas óbvio que eu vou falar as mensas e não as mensen).

Ok, pra ser honesta, não sei se eles são assim em todas as universidades alemãs, ou só aqui em Dresden. Mas eu suspeito que não sejam muito diferentes em outras universidades.

Aqui funciona assim: Tem várias mensas e cafés nos diferentes edifícios da universidade. Elas são todas bem parecidas. Para comprar algo, você precisa do cartão da mensa. É um cartão verdinho que você faz no caixa. Precisa de um comprovante de que você é estudante, que você recebe semestralmente quando faz a matrícula pro semestre seguinte, e um depósito de 5 euros (que é devolvido se você devolver o cartão).

Você coloca crédito no cartão (também no caixa) e paga colocando ele sobre uma maquininha que lê e desconta o que você gastou.

Tem as mensas restaurante, e tem as mensas café também, que só vendem uns doces e “sanduíches”. O sanduíche está entre aspas porque na Alemanha sanduíche de padaria = pão com queijo OU presunto OU salami, mais tomate e pepino.

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Studentenwerk-dresden.de

Nas mensas restaurantes, para pegar a comida é meio como num bufê, mas você não se serve sozinho. Tem normalmente opções de prato, que são uma combinação de alguma carne, algum carboidrato e algum legume. Por exemplo, peixe com batata e repolho. Em todas as mensas tem sempre uma opção vegetariana, já que tem bastante vegetariano na Alemanha, e em algumas tem também uma alternativa de macarrão self-service, com duas opções de macarrão e duas opções de molho (um com carne e um vegetariano). Costuma também ter um bufê (bem ruinzinho) de salada. O preço é fixo pelo prato ou por peso no caso da salada. Como costuma ter umas 3 opções de prato, às vezes dá pra vc fazer uma troca de coisas equivalentes, tipo se um prato tem arroz e o outro tem batata, se vc pede o um com batata ou o outro com arroz, normalmente não tem problema.

Mas no geral a comida é bem ruim. As opções de carne são quase sempre carne de porco, que é o que mais se come na Alemanha, e de qualidade bem questionável. Tem sempre um molho qualquer para a carne que eles jogam em quantidades tão exageradas que o prato vira quase uma sopa. Quase sempre o acompanhamento de legume é repolho sem gosto, ou outras coisas similares e os pratos no geral não são nem um pouco atrativos. As massas são moles e ruins. Eis aqui alguns exemplos tirados diretamente do site (onde fica disponível o menu da semana de cada mensa).

Chili con carne mit Reis und Salat

Chilli com carne com arroz e repolho – studentenwerk-dresden.de

Feuerfleisch vom Rind mit Kartoffelkroketten und Rotkohlsalat

Carne de porco com bolinhos fritos de batata e repolho – studentenwerk-dresden.de

Hähnchenfleisch süß-sauer an Erdnussreis

Frango agridoce com arroz e amendoim (?) – studentenwerk-dresden.de

Spargel-Gemüseragout mit Kurkumareis und Eisberg-Radicchiosalat

Arpargos com legumes, risoto e salada – studentenwerk-dresden.de

Mediterranes Pfannengemüse mit einer Rucola-Süßkartoffelschnitte

Uns legumes refogados com uma batata doce à milanesa e alface – Studentenwerk-dresden.de

Peixe à milanesa com purê de batata e brócoli.

Peixe à milanesa com purê de batata e brócoli. O único prato dos apresentados que eu comeria sem reclamar. – Studentenwerk-dresden.de

Um macarrão picante com  legumes refogados – Studentenwerk-dresden.de

Um macarrão picante com legumes refogados – Studentenwerk-dresden.de

Zwei scharfe Kokosplinsen mit Sesam-Koriander-Dip und Gemüsesalat

Não sei quê isso. – Studentenwerk-dresden.de

Sentiu vontade de almoçar lá? Eu não.

Mas se tem uma coisa que não dá pra reclamar é dos preços. Pratos como esses apresentações acima custam uma média de 2,50€, no máximo uns 3,00€. Os pratos de massas custam no máximo 2,00€. (Isso em Dresden. Em cidades maiores e mais caras os preços certamente são correspondentes!)

É, se tem algo na Alemanha que não é bonito nem atrativo são as comidas.

Mas bem, entre as sobremesas até que tem algumas coisas bem simpáticas. As opções normalmente são as mesmas em qualquer mensa: iogurte com frutas, uma fatia de bolo de limão ou de bolo mámore, umas cookies bem grandes e gostosas, algumas pães doces típicos de padarias, e algumas opções de tortas também. Nas mensas café tem sempre algumas alternativas de almoço como os já mencionados sanduíches, algum pedaço de pizza meio esquisita, coisas assim. Mas esses já costumam ser bem caros, praticamente o mesmo preço do prato de comida.

Opções de bebida são refrigerantes diversos (em garrafas), água (só com gás), e, claro, variedades de café.

E pelo site do Studentenwerk (a “organização” que organiza as mensas e as moradias estudantis) dá para ver o endereço de todas as mensas, o cardápio da semana presente e da semana seguinte, e horário de abertura.

É isso! Ficam mais umas fotos:

Neue Mensa

Studentenwerk-dresden.de

Alte Mensa

Studentenwerk-dresden.de

Uma mensa café super simpática – Studentenwerk-dresden.de

Uma mensa café super simpática – Studentenwerk-dresden.de


(Publicado em 2 de Abril de 2015)

 

Encontros de família

Estou passando uns dias no Brasil e redescobrindo várias coisas que eu tinha esquecido que eram assim aqui (no Brasil). Você acostuma com a coisa do outro jeito e esquece que era daquele jeito.

Uma dessas coisas são almoços de família. Aqueles almoços com TODA a família, os tios, primos, sobrinhos, a vó da prima de segundo grau, o filho do irmão do tio-avô, aqueles almoços em que não tem uma única pessoa presente que conhece absolutamente todos os outros. Esses na Alemanha eu nunca vi. Claro, minha experiência com famílias alemãs se resume à família do meu namorado, talvez em outras famílias seja diferente (duvido).

Na Alemanha não é muito comum fazer um almoço e chamar tanta gente. Almoços/jantares de família normalmente incluem só a família direta, mesmo, pais e filhos e quando muito os casais dos filhos. Mesmo no Natal – que pra gente é um evento sempre com muitas pessoas – lá eles costumam comemorar só com a família direta, talvez uma avó.

E aí você pergunta, mas quando então se encontram as famílias alemãs? Uma vez que você tem filhos você nunca mais encontra os seus irmãos?

Eu também me pergunto isso. Mas pela minha experiência, esses grandes encontros familiares existem em menor número – talvez um por ano – e em eventos mais especiais, o casamento de alguém, o aniversário de 60 anos do tio (pros alemães os aniversários de anos redondos (40, 50, 60, 70..) costumam ser motivo para grandes festas), o de 90 anos da avó. Nessas ocasiões é comum organizar festas mesmo, em algum lugar como uma sala reservada de um restaurante, coisa assim. Aí chama-se todos os tios, primos, sobrinhos e amigos.

E também é diferente o que acontece nesses encontros familiares. Por exemplo. Aqui no Brasil, num almoço informal assim, as pessoas não esperam todas as outras antes de começar a comer ou beber. Normalmente você senta, pega a sua comida e começa a comer, ainda que nem todos os outros já estejam sentados também. Na Alemanha, se você está sentado numa mesa com outras pessoas, vc sempre espera todos os outros estarem sentados com suas comidas nos pratos para dizer “Guten Apetit” e começar a comer juntos. E sempre, seeeeeeeeempre as pessoas só começam a beber depois de brindar.

Outra diferença é que no Brasil me parece que a televisão ainda é um elemento importante desses eventos. Depois de almoçar, se for domingo, uma parte das pessoas senta na frente da TV pra ver o jogo, ou então pra ficar assistindo Faustão ou uma bobeira qualquer e conversando ao mesmo tempo. Lá a TV fica desligada. Mas, claro, são eventos diferentes. Na Alemanha, um evento familiar na casa de alguém, como falei, não teria tanta gente, então é factível ficarem todos numa mesa conversando, ou começarem todos a comer ao mesmo tempo. No Brasil, como são muitas pessoas, elas acabam se dividindo em grupos menores depois do almoço, uns na frente da TV, outros na mesa de jantar do lado das sobremesas, etc.

Ah, e enquanto no Brasil é bem comum que esses eventos sejam almoços, a tarde, na Alemanha um evento que juntasse todo mundo como um aniversário importante ou casamento é, na maior parte das vezes, uma janta, a noite.

No geral me parece que no Brasil as famílias são mais unidas, se encontram com mais freqüência, e tal. Mas também, é mais comum que todos morem na mesma cidade, enquanto na Alemanha me parece que a maioria das famílias estão espalhadas em diferentes cidades do país. Tanto é que é relativamente comum (segundo meu namorado) para os alemães se referirem aos seus avós com o nome da cidade onde moram, tipo a Oma (avó) Düsseldorf e a Oma Frankfurt! 

Então resumindo: se você for a um encontro de família na Alemanha, saiba que você provavelmente não deveria estar lá! Ok, ok, se te convidaram, tudo bem. Mas não esqueça de esperar e brindar antes de começar a beber e comer, porque isso é sério e eu sempre faço papelão!


(Publicado em 12 de março de 2015)

Pãezinhos

Em um antigo post sobre comidas alemãs eu falei um pouco sobre o café-da-manhã típico daqui, que inclui pãezinhos de todos os tipos. Resolvi então escrever um post só sobre os variados pãezinhos.

Se você for daqueles que não consegue começar o dia sem antes comer um delicioso pão francês, não se preocupe. Por aqui eles também são comuns. Aliás, são inclusive o tipo default de pãozinho, aquele que você sempre encontra nas padarias, embora não sejam necessariamente os mais comprados. Se você ficar na casa de um alemão, talvez ele não pense em comprar os pãezinhos franceses que você tanto gosta. Mas se você mesmo for à padaria, certamente os encontrará. Só que não chama pão francês, claro. Eu costumo encontrar pelo nome de Klein Brötchen – pãozinho pequeno – mas se você disser só Brötchen (pãozinho) ou Normales Brötchen (pãozinho normal), todo mundo vai entender que você está falando do pão francês. Aliás, com os nomes é meio complicado porque com freqüência o mesmo tipo de pãozinho tem nomes diferentes em diferentes padarias, e especialmente em diferentes partes da Alemanha.

Mas claro que eu não vim escrever um post sobre pão francês, mas sobre os outros variados tipos. Então lá vai:

IMG_0202

Começando pelos pães brancos, temos o Doppelbrötchen.

Doppelbrötchen

Doppelbrötchen

Aqui no leste esse tipo é bem comum. Eu não entendo muito o objetivo do Doppelbrötchen. É tipo um pãozinho francês normal grudado em outro. Na hora de assar eles colocam dois a dois do ladinho de maneira que eles ficam grudados. Mas o porquê grudar dois pãezinhos é uma coisa que eu ainda não descobri. Essa versão da foto é bem grande, aliás, normalmente eles são um pouco menores.

Também branco é o Kaiserbrötchen, esse daqui:

Kaiserbrötchen

Kaiserbrötchen

Também não muito diferente do pão francês exceto pelo formato redondo.

Parecido com o Kaiserbrötchen é o Laugenbrötchen:

Laugenbrötchen

Laugenbrötchen

Lauge significa água com sal, que é basicamente como esse pãozinho é feito. É a mesma massa do Kaiserbrötchen, só que antes de assar eles molham a pãozinho em água com sal. Então, ao assar, ele fica assim escurinho e mais salgado que um pãozinho normal. Meio como um Pretzel (que aliás também merece um post porque não tem nada a ver com os pretzels que as vezes vende no Brasil, e aliás, nem chama Pretzel, mas Bretzel, com B).

Agora começa os que tem 10 nomes possíveis diferentes…

Esse aqui é às vezes chamado de Kartoffelbrötchen, ou pãozinho de batata

Kartoffelbrötchen

Kartoffelbrötchen

Mas ele não é feito de batata. O nome vai ver é porque ele parece uma batata? Mas ele não parece uma batata. Sei lá. Tem desse branco (com outro nome) e mais escuro como o da foto. A diferença é, claro, o branco é feito com farinha de trigo enquanto o escuro com outros cereais, mas a diferença deles para os pães normal é que eles incluem um processo sei lá qual que envolve umas bactérias X. Puxa, acho que eu não sou a pessoa mais indicada pra escrever esse post dos pães.

O próximo é o Kurbiskernbrötchen:

Kürbiskernbrötchen

Kürbiskernbrötchen

Kürbis é abóbora, Kern é semente, então, como o nome e a foto indicam, esse é o pãozinho com sementes de abóbora. A massa, como de todos os outros pãezinhos exceto os brancos básicos, é de uma mistura de cereais além de trigo, então é sempre um pãozinho mais escuro por dentro. Esse tipo com as sementes de abóbora é bem comum.

A questão também com os nomes é que os alemães são bem criativos com pãezinhos, eles inventam mil misturas de sementes e cereais e formatos possíveis para fazer seus diferentes pãezinhos. Então fica difícil saber o nome de todos eles porque basicamente eles nomeiam de acordo com o que tem no pãozinho, né. Esse aqui eu vi pelo nome de Dinkelbrötchen:

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Dinkelbrötchen

Tipo um pãozinho francês com gergilim, uma farinha por cima, e a massa é não só de trigo mas de espelta (pergunta pro Google).

Esse outro também com gergilim por cima chama-se Körnerdreieck, ou triângulo de cereais.

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Körnerdreieck

E aqui mais dois que eu não tenho idéia de como chamam. Esse primeiro, que eu vou carinhosamente batizar de Brötchen X, tem grãos ralados por cima.

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E esse daqui, o muito famoso Brötchen Y, me parece um Bagel com gergilim e sementes de papoula (outro ingrediente bem comum em padarias):

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Um favorito das crianças (e meu) é o Schokobrötchen, que pode vir em vários formatos diferentes, mas é sempre um pão fofo branco (não salgado e não crocante) com pedacinhos de chocolate:

Schokobrötchen

Schokobrötchen

Nham. Tem também o Rosinenbrötchen, que é como o Schokobrötchen só que com uvas passas ao invés de pedaços de chocolate. Mas esse eu não comprei pra fotografar, porque, cá entre nós, quem iria querer comer um pãozinho com pedaços de uva passa, quando se pode comer um com pedaços de chocolate?

Aqui são só alguns pequenos exemplos do que eu achei numa única padaria num único dia, pra dar uma idéia. Mas, realmente, a variedade de pãezinhos diferentes por aqui tende ao infinito.

A única coisa ruim dos pãezinhos daqui, é que é muito raro você comprar pãezinhos recém-saídos do forno, quentinhos e tal. Nossa, só de escrever essa frase já me deu água na boca. Mas realmente, é raríssimo eles virem quentinhos porque por aqui está ficando cada vez menos comum que a padaria onde você compra os pães asse os mesmos. Normalmente eles são feitos em padarias industriais grandonas, em enormes quantidades, e distribuídos pelas padarias da cidade de manhãzinha. Então quando você compra seu pãozinho, ele saiu do forno, foi separado, colocado num caminhão, distribuído na sua padaria e só então vendido. =/ Mé. Mas eles não são menos gostosos por isso, não, só não vêm quentinhos.

E uma coisa que é importante de mencionar, se falamos de pãozinho, é que aqui só se come pão em tábua de madeira, como nas fotos. Nunca, jamais, em prato. Se você estiver na casa do seu amigo alemão e ele pedir pra você colocar a mesa enquanto ele faz o café, e você colocar pratos ao invés das tábuas, pode ter certeza que seu amigo vai te olhar como se você fosse um alien. Jamais passou pela cabeça dos alemães comer pão em um prato. Vai entender.


(Publicado em 31 de Janeiro de 2015)