contas de consumo

Água

Tem muita coisa que dá pra falar sobre água e os hábitos relacionados à água em diferentes países. Eu gostaria de falar mais sobre infraestrutura de água, só que esse é o tópico mais difícil já que envolve conhecimentos bem específicos. Mas eu consegui juntar algumas informações, tanto do uso da água no cotidiano quanto informações mais gerais sobre infraestrutura que acho que dá pra compilar num post.

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Começando com o uso no cotidiano, então.

Recentemente recebi uma pergunta aqui no blog, que é uma questão que assombra os brasileiros em relação aos europeus. Os alemães…. eles… tomam banho todo dia? *tan dan daaan!*

Embora seja comum ouvir dizer que os europeus não tomam banho todo dia, pela minha experiência pessoal os alemães tomam banho todo dia, sim. Minha experiência pessoal significa alemães na casa de quem eu já dormi, ou que já dormiram na minha casa, ou com quem já viajei junto, etc. Mas se minha experiência é representativa ou não eu já não sei. Eu tenho minhas dúvidas, porque recentemente descobrimos que o nosso apartamento, onde moram duas pessoas e um gato, gasta 40% da água do edifício em que moramos (que contém outros 5 apartamentos com um morador em cada, e alguns outros gatos). Conversando com vizinhos para ver onde que estávamos gastando demais e poderíamos reduzir, chegamos à conclusão que o único lugar que poderíamos estar gastando mais que a média era no chuveiro…

Não que isso signifique que eles não tomam banho. Mas por lá é bem comum adotar a prática bem econômica de banho: desligar o chuveiro para passar sabonete e shampoo, e religar para tirar. E ser rápido. Coisas que não fazíamos e estamos tentando adotar já que nosso consumo estava muito alto…

Água aqui é bem cara, e os alemães são bem cuidadosos no seu uso. Pode ter certeza que você jamais verá um alemão limpando o chão do quintal ou lavando o carro com mangueira (aliás, nunca nem vi uma mangueira aqui). Nem mesmo o chão da cozinha e do banheiro eles limpam jogando um monte de água – nem tem ralo geral para o banheiro ou na cozinha. Limpa-se com pano úmido, mesmo.

Aqui paga-se pela água consumida, pela água de esgoto e pela água da chuva que cair sobre o seu terreno e for redirecionada para o sistema público de coleta de esgoto, também. Isso é calculado de acordo com o seu terreno: áreas permeáveis de jardim não são calculadas, áreas com pisos semi-permeáveis são calculadas com uma porcentagem, e áreas cobertas são calculadas em 100%. Se você tiver um sistema de reutilização de água da chuva, tem um desconto proporcional.

Uma coisa muito positiva em relação à água é que por aqui é totalmente normal tomar água da torneira. Você se acostuma tanto que até esquece que em outros lugares é necessário comprar água para beber… Exceto pelo fato de que aqui o default é beber água com gás! Mas mesmo para isso há solução: é super normal nas cozinhas alemãs ter um “gaseificador” de água. Uma maquininha, meio como uma máquina de café, que coloca gás na água. Aí bebe-se sempre água da torneira.

Isso de beber água com gás é realmente o normal. É bem comum que em máquinas de bebidas só seja oferecido água com gás e não sem. Em restaurantes ou lanchonetes, se você pedir uma água e não especificar que quer sem gás, invariavelmente você vai receber água com gás. Se você especificar que quer sem gás (stilles Wasser ou ohne Kohlensäure), talvez eles se lembrem de trazer água sem gás. A solução mais segura é pedir água da torneira, mesmo: Leitungswasser.

Mas ainda mais estranho que isso é uma das opções (embora, admito, não a mais comum) de água para comprar: água em tetrapack. Sim. Água. Em embalagem tetrapack. Por que alguém teve essa brilhante idéia eu não sei.

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(Publicado em 1˚ de Maio de 2015)

Contas de consumo

Esse post talvez seja menos interessante para os curiosos regulares de cultura alemã, mas mais para aqueles que planejam vir morar na Alemanha e querem saber detalhes dos custos de vida.

Contas de consumo. Antes de falarmos das contas em específico, vale a pena discutir um pouco os típicos consumos de uma casa alemã. A primeira coisa bem óbvia é, claro, o aquecimento. Aqui na maioria das casas e prédios têm aquecimento a gás. O mais comum é um aquecimento central para o edifício inteiro, e, claro, em cada cômodo do seu apartamento você tem um aquecedor que você pode ligar, desligar, aumentar ou diminuir de acordo com o necessário. A conta a pagar é calculada do seu consumo particular. Algumas casas e apartamentos ainda têm aquecimento com carvão, mas não é muito comum.

Então o gás você usa para o aquecimento da casa, e para aquecer a água também. Lembrando que aqui tem água quente não só no chuveiro, mas também em todas as pias. Mas uma coisa que praticamente nunca é a gás são fogões. Fogão elétrico é muuuuito mais comum, e em vários – talvez a maioria – dos apartamentos nem tem ligação de gás para o fogão, de maneira que não é opção.

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A única outra coisa que gera gastos diferentes da casa média brasileira é a máquina de lavar louça, também extremamente comum por aqui. A princípio, lavar a louça na máquina gasta menos água que lavar a mão, mas vai também um pouco de energia no aquecimento da água (Aqui isso não faz muita diferença já que é comum usar água quente na torneira também). O que me lembra de mais uma diferença: aqui as máquinas de lavar roupa todas têm escolha de temperatura. É normal lavar roupas com água quente, especialmente para roupas de baixo e toalhas e panos de chão.

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Mas vamos para o que importa. Quanto você vai pagar por tudo isso? Caro. Caro pra xuxu. Eletricidade e água, na Alemanha, são caríssimos, mais que o dobro do preço no Brasil. Água em específico aqui é uma das mais caras do mundo. Vai aprendendo a racionar que a conta vai doer no bolso. Tem seus pontos positivos: esbanjos absurdos de água – como lavar a calçada ou o quintal com mangueira – é uma coisa que você jamais vai testemunhar por aqui.

E as contas de consumo funcionam de maneira um pouco diferente, por aqui. Ao invés de pagar mensalmente de acordo com o consumo, para todas as contas é calculado um valor fixo de acordo com o que é esperado que você gaste, e anualmente calcula-se a diferença do que foi gasto e o que foi pago.

Então por exemplo agora, Julho de 2014, acabamos de receber a conta para a diferença dos consumos e gastos de 2013 inclusos no condomínio. O condomínio por aqui costuma incluir a água, o aquecimento (gás) e eventuais pequenos gastos do edifício como limpeza semanal, manutenção do elevador se tiver, etc. Esses gastos são pequenos em comparação com as contas de consumo, já que os edifícios residenciais aqui não empregam porteiros, faxineiras, jardineiros ou manobristas (limpeza e eventuais serviços são contratados a parte por empresas terceirizadas). Então a maior parte do valor do condomínio são mesmo as contas de água e gás. O preço é calculado de acordo com o ano anterior, então, quando você se muda para um apartamento novo, o preço que você vai pagar vai ser aquele que o locatário anterior estava pagando. Se antes morava uma pessoa sozinha e agora você se mudou com mais outras duas pessoas para o apartamento, espere uma conta gorda no ano seguinte e um belo dum reajuste.

O que acontece, portanto, é que ao final do ano (ou melhor, lá pela metade do ano seguinte), eles fazem o cálculo do que foi gasto e do que foi pago, te cobram (ou devolvem) a diferença, e reajustam o valor do condomínio de acordo com os gastos do ano anterior para tentar equalizar a conta para o ano que vem.

Só que o consumo varia bastante de ano a ano devido ao aquecimento. Tem ano que o inverno é rigoroso e portanto o gasto com aquecimento é muito maior que em outros anos com invernos mais brandos.

Portanto, após invernos muito frios, pode ir contanto com uma conta salgada a chegar lá pelo meio do ano.

Com a conta de eletricidade é quase a mesma coisa, com a diferença de que é você que contrata a empresa fornecedora de energia por conta própria – tem várias opções, inclusive empresas que fornecem energia oriunda exclusivamente de fontes renováveis – e o valor a pagar será calculado de acordo com o tamanho da residência e o número de moradores.

Pesquisando sobre o assunto de preço de contas de consumo, encontrei esse interessante site que compara custo de vida em dois países de sua escolha:

http://www.numbeo.com/cost-of-living/compare_countries_result.jsp?country1=Germany&country2=Brazil

Dá para escolher duas cidades específicas também. Com a comparação desse site, dá para ver que uma das diferenças mais gritantes de custo de vida está mesmo nas contas de consumo, que na Alemanha são aproximadamente 3 vezes mais caras que no Brasil… Bom, pelo menos a água daqui é super bem tratada e é perfeitamente confiável para beber direto da torneira…


(Publicado em 29 de Julho de 2014)