cultura

Música alemã

Um tema nunca antes abordado aqui no blog é música alemã. Mas talvez convenha fazer um post mencionando algumas bandas boas alemãs, especialmente para quem gosta de aprender alemão ouvindo música. Então separei 3 bandas que eu acho particularmente boas, como recomendação, e falo um pouco sobre cada uma delas aqui:

Dota, die Kleingeldprinzessin
Gêneros (segundo o wikipedia): Jazz, Bossa Nova.

Dota Kehr und die Stadtpiraten

A primeira que merece atenção chama-se Dota. Tem vários nomes na verdade. Dota Kehr é o nome da moça, mas ela tem esse “apelido artístico também”, Kleingeldprinzessin. E alguns dos álbuns dela ela gravou com uma banda, denominada “Dota und die Stadtpiraten”. Dota Kehr é uma guitarrista e compositora berlinense que tem influências brasileiras! Ela sempre gostou muito de música brasileira, e você percebe isso na música dela. Volta e meia ela dá shows no Brasil, também, e alguns dos seus álbuns têm músicas em português e músicas brasileiras (ela tem uma versão linda de À primeira vista em que o Chico César canta alguns versos da música original, e ela canta um trecho que ela traduziu para o alemão.

Ela dá shows por toda a Alemanha com freqüência, e como ela não é super mainstream, se você for a algum show dela pode ser que tenha a chance de conseguir uns autógrafos nos seus CDs, se vc ainda for desses que compra CDs.

Um ou outro exemplo:

Ela é também conhecida pelo apelido “Kleingeldprinzessin”.

 

Wir Sind Helden
Gêneros (ainda segundo o Wikipedia): Pop rock, Rock alternativo, Indie rock, Pós-punk

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Uma das bandas mais legais da Alemanha, Wir Sind Helden está infelizmente inativa no momento! =( Tomara que apenas temporariamente. Wir Sind Helden é uma banda bem famosinha pela Alemanha, que tem até o momento 4 álbuns super ótimos. As músicas deles são mais alto-astral e dançantes

Dois exemplinhos:

Wise Guys
Gênero: A capella, pop

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Wise Guys é uma banda de Colônia com uma intenção mais cômica. As músicas deles têm letras engraçadas, fazendo piada com coisas diversas como o IKEA, A Deutsche Bahn (companhia de trens alemães), entre outras coisas banais do dia-a-dia. Eles também às vezes fazem versões cômicas em alemão de músicas conhecidas como Hit Me Baby One More Time da Britney Spears. Todas as músicas deles são totalmente à capella, ou seja, sem instrumentos, só vozes. Dá um efeito bem legal. Mas por essa intenção de comédia, acho que não tem muita graça ouvir se vc não entende alemão, as músicas não são daquelas que são legais mesmo sem entender a letra…

 

Alguns vídeos:

 

Ok, esses foram apenas 3 pequenos exemplos de boas bandas alemãs. Obviamente existem muitas outras, mas acho que três já cabe bem em um post!


 

(Publicado em 28 de Setembro de 2014)

5 coisas da Alemanha e do Brasil das quais eu sentiria/sinto falta

Esses dias descobrimos no youtube um canal engraçadíssimo de um britânico que mora na Alemanha e faz vídeos similares aos posts desse blog, mas com uma intenção mais cômica.

É esse aqui:

http://www.youtube.com/user/rewboss?feature=watch

Claro, eu já sabia quando pensei em começar esse blog que ele não seria novidade nem inovação. Tem uma pá de expatriados de todos os países do mundo em todos os países do mundo compartilhando suas experiências com o resto do mundo. Afinal, se tem uma coisa com que absolutamente todo mundo tem que lidar ao mudar de país são, óbvio, as diferenças culturais. Que na maioria das vezes são interessantes, engraçadas ou curiosas. E o legal é que, como cada um têm suas próprias impressões, experiências, e vivências, o resultado é sempre diferente.

Mas enfim, encontrei esse canal no Youtube, me diverti com alguns dos vídeos e um deles achei que dava um ótimo post, porque é realmente específico da experiência pessoal. O vídeo era sobre 5 coisas da Alemanha das quais o moço não sentiria falta, e 5 coisas das quais ele sentiria falta.

Resolvi fazer minha versão, ligeiramente alterada: ao invés das 5 coisas das quais eu não sentiria falta, escrevo 5 coisas do Brasil das quais eu sinto falta (e que portanto eu não sentiria falta daqui se voltasse a morar no Brasil). Então vamos lá. Em alguns pontos tem links para posts onde eu já escrevi sobre aquele assunto.

5 coisas do Brasil das quais eu sinto falta aqui:

1. A facilidade em fazer novas amizades.
Sei lá, no Brasil você conhece uma pessoa, e, se der com a cara, na mesma hora vocês já estão se tratando como amigos. E uma vez que você tenha se dado bem com alguém logo de início, parece que já fica meio regra que vocês vão se dar atenção na próxima vez que se encontrarem, entende? Quer dizer, você conheceu alguém, digamos, numa aula, na próxima aula vocês vão provavelmente sentar perto e conversar. Aqui, sei lá, é uma aventura fazer amizades. É meio devagar, demora dias e dias para você sentir que tem liberdade de chamar a pessoa para fazer alguma coisa no fim de semana, ou de comentar numa foto da pessoa no facebook, sei lá. Mais daí eu também não sou a pessoa mais sociável do mundo, sou bem introvertida. Talvez pessoas mais extrovertidas não vejam essa dificuldade.

2. Co-mi-da. 
Gente, como comida alemã é bizarra, credo. Como eu sinto falta de um arroz e feijão, açaí na tigela com banana e granola, coca-cola com gelo e limão, pãozinho de padaria recém-saído do forno, bife à parmigiana, pavê, palmito, pizza normal, coxinha, tapioca, pudim de leite, omg morri escrevendo isso.

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Parecem vermes, mas é só comida alemã.

3. Pessoas que sabem falar coisas sem parecer grossas.
Claro, gente grossa tem em qualquer lugar do mundo, o Brasil certamente não é exceção. MAS a diferença é que aqui às vezes a pessoa está sendo super educada e soa totalmente grossa. Sei lá, alemão (a língua) não tem entonação nem delicadeza nas palavras escolhidas. A comunicação é sempre muito direta, e às vezes dá a impressão que a pessoa está sendo horrível mesmo quando não é o caso. É meio difícil acostumar.

4. Abraços e toques em geral (de amigos, claro, não de desconhecidos!)
Aqui encostar é mó proibido. Amigos só se abraçam na hora de falar oi e tchau, e não se encostam no meio tempo. Sei lá. Eu preciso de mais contato humano.

5. Da ausência de neve.

Schnee... schrecklich!

Schnee… schrecklich!

5 coisas da Alemanha das quais eu sentiria falta de voltasse a morar no Brasil

1. Total e completa ausência de assédio de rua.
Aqui, assediar mulheres na rua é totalmente impensável, e não importa o que ela vista, todo mundo tem noção de que respeitar as pessoas (no caso, as mulheres) não é condicional, é obrigação. Só ouvi assédio uma vez, de um cara que estava bem obviamente tentando arranjar briga com pessoas na rua. Foi um caso totalmente isolado.

2. A aversão geral e profunda à extrema-direita
Se tem neonazistas, tem 10 vezes mais gente bloqueando-os.

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3. Equidade e respeito entre as classes
Aqui ninguém se acha melhor que o garçom ou que o faxineiro. (bom, tá, “ninguém” certamente é generalização. Mas basicamente, no geral, as pessoas não acham que merecem mais respeito do resto da sociedade pq têm mais dinheiro ou pq fizeram faculdade).

4. Poder escolher seu meio de transporte à vontade
Ir de bike é possível sem ser atropelado, andar na rua é possível sem ser atropelado, andar de ônibus e metrô é possível sem ser comprimido, e enfim, é tão menos estresse na vida.

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5. Da neve.

Schnee... wunderbar!

Schnee… wunderbar!

Schnee... super!

Schnee… super!

Schnee... schön!

Schnee… schön!

Schnee... klasse!

Schnee… klasse!

Schnee... toll!

Schnee… toll!

Schnee... kalt!

Schnee… kalt!

Schnee... mal wieder...

Schnee… mal wieder…


(Publicado em 19 de Fevereiro de 2014)

 

Alemães e a Internet

Os alemães são bem avançados em várias coisas. Mas quando se trata de internet, a Alemanha vive, parece, em 1984. Digo 1984 por dois motivos: o atraso óbvio que um ano na década de 80 conota, e, claro, o big brother. Os alemães são meeeeega noiados com privacidade na internet.

Claro, não vou dizer que acho que não devemos nos preocupar com o fato de a NSA ler todas as nossas mensagens particulares na internet, e talvez pensando bem os alemães até tenham razão. Mas se você tiver amigos alemães, e quiser se comunicar com os mesmos online, pode ser um desafio.

Primeiro, já vai ser o maior sucesso se você conseguir encontrar o seu amigo no facebook. A maioria dos alemães não coloca o nome completo verdadeiro no face. Eles com freqüência colocam só uma parte do sobrenome (tipo “Mü” ao invés de “Müller”), ou trocam o sobrenome por outra coisa qualquer, ou mudam o nome inteiro para algo nada a ver. Daí, se ocorrer do fulano ter a ousadia de colocar seu nome verdadeiro no face, muito provavelmente a foto do perfil não mostrará o rosto da pessoa. Se mostrar, vai ser assim bem de longe que não dê pra reconhecer. Acho que é realmente uma minoria dos alemães que coloca na foto do perfil uma foto do próprio rosto. Se combinar os dois fatores – nome completo e foto do rosto – deve sobrar uns 5% dos alemães que passam no “teste”.

Se apesar de todas essas dificuldades você conseguir achar e adicionar seu amigo, pode ter certeza que o facebook é o pior meio para se comunicar com ele. A maioria dos alemães – bom, a maioria dos que eu conheço, pelo menos – usa o facebook bem raramente, nunca posta nada, e enfim, é bem inativo.

Email também é uma coisa engraçada. Claro que todos os alemães – como pessoas normais – têm email, e lêem e escrevem emails diariamente. Mas, diferente de pessoas normais, NENHUM ALEMÃO TEM GMAIL! Ainda estou para encontrar um alemão com gmail! Ao invés disso, usam um site alemão com o endereço @gmx.de. A maioria tem esse gmx. Que não agrupa emails da mesma conversa e não tem espaço infinito, diga-se de passagem. E também não te avisa que você esqueceu de anexar o arquivo se você escrever “anexo” no corpo do email e não anexar nada. Mas é um serviço alemão, e os alemães são suuuper noiados e só confiam em serviços alemães. (Bom, novamente, talvez não seja totalmente insano não usar emails de provedores americanos, maaas… nah. Gmail.)

Essa atenção toda com privacidade, claro, continua em outros sites, onde eles raramente colocam nome verdadeiro, etcetc. Recentemente, após a história com o Snowden revelando que os EUA vigiam todo o mundo através da internet, um político alemão inclusive sugeriu fazer uma internet exclusivamente alemã, mostrando que não entende o objetivo principal da internet – comunicação geral globalizada.

E no que diz respeito a leis referentes à internet, tenho quase certeza absoluta que todos os políticos envolvidos na criação e aprovação de tais leis jamais em toda a vida fizeram uma única busca no google. Eles têm um entendimento bizarro de direitos autorais, que vai muito além do que faz sentido lógico para uma pessoa normal que convive com internet. Aqui levam muito a sério se você linkar uma imagem que não seja sua. Claro, pra isso precisa aparecer o autor reclamando, mas já soube de caso de alguém fazer algo tão banal quanto postar um link no facebook – aparecendo de thumbnail uma foto qualquer – e o autor da foto processar a pessoa que postou o link por usar sua foto sem autorização – E GANHAR O PROCESSO. Olha que insano!!! Uma foto que aparece como thumbnail de um link, para mim, é como se eu pegasse uma revista, mostrasse uma foto dessa revista para outra pessoa, e o autor da foto me processasse por compartilhar a foto sem autorização!

Quanto a músicas também é um saaaaaco. Praticamente qualquer vídeo no youtube com alguma música qualquer é bloqueado por direitos autorais!!! Não precisa nem ser o clipe oficial da música uploadado por alguém que não tem os direitos autorais, pode ser um videozinho bobo do seu gato dormindo no sofá com uma música de fundo, o vídeo é bloqueado porque você não tem os direitos autorais da música. É muito exagerado. Nem aquele canal do youtube que posta legalmente vários clipes, o vevo, funciona aqui. Tudo bloqueado, com essa mensagem aqui:

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GEMA. A coisa mais bizarra da Alemanha. Eu ia postar o logo deles aqui, mas capaz de me processarem por usar a imagem sem autorização, né. GEMA significa “Gesellschaft für musikalische Aufführungs- und mechanische Vervielfältigungsrechte”. Basicamente é uma sociedade autorizada pelo governo que recolhe taxas referentes à direitos autorais sobre músicas. Não sei detalhes de como funciona, mas lendo pelo wikipedia parece que se você quiser tocar uma música em público, sem tem os direitos autorais sobre ela, você tem que pagar uma taxa para essa sociedade, que então distribui a receita entre os membros (gravadoras e artistas, suponho) de acordo com regras definidas.

Até aí tudo bem, só que a história é levada tão a sério que se você levar tocar MP3s do seu iphone digamos num parque, com caixinhas de som, pode ser que passe um fiscal e te multe. Sério, sem brincadeira. De acordo com meu namorado, alguns colegas da faculdade já tiveram que pagar por estarem tocando música na faculdade quando apareceu um fiscal do GEMA. Não é assim, ‘nossa, que multa terrível, teremos que vender todos os nossos pertences para pagar’, é alguns poucos euros por música tocada, mas é totalmente bizarro.

Portanto na dúvida, aqui na Alemanha, com essas coisas de internet é melhor não se arriscar.


(Publicado em 18 de Fevereiro de 2014)

 

Religião na Alemanha

Religião é um tema curioso na Alemanha. A população é bem dividida em três partes: Não-religiosos (34%), Católicos (29,9%) e protestantes (29,8%), de acordo com estimativas de 2014. Essa separação entre as duas vertentes da religião cristã se vê com clareza entre os estados – alguns com maioria protestante, outros com maioria católica. Os estados católicos têm alguns feriados religiosos diferentes dos estados protestantes, por exemplo, além de alguns costumes e tradições que também se dividem entre a parte católica e a parte protestante.

Eu talvez não seja assim a pessoa mais indicada para discutir religião dado minha incorrigível irreligiosidade (caio nos 34% de ateus e agnósticos), mas de estatística e história entendo um pouco. Na Alemanha tem uma alta presença de protestantes basicamente porque é daqui que veio o Martinho Lutero – pai do protestantismo -, mais especificamente da cidade de Eisleben, na Saxônia-Anhalt, que fica na parte da Alemanha que foi a Alemanha Oriental. Então eram mais os estados da Alemanha Oriental que eram protestantes, e os do Oeste e Sul da Alemanha, católicos.

Só que com o final da Segunda Guerra Mundial e conseqüente separação da Alemanha em duas, a Alemanha Oriental passou a ser regida pelo regime socialista. E como socialismo e igreja não são super melhores amigos, durante os anos de Alemanha Oriental a população daquele lado (ou melhor, desse lado, já que estou na Saxônia) foi gradualmente ficando menos e menos religiosa. E desde a reunificação das duas Alemanhas, ambas as religiões estão perdendo fiéis enquanto o número de pessoas que não são afiliadas a nenhuma religião continua crescendo.

O resultado é que hoje a região que era antes a Alemanha Oriental é a região menos religiosa do mundo.

Um mapa para ilustrar melhor:Konfessionen-in-Deutschland(Bowzer – Wikipedia)

Como fica claro nesse mapa, são exatamente os estados da Alemanha Oriental que tem hoje maioria de pessoas que não seguem nenhuma religião.

No geral a Alemanha é bem de boa com religião. Embora o partido do governo chame-se União democrática cristã, religião quase não entra na política. Radicais religiosos querendo criar leis impondo suas morais e visão de mundo pro resto do país são minoria, se é que existem. Nas questões políticas mais polêmicas que costumam ser fortemente influenciadas pela igreja, a Alemanha é parcialmente progressista. O aborto, por exemplo, é legalizado, e já é discussão do passado. Mas por outro lado o casamento gay ainda não foi legalizado. A alternativa da União Estável já é possível para pessoas do mesmo sexo desde 2001, e segundo pesquisas desse ano, 74% dos alemães são a favor da legalização do casamento gay, também. Então é muito provavelmente só uma questão de tempo.

Em termos de religião, o que na Alemanha é bem esquisito e diferente, é que se você for afiliado a uma das igrejas maiores (basicamente se vc for protestante ou católico), a receita federal recolhe o dízimo junto com o Imposto de Renda!

*momento para exclamações*

Sim, você leu certo. Se vc faz parte de uma igreja, aqui, vc é obrigado a pagar o dízimo, junto com o seu IR. Se não me engano, o valor varia entre 8 e 9% do imposto. Quer dizer, se vc paga, sei lá, 1000 euros de IR, daí tem que pagar mais 90 euros para a sua respectiva igreja. Não é tanto, 9% do imposto, mas de pouquinho em pouquinho, não é por acaso que a igreja católica alemã é a maior contribuinte dos cofres do vaticano! (Ouvi dizer, não tenho fontes confiáveis)

Mas a Alemanha não é o único país a recolher dízimo no IR, alguns outros países na Europa também o fazem.

Basicamente até agora eu só falei de católicos, protestantes e ateus. Mas e os outros? Da população que não é nem católica, nem protestante, nem não-religiosa (aproximadamente 10%), os alemães se dividem principalmente entre muçulmanos, judeus, budistas, hindus e outras vertentes do cristianismo (sendo cristãos ortodoxos os mais comuns). A maioria dessas outras religiões são praticadas por imigrantes ou alemães de origens não-alemãs. Muçulmanos são os mais comuns, somando entre 2,6 a 5% da população total. E quando se trata de muçulmanos, infelizmente a Alemanha já não é mais tão de boa. Os muçulmanos sofrem fortes preconceitos pelo resto da população. Não é ainda tão sério como na França, que proíbe burqas, nem como na Suiça, que foi ainda mais longe e proibiu a construção de minaretes (a torre das mesquitas de onde o muaddin chama o povo para as orações, o correspondente islâmico das torres de sinos de igrejas cristãs). Só que sendo minoria, aparecem sempre controvérsias e casos polêmicos, como as decisões recentes de cortes alemãs de que escolas podem obrigar alunas muçulmanas a participarem das aulas de natação, e de que professoras muçulmanas de escolas públicas não podem usar o véu dentro da escola. A Alemanha ainda tem a evoluir em respeito a liberdades religiosas e em se entender com a comunidade muçulmana do país.

Para finalizar, mais três mapas da Alemanha (com dados censitários de 2011) mostrando a porcentagem respectivamente de católicos, protestantes, e não-religiosos por municipalidade alemã:

Católicos
(Michael Sander – Wikipedia)

Protestantes
(Michael Sander – Wikipedia)

 

Sem religião (Michael Sander – Wikipedia)


(Publicado em 6 de Janeiro de 2014, dados atualizados em 07 de Setembro de 2016)

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Natal na Alemanha 3: Outras coisas

Depois das decorações e comidas, só faltou abordar algumas informações mais gerais sobre o Natal na Alemanha.

Nos diferentes países onde se comemora o Natal, há diferenças sobre o momento em que a maior comemoração acontece e momento de troca de presentes, e tal. Aqui na Alemanha, pela minha experiência – não sei dizer se vale para todas as famílias ou não – as pessoas trocam presentes no dia 24 a noite. A meia noite do dia 24/25 não têm tanto significado aqui como no Brasil, ninguém fica esperando a meia noite para dar feliz natal. Dia 24 já é dia de dar feliz natal. Fogos de artifício não são comuns, mas esse ano eu ouvi alguns ao longe, à meia noite. Mas não é normal, não.

Claro que essas coisas não necessariamente valem para todas as famílias, são a minha experiência pessoal por aqui. Talvez em outras famílias as crianças abram os presentes só no dia 25, não sei. Tem papai-noel aqui também, mas acho que não é tããão importante contar história de papai-noel pras crianças, e nem tem aqueles papais-noéis de shopping. Um alemão me disse – embora eu não tenha confirmado a história – que em algumas regiões da Alemanha, ao invés do papai-noel, é o menino Jesus que entrega presentes. Se já era estranho receber presentes de um senhor de roupas vermelhas que viaja em um trenó voador levado por renas, recebê-los de um nenê recém-nascido é igualmente curioso… Papai-noel em alemão, a propósito, é Weihnachstmann, ou homem do Natal.

Ah, estou aqui lendo o artigo da wikipedia sobre Natal e parece que as maiores diferenças estão entre as regiões protestantes e as regiões católicas da Alemanha. Em termos de religião, a Alemanha tem 3 principais vertentes (preciso fazer um post sobre isso), 30% é católico, 29% protestante e 34% não seguem nenhuma religião. Então as diferenças de comemorações natalinas estão entre as regiões católicas e as regiões protestantes. (papai noel parece que é mais comum entre os protestantes, comemorar principalmente o dia 24 também, enquanto os católicos comemoram principalmente o dia 25… mas enfim, detalhes eu desconheço. Na dúvida, imagine que as minhas informações valem para os protestantes já que a família com quem eu passo o Natal é protestante).

Os alemães também fazem amigo-secreto de vez em quando, mas é beeeeeem menos comum que no Brasil, onde todo grupo de amigo faz amigo-secreto todo ano. Aqui eu nunca vi, mas perguntei e me disseram que existe. Chama-se Wichteln, em alemão. Mas as variantes amigo-da-onça, amigo secreto ladrão, etc, acho que não existe, não.

E para finalizar, uma particularidade curiosa é que dia 26 de Dezembro também é Natal, aqui. Não sei exatamente o porquê, mas dia 26 é também feriado, ninguém trabalha, e é dia de fazer coisas com a família assim como nos dias 25 e 24.

Fröhliche Weihnachten!

O Christmas tree


(Publicado em 26 de Dezembro de 2013)

 

 

Natal na Alemanha 2: Comida

Antes de falar das comidas típicas natalinas na Alemanha, preciso comentar que essa é nada mais nada menos que 0 50˚ post desse blog! Quando comecei, nem sabia que ia ter assunto pra tanto post, mas cá estamos!

Mas vamos para o que interessa: começando com algumas coisas regionais, em Dresden come-se com freqüência, no Natal, um bolo/pão doce meio parecido com panetone chamado Stollen. Vêm, às vezes, em belas latas com imagens bonitas de Dresden.

Eu nunca fui muito fã das frutas cristalizadas, mas as latas são super chiques. E tem outros tipos de Stollen além dos tradicionais, como o Mohnstollen, que é mais parecido com um rocambole.

Bem comum para a época do Natal, na Alemanha, são também cookies. Vários tipos diferentes de cookies, um mais gostoso que o outro.

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E também típicos são os bolinhos de gengibre, que podem não apenas ser comidos normalmente como bolinhos, mas podem também ser usados para a construção de maravilhosas casas de bolo de gengibre, decoradas com doces, açúcar e chocolate. Um sonho de consumo para qualquer criança.

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E é bem mais fácil de fazer do que parece. Mas na dúvida, dá para comprar uns kits com tudo semi-pronto e só montar. (Boring!)

Quanto à ceia de Natal, certamente tem variações de família para família. Enquanto vários comem o peru de sempre, outros têm suas próprias tradições específicas para a ceia. Mas pode ter certeza que uma ceia de natal numa casa alemã terá uma mesa híper bonita e decorada!

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Nesse caso, a tradição de ceia natalina era fondue de carne. Também nada mal!

No geral pode-se dizer que Natal na Alemanha é bem Natal de filme, mesmo.

Na próxima e última parte do post sobre Natal, algumas informações mais gerais e finais!

Feliz Natal!


(Publicado em 25 de Dezembro de 2013)

Natal na Alemanha 1: Decorações

Escrever um post sobre as tradições natalinas daqui é um pequeno desafio. Embora existam particularidades gerais, aqui como em qualquer lugar, as tradições variam bastante de família para família. E como eu também não conheço uma enorme variedade de famílias alemãs, fica difícil dizer o que é particular e o que é geral.

Mas vamos lá.

Primeiro talvez convenha falar de algumas decorações típicas por aqui. Os Alemães não são muito de fazer grandes decorações na casa toda, encher de luzes e papais-noéis, como em filmes americanos. Mas algumas luzes e, claro, a árvore de Natal são um must. Só que aqui a árvore sempre é de verdade. Se você quiser achar uma árvore de natal de plástico para comprar, acho que só pela internet em site estrangeiro, e os alemães vão te olhar com sobrancelhas erguidas ao máximo se encontrarem uma árvore de natal de plástico na sua casa. Melhor não arriscar. Esquisitamente, me parece que eles só enfeitam a árvore de Natal no dia 24.

Na Saxônia, o estado alemão onde moro, existem algumas decorações típicas da região, comuns durante o Natal. A primeira é uma estrela grandona com uma lâmpada dentro chamada Annaberger Faltstern para pendurar na janela.

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Dá para comprar de vários tamanhos, mas as mais comuns são as grandonas, mesmo. Nos mercados de natal de Dresden e região, tem barracas que vendem só dessas estrelas, de vários tamanhos e cores, mas todas bem caras.

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Outra decoração comum são os Schwibbogen, um arco de madeira com velas (hoje em dia é mais comum lâmpadas disfarçadas de velas) e todo decorado. Assim:

Pode ter várias caras diferentes, mas são todos uma bela obra de marcenaria. Também para colocar na janela. Normalmente super caros, claro.

Ainda na linha de incríveis trabalhos de marcenaria, tem também as pirâmides de Natal:

Ao acender as velas na base, o ar quente sobe e movimenta a hélice no topo, que faz os carrosséis dos vários andares girarem.

Esses enfeites super complexos de madeira são típicos não da Saxônia inteira, mas da parte sul do estado, a  região conhecida “Erzgebirge” (a serra entre a Alemanha e a República Tcheca). Em Dresden você encontra várias lojas só desses maravilhosos e híper trabalhados enfeites. Os preços variam entre caro, muito caro, realmente muito caro, caríssimo e órgãos para transplante (olhos da cara e outros). Alguns bem simples podem ser encontrados por 100 euros. Os mais complexos e detalhados custam fácil dois, três mil euros. No Oeste da Alemanha você não vê muitos desses, mas eu estive recentemente em Annaberg, uma cidadezinha na Erzgebirge, e lá, realmente em TODAS as janelas de TODAS as casas, TODAS MESMO, tinham esse arco de madeira com velas ou lâmpadas.

Mas se o seu orçamento não permitir, tem algumas outras alternativas aos enfeites típicos para um natal alemão, leia-se, comida típica. Mas esse será o tópico do próximo post, amanhã!


(Publicado em 23 de Dezembro de 2013)