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Arquitetando na Alemanha

Como eu já comentei em outros posts, eu sou arquiteta e atualmente trabalho em um escritório de arquitetura e planejamento da paisagem aqui.

No último post sobre escritórios alemães, eu falei um pouco sobre as diferenças entre trabalhar na Alemanha e no Brasil, mas tentei me limitar a questões mais genéricas, não relacionadas a escritórios de arquitetura especificamente. Nesse post eu vou falar mais precisamente sobre as diferenças (algumas mais básicas) e similaridades de se trabalhar como arquiteto aqui e no Brasil.

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A primeira diferença que eu notei (e eu já mencionei isso no outro post também como uma coisa geral) é a quantidade de burocracia. No Brasil, trabalhando em escritório de arquitetura, eu basicamente só desenhava. Foram pouquíssimas as vezes que eu tive que fazer algum texto, tabela, preencher formulário, sei lá. Claro que tinham burocracias relacionadas ao projeto também, mas isso quem fazia eram principalmente os chefes, mesmo. Aqui TUDO vem com um papel extra: um formulário pra preencher, um protocolo pra escrever, uma lista detalhada de tudo o que tá no desenho, etc… Os alemães adoram umas listas e formulários. E isso, claro, acaba sendo uma dificuldade extra pra quem é de fora. Se alemão já é difícil, alemão formal, lei em alemão, etc, nem se fala… Aí vai da sorte de encontrar um escritório onde os chefes ou colegas entendam que isso é uma dificuldade extra pra você e ou não se incomodem de fazer essa parte enquanto você nos foca nos desenhos, ou de te dar um tempinho extra pra se entender com a língua.

De uma maneira ou de outra, cedo ou tarde (provavelmente mais cedo que tarde) você vai ter que fazer essas coisas, de maneira que se sua intenção é trabalhar aqui, se esforça muito pra aprender bem alemão o mais rápido possível, que vai ser importante.

Isso também tá bem relacionado ao próximo ponto: responsabilidades. A minha impressão até agora é que trabalhando como arquiteto num escritório aqui você tem bem mais responsabilidades que fazendo o mesmo tipo de trabalho no Brasil. Por exemplo, ir em reunião com o cliente, ir em obra, etc. Nos escritórios que eu trabalhei no Brasil, quem fazia isso eram os chefes, só em algumas ocasiões eu fui, e sempre acompanhando os chefes. Aqui espera-se que você vá em reuniões inclusive sozinho. O trabalho no geral é bem mais independente do chefe que a minha experiência no Brasil.

Por isso também uma outra diferença: no Brasil os escritórios (não todos, mas vários) sempre têm muitos estagiários, não raramente mais estagiários que arquitetos formados. Aqui – a não ser que seja um escritório muito grande – tem, quando muito, um estagiário. E sempre tem uns arquitetos que trabalham naquele escritório há 10, 15 anos. Me parece que a média de idade dos arquitetos que trabalham em escritórios é bem mais alta que no Brasil, onde a maioria são jovens.

Tem duas maneiras de trabalhar como arquiteto aqui: ou você é contratado pelo escritório num esquema equivalente a CLT (Festanstellung) que pode ser tanto sem tempo definido quanto um contrato com tempo específico, de maneira que você tem todos os direitos trabalhistas, ou você pode ser autônomo (Selbstständig) prestando serviços para o escritório meio estilo freelancer (Freie Mitarbeiter). Nesse caso você não está preso a um único escritório, mas pode fazer projetos para diferentes escritórios, fazer sua própria hora, e tal. Mas, claro, tem que cuidar do seu próprio seguro de saúde, seguro desemprego, etc. É lógico que oficialmente se você está trabalhando em período integral num único escritório por um tempo mais longo, o escritório é obrigado a te dar o contrato fixo, a Festanstellung. Se você ficar nesse esquema de Freie Mitarbeiter por muito tempo (um ano +-) trabalhando só para um único escritório, o escritório vai ter problemas com a receita federal por não ter te contratado oficialmente. O que acontece muito em arquitetura é que você começa como Freie Mitarbeiter, mas trabalhando lá em período integral, mesmo, e depois de um tempo eles te dão um contrato fixo. Mesmo como Freie Mitarbeiter o escritório te dá um contrato, você emite uma nota, declara tudo direitinho.

Uma pergunta certamente bem importante é como validar o diploma de arquiteto na Alemanha. A princípio você pode trabalhar em escritório de arquitetura sem validar o diploma, mas sem poder assinar projeto. Para se registrar no equivalente ao CAU, daqui, a Câmara dos Arquitetos (Architektenkammer) você precisa ter dois ou três anos de experiência trabalhando em escritório e, em alguns estados (as regras específicas variam de estado pra estado), algumas horas de cursos extras. Aí a câmara vai analisar seu currículo (da sua faculdade) pra ver se é equivalente ao currículo alemão, e decidir se você pode então receber o título de arquiteto daqui. Aí sim você pode assinar projetos, ter seu próprio escritório, participar de concursos e licitações, e tal. Essas regras, inclusive, são as mesmas para os próprios alemães. Mesmo se formando aqui eles também precisam desses 2, 3 anos de experiências e horas de cursos extra curriculares, e tal.

Mas esse post tá ficando muito chato com toda essa parte burocrática, vamos voltar ao dia-a-dia do escritório.

Outra coisa diferente aqui tb é em relação aos programas que eles usam. No Brasil quase todo mundo usa AutoCAD, pelo menos enquanto eu trabalhava lá eram raríssimos os escritórios que trabalhavam com outro programa que não CAD. Aqui isso varia bastante. Como tem muito escritório que usa Mac e não Windows, vários trabalham com Vector Works, ArchiCAD, entre outros. E outra coisa é que todos os escritórios trabalham sempre com versões oficiais de todos os programas. Nada de programa pirata por aqui. Isso acaba resultando em algo às vezes irritante: versões muito antigas de programas… eu fiz um trabalho num escritório ano passado onde eles estavam usando CAD 2008… era uma tortura. Mas nem sempre é assim, vários escritórios estão sempre com as versões mais atuais dos programas, ainda bem. Eu atualmente trabalho no CAD 2016, o que é ótimo, mas com o Adobe CS2 para Photoshop e Indesign.

E quanto ao tipo de trabalho, uma questão importante daqui é que paisagismo, arquitetura e urbanismo são coisas bem separadas. Paisagismo é uma faculdade diferente, separada, e quem se forma arquiteto não faz paisagismo e quem se forma paisagista não faz arquitetura. Urbanismo é algo extra na faculdade de arquitetura que pra fazer profissionalmente você tem que fazer algumas eletivas e fazer seu TFG nisso (acho que talvez tenham algumas faculdades só de urbanismo também, mas não tenho certeza).

Volta e meia me perguntam se é difícil conseguir emprego como arquiteto por aqui. Eu diria, bem sinceramente, que sim. Ainda é no geral bem mais difícil conseguir emprego sendo estrangeiro por aqui do que sendo alemão, e arquitetura é uma área onde tem bastante gente se formando. Mas, lógico, isso não significa que seja impossível ou que é pra desanimar. Uma coisa que ajuda muito (me parece) é ter uma formação aqui, então se você está pensando em tentar trabalhar por aqui, pense na possibilidade de fazer um mestrado ou algo assim, antes, acho que dá uma boa vantagem extra. Aprender alemão é suuuuuuper mega importante, não se iluda achando que vai dar pra se virar trabalhando aqui só falando inglês. Talvez até tenham alguns escritórios internacionais que trabalham em inglês, mas não são muitos e esses certamente serão os mais concorridos. Também vale a pena lembrar que tem diferença entre Alemanha oriental e ocidental. Na parte Oeste eles já estão mais acostumados com estrangeiros e não tem tanto medo e preconceito, então eu suponho que por lá seja mais fácil que por aqui, na parte leste. Aqui, qualquer escritório em que você trabalhar você vai ser o único estrangeiro… o que coloca uma pressão muito maior, né.

Não falei tanto do trabalho em si, ou de diferenças de como se faz arquitetura por aqui… mas esse é um tema que também já dá uns 3 outros posts, que certamente serão escritos no futuro!


 

(Publicado em 8 de Fevereiro de 2016)

Escritórios alemães – Parte 1

O tópico de como é trabalhar na Alemanha é um sobre o qual eu ainda não falei muito no blog. Esse post já faz um tempo que eu tô pra escrever, mas sempre que eu tento acabo desistindo porque nunca sei se as coisas que eu acho diferentes aqui são mesmo gerais ou particulares do escritório em que eu trabalho.

Então, se você também trabalha na Alemanha e tiver uma experiência totalmente diferente da descrita nesse post, compartilha nos comentários pra gente saber que nem todos os alemães são estranhos! =)

Minha experiência é com escritórios de arquitetura, que são normalmente escritórios pequenos, de no máximo 10 pessoas. Certamente tem muitas coisas muito diferentes em empresas grandes. Eu conheço aqui quatro escritórios, dois para os quais eu fiz alguns trabalhos temporários, o no que eu estou trabalhando há alguns meses, e o no qual meu namorado trabalha. Vou tentar falar de coisas mais genéricas, e não específicas de escritórios de arquitetura, até porque eu quero também fazer um post sobre a prática de arquitetura na Alemanha em breve.

A primeira coisa que eu notei por aqui foi que as pessoas não trabalham ouvindo música. Nos escritórios em que trabalhei no Brasil, sempre ficava o rádio ligado com música de fundo, ou então se não tivesse música de fundo, todo mundo ficava ouvindo a própria música no fone de ouvido. Música no trabalho dá pra viver sem, mas certamente faz bastante falta. A princípio, até dá pra levar seu fone e ficar ouvindo música, mas dado que ninguém faz isso e volta e meia seu chefe ou algum colega vem falar com você sobre qualquer coisa do trabalho, fica meio chato.

Acho que um dos motivos pra isso é que toda hora toca o telefone. Direto. No Brasil, normalmente tinha só o telefone geral do escritório, e normalmente quem ligasse falava com o chefe (lembrando, novamente, que estou falando de escritórios pequenos, de 5 a 10 pessoas). Aqui, mesmo em escritórios pequenos, é comum cada pessoa ter seu próprio ramal e falar diretamente com os clientes, fornecedores, etc, relacionados aos projetos em que está trabalhando.

A diferença que pra mim é mais estranha é ser chamada pelo sobrenome. No meu escritório, o chefe chama todo mundo pelo sobrenome e pela forma formal de tratamento Sie, mesmo quem trabalha com ele há mais de 10 anos. Já os colegas se tratam pelo primeiro nome e por du, entre si. Ficar trocando entre Sie (Senhor/a) e du (você) ainda gera uma certa confusão pra mim, principalmente pra conjugar os verbos de acordo. Mas isso também varia de escritório pra escritório. No do meu namorado, todo mundo se trata por du, mesmo com os chefes. Acho assim mais fácil, até porque eu ainda acho muito estranho ser chamada pelo sobrenome. E com outros profissionais que trabalham com você só que não no mesmo escritório, como os fornecedores, clientes, etc, todo mundo sempre se trata pelo sobrenome e Sr. ou Sra. Sempre sempre.

Outra diferença importante aqui é a quantidade insana de burocracia. Pra tudo, tudo, tudo, tem um papel, um documento, um contrato, um formulário, um comprovante. Em qualquer escritório – e isso eu tenho certeza que é geral em 100% das empresas alemãs – tem uma quantidade infinita de pastas exatamente assim:

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Juro, exatamente assim. Se você me disser que encontrou um escritório na Alemanha que não tem PELO MENOS umas 20 dessas pastas exatamente assim, eu te direi que você ou cruzou a fronteira pra algum país vizinho e não percebeu, ou não viu todos os cômodos do escritório – talvez as pastas estejam no porão. Mas em algum lugar elas estão.

Já falei sobre isso nesse post aqui, os Alemães são muuuuito noiados com papel, eles guardam TU-DO. No escritório do meu namorado, até pouco tempo atrás eles chegavam ao exagero de imprimir TODOS os emails que o escritório recebia para guardar nessas pastas!!!!!

E esse exagero acho que se expressa bem em desperdício de papel. Talvez eu que seja noiada com isso, mas eu sempre guardo qualquer pedaço de folha em branco pra usar pra alguma coisa, e folhas usadas só de um lado eu sempre uso de rascunho. Rascunho eles até usam, mas o que é desperdiçado de papel com a plotter, por exemplo, pra mim é dolorido de ver.

E no tema computadores, tem umas diferenças grandes também. Aqui é bem comum usar mac. Claro, várias empresas, provavelmente ainda a maioria, usa windows, mesmo. Mas em muuuuuuitas se usa mac. Principalmente em escritórios de arquitetura têm vários que usam Apple. O que no Brasil é raríssimo, na minha experiência.

E a questão da internet é outra coisa: alguns escritórios bloqueiam a internet TOTALMENTE. Ok, isso talvez seja raro, mas num dos escritórios em que eu trabalhei, e no escritório em que um amigo meu trabalha, simplesmente não tem internet nos computadores. Não é que o facebook ou o gmail são bloqueados: simplesmente não. Tem. Internet. Quer dizer, o programa de email com o email do escritório tem, mas o browser é totalmente bloqueado. Nesse escritório que eu fiquei temporariamente, tinha um computador no escritório todo com internet pra caso você precisasse pesquisar alguma coisa específica. Isso eu acho totalmente inviável hoje em dia. Não sei de outras profissões, mas como arquiteta eu preciso da internet direto – olhar coisas no google maps, pesquisar esse ou aquele detalhe construtivo, pesquisar materiais, fornecedores… não tem como trabalhar direito sem internet.

Fora que para um escritório tão pequeno – aquele tinha umas 6 pessoas além dos dois chefes – é uma mega falta de confiança por parte dos chefes bloquear a internet. Sabe, pra quê? Isso acaba criando um clima ruim na empresa em que em vez de trabalhar junto, você tem a impressão de que o chefe está contra você. Isso acabava naquele escritório se traduzindo de outras maneiras também: ninguém conversava absolutamente nada durante o trabalho, ficava todo mundo trabalhando em silêncio como zumbis nos seus computadores sem internet. Credo.

E falando sobre trabalhar junto e colegas: aqui as pessoas não fazem happy hour com os colegas da empresa! Pelo menos nos escritórios que eu conheço realmente não tem isso. A confraternização entre os colegas acontece de outras formas: por exemplo sempre que tem aniversário de alguém, aí ou o aniversariante traz um bolo pra todo mundo, ou rola um almoço com os colegas, etc…

Outra coisa que não é rara é um almoço “comunitário” onde um cozinha para todos. No escritório do meu namorado, às sextas, sempre um cozinha macarrão para todos, cada semana um dos colegas que cozinha. No escritório de um amigo, que é num lugar meio afastado sem restaurantes por perto, todo dia alguém cozinha pra todo mundo. Pra quem não se adapta bem à comida duvidosa alemã, como eu, algo assim seria um pesadelo!

Ok, ainda dá pra escrever várias outras coisas, mas o post já está muito grande, então o resto ficará para uma parte 2.


(Publicado em 4 de fevereiro de 2016)

 

Confraternização de Natal da firma

Eu sei, estou atrasada com os posts. Mas agora entre Natal e Ano Novo tenho vários posts planejados pra compensar!

E o primeiro é sobre confraternizações de Natal de firmas… alemãs.

Aqui, como no Brasil, as empresas costumam fazer suas confraternizações de Natal em algum dia de dezembro. Mas pela minha experiência até o momento, essas confraternizações são bem diferentes das que a gente faz no Brasil.

Hoje foi a do escritório onde trabalho. A comemoração consistiu em ir visitar uma cidadezinha 1h30 de distância, nas montanhas de Erzgebirge, para visitar o mercado de Natal, um museu e depois jantar!

Saímos do escritório às 13h numa van alugada pelo chefe, chegamos na cidadezinha às pouco depois das 14h30, visitamos a igreja principal da cidade onde estava tendo um breve concerto de órgão, tomamos um Glühwein no mercado de Natal na praça central, visitamos um museu de brinquedos de madeira (A região de Erzgebirge é famosa pela arte em madeira, várias decorações, objetinhos super bem trabalhados com mil detalhes, de madeira), tomamos outro Glühwein no mercado de Natal, demos uma volta, e fomos para o restaurante. O restaurante era no topo de uma montanha, uns 2km de distância do centro da cidadezinha. A van ia levar o pessoal do centro pro restaurante, mas alguns preferiram ir andando, porque alemães adoram uma caminhada, especialmente se for subindo uma montanha. Aliás, todo o programa foi bem alemão. Com hora marcada pra cada parte do dia, tudo muito bem organizado e planejado, sem tempo nem sobrando nem faltando!

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A cidadezinha que visitamos hoje.

As confraternizações de natal das empresas no Brasil costumam ser um jantar em algum lugar, às vezes um churrasco, mas com mais freqüência é só uma festinha ali no escritório mesmo no último dia antes do recesso. Por aqui são bem variadas. No escritório do meu namorado eles alugam todo ano uma sala num restaurante onde você pode cozinhar sua própria comida, e os chefes cozinham para os empregados!! E umas comidas super sofisticadas! Entre o prato principal e a sobremesa, eles ficam mostrando no projetor fotos que o pessoal mandou especialmente pra ocasião, que são eventos importantes ou marcantes daquele ano pra cada pessoa: as viagens que a pessoa fez, os projetos que ela terminou no escritório, coisas assim.

Num outro escritório onde uma amiga trabalha eles fazem uma janta num restaurante, mas também com essa parte de mostrar fotos. Nesse ano foi um slideshow das fotos da viagem de um dos colegas para Ruanda. Os alemães adooooram assistir slideshow de fotos de viagens dos amigos com comentários. Eu gosto de olhar fotos que outras pessoas postam de suas viagens no facebook, por exemplo, onde eu olho no meu próprio ritmo, e tal, parar nas que me interessam e pular as sem graça… mas assistir slideshow de foto de viagem alheia com comentários acho, sei lá… bem alemão.

Uma outra coisa bem diferente é que aqui não se faz amigo secreto no escritório (ou em lugar nenhum, eu nunca ouvi falar de ninguém fazendo amigo secreto, aqui!). Normalmente todo mundo ganha um presente do/s chefe/s e o pessoal se junta pra comprar algum presente pro/s chefe/s também. Esse ano eu ganhei um vale para uma livraria, o que pra mim é um presente bem útil, e também uma garrafa de vinho. Meu namorado, que trabalha há bastante tempo num escritório, já ganhou dos presentes piores aos melhores. No ano passado ele ganhou uma câmera digital compacta. Noutro ano ele ganhou um joguinho de batalha naval bem tosco, que deve ter custado uns 5 euros. No ano mais bem sucedido do escritório, o pessoal ganhou um iPad mini. (!!!) Mas lógico que foi bem no ano que ele não estava lá… Nesse escritório o presente acaba sendo um resultado do sucesso do escritório naquele ano.

Presentes pros chefes também são os mais variados. No meu escritório trabalham 11 pessoas pra um chefe, então dá pra juntar uma graninha e comprar algo legal. No do meu namorado são menos pessoas e 3 chefes, então os presentes são menos caros, mas mais criativos. Teve um ano que eles fizeram um livro de receitas de macarrão, porque toda sexta feira um deles cozinha macarrão para os outros (cada semana um). Teve um ano que eles fizeram uns selos (selos de verdade, mesmo, para enviar carta) personalizados com imagens de projetos do escritório… num outro escritório que eu trabalhei eles faziam todo ano uma placa de metal de pendurar na parede com fotos dos projetos que o escritório tinha completado naquele ano. Comprar presente pra chefe é uma coisa que eu demorei pra me acostumar… no Brasil nunca trabalhei em lugar nenhum onde os colegas se juntassem pra comprar um presente pros chefes, achei isso totalmente estranho no início!

É isso o que eu sei sobre confraternizações de Natal de empresas na Alemanha. A minha experiência é com escritórios de arquitetura, que normalmente são empresas pequenas de até 10 pessoas, talvez em empresas bem grandes seja bem diferente, não sei. Se sua experiência for outra, conta aí nos comentários como foi!


(Publicado em 19 de Dezembro de 2015)