estilo de vida

Diferenças entre a Alemanha e a América do Norte

O blog anda meio parado, mas é por um bom motivo: passei as últimas três semanas de férias. Aproveitamos o tempo para viajar para os Estados Unidos e Canadá, e fazia já um tempo que eu não viajava para fora da Europa (2 anos e meio desde minha última visita ao Brasil). Essa viagem foi interessante para eu perceber como várias coisas que são diferentes aqui eu já me acostumei tanto que até esqueci que são diferentes em outros lugares. Nesse sentido é interessante também notar o quanto os países do continente americano têm muitas semelhanças entre si. Diferenças também, claro. Mas muitas coisas que eu notei serem diferentes nos EUA daqui são no Brasil assim também.

Então resolvi fazer um post listando as principais diferenças que notamos entre a América do Norte e a Alemanha/Europa.

Restaurantes/Comida
A primeira coisa que notamos – e que nos incomodou muito – foi que nos EUA em fast foods e cafés você sempre seeeempre recebe talheres e pratos e copos descartáveis. Não importa se você especificar que vai comer no local, em qualquer restaurante ou café onde você tem que pedir a comida no balcão vem tudo, sempre, em pratos e copos de papelão ou plástico. Não dá pra acreditar a quantidade desnecessária de lixo gerado. Cada cafézinho num copo descartável, que desespero! Na Alemanha as coisas realmente só vem em copos descartáveis quando você especifica que quer não vai comer no local. Mas isso também é uma diferença que notamos: na América do Norte as pessoas frequentemente tomam café e comem andando na rua, indo de um lugar pro outro. Principalmente em cafés eram poucos os que sentavam para tomar o café no local. Aqui sentar num café pra tomar uma xícara de café com calma e comer um bolinho é um costume bem típico.

Aliás comida foi outra coisa, embora não seja nenhuma surpresa: nossa, como foi difícil achar comida decente nos EUA! Tudo fast food, tudo cheio de açucar, cheio de óleo… eu não sou nenhuma fã de comida alemã, mas pelo menos em qualquer supermercado você encontra várias coisas saudáveis e não se costuma colocar tanto açucar em tudo.

E finalmente, em relação a restaurantes, outra diferença grande é como se dá a caixinha. Na Alemanha você recebe a conta e na hora de pagar diz quanto quer que o garçom cobre, adicionando normalmente algo entre 5 e 10% de caixinha. Normalmente as pessoas arredondam o valor da conta em algo próximo a 10%. Por exemplo, se a conta deu algo entre 22 e 23,5 euros, você falaria para cobrar 25. Se você estiver pagando com cartão ou com diheiro a mais. Se você está pagando com 25 euros, digamos, uma conta de 22, aí vc diz “está certo assim”. Nos EUA a caixinha varia entre 15% e 20%, ou até 25% se o cliente for bem generoso. Mas nunca se dá a caixinha direto pro garçom, você sempre deixa na mesa depois de pagar a conta. No Canadá a caixinha era sempre 15%, e na hora de passar o cartão a maquininha pergunta se você quer deixar uma caixinha e você digita a porcentagem que quer deixar de caixinha.

Pessoas
O que eu mais gostei durante essa viagem foi da simpatia das pessoas. As pessoas na América do Norte (e isso vale 100% pro continente americano inteiro) são muuuuuuuito mais simpáticas e amigáveis que os alemães meudeusnemsecompara. Os alemães (pelo menos – ou principalmente – os saxões) são com bastante frequencia super grossos sem a menor necessidade. As palavras trocadas com desconhecidos são sempre limitadas ao mínimo necessário, e sorrisos parece que custam dinheiro. Nos EUA era tão fácil falar com as pessoas em qualquer situação… No Canadá nem tanto porque estávamos na parte francesa e alguns realmente não queriam falar inglês. Mas fora esses, os outros eram bem simpáticos também.

Outra coisa é que nesses dois países a sociedade é tão diversa e misturada (mais que no Brasil) que ninguém se sente peixe fora d’água. Você pode ter qualquer cara e se encaixar bem por  lá (numa cidade grande, claro, não numa vilazinha no meio do nada onde todo mundo vota Trump, né). Aqui se você é um pouquinho diferente em aparência, todo mundo te olha o tempo todo. É bizarro. Eu tenho a sorte de passar um tanto despercebida por aqui em termos de aparência, mas vejo isso com clareza quando estou com amigos mais obviamente estrangeiros que eu. Não quero nem imaginar como uma pessoa negra ou árabe se sente o tempo todo aqui. Um amigo meu brasileiro que parece um pouco árabe nos poucos dias que passou aqui me visitando para o meu casamento relatou todo tipo de olhar feio e falta de educação que ele passou. No tram as pessoas evitando sentar perto dele, ignorando totalmente quando ele tentava parar alguém pra pedir informações de como chegar em algum lugar… se foi assim em poucos dias, imagina morar aqui…

Aliás, uma coisa que notei é que nos EUA e Canadá as pessoas SEMPRE perguntam de onde você é. Sempre mesmo, as pessoas têm essa curiosidade, e eu acho que é na maior parte das vezes só curiosidade mesmo, não uma necessidade de categorização. Aqui um desconhecido nuuuuunca te perguntaria de onde você é, nunca mesmo. E as pessoas conhecidas esperam um tanto pra perguntar. Eu acho que as pessoas acham que é um pouco mal-educado perguntar, talvez pq pareça que elas queiram te julgar de acordo, se perguntarem? Não sei, mas o fato é que não se pergunta nunca.

Carro
Uma diferença gritante é em relação ao uso de carro. Aqui na Alemanha as pessoas adoram carro, claro, no país da VW, Porsche, Audi, Mercedes, BMW e tantas outras marcas de carro não tinha como ser diferente. Mas nossa, nem se compara às américas. Nos EUA e Canadá – e no Brasil também é assim – as cidades são feitas pra carros. É comum morar em subúrbios onde se faz tudo de carro, todo mundo tem carro e todo mundo usa carro diariamente. Aqui é comum deixar o carro em casa em várias situações, muita gente vai pro trabalho de bicicleta ou transporte público e o mais comum é ter só um carro por família, e não um pra cada membro maior de 18 anos. E a gasolina nos EUA é absuuuurdamente barata, chegamos a pagar uns 2,80$ por galão, que são 3,7L. Ou seja, 0,75$ por litro. Na Alemanha custa por volta de 1,30€ (1,57$) por L, o dobro do preço!

Pagamentos
E finalmente, um ponto bem diferente é como as pessoas pagam por coisas. Aqui na Alemanha é comum pagar as coisas do dia a dia (comida, restaurante, supermercado, coisas do dia-a-dia) com dinheiro. Vários lugares nem aceitam cartão de crédito, só o cartão de débito europeu. Alguns não aceitam cartão nenhum. Então tem que sempre ter dinheiro na carteira. Nos EUA, Canadá, e no Brasil também, qualquer lugar aceita cartão. Não sei exatamente como é no Brasil atualmente, mas nos EUA você pode pagar qualquer quantia com cartão de crédito, até uma garrafinha de água. E quase todo mundo paga tudo sempre com cartão. Bem mais prático, mas perigoso de gastar muito dinheiro sem perceber. Já escrevi um post falando sobre esse costume alemão e suas origens aqui.

É isso! Bom, não, tem várias outras diferenças, claro, mas isso foi o que a gente notou com mais clareza e imediatamente.

Erlebnisbäder

Na Alemanha há uma cultura forte de “banho”. Não banho, assim, de chuveiro. Banho de piscina e lago. É relativamente comum as pessoas irem nadar em lagos ou rios nas proximidades de onde moram, uma coisa que para a gente parece um tanto estranha e “rural”. Um hobbie talvez para o Chico-Bento, não para quem mora em cidade.

Mas, nos poucos e preciosos dias de verão, com o tempo aberto e as temperaturas no topo, e sendo a Alemanha um país quase totalmente cercado por outros países, e portanto com poucas praias, qualquer água serve. Até as fontes pela cidade ficam cheias de criancinhas se divertindo. De biquini, de roupa, sem, tanto faz, o importante é não perder a oportunidade de se molhar.

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E para aproveitar a água mesmo no inverno, você encontra em qualquer cidade alemã uma variedade de piscinas freqüentáveis sem necessidade de ser sócio de clube nenhum, fazer exame médico, nem nada.

Tem piscinas cobertas e piscinas abertas, mas, a opção mais legal mesmo são os Erlebnisbäder. Erlebnis significa algo como aventura, uma tradução talvez um pouco exagerada, mas, basicamente, um Erlebnisbad seria um mini-parque aquático.

Em um Erlebnisbad você vai provavelmente encontrar:

Uma piscina olímpica, possivelmente com trampolins;

Uma piscina para diversão, com eventuais cachoeiras, águas borbulhando num canto, mais bolhas saindo da parede para massagem nas costas, possivelmente até um pequeno rio com corrente;

Um toboágua divertido;

Hidromassagem, normalmente para até 6 pessoas;

Sauna;

Área para crianças pequenas com piscininhas rasinhas e talvez um escorregador, quem sabe em formato de elefante;

Uma piscina descoberta (mas você entra na piscina na parte coberta), possivelmente mais quente que as outras. Em um ou outro caso também já vi a piscina descoberta ser com água salgada;

e, claro, uma lanchonete, onde você deve comer batata-frita, que aparentemente é o que se come quando se vai na piscina na Alemanha.

Na área descoberta tem também sempre um gramado para tomar sol. Algumas piscinas mais avançadas vão oferecer ainda mais opções para você relaxar e se divertir na água.

Mas e como funciona? Não precisa ser sócio?

Não.

Essa é a melhor parte. Funciona mesmo como um parque aquático, só que bem mais barato, lógico, e com preços variados. Normalmente tem opções como 2h, 5h, ou diária. E você não precisa decidir antes quanto tempo quer ficar, você paga o tempo que tiver ficado na saída (ou a diferença, em alguns casos, quando você tem que pagar já na entrada).

Os preços variam, claro, de acordo com o tamanho e variedade de opções oferecidas da piscina, mas costuma ser algo em torno de 5 ou 6 euros para 2h, e 10, 12 euros para a diária. Algumas piscinas mais avançadas podem oferecer ainda opções, por exemplo, piscina + sauna por um preço, só piscina por outro.

Se você vai com freqüência, tem normalmente alternativas de passes com desconto. Não precisa fazer exame médico, basta chegar e mergulhar.

Os vestiários também são um ponto interessante: na maioria das piscinas que visitei, os vestiários não eram separados por sexo. Quer dizer, você entra para se trocar numa cabine só para você, mas as cabines não são agrupadas por sexo, e tem sempre umas cabines família, para pais com filhos pequenos, e tal. (também ajuda se você vai com o namorado mas leva tudo numa mochila só).

E funciona sempre assim. Você chega por um corredor e as cabines estão dispostas ao longo de corredores perpendiculares a esse corredor de acesso. Aí você vai lá, entra na cabine, se troca, e sai pelo outro lado. As cabines têm então duas portas, uma que dá para o corredor que te leva para a saída, e outra que dá para o corredor com os armários e que te dá acesso à piscina. E para evitar que as cabines desocupadas fiquem com a porta trancada do lado em que a pessoa entrou e destrancada só do lado em que a pessoa saiu, elas tem um mecanismo simples porém sagaz que tranca as duas portas de uma vez só.

Muito bem, calção de banho ou biquini colocados, toalha em mãos e havaina no pé, você sai pelo outro lado e deixa sua mochila/bolsa/sacola/o que for em um dos inúmeros armários.

Antes de entrar na piscina, é normalmente obrigatório tomar uma ducha. Não se preocupe, os banheiros e duchas são sim, separados por sexo! =D MAS saiba também que os alemães, especialmente os da antiga Alemanha Oriental, são bem tranqüilos em relação aos seus corpos. Se você for à praia, por exemplo, não é raro que as pessoas se troquem ali mesmo, em público, sem grandes preocupações, e topless ou whatever-less também não são raros. Então em piscinas acontece de vez em quando das pessoas (claro, senhores e senhoras mais velhos, não pessoas novas) se trocarem fora da cabine mesmo, na frente do armário. Não se assuste, portanto, se vir um senhor peladão. Ele provavelmente não é um tarado maluco.

Vale a pena experimentar um Erlebnisbad se você estiver na Alemanha, mesmo viajando. Você encontra dessas piscinas em quase qualquer cidade da Alemanha, principalmente no sul do país. O melhor horário para ir é durante a semana no final do dia. Vários fecham só às 22h, então é tranqüilo chegar lá pelas 19h e ter ainda bastante tempo de piscina, sem muita gente. Só preste atenção, caso você queira comer a importante e tradicional batata-frita, que as lanchonetes costumam fechar antes, às 20h.

É uma ótima maneira de aproveitar o verão, e também de se animar nos invernos gelados e escuros!


(Publicado em 25 de Julho de 2013)

Schrebergärten

Se você já viajou de trem pela Alemanha, talvez tenha notado ao longo da linha na periferia das cidades estranhas casinhas super pequenas em pequenos lotes com quintais. Se você tiver passado no inverno, quando as plantas estão secas, pode ter imaginado que seriam casas de pessoas mais pobres.

Não.

Acontece que os alemães adoram um jardim. Mesmo. Ter um jardim em casa é um grande ponto positivo, muitas vezes mais importante que ter espaço para carro.  Aqueles quintais típicos de casas brasileiras, forrados de pisos frios e azulejos sem um pedacinho de terra aqui seriam uma medonha aberração incompreensível.

Mesmo os prédios costumam ter um pedacinho de jardim, ainda que pequeno.

Jardins no espaço livre de edifícios de apartamentos

Jardins no espaço livre de edifícios de apartamentos

Você ficaria surpreso de saber que os apartamentos no térreo não são fortemente rejeitados, apesar da inconveniência e falta de privacidade de ter suas janelas de cara para a calçada. Vários deles têm seus próprios jardins, e morando no térreo, dá para deixar seu gato sair para dar uma volta. (São pouquíssimos os gatos daqui que moram só dentro do apartamento. A maioria dos gatos pode sair.)

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Alemães gostam tanto de um jardinzinho que aqueles que não têm um em casa alugam um Schrebergarten. Os agrupamentos de pequenos lotes de jardins são encontrados principalmente às margens das ferrovias e estradas, onde é complicado construir por causa do barulho. Você encontra desses por toda a Alemanha, é realmente comum. A maior parte das pessoas que alugam são mais velhos, principalmente aposentados. A idade média é de 60 anos. Mas tem famílias novas também. Inclusive alguns apartamentos vêm com um jardim junto, não necessariamente vizinho ao apartamento.

Os aluguéis variam de acordo com o tamanho e localização, claro, mas são no geral bem baratos. Parece que a média é de 373 euros por ano, o que dá só 31 euros por mês de aluguel. Bem em conta, para um lugarzinho ao sol. (exceto que sol na Alemanha é meio raro, mas tudo bem). Os tamanhos podem variar entre 50m² e 300m², se não me engano.

A tradição dos Schrebergärten é antiga, tendo tido início há aproximadamente 200 anos atrás, quando as pessoas começaram a mudar das áreas rurais para as cidades em busca de empregos, e sentiam falta de contato com a natureza, espaços verdes e tranqüilos.

Lá os alemães aproveitam para plantar verduras e frutas, flores, plantas, às vezes tem um espaço para as crianças brincarem… As casinhas abrigam pequenas cozinhas, talvez uma salinha para sentar, certamente um banheiro, e, claro, as ferramentas de jardinagem.

Loteamento de jardins ao longo de linha ferroviária em Dresden.

Loteamento de jardins ao longo de linha ferroviária em Dresden.

Ótima ocupação para velhinhos aposentados que gostam de jardinagem!


(Publicado em 3 de Julho de 2013)

Biergarten: não dá para ser mais alemão.

Não tem nada mais alemão que um Biergarten. E é uma das coisas mais legais da Alemanha. Vindo para cá, não deixe de visitar algum.

Como diz o nome, Biergarten seria algo como um “Jardim de cerveja”.

Na verdade é um restaurante/bar ao ar livre onde as pessoas vão para, essencialmente, tomar cerveja, comer um salsichão com mostarda ou um Pretzel. De verdade. Todos os esteriótipos clichês que você conhece da Alemanha unidos numa coisa só. Só falta um alemão gordo com trajes típicos da Bavária para completar o ambiente.

Mas esse só tem na Bavária mesmo. No resto da Alemanha, contente-se com a cerveja, o pretzel e o salsichão. Tá, talvez mesmo na Bavária os trajes típicos não sejam lá tão comuns.

Para dar uma idéia melhor do ambiente de um Biergarten, aí vão algumas imagens:

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Simpático Biergarten ao longo do rio Elba, em Dresden.

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Mas ainda que você não seja muito fã de cerveja, tem outras opções de bebida. Refrigerantes normais, refrigerantes alemães, refrigerantes misturados com cerveja, e até um cafezinho, se for o caso.

Nota importante: os alemães chamam refrigerante de “Limonade”. Limonade pode ser qualquer refrigerante, ainda que nem tenham limões envolvidos no processo. Portanto, se te oferecerem Limonade, não espere um suco de limão. Uma limonada normal, assim, limão, água e açúcar, não tem. Nunca vi suco de limão em lugar nenhum.

E como assim refrigerantes alemães? Na verdade aqui na Alemanha tem vários refrigerantes diferentes. Bionade, por exemplo, é uma marca bem famosa por aqui, de refrigerantes de laranja com gengibre, Hollunder (uma frutinha redonda pequena vermelha ou preta), Lichia, Marmelo ou Ervas. Sabores super normais.

Fassbrause também é outra marca de refrigerantes, produzidos por uma companhia de cerveja, com vários sabores diferentes, também, freqüentemente disponível nos Biergärten. Vale a pena experimentar alguns desses refrigerantes diferentes. Tanto Bionade quanto Fassbrause são produzidos pelo mesmo processo da cerveja, quer dizer, fermentação, e portanto tem um ligeiro gosto de cerveja, sem o álcool.

E os Biergärten funcionam da seguinte maneira: Eles tem um “balcão”, você vai lá, compra a sua cerveja e seu salsichão e senta numa das mesinhas. Não tem serviço, você que busca o que você quer, e as mesas são normalmente super grandes e compridas, e é completamente normal sentar na mesma mesa que outras pessoas, não se intimide.

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Tem algumas outras opções de comida, além do salsichão, normalmente batatas, talvez uma salada, coisas também bem alemãs.

Biergärten são super comuns pela Alemanha toda, têm um ambiente super simpático, com as mesas ao ar livre, especialmente se estiver em um parque ou nas margens de um rio. Não deixe de visitar um!


(Publicado em 23 de Junho de 2013)

Transporte público na Alemanha

Diante da escalada de manifestações ocorrendo em São Paulo, no Rio, e em outras cidades brasileiras, me pareceu superficial vir aqui escrever um post sobre, sei lá, os jardins que os alemães que não moram em casa alugam ou compram, às vezes bem longe de suas casas, para ter um lugar verde para plantar umas plantas e cultivar umas coisinhas. Ou um outro post, sobre, sei lá, o que os alemães fazem no seu tempo livre, ou bichos de estimação que os alemães tem, entre outros vários assuntos que tenho planejados para futuros posts.

De fato, essa semana tem que ser alguma coisa que contribua para a discussão.

O ideal seria, claro, um post sobre violência policial na Alemanha, ou repressão a manifestações na Alemanha. Existe? Existe. Aliás, aqui em Dresden, o dia 13 de fevereiro é uma ótima data para presenciar alguns absurdos por parte da polícia e da justiça, que misteriosamente não proíbem a manifestação neo-nazista, mas tentam parar os manifestantes que saem às ruas para bloquear os nazistas. Vídeos de manifestantes pacíficos, que estão simplesmente sentados no chão, sendo arrastados pela polícia para desbloquear o caminho dos nazistas, ou ainda o vídeo mais chocante que vi desse mesmo dia, em que nazistas atiram pedras em um edifício onde moram estrangeiros , xingando e gritando ameaças aos mesmos, enquanto dois carros de polícia assistem a tudo de longe sem tomar nenhuma atitude.

Outros registros, de policiais tirando seus capacetes e se juntando aos manifestantes do movimento Occupy, em Frankfurt, também existem.

Mas eu, nunca tendo participado de uma manifestação na Alemanha nem estando suficientemente informada sobre a política, a atuação das autoridades e da polícia, ou a reação do povo por aqui, não estou capacitada para escrever sobre isso.

Entretanto, um post que já estava planejado e que vem a calhar neste momento, ainda que a discussão já esteja muito além do transporte público, é esse: como funciona o transporte público alemão.

Até já escrevi um pouco sobre o assunto, nas dicas sobre Berlim e Dresden, e no post sobre empregos que não existem na Alemanha (cobrador de ônibus sendo um deles). Esse post é uma compilação do que já foi dito e outras informações adicionais.

O transporte público alemão é gerido por empresas públicas responsáveis por uma cidade ou uma região. Então em cada cidade ou região apresentará diferenças. Até aí não é muito diferente do Brasil, exceto que aqui as empresas são mesmo públicas, não tem Via Quatro criando logos para suas próprias linhas de metrô.

Tem muitos pontos positivos no transporte público por aqui. Em primeiro lugar, TUDO é 100% integrado. Não tem essa história esquisita de, ok, você pode pegar vários ônibus durante 3 horas, mas se entrar no metrô tem que pagar extra. Se você comprar um bilhete de transporte, que aqui em Dresden vale por 1h, nessa 1h vc pode pegar quantos ônibus, trams, metrôs ou trens regionais você quiser. Como assim, trem regional? Quer dizer, com o mesmo passe do ônibus você pode pegar também o trem regional que vai, sei lá, para Leipzig. Só que, claro, se você estiver só com o bilhete de Dresden, você só pode usar esse trem dentro dos limites da cidade, então você pode pegar um trem regional de uma estação para outra dentro de Dresden.

Em várias cidades, especialmente nas metrópoles, os limites da cidade funcionam por zonas. Quer dizer que você pode comprar um bilhete para uma zona, duas, três, o que for, dependendo da onde você vai. A Zona 1 seria a área principal da cidade, a zona 2 as áreas mais periféricas e a Zona 3 as cidades em volta. É um sistema que aqui faz sentido, pagar de acordo com a distância que você anda, mas obviamente só faz sentido porque não rola uma expulsão das classes mais baixas para as periferias como nas metrópoles brasileiras. Por aqui, normalmente, as cidades em volta e as áreas periféricas são escolha de famílias que preferem ter uma casa maior, jardim, mais espaço para as crianças, essas coisas.

As tarifas variam, claro, de cidade para a cidade, mas não são baratas. Em Dresden, uma cidade pequena, com distâncias facilmente realizáveis de bike, o bilhete unitário custa 2,00€, bem caro se comparado a Berlim, uma metrópole, onde o bilhete custa 2,40€.

Mas a verdade é que, se você é um usuário habitual de transporte público, você nunca vai pagar a tarifa unitária. Tem alternativas que saem muito mais em conta. Vou usar Dresden como exemplo, mas as informações são similares para qualquer cidade. Aqui, se você pega transporte público todo dia para ir para o trabalho, você tem as seguintes opções:

> o ticket mensal, por 52,50€. Se você vai e volta do trabalho 5 dias por semana, portanto usa o tram aproximadamente 42 vezes por mês. Com o bilhete mensal, você acaba pagando só 1,25€ por viagem. Mas, claro, tendo o bilhete mensal, você pode usar o transporte público infinitamente durante o mês todo. Então se além dessas idas ao trabalho vc ainda usar durante o fim de semana umas duas vezes, talvez durante a semana mais duas ou três vezes para ir para outros lugares, digamos que você acabe usando o transporte público um total de umas 62 vezes durante o mês, já sai 0,85€ a viagem. Vale muuuito a pena.

> o bilhete mensal abonado: você pode também se inscrever para receber o bilhete mensal todo mês por correio, como uma assinatura de revista. Dessa maneira, você paga só 46€ pelo bilhete, e pode cancelar sua “assinatura” quando quiser. Nesse caso, cada viagem, na estimativa só-trabalho sai 1,09€, e na estimativa trabalho+passeios, 0 74€.

> o bilhete anual, por 520,00€. Se você realmente só usar o transporte público para ir e voltar do trabalho, portanto um total aproximado de 42×11 (12 meses menos 1 mês de férias) = 462 vezes, cada viagem já sai por 1,12€, ou, naquela média de trabalho + algumas viagens extras, 62×11 + digamos só 10 vezes durantes as férias porque vc foi viajar = 692 viagens por ano. Cada viagem sai por 0,75€. Parece mais caro que o bilhete mensal abonado, mas só porque eu calculei esse mês de férias. Se você receber o bilhete assinado durante o ano todo, sai um total de 552€. Aí vale mais a pena comprar o bilhete anual, mesmo. Uma coisa interessante do bilhete anual, é que ele não vale só para a pessoa que comprou. Você pode emprestar o seu para outra pessoa sem o menor problema. E, durante o fim de semana e feriados, durante às 18h do dia anterior ao feriado até às 6 da manhã do dia do feriado (ou sábado ou domingo), ele serve como bilhete família. Você pode levar com você portanto outro adulto e duas crianças.

E o bom também do bilhete anual e do bilhete mensal abonado é que você pode levar com você a sua bike OU o seu cachorro grande. Nos bilhetes normais, para levar bike ou cachorro grande tem que pagar extra.

O que nos leva para o próximo item: o que pode levar no transporte público?

Bom, basicamente qualquer coisa que passe pelas portas, exceto que para algumas coisas você tem que pagar extra. Mas já ouvi história até de gente mudar de casa de tram. Tipo levando móveis e tal. O meu namorado me jurou que junto com 4 amigos, trouxeram de uma loja até a universidade, de tram e ônibus, 5 pacotes de 25kg de concreto. Nada é impossível.

Mas oficialmente te dizem que você pode levar com você, gratuitamente:

> 1 carrinho de bebê (com ou sem bebê dentro)

> 1 cadeira de rodas (com você nela, não uma pessoa extra)

> 1 par de Esquis (mas não pode ir usando)

> 1 trenó (o tipo pequeno, sem renas)

> 1 animal pequeno (dentro de caixinha)

ou

> 1 bagagem de mão

E pagando extra você pode também levar

> uma bicicleta

> um cachorro grande

ou

> bagagem grande

E o que é “extra?” Para levar a bicicleta com cachorro dentro da mala, você tem que ter um bilhete extra, de tarifa reduzida. O bilhete de tarifa reduzida é o mesmo que serve para crianças de até 14 anos, e custa 70% do bilhete normal. Então o unitário reduzido custa 1,40€

Mas se você leva sempre sua bike ou seu São Bernardo com você pro trabalho, e você tiver o bilhete mensal não-abonado, que não inclui bicicleta ou São Bernardo, você pode comprar o bilhete mensal de bicicleta, por 16€, que é mais barato que o bilhete mensal reduzido. Isso também pode lhe ser útil caso você seja estudante. O que nos leva a ainda mais uma questão importante: mas e estudante não paga meia?

Melhor que isso. Estudante não paga! Bom, quase. Primeiro, lembro que isso varia de estado para estado e caso para caso. Mas, no geral, se você é estudante você tem um bilhete semestral para o transporte público, que você pode usar também infinitamente naquele semestre. Aliás, mais do que isso. É melhor ainda que um bilhete mensal ou anual, porque não vale só na cidade em que você estuda, mas no estado inteiro. Então se você estuda, digamos, na universidade de Dortmund, e sua família é de Colônia, você pode ir para casa todos os fins de semana sem pagar nada. Muito prático. Se a sua família não é do mesmo estado onde você estuda, pelo menos dá pra ir passear nas cidades próximas sem pagar nada, o que também é legal. Só se você estudar em Berlim, Hamburg ou Bremen é que você sai em desvantagem, já que essas cidades são estados separados. =( Qüé qüé qüé…

E porque “quase” não paga?

Bom, aqui na Alemanha praticamente todas as universidade são públicas. Mas não são 100% gratuitas. Você paga uma taxa de matrícula a cada semestre. Essa taxa varia de estado para estado, e costuma ser entre 100 e 300 euros. Parte (a maior parte) dessa taxa vai para pagar esse bilhete semestral, e o que resta financia o grêmio estudantil e as organizações estudantis que organizam moradias para os alunos e coisa do tipo. Escrevo mais sobre isso num post sobre universidades. Mas portanto você acaba pagando uns 150 euros para esse bilhete, que vale infinitamente durante todo o semestre. Mas, se não me engano, ele não inclui bicicletas ou São Bernardos, daí o bilhete mensal de 16€ caso você queira muito levar todo o dia o seu São Bernardo para assistir a aula com você.

Quem não leu ainda nenhum dos outros posts que mencionam transporte públicos pode estar se perguntando: e como funcionam esses bilhetes? É um cartão, tipo o bilhete único de SP? É um bilhete tipo o do metrô, que você passa numa catraca? Como funciona?

Para os bilhetes normais (unitário, de 4 viagens, diário, tal), você valida o bilhete no tram ou ônibus, ou na plataforma do metrô ou trem. Validar significa que você carimba o bilhete numa maquininha dentro do ônibus ou na plataforma. Não tem cobrador, você que se auto-cobra, digamos. Se você não carimbar o seu bilhete, viaja de graça. A não ser, claro, que entre o fiscal no seu ônibus para fiscalizar as passagens de todo mundo. A multa por não carimbar o bilhete, se você for pego por um fiscal, é de 40 euros. E eles calculam a quantidade de fiscalizações necessárias para que, estatisticamente, não valha a pena o risco de não carimbar.

Para os bilhetes mensais ou anuais, não precisa carimbar, o bilhete já vem com o mês em que é válido impresso.

O bilhete semestral de estudante é, na verdade, a carteirinha da universidade. Mas você tem que ter em mãos também uma identidade sua para provar que você é você, já que o bilhete semestral só vale para você.

Mas e como é o transporte público na Alemanha? É bom? É cheio? Fica lotado? É organizado?

Super. Organizado demais. Todos os trens, ônibus, trams, metrôs, o que for, tem horário marcado para passar em cada ponto, e raramente eles vêm fora do horário. Em várias estações tem displays eletrônicos que mostram o tempo para o próximo ônibus de cada linha chegar. Todas as estações, com ou sem display, tem um mural com uma folha para cada linha mostrando os horários da mesma. Então você sempre sabe, quando está no ponto, quando vem o próximo ônibus. E, claro, as informações também são facilmente encontráveis na internet, e tem aplicativos para o celular, de maneira que você sempre pode planejar, com bastante precisão, qual ônibus quer pegar.

Os ônibus aqui também ficam cheios, na hora do rush. Nas cidades grandes, claro, mas mesmo em Dresden, lá pelas cinco da tarde os trams ficam bem cheios. Mas nunca vi nada chegar perto de uma Estação da Sé às 18h ou dos trens híper-lotados da CPTM, por exemplo. Aqui o transporte fica cheio. Às vezes bem cheio. Mas não superlotado. E as pessoas são super tranquilas em termos de dar espaço para passar, para sair, etc. Regras básicas como deixar as pessoas saírem antes de entrar e ficar à direita na escada rolante do metrô são respeitadas à risca. Os ônibus esperam calmamente até todo mundo conseguir descer no ponto, se estiver muito cheio, ninguém perde o ponto porque estava longe da porta. As pessoas são bem tranquilas para levantar só quando chegar no ponto, e não 20 minutos antes. Se alguém precisar entrar ou sair com carrinho de bebê, cachorro ou bicicleta, sem problemas, com um pouco de paciência as pessoas se re-arranjam para dar espaço. Minha impressão é que os alemães são bem tranquilos e respeitosos no transporte público. Sempre tem lugar pra velhinha sentar. O motorista não acelera loucamente assim que você entra no ônibus, derrubando todo mundo que está de pé.

E os trens e ônibus são super modernos, silenciosos e confortáveis. Dentro do ônibus sempre tem um visor que vai mostrando as próximas estações, e as conexões possíveis. Você nunca vai precisar perguntar nada para o motorista, informação sobre o percurso não falta, nos pontos e dentro dos ônibus. E funcionam 24h.

E finalmente, talvez o ponto mais importante sobre o transporte público daqui, tomando Dresden como exemplo novamente. Aqui o tram é prioridade sobre tudo. Até sobre pedestre. Se tem um tram chegando, fecham todos os semáforos para o tram passar primeiro, sempre. De maneira que ir de tram é muito mais rápido que outros meios de transporte. As ruas são estreitas, muitas delas têm só uma faixa para carro, os semáforos tem longos períodos em que ficam abertos para pedestres, estacionar na rua é caro, não tem estacionamentos particulares, praticamente, só públicos, alguns bolsões ou estacionamentos subterrâneos, que também são pagos, e a gasolina é cara. Andar de carro, nas cidades alemãs não vale muito a pena. O transporte público é pensado para que seja mais rápido e barato e fácil que o particular e isso funciona. Claro, tem congestionamento também. Mas vindo de São Paulo, os congestionamentos daqui quase não são dignos do nome.

As tarifas para o transporte público de cada cidade podem ser facilmente encontradas na internet no site das empresas que fazem o transporte municipal. Aí vão os links das cidades mais importantes para ajudar:

Berlim (BVG); Bremen (BSAG)Colônia (KVB); Dresden (DVB)Düsseldorf (Rheinbahn); Frankfurt (RMV); Hamburg (HVV): Hannover (Üstra); Munique (MVV); Nuremberg (VAG); Stuttgart (VVS).


(Publicado em 17 de Junho de 2013)

Como levar as crianças para a escola

Esse post é a parte 4 do post sobre bikes: “E o que fazer com as crianças?”. Mas vou um pouco além para abordar, de maneira mais geral, como levar as crianças pra escola. Esse post estou planejando há meses (na verdade era uma das idéias que inspirou a criação do blog), mas precisei de um tempo para colecionar todas as fotos necessárias. E ainda vou precisar pegar umas da internet. Mas vamos lá.

Então, a questão final de adotar bikes como meio de transporte: Mas não dá, eu tenho crianças pequenas!

Keine Sorge!

Os alemães tem mil e duzentas alternativas diferentes para levar o(s) nenê(s) na bike de maneira segura e confortável.

A primeira, mais prática e fácil, são as cadeirinhas de nenê que podem ir na frente ou atrás. Na frente é meio raro achar, porque acho que as opções são cadeirinhas menores. Para trás, as cadeiras disponíveis carregam crianças de 9 meses até 4 anos de idade. e são ajustáveis para encaixar sua criança que muda de tamanho a cada mês.

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E claro, você pode facilmente combinar ambos e colocar um nenê na frente e outro atrás.

Mas se vc ainda estiver na dúvida achando perigoso, ah, sei lá, eu sou meio desequilibrado, vou cair com a bike e as crianças, aí vai todo mundo ter que correr pro hospital, desastre, perigoso, awawa awawa. Ok, tem outras soluções.

Você pode também conectar à sua bike um trailer de criança. É super complexo, com cadeirinhas, cintos de segurança, fecha para não chover na criança, e tem carrinhos com tamanhos diferentes para uma ou duas crianças.

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Esses trailers são super práticos. Além de conectar à bike, você pode também levá-lo separado, quando estiver andando, como se fosse um carrinho de bebê. É super comum, por aqui, ver esses carrinhos conectados às bikes ou sendo levados à parte. São caros, claro, mais ou menos o preço de uma bike nova. Mas bem seguros e confortáveis.

Essas opções são as mais comuns: as cadeirinhas e os trailers.

Outras alternativas menos frequentemente encontráveis existem. Tem uma opção de trailer que fica na frente da bike, também. Mas esse eu só vi uma vez e nem consegui achar nenhuma foto.

A opção provavelmente mais simples e mais barata e adicionar um banquinho, que nem o banco da bike, só que menor, na frente. A criança fica sentadinha lá como se estivesse dirigindo a bicicleta.

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É provavelmente a opção menos segura, mas para percursos curtos e crianças um pouco maiores, que já conseguem se equilibrar bem, pode ser uma boa alternativa.

E uma outra alternativa, para crianças que já estejam aprendendo a andar nas suas próprias bicicletas, você pode conectar à sua bike uma meia-bicicleta infantil. Fica assim:

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Aí a criança já vai pedalando, mas você não precisa ir devagar para esperar o pentelhinho te alcançar. Nunca vi, mas achei na internet uma foto com uma meia-bicicleta-de-criança-para-duas-crianças-conectável-à-bike-de-adulto:

E com cestinha na frente e atrás, ainda!

E, claro, se você for paciente e não tiver pressa, tem opções de bicicletas infantis para crianças de praticamente qualquer idade. Para as mais pequenininhas, as bikes não tem pedal, a criança só senta e vai empurrando o chão.

Mas, como eu falei, eu ainda quero abordar algumas outras opções de nenêmóveis comuns por aqui…

Quando o tempo está bom, é frenquente ver professoras do jardim da infância e do primário levando a turminha pela cidade para um centro de esportes, para um museu, para um parquinho ou simplesmente passeando pela cidade para aprender alguma coisa. Numa cidade pequena como Dresden, as crianças sempre vão a pé, mesmo, em duplinhas, com dois ou três adultos tomando conta. São bonitinhos.

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Mas mais bonitinho ainda é quando as crianças ainda são bem pequenas, e para facilitar o passeio as tias colocam quatro ou cinco crianças sentadinhas num carrinho-de-mão fofo e colorido para ir empurrando:

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Bem engraçadinhos!

Mas claro, todas essas opções são para quando não tá muito frio, né… E como faz quando neva horrores?

Leve as crianças de trenó.

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É SUPER comum, quando neva, ver pais levando os pimpolhos para escola sentadinhos em trenozinhos de madeira. Fico imaginando as crianças acordando e vendo super felizes que nevou, e gritando pela casa: “MÃÃÃÃÃEEEE NEVOOOOU, VAMOS DE TRENÓ????””

E ainda dá pra conectar dois trenós e levar toda a criançada de uma vez só!

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Só cuidado para não perder nenhuma pelo caminho…

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Para saber mais sobre bikes na Alemanha, veja as partes 1, 2, e 3 do post Pedalando na Alemanha: Parte 1 – Onde e para quem?, Parte 2 – Quando pedalar e onde estacionar?Parte 3 – Com chuva e carga?


(Publicado em 26 de Maio de 2013)

Pedalando na Alemanha – Parte 3: com chuva e carga?

Essa é a terceira parte do post sobre bicicletas na Alemanha. A primeira e a segunda partes você encontra aqui e aqui, respectivamente.

Esse post é mais simples, basicamente para discutir questões de praticidade que pessoas que não usam bike como meio de transporte costumam perguntar, ou usar de desculpa para ir de carro até a padaria da esquina.

O que fazer se eu estiver indo de bike e começar a chover?

Aqui é muito simples. Se vc realmente não quiser se molhar (um pouquinho de chuva só faz mal se vc for feito de açucar), termine o percurso de tram. Vc pode deixar a bike onde está e buscar quando passar por lá de novo, ou, mais prático ainda, levar a bike com você no tram. Estou falando de tram pq é o principal transporte público de Dresden, que é onde eu moro, mas vale, em outras cidades, para metrôs e ônibus também.

Sempre dá pra levar a bike junto, normalmente você paga uma tarifa um pouco maior para levar bicicleta ou cachorro.

Aqui em Dresden, o bilhete para uma viagem de tram/ônibus/trem custa 2,00€. Para levar bicicleta ou cachorro você compra também um bilhete de preço reduzido (que é o mesmo que vale para crianças de 6 até 14 anos) por 1,40€. Então para ir de tram com a sua bike ou o seu cachorro, você paga um total de 3,40€. Parece muito, mas aqui, e em qualquer cidade da Alemanha e provavelmente da europa inteira, tem várias opções diferentes de bilhete. Você pode comprar o bilhete para uma viagem, ou o bilhete de 4 viagens, que sai mais barato, ou o de um dia inteiro, ou o de uma semana inteira, ou o de um mês, ou o de um semestre. Para a bike, tem a opção de bilhete mensal de bike. Então, por exemplo, se vc usa trem todo dia, digamos, vc vai de bike até a estação, daí pega o trem, e aí vai o resto do caminho de bike, vale a pena comprar um desses bilhetes mensais de bike, que custam só 16€. (ainda precisa do seu bilhete próprio, também, claro. O mensal custa 52,50€. Enfim, eu falo mais das várias opções de bilhetes de transporte público em um post futuro sobre transporte público.

Mas não ficam lotados, os trams/ônibus/metrôs? Cabe a bike?

Às vezes eles ficam bem cheios, sim. Não é assim, uma estação da Sé às 18h, mas em alguns horários pode ser um pouco complicado colocar a bike pra dentro, sim. Mas os alemães são muito tranquilos em relação a transporte público. Não tem empurra-empurra, mesmo quando está lotado todo mundo que quer descer consegue descer, é tudo muito tranquilo. E se tem alguém com uma bicicleta ou um carrinho de bebê, sempre arranjam um jeito de abrir espaço para a pessoa. Mas, claro, se realmente não der, sempre tem a possibilidade de estacionar a bike em algum lugar e buscar depois.

A outra questão é, como levar coisas na bicicleta?

Tem várias opções. Você pode colocar uma cestinha na frente, uma cestinha atrás, uma cestinha na frente E uma atrás…

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Ou, se você não é fã das cestinhas, tem a opção de colocar uma bolsa de bicicleta, que fica do lado da roda traseira. (Nesse caso o ideal é colocar duas, para equilibrar o peso, mas funciona só com uma, também)

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Você pode dar um jeito de prender suas coisas na garupa…

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E, claro, se você prefere uma bike mais simples e clean, a opção é levar as coisas na mochila, ou, ainda, na mão mesmo. não é tão difícil quanto parece.

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No próximo e último post sobre bikes: E o que fazer com as crianças?


(Publicado em 16 de Maio de 2013)