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Rios na Alemanha

Esse post é o segundo post sobre meio ambiente na Alemanha (Na verdade tem outros e terão outros, mas esse é o segundo de uma série de três). O primeiro foi sobre o meio ambiente em obras alemãs e você pode lê-lo aqui.

Na Alemanha, rios são um elemento urbano bem importante. Quase toda cidade de um tamanho razoável é cruzada por um grande e importante rio. Algumas cidades inclusive têm o nome do rio como “sobrenome”, como é o caso de Frankfurt, cujo nome “completo” é Frankfurt am Main, ou Frankfurt sobre o Meno. Main, Meno em português é o nome do rio que cruza a cidade. O fato de as grandes cidades européias terem se desenvolvido sobre rios não é coincidência, claro. Historicamente os rios têm importâncias diversas pras cidades: a força da água corrente já têm sido utilizada para a transformação de energia desde anos antes de cristo com moinhos de água.

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Além de energia, os rios forneciam (e fornecem) ainda a água que é utilizada para beber, para lavar e para depositar os dejetos da cidade.

Hoje, com infraestruturas mais desenvolvidas, sistemas de tratamento e transporte de água, outras fontes de energia, a presença de um grande rio na cidade não é mais tão essencial para a economia urbana. Mas certamente ainda é um fator bem importante para a qualidade de vida.

E nesse sentido, a Alemanha de fato tem bastante a oferecer. Os rios e suas margens nas cidades daqui ganham vários usos urbanos que, embora “óbvios”, são quase totalmente inexistentes em rios nas cidades brasileiras.

Os rios em si, claro, são sempre utilizáveis. Os maiores, navegáveis, todos utilizáveis para remo e outros esportes similares, e alguns também para banho.

Barcos turísticos fazendo passeios simpáticos ao longo dos rios são extremamente comuns em praticamente todas as cidades, mas o uso da navegação para fins comerciais também é bem comum em rios maiores como o Reno, que cruza a Alemanha de norte a Sul no seu lado Oeste.

Pra gente parece quase inimaginável que alguém chegue com seu próprio barquinho e simplesmente comece a remar num rio no meio da cidade. Uma coisa que eu custei a internalizar é essa possibilidade do acesso livre aos corpos de água presentes, que eles não são só um objeto intocável – na maior parte das vezes indesejável e evitável – da paisagem. Não dá pra imaginar nem em chegar perto de um rio em São Paulo: eles são ou “invisíveis”, escondidos embaixo de grandes avenidas, ou simplesmente inacessíveis fisicamente por barreiras formadas, também, por grandes avenidas marginais. Eu já escrevi em um post passado sobre o sentimento estranho e diferente de se nadar em um lago na cidade – algo totalmente comum na Alemanha. Esse acesso aos corpos de água naturais, entrar em contato com água sem ser no banho, na chuva ou na piscina é uma coisa quase impensável pra quem mora em grandes cidades brasileiras.

Isso é um ponto extremamente positivo de se morar na Alemanha, esse acesso à água “natural” te coloca num contato muito próximo com a natureza. Não tem como não se importar com o meio ambiente quando ele tem uma participação tão importante no seu dia-a-dia.

E não é só a água em si, claro. São as margens também – um fator urbano completamente essencial numa cidade alemã. Não dá pra imaginar uma cidade alemã onde as margens dos rios não sejam acessíveis para pedestres, e onde essa acessibilidade não seja desejada ou não seja requerida.

(Nas fotos acima, da esquerda pra direta e de cima pra baixo: Dresden, Colônia, Nuremberg, Dresden, FrankfurtBerlim e Dresden.)

O tratamento e o uso urbano das margens nos rios varia um tanto de cidade pra cidade, mas é na grande maioria das vezes um espaço extremamente agradável.

Em Dresden, por exemplo, as margens do ao longo de praticamente toda a cidade são extremamente largas e totalmente verdes:

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Dos dois lados, um caminho pavimentado serve aos pedestres e ciclistas como uma importante conexão urbana: em várias situações vale mais a pena ir pelo caminho ao longo do rio (que é bem sinuoso) que pelo caminho mais curto – simplesmente pelo prazer de caminhar ou pedalar nessa área.

Dresden

Foto aérea de Dresden, com o rio Elba cruzando a cidade, e suas margens largas bem visíveis.

As generosas margens não são por acaso, claro. São elas que acolhem o rio em períodos de cheias.

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De cima pra baixo: Elba mini (Julho 2015), Elba regular (Fevereiro 2010) e Elba Maxi (Junho 2013).

Mas mesmo com essas margens infinitas, eventualmente ocorrem cheias tão extremas que o rio avança para a cidade causando grandes problemas. Em Dresden, cheias desse tipo aconteceram em duas datas recentes: 2002 e 2013. Em 2002, a água chegou a invadir partes do centro histórico, inundando ruas, casas, etc. O porão de alguns museus no centro foram inunandos, destruindo importantes obras de artes históricas.

Desde então, várias medidas foram tomadas pela cidade para evitar novas inundações. Em momentos de cheia você vai perceber várias paredes e muros que misteriosamente apareceram do nada em lugares onde antes não havia nem parede nem muro, mas uma rua. Diferentes tipos de paredes retráteis foram desenvolvidas e instaladas em diversos locais:

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Sem água, sem parede

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Com água, com parede

Mas mesmo com esses muros, paredes e diversas outras medidas criadas depois da inundação de 2002 para evitar outra cheia desastrosa, em 2013 o rio subiu mais uma vez acima do esperado. Dessa vez, o centro foi poupado, mas em alguns pontos mais afastados da cidade a água chegou a invadir casas e deslocar pessoas temporariamente. A cidade têm continuamente desenvolvido e executado planos para evitar novos desastres. No escritório em que trabalho recentemente fizemos um projeto para sugerir alternativas para usar áreas inundáveis com os jardins loteáveis típicos daqui (Clique no link pra entender o que eu quero dizer com jardins loteáveis, tem um post sobre isso).

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Não é incomum encontrar em diversos lugares pela cidade pequenas plaquinhas colocadas em paredes em alguns edifícios aqui e ali mostrando o nível que o rio atingiu em determinada cheia – às vezes bem acima do chão!

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Plaquinhas em uma parede no castelo de Pillnitz, em Dresden, marcando as cheias do Elba. A plaquinha mais alta se refere à cheia de 2002.

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Marcações em um dos pilares da Ponte Velha, em Heidelberg, marcando as cheias do rio Neckar.

Deixar as margens desocupadas e de preferência verdes é a maneira ideal de lidar com as enchentes. Embora não seja tão comum ter tanto espaço para o rio como em Dresden, outras cidades também aproveitam as margens dos rios para grandes calçadões ou outros tipos de espaços utilizáveis mas não construídos.

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Frankfurt

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Hamburg

Verdes ou pavimentadas, as margens livres em dias quentes ou de sol tornam-se gigantes parques lineares que cruzam a cidade. O clima bem variado da Alemanha é uma parte importante do estilo de vida das pessoas, e por causa dos invernos longos e frios, assim que sai um solzinho mixuruca em Abril as pessoas já correm para qualquer pedacinho de grama disponível.

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Berlim

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Berlim

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Dresden

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Frankfurt

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Em Dresden, as margens do Elba também são freqüentemente usadas para a decolagem de balões de vôos turísticos!

Nesse contexto, as margens-parques dos rios alemães têm uma importância urbana enorme para as pessoas daqui.

Outros usos típicos são Biergartens:

São uma espécie de bares ao ar livre, onde você pode tomar uma cerveja e comer um salsichão. Super típicos na Alemanha toda, os instalados ao longo dos rios são os mais adorados.

Mas não são todos os rios cujas margens são livres. Em algumas cidades com rios menores, onde enchentes são um problema menos presente, os rios por vezes cruzam por entre as casas e edifícios. Mesmo assim o espaço é de uma forma ou de outra utilizado de maneira urbanisticamente positiva. Um bom exemplo de cidade onde o rio tem esse tipo de estrutura urbana é Nuremberg, mais especificamente o centro histórico de Nuremberg, cruzado pelo rio Pegnitz. Passeando pelo centro, apenas em alguns poucos trechos é possível andar ao longo do rio. Mas o rio aparece, desaparece e reaparece em momentos diversos do seu percurso pelo centro, sob pontes ou mesmo edifícios.

Esses pequenos espaços criados pelo encontro do rio com a cidade têm uma enorme qualidade urbana e dão um imenso charme pra cidade – uma das mais simpáticas cidades alemãs na minha humilde opinião.

Rios e a maneira como eles são tratados são realmente uma das melhores partes de se viver na Alemanha.

Mas como pra tudo há uma exceção, fica aqui uma foto de Wuppertal:

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Jesus, que quê isso!?

Pra terminar o post, uma série de outras fotos bonitas de rios na Alemanha que eu não consegui incorporar no texto mas quero colocar mesmo assim:

(Da esquerda pra direita de cima pra baixo: Bautzen, Berlim, Berlim, Dresden, Dresden, Dresden, Dresden, Görlitz, Heidelberg, Passau, Würzburg e Tharandt.)

Ficou ainda faltando falar de pontes, outro elemento urbano também mega importante, mas esse post já está quilométrico e pontes dá um outro post igualmente longo, então fica pra outro post.

O próximo post e último da série meio ambiente na Alemanha será sobre árvores nas cidades alemãs.


(Publicado em 11 de Junho de 2016)

Caminhando pela floresta

Uma diferença que eu percebo entre brasileiros e alemães são os hobbies e atividades de lazer típicas preferidas pelas pessoas. Pelo menos é a minha impressão como alguém que nasceu e cresceu numa metrópole. Em São Paulo, as atividades de lazer típica são ir ao shopping, comer fora, ir a bares e baladas, ir ao cinema, e, bem de vez em quando, a parques. A minha impressão é que a maior diferença é que os alemães preferem atividades ao ar livre. Talvez pelos invernos rigorosos, que os impedem de aproveitar o ar livre por vários meses, nenhuma oportunidade de realizar atividades fora de lugares fechados é desperdiçada.

Entre os hobbies mais comuns estão os churrascos em parques, atividades diversas nos parques das cidades, atividades esportivas como ciclismo, patinação, e, uma das atividades favoritas da maior parte da população alemã: caminhada. Na verdade é difícil achar o termo correto. Em inglês, “hiking” se refere a uma caminhada longa, na natureza, normalmente incluindo subidas e descidas. Já ouvi o termo, em português, “escalaminhada”, uma mistura de escalada com caminhada que talvez se aproxime mais de “hiking”. O Wikipédia traduz como “passeio”, que eu acho que não faz muito sentido.

Então vou usar o termo caminhada.

E os alemães adoram uma caminhada na floresta. Basicamente todos (ainda estou por encontrar uma exceção) os alemães têm tênis especiais de caminhada. Esses assim:

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O uniforme de caminhada inclui também uma boa capa de chuva. Alguns alemães mais entusiastas de caminhadas como esporte terão também aquelas “bengalas”, ou “walking sticks” e “trecking poles” em inglês, não consegui descobrir o termo específico em português.

Um fator que facilita a permanência da caminhada como importante hobbie dos alemães é a lei que determina que todas as florestas devem ser abertas a acesso público. Nenhuma floresta, nem mesmo as privadas, pode ser cercada ou de qualquer maneira fechada ao acesso público. Quer dizer, essa lei não é tanto a causa dos alemães dedicarem tanto tempo a certas atividades, mas consequência. Os alemães, mesmo os de cidades maiores, têm uma relação muito próxima com o uso da floresta para lazer. É tão comum passear pela floresta que eu já vi até uma senhora numa cadeira de rodas motorizada passeando com o cachorro sozinha! 

Essa relação já vem de longa data. Passeando pelas florestas alemãs você logo se lembra de contos de fadas e fábulas clássicas como Chapeuzinho Vermelho e João e Maria. E não por acaso – todas essas histórias famosas são contos tradicionais alemães, registrados de forma escrita pela primeira vez pelos irmãos Grimm no século XVIII. E passear por florestas alemães te lembra tais contos primeiro porque os animais descritos nessas histórias – lobos, veados, raposas, coelhos – são típicos dessa região e volta e meia você vê um desses por aí. E depois porque a simples ação de andar pela floresta já é uma coisa que só funciona em determinadas florestas. Numa floresta tropical, com plantas de todos os tipos nascendo de todos os lados e ocupando todo o espaço, é quase impossível andar tranquilamente sem existir uma trilha. E mesmo quando há, as temperaturas altas, alta umidade e grande presença de mosquitos faz com que o passeio não seja uma caminhada tranquila e confortável (sem querer dizer com isso que passear nas florestas brasileiras não é agradável, muito pelo contrário. Mas é uma experiência completamente diferente).

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Mas nas florestas alemãs há trilhas também. Na verdade, é bem difícil se perder passeando na floresta. As trilhas além de mantidas são marcadas (com símbolos nas árvores). A Alemanha é um país pequeno com uma população enorme, então nenhuma floresta é longe demais de algum lugar habitado, e portanto pelas trilhas você sempre encontra outras pessoas.

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Para descobrir interessantes percursos de caminhada, as seções de viagens de livrarias sempre têm uma variedade de livros e mapas com percursos possíveis para diversas regiões. Você pode escolher passeios que te levem a bonitos panoramas, belos castelos, pequenos vilarejos ou o que lhe interessar mais.

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E não se preocupe se for inverno, para os alemães não é obstáculo (e a floresta fica bem bonita sob neve).

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(Publicado em 26 de Novembro de 2014)

Churrasquinho no parque

Um hobby muito muito alemão nos meses quentes é fazer um churrasquinho no parque.

Todo alemão que se preze tem uma churrasqueira simples em casa e um parque/jardim à mão. O legal é que não tem lugar específico pra fazer churrasco. Pode fazer basicamente em qualquer lugar e assim que começa a esquentar é realmente muito comum ver gente fazendo churrasco nos parques.

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Além disso, não exige muito planejamento. Basta juntar os amigos, cada um leva alguma coisa, e pronto. Como por aqui tem sempre muitas áreas verdes, sempre vai ter um lugar por perto que sirva para o churrasco que você não precise se deslocar grandes distâncias carregando a churrasqueira. As churrasqueiras que todo mundo têm são bem simplificadas, basicamente uma caixa de metal com uma grelha em cima, e pés. Custam super barato e podem ser encontradas em qualquer loja.

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O que você encontrará com certeza num churrasco alemão: salsichas de diferentes tipos, carne de porco de diferentes tipos, frangos. Bifes mesmo também aparecem, mas em menor quantidade já que por aqui é bem caro. Além disso, em um grupo de alemães sempre tem um (ou vários) vegetarianos, de maneira que uns bifes de soja também são de se esperar. Mas não é só carne que se coloca na grelha. Os alemães com freqüência aproveitam a churrasqueira para legumes, verduras e queijos, também.

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Na foto, queijo de cabra com azeite, limão e azeitonas. Uma delícia! Queijo feta (de cabra) é comumente usado em churrascos.

Além disso, claro, pãezinhos e talvez algumas frutas.

Enquanto alguns cuidam da churrasqueira, os outros conversam distraidamente deitados na grama num estilo picnic.

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Oficialmente, não pode colocar a churrasqueira no gramado, tem que colocar sobre outros pisos. Mas muita gente ignora essa regra e faz o churrasco sobre o gramado, mesmo. Mas tenha em mente que é sim possível que apareça um policial para te dar bronca e mandar você mudar de lugar.

E se você for o organizador oficial do churrasco, não esqueça também de levar lençóis para as pessoas sentarem, talheres, pratos e copos, o necessário para a churrasqueira (carvão, álcool, fósforos), sacos de lixo e guardanapos!


(Publicado em 4 de Agosto de 2014)

 

 

 

Festivais

Festivais são uma coisa bem típica por aqui. Em algumas cidades com mais freqüência que em outras, mas basicamente em qualquer lugar da Alemanha você vai encontrar, de quando em quando, eventos com barraquinhas de comida, artesanato, talvez uma roda gigante, bem estilo a feirinha na praia durante o verão.

Entre as barraquinhas que você sempre vai encontrar nesses festivais estão as de Ponches (aquelas bebidas coloridas com frutas dentro), as de cervejas e bebidas em geral, as de salsichões com curry, claro, uma ou outra vendendo Langós (uma comida da Hungria), as de artesanatos, de roupas meio hippies, de bijuterias, velas, morangos com chocolate, estranhas coisas medievais, e assim vai.

Dresden é particularmente notória em termos de festivais. Durante os meses quentes pelo menos um fim de semana por mês tem algum festival em alguma parte da cidade. Festival de primavera, festival de verão, festival da cidade… e quase todos os bairros têm também seu próprio festival anual. A Stadtfest (festival da cidade) de Dresden é famosa na Alemanha. As barraquinhas e eventos ocupam toda a área turística da cidade durante três dias, e no final do terceiro dia, um show de fogos de artíficio digno de reveillon.

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Outro festival bastante importante em Dresden é a BRN, ou Bunte Republik Neustadt. O nome é um trocadilho com o nome do país – Bundesrepublik Deutschland (República Federal da Alemanha) – e significa “República colorida da Neustadt”. Neustadt é o nome de um bairro de Dresden, aquele em que a maioria dos estudantes da cidade (que tem uma grande universidade, portanto muitos estudantes) preferem morar. O bairro tem muitos restaurantes, baladas e coisas alternativas, e é conhecido por ser o bairro “artístico” da cidade. A BRN é portanto o festival mais “animado” dos que acontecem em Dresden, onde muitos dos moradores participam com suas próprias barraquinhas de comida ou artesanato ou coisas velhas, ou o que for. A cada 5 metros tem uma banda diferente tocando, ou alguém com amplificadores na janela tocando música bem alto. Durante a noite, as ruas da Neustadt ficam absolutamente lotadas.

IMG_5692A BRN é um festival que se assemelha mais à Virada Cultural de São Paulo. Uma virada cultural com barraquinhas de comida. E sem arrastões.

Esses festivais são um ótimo programa para o fim de semana especialmente no verão. Mas também no inverno existem boas opções. Durante todo o mês de Dezembro as cidades apresentam numerosas opções de mercados de Natal! Mas sobre esses e escrevo no Natal.

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(Publicado em 25 de Agosto de 2013)

Erlebnisbäder

Na Alemanha há uma cultura forte de “banho”. Não banho, assim, de chuveiro. Banho de piscina e lago. É relativamente comum as pessoas irem nadar em lagos ou rios nas proximidades de onde moram, uma coisa que para a gente parece um tanto estranha e “rural”. Um hobbie talvez para o Chico-Bento, não para quem mora em cidade.

Mas, nos poucos e preciosos dias de verão, com o tempo aberto e as temperaturas no topo, e sendo a Alemanha um país quase totalmente cercado por outros países, e portanto com poucas praias, qualquer água serve. Até as fontes pela cidade ficam cheias de criancinhas se divertindo. De biquini, de roupa, sem, tanto faz, o importante é não perder a oportunidade de se molhar.

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E para aproveitar a água mesmo no inverno, você encontra em qualquer cidade alemã uma variedade de piscinas freqüentáveis sem necessidade de ser sócio de clube nenhum, fazer exame médico, nem nada.

Tem piscinas cobertas e piscinas abertas, mas, a opção mais legal mesmo são os Erlebnisbäder. Erlebnis significa algo como aventura, uma tradução talvez um pouco exagerada, mas, basicamente, um Erlebnisbad seria um mini-parque aquático.

Em um Erlebnisbad você vai provavelmente encontrar:

Uma piscina olímpica, possivelmente com trampolins;

Uma piscina para diversão, com eventuais cachoeiras, águas borbulhando num canto, mais bolhas saindo da parede para massagem nas costas, possivelmente até um pequeno rio com corrente;

Um toboágua divertido;

Hidromassagem, normalmente para até 6 pessoas;

Sauna;

Área para crianças pequenas com piscininhas rasinhas e talvez um escorregador, quem sabe em formato de elefante;

Uma piscina descoberta (mas você entra na piscina na parte coberta), possivelmente mais quente que as outras. Em um ou outro caso também já vi a piscina descoberta ser com água salgada;

e, claro, uma lanchonete, onde você deve comer batata-frita, que aparentemente é o que se come quando se vai na piscina na Alemanha.

Na área descoberta tem também sempre um gramado para tomar sol. Algumas piscinas mais avançadas vão oferecer ainda mais opções para você relaxar e se divertir na água.

Mas e como funciona? Não precisa ser sócio?

Não.

Essa é a melhor parte. Funciona mesmo como um parque aquático, só que bem mais barato, lógico, e com preços variados. Normalmente tem opções como 2h, 5h, ou diária. E você não precisa decidir antes quanto tempo quer ficar, você paga o tempo que tiver ficado na saída (ou a diferença, em alguns casos, quando você tem que pagar já na entrada).

Os preços variam, claro, de acordo com o tamanho e variedade de opções oferecidas da piscina, mas costuma ser algo em torno de 5 ou 6 euros para 2h, e 10, 12 euros para a diária. Algumas piscinas mais avançadas podem oferecer ainda opções, por exemplo, piscina + sauna por um preço, só piscina por outro.

Se você vai com freqüência, tem normalmente alternativas de passes com desconto. Não precisa fazer exame médico, basta chegar e mergulhar.

Os vestiários também são um ponto interessante: na maioria das piscinas que visitei, os vestiários não eram separados por sexo. Quer dizer, você entra para se trocar numa cabine só para você, mas as cabines não são agrupadas por sexo, e tem sempre umas cabines família, para pais com filhos pequenos, e tal. (também ajuda se você vai com o namorado mas leva tudo numa mochila só).

E funciona sempre assim. Você chega por um corredor e as cabines estão dispostas ao longo de corredores perpendiculares a esse corredor de acesso. Aí você vai lá, entra na cabine, se troca, e sai pelo outro lado. As cabines têm então duas portas, uma que dá para o corredor que te leva para a saída, e outra que dá para o corredor com os armários e que te dá acesso à piscina. E para evitar que as cabines desocupadas fiquem com a porta trancada do lado em que a pessoa entrou e destrancada só do lado em que a pessoa saiu, elas tem um mecanismo simples porém sagaz que tranca as duas portas de uma vez só.

Muito bem, calção de banho ou biquini colocados, toalha em mãos e havaina no pé, você sai pelo outro lado e deixa sua mochila/bolsa/sacola/o que for em um dos inúmeros armários.

Antes de entrar na piscina, é normalmente obrigatório tomar uma ducha. Não se preocupe, os banheiros e duchas são sim, separados por sexo! =D MAS saiba também que os alemães, especialmente os da antiga Alemanha Oriental, são bem tranqüilos em relação aos seus corpos. Se você for à praia, por exemplo, não é raro que as pessoas se troquem ali mesmo, em público, sem grandes preocupações, e topless ou whatever-less também não são raros. Então em piscinas acontece de vez em quando das pessoas (claro, senhores e senhoras mais velhos, não pessoas novas) se trocarem fora da cabine mesmo, na frente do armário. Não se assuste, portanto, se vir um senhor peladão. Ele provavelmente não é um tarado maluco.

Vale a pena experimentar um Erlebnisbad se você estiver na Alemanha, mesmo viajando. Você encontra dessas piscinas em quase qualquer cidade da Alemanha, principalmente no sul do país. O melhor horário para ir é durante a semana no final do dia. Vários fecham só às 22h, então é tranqüilo chegar lá pelas 19h e ter ainda bastante tempo de piscina, sem muita gente. Só preste atenção, caso você queira comer a importante e tradicional batata-frita, que as lanchonetes costumam fechar antes, às 20h.

É uma ótima maneira de aproveitar o verão, e também de se animar nos invernos gelados e escuros!


(Publicado em 25 de Julho de 2013)

Schrebergärten

Se você já viajou de trem pela Alemanha, talvez tenha notado ao longo da linha na periferia das cidades estranhas casinhas super pequenas em pequenos lotes com quintais. Se você tiver passado no inverno, quando as plantas estão secas, pode ter imaginado que seriam casas de pessoas mais pobres.

Não.

Acontece que os alemães adoram um jardim. Mesmo. Ter um jardim em casa é um grande ponto positivo, muitas vezes mais importante que ter espaço para carro.  Aqueles quintais típicos de casas brasileiras, forrados de pisos frios e azulejos sem um pedacinho de terra aqui seriam uma medonha aberração incompreensível.

Mesmo os prédios costumam ter um pedacinho de jardim, ainda que pequeno.

Jardins no espaço livre de edifícios de apartamentos

Jardins no espaço livre de edifícios de apartamentos

Você ficaria surpreso de saber que os apartamentos no térreo não são fortemente rejeitados, apesar da inconveniência e falta de privacidade de ter suas janelas de cara para a calçada. Vários deles têm seus próprios jardins, e morando no térreo, dá para deixar seu gato sair para dar uma volta. (São pouquíssimos os gatos daqui que moram só dentro do apartamento. A maioria dos gatos pode sair.)

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Alemães gostam tanto de um jardinzinho que aqueles que não têm um em casa alugam um Schrebergarten. Os agrupamentos de pequenos lotes de jardins são encontrados principalmente às margens das ferrovias e estradas, onde é complicado construir por causa do barulho. Você encontra desses por toda a Alemanha, é realmente comum. A maior parte das pessoas que alugam são mais velhos, principalmente aposentados. A idade média é de 60 anos. Mas tem famílias novas também. Inclusive alguns apartamentos vêm com um jardim junto, não necessariamente vizinho ao apartamento.

Os aluguéis variam de acordo com o tamanho e localização, claro, mas são no geral bem baratos. Parece que a média é de 373 euros por ano, o que dá só 31 euros por mês de aluguel. Bem em conta, para um lugarzinho ao sol. (exceto que sol na Alemanha é meio raro, mas tudo bem). Os tamanhos podem variar entre 50m² e 300m², se não me engano.

A tradição dos Schrebergärten é antiga, tendo tido início há aproximadamente 200 anos atrás, quando as pessoas começaram a mudar das áreas rurais para as cidades em busca de empregos, e sentiam falta de contato com a natureza, espaços verdes e tranqüilos.

Lá os alemães aproveitam para plantar verduras e frutas, flores, plantas, às vezes tem um espaço para as crianças brincarem… As casinhas abrigam pequenas cozinhas, talvez uma salinha para sentar, certamente um banheiro, e, claro, as ferramentas de jardinagem.

Loteamento de jardins ao longo de linha ferroviária em Dresden.

Loteamento de jardins ao longo de linha ferroviária em Dresden.

Ótima ocupação para velhinhos aposentados que gostam de jardinagem!


(Publicado em 3 de Julho de 2013)

Biergarten: não dá para ser mais alemão.

Não tem nada mais alemão que um Biergarten. E é uma das coisas mais legais da Alemanha. Vindo para cá, não deixe de visitar algum.

Como diz o nome, Biergarten seria algo como um “Jardim de cerveja”.

Na verdade é um restaurante/bar ao ar livre onde as pessoas vão para, essencialmente, tomar cerveja, comer um salsichão com mostarda ou um Pretzel. De verdade. Todos os esteriótipos clichês que você conhece da Alemanha unidos numa coisa só. Só falta um alemão gordo com trajes típicos da Bavária para completar o ambiente.

Mas esse só tem na Bavária mesmo. No resto da Alemanha, contente-se com a cerveja, o pretzel e o salsichão. Tá, talvez mesmo na Bavária os trajes típicos não sejam lá tão comuns.

Para dar uma idéia melhor do ambiente de um Biergarten, aí vão algumas imagens:

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Simpático Biergarten ao longo do rio Elba, em Dresden.

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Mas ainda que você não seja muito fã de cerveja, tem outras opções de bebida. Refrigerantes normais, refrigerantes alemães, refrigerantes misturados com cerveja, e até um cafezinho, se for o caso.

Nota importante: os alemães chamam refrigerante de “Limonade”. Limonade pode ser qualquer refrigerante, ainda que nem tenham limões envolvidos no processo. Portanto, se te oferecerem Limonade, não espere um suco de limão. Uma limonada normal, assim, limão, água e açúcar, não tem. Nunca vi suco de limão em lugar nenhum.

E como assim refrigerantes alemães? Na verdade aqui na Alemanha tem vários refrigerantes diferentes. Bionade, por exemplo, é uma marca bem famosa por aqui, de refrigerantes de laranja com gengibre, Hollunder (uma frutinha redonda pequena vermelha ou preta), Lichia, Marmelo ou Ervas. Sabores super normais.

Fassbrause também é outra marca de refrigerantes, produzidos por uma companhia de cerveja, com vários sabores diferentes, também, freqüentemente disponível nos Biergärten. Vale a pena experimentar alguns desses refrigerantes diferentes. Tanto Bionade quanto Fassbrause são produzidos pelo mesmo processo da cerveja, quer dizer, fermentação, e portanto tem um ligeiro gosto de cerveja, sem o álcool.

E os Biergärten funcionam da seguinte maneira: Eles tem um “balcão”, você vai lá, compra a sua cerveja e seu salsichão e senta numa das mesinhas. Não tem serviço, você que busca o que você quer, e as mesas são normalmente super grandes e compridas, e é completamente normal sentar na mesma mesa que outras pessoas, não se intimide.

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Tem algumas outras opções de comida, além do salsichão, normalmente batatas, talvez uma salada, coisas também bem alemãs.

Biergärten são super comuns pela Alemanha toda, têm um ambiente super simpático, com as mesas ao ar livre, especialmente se estiver em um parque ou nas margens de um rio. Não deixe de visitar um!


(Publicado em 23 de Junho de 2013)

Kubb

Que jogo esquisito é esse com essa torrinha de madeira que esses alemães estão jogando no parque?

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Kubb.

Na verdade, é um jogo originalmente sueco. Mas ainda que este blog não seja Manha de Suécia, vale a pena um post sobre o Kubb. Não sei dizer se é tendência na Alemanha toda ou se é uma coisa só daqui, mas jovens jogando bastões de madeira em paralelepípedos de madeira podem ser encontrados nos parques de Dresden em qualquer dia com tempo bom no final da tarde.

Nunca joguei, logo não conheço as regras nos mínimos detalhes. Mas basicamente tem uma torre de madeira no meio, uns paralelepípedos de madeira de cada lado, e os bastões com os quais você tem que acertar e derrubar os paralelepípedos, que são os tais Kubbs. (nessa foto não são paralelepípedos, mas costumam ser)

Os bastões pontudos e o materlinho são para marcar o campo, que deve ter 5x8m.

O jogo pode ser jogado com duas ou mais pessoas, separadas em dois times. Os Kubbs são colocados no limite do campo, cinco para cada time, equidistantes. O rei (a peça que parece uma torre) fica no centro do campo. Assim:

Se eu entendi bem, funciona assim:

O time “A” começa, atirando os 6 bastões a partir da sua linha de base (onde estão posicionados os Kubbs), tentando derrubar os Kubbs do outro time.

O time “B” então deve jogar os Kubbs que tiveram sido derrubados na metade do campo do time “A”. Os Kubbs devem ser colocados de pé onde tiverem sido jogados. Basicamente, a estratégia é tentar jogar os Kubbs o mais próximo possível um do outro, para que possam ser derrubados de uma vez só. Então o time “B” começa a atirar os seis bastões para derrubar os Kubbs do time “A”. Mas antes de derrubar os Kubbs da linha de base, devem primeiro derrubar todos os Kubbs que estiverem de pé no meio do campo. Novamente, todos os Kubbs que tiverem sido derrubados devem ser jogados para o outro lado do campo.

Se o time que estiver jogando os bastões não conseguir terminar de derrubar todos os Kubbs que estiverem no meio do campo, o Kubb que estiver mais próximo da linha que divide os dois campos passa a marcar a linha de base, a partir da qual o outro time atirará os bastões.

O jogo continua desta maneira até que um dos times consiga derrubar todos os Kubbs do campo oposto, os que estiverem na linha de base e os que estiverem no campo. Se esse time ainda tiver bastões sobrando, deve então tentar derrubar o rei. Se conseguir, termina o jogo e o time em questão ganha.

Se o rei for derrubado em qualquer outro momento do jogo, o time que o tiver derrubado imediatamente perde.

Basicamente é isso, com alguns outros detalhes para o caso de um Kubb ter sido jogado fora do campo, ou ter derrubado outro, e todas os possíveis imprevistos que podem acontecer durante o jogo.

As pernas não eram para ser o foco da foto.

As pernas não eram para ser o foco da foto.

Talvez um dos motivos de ser tão popular por aqui seja pelo fato de não ter um número máximo de jogadores, o que o torna um ótimo jogo para grupos de amigos. Não precisa nem dividir os times com o mesmo número de pessoas em cada, já que o número de jogadas será sempre igual. Basta que as pessoas se revezem para atirar os bastões, e todo mundo se diverte.

Dado o clima ingrato da Alemanha, assim que o tempo melhora vai todo mundo correndo tomar um sol no parque, em grupos de amigos com violão, churrasqueira, bicicleta, picnic, cerveja, o que for. O Kubb é uma boa adição às atividades para se fazer ao ar livre.

Pelo visto os Berlinenses também jogam Kubb.


(Publicado em 22 de Junho de 2013)

Restaurantes na Alemanha

Algumas coisas interessam saber quando você visita um restaurante num país diferente. Como funciona a caixinha? Como pede a conta? Vêm pãozinho? Paga? Etc.

Tem bastante coisa diferente em restaurantes alemães. Pra começar, se você estiver chegando no restaurante meio tarde, depois das 22h, é bom perguntar antes de ir se acomodando se eles ainda estão servindo comida. É bem comum a cozinha fechar antes do restaurante, e os restaurantes também não costumam fechar muito tarde. Por aqui, em Dresden, 23h é um horário padrão para fechar restaurantes, embora alguns fiquem até meia noite.

Se o menu estiver todo em alemão, não se desespere. A maioria dos restaurantes oferece um menu em inglês também, é só pedir.

Uma coisa particular do menu é que, na maioria das vezes, as bebidas aparecem antes. Até faz sentido, já que normalmente se pede as bebidas antes, mas pode gerar alguns segundos de confusão se você está acostumado a abrir o cardápio no final já procurando as bebidas.

Na Alemanha é raríssimo restaurantes oferecerem Couvert. Na verdade, eu nunca vi. Só não digo que não existe porque não visitei ainda 100% dos restaurantes alemães. Mas me dizem que não é completamente inexistente, e, no caso de te trazerem uns pãezinhos antes da comida, pode ter certeza que estarão inclusos no preço. Os alemães são normalmente muito honestos, então um pãozinho extra empurrado sem ser pedido e depois adicionado à conta traria infinitas reclamações.

Mas se tiver alguma coisa já na mesa, que pode ou não ser consumida, por exemplo uma garrafa de vinho, não é cortesia. Meio óbvio, mas é bom avisar.

Aliás uma coisa peculiar é que em nenhum restaurante tem guardanapos à vontade na mesa! Acho péssimo, mas eles só trazem o guardanapo, um, quando trazem a comida. Às veeeeeezes o um guardanapo já está na mesa, junto com os talheres. Um. Guardanapos à vontade, nunca vi.

Outra particularidade é que em grande parte dos restaurantes, especialmente os restaurantes alemães mesmo, a variedade de escolhas de prato é relativamente pequena. Com certeza todos eles vêm com pepino.

Já para as bebidas, a variedade é bem razoável. É comum alguns tipos diferentes de refrigerantes, além dos clássicos, e algumas bebidas não alcóolicas também diferentes, como ginger ale, água tônica, sei lá. Os sucos é que não são muito variados, já que eles também não tem muitas frutas locais por aqui. Suco de maçã e laranja sempre tem. Suco de limão, nunca. Aliás, cuidado: limonade não significa limonada. Significa refrigerante. Qualquer refrigerante, não precisa conter nada de limão.

E se for pedir água, lembre-se de avisar se você quiser sem gás. A água default, aqui, é a com gás. Se você não avisar, trarão água com gás 100% das vezes. E atenção se estiver comprando água também em outros lugares: pra várias marcas de água minera, a água azul (etiqueta azul, tampinha azul) é a COM gás. Vermelha é a sem gás. Outras marcas têm a etiqueta azul pra água sem gás e vermelha pra água com gás. Ou seja… altas confusões. Tem que prestar atenção no que está escrito, mesmo (sprizig, ou mit Kohlensäure = COM gás, still ou ohne Kohlensäure = SEM gás. Medium = com um pouco de gás, estilo se fosse uma água com gás que você tivesse deixado a garrafa aberta por três dias… Sim, tem gente que gosta assim.). A única certeza, em termos de cor, é que a água com etiqueta verde é a Medium.

Vários restaurantes têm menus de almoço: uma seleção de alguns pratos do menu normal oferecidos durante o horário de almoço por um preço bem menor, às vezes até metade do preço original! (mas normalmente os pratos são um pouco menores que os do menu original, também)

Na hora de pagar, o gesto universal para “traz a conta?” vale aqui também. A conta NUNCA vai incluir o serviço. Se você quiser dar uma caixinha, 10% é o padrão, mas fique perfeitamente à vontade para pagar mais, menos, ou nada, se o serviço tiver sido ruim. Não haverá jamais nenhum tipo de pressão para que você dê caixinha. Você pode deixar umas moedas na mesa, ao sair, ou falar, na hora que der o dinheiro ou o cartão para o garçom, quanto ele deve cobrar. Por exemplo, se sua conta saiu, digamos, 22,70, e você der 30 euros para o garçom dizendo “vinte-cinco”, já fica claro.

Em praticamente todos os restaurantes eles fazem a “troca de dinheiro” na mesa mesmo, com você. Os garçons costumam ter uma carteira grande, ou uma pochete com dinheiro, e já te dão o troco ali na hora. Se você for pagar com cartão, eles trazem a máquina. Se você estiver sem dinheiro, só cartão, é mais seguro perguntar antes de pedir, se aceitam cartão. Em restaurantes não costuma ser problema, mas muuuuuuitos lugares na Alemanha não aceitam cartão, muitos mesmo. Aqui na europa existe um cartão chamado EC card, que é um cartão de débito que vale em todos os países que usam o euro, independente do seu banco. Então os lugares costumam aceitar só esse cartão, que é mais comumente usado, ao invés dos cartões de crédito e débito com os quais nós estamos acostumados. Então é sempre bom andar com dinheiro, ou perguntar antes.


(Publicado em 8 de Junho de 2013)

Como levar as crianças para a escola

Esse post é a parte 4 do post sobre bikes: “E o que fazer com as crianças?”. Mas vou um pouco além para abordar, de maneira mais geral, como levar as crianças pra escola. Esse post estou planejando há meses (na verdade era uma das idéias que inspirou a criação do blog), mas precisei de um tempo para colecionar todas as fotos necessárias. E ainda vou precisar pegar umas da internet. Mas vamos lá.

Então, a questão final de adotar bikes como meio de transporte: Mas não dá, eu tenho crianças pequenas!

Keine Sorge!

Os alemães tem mil e duzentas alternativas diferentes para levar o(s) nenê(s) na bike de maneira segura e confortável.

A primeira, mais prática e fácil, são as cadeirinhas de nenê que podem ir na frente ou atrás. Na frente é meio raro achar, porque acho que as opções são cadeirinhas menores. Para trás, as cadeiras disponíveis carregam crianças de 9 meses até 4 anos de idade. e são ajustáveis para encaixar sua criança que muda de tamanho a cada mês.

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E claro, você pode facilmente combinar ambos e colocar um nenê na frente e outro atrás.

Mas se vc ainda estiver na dúvida achando perigoso, ah, sei lá, eu sou meio desequilibrado, vou cair com a bike e as crianças, aí vai todo mundo ter que correr pro hospital, desastre, perigoso, awawa awawa. Ok, tem outras soluções.

Você pode também conectar à sua bike um trailer de criança. É super complexo, com cadeirinhas, cintos de segurança, fecha para não chover na criança, e tem carrinhos com tamanhos diferentes para uma ou duas crianças.

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Esses trailers são super práticos. Além de conectar à bike, você pode também levá-lo separado, quando estiver andando, como se fosse um carrinho de bebê. É super comum, por aqui, ver esses carrinhos conectados às bikes ou sendo levados à parte. São caros, claro, mais ou menos o preço de uma bike nova. Mas bem seguros e confortáveis.

Essas opções são as mais comuns: as cadeirinhas e os trailers.

Outras alternativas menos frequentemente encontráveis existem. Tem uma opção de trailer que fica na frente da bike, também. Mas esse eu só vi uma vez e nem consegui achar nenhuma foto.

A opção provavelmente mais simples e mais barata e adicionar um banquinho, que nem o banco da bike, só que menor, na frente. A criança fica sentadinha lá como se estivesse dirigindo a bicicleta.

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É provavelmente a opção menos segura, mas para percursos curtos e crianças um pouco maiores, que já conseguem se equilibrar bem, pode ser uma boa alternativa.

E uma outra alternativa, para crianças que já estejam aprendendo a andar nas suas próprias bicicletas, você pode conectar à sua bike uma meia-bicicleta infantil. Fica assim:

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Aí a criança já vai pedalando, mas você não precisa ir devagar para esperar o pentelhinho te alcançar. Nunca vi, mas achei na internet uma foto com uma meia-bicicleta-de-criança-para-duas-crianças-conectável-à-bike-de-adulto:

E com cestinha na frente e atrás, ainda!

E, claro, se você for paciente e não tiver pressa, tem opções de bicicletas infantis para crianças de praticamente qualquer idade. Para as mais pequenininhas, as bikes não tem pedal, a criança só senta e vai empurrando o chão.

Mas, como eu falei, eu ainda quero abordar algumas outras opções de nenêmóveis comuns por aqui…

Quando o tempo está bom, é frenquente ver professoras do jardim da infância e do primário levando a turminha pela cidade para um centro de esportes, para um museu, para um parquinho ou simplesmente passeando pela cidade para aprender alguma coisa. Numa cidade pequena como Dresden, as crianças sempre vão a pé, mesmo, em duplinhas, com dois ou três adultos tomando conta. São bonitinhos.

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Mas mais bonitinho ainda é quando as crianças ainda são bem pequenas, e para facilitar o passeio as tias colocam quatro ou cinco crianças sentadinhas num carrinho-de-mão fofo e colorido para ir empurrando:

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Bem engraçadinhos!

Mas claro, todas essas opções são para quando não tá muito frio, né… E como faz quando neva horrores?

Leve as crianças de trenó.

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É SUPER comum, quando neva, ver pais levando os pimpolhos para escola sentadinhos em trenozinhos de madeira. Fico imaginando as crianças acordando e vendo super felizes que nevou, e gritando pela casa: “MÃÃÃÃÃEEEE NEVOOOOU, VAMOS DE TRENÓ????””

E ainda dá pra conectar dois trenós e levar toda a criançada de uma vez só!

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Só cuidado para não perder nenhuma pelo caminho…

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Para saber mais sobre bikes na Alemanha, veja as partes 1, 2, e 3 do post Pedalando na Alemanha: Parte 1 – Onde e para quem?, Parte 2 – Quando pedalar e onde estacionar?Parte 3 – Com chuva e carga?


(Publicado em 26 de Maio de 2013)