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Rios na Alemanha

Esse post é o segundo post sobre meio ambiente na Alemanha (Na verdade tem outros e terão outros, mas esse é o segundo de uma série de três). O primeiro foi sobre o meio ambiente em obras alemãs e você pode lê-lo aqui.

Na Alemanha, rios são um elemento urbano bem importante. Quase toda cidade de um tamanho razoável é cruzada por um grande e importante rio. Algumas cidades inclusive têm o nome do rio como “sobrenome”, como é o caso de Frankfurt, cujo nome “completo” é Frankfurt am Main, ou Frankfurt sobre o Meno. Main, Meno em português é o nome do rio que cruza a cidade. O fato de as grandes cidades européias terem se desenvolvido sobre rios não é coincidência, claro. Historicamente os rios têm importâncias diversas pras cidades: a força da água corrente já têm sido utilizada para a transformação de energia desde anos antes de cristo com moinhos de água.

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Além de energia, os rios forneciam (e fornecem) ainda a água que é utilizada para beber, para lavar e para depositar os dejetos da cidade.

Hoje, com infraestruturas mais desenvolvidas, sistemas de tratamento e transporte de água, outras fontes de energia, a presença de um grande rio na cidade não é mais tão essencial para a economia urbana. Mas certamente ainda é um fator bem importante para a qualidade de vida.

E nesse sentido, a Alemanha de fato tem bastante a oferecer. Os rios e suas margens nas cidades daqui ganham vários usos urbanos que, embora “óbvios”, são quase totalmente inexistentes em rios nas cidades brasileiras.

Os rios em si, claro, são sempre utilizáveis. Os maiores, navegáveis, todos utilizáveis para remo e outros esportes similares, e alguns também para banho.

Barcos turísticos fazendo passeios simpáticos ao longo dos rios são extremamente comuns em praticamente todas as cidades, mas o uso da navegação para fins comerciais também é bem comum em rios maiores como o Reno, que cruza a Alemanha de norte a Sul no seu lado Oeste.

Pra gente parece quase inimaginável que alguém chegue com seu próprio barquinho e simplesmente comece a remar num rio no meio da cidade. Uma coisa que eu custei a internalizar é essa possibilidade do acesso livre aos corpos de água presentes, que eles não são só um objeto intocável – na maior parte das vezes indesejável e evitável – da paisagem. Não dá pra imaginar nem em chegar perto de um rio em São Paulo: eles são ou “invisíveis”, escondidos embaixo de grandes avenidas, ou simplesmente inacessíveis fisicamente por barreiras formadas, também, por grandes avenidas marginais. Eu já escrevi em um post passado sobre o sentimento estranho e diferente de se nadar em um lago na cidade – algo totalmente comum na Alemanha. Esse acesso aos corpos de água naturais, entrar em contato com água sem ser no banho, na chuva ou na piscina é uma coisa quase impensável pra quem mora em grandes cidades brasileiras.

Isso é um ponto extremamente positivo de se morar na Alemanha, esse acesso à água “natural” te coloca num contato muito próximo com a natureza. Não tem como não se importar com o meio ambiente quando ele tem uma participação tão importante no seu dia-a-dia.

E não é só a água em si, claro. São as margens também – um fator urbano completamente essencial numa cidade alemã. Não dá pra imaginar uma cidade alemã onde as margens dos rios não sejam acessíveis para pedestres, e onde essa acessibilidade não seja desejada ou não seja requerida.

(Nas fotos acima, da esquerda pra direta e de cima pra baixo: Dresden, Colônia, Nuremberg, Dresden, FrankfurtBerlim e Dresden.)

O tratamento e o uso urbano das margens nos rios varia um tanto de cidade pra cidade, mas é na grande maioria das vezes um espaço extremamente agradável.

Em Dresden, por exemplo, as margens do ao longo de praticamente toda a cidade são extremamente largas e totalmente verdes:

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Dos dois lados, um caminho pavimentado serve aos pedestres e ciclistas como uma importante conexão urbana: em várias situações vale mais a pena ir pelo caminho ao longo do rio (que é bem sinuoso) que pelo caminho mais curto – simplesmente pelo prazer de caminhar ou pedalar nessa área.

Dresden

Foto aérea de Dresden, com o rio Elba cruzando a cidade, e suas margens largas bem visíveis.

As generosas margens não são por acaso, claro. São elas que acolhem o rio em períodos de cheias.

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De cima pra baixo: Elba mini (Julho 2015), Elba regular (Fevereiro 2010) e Elba Maxi (Junho 2013).

Mas mesmo com essas margens infinitas, eventualmente ocorrem cheias tão extremas que o rio avança para a cidade causando grandes problemas. Em Dresden, cheias desse tipo aconteceram em duas datas recentes: 2002 e 2013. Em 2002, a água chegou a invadir partes do centro histórico, inundando ruas, casas, etc. O porão de alguns museus no centro foram inunandos, destruindo importantes obras de artes históricas.

Desde então, várias medidas foram tomadas pela cidade para evitar novas inundações. Em momentos de cheia você vai perceber várias paredes e muros que misteriosamente apareceram do nada em lugares onde antes não havia nem parede nem muro, mas uma rua. Diferentes tipos de paredes retráteis foram desenvolvidas e instaladas em diversos locais:

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Sem água, sem parede

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Com água, com parede

Mas mesmo com esses muros, paredes e diversas outras medidas criadas depois da inundação de 2002 para evitar outra cheia desastrosa, em 2013 o rio subiu mais uma vez acima do esperado. Dessa vez, o centro foi poupado, mas em alguns pontos mais afastados da cidade a água chegou a invadir casas e deslocar pessoas temporariamente. A cidade têm continuamente desenvolvido e executado planos para evitar novos desastres. No escritório em que trabalho recentemente fizemos um projeto para sugerir alternativas para usar áreas inundáveis com os jardins loteáveis típicos daqui (Clique no link pra entender o que eu quero dizer com jardins loteáveis, tem um post sobre isso).

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Não é incomum encontrar em diversos lugares pela cidade pequenas plaquinhas colocadas em paredes em alguns edifícios aqui e ali mostrando o nível que o rio atingiu em determinada cheia – às vezes bem acima do chão!

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Plaquinhas em uma parede no castelo de Pillnitz, em Dresden, marcando as cheias do Elba. A plaquinha mais alta se refere à cheia de 2002.

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Marcações em um dos pilares da Ponte Velha, em Heidelberg, marcando as cheias do rio Neckar.

Deixar as margens desocupadas e de preferência verdes é a maneira ideal de lidar com as enchentes. Embora não seja tão comum ter tanto espaço para o rio como em Dresden, outras cidades também aproveitam as margens dos rios para grandes calçadões ou outros tipos de espaços utilizáveis mas não construídos.

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Frankfurt

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Hamburg

Verdes ou pavimentadas, as margens livres em dias quentes ou de sol tornam-se gigantes parques lineares que cruzam a cidade. O clima bem variado da Alemanha é uma parte importante do estilo de vida das pessoas, e por causa dos invernos longos e frios, assim que sai um solzinho mixuruca em Abril as pessoas já correm para qualquer pedacinho de grama disponível.

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Berlim

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Berlim

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Dresden

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Frankfurt

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Em Dresden, as margens do Elba também são freqüentemente usadas para a decolagem de balões de vôos turísticos!

Nesse contexto, as margens-parques dos rios alemães têm uma importância urbana enorme para as pessoas daqui.

Outros usos típicos são Biergartens:

São uma espécie de bares ao ar livre, onde você pode tomar uma cerveja e comer um salsichão. Super típicos na Alemanha toda, os instalados ao longo dos rios são os mais adorados.

Mas não são todos os rios cujas margens são livres. Em algumas cidades com rios menores, onde enchentes são um problema menos presente, os rios por vezes cruzam por entre as casas e edifícios. Mesmo assim o espaço é de uma forma ou de outra utilizado de maneira urbanisticamente positiva. Um bom exemplo de cidade onde o rio tem esse tipo de estrutura urbana é Nuremberg, mais especificamente o centro histórico de Nuremberg, cruzado pelo rio Pegnitz. Passeando pelo centro, apenas em alguns poucos trechos é possível andar ao longo do rio. Mas o rio aparece, desaparece e reaparece em momentos diversos do seu percurso pelo centro, sob pontes ou mesmo edifícios.

Esses pequenos espaços criados pelo encontro do rio com a cidade têm uma enorme qualidade urbana e dão um imenso charme pra cidade – uma das mais simpáticas cidades alemãs na minha humilde opinião.

Rios e a maneira como eles são tratados são realmente uma das melhores partes de se viver na Alemanha.

Mas como pra tudo há uma exceção, fica aqui uma foto de Wuppertal:

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Jesus, que quê isso!?

Pra terminar o post, uma série de outras fotos bonitas de rios na Alemanha que eu não consegui incorporar no texto mas quero colocar mesmo assim:

(Da esquerda pra direita de cima pra baixo: Bautzen, Berlim, Berlim, Dresden, Dresden, Dresden, Dresden, Görlitz, Heidelberg, Passau, Würzburg e Tharandt.)

Ficou ainda faltando falar de pontes, outro elemento urbano também mega importante, mas esse post já está quilométrico e pontes dá um outro post igualmente longo, então fica pra outro post.

O próximo post e último da série meio ambiente na Alemanha será sobre árvores nas cidades alemãs.


(Publicado em 11 de Junho de 2016)

O Meio-Ambiente em obras alemãs

Recentemente uma comissão do senado, no Brasil, pré-aprovou uma lei que basicamente torna o licenciamento ambiental para obras descenessário. Isso poucos dias depois do aniversário de 6 meses do desastre de Mariana, o maior desastre ambiental da história do país, resultado da negligência e descaso de grandes empresas com o meio ambiente.

Nesse triste contexto, achei que valia a pena fazer alguns posts sobre o assunto meio ambiente, e como a Alemanha lida com isso. Planejei três posts: um sobre como se lida com o impacto ambiental em obras aqui, o segundo sobre rios e o terceiro sobre árvores na cidade. São três assuntos com que, como arquiteta paisagista, eu lido diariamente, então acho que dá pra falar alguma coisa a respeito.

Esse primeiro post, então, é sobre como o meio-ambiente influencia o andamento de obras na Alemanha. Nele, vou contar quatro histórias. Eu tive a ideia desse post durante essa semana quando meu namorado – também arquiteto – me mandou umas fotos de um falcão. A história é essa:

Estava o humilde arquiteto tranquilamente em seu escritório projetando uns projetos quando recebeu uma ligação de uma pessoa do departamento de meio ambiente da prefeitura. O telefonema era a respeito de uma família de falcões da espécie Falco tinnunculus, uma espécie de falcão relativamente comum na Europa. Eis que a família de falcões em questão está alojada no telhado do prédio em que o dito arquiteto está pra começar uma obra de reforma do último andar e do térreo. Segundo a pessoa da prefeitura, a espécie é protegida (não ameaçada de extinção, somente protegida por ser uma ave silvestre) e portanto enquanto a família de falcões permanecer alojada no telhado a obra não pode ser continuada porque é contra a lei fazer qualquer coisa que atrapalhe o casal de falcão em seu trabalho de gerar e criar novos falcõezinhos. Para complementar o aviso, a prefeitura ainda enviou por email umas fotos do casal em questão:

Turmfalke +

Falco tinnunculus – fêmea

Turmfalke >

Falco tinnunculus – macho

A reação do arquiteto? Encaminhar imediatamente o email pra namorada (no caso eu) com o comentário “olha só o que encontraram no nosso prédio! É aquele falcão que estávamos procurando pra fotografar!! Vou levar a câmera lá amanhã e ver se consigo vê-los!”. (adoramos bichos e já faz um tempo que estamos passeando por parques quando o tempo está bom para “caçar” (com câmeras fotográficas) as diferentes espécies de aves locais)

Mas falando sério: a fauna silvestre é de fato bem protegida por aqui, e a simples presença de um ninho de alguma ave silvestre ou algum outro animal é o suficiente pra parar temporariamente uma obra ou impedir uma árvore de ser cortada. Por isso que com árvores, por exemplo, os responsáveis pelos projetos que envolvem algum corte de árvore têm que sempre calcular pra tirar as árvores durante o inverno, que se chegar na primavera sem cortar, a chance de algum bichinho se apropriar dos galhos e buracos no tronco pra se reproduzir e proteger os filhotes é bem alta. E aí não pode mais nem encostar na árvore. A proibição em relação à obra nesse prédio por causa dos falcões não é apenas uma norma que você recebe uma multinha boba se desobedecer, mas é considerado de fato um crime!

Como o departamento de meio ambiente da prefeitura sabe tão bem onde moram todas as famílias de falcões da cidade já é uma outra questão que eu não saberia responder. Imagino que os falcões em questão não tenham suficiente conhecimento das leis alemãs pra saber que poderiam chamar a polícia, então suponho que a prefeitura monitore bem de perto as populações de fauna silvestre na cidade.

Histórias de como a fauna pode influenciar obras diversas são várias. Em um outro projeto que o meu namorado conduziu recentemente, uma reforma de uma escola primária, o departamento de meio ambiente da cidade também esteve presente checando a presença de aves locais. Eles observaram as aves voando nas redondezas e se elas tinham habitats nos telhados da escola, se existiam vestígios de determinadas espécies (ossos, dejetos, etc) e até usaram um instrumento não sei qual para escutar sons de morcegos (se eles estiverem presentes). Nesse caso a presença das aves não inviabilizou ou atrasou a obra – uma vez que elas não estavam em período reprodutivo, que é o fator limitante – mas fez com que fosse necessário instalar, em algumas das paredes externas, caixas de reproduções adequadas para determinadas espécies de pássaros.

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Recentemente no escritório em que trabalho fizemos um projeto de análise de impacto ambiental de uma obra de turbinas eólicas. O vilarejo ao lado do qual as 24 turbinas seriam implantadas nos contratou para verificar se todos os requisitos em relação a meio ambiente tinham sido respeitados. Obviamente a empresa responsável pelo projeto também tem que fazer essa análise, mas não é incomum que grandes empresas tentem dar uma disfarçada aqui e ali pra passar um projeto lucrativo. E só porque a empresa é de turbinas eólicas, não significa que eles estejam tão super preocupados com o meio ambiente quanto dão a entender pros seus clientes. Verificamos vários fatores, não apenas ambientais, mas também sociais. Os principais argumentos que levantamos que podem realmente atrasar, parar, ou pelo menos forçar a empresa a alterar o projeto foram dois: o primeiro é que parte da área onde seriam construídas as turbinas está dentro de um raio de tantos metros de um castelo protegido como monumento histórico. De acordo com a lei, dentro desse raio não podem ser realizadas obras de determinado porte, de maneira que o projeto em questão não poderia avançar para dentro desse raio. O outro argumento importante era que a área em questão era uma conexão importante para populações de morcegos da região, além de algumas aves. Como esses animais podem ferir e prejudicar esses animais, o projeto talvez tenha que ser alterado ou movido para outro local.

Morcegos, aliás, também criaram problemas para a obra de uma ponte nova recentemente construída aqui em Dresden. Muitos não queriam que a ponte fosse construída, especialmente pelo impacto visual que ela geraria para a paisagem da cidade. O projeto e construção da ponte gerou várias polêmicas a serem decididas pela justiça. Uma das questões foram os tais morcegos da espécie Rhinolophus hipposideros. A obra não foi cancelada pela presença dos morcegos, mas foi alterada por eles: eles tiveram que colocar um determinado tipo especial de iluminação que não atrai insetos, para consequentemente atrair menos morcegos na ponte (que são predadores de insetos), e durante a noite entre abril e outubro a velocidade máxima para os carros que atravessam a ponte é de 30km/h  – para evitar colisões com os tais morcegos. E, finalmente, uma série de árvores e arbustos teve que ser plantada nas margens do rio próximos à ponte pra “redirecionar” os morcegos a atravessarem a ponte por baixo da mesma, em vez de por cima. E toda essa discussão sobre morcegos atrasou o início da obra em 6 meses. Já a questão do impacto visual para a cidade não foi limitante – e há conseqüências. A área das margens do rio Elba ao longo da cidade tinha o título de patrimônio mundial da humanidade pela UNESCO, título esse que foi perdido após a construção da ponte.

A questão aqui não é dizer se é certo ou errado construir essa ponte (ou qualquer um dos projetos mencionados anteriormente) nem se a cidade ficou mais feia ou mais bonita depois da construção, mas apontar que precisa realmente haver discussões nesse nível de detalhe em relação a meio ambiente quando uma obra de grande porte (ou mesmo pequeno porte) está pra ser iniciada. Os prós e contras de cada lado precisam ser balanceados antes que se construa projetos cujos impactos podem ser irreparáveis. As questões que dizem respeito ao meio ambiente precisam ser analisadas por especialistas e seus argumentos precisam ser ouvidos e valorizados pela justiça e pela sociedade.

Não é que no Brasil exemplos similares aos que eu citei não existam – certamente existem. Conheço engenheiros ambientais, biólogos e ecólogos que trabalham justamente fazendo esse tipo de análise e projetos no Brasil também. E é justamente isso que a PEC 65 – se aprovada – vai anular completamente. Não é questão de se deve ou não deve ser construída uma determinada ponte ou seja o que for – é questão de analisar TODOS os fatores e possíveis conseqüências de cada obra e o fator meio ambiente ser valorizado da maneira necessária. Pode parecer bobo e insignificante que uma determinada espécie de ave seja prejudicada por um projeto que traga outros benefícios pra sociedade, mas não é tão simples assim. Aquela espécie de ave que você acha insignificante é a mesma que se alimenta de insetos e consequentemente controla – por exemplo – as populações do Aedes aegypti, de maneira que prejudicar essas aves pode resultar em um aumento dos casos de dengue na cidade. Ou então pode ser uma espécie responsável pela polinização de uma determinada espécie de planta – que por acaso é a planta usada como ingrediente em determinados remédios. Tudo no meio ambiente é interligado, como num jogo de pega-varetas, onde é quase impossível mexer em uma vareta sem que as outras se movam também.

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No próximo post (já estou preparando a um tempo, mas é um post longo cheio de fotos bonitas, então dá trabalho) vou falar um pouco sobre os rios e sua situação urbana na Alemanha.


(Publicado em 27 de Maio de 2016)

Sapatos? Pra quê?

Morando na Alemanha você logo perceberá que os alemães mais jovens tem um quê de bicho-grilo. Eles são todos naturebas, coisas orgânicas, fair-trade, e tal.

Em vários sentidos isso é positivo, claro: são saudáveis, se preocupam com o meio ambiente, evitam marcas que não têm preocupações sociais ou ambientais, essas coisas.

Mas em determinados momentos isso é levado um pouco ao extremo.

Um bom exemplo é a moda de andar descalço. Pela rua. Sim. Descalço. Pela rua.

Dois ilustres rapazes caminhando descalços no asfalto, por que não? (Um dos chapéus pode ter sido adicionado no Photoshop para resguardar identidades alheias)

Dois ilustres rapazes caminhando descalços no asfalto, por que não? (Um dos chapéus pode ter sido adicionado no Photoshop para resguardar identidades alheias)

Por quê? Não sei. Não sei. Eu suspeito que seja uma coisa de retornar às origens, sentir o mundo nos pés, tocar a natureza com a pele, sei lá.

Sim, eu sei o que você está pensando. Mas… na rua? A rua é suja! O asfalto queima quando tá sol! Tem xixi de cachorro! Tem xixi de bêbado! Tem bituca de cigarro! Tem caco de vidro! Tem chiclete! Tem todo tipo de nojeira na qual você vai pisar com seus pés desprotegidos! Por quê?? Por quê??

Aqui em Dresden, no verão, é realmente muito comum ver jovens andando descalços pela rua, especialmente aqui na Neustadt, o bairro onde moram os estudantes da universidade, onde tem todos os bares, e tal. Não sei se é uma coisa daqui ou da Alemanha em geral, mas já vi um ou outro em Berlim, também.

Ainda não tive a coragem de chegar num alemão descalço para perguntar qual o motivo dessa rebeldia de abandonar os sapatos.

Sem ter mais o que escrever sobre o assunto, termino esse post com algumas das fotos de pessoas andando descalças que colecionei ao longo dos meses:

Homem levando seu cachorro para passear, ambos descalços.

Homem levando seu cachorro para passear, ambos descalços.

Alguém tranquilamente andando de bicicleta, descalço.

Alguém tranquilamente andando de bicicleta, descalço.

Respeitável casal andando de mãos dadas pela rua, descalços.

Respeitável casal andando de mãos dadas pela rua, descalços.

Duas simpáticas jovens mulheres andando descalças.

Duas simpáticas jovens mulheres andando descalças.

Um jovem rapaz esperando o tram na estação, descalço. (e nesse dia, embora fosse em Junho, tava 12˚C. Não era dia de andar descalço.)

Um jovem rapaz esperando o tram na estação, descalço. (e nesse dia, embora fosse em Junho, tava 12˚C. Não era dia de andar descalço.)

Um honrado jovem andando descalço pela calçada.

Um honrado jovem andando descalço pela calçada.

Ir à biblioteca também não requere o uso de sapatos.

Quem disse que ir à biblioteca requere o uso de sapatos?

Ir ao supermercado comprar cervejas também é uma atividade para a qual sapatos são desnecessários.

Ir ao supermercado comprar cervejas também é uma atividade para a qual sapatos são desnecessários.


(Publicado em 9 de Junho de 2015)