nazismo

9 de Novembro

Era pra eu escrever esse post ontem, que foi 9 de novembro, mas enfim. Serve.

9 de Novembro é uma data importante na Alemanha, com diversos acontecimentos históricos. O mais recente e talvez mais lembrado é o dia da queda do muro de Berlim, 9 de Novembro de 1989. Um acontecimento importante o suficiente para fazer do dia 9 de Novembro um feriado. Não fosse por outras memórias ligadas a essa data, especialmente àquela de 9 de Novembro de 1938, que ficou conhecido como a Noite dos Cristais.

Nessa noite de 1938, sinagogas, lojas e residências de proprietários judeus foram atacadas, destruídas, queimadas e arruinadas por multidões enfurecidas instigadas ao ódio anti-semita pelo partido nazista. Membros do NSDAP (o partido nazista) e do SA (Sturmabteilung, a milícia militar nazista), que organizaram e iniciaram os ataques a pedido de Hitler, vestiram-se à paisana para dar a impressão para a população que os ataques foram uma manifestação espontânea da população alemã contra os judeus, que foram multados em 1 bilhão de marcos pelo governo nazista, além de obrigados a limpar e reorganizar a bagunça resultante e a pagar dos próprios bolsos o prejuízo que tiveram em suas lojas, casas e sinagogas.

Loja de proprietário judeu destruídas após a noite dos cristais. Bundesarchiv, Bild 146-1970-083-42

Sinagoga destruída após a Noite dos Cristais.

Para relembrar a história, na noite de 9 de novembro há vigílias e manifestações nas sinagogas das cidades alemãs. Além, claro, de vários carros de polícia em volta das sinagogas, por via das dúvidas.

Manifestação pela tolerância na frente da sinagoga de Dresden em 9 de Novembro de 2015.

Manifestação pela tolerância na frente da sinagoga de Dresden em 9 de Novembro de 2015.

Muitos carros de polícia em volta da sinagoga.

Muitos carros de polícia em volta da sinagoga.

E, como falei lá no começo, foi nessa mesma noite, 51 anos depois, que o muro de Berlim foi derrubado 32 anos após sua construção.

É um tremendo desafio escrever aqui um texto sucinto, correto e apropriado sobre um evento tão importante e que marcou o fim de uma era. Mas vou tentar.

A parte talvez mais curiosa da história da queda do muro é que foi tudo meio sem querer. Com o desgaste do regime, o controle dos cidadãos na Alemanha Oriental e outros países da europa oriental estava ficando gradualmente menos rígido. Em 19 de Agosto de 1989, a Hungria desativou as defesas na borda com a Áustria. Isso significa que embora a borda física ainda existisse (grades com arame farpado, ou barreiras similares), não haviam mais soldados vigiando a borda, de maneira que a fuga para o oeste via Hungria-Aústria foi extremamente facilitada. Multidões de cidadãos da Alemanha Oriental começaram a viajar para a Hungria para fugir para o Oeste – não muito diferente das multidões de refugiados do oriente médio que hoje fazem o caminho contrário para subir à Alemanha via Hungria. Os então leste-alemães seguiam para a Alemanha Ocidental onde eram dados a condição de refugiados e autorizados a permanecer.

O governo alemão então proibiu viagens à Hungria, só para assistir o percurso de fuga se deslocar para a República Tcheca, país para o qual os então leste-alemães podiam viajar livremente devido a acordos entre os dois governos. A movimentação de refugiados era tão grande que o governo leste-alemão acabou decidindo permitir a saída (definitiva) de cidadãos diretamente pela Alemanha, e um pouco mais tarde no mesmo dia (9 de novembro) permitir também viagens de ida e volta para a Alemanha Ocidental (ou seja, os cidadãos leste-alemães poderiam ir para a Alemanha Ocidental sem precisar fugir do país para nunca mais voltar). O chefe do partido em Berlim Oriental e porta-voz para a mídia, Günter Schabowski, ficou responsável por comunicar as mudanças nas regras, mas ele não tinha estado presente nas discussões e não estava ciente de todos os detalhes envolvidos. Ele recebeu uma nota pouco antes da conferência de imprensa em que comunicaria as mudanças, mas não foi informado de que as regras passariam a valer no dia seguinte, para que desse tempo de informar os guardas da fronteira a respeito das novas regras. Na conferência, Schabowski leu em voz alta a nota que tinha recebido, e ao ser perguntado quando passariam a valer as novas regras respondeu que, pelo que a nota dizia, presumia que as regras passavam a valer imediatamente.

A notícia rapidamente se espalhou pelos dois lados da Alemanha e leste-alemães começaram a se reunir nos check-points do muro de Berlim exigindo que os portões fossem abertos, enquanto berlinenses do outro lado se juntavam nas saídas com flores e champagne para recebê-los. Na confusão das informações, os guardas da borda não sabiam o que fazer e ninguém do governo queria ser o responsável por dar a ordem de atirar em quem atravessasse sem autorização, de maneira que eles acabaram por abrir os portões e massas de pessoas fluiram para Berlim Ocidental de encontro aos berlinenses do outro lado em uma grande e emocionante comemoração.

Com a grande multidão de pessoas de ambos os lados, logo os do lado Oeste subiram no muro para ajudar os do leste a escalar e pular para o outro lado, seguido pelas iniciativas de destruição do muro com marretas e o que tivesse disponível.

Eis um momento emocionante da história do mundo que eu gostaria de ter testemunhado em pessoa. Nem dá pra imaginar o que essas pessoas devem ter sentido ao poderem se reencontrar depois de mais de 50 anos divididos.

Fotógrafa: Sue Ream

Lear 21 via English Wikipedia.

Dois 9 de Novembros, um em 1938 e outro em 1989, que marcaram o início e o fim de tempos sombrios da história alemã, que esperamos que não se repitam. Infelizmente, há ainda aqueles que desejam tanto a perseguição e intolerância aos não-alemães quanto a separação com muros e fechamento das fronteiras. Em contextos um pouco diferentes, é claro, mas movidos pelo mesmo radicalismo, ódio e medo que no passado. Felizmente não são a maioria.

Se você quiser saber o que visitar em Berlim para saber mais sobre a história da cidade e da Alemanha durante o século XX, dá uma lida no post de dicas de viagem sobre Berlim!


(Publicado em 10 de Novembro de 2015)

As manifestações de 13 de Fevereiro em Dresden

Na noite de 13/14 de Fevereiro de 1945, Dresden foi palco de um dos piores bombardeios da II Guerra Mundial.  Foi uma das ações mais controversas da guerra por parte dos aliados. O centro histórico ficou completamente destruído e aproximadamente 25.000 pessoas morreram. Por ter ocorrido no final da guerra, discute-se até hoje se o bombardeamento foi “justificável”, ou se foi um crime de guerra. Aceita-se amplamente que a ação foi desnecessária, pois a guerra já estava praticamente ganha, e que teria sido realizada principalmente como vingança pelo bombardeamento da cidade de Coventry, na Inglaterra.

Dresden após o bombardeio em 1945. -Bundesarchiv

Por esse motivo, a data acabou tendo uma importância simbólica para grupos neo-nazistas. Todos os anos, em 13 de Fevereiro, Dresden é palco de enormes manifestações. Neo-nazistas e a extrema direita realizam neste dia uma marcha pela cidade que constitui a maior concentração de neo-nazistas, vindos de todas as partes da Alemanha e da Europa. Só que a aversão ao nazismo aqui também é muito grande, então no mesmo dia, uma outra dezena de manifestações não-nazistas acontecem também, inclusive a organizada pelo Dresden-Nazifrei, que tem como objetivo simplesmente bloquear a marcha nazista e não deixá-los passar. Essa manifestação junta muita gente, muito mais que os nazistas. Os números variam de ano a ano e de fonte a fonte, então vale fazer uma rápida retrospectiva.

A primeira manifestação oficial dos nazistas foi em 1999, com aproximadamente 150 participantes. Oficial entre aspas. A manifestação em si foi oficial, mas ser nazista, fazer apologia ao nazismo, mostrar suásticas ou fazer aquele gesto nazista são crimes na Alemanha. Então a manifestação tem uma desculpa qualquer, “lembrar o dia do bombardeamento”, e são organizadas por grupos neo-nazistas.

Nos anos seguintes a manifestação foi crescendo e em 2009 atingiu o pico de 7.000 neonazistas. À medida que cresceu o número de neo-nazistas, cresceu também a reação e as manifestação anti-facismo no mesmo dia. Em 2009, dois grupos anti-facistas que se manifestavam na cidade tentaram se unir para bloquear os nazistas, sem sucesso devido à ação da polícia. O problema é que como a manifestação neo-nazista é autorizada, pq é uma “marcha silenciosa para lembrar o dia do bombardeamento”, a polícia tem que abrir espaço para eles passarem.

Após o fracasso em impedir a marcha nazista de 2009, os diversos grupos anti-facistas se uniram e criaram a organização Dresden-Nazifrei, com o único intuito de se organizar para bloquear a marcha nazista dos anos seguintes. Mais do que isso, Dresden-Nazifrei desde o início foi totalmente aberto e público quanto à intenção de bloquear a marcha nazista, ainda que isso fosse a princípio ilegal.

Em 2010, poucos dias antes da manifestação, a polícia tentou de diversas maneiras parar o grupo de manifestantes anti-nazistas, o que fez com que mais e mais pessoas se mobilizassem e aderissem à manifestação. Ao mesmo tempo, o prefeitura da cidade sofria pressão para mostrar alguma reação às manifestações nazistas, o que levou à mobilização para uma manifestação em forma de uma corrente humana em volta do centro histórico para lembrar o bombardeio e proteger a cidade da violência e do extremismo. O grupo Dresden-nazifrei conseguiu mobilizar mais de 12.000 pessoas vindas de várias partes da Alemanha, Áustria e Suiça para realizar bloqueios em massa e não deixar os nazistas passarem. Após diversos confrontos com a polícia, a manifestação nazista foi cancelada à tarde devido aos bloqueios em massa. Pela primeira vez os nazistas foram barrados de marchar pela cidade pela mobilização das pessoas. No mesmo dia, a mobilização da prefeitura para “abraçar” a cidade juntou entre 170.000 e 270.000 pessoas.

Em 2011, antes das manifestações uma corte local decidiu em favor das manifestações neonazistas que a polícia não fez o suficiente para assegurar que eles pudessem marchar. Além disso, Dresden-Nazifrei tentou organizar uma manifestação que seria um tour pela cidade parando em alguns pontos estratégicos onde historiadores explicariam parte da história da segunda guerra mundial (“aqui morou o fulano de tal, que assinou a ordem para assinar tantos mil judeus em câmaras de gás”, “aqui tinha uma biblioteca grande com importantes obras que foi incendiada pelos nazistas”, “aqui era uma indústria têxtil onde nazistas utilizavam trabalhos forçados para confeccionar uniformes para os soldados”, coisas desse tipo), como uma contrapartida à marcha nazista “para relembrar o bombardeamento”, no sentido de relembrar não só o bombardeamento, mas também os fatos que levaram ao mesmo. Porém, essa demonstração, denominada “Täterspurenmahngang” (marcha sobre os traços dos responsáveis, algo assim), não foi autorizada pela prefeitura, que como já deve ter dado pra perceber, é super de direita.

Novamente, as tentativas de opressão só levaram à mobilização de mais gente, e no dia da manifestação mais de 20.000 pessoas se uniram para bloquear a marcha nazista, apesar da forte repressão policial com cães, spray de pimenta, helicópteros, mangueiras jorrando água a 0˚C sobre os manifestantes (lembrando que fevereiro é invernão aqui) e outras táticas. A polícia atacou manifestantes totalmente pacíficos que sentavam na rua fazendo os bloqueios. A marcha nazista reuniu nesse ano 2000 pessoas, mas não obteve sucesso. O plano era vários grupos marcharem pela cidade para se encontrarem num único ponto, mas devido aos bloqueios apenas por volta de 50 pessoas conseguiram chegar ao ponto de encontro.

Apesar da repressão policial, os bloqueios anti-facistas tiveram apoio da mídia e da população. Historiadores e sobrevivente de Auschwitz criticaram fortemente a justiça saxônica, especialmente pela proibição da manifestação Täterspurenmahngang, aquele tour para relembrar as ações nazistas na cidade durante a guerra. No ano seguinte, a manifestação foi liberada e juntou 3000 pessoas. No dia 13 de fevereiro, por volta de 1600 e 2000 nazistas compareceram para a marcha, e 6000 pessoas vieram bloquear, enquanto 13.000 pessoas participaram daquele “abraço” na cidade. Dessa vez a polícia não atacou manifestantes, e tentaram apenas dispersá-los. Devido aos bloqueios, a marcha nazista foi reduzida a um passeio em volta do quarteirão da estação central.

Em 2012. -zeit.de

Na semana seguinte, Dresden-Nazifrei organizou uma manifestação para comemorar a vitória dos bloqueios, juntando 10.000 pessoas.

Em 2013, apenas aproximadamente 500 nazistas compareceram para a manifestação, mas nem conseguiram sair da estação central, enquanto milhares de manifestantes anti-nazistas jogavam bolas de neve sobre a barricada policial.

Mas a manifestação neo-nazista em Dresden ainda não é história. Nesse ano eles mudaram um pouco a tática e pegaram a população de surpresa. Como de costume, as manifestações eram esperadas para o dia 13 de fevereiro. A prefeitura, ainda super conservadora e estranhamente apoiadora do direito democrático de nazistas de manifestarem contra a democracia, recusou-se a passar informações precisas sobre os planos dos mesmos. Houve uma tentativa de organizar uma manifestação (nazista) estacionária na frente da Frauenkirche, o ponto turístico mais importante de Dresden, mas a justiça não autorizou. No dia 12 de fevereiro, alguns nazistas se agruparam na Theaterplatz (outro ponto turístico importante) , e a polícia bloqueou toda a área em volta. Os grupos organizadores dos bloqueios logo começaram a avisar pelo facebook e twitter que os nazistas estavam se organizando para realizar a marcha naquela noite, e várias pessoas foram para o centro tentar bloquear. Mas como foi inesperado, a quantidade de gente para bloquear não foi suficiente, conseguimos apenas atrapalhar um pouco o processo. Os nazistas, por volta de 300 a 350, realizaram uma marcha com tochas (creepy!) até a estação central. Os bloqueios não foram possíveis, mas a quantidade de pessoas presentes foi o suficiente para acompanhar a marcha com vaias e gritos de todos os tipos. Corremos de um lado para o outro pela cidade tentando descobrir a tática da polícia antes que eles bloqueassem nossa passagem. No ponto final da manifestação, a estação central, os nazistas se reuniram para assistir a um vídeo projetado a respeito dos bombardeios, sob incessantes vaias dos manifestantes anti-facistas atrás das barricadas policiais. Entre os gritos organizados destes ouvia-se “Nazis Raus!” (fora nazistas), “Haut ab!” (caiam fora), “Nazis, verpisst euch, Keiner vermisst euch!” (Nazistas, caiam fora, ninguém sente falta de vocês), “Alerta, alerta, antifascita!” (dispensa traduções, e é pra ser espanhol, só que eles pronuciam “antifaxista” que nem alemão.) e outros.

No dia seguinte (hoje!), as outras manifestações (Täterspurenmahngang” e a corrente humana) ocorreram sem problemas e não ouve grandes concentrações de nazistas (exceto por grupos pequenos de 20 pessoas aqui e ali).

A corrente humana (não sei que ano). -http://rt.com/

Embora a quantidade de nazistas na marcha do dia 12 tenha sido bem reduzida (350, comparando com os 7.000 de 2009), eles conseguiram novamente marchar pela cidade, o que certamente vai ser visto como positivo para eles e pode resultar num aumento no número no ano que vem. Infelizmente, neo-nazistas em Dresden ainda não são passado.

Abaixo, alguns vídeos das manifestações. O primeiro, parte da marcha de 12 de fevereiro de 2014, com vaias dos manifestantes anti-facistas:

Em 2013:

Em 2012:

Em 2011:

Em 2010:

Uma coisa que eu achei interessante, participando das manifestações esse ano, é que apesar da confusão, pessoas correndo de um lado para outro tentando bloquear nazista, muuuuuuuuuuuita polícia, nazistas marchando, em volta as lojas e restaurantes continuavam abertos normalmente! Então você estava lá, apostando corrida com a polícia, correndo de um lado para outro, mas aí se cansasse e desse uma fominha era só parar e entrar no primeiro restaurante ao lado.

Outra coisa que foi interessante notar é como as cidades aqui são mais democráticas. Porque praticamente não existem muros e portões, as ruas não são grandes canaletas penetráveis apenas pelas ruas transversais. O que significa, basicamente, é que é muito mais difícil para a polícia bloquear uma manifestação, porque você pode vir de qualquer lado e ir para qualquer lado.  Quer dizer, em qualquer ponto da cidade que você está, sempre tem muito mais opções de “saídas”, você como pedestre, nunca fica preso numa rua. Isso não vale para qualquer cidade, claro, nem mesmo para qualquer parte da cidade. Nos bairros mais antigos, onde as ruas são estreitas e os edifícios fecham as quadras, não é assim. Mas no geral as cidades são muito mais abertas, penetráveis, e democráticas.

Eu não participei das manifestações em 2010 e 2011, que foram menos calmas, mas pelo menos pela minha experiência desse ano deu para ver que o pessoal estava bem tranquilo. Correndo de um lado para outro tentando bloquear os nazistas antes da polícia bloquear a passagem, sim, mas sempre pacíficos, não vi nada que desse para colocar na capa de jornais ou revistas sensacionalistas (COFCOFCOFCOFCOFFOLHAVEJAESTADOCOFCOFCOFCOF). Tinha muita polícia, e os policias estavam calmos e tranquilos, sem se exaltar, e eles sempre filmam tudo.

A manifestação Täterspurenmahngang, com as paradas nos locais estratégicos e informações sobre a segunda guerra por historiadores também é muito interessante, e uma boa idéia de contraste à marcha neo-nazista. Vai gente de todo o tipo, com todo o tipo de manifestação (digo, se manifestando com bandeiras, por exemplo), é basicamente como se todo mundo se unisse contra o nazismo, é bem legal.

Aglomeração no início da Täterspurenmahngang.

Até o Grumpy Cat acha racismo bem tosco.

Até o Grumpy Cat acha racismo bem tosco.

"Dresden stellt sich Quer". Meio difícil de traduzir, mas Quer significa transversal, e nesse sentido significa algo como se colocar no caminho, no sentido de bloquear.  O outro lado da bexiga diz "Wi(e)der setzen. Nazis blockieren". Wieder setzen significa "sentar de novo" (no caminho, para bloquear) e "widersetzen" significa se opor. Um jogo sagaz de palavras.

“Dresden stellt sich Quer”. Meio difícil de traduzir, mas Quer significa transversal, e nesse sentido significa algo como se colocar no caminho, no sentido de bloquear.
O outro lado da bexiga diz “Wi(e)der setzen. Nazis blockieren”. Wieder setzen significa “sentar de novo” (no caminho, para bloquear) e “widersetzen” significa se opor. Um jogo sagaz de palavras.

E nessa data, pela cidade, você vê ainda várias demonstrações de apoio aos bloqueios e às manifestações anti-nazistas, como esse cartaz no teatro de Dresden:

Minha tradução livre: "De todos os infortúnios que acontecem, têm culpa não só aqueles que o provocaram, mas também aqueles que não o evitaram." Erich Kästner

Minha tradução livre: “De todos os infortúnios que acontecem, têm culpa não só aqueles que o provocaram, mas também aqueles que não o evitaram.” Erich Kästner

Os números divulgados de manifestantes de cada lado em cada ano são suuuper variáveis dependendo da fonte. As duas principais fontes de onde eu tirei as informações para esse post.

http://www.dissentmagazine.org/online_articles/dresden-nazi-free-the-new-politics-of-german-civil-disobedience

http://en.wikipedia.org/wiki/Neo-Nazi_marches_in_Dresden

Aí tem descrições bem mais completas, em inglês, e que vale a pena ler se você se interessou pelo assunto.


(Publicado em 14 de Fevereiro de 2014)