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Como a Alemanha mudou meu paladar

Uma das coisas mais difíceis de acostumar, para quem se muda de um país para outro, é a comida. Vale para quaquer pessoa mudando de qualquer país para qualquer outro, a comida é sempre uma questão difícil. Comida brasileira é de longe do que eu mais sinto falta aqui (exceto, claro, pessoas queridas que estão no Brasil). E os posts possivelmente mais comuns nos grupos de facebook de estrangeiros ou brasileiros aqui são pessoas perguntando onde encontram esse ou aquele ingrediente específico, ou como substituí-lo.

Aqui em Dresden não tem um único restaurante brasileiro, e eu não super sei cozinhar. Já tentei várias vezes fazer feijão mas não consigo temperar direito e não tenho paciência de esperar cozinhar totalmente, de maneira que o gosto nunca fica igual. Fica um feijão muito improvisado. Desisti.

O que significa que eu quase nunca como comida “normal”. Realmente muito raro eu comer assim um básico arroz e feijão com gosto de arroz e feijão. Outro dia viajando numa cidade encontrei um restaurante brasileiro e juro, quando chegou a comida e eu dei a primeira garfada quase comecei a chorar de saudade (“quase” aqui é só disfarce, saíram lágrimas de verdade). Outro dia ofereci um pote de doce-de-leite que estava sobrando aqui em casa (eu trouxe, ou alguém trouxe pra mim, sei lá, e eu não queria comer) num grupo de brasileiros daqui e em 5 segundos umas 20 pessoas responderam desesperadas que queriam muito aquele doce-de-leite.

Mas enfim. Tudo isso foi só introdução. A questão principal é: eu raramente tenho acesso a comida brasileira de fato, o que me obrigou a adaptar meus hábitos alimentares. Como qualquer imigrante tem que fazer, claro. Inevitavelmente mudar de país faz com que seus hábitos alimentares mudem até certo ponto. Certamente quem vai morar nos EUA acaba comendo mais fast food, quem vai morar no Japão acaba comendo muitos frutos do mar, etc.

Então esse post é sobre como o Alemanha mudou meus hábitos alimentares, e eventualmente inclusive minhas preferências alimentares.

Refrigerantes

A primeira coisa (que eu mencionei no post anterior, e que foi o ponto de partida pra escrever esse post): refrigerante. No Brasil eu era absolutamente viciada em Coca-cola. Tomava muito mesmo, coca no almoço, coca na janta. E eu não era nenhuma exceção, tem gente que toma menos, mas no geral muitas pessoas no Brasil tomam muito refrigerante, e coca-cola está sempre presente em festas, jantares e almoços com muitas pessoas, restaurantes, etc. Ir comer em algum lugar e não ter coca-cola como opção para beber é quase inimaginável.

Nos meus primeiros dois anos na Alemanha eu trouxe esse costume pra cá, e foi bem difícil. Escrevi um post inteiro sobre o quanto os alemães não tem menor idéia de como servir coca-cola. Aqui, se você pede uma coca num restaurante, ela vem sem gelo, quente, sem gás, e muito provavelmente nem é coca-cola de verdade mas alguma marca alternativa. Se você for convidado para almoçar ou jantar na casa de alguém, você pode ter certeza absoluta que não vai ter coca-cola na geladeira da pessoa. Refrigerantes no geral são coisas que os alemães bebem com pouquíssima frequência. Logo parei de pedir coca em restaurantes, porque era sempre nojenta, e passei a tomar só em casa. Depois de uma viagem ao Brasil em que uma amiga querida me apresentou a bebida mais simples e mais maravilhosa da terra – água com gás com gelo e limão – foi um pulinho pra abandonar a coca de vez. Passei a tomar água com gás com gelo e limão em casa, o que supriu a necessidade por uma bebida gelada e gasosa e eu te garanto: se você fica um mês sem beber refrigerante quando você voltar vai te parecer doce demais. A Alemanha curou de fato meu vício em coca de uma vez por todas. Acho que faz tipo um ano que eu não tomo uma coca, e a última vez deve ter sido assim pq não tinha outra opção e eu estava com muita sede, e me arrependi depois do primeiro gole. De todas as mudanças no paladar pelas quais a Alemanha foi responsável, passar de absolutamente viciada em coca para achar coca meio nojento foi realmente a mais radical.

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Açúcar

Na verdade a minha tolerância a coisas com muito açúcar no geral mudou. No Brasil coloca-se muito açucar nas coisas, nos doces, no café, onde der. Quando queremos evitar açúcar no Brasil, a alternativa é adoçante artificial, mas nunca simplesmente nada. Aqui isso é bem diferente. Por exemplo café. Colocar açúcar no café é raríssimo aqui. Só se for um espresso. Mas aqui não se toma tanto café espresso, mas café com leite. Sem açucar. Quando eu ainda tomava café com açucar e me ofereciam café em casas alheias e eu pedia açúcar, as pessoas tinham que ir procurar o potinho de açúcar no canto mais esquecido do armário da cozinha de onde ele sai uma vez por ano. Parei de tomar café com açúcar na mesma época que abandonei a coca-cola. E doces muito doces eu hoje não agüento nem olhar. Cocada, que era um doce que eu adorava quando morava no Brasil, por exemplo. Só de pensar em morder uma cocada já dá enjôo por ser tão doce. Quando faço bolos aqui com receitas brasileiras, coloco menos da metade do açúcar da receita e mesmo assim os alemães convidados a experimentarem dizem que é super doce. Ah, e adoçante artificial é algo que nem existe aqui. Eu nem tinha percebido isso (porque sempre detestei adoçante) até virem me visitar parentes que só tomam café com adoçante, e reclamarem de nunca ter adoçante em lugar nenhum. Realmente não tem mesmo.

Batata ou arroz

O alimento básico de cada cultura pode ter diferentes caras, gostos e cheiros, mas tem algo em comum: carboidratos. Qualquer cultura tem basicamente um item da culinária presente em quase todas as refeições, e que é a fonte principal de carboidratos e conseqüentemente energia e talz. No Brasil é o arroz e feijão, também comum em outros países latino-americanos. Na Itália é a massa. Em muitos países asiáticos também é arroz. Em vários países africanos é a mandioca. E na Alemanha, assim como outros países norte europeus, esse alimento básico sempre presente é a batata. Batata em diferentes formas e consistências: batata cozida, purê, batata assada, etc. Eu ainda prefiro arroz, mas acabo comendo pouco arroz por aqui. Como mais quando vou em restaurante vietnamita (que é a comida oriental mais presente por aqui) ou indiano.

Bom, na verdade essa mudança de hábito não é uma mudança de paladar, eu ainda prefiro arroz a batata. Arroz é bem mais gostoso. Mas uma coisa que você certamente nunca vai encontrar aqui é um prato com arroz E batata. É arroz OU batata. Pra gente batata é um legume, né, você poderia colocar batata junto com uma salada, talvez. Na Alemanha se chamar batata de legume eles te olham estranho.

Óleo

Uma diferença grande é a quantidade de óleo usada nas comidas por aqui. Aqui se usa beeeem menos óleo para cozinhar que no Brasil. E quando usa, usa-se preferencialmente azeite a outros óleos. Isso é uma coisa que eu notei também da última vez que fui pro Brasil, como certas comidas que você compra vem muito oleosas. Por exemplo salame e presunto. Sei lá, você tira o salame da embalagem ele vem todo gosmento e oleoso. Aqui ele vem sequinho. Isso me dá a impressão de que várias coisas meio “básicas” (básicas no sentido de alimentos que você compra assim no supermercado, como salame e presunto) são de pior qualidade no Brasil. Não sei se pior qualidade é a melhor maneira de descrever, mas a minha impressão, comparando um presunto que sai da embalagem sequinho com um que sai da embalagem todo oleoso e gosmento, é que o primeiro é mais saudável que o outro. Será que estou viajando?

Enfim, só sei que eu acostumei a usar bem menos óleo para cozinhar aqui.

Temperos prontos

Aqueles cubinhos ou potinhos de tempero pronto para carne, arroz, ou o que for, são super incomuns aqui. Eu usava sempre pra cozinhar no Brasil. No começo eu comprava aqui também (tinha que procurar meia hora no supermercado até achar os cubinhos escondidos num canto esquecido) e usava para cozinhar, mas aos poucos fui acostumando a cozinhar como meu marido e temperar as coisas com sal, pimenta do reino e cebola. Sei lá, talvez isso seja meio básico, e acho que várias pessoas lendo no Brasil logo dirão que também não usam tempero pronto nunca. Acho que quem gosta de cozinhar não usa mesmo. Mas eu usava e desaprendi aqui.

Pão

Pão é um assunto de extrema importância para um alemão. Alemães adoram pão. Na verdade, se você perguntar para qualquer alemão morando fora da Alemanha do que ele mais sente falta, pode ter certeza que a primeira resposta sem hesitação será “PÃO!”.

Aqui tem muitos tipos diferentes de pão, e eles comem no café da manhã sempre uma seleção variada desses. Esse post aqui explica melhor.

Pão branco é o menos querido entre a maioria dos alemães. Eu ainda não troco um pãozinho francês com crosta bem crocante por nada no mundo, mas os pães alternativos alemães – pretos, com sementes as mais diversas e todo tipo de coisas que você poderia imaginar colocar num pão antes de assá-lo – eu aprendi a gostar. Eu realmente não gostava no começo, só comia pão que não fosse branco se fosse realmente a única opção, e ainda fazia cara feia. Hoje gosto da variedade e como pães diferentes também. (Mas se a opção for entre um pãozinho francês e um outro pãozinho qualquer, vou inevitavelmente escolher o pãozinho francês que ainda não tem igual).

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Comidas diferentes em diferentes épocas do ano

Uma coisa interessante daqui é que, como as estações do ano são bem marcadas e bem diferente, as verduras, legumes e frutas disponíveis variam bastante entre as épocas do ano. Por exemplo, em Abril e Maio come-se muito aspargo. Em Outubro e Novembro, receitas com abóbora são muito comuns, assim como doces com ameixas. O verão, de Junho a Agosto, é época das frutas vermelhas, que aparecem em todos os bolos e doces. Essas variações são tão comuns que quando chega determinada época do ano as pessoas já começam a ficar com vontade de aspargos, ou de abóbora, ou do que for comum daquele período. E isso é uma coisa que morando aqui você logo acostuma e incorpora, até porque comprar framboesas em dezembro (por exemplo), até dá, mas pelo triplo do preço que custa no verão. E você só encontra em supermercados mais “gourmet” em embalagens com pequenas quantidades. Quando encontra.

 

Não sei, com essa lista ficou parecendo que os alemães comem muito melhor que a gente e são muito mais saudáveis. Isso em parte é verdade, mas só em parte. Eu não acho que a comida normal deles seja mais saudável, tipo o prato do almoço diário de um alemão médio. Um PF na Alemanha seria provavelmente: batata cozida, repolho cozido e alguma carne de porco, possivelmente um schnitzel (que é alguma carne à milanesa). Não acho isso mais saudável que arroz, feijão, bife e salada. Talvez igual? Não sei. Com certeza acho repolho e batata cozida bem menos gostoso que arroz, feijão e salada. De vez em quando até vai, mas como prato básico de comer todo dia? Yuk. Pra falar a verdade as comidas típicas alemãs – as bem normais – eu não tenho nem vontade de olhar. Saudades de um quilo, ou de um PF basicão.

À esquerda: Yuk! À direita: Yum! Tá, a foto da direita tá toscona, pq eu tirei rapidão com o celular, mas essa é a comida que proporcionou lágrimas de saudades.

Mas no que diz respeito a açúcar aí sim dá pra dizer que os costumes por aqui são mesmo mais saudáveis. A gente consome realmente muito açúcar no Brasil, e é vício. Quando você começa a reduzir o consumo, logo você vai perdendo a vontade de coisas muito doces. Mas dar esse primeiro passo de reduzir o consumo é muito difícil quando todo mundo em volta tá comendo um maravilhoso pudim de leite com uma coca-cola bem gelada. Então acho que acaba virando um vício coletivo.

E da última vez que estive no Brasil eu tive, mesmo, a impressão de que a comida industrializada era mesmo de pior qualidade.

Pra finalizar, acho que vale a pena comentar também que a adaptação em termos de comida varia muuuuito de imigrante pra imigrante. Se você cozinha muito em casa, e é só você em casa que cozinha, a adaptação é bem menor porque você continua cozinhando da mesma maneira de antes – você descobre onde encontrar os ingredientes mais raro, ou acha alguns substitutos suficientemente similares e pronto. Principalmente se as outras pessoas pra quem você cozinha têm os mesmos hábitos alimentares que o seu (por exemplo se você mudou com a família brasileira pra cá, em contraste com alguém que montou uma família binacional aqui). Se por outro lado você não cozinha nada mas come de tudo, aí inevitavelmente você se adapta à comida 100%.

Pra mim não foi nem um nem outro, mas um meio termo. Eu sempre fui bem fresca pra comer, tem um monte de coisa que eu não gosto, e normalmente quando eu encontro algo que gosto eu repito aquilo infinitamente. Em todos os restaurantes que eu vou regularmente (tem um italiano, um indiano, um tailandês e uma padaria) inevitavelmente assim que eu chego lá a pessoa que vem me atender já chega me dizendo meu próprio pedido. Que é sempre o mesmo. E eles já decoraram. Sério, a padaria do lado de casa (em que eu paro todo dia de manhã pra comprar dois pãozinhos com gotas de chocolate que é meu café da manhã dos dias de semana), assim que eu entro a pessoa que está atendendo já coloca dois Schokobrötchen na sacolinha de papel sem nem perguntar. E isso porque tem umas 5 pessoas diferentes que trabalham lá. Mas voltando: eu sou fresca pra comer mas não cozinho muito. Cozinho às vezes. Meu marido cozinha com mais freqüência, mas come de tudo. Então algumas coisas que eu não comia antes porque não estava acostumada e achava que não gostava, passei a comer. Mas várias outras coisas que seriam comuns se só meu marido cozinhasse e eu comesse qualquer coisa não aparecem nunca na nossa geladeira. Então fomos adaptando nossos costumes culinários um ao outro de maneira que as nossas comidas típicas em casa acabam sendo uma mistura de Brasil e Alemanha.


(Publicado em 30 de Novembro de 2017)

Pequenas denúncias

Esse post de título um tanto enigmático me deu na telha de escrever na semana passada, ao comprar uma água. E é sobre pequenas coisas, pequenos detalhes, que te denunciam como estrangeiro na Alemanha. Não coisas grandes como erros gramaticais ou pronúncia da língua. Coisinhas pequenas, não necessariamente erradas, discretas, porém que nenhum alemão jamais faria ou expressaria dessa maneira.

Quem já viu o filme Bastardos Inglórios vai lembrar bem da cena em que o espião americano infiltrado entre os nazistas é descoberto ao pedir duas cervejas num bar, mostrando o dedo indicador e o do meio. Os alemães contam nos dedos começando com o dedão, então “dois”, na linguagem dedística alemã, seria levantar o dedão e o indicador. Se você, como a pessoa normal que é, levantar o dedo indicador e o do meio para indicar dois: ! Estrangeiro!

Então aqui vão outras coisinhas que poderiam resultar na sua execução imediata se você fosse um espião estrangeiro infiltrado entre os nazistas em 1940.

1. Volume de bebida
A história da água foi que eu pedi ontem uma garrafa de água no subway, e quando a pessoa do caixa me perguntou qual tamanho, eu distraidamente respondi “A pequena, de 500”. 500 mL, claro. Na Brasil a gente fala de tamanho das bebidas em mL. 300, 500, 700. Só a partir de 1L qua a gente passa pra litros. Mas aqui  na Alemanha é tudo sempre em Litros. 0,3, 0,5, 0,7. A resposta certa no caso da água teria sido “null komma fünf“, “zero vírgula cinco” (ou só “komma fünf“). Todo mundo entende se você fala em mL, claro, mas nenhum alemão jamais responderia àquela pergunta com “fünfhundert“. Jamé.

2. Emails
Duas pequenezas em emails eu descobri outro dia que eram diferentes. São pequenezas tão discretas que eu nunca teria notado. Mas provavelmente os alemães que receberam emails escritos por mim notaram. Quando você escreve um email (ou carta) em português, é algo assim:

“Caro Sr. Fulano de Tal,

Como conversamos por telefone, envio em anexo o documento xyz, etc.

Atenciosamente,
Eu Mesmo da Silva”

Se a gente seguisse a mesma regra que os alemães, essa mesma carta seria assim:

Caro Sr. Fulano de Tal,

como conversamos por telefone, envio em anexo o documento xyz, etc.

Atenciosamente
Eu Mesmo da Silva

Sacou a diferença? São duas. A mais importante e mais denunciativa é a primeira: aqui você sempre começa o email com letra minúscula (depois do “Caro fulano”, que aliás em alemão seria “Sehr geehrte(r) xyz). O motivo faz sentido: A frase começou com “Caro fulano, xxx”, não tem porquê colocar maiúscula depois da vírgula. Mas por algum motivo misterioso em português e em inglês se faz assim em emails e cartas. A segunda diferença não é tão determinante. Entre o “Atenciosamente” (em alemão você escreveria “Mit Freundlichen Grüßen“) e o seu nome, os alemães não costumam colocar vírgula. Mas não é uma regra tão definitiva: às vezes eles também colocam uma vírgula.

3. Futebol
Duas grandes pequenas diferenças existem entre nós e os alemães ao falar de futebol. A primeira é a contagem do tempo. No Brasil a gente conta em duas vezes de quarenta e cinco minutos. Então se alguém chega e te pergunta “E o jogo? Tá onde?”, você responderia algo como “30 minutos do segundo tempo”. Na Alemanha, a resposta seria “75 minutos”. O jogo é contado em 90 minutos, não duas vezes de 45. Então se você fala em algum minuto do 0 ao 45, você com certeza está se referindo ao primeiro tempo. A expressão “aos quarenta e cinco do segundo tempo” não faria sentido aqui.
Outra diferença (embora essa seja mais algo que denunciaria um alemão no Brasil que o contrário) é a contagem dos gols. No Brasil a gente sempre coloca quem tem mais gols primeiro. Por exemplo: “O jogo ficou sete a um pra Alemanha”. Na Alemanha você fala os gols do time da casa primeiro. “O jogo ficou um a sete.” é certamente algo que você nunca disse em português.

Talvez agora você esteja prestes a escrever um comentário perguntando a mesma coisa que eu perguntei pro marido alemão quando conversamos sobre esse assunto: como faz quando não tem time da casa? E se for, digamos, Marrocos x Japão jogando no Uruguai? A resposta foi: ¯\_(ツ)_/¯. Bom, tem sempre uma regra pra qual time é o time da casa mesmo nesses campeonatos internacionais, no sentido de qual time tem que trocar de roupa se os uniformes forem da mesma cor, né. Mas sei lá se tem toda essa preocupação em ser específico. Acho que colocar o número maior na frente e dizer quem ganhou (ou está ganhando) faz mais sentido e os alemães podiam pensar em adotar essa regra simples, ficadica.

4. Casaco
Dois compartamentos referentes a casacos te denunciariam imediatamente como estrangeiro (de país onde não faz frio) na Alemanha.

A primeira é andar por aí no frio com o casaco aberto. Algo que não faz nenhum sentido lógico: o casaco serve pra isolar seu corpo do frio, pra ele não perder calor. Não funciona se o casaco estiver aberto. Mas no Brasil, como quase não faz frio, a gente praticamente nem têm casacos que isolam, então efetivamente tanto faz se o casaco está aberto ou fechado. Daí a gente chega bobo no país frio durante o inverno e demora uns tempos pra descobrir que casaco de inverno só funciona quando fecha o zíper.

A outra coisa sobre casacos é que, como os interiores dos edifícios são aquecidos, as pessoas tiram o casaco ao entrar em qualquer lugar. É meio que a reação direta e automática a entrar num local: tirar o casaco. Só que no Brasil a gente usa o casaco o dia inteiro, dentro de casa e do escritório e do restaurante e de todos os lugares, já que costuma estar a mesma temperatura dentro e fora. Então a gente não tem esse costume de imediatamente tirar o casaco ao entrar num local, e às vezes fica lá distraído de boas no seu casaco. Os alemães acham isso meeeeega estranho, a ponto de chamar a atenção que alguém esteja usando casaco sem estar lá fora.

5. Meio Pãozinho
Digamos que eu te dê um pãozinho, um pãozinho normal, pão francês, e te peça pra cortar ao meio e me dar metade e comer a outra metade. Em que eixo do pãozinho você vai cortá-lo? Provavelmente você vai cortá-lo assim:

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Dê o pãozinho a um alemão e peça para ele cortá-lo ao meio para comer só metade e em 100% dos casos o pãozinho será cortado neste eixo:

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No Brasil, a gente só corta o pãozinho no lado maior quando a gente vai fazer um sanduíche, e comer as duas metades ao mesmo tempo, fechadas. Se for pra comer só metade e dar a outra metade pra outra pessoa ou devolver pro saquinho de pão, o pãozinho será cortado no eixo menor. Aqui, se um alemão concordar em dividir um pãozinho com você e você cortar o mesmo no lado menor pode ter certeza que o alemão vai te olhar como se você tivesse feito a coisa mais estranha e inesperada que ele já presenciou em sua vida!

Aliás já que estamos falando de pãozinho, uma dica pra você não cometer um erro que eu cometo regularmente, inclusive hoje mesmo na hora do almoço: Se você disser para um alemão te trazer uns pãezinhos da padaria, lembre-se de especificar que você quer pãezinhos brancos, aqui conhecidos como “Kleinbrötchen” (entre outros nomes possíveis). Se você quiser o pãozinho da imagem acima, tem que ser específico. Se você disser simplesmente “traz um pãozinho”, vai vir qualquer coisa menos pão branco. Se forem vários vai ser uma variação de pães diversos em que uns 10% a 20% serão pãezinhos brancos. Então se você quiser só pãezinhos brancos, seja específico. Se você for passar a noite na casa de alguém e a pessoa combinar um horário pra tomar café na manhã seguinte (sim, eles vão combinar um horário específico pra se “encontrar” pro café da manhã) e a pessoa te perguntar se você tem alguma preferência pro café, quantos pãezinhos você come, e tal: lembre-se de especificar que você só come pãezinhos brancos (se for o caso), se não é capaz de não ter um único pãozinho francês na seleção de 20 pãezinhos que seu anfitrião colocar na mesa do café no dia seguinte.

É isso! Daria pra escrever sobre mil outras coisinhas, mas deu pra dar uma ideia…


(Publicado em 22 de Agosto de 2017)

Pãezinhos

Em um antigo post sobre comidas alemãs eu falei um pouco sobre o café-da-manhã típico daqui, que inclui pãezinhos de todos os tipos. Resolvi então escrever um post só sobre os variados pãezinhos.

Se você for daqueles que não consegue começar o dia sem antes comer um delicioso pão francês, não se preocupe. Por aqui eles também são comuns. Aliás, são inclusive o tipo default de pãozinho, aquele que você sempre encontra nas padarias, embora não sejam necessariamente os mais comprados. Se você ficar na casa de um alemão, talvez ele não pense em comprar os pãezinhos franceses que você tanto gosta. Mas se você mesmo for à padaria, certamente os encontrará. Só que não chama pão francês, claro. Eu costumo encontrar pelo nome de Klein Brötchen – pãozinho pequeno – mas se você disser só Brötchen (pãozinho) ou Normales Brötchen (pãozinho normal), todo mundo vai entender que você está falando do pão francês. Aliás, com os nomes é meio complicado porque com freqüência o mesmo tipo de pãozinho tem nomes diferentes em diferentes padarias, e especialmente em diferentes partes da Alemanha.

Mas claro que eu não vim escrever um post sobre pão francês, mas sobre os outros variados tipos. Então lá vai:

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Começando pelos pães brancos, temos o Doppelbrötchen.

Doppelbrötchen

Doppelbrötchen

Aqui no leste esse tipo é bem comum. Eu não entendo muito o objetivo do Doppelbrötchen. É tipo um pãozinho francês normal grudado em outro. Na hora de assar eles colocam dois a dois do ladinho de maneira que eles ficam grudados. Mas o porquê grudar dois pãezinhos é uma coisa que eu ainda não descobri. Essa versão da foto é bem grande, aliás, normalmente eles são um pouco menores.

Também branco é o Kaiserbrötchen, esse daqui:

Kaiserbrötchen

Kaiserbrötchen

Também não muito diferente do pão francês exceto pelo formato redondo.

Parecido com o Kaiserbrötchen é o Laugenbrötchen:

Laugenbrötchen

Laugenbrötchen

Lauge significa água com sal, que é basicamente como esse pãozinho é feito. É a mesma massa do Kaiserbrötchen, só que antes de assar eles molham a pãozinho em água com sal. Então, ao assar, ele fica assim escurinho e mais salgado que um pãozinho normal. Meio como um Pretzel (que aliás também merece um post porque não tem nada a ver com os pretzels que as vezes vende no Brasil, e aliás, nem chama Pretzel, mas Bretzel, com B).

Agora começa os que tem 10 nomes possíveis diferentes…

Esse aqui é às vezes chamado de Kartoffelbrötchen, ou pãozinho de batata

Kartoffelbrötchen

Kartoffelbrötchen

Mas ele não é feito de batata. O nome vai ver é porque ele parece uma batata? Mas ele não parece uma batata. Sei lá. Tem desse branco (com outro nome) e mais escuro como o da foto. A diferença é, claro, o branco é feito com farinha de trigo enquanto o escuro com outros cereais, mas a diferença deles para os pães normal é que eles incluem um processo sei lá qual que envolve umas bactérias X. Puxa, acho que eu não sou a pessoa mais indicada pra escrever esse post dos pães.

O próximo é o Kurbiskernbrötchen:

Kürbiskernbrötchen

Kürbiskernbrötchen

Kürbis é abóbora, Kern é semente, então, como o nome e a foto indicam, esse é o pãozinho com sementes de abóbora. A massa, como de todos os outros pãezinhos exceto os brancos básicos, é de uma mistura de cereais além de trigo, então é sempre um pãozinho mais escuro por dentro. Esse tipo com as sementes de abóbora é bem comum.

A questão também com os nomes é que os alemães são bem criativos com pãezinhos, eles inventam mil misturas de sementes e cereais e formatos possíveis para fazer seus diferentes pãezinhos. Então fica difícil saber o nome de todos eles porque basicamente eles nomeiam de acordo com o que tem no pãozinho, né. Esse aqui eu vi pelo nome de Dinkelbrötchen:

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Dinkelbrötchen

Tipo um pãozinho francês com gergilim, uma farinha por cima, e a massa é não só de trigo mas de espelta (pergunta pro Google).

Esse outro também com gergilim por cima chama-se Körnerdreieck, ou triângulo de cereais.

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Körnerdreieck

E aqui mais dois que eu não tenho idéia de como chamam. Esse primeiro, que eu vou carinhosamente batizar de Brötchen X, tem grãos ralados por cima.

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E esse daqui, o muito famoso Brötchen Y, me parece um Bagel com gergilim e sementes de papoula (outro ingrediente bem comum em padarias):

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Um favorito das crianças (e meu) é o Schokobrötchen, que pode vir em vários formatos diferentes, mas é sempre um pão fofo branco (não salgado e não crocante) com pedacinhos de chocolate:

Schokobrötchen

Schokobrötchen

Nham. Tem também o Rosinenbrötchen, que é como o Schokobrötchen só que com uvas passas ao invés de pedaços de chocolate. Mas esse eu não comprei pra fotografar, porque, cá entre nós, quem iria querer comer um pãozinho com pedaços de uva passa, quando se pode comer um com pedaços de chocolate?

Aqui são só alguns pequenos exemplos do que eu achei numa única padaria num único dia, pra dar uma idéia. Mas, realmente, a variedade de pãezinhos diferentes por aqui tende ao infinito.

A única coisa ruim dos pãezinhos daqui, é que é muito raro você comprar pãezinhos recém-saídos do forno, quentinhos e tal. Nossa, só de escrever essa frase já me deu água na boca. Mas realmente, é raríssimo eles virem quentinhos porque por aqui está ficando cada vez menos comum que a padaria onde você compra os pães asse os mesmos. Normalmente eles são feitos em padarias industriais grandonas, em enormes quantidades, e distribuídos pelas padarias da cidade de manhãzinha. Então quando você compra seu pãozinho, ele saiu do forno, foi separado, colocado num caminhão, distribuído na sua padaria e só então vendido. =/ Mé. Mas eles não são menos gostosos por isso, não, só não vêm quentinhos.

E uma coisa que é importante de mencionar, se falamos de pãozinho, é que aqui só se come pão em tábua de madeira, como nas fotos. Nunca, jamais, em prato. Se você estiver na casa do seu amigo alemão e ele pedir pra você colocar a mesa enquanto ele faz o café, e você colocar pratos ao invés das tábuas, pode ter certeza que seu amigo vai te olhar como se você fosse um alien. Jamais passou pela cabeça dos alemães comer pão em um prato. Vai entender.


(Publicado em 31 de Janeiro de 2015)

 

Biergarten: não dá para ser mais alemão.

Não tem nada mais alemão que um Biergarten. E é uma das coisas mais legais da Alemanha. Vindo para cá, não deixe de visitar algum.

Como diz o nome, Biergarten seria algo como um “Jardim de cerveja”.

Na verdade é um restaurante/bar ao ar livre onde as pessoas vão para, essencialmente, tomar cerveja, comer um salsichão com mostarda ou um Pretzel. De verdade. Todos os esteriótipos clichês que você conhece da Alemanha unidos numa coisa só. Só falta um alemão gordo com trajes típicos da Bavária para completar o ambiente.

Mas esse só tem na Bavária mesmo. No resto da Alemanha, contente-se com a cerveja, o pretzel e o salsichão. Tá, talvez mesmo na Bavária os trajes típicos não sejam lá tão comuns.

Para dar uma idéia melhor do ambiente de um Biergarten, aí vão algumas imagens:

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Simpático Biergarten ao longo do rio Elba, em Dresden.

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Mas ainda que você não seja muito fã de cerveja, tem outras opções de bebida. Refrigerantes normais, refrigerantes alemães, refrigerantes misturados com cerveja, e até um cafezinho, se for o caso.

Nota importante: os alemães chamam refrigerante de “Limonade”. Limonade pode ser qualquer refrigerante, ainda que nem tenham limões envolvidos no processo. Portanto, se te oferecerem Limonade, não espere um suco de limão. Uma limonada normal, assim, limão, água e açúcar, não tem. Nunca vi suco de limão em lugar nenhum.

E como assim refrigerantes alemães? Na verdade aqui na Alemanha tem vários refrigerantes diferentes. Bionade, por exemplo, é uma marca bem famosa por aqui, de refrigerantes de laranja com gengibre, Hollunder (uma frutinha redonda pequena vermelha ou preta), Lichia, Marmelo ou Ervas. Sabores super normais.

Fassbrause também é outra marca de refrigerantes, produzidos por uma companhia de cerveja, com vários sabores diferentes, também, freqüentemente disponível nos Biergärten. Vale a pena experimentar alguns desses refrigerantes diferentes. Tanto Bionade quanto Fassbrause são produzidos pelo mesmo processo da cerveja, quer dizer, fermentação, e portanto tem um ligeiro gosto de cerveja, sem o álcool.

E os Biergärten funcionam da seguinte maneira: Eles tem um “balcão”, você vai lá, compra a sua cerveja e seu salsichão e senta numa das mesinhas. Não tem serviço, você que busca o que você quer, e as mesas são normalmente super grandes e compridas, e é completamente normal sentar na mesma mesa que outras pessoas, não se intimide.

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Tem algumas outras opções de comida, além do salsichão, normalmente batatas, talvez uma salada, coisas também bem alemãs.

Biergärten são super comuns pela Alemanha toda, têm um ambiente super simpático, com as mesas ao ar livre, especialmente se estiver em um parque ou nas margens de um rio. Não deixe de visitar um!


(Publicado em 23 de Junho de 2013)

Supermercado

Morando fora do país, um dos lugares que me fazia sentir um pouco em casa no início eram os supermercados. Supermercado é uma coisa que, essencialmente, é igual em qualquer lugar do mundo, aparentemente. Tá, não sei como são os supermercados na Etiópia ou em Bangladesh, mas não deve ser nada muito diferente das longas estantes com diferentes e coloridas embalagens de comida. A comida dentro da embalagem muda, mas as embalagens nem tanto. E no final, pelo mesmo por aqui no mundo ocidental, metade das marcas se repetem nos vários países. Outro dia mesmo comprei um pacote de Ovomaltine. Nem sei de onde é Ovomaltine. Mas aqui também tem.

Enfim, mas apesar das similaridades, algumas diferenças podem ser observadas nos supermercados alemães.

Todos os supermercados por aqui tem uma padaria na entrada e outra dentro do supermercado. Ok, não visitei 100% dos supermercados na Alemanha, mas todos os que visitei são assim, uma padaria na entrada, com o seu próprio caixa, e outra dentro onde vc escolhe seu pão, empacota e paga no caixa do supermercado. Como eu falei, os alemães gostam de um pão.

Mas as maiores diferenças estão mesmo no próprio caixa. Os alemães são muuuuito rápidos para passar as compras, prepare-se. As pessoas costumam fazer compras menores, até pq ninguém vai de carro até o supermercado. Quem faz compras maiores costuma ir no fim de semana nos enormes hipermercados que ficam longe do centro da cidade, em centros de compras que reúnem shopping centers, IKEA, lojas de construção, etc. Em supermercados de bairro as pessoas fazem só compras menores, você quase nem vê pessoas com carrinhos de supermercado. A esteira do caixa costuma ser bem comprida, e não raramente suas compras vão andando mais rápido que você. Não tem problema, o importante para os alemães é não desperdiçar espaço na esteira.

Ao passar suas compras, empacote tão rápido quanto possível que o caixa JAMAIS esperará você terminar de empacotar suas compras para começar a passar as do próximo cliente. Normalmente no final da esteira, quer dizer, no lugar onde o caixa coloca as suas compras depois de passar pelo leitor para você empacotar, tem uma separaçãozinha, uma peça de plástico, que o caixa pode virar para um lado ou para o outro para separar aquela área em duas. Assim, se vc ainda não tiver terminado de empacotar as suas compras depois de pagar, o caixa já pode ir colocando as compras do próximo cliente no outro lado. Mais ou menos assim: (mas esse é um exemplo de um caixa bem grande. Normalmente esse espaço tem a largura normal da esteira)

Vários supermercados têm umas bancadas atrás dos caixas, onde você pode terminar de empacotar suas compras com mais calma.

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Quanto aos saquinhos e sacolas, aqui não tem essa cansativa discussão infinita dos saquinhos de plástico ai-minha-vida-é-tão-mais-difícil-sem-saquinhos-de-plástico-gratuitos-no-supermercado… Todo mundo por aqui leva a sua própria sacola sem drama. Se por acaso você esquecer a sua própria sacola, tem várias opções de sacolas que você pode comprar, desde sacolas retornáveis a sacolas de plástico boas, das que dá pra usar de novo, ou sacolas fortes de papel. Normalmente tem também sacolinha de plástico de graça, mas elas são beeeem ruins, super finas e bem pequenas.

Todos os supermercados alemães têm uma máquina de devolver latas e garrafas.

IMG_3095Pela lei alemã, qualquer loja que venda determinadas latas e garrafas têm que também aceitá-las de volta para devolver para o fornecedor, que tem que reciclar. Ao devolver as suas garrafas de cerveja e latas de coca-cola, você recebe de volta parte do valor, variando de 0,08€ a 0,25€ dependendo da garrafa ou lata. Nas lojas menores, você devolve direto no caixa, mas os supermercados têm essas máquinas sagazes que pegam a garrafa, e lendo o código de barra vai adicionando o valor até você terminar de devolver as garrafas que trouxe, e apertar o botão verde para a máquina imprimir um papelzinho com o valor total das garrafas que você devolveu. Passando no caixa, vc pode usar o vale para pagar parte das suas compras, ou trocar por dinheiro caso não tenha feito nenhuma compra.

Também dá para devolver caixas de garrafas, daquelas assim:

Finalmente, antes de ir embora, você pode aproveitar para já jogar no lixo reciclável no supermercado as embalagens em excesso, que você não faz questão de levar pra casa.

IMG_3096O que me lembra que tenho que escrever um post sobre reciclagem de lixo na Alemanha.


(Publicado em 17 de Abril de 2013)

Comendo com alemães 2

Continuando no assunto comer na Alemanha, vamos para a parte importante: o que comer na Alemanha?

Algumas coisas a gente já sabe, salsicha, cerveja, etc. Os alemães costumam fazer só uma refeição quente por dia, na hora do almoço.

O café da manhã e a janta são muito similares. Pão com frios, resumindo. Os alemães adoooooram pão, se você perguntar para um alemão morando em outro país do que ele mais sente falta, certamente ele mencionará os pães alemães. Os pães por aqui são mesmo bem variados. Para o café da manhã, é comum comprar uns pãezinhos (Brötchen) de vários tipos diferentes, assim:

Aí tem pão branco, pão escuro, pão com gergelim, pão com queijo, pão com pedaços de frutas secas, pão com pedacinhos de chocolate, pão com sementes de não sei o quê, tem mil e duzentas opções. E normalmente eles compram um de cada e comem uns cinco tipos diferentes no mesmo café da manhã!

Eu acho engraçado o jeito como eles cortam o pão, aqui. É sempre nesse mesmo eixo, como na imagem:

Tudo bem, não tem nada de estranho em cortar o pão dessa forma quando vc vai passar alguma coisa, ou colocar um pedaço de queijo e um salame, fechar o pão e comer, né? O esquisito é que eles não fecham o pão, eles passam o requeijão, põe o presunto ou o que for, e comem só aquela metade, e devolvem a outra metade… e acham super bizarro se vc faz diferente.

Que mais? Para pôr no pão, diferentes tipos de presunto, salame e queijos. Normalmente eles não comem nada doce no café da manhã. Talvez uma geléia. Mas o comum são os frios, e talvez também um ovo quente.

O que muda na janta, basicamente, é o tipo de pão. Ao invés dos pãezinhos, Brötchen, eles comem Brot, pãezões. (Pãezões?)

De novo, mil tipos diferentes, mas quase com certeza pão escuro, e de preferência daqueles cheios de sementes dentro.

Aqui uma janta típica:

Acho  engraçado, também, que eles nunca comem pão num prato, mas sempre nessas tábuas de madeira que nem na foto a cima.

Ok, esse foi um post mais de pão que de comida, mas os alemães gostam mesmo de pão. As comidas quentes ficam prum próximo post!


(Publicado em 13 de Abril de 2013)