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Alemães e a Internet

Os alemães são bem avançados em várias coisas. Mas quando se trata de internet, a Alemanha vive, parece, em 1984. Digo 1984 por dois motivos: o atraso óbvio que um ano na década de 80 conota, e, claro, o big brother. Os alemães são meeeeega noiados com privacidade na internet.

Claro, não vou dizer que acho que não devemos nos preocupar com o fato de a NSA ler todas as nossas mensagens particulares na internet, e talvez pensando bem os alemães até tenham razão. Mas se você tiver amigos alemães, e quiser se comunicar com os mesmos online, pode ser um desafio.

Primeiro, já vai ser o maior sucesso se você conseguir encontrar o seu amigo no facebook. A maioria dos alemães não coloca o nome completo verdadeiro no face. Eles com freqüência colocam só uma parte do sobrenome (tipo “Mü” ao invés de “Müller”), ou trocam o sobrenome por outra coisa qualquer, ou mudam o nome inteiro para algo nada a ver. Daí, se ocorrer do fulano ter a ousadia de colocar seu nome verdadeiro no face, muito provavelmente a foto do perfil não mostrará o rosto da pessoa. Se mostrar, vai ser assim bem de longe que não dê pra reconhecer. Acho que é realmente uma minoria dos alemães que coloca na foto do perfil uma foto do próprio rosto. Se combinar os dois fatores – nome completo e foto do rosto – deve sobrar uns 5% dos alemães que passam no “teste”.

Se apesar de todas essas dificuldades você conseguir achar e adicionar seu amigo, pode ter certeza que o facebook é o pior meio para se comunicar com ele. A maioria dos alemães – bom, a maioria dos que eu conheço, pelo menos – usa o facebook bem raramente, nunca posta nada, e enfim, é bem inativo.

Email também é uma coisa engraçada. Claro que todos os alemães – como pessoas normais – têm email, e lêem e escrevem emails diariamente. Mas, diferente de pessoas normais, NENHUM ALEMÃO TEM GMAIL! Ainda estou para encontrar um alemão com gmail! Ao invés disso, usam um site alemão com o endereço @gmx.de. A maioria tem esse gmx. Que não agrupa emails da mesma conversa e não tem espaço infinito, diga-se de passagem. E também não te avisa que você esqueceu de anexar o arquivo se você escrever “anexo” no corpo do email e não anexar nada. Mas é um serviço alemão, e os alemães são suuuper noiados e só confiam em serviços alemães. (Bom, novamente, talvez não seja totalmente insano não usar emails de provedores americanos, maaas… nah. Gmail.)

Essa atenção toda com privacidade, claro, continua em outros sites, onde eles raramente colocam nome verdadeiro, etcetc. Recentemente, após a história com o Snowden revelando que os EUA vigiam todo o mundo através da internet, um político alemão inclusive sugeriu fazer uma internet exclusivamente alemã, mostrando que não entende o objetivo principal da internet – comunicação geral globalizada.

E no que diz respeito a leis referentes à internet, tenho quase certeza absoluta que todos os políticos envolvidos na criação e aprovação de tais leis jamais em toda a vida fizeram uma única busca no google. Eles têm um entendimento bizarro de direitos autorais, que vai muito além do que faz sentido lógico para uma pessoa normal que convive com internet. Aqui levam muito a sério se você linkar uma imagem que não seja sua. Claro, pra isso precisa aparecer o autor reclamando, mas já soube de caso de alguém fazer algo tão banal quanto postar um link no facebook – aparecendo de thumbnail uma foto qualquer – e o autor da foto processar a pessoa que postou o link por usar sua foto sem autorização – E GANHAR O PROCESSO. Olha que insano!!! Uma foto que aparece como thumbnail de um link, para mim, é como se eu pegasse uma revista, mostrasse uma foto dessa revista para outra pessoa, e o autor da foto me processasse por compartilhar a foto sem autorização!

Quanto a músicas também é um saaaaaco. Praticamente qualquer vídeo no youtube com alguma música qualquer é bloqueado por direitos autorais!!! Não precisa nem ser o clipe oficial da música uploadado por alguém que não tem os direitos autorais, pode ser um videozinho bobo do seu gato dormindo no sofá com uma música de fundo, o vídeo é bloqueado porque você não tem os direitos autorais da música. É muito exagerado. Nem aquele canal do youtube que posta legalmente vários clipes, o vevo, funciona aqui. Tudo bloqueado, com essa mensagem aqui:

Screen Shot 2014-02-18 at 9.25.57 PM

GEMA. A coisa mais bizarra da Alemanha. Eu ia postar o logo deles aqui, mas capaz de me processarem por usar a imagem sem autorização, né. GEMA significa “Gesellschaft für musikalische Aufführungs- und mechanische Vervielfältigungsrechte”. Basicamente é uma sociedade autorizada pelo governo que recolhe taxas referentes à direitos autorais sobre músicas. Não sei detalhes de como funciona, mas lendo pelo wikipedia parece que se você quiser tocar uma música em público, sem tem os direitos autorais sobre ela, você tem que pagar uma taxa para essa sociedade, que então distribui a receita entre os membros (gravadoras e artistas, suponho) de acordo com regras definidas.

Até aí tudo bem, só que a história é levada tão a sério que se você levar tocar MP3s do seu iphone digamos num parque, com caixinhas de som, pode ser que passe um fiscal e te multe. Sério, sem brincadeira. De acordo com meu namorado, alguns colegas da faculdade já tiveram que pagar por estarem tocando música na faculdade quando apareceu um fiscal do GEMA. Não é assim, ‘nossa, que multa terrível, teremos que vender todos os nossos pertences para pagar’, é alguns poucos euros por música tocada, mas é totalmente bizarro.

Portanto na dúvida, aqui na Alemanha, com essas coisas de internet é melhor não se arriscar.


(Publicado em 18 de Fevereiro de 2014)

 

Zum Mitnehmen

Eis uma maneira prática para se livrar de coisas inúteis que ainda podem vir a ser úteis para outro.

Não sei se isso acontece em vários lugares da Alemanha, ou se é uma coisa típica só aqui em Dresden, e mais especificamente da Neustadt, o bairro jovem-artístico-alternativo da cidade. Mas por aqui andando pela rua é beeem comum você encontrar caixas com tralha de diferentes tipos e uma plaquinha ou papelzinho escrito “Zum Mitnehmen” (para levar) ou “Zu verschenken” (para dar). Pessoas que estão se mudando, ou fazendo uma limpeza geral na casa, coisa do tipo, juntam as coisas velhas que não querem mais guardar, mas que ainda podem ser úteis para alguém, colocam numa caixa com a plaquinha e deixam na frente da porta do prédio. No final do dia, a caixa está vazia.

Ok, essa não tinha o papel escrito 'Zum Mitnehmen'. Mas basicamente qualquer caixa aberta com livros ou coisas velhas, totalmente à vista, na porta de um prédio vc pode ter certeza que é para doar.

Ok, essa não tinha o papel escrito ‘Zum Mitnehmen’. Mas basicamente qualquer caixa aberta com livros ou coisas velhas, totalmente à vista na porta de um prédio, vc pode ter certeza que é para doar.

O que você mais encontra nessas caixas são livros, na sua maioria livros velhos meio toscos, tipo, sei lá, um guia de leis alemãs para estudantes de advocacia, ou o livro da igreja não sei qual sobre a Bíblia, umas coisas assim que ninguém tá muito a fim de levar. Bom, talvez apareçam coisas legais e coisas ruins com a mesma freqüência, só que como as coisas legais somem rápido e as coisas ruins ficam sobrando, você acaba vendo mais coisas ruins do que legais. Seja como for, sempre que eu vejo uma caixa dessas (e é bem comum), dou uma olhada pra ver se tem algo que vale a pena guardar. Já achei um Goethe, um livro do Darwin (não era A Origem das Espécies, infelizmente, mas um outro), e uma ou outra coisa que trouxe pra casa. Minha aquisição mais recente é esse livro sobre a América do Sul que aparece na foto acima. Saí de casa só para procurar uma caixa para fotografar e colocar aqui. Achei duas caixas, e um livro que valia a pena levar. Ou seja, é bem comum.

E, claro, não são só livros. Coisas de cozinha aparecem de vez em quando, ligeiramente quebradas mas usáveis (Já vi forno microondas, panela de pressão, batedeira…), e até móveis velhos como cadeiras, poltronas. Vi uma vez até uma porta (a maçaneta e as dobradiças sumiram no primeiro dia, mas o resto da porta ficou lá bastante tempo até o dono se tocar que ninguém ia levar e jogar no lixo).

Quando nos mudamos para esse apartamento, deixamos uma caixa que continha alguns livros velhos e toscos, umas coisas de escritório (pastas, fichários), e um cachecol do time de futebol de Dresden, o Dynamo. O cachecol sumiu nos primeiros cinco minutos, os livros e pastas foram desaparecendo ao longo do dia, e no final só sobrou o livro religioso do encontro de jovens da igreja sei lá qual, que acabou tendo que ir pro lixo, mesmo.

O que não é recomendável deixar na rua para levarem são coisas quebráveis (quebráveis mesmo como vidro, ou uma TV.). Não por eventuais acidentes, mas porque por algum motivo misterioso toda e qualquer TV que você deixe na rua terá sua tela chutada e quebrada por alguém nos primeiros 10 minutos. Sei lá, acho que TVs velhas são o escape de raiva do sistema dos transeuntes, ou algo assim. TVs antigas ou outras coisas que pedem para ser quebradas é melhor doar diretamente para alguém através de um anúncio no jornal de estudantes, ou coisa assim.

Aliás, com o jornalzinho de anúncios da faculdade dá para mobiliar a casa inteira por poucos ou nenhum euro. Como aqui a maioria dos universitários mora em república, o tempo todo tem república sendo desmontadas e móveis velhos e baratos sendo oferecidos por 10 euros, uma cerveja, ou nada, para o primeiro que vier buscar correndo e livrar os atuais donos do trambolho antes da mudança. E assim doamos uma TV velha por 2 cervejas, uma mesinha de centro por 25 centavos de liras turcas (coleciono moedas), e compramos um sofá-cama por 45 euros (isso pq já tínhamos desistido de vários outros sofás, gratuitos, pq eram muito velhos e feios. Mas se você não se incomodar com móveis alternativos – e normalmente estudantes montando república não se incomodam –, dá pra arranjar muita coisa de graça!).

Neustadt

Neustadt, o bairro artístico-jovem-alternativo de Dresden.

E assim um pequeno passeio pelo bairro pode ser super lucrativo!


(Publicado em 12 de Fevereiro de 2014)

 

Universidades alemãs: professores

Continuando o tema de universidades alemãs, algumas particularidades no comportamento dos professores daqui são dignas de nota.

A primeira e mais bizarra de todas: 100% das aulas que eu tive na Alemanha até o presente momento começaram com o professor perguntando aos alunos se tem mais gente chegando, ou se ele pode começar a aula. Essa é uma pergunta que me irrita profundamente. Eu entendo que o professor não queira ser interrompido por alunos chegando atrasados. Mas o que ele espera, quando pergunta aos alunos já presentes na sala, se tem outros alunos que estão a caminho? Sabe, eu não telefono para todos os meus colegas de classe de manhã para saber se eles vêm ou não à aula, ou a que horas pretendem chegar! Como é que eu vou saber se tem mais gente a caminho? Os professores devem imaginar que moramos todos na mesma república, ou então que a primeira coisa que fazemos ao acordar de manhã é postar na página do facebook da turma o horário em que pretendemos chegar na universidade, sei lá! Não faz sentido, essa pergunta! Eu tenho uma vontade muito incontrolável de responder “COMO vc espera que a gente saiba onde estão os outros!! Nós já estamos aqui!”. E sabe, no nosso caso, a gente é uma turma de 15 pessoas, dá até pra perguntar se a turma está completa ou não, isso dá pra responder. Só que mesmo na disciplina que dividimos com outro curso, somando umas 40 ou 50 pessoas na sala, os professores fazem a mesma pergunta! Quer dizer, eu não sei nem dizer se tem alguém faltando, eles ainda querem que eu diga se os faltantes estão ou não estão a caminho! Sei lá, olha pela janela e vê se tem mais alguém vindo! De verdade, essa pergunta me tira do sério.

Aliás quanto à pontualidade, os alemães são mesmo bem alemães. Pela minha experiência, os professores ficam com tudo preparadinho, powerpoint no modo apresentação, olhando pro relógio esperando dar a hora oficial de início da aula, para começar a falar. Se isso parece exagero desnecessário, pelo menos é positivo no fim da aula. Eles são conseqüentes: as aulas nunca ultrapassam o horário de término. O professor fica de olho no relógio para ter certeza que vai respeitar o horário da aula. Com freqüência, se der o horário de término e o professor ainda não tiver terminado o que pretendia falar, ele interrompe mesmo, com bom-obrigado-até-logo. E se ocorrer de ele passar do horário, ainda que só dois minutos, não é desrespeitoso se algum aluno avisar que o horário de término já passou. Eles respeitam e ainda pedem mil desculpas. Mas bom, essa é a minha experiência particular. Não sei dizer se vale para qualquer curso em qualquer universidade. No nosso é sempre assim.

Sobre a quantidade de mulheres em cargos de professores universitários, não tenho dados concretos, mas pela minha impressão e experiência, aqui tem bem menos professoras que no Brasil. Pelo menos comparando com a faculdade que eu cursei, Arquitetura da USP, onde a taxa era de 44% de professoras e 56% de professores (contei agora pelos nomes no site da faculdade). Meu namorado, que cursou arquitetura aqui, conseguiu apontar apenas duas professoras na sua faculdade. Na minha, ainda não conheci nenhuma.

Embora a Alemanha esteja bem na frente em termos de igualdade de gêneros, essa diferença é bem gritante. Talvez o motivo seja o fato de que aqui os professores das universidades (que são todas públicas) não são contratados por concurso público, mas indicados para o cargo por outros professores ou pessoas em altos cargos na universidade. Basicamente não dá para você se candidatar, alguém tem que te indicar. Estranho, fato. Mas pelo menos existem algumas políticas que admitem o problema e tentam corrigi-lo: no caso de um homem e uma mulher terem sido apontados para o cargo e terem qualificações semelhantes, a preferência será dada à mulher.

Outra peculiaridade é que os professores, todos, são sempre tratados pelo sobrenome, e sempre tratam os alunos pelo sobrenome. Isso faz parte daquelas coisas que a gente já sabe sobre os países norte-americanos e norte-europeus, mas é mto difícil se acostumar a ser tratada pelo sobrenome! Isso, claro, é característica da relação professor-aluno por aqui. Aqui os alunos têm bem menos contato direto com o professor, a relação é bem distante. Ninguém jamais adicionaria seu professor no facebook (mas bom os alemães quase não usam facebook. Preciso falar disso em outro post.)

Para finalizar, algumas fotos de universidades alemãs:

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O belo edifício da faculdade de biologia da TU Dresden. Droga, devia ter estudado biologia. (Hm, só que aí eu não poderia apreciar o quão belo é esse edifício! Esquece.)

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Auditório da TU Dresden

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Edifício do Instituto de gestão florestal da faculdade de ciências ambientais da TU Dresden no outono.

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Mesmo edifício por dentro, também bem legal. Aliás, todos os edifícios de universidades alemãs que eu visitei até agora são super novinhos e bem cuidados e limpinhos. Not bad, Alemanha, not bad.


(Publicado em 4 de Dezembro de 2013)

 

Toques e conversas

Eu já falei um pouco sobre cumprimentos e comunicação na Alemanha, que estão também ligados ao que a gente ouve falar sobre a cultura européia (norte-européia, mais especificamente), sobre eles serem “frios”.

Essa impressão fica clara também na freqüência com que os alemães se tocam.

Claro, amigos próximos e família se abraçam, por exemplo, quando se encontram, antes de ir embora… mas só! Quer dizer, durante uma conversa ninguém se toca, ninguém coloca a mão no ombro do outro, dá um abraço, sei lá. É até difícil explicar porque falando, assim, parece totalmente normal, ué, você também não abraça pessoas aleatoriamente enquanto conversa durante um jantar, né? Mas depois de um ano convivendo praticamente só com alemães eu conheci várias pessoas de outros lugares do mundo e percebi que sentia falta de contato humano!

Sempre que eu lia sobre o Brasil textos que diziam coisas como “ah, os brasileiros se tocam o tempo todo, tem um contato muito próximo entre as pessoas, não ache estranho se alguém que você mal conhece encostar em você, etcetc” sempre me pareceu meio exagerado, até parece que você sai abraçando desconhecidos na rua, sei lá. E não é nenhum pouco difícil você se adaptar a não encostar nas pessoas jamais, você nem percebe que está agindo diferente porque é normal, pra você também, só encostar em pessoas quando a outra pessoa está de alguma maneira passando algum sinal de ser receptiva.

Então durante o primeiro ano na Alemanha, em que só tive contato com alemães, nem percebi que não encostava nunca em ninguém a não ser para cumprimentar, e também não percebi que da mesma maneira que eu parei de encostar nas pessoas, eu também passei a não esperar que as pessoas encostassem em mim.

Aí de repente conheci várias pessoas de outros países onde como no Brasil o contato também é mais próximo, e primeiro percebi que depois de pouco tempo, pessoas que tinham acabado de se conhecer já estavam se abraçando com freqüência, encostando nos ombros, na cintura, nos braços, como se fossem grandes amigos. Mas comigo não faziam isso! De alguma maneira – não sei como – as pessoas não sentiam que eu estivesse tão receptiva a toques quanto os outros. De alguma maneira eu tinha me acostumado a não encostar nas pessoas e a passar a mensagem que não queria que encostassem em mim.

Assim que eu comecei a iniciar o contato – abraçando as pessoas, por exemplo – essa barreira desmanchou, e eu percebi o quanto eu sentia falta de contato humano! Engraçado!

O estranho é que eu tenho a impressão que até para casais de namorados o contato é bem restrito, pelo menos na frente de outros.

Apesar de conviver com essas diferenças, não acho que descrever os alemães como “frios” seja muito justo. Dá a impressão de que eles não se encostam porque não se gostam, ou porque não querem intimidade, sei lá. Não é o caso. É só mesmo uma diferença cultural, mas não significa que as pessoas em si sejam diferentes.

Esse contato mais próximo que a gente tem no Brasil, ou na América latina inteira, melhor dizendo, também aparece em outras situações.

Se você for uma pessoa introvertida, que não consegue com facilidade se entrosar em grupos sem ajuda, você vai logo perceber convivendo com alemães que eles NÃO SABEM INCLUIR PESSOAS DE FORA.

Fato. Esquece. Não leve pro lado pessoal. É cultural. Os alemães não sabem fazer uma pessoa de fora (seja de fora do país, de fora do grupo de amigos, de fora da família, ou o que for) se sentir incluída. Se você for com um amigo alemão a uma festa, ou a algum evento social qualquer, onde todo mundo já se conhece e ninguém conhece você, nããããão espere que alguém venha falar com você, te perguntar da sua vida, nem nada. Não mesmo. É difícil de entender e parece super antipático. Se você não falar alemão, por exemplo, ninguém vai se incomodar de falar inglês só pq vc está sentado na mesma mesa, ainda que seja um grupo pequeno de umas 3 pessoas. Você tem que ser bem direto e explicar “olha, rola falar inglês que eu não entendo uma palavra do que vocês estão dizendo e acho super chato, isso?”. Se você pedir diretamente, eles provavelmente vão respeitar e falar inglês na sua frente. Mas se você não falar nada, não espere que eles percebam por conta própria que é super antipático excluir alguém da conversa dessa maneira. Sério, eles não percebem mesmo.

Mas mesmo que você fale alemão, se você não iniciar a comunicação por conta própria, ou se entrosar numa conversa em andamento, não espere ser incluído. Sabe aquela coisa de vir alguém curioso saber de você, falando “ei, porque você está aí quieto num canto, vem conversar com a gente! Fala, da onde você é, exatamente? Como é lá? Como é a sua família?”? Não existe. Nunca vi. Juro, raríssimo. É cultural, mas é muito difícil não sentir, numa situação dessas, que é pessoal. Mas não é: Se você for lá falar com as pessoas, elas vão te tratar super bem, ser simpáticas, conversar. Só que você é que tem que ir.

Tenho quase certeza que não é de propósito

Se você for daquelas pessoas comunicativas, extrovertidas, Sr. Simpatia, e tal, você provavelmente não vai ter nenhum problema.

De repente conhecendo pessoas de outros países, principalmente da América Latina, percebi o quanto era difícil fazer amizade com alemães. De novo, eles são legais, são simpáticos, são do bem. Só que a intimidade demora demais para aparecer, você começa a achar que a pessoa não está interessada. Entre a gente na América latina, é super comum você se dar bem com alguém logo de cara, já sentir que se conhece há anos. Aqui na Alemanha amizades demoram um pouco (poucão) mais para se firmar.

Talvez ao invés de “frios” possamos dizer que os alemães são reservados.


(Publicado em 25 de Setembro de 2013)

Horário alemão

Combinar ou descobrir um horário na Alemanha pode ser um desafio para alguém em processo de aprender a língua. Tem várias peculiaridades em como a língua alemã descreve números e horários.

Uma coisa particular que eu notei é que eles nunca usam as horas de 1 a 12 para a tarde. Em várias situações em que eu mencionei o horário de 12 horas, o interlocutor alemão repetiu o horário de 24h para confirmar.
Por exemplo: “a biblioteca fica aberta até às 6 e meia?” “…é, até às 18 e trinta.”
Isso me aconteceu em vários momentos, basicamente todas as vezes em que eu usei as horas de 1 a 12 para me referir a algum horário à tarde ou à noite, a pessoa repetiu o horário com as horas de 1 a 24 para confirmar.

Um grande problema para entender os números é que em alemão eles são meio complicados. Para números com dois algarismos, eles falam primeiro o segundo algarismo, e depois o primeiro. Por exemplo, digamos, 35 em alemão é fünfunddreißig ou cinco (fünf) e (und) trinta (dreißig). (E para confundir mais na escrita eles juntam tudo).

Já o número 135 seria hundertfünfunddreißig. Cem (Hundert) cinco (fünf) e trinta (dreißig). Convenhamos, não é o sistema mais esperto de todos os tempos.

Óbvio que acontece direto, quando, por exemplo, um professor ou professora pede para vc abrir o livro na página 47, de vc abrir na página 74 pq está acostumado a pensar nos números em ordem diferente. Mas, claro, se vc errar o número da página vai demorar uns 10 segundos para perceber o erro e abrir a página certa. Mas se vc entender errado um horário, o problema é maior.

Claro, se a pessoa falasse 14 e vc entendesse 41 não teria problema uma vez que não existe 41h. Mas e se a pessoa falar, digamos, 2:35 bem rápido? Vc pode se confundir e ouvir só o trinta e cinco, fünfunddreißig, e pensar que a pessoa quis dizer 5:30. Cinco e meia, ou cinco e trinta. Fünfunddreißig. Para piorar, com as horas de 24, 2:35 vira vierzehnundfünfunddreißig. E aí? Pelo telefone o que vc vai ouvir no meio desse monte de palavra misturada?

Sim, também em alemão tem maneiras diferentes de falar os horários redondos, tipo :30, :15, :45, ;00… Mas como em português, às vezes ao invés de dizer cinco e meia vc diz cinco e trinta. Acontece.

Mas espere, não é só!

Porque os alemães achavam que ainda estava muito simples explicar horários, e que era melhor complicar um pouco, eles resolveram escolher uma maneira totalmente ilógica de dizer “e meia”. Halb fünf. Parece simples, ué, halb é que nem inglês, half, né? Halb fünf, cinco e meia, né? Óbvio, né?

SÓQUENÃO!

Halb fünf significa QUATRO e meia. Sim, pq faz muito sentido vc dizer “metade cinco” querendo dizer falta uma metade de hora pras 5, em vez de um simples e indubitável QUATRO E MEIA.

E em alguns lugares da Alemanha eles usam a mesma idéia para :45 e :15. Só que de maneira mais ilógica AINDA!  No geral na Alemanha oriental, Viertel zehn (quarto dez) significa 9:15. Algo como “um quarto de hora a caminho do 10”, saca? Totalmente insano. Dreiviertel zehn significaria 9:45. Na Alemanha Ocidental eles são mais específicos e dizem “Viertel nach neun” para 9:15 (um quarto depois de nove) e “Viertel vor zehn” para 9:45 (um quarto antes das 10). Mais compreensível.

Para se referir à hora “em ponto”, na Alemanha ocidental, é comum dizer “Punkt zehn”. Bem 10 em ponto, mesmo. Aqui em Dresden, e em geral na Alemanha oriental, se o horário já é claro e vc só quiser especificar que é em ponto naquele horário, vc pode dizer simplesmente “um”: “Wir treffen uns um“. “Um” é a preposição para horas, então seria como se vc dissesse “A gente se encontra às“. Soa engraçado. Você talvez esteja se perguntando em que situação você já saberia o horário mas não que era em ponto. Um exemplo seria, digamos, você vai ao cinema para assistir um filme que começa às 9:30. Aí vc diz pro seu amigo:  “A gente se encontra às.”  e fica claro que vc quer dizer às 9:00. Ou então você pode dizer nesse caso “Wir treffen uns um zehn nach”. Ficaria claro que vc quis dizer às 9:10. Peculiar.

Com essa história de trocar a ordem dos algarismos nas dezenas, preços também podem confundir, às vezes. Uma vez perguntei o preço de uma coisa qualquer num mercado de Natal e o moço me disse: “neununddreißig”. Talvez por otimismo, entendi que custava 9,30€. Nove euros e trinta centavos. Nove e trinta. Neun und dreißig. É claro que o preço era 39€.

Esse é um erro que os alemães não cometeriam porque se custasse de fato 9 euros e 30 centavos eles diriam “neun Euro dreißig”. O mesmo pode ser usado para especificar um horário: “neun Uhr dreißig”.

Mas as confusões, para quem está aprendendo alemão, são inevitáveis. Melhor sempre repetir para confirmar.

Convenhamos que, para um país conhecido por ter bons engenheiros, a maneira como eles descrevem números e horários não é das mais lógicas já inventadas… diante disso, é até bem impressionante que eles sejam sempre tão pontuais!


(Publicado em 23 de Agosto de 2013)

Comunicação direta

Não seria novidade escrever aqui que os alemães são sempre muito diretos, que respondem honestamente sem rodeios ou atalhos. Mas o que significa isso, na prática? Que eles soam sempre grossos e mal-educados? Que se você perguntar para um amigo alemão o que achou do seu novo corte de cabelo, ele talvez responda que ficou péssimo? Que se eu convidar alguém em casa e a pessoa não estiver a fim, vai responder, simplesmente “Não, obrigada.”? Se eu der um presente de aniversário para um alemão e ele não gostar, vai dizer “nossa, que porcaria, pode ficar que eu não quero isso, não!”?

Essa história da comunicação direta é um pouco difícil de entender, porque não é tão extrema quanto parece, mas te surpreende quando você menos espera. Ou melhor, surpreende os alemães, principalmente.

Por aqui as pessoas também procuram ser educadas e simpáticas, mas mais importante na cultura alemã é se comunicar de maneira clara, sem deixar dúvidas e sem mentir.

Na prática isso significa o seguinte:

1 – Se alguém te oferecer alguma coisa, sinta-se livre para aceitar sem cerimônias. Ninguém oferece só por educação. Se te oferecerem um café, uma água, uma bolacha, coca-cola, cerveja ou salsicha, se quiser aceite, se não basta um “não, obrigado”. É desnecessária aqui aquela dança:

“– quer um pedaço?

– Ah, não obrigado.

– Não, sério, pode pegar, eu não vou agüentar tudo!

– Não, magina, é seu bolo, não precisa!

– Não, mas sério, é muito grande, pega um pedaço!

– Ah, tem certeza?

– Tenho!

– Ah, que bom, eu tava morrendo de vontade!”

O que também significa que se você oferecer algo e a pessoa não aceitar, não precisa insistir. É até ruim insistir, a pessoa vai sentir que você não respeita a vontade dela, e tal. Se ela disser que não quer, acredite.

2 – Se você comentar que alguém deve passar na sua casa qualquer dia desses, o seu amigo alemão vai entender isso como um convite direto. “Você tem que vir lá em casa qualquer dia!” aqui é equivalente a “Vem jantar com a gente no sábado que vem às 20h?” com a diferença que o dia e o horário quem vai escolher é o convidado. Ele provavelmente vai te ligar um dia aleatório “E aí, posso ir amanhã?”.

Duas experiências engraçadas nesse sentido:

Da última vez que fui num evento familiar do meu namorado comentei com a avó dele, que mora em outra cidade, que ela tinha que vir nos visitar para ver nosso apartamento, e tal. Não era desonesto, eu de fato queria que ela visitasse, mas também não era assim um “NOSSA, você TEEEEM que vir visitar a gente, a gente MAL PODE ESPERAR pra receber uma visita sua, VAI SER O MÁÁÁXIMO, QUANDO VC VEM?”. Mas a resposta foi de acordo: “Ah, não, mas magina, não tem como, eu só vou para Dresden durante o Natal, e no Natal vocês não estão em casa, aí não tem como, para mim é muito difícil viajar, e….”.

Ok, tudo bem, vó, vc não PRECISA visitar, vc PODE visitar se quiser. Aqui esses convites casuais são levados bem mais a sério.

Outra situação contam os pais do meu namorado, que em uma viagem ao redor do mundo conheceram um paulistano no Chile. Como por coincidência o próximo destino do casal era São Paulo, o recém-conhecido então, segundo os dois, convidou-os a ficar na casa dele. Assim contam eles. Eu aposto que o moço só falou algo do tipo: “Ah, que legal que vocês vão para São Paulo, podem me visitar, então!”. Mas, claro, problemas interculturais de comunicação resultaram em que quando o casal estava para ir para São Paulo, ligaram para o rapaz perguntando se poderiam, então, ficar na casa dele entre as datas x e y. A resposta, foi, claro, algo como “Ahm? Ah! Er… é que… essa semana… eu estou reformando o apartamento.. esse mês inteiro, na verdade, eu nem estou ficando lá, estou temporariamente na casa do meu irmão, então…”.

Então cuidado se comentar com alguém de outra cidade que ele deve visitar. Ele virá com malas no fim de semana seguinte, se possível.

Mas, claro, o outro lado é que se algum alemão comentar “venha nos visitar uma hora dessas!” você não precisa se sentir constrangido na sua próxima viagem para aquela cidade de perguntar se pode dormir no sofá do seu amigo.

3 – A comunicação entre pessoas que não se conhecem é mais fácil, porque é sim bem direta.

Por exemplo: digamos que você peça um favor para alguém que você não conhece, como um desconto numa loja. Se a pessoa concordar, você não precisa ficar se perguntando “ixi, mas ele/a fez mó cara feia, acho que ele/a não gostou muito…”. Se a pessoa não achar boa idéia, ela vai dizer claramente que não. Alguém que você não conhece não vai fazer algo por você que não deveria fazer só porque não sabe falar não. No Brasil as pessoas não sabem falar não. Um bom exemplo para mim era sempre no ônibus. Tem claramente lá a placa dizendo que não pode ouvir música alta. Não deveria ser responsabilidade do cobrador dar bronca em quem não seguisse a regra? Mas a gente não sabe falar não no Brasil. Aqui fácil fácil a pessoa responsável iria lá tirar satisfações e dar bronca. Inclusive, se você estiver fazendo algo que incomode outras pessoas, espere ouvir bronca de desconhecidos.

4 – Se alguém te perguntar, digamos, se você vai na festa e você responder “ah, acho que vou passar lá mais tarde!”, a pessoa estará esperando que você apareça mais tarde. Eles não entendem indiretas. Se você não quer decepcionar a pessoa (no caso de ser, digamos, o anfitrião, ou um pretendente, sei lá, alguém que de fato queira saber se você vai) mas você não quiser ir, melhor dizer “Ih, não vai dar”. Uma coisa positiva, pelo menos na minha experiência, é que se você fala “não vou poder” ou “preciso ir, até mais”, os alemães não pedem justificativa. E eles também só vão te perguntar “Mas por que você não foi, ontem, na festa?” se você tiver dito que iria.

5 – “Tudo bem?” é uma pergunta levada a sério, por aqui. Mas já escrevi sobre isso no post Oi, tudo bem?

O que essa comunicação direta NÃO significa:

Que um amigo seu vá ser grosso ou te ofender desnecessariamente só porque é híper honesto.

Se você convidar alguém para, sei lá, ir tomar um café ou ir jantar na sua casa, e a pessoa não quiser, ela não responderá simplesmente “não, obrigado”. Ela também vai tentar responder de uma maneira simpática, ou até ir, se achar que não é uma situação que dê para dizer não. Entre amigos, os alemães também sabem que nem sempre é possível dizer não. Mas se ele disser que vem, pode ter certeza que vem. Os alemães jamais dizem uma coisa e fazem outra (bom, claro, jamais é exagero, mas eles procuram manter a palavra).

Se você perguntar para um alemão a opinião dele sobre seu novo corte de cabelo, e ele não tiver gostado, ele também não vai responder de maneira direta que não gostou. Ele não vai se sentir confortável em mentir, mas vai procurar achar uma maneira simpática de responder, ou fugir de ter que responder. Ele provavelmente não vai responder “Ah, adorei!” se não tiver gostado, como talvez a gente fizesse, mas não vai ser mal-educado.

Se você der um presente para um alemão e ele detestar total o presente, ele vai sorrir e agradecer e fim. Como você faria. Mas se por algum motivo o presente for algo que ele realmente não pode usar, independente de ter ou não gostado, ele provavelmente vai te dizer. “Ixi, adorei os chocolates, mas é que eu sou diabético!” ou “putz, obrigada pela garrafa de vinho, mas eu não bebo álcool!”, etc. Isso não vai ser considerado um problema. Mas se ele simplesmente não gostar do presente, vai ser tão educado quanto você seria em não dizer que achou péssimo.

No começo, essas diferenças podem parecer estranhas e difíceis de se acostumar, mas com o tempo você vai percebendo que é, na verdade, muito fácil se comunicar dessa maneira. Acaba sendo mais fácil em várias situações, de saber o que a outra pessoa pensa de fato, e se sentir na liberdade de dizer o que pensa também sem ficar com medo de ofender a pessoa.


(Publicado em 15 de Agosto de 2013)

Camas Alemãs

Pode parecer um tópico estranho para um post, mas certas coisas devem ser ditas sobre camas alemãs. Elas não são como as nossas. A foto a seguir mostra bem algumas diferenças:

A primeira coisa estranha são as opções de tamanho de camas de casal. No Brasil, o tamanho mais comum para um colchão de casal é 1,60m, o dito Queen Size. Esse tamanho é quase inexistente na Alemanha. Os colchões maiores disponíveis (ok, dá para achar maiores, mas não é padrão) são de 1,40m. Tudo bem que embora altos, os alemães costumem ser bem magrelos, mas 1,40m para duas pessoas? Aí que tá, na verdade a cama de 1,40m não é pensada para duas pessoas, mas só para uma pessoa bem espaçosa.

Sim, na Alemanha existem já vários casais não tradicionais que escolhem dormir em camas e até quartos separados, mas lógico que muitos outros ainda preferem dormir de conchinha, ainda mais confortável quando neva lá fora. Na verdade a cama de casal padrão tem 1,80m, só que com dois colchões de 0,90m. Como na foto acima. (O que não facilita dormir de conchinha, a propósito.)

Mas os alemães te explicarão que blábláblá dos movimentos durante o sono, que awawaw você dorme melhor se o seu colchão não está sujeito aos movimentos do parceiro, etcetc. Pf. Sei não, não compro essa história. Mas seja como for, se você ficar com seu namorado/a/esposo/a/amigo colorido ou o que for num hotel alemão, a cama de casal provavelmente terá dois colchões. Pelo menos é grande.

A segunda coisa são os cobertores.

Os cobertores aqui são meio como travesseiros. São “recheados” com pena, como edredons, só que são colocados dentro de lençóis de cobertor, tipo fronhas. São mega confortáveis e como você consegue tirar o lençol que o cobre facilmente, fica fácil de lavar. O cobertor mesmo, vc acaba precisando lavar só muuuito de vez em quando. (se você tiver um cachorro pequeno, talvez com mais freqüência…). Além disso, vc não precisa de vários cobertores/edredons diferentes para variar a aparência da sua cama, é só trocar o lençol, que obviamente dobrado no armário ocupa bem menos espaço que um cobertor inteiro.

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Eles têm, ainda, cobertores de inverno e de verão. Basicamente o que muda é a espessura e quantidade de penas dentro. Tem uns sete níveis de cobertor.

Além disso, seguindo a lógica dos colchões separados, na maioria dos casos as pessoas têm dois cobertores de solteiro, ao invés de um de casal. Isso sim é uma idéia sagaz. Depois de usar cobertores separados, não vejo a menor possibilidade de explicação lógica para um único cobertor para duas pessoas. Muuuuito mais prático cada um ter seu cobertor, e ninguém ficar com frio durante a noite pq o parceiro roubou o cobertor todo pra si.

A maneira como eles arrumam a cama também é diferente. Os alemães não costumam usar lençóis na cama, exceto pelo lençol com elásticos que cobre o colchão, claro. Isso acho estranho. Nos dias quentes, eles dormem sem nada mesmo. Estranho. Mas pelo menos facilita para arrumar a cama. E ao fazer a cama, é normal deixar o cobertor dobrado ao meio, como na primeira foto.

E finalmente, o travesseiro. Travesseiros alemães também são feitos com pena de pato (acho que é de pato. Não é de ganso) e são bem moles e deformáveis. Eles não ficam bonitinhos retangulares. E aliás, nem retangulares eles são. O tamanho padrão de travesseiro aqui é 80x80cm.

Travesseiros

É isso! E aliás, se você vier para a Alemanha e experimentar os deliciosos travesseiros e cobertores alemães no hotel ou albergue, e ficar com vontade de levar uns pra casa, saiba que é perfeitamente possível! Eles vêm enroladinhos e mega-comprimidos, vai caber fácil na mala. Basta dar um pulo no IKEA mais próximo.


(Publicado em 27 de Julho de 2013)