restaurante

Diferenças entre a Alemanha e a América do Norte

O blog anda meio parado, mas é por um bom motivo: passei as últimas três semanas de férias. Aproveitamos o tempo para viajar para os Estados Unidos e Canadá, e fazia já um tempo que eu não viajava para fora da Europa (2 anos e meio desde minha última visita ao Brasil). Essa viagem foi interessante para eu perceber como várias coisas que são diferentes aqui eu já me acostumei tanto que até esqueci que são diferentes em outros lugares. Nesse sentido é interessante também notar o quanto os países do continente americano têm muitas semelhanças entre si. Diferenças também, claro. Mas muitas coisas que eu notei serem diferentes nos EUA daqui são no Brasil assim também.

Então resolvi fazer um post listando as principais diferenças que notamos entre a América do Norte e a Alemanha/Europa.

Restaurantes/Comida
A primeira coisa que notamos – e que nos incomodou muito – foi que nos EUA em fast foods e cafés você sempre seeeempre recebe talheres e pratos e copos descartáveis. Não importa se você especificar que vai comer no local, em qualquer restaurante ou café onde você tem que pedir a comida no balcão vem tudo, sempre, em pratos e copos de papelão ou plástico. Não dá pra acreditar a quantidade desnecessária de lixo gerado. Cada cafézinho num copo descartável, que desespero! Na Alemanha as coisas realmente só vem em copos descartáveis quando você especifica que quer não vai comer no local. Mas isso também é uma diferença que notamos: na América do Norte as pessoas frequentemente tomam café e comem andando na rua, indo de um lugar pro outro. Principalmente em cafés eram poucos os que sentavam para tomar o café no local. Aqui sentar num café pra tomar uma xícara de café com calma e comer um bolinho é um costume bem típico.

Aliás comida foi outra coisa, embora não seja nenhuma surpresa: nossa, como foi difícil achar comida decente nos EUA! Tudo fast food, tudo cheio de açucar, cheio de óleo… eu não sou nenhuma fã de comida alemã, mas pelo menos em qualquer supermercado você encontra várias coisas saudáveis e não se costuma colocar tanto açucar em tudo.

E finalmente, em relação a restaurantes, outra diferença grande é como se dá a caixinha. Na Alemanha você recebe a conta e na hora de pagar diz quanto quer que o garçom cobre, adicionando normalmente algo entre 5 e 10% de caixinha. Normalmente as pessoas arredondam o valor da conta em algo próximo a 10%. Por exemplo, se a conta deu algo entre 22 e 23,5 euros, você falaria para cobrar 25. Se você estiver pagando com cartão ou com diheiro a mais. Se você está pagando com 25 euros, digamos, uma conta de 22, aí vc diz “está certo assim”. Nos EUA a caixinha varia entre 15% e 20%, ou até 25% se o cliente for bem generoso. Mas nunca se dá a caixinha direto pro garçom, você sempre deixa na mesa depois de pagar a conta. No Canadá a caixinha era sempre 15%, e na hora de passar o cartão a maquininha pergunta se você quer deixar uma caixinha e você digita a porcentagem que quer deixar de caixinha.

Pessoas
O que eu mais gostei durante essa viagem foi da simpatia das pessoas. As pessoas na América do Norte (e isso vale 100% pro continente americano inteiro) são muuuuuuuito mais simpáticas e amigáveis que os alemães meudeusnemsecompara. Os alemães (pelo menos – ou principalmente – os saxões) são com bastante frequencia super grossos sem a menor necessidade. As palavras trocadas com desconhecidos são sempre limitadas ao mínimo necessário, e sorrisos parece que custam dinheiro. Nos EUA era tão fácil falar com as pessoas em qualquer situação… No Canadá nem tanto porque estávamos na parte francesa e alguns realmente não queriam falar inglês. Mas fora esses, os outros eram bem simpáticos também.

Outra coisa é que nesses dois países a sociedade é tão diversa e misturada (mais que no Brasil) que ninguém se sente peixe fora d’água. Você pode ter qualquer cara e se encaixar bem por  lá (numa cidade grande, claro, não numa vilazinha no meio do nada onde todo mundo vota Trump, né). Aqui se você é um pouquinho diferente em aparência, todo mundo te olha o tempo todo. É bizarro. Eu tenho a sorte de passar um tanto despercebida por aqui em termos de aparência, mas vejo isso com clareza quando estou com amigos mais obviamente estrangeiros que eu. Não quero nem imaginar como uma pessoa negra ou árabe se sente o tempo todo aqui. Um amigo meu brasileiro que parece um pouco árabe nos poucos dias que passou aqui me visitando para o meu casamento relatou todo tipo de olhar feio e falta de educação que ele passou. No tram as pessoas evitando sentar perto dele, ignorando totalmente quando ele tentava parar alguém pra pedir informações de como chegar em algum lugar… se foi assim em poucos dias, imagina morar aqui…

Aliás, uma coisa que notei é que nos EUA e Canadá as pessoas SEMPRE perguntam de onde você é. Sempre mesmo, as pessoas têm essa curiosidade, e eu acho que é na maior parte das vezes só curiosidade mesmo, não uma necessidade de categorização. Aqui um desconhecido nuuuuunca te perguntaria de onde você é, nunca mesmo. E as pessoas conhecidas esperam um tanto pra perguntar. Eu acho que as pessoas acham que é um pouco mal-educado perguntar, talvez pq pareça que elas queiram te julgar de acordo, se perguntarem? Não sei, mas o fato é que não se pergunta nunca.

Carro
Uma diferença gritante é em relação ao uso de carro. Aqui na Alemanha as pessoas adoram carro, claro, no país da VW, Porsche, Audi, Mercedes, BMW e tantas outras marcas de carro não tinha como ser diferente. Mas nossa, nem se compara às américas. Nos EUA e Canadá – e no Brasil também é assim – as cidades são feitas pra carros. É comum morar em subúrbios onde se faz tudo de carro, todo mundo tem carro e todo mundo usa carro diariamente. Aqui é comum deixar o carro em casa em várias situações, muita gente vai pro trabalho de bicicleta ou transporte público e o mais comum é ter só um carro por família, e não um pra cada membro maior de 18 anos. E a gasolina nos EUA é absuuuurdamente barata, chegamos a pagar uns 2,80$ por galão, que são 3,7L. Ou seja, 0,75$ por litro. Na Alemanha custa por volta de 1,30€ (1,57$) por L, o dobro do preço!

Pagamentos
E finalmente, um ponto bem diferente é como as pessoas pagam por coisas. Aqui na Alemanha é comum pagar as coisas do dia a dia (comida, restaurante, supermercado, coisas do dia-a-dia) com dinheiro. Vários lugares nem aceitam cartão de crédito, só o cartão de débito europeu. Alguns não aceitam cartão nenhum. Então tem que sempre ter dinheiro na carteira. Nos EUA, Canadá, e no Brasil também, qualquer lugar aceita cartão. Não sei exatamente como é no Brasil atualmente, mas nos EUA você pode pagar qualquer quantia com cartão de crédito, até uma garrafinha de água. E quase todo mundo paga tudo sempre com cartão. Bem mais prático, mas perigoso de gastar muito dinheiro sem perceber. Já escrevi um post falando sobre esse costume alemão e suas origens aqui.

É isso! Bom, não, tem várias outras diferenças, claro, mas isso foi o que a gente notou com mais clareza e imediatamente.

Shoppings na Alemanha

No Brasil, passear no shopping é um hobby comum, principalmente em cidades grandes. Especialmente entre adolescentes, o shopping é um ponto de encontro onde se pode passar várias horas passeando olhando as vitrines, indo ao cinema, comendo no McDonald’s, tomando um sorvete, etc.

Aqui o shopping é um lugar para fazer compras, onde se vai com esse específico intuito. A parte talvez mais curiosa que eu notei logo de início, é que nem todos os shoppings têm uma praça de alimentação. Dos shoppings que eu conheço, o único que tem algo assim é uma praça beeem pequena, nada a se comparar com um andar inteiro de praça de alimentação que é o comum nos shoppings brasileiros. A questão é que aqui as pessoas não vão no shopping para comer. Elas vão num shopping comprar alguma coisa e de repente, talvez, aproveitem para comer algo. Mas o restaurante no shopping não é o destino final. O principal shopping aqui de Dresden, a Altmarkt Galerie, só tem alguns restaurantes aqui e ali espalhados pelo shopping. o McDonald’s de dentro do shopping nem tem lugar pra sentar nem dentro nem em volta!

Ontem mesmo, sábado à noite, fomos a esse shopping comprar tinta pra impressora e aproveitamos para almoçar/jantar num restaurante muitíssimo parecido com o América que tem nos shoppings brasileiros. Um restaurante relativamente grande, de comida típica americana (vulgo hamburger, mas aqueles mais “especiais” (pra não dizer gourmet)), com uma decoração meio anos 50, e tal. Sábado às 18h, 19h, e o restaurante tava praticamente vazio!

2016-02-27 19.10.09

Mesmo o shopping estava bem vazio se for usar os shoppings no Brasil de comparação.

Outra coisa bem diferente é que os shoppings por aqui raramente têm cinema. Digo raramente porque eu não conheço todos pra dizer que nenhum tem, mas a verdade é que eu ainda não visitei um que tenha.

Sem cinema e praça de alimentação, só sobra compras, mesmo… que você tem que fazer no sábado, porque de domingo fecha. Todos os shoppings fecham aos domingos, e isso não é uma coincidência – é lei, mesmo. Por lei, as únicas lojas que podem abrir aos domingos são aquelas localizadas em estações de trem ou aeroportos, e que vendam coisas essenciais para quem está viajando (mas esse detalhe é ignorado e nas estações de domingo normalmente todas as lojinhas abrem). Mas shoppings, supermercados, lojas no geral são realmente proibidos de abrir no domingo (restaurante pode! Ufa!).

Também diferente é o uso do banheiro em shoppings, que nunca é gratuito como no Brasil. Por aqui, normalmente você tem que pagar 50 centavos para usar o banheiro, mas na maior parte dos casos vc recebe em troca um vale 50 centavos que vc pode usar nas lojas do shopping.

Outra coisa que vc não vai achar é um caixa eletrônico do seu banco… aqui no máximo vai ter um caixa eletrônico geral, daqueles que serve pra todos os bancos mas vc tem que pagar uma taxa extra pra tirar dinheiro lá… não vai rolar um cantinho com um caixa de cada banco como no Brasil.

E, para finalizar a série de esquisitices, os shoppings fecham SUPER cedo. O mais tarde é às 21h, mas tem shopping que às 20h já tá fechado.

IMG_4609

Bom, pelo menos tem escada rolante!


(Publicado em 28 de Fevereiro de 2016)