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Comprando (e doando) roupas na Alemanha

No fim de semana passado fomos comprar algumas roupas novas, e eu prestei atenção em várias coisas que são diferentes do Brasil no tópico comprar roupas, e achei que dá um post.

Talvez a primeira coisa a se discutir é onde comprar roupas na Alemanha. Não que tenha muita diferença. A opção mais em conta são as grandes lojas como C&A, H&M e Primark. Primark é de longe a mais barata, os preços são tão absurdamente baixos que vc fica se perguntando como eles fizeram pra produzir aquilo e vender por aquele preço e ainda obter lucro. Suspeito que a resposta não é nada boa. Por isso por aqui a maioria das pessoas que pode evita comprar nessas lojas – não é nenhum segredo que as roupas são produzidas em países onde os empregados são extremamente mal-pagos e vivem em condições de semi-escravidão. Mas também é verdade que não é todo mundo que pode pagar roupas em lojas fair-trade mega ecologicamente e socialmente corretas e insanamente caras, então também não julgo quem acaba se rendendo às lojonas mega baratas… Primark nesse sentido é a mais barata (sério, tem que procurar muito lá pra achar alguma peça de roupa por mais de 10 euros) e a “pior” no sentido de salários, origem das roupas, direitos trabalhistas, etc. Um pouco melhores são a C&A e a H&M, também ainda bem baratas mas não tanto quanto a Primark. A próxima opção em termos de preço seriam lojas grandes de outlet como a TK Max. Depois, as redes grandes mas não tão em conta que vc encontra em qualquer shopping tipo, sei lá, M Office, Sinn Leffers, e várias outras que existem no mundo todo.

Aliás shoppings mesmo não são suuuper comuns. Lógico que tem alguns, mas não é um a cada esquina. Aqui em Dresden, por exemplo, só tem 3. Mas em todas as cidades têm sempre umas enormes ruas comerciais, só para pedestres, com todas as lojas que também têm em shoppings como lojas de rua.

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Prager Straße, a principal rua comercial de Dresden.

E uma opção que os alemães gostam muito são as lojas de rua mais alternativas. Tem muitas, e também está aumentando muito o número de lojas que atraem os alemães mais social ou ecologicamente corretos, lojas fair-trade, ou, sei lá, tem até loja de roupas veganas. Mas, lógico, essas são todas super caras… Mas tem algumas dessas lojas de rua de marcas alternativas que não são super caras e têm roupas bem bonitas e diferentes… essas são as lojas que eu mais gosto.

E pros alemães mais alternativos mas vivendo de bolsa de estudo, brechós são uma opção bem atrativa.

Mas em lojas de roupas uma coisa que é bem diferente aqui são os trocadores. Os trocadores em si não são diferente, mas a atitude dos alemães em relação a trocadores: não tem nenhuma frescura em termos de separar trocadores femininos e masculinos. Na grande esmagadora maioria das lojas eles são unisex. Se a loja for maior e tiver seções masculina e feminina grandes o suficiente, certamente haverá um provador numa seção e outro na outra. Mas ninguém vai achar estranho se vc for provar as suas roupas no provador da outra seção, até porque é super comum por exemplo você moça ficar sentada nas cadeiras/sofás exatamente na frente dos provadores masculinos enquanto seu marido/namorado experimenta as roupas e te mostra, ou ao contrário.

E também ninguém presta atenção na quantidade de roupas que vc leva pro provador. As únicas lojas que eu já vi em que rola um sistema de cartões com o número de roupas que você está levando pro provador – que nem é comum em qualquer loja grande no Brasil – foram na Primark e na TK Max. Mas mesmo em outras lojas grandes como a C&A e H&M não é assim, ninguém presta atenção se você está saindo do provador com o mesmo número de roupas em cabides que quando entrou.

E outra coisa que está começando a mudar aqui é que quando as lojas (principalmente as maiores) estão começando a cobrar por sacolas. Em supermercados já é super raro as pessoas não levarem sua própria sacola, e isso é uma diferença bem gigante em comparação ao Brasil: no Brasil as pessoas tem uma necessidade por saquinho que MEUDEUS. Vc vai numa farmácia comprar um ESMALTE e te dão um saquinho. Qualquer coisa tem que ter um saquinho que AIDEMIMTERQUELEVARESSACOISAQUEEUACABEIDECOMPRARASSIMNAMÃOEXPOSTASPARATODOS OUENTÃOCOLOCARNAMINHABOLSA/MOCHILA/BOLSO/SACOLAPRÓPRIA! Aqui é bem normal, por exemplo, vc ir no supermercado comprar uma ou outra coisa e levar pra casa na mão mesmo, sem nenhuma sacola. Sacolas em supermercados costumam ser pagas, mas em outras lojas que dão sacolas gratuitas pras suas compras (tipo, sei lá, uma livraria por exemplo) seeeeempre te perguntam se você precisa de sacola no caixa antes de já ir te dando uma sacola. Bem frequentemente as pessoas não precisam e não pedem. E agora nas lojas de roupas maiores estão começando a cobrar por sacolas, também.

Ok, abordamos tudo o que se refere a comprar roupas. Mas e para desfazer-se delas? O que os alemães fazem com roupas velhas que não querem mais?

As duas opção mais comuns são ou deixar as roupas numa caixa na frente do portão de casa, ou colocar em contâiners de doação de roupas que tem espalhados pela cidade.

Deixar coisas que você não quer mais mas podem ainda ser úteis pra alguém numa caixa na frente de casa é bem comum por aqui – pelo menos aqui no bairro onde eu moro, onde tem muitos jovens. Eu escrevi um post só sobre esse assunto aqui. Mais comum é doar livros ou coisas de cozinha (pratos, etc) nessas caixas, mas volta e meia eu vejo umas com roupas também. Não sei se funciona muito bem, eu particularmente acho meio nojento, sei lá (embora não veja problema em comprar roupa em brechó). Mas pode ser frescura minha, os alemães são bem desligados com essas coisas.

A outra opção, os containers de doação de roupas, você encontra por todo lado na cidade, normalmente próximos aos outros contâiners de lixo (vidro e papel). São containers normalmente do exército da salvação, cruz vermelha ou outras organizações similares. O que acontece com as roupas depende do container. Não são todos de ONGs, tem também containers de redes de brechós, por exemplo, e nesse caso as roupas doadas são apenas revendidas em brechós! Bem estranho, isso, mas não é muito fácil de controlar: algumas roupas doadas em containers são até roubadas por pessoas que então revendem. E nem todos os containers que tem por aí são legais, alguns estão lá ilegalmente.

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Stefan Flöper / Wikipedia

Para se certificar que as suas roupas velhas serão doadas a quem de fato precisa, e não revendidas para o lucro de quem as coletou de graça, o mais recomendado é entregar as roupas diretamente em centros de coleta de organizações em que você confie – por exemplo você pode doá-las em campos de refugiados, ou para a cruz vermelha diretamente. Doar nos containers é pouco recomendado porque você realmente não sabe o que vai acontecer com a roupa – se ela vai ser revendida pelo próprio dono do container ou roubada dos containers para ser revendida. As que são revendidas acabam, quando em boa qualidade, sendo revendidas em países da europa oriental ou, quando em má qualidade, em países africanos. Certamente não era a sua intenção ao doar suas roupas velhas…

Mesmo as organizações que de fato doam as roupas para pessoas que precisam têm que vender uma parte para pagar o processo de organização e seleção das doações. Felizmente na verdade não há falta de roupas doadas: as organizações que trabalham com pessoas necessitadas (tipo a cruz vermelha) têm muito mais doações (de roupas) que a demanda. Isso eu posso confirmar: no ano passado trabalhei um tempinho de voluntária num campo de refugiados ajudando a organizar as roupas doadas, e tinha realmente muuuuuuuuuuuuita, mas muuuuuuuuuita roupa lá, muito mais do que todas as pessoas do campo conseguiriam usar. Ainda bem! =) Então mesmo essas organizações às vezes revendem as roupas para levantar dinheiro para as outras necessidades. Em 2013, por exemplo, a Cruz Vermelha juntou 3.5 milhões de euros com roupas doadas, que são então revertidos para outros projetos da organização. Acho que o ideal é doar direto na Cruz vermelha ou doar em containers específicos da Cruz Vermelha (ou alguma outra organização que você confie). E, claro, não comprar roupas que você só vai usar uma vez e depois jogar fora… =)


(Publicado em 24 de Abril de 2016)

As quatro estações 2: Verão

O que a gente ouve falar sobre o clima alemão é quase sempre relacionado ao inverno e ao frio. De maneira que muitas pessoas se surpreendem quando eu digo que aqui, no verão, faz fácil mais calor que no Brasil. (Ou melhor, que em São Paulo. Certamente em outras partes do Brasil faz ainda mais calor)

Aqui em Dresden, por exemplo, o verão costuma apresentar máximas de 37˚C e 38˚C em alguns dias de Julho e Agosto. A maior temperatura já registrada na Alemanha foi 40,3˚C, em Agosto de 2003 na Saarland. Mas semana passada mesmo a mesma temperatura foi registrada novamente em alguma cidade por aqui. Em Berlim, a maior temperatura já registrada foi de 38,6˚C em Julho de 2007. A boa notícia (caso você não goste de calor extremo, claro, caso contrário é má notícia) é que esses dias não são a maioria. Eu diria que faz calorzão assim umas duas semanas. Mas calor de 30˚C também não é raro entre Junho e Setembro. A diferença desse para o nosso verão (caso na sua cidade as temperaturas máximas sejam parecidas) é que mesmo nos dias bem quentes a temperatura costuma cair bastante a noite, dando uma ótima refrescada. De maneira que eu nunca precisei de um ventilador para conseguir dormir num dia de verão, basta deixar a janela aberta. (O que aliás é totalmente normal por aqui – dormir de janela aberta – e meio que impensável para muitos brasileiros não sei bem porquê.)

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Temperatura às 15h do dia 5 de Julho de 2015 em Dresden.

E também tem bastante variação. Se em alguns dias faz 38˚C, poucos dias depois já tá fazendo 20˚C. (como no exemplo acima).

Resumindo: faz um calor infernal, mas não continuamente, então dá pra resistir sem ar condicionado e até sem ventilador.

Os alemães adoram o verão. Eles aproveitam muito. Embora tenha praias na Alemanha, elas são no norte do país, as temperaturas por lá são mais baixas e o mar é bem gelado. Então a maioria dos alemães, quando querem pegar uma praia, vão para os países vizinhos, especialmente para a Espanha. A ilha de Mallorca, no sul da Espanha, é um destino tão comum para alemães nos meses de verão que por aqui até se brinca que Mallorca é um estado da Alemanha.

Mas praia não é a única maneira de aproveitar o verão. Por aqui tem muitos lagos, e é muito comum ir nadar em lagos como se fosse praia. No ano passado eu escrevi um post inteiro sobre a experiência de nadar em lagos. Durante o verão, eles ficam realmente muito cheios!

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Além dos lagos, as várias piscinas também são uma boa alternativa para refrescar o clima. (mas no caso as piscinas, que são quase sempre cobertas, são muito usadas também nos meses de inverno)

Os parques e quaisquer pedaços de gramado ao sol ficam lotados nos finais de tarde e nos fins de semana, com pessoas fazendo churrascos, picnics, jogando jogos ao ar livre ou apenas bebendo uma cerveja.

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E aliás, quanto aos roupas, os alemães não têm frescura nenhuma. Durante o verão as mulheres saem tranquilamente com shorts e saias super curtos, vestidos mega leves, com tudo à mostra, e, o melhor: ninguém enche o saco de ninguém. Você pode andar à vontade pela rua vestida de acordo com a temperatura sem ouvir cantada indesejada, sem ninguém te olhar duas vezes ou te julgar por isso. Rapazes também andam de boas sem camisa às vezes, e tem gente que anda até descalço. Os alemães são bem tranquilos em relação a corpo, nudez, etc, ninguém aqui acha que roupa define valor. (e aliás, nos lagos, é bem comum fazer nudismo, beeeem beeem comum.)

Outra maneira de aproveitar o verão: sorvetes. Os alemães não são conhecidos por seus sorvetes, mas por aqui você encontra sorveterias ou cafés e docerias com sorvetes super produzidos!

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Meio caros, é verdade, mas absolutamente necessários, convenhamos.

Verão também é época de fruta. Muitas frutinhas típicas daqui dão principalmente no verão, como groselha, morangos, framboesas e outras frutas vermelhas.

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Groselha, uma frutinha típica daqui que dá no verão.

O problema daqui no verão são as bebidas. Os alemães ainda não sacaram o conceito de “bebida gelada”. Tem bebidas frias. Mas geladas, geladas mesmo, daquelas que você mal consegue segurar a lata porque dói a mão de tão gelada? Esquece. Mas, para beber uma cervejinha, você pode ir a algum dos vários Biergartens, jardins com mesinhas onde as pessoas ficam bebendo cerveja e comendo um salsichão.

Aliás, comer “dentro” é uma coisa quase impensável para alemães em dias quentes. Qualquer restaurantezinho mixuruca terá mesas no lado de fora, na calçada, onde for, e os alemães fazem a maior questão de sentar fora, mesmo que esteja 38˚C, solão, e no lado de dentro esteja bem fresquinho e confortável… (Aliás, eles acham que 15˚C já é quente o suficiente pra sentar fora)

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Ah, claro, e no verão todo mundo faz tudo de bike. Eis a entrada da biblioteca da universidade de Dresden hoje mesmo:

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Acho que é isso! Em Maio eu escrevi também um post sobre a primavera, e a intenção é escrever também sobre o outono e no inverno nos próximos meses!


(Publicado em 7 de Julho de 2015)

Sobre casacos de inverno

Recentemente escrevi dois posts sobre apetrechos de inverno – roupas e acessórios. Mas me parece que faltou falar algumas coisas sobre como usar casacos de inverno que talvez convenha mencionar.

Uma coisa muito interessante que eu aprendi na Alemanha é como guardar seu gorro, luvas e cachecóis ao pendurar o seu casaco em algum lugar. Os alemães guardam seus acessórios nas mangas dos casacões. Como esses casacos são bem fofões, você coloca o cachecol, luvas e gorro nas mangas e eles não caem. É muito prático quando você precisa deixar seu casaco num guarda-roupas digamos em um museu ou teatro. Lá você deixa seu casaco com algum funcionário que o pendurará em um cabide, e portanto guardar os acessórios nas mangas é bem conveniente.

Ok, tentei tirar uma foto de um cachecol dentro de um casaco, mas ficou meio esquisito. Enfim, deu pra sacar, né?

Ok, tentei tirar uma foto de um cachecol dentro de um casaco, mas ficou meio esquisito. Enfim, deu pra sacar, né?

Aliás uma outra coisa sobre casacos de inverno, é que em toooodos os lugares tem cabides, mancebos, guarda-roupas ou guarda-volumes para você deixar o seu casaco.

Em restaurantes, normalmente perto da porta tem alguns cabides ou mancebos onde você pode deixar tranquilamente o seu casaco. Mas também é comum colocar o casaco na cadeira. Todas as salas de aula ou auditórios tem também cabides ao lado da porta. Em teatros, óperas, concertos, tem sempre um guarda-roupas (com funcionários) para deixar o casaco. Em museus, é normal ter tanto guarda-roupa quanto guarda-volume (armarinhos) para deixar casacos e bolsas. Nas casas alemãs, as portas de entrada abrem sempre para um hall onde tem cabides ou armários para casacos, sapatos e acessórios de inverno. Ainda estou por encontrar uma casa alemã cuja porta de entrada abra direto pra sala, acho que realmente não tem porque de fato por aqui seria bem inconveniente.

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E sendo assim, é quase obrigatório deixar seu casaco na entrada, mesmo que não esteja tão frio e você só esteja usando uma jaqueta fininha. Mas o fato é que casacos e jaquetas ninguém usa dentro de casa por aqui. O único lugar interno em que as pessoas não tiram o casaco são lojas e shoppings. Nesses lugares realmente não tem onde deixar o casaco, porque seria uma enorme confusão, claro. Em qualquer outro lugar fechado todo mundo sempre tira o casaco ao chegar, e os alemães vão achar muuuuuuuuuuito muuuuuuito esquisito se você continuar usando o seu. E vão comentar, meio rindo, meio achando ridículo “você não vai tirar seu casaco?”. Você será uma pessoa um tanto exótica por aqui se esquecer de tirar seu casaco na entrada.

E outra prática que pode imediatamente logo de cara e bem de longe te identificar como estrangeiro de país onde não faz frio é andar pela rua com o casaco aberto. Claro, se nem tiver frio e você estiver só com uma jaquetinha fininha tudo bem. Mas no inverno, ou quando estiver frio, se você andar com o casaco aberto todo mundo vai achar beeeem estranho. E pode ter certeza que você jamais verá um alemão andando no frio sem fechar o zíper do casaco. E faz todo sentido – uma das características mais importantes dos casacos de inverno é que eles são resistentes ao vento. Quer dizer que mesmo que estiver o maior vento, não entra ar frio dentro do seu casaco. E lógico que isso não funciona se você não fechar o zíper!

Acho que isso é tudo o que havia a ser dito sobre casacos de inverno. No mais, depois que você se acostuma com esses detalhes, fica muito fácil reconhecer turistas no inverno pela maneira com que eles se vestem! Mas, morando aqui, logo você aprende as manhas de Alemanha! (cofcofcofonomedesseblogémuitosagazeuseicofcofcof)


(Publicado em 27 de Dezembro de 2014)

Apetrechos de inverno 2: acessórios

Essa é a segunda parte do post sobre vestimentas de inverno. A primeira parte discute roupas de inverno (casacos, calças, botas) e pode ser lida aqui.

Agora falando um pouco sobre os acessórios de inverno:

  • Luvas

Tem vários tipos diferentes de luvas, vou abordar uma por uma:

Luvas simples de lã – Basicamente o único tipo que eu vejo à venda no Brasil são as luvas simples, de uma só camada de tecido, bem finas. Essas, aqui, não sevem para quase nada. Eu as considero como luvas de outono. Pra quando tá um outubro meio friozinho. No inverno mesmo, elas ficam esquecidas no fundo do armário.

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Luvas de couro – Bem comuns por aqui são as luvas de couro, especialmente por serem mais elegantes e bonitonas. E são mais quentes que as luvas simples de lã também, já que não têm furinhos. Mas mesmo essas não ajudam muito no invernão, na minha opinião. Mas muitas pessoas por aqui usam só essas de couro, embora não sejam tão quentes quanto outras, porque as outras são também muito grossas e um tanto desconfortáveis se você quiser usar a mão pra qualquer coisa. Mas com -10˚C para baixo, com as de couro seus dedos vão congelar.

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Luvas de lã com duas camadas – Essas eu diria que são a melhor opção para o dia a dia nos meses mais frios de inverno. A camada de fora, de lã, é similar às luvas simples, mas essas têm também uma camada diferente por dentro, de algodão. Dá uma boa diferença para enfrentar o frio, mas, claro, elas são tão grossonas que fica difícil fazer qualquer coisa com a mão sem tirar a luva.

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Luvas com dedos juntos – Eu tenho uma dessas que é de lã com duas camadas, só que com os dedos juntos. Assim:

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Acho uma delícia, o melhor par de luvas que já tive. Claro que não ter os dedos separados dificulta ainda mais usar a mão pra qualquer coisa sem tirar a luva. Mas sinceramente eu achei que fosse ser um problema maior do que é. No final acabou que essas são as luvas mais gostosas e confortáveis ever. Recomendo.

Luvas com dedos juntos que “abre” – Essa daqui é uma versão avançada da luva com dedos juntos. A parte dos dedos abre revelando ou uma luvinha mais fina com dedos ou uma luvinha sem dedos, para vc poder manusear alguma coisa sem tirar a luva.

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Luvas sem dedos – obviamente não servem para sair na rua nos dias realmente frios. Mas no outono ou no comecinho do inverno, são bem práticas para esquentar a mão E usar os dedos ao mesmo tempo. E o melhor mesmo é usá-las quando está frio em algum lugar fechado. Usar o computador quando está friozinho dentro de casa, por exemplo. Claro que aqui vc esquenta o interior das casas, mas em casa, por exemplo, a gente costuma evitar o máximo possível ligar o aquecimento pra economizar, já que a conta sai cara. E em alguns ambientes maiores – salas de aula grandes, ou se você for numa igreja – é difícil aquecer bem o ambiente todo, então na dúvida ter uma luvinha dessas à mão vem a calhar!

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Luvas de esportes de inverno – A opção mais quente mesmo de luvas são as que você usaria para praticar esportes de inverno, como esqui. Elas são totalmente impermeáveis, então dá pra usar tranquilo na neve sem congelar os dedos depois de alguns minutos. São ideais também para brincar na neve – montar um boneco de neve, escorregar de trenó, etc. Crianças sempre têm um par desses em casa para essas situações.

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  • Gorros

Gorros também podem ser encontrados em diversas variedades.

Simples de lã – como as luvas, uma única camada de lã. Esses também no inverno ficam guardados na gaveta. Mas são úteis para quando está por volta de 5˚C ou 10˚C, quando os gorros mais quentes incomodam.

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Grossos com camada extra interna principalmente na parte das orelhas – Esses aqui são ideais para o dia a dia do inverno. A camada extra (às vezes é o gorro inteiro que tem uma camada interna extra, as vezes é só uma faixa na borda, para cobrir a orelha melhor) é necessário pra não congelar a orelha. Na verdade, o essencial do gorro é esquentar as orelhas, mesmo.

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Grossos e mais compridos na parte da orelha – são gorros com um formato de chapéu do Chaves, por exemplo. Tem uns que são bem gostosinhos, mas atenção. Eles parecem ser bem melhores para cobrir a orelha, mas, a não ser que tenha algo que puxe a parte das orelhas por baixo do queixo (veja exemplos), eles nem servem tão bem assim para esquentar a orelha, porque o vento entra por baixo.

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Esse aqui, embora bem gostosinho por dentro, não fecha a parte das orelhas, entra um vento gelado por baixo.

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Esse fecha por baixo do queixo, então não entra, o vento. Mas é meio feioso, só pra quando está bem frio mesmo.

 

Faixa – Uma versão simples de um gorro são as faixas. Como os gorros, elas podem ser com uma ou duas camadas (duas é sempre mais quentinho), e cobrem o essencial: as orelhas. Uma boa alternativa pra quem não gosta de gorros

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“Fones de ouvido” – para quem não é fã de gorro mas ainda sente frio na orelha, tem também a opção “fone de ouvido”, que é basicamente uma tiara que esquenta a orelha. Tem vários tipos diferentes, também.

  • Cachecóis

Cachecol não tem muito segredo, não. Qualquer cachecol já ajuda. Mas no invernão mesmo, o ideal é ter um cachecol bem comprido e bem largo. Que é pra dar pra enrolar umas três vezes em volta do pescoço, queixo, nariz, tudo. Se for grosso, de lã, mas sem buracos grandes por onde possa entrar o vento, melhor.

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  • Meias

Finalmente, tem também meias. Meias não precisam de nada de especial se você tiver uma boa bota de inverno. Mas é legal também ter uns pares de meias de lã, bem gostosinhas. Para saber sobre meias-calças, veja o primeiro post sobre apetrechos de inverno!

Acho que falei sobre tudo o que sei para resistir aos invernos alemães. Uma dica ainda para esquentar as mãos são os esquentadores de mão! De resto, boa sorte com a neve!


(Publicado em 7 de Dezembro de 2014)

 

Apetrechos de inverno 1: roupas

Esse post já estou planejando desde o inverno passado, mas como no inverno passado quase não nevou e fez pouco frio, acabei não me animando pra escrever. Mas agora vai. Vou separar em duas partes já que é bastante coisa pra abordar. A primeira parte é sobre roupas de inverno. A segunda é sobre acessórios de inverno.

Uma coisa que brasileiros ou outros estrangeiros de países menos frios sempre se perguntam ao chegar por aqui é: do que eu preciso para sobreviver ao inverno?

Os acessórios e roupas de inverno por aqui são variados, numerosos, e bem bem diferentes do que no Brasil. Então a primeira dica (e isso você provavelmente já sabia antes) é: deixe para comprar vestimenta de inverno quando chegar, não traga do Brasil. Qualquer coisa que você pode trazer do Brasil, por mais quentinho que te pareça, provavelmente você vai usar só no outono, daqui, ou no comecinho do inverno. Quando chegarem os -10˚C, -20˚C, esquece.

Aos detalhes:

  • Casaco

Começando com o mais importante. Sempre que eu conheço alguém que acabou de chegar na Alemanha, a primeira pergunta que a pessoa me faz é “onde que eu compro um casaco de inverno?”.

O importante dessa pergunta não é tanto onde, mas quando. Se você for procurar um casaco de inverno em Julho, não vai achar nada. Já em Dezembro, toda e qualquer loja de roupas vai ter uma seção inteira dedicada aos mais diversos casacos de inverno.

As opções mais baratas para casacos de inverno ficam na faixa dos 80 a 100 euros. Isso é um preço bem normal para um casaco em lojas maiores como C&A e H&M. A qualidade não é assim ‘nooossa, que beleza de casaco’, mas ele vai resistir. Só que talvez depois de uns dois anos o zíper quebre, ou alguma coisinha descosture, um botão quebre, coisas assim. Mas também, sei lá se casacos mais caros também não vão ter esses problemas – afinal é uma peça de roupa que você usa realmente todos os dias por uns 3 meses…

Mas o que é importante de prestar atenção ao comprar um casaco para o inverno?

O essencial é que ele seja totalmente impermeável: à prova de água e à prova de vento. Não sei se dá pra ser à prova d’água e não ser à prova de vento, mas costuma dizer na etiqueta se é à prova dos dois. À prova de vento pode parecer estranho, mas juro, roupas podem realmente ser à prova de vento. Quer dizer que, fechadinha, pode estar um ventão gelado que vc mesmo assim não sente frio debaixo do casaco.

Grande parte dos casacos de inverno são revestidos com pena de ganso, e esses costumam ser os mais quentes. Mas no geral, o importante mesmo é resistir à água e ao vento, se você ficar seco e não sentir o vento debaixo do casaco já faz toda a diferença.

Outra coisa a ser considerada é a presença ou não de capuz. Com capuz é melhor para quando chove, e mesmo para quando está ventando muito. Mas eu comprei um recentemente sem capuz e também não é a coisa mais essencial de todas, às vezes vale mais a pena escolher um modelo que você goste sem capuz do que um que você não goste com capuz (e achar casaco de inverno bonito é um grande desafio). Mesmo sem capuz, praticamente qualquer casaco decente de inverno fecha pelo menos até o queixo. Assim:

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(bom, ok, no caso fecha até o nariz)

Quando tá bem frio, ventando, nevando, tudo, não vai ser mal ter um que deixe basicamente só seu olho de fora:

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E finalmente, você deve considerar também se prefere um comprido ou curto. Comprido é bom porque cobre as coxas, que nossa, como ficam geladas. Mas eu uso um curto mesmo, e tudo bem, não acho que seja o fator mais essencial do casaco.

(e os mais compridos eu acho bem mais feios… mas enfim).

  • Botas

Muito necessário no inverno são botas decentes. Duas são as características importantes de uma boa bota de inverno. Em primeiro lugar, é essencial que ela seja à prova d’água. Acho que no Brasil a gente não se preocupa muito com a resistência à água dos calçados (embora em dias de chuvas fortes de verão bem que fizesse sentido). Mas se você vai andar na neve, acredite, não tem como ir com um sapato que não impermeável. Seu pé vai congelar.

O segundo ponto é o atrito da bota. A sola tem que ser bem “irregular”, para aumentar o atrito e evitar que você escorregue no gelo:

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  • Calça e meia calça

A questão com calças é mais simples. Tem calça impermeável, do mesmo material dos casacos de inverno, até revestida com pena de ganso e tudo mais. Mas elas são mais para esportes de inverno mesmo, se você for esquiar por exemplo. Só para atividades normais do dia a dia, ninguém usa calças especiais.

O que significa que você vai ficar com frio na perna, é. Mas claro, meias-calças por baixo são bem bem bem necessárias. Tem várias meias-calças bem grossas, aqui, e tem um tipo que chama “thermo”, que é a ideal para o inverno. Elas são de um material diferente na parte interna que na parte externa. Não me pergunte detalhes de tecidos que eu não entendo, mas o fato é que essas são mais quentinhas e confortáveis. É totalmente normal para homens, também, usarem essas meias-calças por baixo das calças no inverno.

No post seguinte, falo sobre as diferentes opções para os acessórios de inverno (luvas, cachecóis, gorros…).

Caso não tenha lido ainda, aproveite o inverno e a proximidade com o Natal para ler os posts sobre Dia de São Nicolaus, Mercados de Natal e Adventos e Calendários!


(Publicado em 6 de Dezembro de 2014)

 

Roupas funcionais

Roupas funcionais. Desde sempre eu notava que os alemães eram obcecados com essa ou aquela roupa não sei das quantas pra não sei que situação, que todo mundo tem uma em casa. Demorou para eu fazer a conexão e entender o que estava por trás disso. São as roupas funcionais.

Alemães adoram uma roupinha com funções específicas.

A primeira obsessão que eu notei foi com os casacos de chuva. Todo alemão que se preze tem um casaco de chuva, o qual ele usa com bastante freqüência. Não se engane, não estamos falando de uma capa de chuva estilo capucha, ou pica-pau em Niagara Falls. O casaco de chuva que os alemães acreditam imprescindível é uma jaqueta normalmente fina, à prova d’água, com capuz, para você usar por cima do que você tiver usando em basicamente qualquer dia em que exista a possibilidade de chuva. Assim:

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Típico. E falando em chuva, outra coisa facilmente encontrável em uma típica residência alemã são galochas. Saca aquela bota totalmente impermeável que você usaria para um passeio em um pântano, ou talvez em um dia em que, por alguma inadvertida desventura do destino, você teve que andar sobre um esgoto a céu aberto? Essas daqui:

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Então. Super comum. Especialmente entre as crianças. Em dias de chuva, fácil ver crianças indo para a escola de galocha. Os adultos não as usam com tanta freqüência, mas certamente têm uma em algum canto da casa para o caso – pasmem, pasmem muito, por favor – de resolverem IR À PRAIA. Sem mais.

(Aliás, fato incontestável, absolutamente indiscutível: os alemães não entendem patavina de praia. Mas deixo detalhes para um post específico sobre praias alemãs).

Voltando às roupas funcionais. No quesito calçado, temos que mencionar também os sapatos/botas de caminhada. Eu as acho bem legais e talvez conveniente tê-las, mas jamais teria imaginado que alguém poderia entender botas de caminhada como um artigo tão imprescindível. Mas conhecendo os alemães, sei que para eles realmente faz todo o sentido. Uma forma de lazer muito comum por aqui é passear na floresta, muito comum mesmo. É totalmente parte da cultura alemã, essa relação próxima com a floresta. Também estou planejando um post sobre o assunto para o futuro. Mas sendo assim, botas/sapatos de caminhada são de fato bem oportunos. E sendo os mesmos sempre super cheio de habilidades especiais (uh, sola especial no formato ideal para a pisada perfeita, altamente não escorregadios, revestidos com o couro mágico à prova da água, neve e vento, e ainda solta um repelente poderoso a cada pisada para evitar carrapatos, etcetc), espere salgados preços para adquirir o seu par.

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E caminhadas e viagens requerem outra relíquia característica. São as calças que viram shorts. É. Aquelas com o zíper. Tem umas que viram até shorts de diferentes tamanhos, com zíperes em duas alturas diferentes, e tal.

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Aliás, reconhecer alemães viajantes é muito fácil, eles estão sempre de uniforme. Calça que vira bermuda, capa de chuva, bota de caminhada e mochilão.

Enfim. Essas coisas descritas assim parecem bem engraçadas, mas o fato é que é bem alemão ter coisas altamente funcionais, testadas 700 vezes, comparadas com todas as alternativas até chegar à solução ideal e infalível. E realmente eles são bons em fazer coisas – seja lá o que for – muito confiáveis, seguras e eficientes. Além do que no quesito roupa o pessoal daqui é muuuuito tranqüilo. Me parece que os alemães não estão muito preocupados em prestar atenção no que os outros vestem, não. Pode ficar à vontade para sair na rua com sua bota de borracha.


(Publicado em 10 de Julho de 2014)