seguro de saúde

O que há numa carteira alemã

Quais documentos levam os alemães na carteira pode parecer um tema meio desnecessário para um post mas ele abre outras discussões interessantes. E como eu acabei de buscar minha carteira de identidade alemã, depois de me naturalizar alemã, é um assunto fresco na cabeça. E também o blog é meu e eu posso escrever qualquer coisa que eu quiser, e eis que eu quis escrever sobre isso.

Se você encontrar uma carteira perdida numa rua alemã, o que você provavelmente vai achar, na mesma? Quais documentos são essenciais para ter sempre em mãos, na Alemanha?

Antes de continuar, uma pequena observação: as imagens dos documentos que aparecem aqui são os modelos oficiais emitidos pela Bundesdruckerei que têm sempre (ou quase sempre) a pessoa fictícia Erika Mustermann (Muster = modelo) como exemplo. Não me escrevam e-mails endereçados para “Erika”, por favor, meu nome é Laís.

A primeira coisa é, claro, um documento de identidade (Personalausweis, também conhecido pelo apelido “Perso).

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A carteira de identidade alemã é um cartãozinho todo chiquento com cara de importante, cheio das marcas d’água, onde aparecem as seguintes informações sobre sua ilustre pessoa:

  • Seu número de identidade – O primeiro ponto já é interessante de discutir. O número de identidade aqui é uma combinação de números e letras, de onde os 4 primeiros dígitos são letras que codificam o local de emissão do documento. Quando eu contei para uma amiga que tinha tirado minha identidade alemã, ela logo me perguntou se eu tinha que decorar o número, o que foi um dos motivos que me fez pensar nesse post. Aqui ninguém sabe seu número de identidade. Inclusive, como acontece com passaportes (no Brasil tb), o número é na verdade o número DO DOCUMENTO, não seu. O que significa que quando você renova a identidade, o número muda. Eu ia começar a explicar aqui como funciona com números de identificação mas acabo de perceber que isso precisa de um post só pra si. Em breve!
  • Nome completo – nada especial aí
  • Data de nascimento – ok
  • Local de nascimento – apenas a cidade. Curiosamente mesmo que não seja na Alemanha, também aparece apenas a cidade, o que me leva a indagar pra quê, então, colocar essa informação? Digamos que eu tivesse nascido na Pápua Nova Guiné, especificamente num pequeno vilarejo no meio da floresta tropical papuásia de nome Manu. Apareceria na minha identidade alemã tão somente “Manu”, que convenhamos, não diz nada a ninguém e deve existir umas outras 349 cidades e vilarejos pelo mundo chamados Manu. Mas enfim, deve ser mais no sentido de diferenciar do que, de fato, informar algum dado importante sobre você.
  • Nacionalidade – Isso é um grande mistério pra mim. Você só tem um Personalausweis se você for alemão. Não é um tanto redundante escrever, portanto, no mesmo, “Nacionalidade:  alemã”? Deve ter algum motivo pra isso que eu não consegui descobrir. Quando eu procurei no google, a única coisa que eu achei foram centenas de sites perguntando/explicando porque é que aparece “deutsch” (adjetivo não declinado) e não “Deutsche” ou “Deutscher” (Alemã / Alemão, substantivo pra definir uma pessoa alemã) ou “Deutschland“. A resposta eu acho meio óbvia. Deutsch no caso se refere à nacionalidade, a nacionalidade é alemã. Não à pessoa em si, que seria Deutsche ou Deutscher. Ou ao país. Mas os alemães pelo visto acham isso bem estranho.
  • Assinatura – ok
  • Data de emissão – tá
  • Data de validade – ah, esse é um dos pontos que eu queria discutir. Diferente do RG brasileiro, que tem validade indeterminada e pode ser usado até estar caindo aos pedaços e dissolvendo na sua carteira, o cartão de identidade alemão vale por 10 anos, ou 5 se você tiver menos de 25 anos de idade. Imagino que seja pra ter certeza que você se parecerá com a pessoa da foto.
  • Cor dos olhos – um fato curioso, aparece a cor dos seus olhos na sua identidade alemã! É só um fator pra ajudar a te identificar, mesmo, assim, como o seguinte:
  • Altura – yup, aparece a sua altura. Mas ninguém me mediu quando eu fui fazer a identidade, só me perguntaram, mesmo.
  • Autoridade que emitiu o documento – no caso a prefeitura da cidade em que você mora
  • Endereço – falei mais sobre isso no post anterior, sobre endereços na Alemanha, mas isso é outra coisa interessante: no documento de identidade aparece seu endereço atual. Não, você não precisa renovar a carteira de identidade toda vez que mudar de casa, quando você se muda, eles colam um adesivinho com o endereço novo por cima.
  • E finalmente: Nome artístico/religioso – Caso você seja mais conhecida como, sei lá, digamos Madonna ou então Lady Gaga, aparece esse nome também. Portanto escolha bem seu nome artístico antes de ficar famoso!

O cartão de identidade é um cartão com chip, que contêm essas informações assim como as digitais dos dedos indicadores, que não aparecem impressas no cartão. O Personalausweis é o documento de identidade básico que a maioria dos alemães carrega consigo sempre. A carta de habilitação não serve como documento de identidade. Oficialmente não é obrigatório você ter sempre sua identidade consigo, desde que ela esteja próxima o suficiente que você poderia ir em casa buscá-la, se necessário. Em outras palavras, você não precisa obrigatoriamente carregar a identidade com você se você estiver na cidade onde mora. Mas a maioria das pessoas leva sempre na carteira. Para não-alemães residentes na Alemanha, o principal documento de identidade do dia-a-dia é ou o a carteira de identidade do país de origem para cidadãos da UE, ou o Aufenthaltstitel, “título de permanência”, que é um cartão similar à identidade, só que com a informação adicional do tipo de visto de residência que você tem e até quando ele é válido. É seu visto em formato de cartão, basicamente.

330px-Aufenthaltserlaubnis-Beschaeftigung Kopie
Se não me engano, ele não é exatamente um documento de identidade, oficialmente só seu passaporte é um documento de identidade válido na Alemanha se você não for cidadão europeu. Mas esse cartão serve pro dia-a-dia como documento, quando você está na cidade onde mora e pode ir buscar seu passaporte em casa se for necessário.

Se você for turista, aí, claro, tem que ter seu passaporte sempre com você.

O próximo documento presente em 99,9999% das carteiras de alemães maiores de idade é a amada carta de habilitação (Führerschein).

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TODO MUNDO AQUI tem carta. Se você não tem carta e comentar isso com um alemão, espere ser visto como um alienígena verde com antenas. Nem todo mundo tem carro, não ter carro é aceitável. Mas não ter carta é injustificável.

Algumas informações na carteira de habilitação são similares às da identidade, e óbvias: nome, local e data de nascimento, assinatura, cidade de residência, data de emissão e de validade. Mas uma coisa interessante é a validade: a carta de habilitação alemã é válida por 15 anos, mas até pouco tempo atrás ela era válida indefinidamente! Curioso, o RG ter validade e a habilitação, não. Mas agora isso mudou e após 15 anos você tem que renovar a habilitação. Mas a única coisa que muda ao renovar (por enquanto) é a foto. Nem o exame de vista precisa refazer. Estranho.

No verso aparece ainda a informação de quais veículos você está habilitado a dirigir, assim como eventuais observações como a de que você tem que usar óculos obrigatoriamente (mas aparece codificado). A habilitação também tem um número, claro, que eu não sei se permanece o mesmo ou se muda quando você renova a carta. Daqui a 12 anos eu digo.

Próximo item essencial, presente em 100% dos casos, é a carteirinha do seguro de saúde. Aqui é obrigatório ter um seguro de saúde, que pode ser um seguro privado ou público, como eu discuti nesse post aqui. As carteirinhas dos seguros de saúde são relativamente padronizadas, e têm essa cara:

elektronische_gesundheitskarte_pPros seguros públicos, só muda o logo ali no centro (no exemplo acima, a carteirinha é da AOK). Os privados acho que às vezes são um pouquinho diferentes, mas não o muito.

É sempre uma carteirinha com chip, que o seu médico têm uma maquininha pra ler, e no chip contém, claro, as informações pessoais, e também dados sobre o cartão ainda ser válido ou não. O verso do cartão (que na foto acima aparece do lado esquerdo) é a versão europeia do cartão, basicamente. Quer dizer que o verso é padronizado na europa inteira, e é onde o que o médico ou hospital de outro país europeu vai olhar caso você precise de assistência médica na UE fora do seu país de residência.

Finalmente, também sempre presente são eventuais cartões de banco. Aqui as pessoas também têm um cartão de crédito e um de débito, normalmente. O de débito chama-se Girocard (Girokonto é a conta corrente), mas todo mundo chama de EC Karte (Eletronic cash), que é como chamava o sistema até 2007. Desde 2007 é Girocard. Mas ninguém fala “Pode pagar com Girocard?”, todo mundo fala “pode pagar com EC Karte?”

O Girocard tem esse símbolo:

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Pagar com cartão de crédito é bem raro, por aqui, a maioria dos lugares só aceita débito (isso quando não é só em dinheiro…). Escrevi um pouco sobre essa questão nesse post aqui. Mas mesmo assim, ter um cartão de crédito não é incomum já que é a maneira mais comum de comprar coisas de sites estrangeiros, por exemplo, ou então de pagar ou tirar dinheiro no exterior.

É isso! Muitos têm um cartão de doador ou não-doador de órgãos, sobre o qual eu escrevi nesse post aqui. Além desses essenciais, o que aparece nas carteiras varia de pessoa pra pessoa.

Esse post acabou ficando uma mistura de diversos assuntos e links para posts mais completos sobre outros assuntos, mas há pontos interessantes. Em breve escrevo um post sobre números de identificação por aqui!


(Publicado em 13 de Março de 2019)

Atestado médico

Uma pergunta que vai surgir se você está a pouco tempo na Alemanha e trabalhando é: como pegar um atestado médico se você ficar doente e não puder ir tabalhar? Como funciona, onde ir, como é o atestado, quando você tem que entregar para o seu chefe, etc. São perguntas práticas com respostas simples, mas que valem um post.

E é um bom momento para escrever esse post, também, porque está todo mundo doente. Todo mundo. Uma super epidemia de gripe que tá todo mundo falando.

Mas vamos ao que interessa. Você acorda de manhã pra trabalhar mas está super mal e acha que deve ficar em casa. Como proceder?

A primeira coisa – óbvio – é ligar pro trabalho e avisar que você não vai.

Se você estiver muito mal você não precisa, necessariamente, ir direto ao médico. Se é algo que você sabe que vai ter que ficar mais dias em casa (digamos uma gripe), você pode deixar para ir no médico no dia seguinte, e ele ou ela vai te dar um atestado que inclui o dia anterior também (se você explicar que não foi ao trabalho no dia anterior).

Se você não for paciente de nenhum médico ainda, você pode basicamente ir em qualquer clínico geral. O importante é ir de manhã, que é quando eles têm as consultas pra quem não tem horário marcado. Em alguns consultórios tem horário específico para ir se você não marcou consulta (tipo entre 8 e 10 da manhã), então é bom ligar antes e perguntar.

Nem todos os consultórios aceitam novos pacientes (porque alguns já estão sobrecarregados de gente pra atender), mas isso só vale se você quiser marcar uma consulta. Se você aparecer lá doente precisando ser atendido naquele dia, eles não podem te recusar atendimento.

Aí ao ser atendido o médico vai fazer a maior questão de te dar um atestado (Se você estiver de fato doente, claro). Com certeza vai sugerir que você tire a semana inteira ou o resto da semana. Às vezes eu tenho que negociar com o médico pra ele me dar um atestado de só 3 dias ou coisa assim pq credo, quem precisa ficar a semana inteira em casa?

Exceto essa vez que eu estou há duas semanas bem mal. Eu e todo mundo.

O atestado médico (que em alemão é chamado popularmente de Krankenschein) tem essa cara aqui:

São três vias: a sua, a que você entrega pro seu empregador, e a que você envia para o seu seguro de saúde. Aí acima aparece à esquerda a via do paciente, e à direita a via do empregador. A do seguro de saúde é igual à do paciente, exceto que diz “via para enviar ao seguro de saúde” em vez de “via do paciente”.

A do empregador é diferente, como você já notou: só aparece metade. A metade debaixo são informações referentes ao diagnóstico, que são confidenciais. A única situação em que você teria obrigação de informar o seu empregador quanto ao diagnóstico é se for alguma doença altamente contagiosa e de alguma forma perigosa, né. O diagnóstico aparece na forma de um código x qualquer que você não tem idéia do que é mas é só digitar no google pra saber. E, bom, claro, seu médico te fala o que você tem.

E o que aparece em todas as vias são as suas informações, as informações do médico e as datas em que você esteve doente. Como falei, o médico pode colocar no atestado uma data alguns poucos dias antes de você ter ido lá, e, claro, tantos dias depois quanto forem necessários. Se você continuar doente depois de terminarem os dias no atestado, você pode voltar ao médico para ele te dar um outro atestado.

Importante também é saber que normalmente você precisa entregar o atestado para o seu chefe no máximo 3 dias depois da primeira falta no trabalho. Mas costuma ser suficiente mandar o atestado escaneado por email e entregar o original depois quando você voltar ao trabalho.

Você pode ser demitido por ficar doente demais, mas isso só acontece se você tirou mais de 30 dias em 3 anos seguidos e se o prognóstico for negativo – quer dizer, se ao que tudo indica você vai continuar ficando doente com muita freqüência. Aí seu empregador pode te demitir por você não estar apto a realizar seu trabalho.

Esses 30 dias (úteis, claro) por ano quem paga é seu empregador. Se você tiver que tirar mais de 30 dias (normalmente por algum acidente ou operação, ou qualquer coisa assim que te deixou fora do trabalho por vários meses) aí é o seu seguro de saúde que paga o seu salário (70%), por até 72 semanas. Se você ficar mais de 72 semanas sem trabalhar o seguro para de pagar o seu salário, então para esses casos é bom ter um seguro extra que te paga caso aconteça alguma coisa com você que você não possa mais trabalhar.

É isso!


(Publicado em 3 de Março de 2018)

O Sistema de saúde alemão 4 – Programa de Bônus

Uma coisa interessante dos seguros de saúde (públicos) daqui são os programas de bônus. Acho que todos os seguros públicos oferecem algo do tipo. A idéia é encorajar as pessoas a fazerem determinadas atividades que fazem bem para a saúde e consequentemente ajudam a evitar doenças. Cada atividade te dá uma pontuação, e atingindo determinada quantidade de pontos você recebe dinheiro de volta. Não é assim, noooossa, que fortuna (30€), mas 30 euros + saúde é melhor do que 0 euros + doença, então pronto.

Os programas de bônus dos diferentes seguros de saúde são um pouco diferentes – mas seguem basicamente a mesma idéia. Então eu vou explicar com mais detalhes o do meu seguro de saúde (Techniker Krankenkasse, TK).

Primeiro como funciona a pontuação. Você tem um ano pra completar atividades e somar pontos. Com 1000 pontos você recebe 30€. E aí a cada 100 pontos além desses 1000 pontos você recebe outros 2,50€. Mas claro, nada disso tem qualquer significado sem uma noção de quantos pontos dá pra conseguir. Então vamos às atividades:

Tem duas maneiras de conseguir pontos.

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A primeira são atividades específicas, pontuais. Cada atividade te dá uma pontuação variando entre 200 e 500 pontos. Ou seja, com duas dessas atividades de 500 pontos você já atinge os 1000 pontos necessários. As atividades são as seguintes:

  • Hautkrebs-Screening – Exame para prevenção de câncer de pele. Dá 200 pontos, mas conta no máximo 1x a cada dois anos.
  • Allgemeine Krebsvorsorge – Exame para prevenção de câncer no geral. Não sei se é um exame específico or what, mas te dá 200 pontos 1x por ano.
  • Zahnvorsorge – Consulta preventiva no dentista, basicamente ir ao dentista uma vez por ano sem ter nenhuma reclamação específica, pra ver se está tudo em ordem. Te dá 200 pontos.
  • Mutterschaftvorsorge – Exames pré-natais, conta uma vez por gravidez e dá 200 pontos.
  • Rückbildungsgymnastik – Ginástica pós-natal, 400 pontos.
  • Gesundheitskurs Bewegung – Curso de “movimentação saúdavel”, sei lá, não consegui pensar numa boa tradução, mas seriam basicamente cursos curtos pra te dar dicas de como ser mais ativo no seu dia-a-dia. Conta 400 pontos, 1x por ano.
  • Gesundheitskurs zur Ernährung oder Gewichtsreduktion – Curso de nutrição ou de perda de peso, conta uma vez por ano e dá 400 pontos.
  • Gesundheitskurs zur Stressbewältigung oder Entspannung – Curso para lidar com o stress ou curso de relaxamento. Conta 400 pontos uma vez por ano.
  • Gesundheitskurs gegen Suchtmittelkonsum – Curso contra vícios, conta uma vez por ano, 400 pontos.
  • Impfvorsorge – Vacinas preventivas, conta no máximo uma vacina por ano, 400 pontos.
  • Aktive Mitgliedschaft im Sportverein, Fitnessstudio – Associação a um clube de esportes ou a uma academia, 500 pontos.
  • Schwimm-/Sportabzeichen – Ok, isso é meio difícil de traduzir que é uma coisa bem particular daqui que eu nem sabia o que era até perguntar, agora mesmo, pro marido. É basicamente um certificado de êxito em teste de determinados esportes (basicamente os atléticos). Tem uma associação alemã, Deutsches Sportabzeichen, responsável por esses tais certificados. Para tirar um desses certificados, você tem que realizar uma atividade sob determinados critérios – por exemplo, correr 500m – coisas assim. A meta que você tem que atingir, distância de corrida, tempo, distância saltada, distância nadada, etc – varia de acordo com a sua idade e sexo. É um negócio até interessante, vou fazer um post só sobre isso depois. Mas enfim, se você tirar algum desses certificados você ganha 500 pontos.
  • Sportveranstaltungen – Certificado de participação em eventos esportivos (tipo torneio de vôlei, sei lá). Não precisa terminar em nenhuma posição específica, mas precisa terminar. Não conta maratona, não sei pq. Dá 500 pontos.

E a segunda maneira de acumular pontos é fazer o “Fitnessprogramm“. É um programa pra te manter ativo no dia-a-dia. A TK conta passos dados durante a semana. O esquema é: vc tem que em 10 de 12 semanas andar pelo menos 60.000 passos. Quando você começa a fazer o programa começam a contar as 12 semanas, e você pode ficar no máximo 2 dessas 12 sem andar os 60.000 passos. O programa você pode fazer duas vezes por ano, e a cada vez (se você conseguir andar os 60.000 passos por semana) conta 500 pontos. Então só com esse Fitnessprogramm já dá pra acumular os 1000 pontos. Pra contar os passos você usa algum aplicativo de celular. 60.000 passos é 8.571 passos por dia, pra quem trabalha em escritório e não anda muito pode ser bastante. Por sorte eu ando bastante no meu dia-a-dia, então os 60.000 tão fáceis.

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Semana passada andei 88.012 passos! 🙂

Então não é difícil chegar e passar dos 1000 pontos. Eu comecei esse programa no mês passado e já acumulei 900 pontos: 400 de uma vacina que eu tomei, contra catapora, e 500 porque eu vou na academia regularmente. Se eu conseguir os 1000 pontos do Fitnessprogramm, vou receber 52,50€ ano que vem! Não é uma grande fortuna, mas pô, 50€ só pra fazer coisas que eu já estava fazendo antes não tá nada mal! E isso que ainda dá pra acumular mais uns pontos de outras coisas até lá.

Seja como for, a idéia de encorajar as pessoas a fazerem atividades que fazem bem pra saúde é ótima. E acaba virando um joguinho, esse negócio dos passos. Eu completo os 60.000 com facilidade, mas meu marido têm que sair pra andar com mais freqüência pra chegar nos 60.000. Então ele começou a correr três vezes por semana. E volta e meia a gente sai a noite pra dar uma longa volta pelo bairro e somar uns passos. Então além do dinheiro, ainda ficamos mais ativos. Acho bom!


(Publicado em 11 de Setembro de 2017)

Doação de órgãos na Alemanha

Um item que está presente na carteira de muitos alemães é esse cartãozinho aqui:

É um cartão para informar se você é doador (ou não-doador) de órgãos. O cartão é padrão, “emitido” pela BZgA, Bundeszentrale für gesundheitliche Aufklärung, ou Central federal de educação/esclarecimentos em saúde. É um instituto pertencente ao Ministério da Saúde alemão, responsável por educar a população em questões relacionadas à saúde. Eles fazem campanhas sobre AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis, prevenção de doenças diversas, etc. E esse cartãozinho relativo à doação de órgãos.

Esse cartão normalmente ou o seu seguro de saúde te envia junto com informações sobre a doação de órgãos, ou você pega no consultório do seu médico, ou então você pode até pedir online no site da BZgA, onde vc também pode ler as informações a respeito: como funciona a doação de órgãos, quais órgãos podem ser doados, quais doenças podem ser curadas com transplantes, etc…

O interessante nesse cartãozinho é que você não marca simplesmente se você aceita ou não ser doador de órgãos, mas você pode inclusive especificar quais órgãos você aceita ou não aceita doar. Isso pode ser particularmente útil se alguém, por exemplo por motivos religiosos, não aceita doar digamos o coração, mas o resto tudo bem. Se não tivesse essa especificação, a pessoa colocaria, simplesmente, que não é doadora. Quando na verdade a maioria dos órgãos ela não se incomodaria de doar em caso de morte.

Traduzindo o verso do cartão, para mostrar direitinho as opções:

“No caso de, após o meu falecimento, a possibilidade de doação de órgãos ou tecidos entre em questão, eu declaro que:
(  ) SIM, eu autorizo, após a confirmação médica da minha morte, a remoção de órgãos e tecidos.
(  ) SIM, eu autorizo o mesmo, com a Exceção dos seguintes órgãos ou tecidos: __________
(  ) SIM, eu autorizo o mesmo, mas Apenas para os seguintes órgãos ou tecidos: _________
(  ) NÃO, eu não autorizo a remoção de órgãos ou tecidos.
(  ) Quanto à remoção de órgãos ou tecidos, a seguinte pessoa deve ser consultada: ______”

Também é importante saber que o que você marca no cartão não é registrado em nenhum lugar. Então você pode, a qualquer momento, mudar de idéia. Basta pedir um cartão novo – ou mesmo imprimir direto do site da BZgA, e preencher com a sua nova decisão.

Eu peguei esse cartãozinho esses dias na médica e preenchi dizendo que aceito doar todos os órgãos exceto a córnea. Porque me dá uma aflição profunda, ugh, só de pensar em remoção de córnea, ugh argh. Mas aí assim que eu preenchi o cartão pensei que transplante de córnea pode evitar que alguém fique cego, e pensei em como me sentiria se precisasse muito de um transplante de córnea e não conseguisse porque todos os potenciais doadores ficaram com afliçãozinha ao imaginar o transplante de córnea e escolheram não autorizar a remoção da córnea. Fiquei com vergonha da minha decisão boba e decidi ir buscar outro cartãozinho na médica e preencher como doadora sem restrições.

Mas enfim, a decisão sobre seu próprio corpo tem que ser só sua, então vai lá, lê as informações e preencha seu cartãozinho com convicção. O que pesou para a minha decisão foi perceber que ainda que eu sinta uma certa aflição ou aversão à idéia de remoção de órgãos do meu corpo após minha morte, eu certamente gostaria de conseguir um órgão para transplante se vier a precisar de um algum dia, e gostaria que as pessoas próximas a mim possam conseguir órgãos para transplante se vierem a precisar deles. Então nada mais justo e coerente que aceitar doar os meus no caso da minha morte.

Aqui nesse link tem um PDF da brochura da BZgA com informações básicas sobre o transplante e doação de órgãos em alemão e em inglês. Uma coisa que eles falam repetidamente nessa brochura é que, qualquer que seja a sua decisão, informe seus parentes próximos. Porque se você vier a falecer em uma situação em que determinados órgãos possam ser removidos e transplantados e eles não encontrarem o cartãozinho com a sua decisão, são os seus familiares que vão decidir. Então é bom que eles saibam qual a sua vontade. Mas a diferença grande do Brasil (pelo que eu pesquisei) é que aqui a sua vontade – registrada nesse cartãozinho ou como for – será prioridade sobre a vontade dos seus familiares. No Brasil mesmo que você tenha lá na sua carta de motorista escrito que você aceita ser doador, se sua família não autorizar a remoção dos órgãos, eles não serão removidos. Então busque lá seu cartãozinho e faça a sua vontade!


(Publicado em 2 de Maio de 2017)

 

Hospitais alemães

Não faz nem dois meses que eu escrevi três posts sobre o sistema de saúde alemão, ao final dos quais eu disse que não podia falar muito sobre hospitais uma vez que nunca tinha ficado em um por aqui. Não imaginaria que em dois meses teria esse desprazer…

Eis que no domingo de manhã me deu uma dor repentina muito louca e fora do normal, que, permanecendo contínua e intensa por mais de 20 minutos, resolvemos que era melhor ir para um pronto-socorro ver o que era.

Chegamos no pronto-socorro do Diakonissenkrankenhaus, um hospital mantido pela igreja protestante, perto de casa. O pronto-socorro foi o pronto-socorro mais vazio que eu já vi, era domingo de manhã e tinham duas outras pessoas lá esperando ser atendidas. Há vantagens em se morar em cidades pequenas…

Depois de vários exames e ultrassons diversos, não conseguiram descobrir exatamente o que era, mas o que eles suspeitavam que fosse exigia uma cirurgia de emergência. A médica ligou para a cirurgiã, que marcou a cirurgia para dali a uma hora, e logo me mandaram para um quarto do hospital com um enorme questionário para responder. Dali a pouco já estavam me levando para a sala de operação e dando a anestesia…

Eu fiz uma vez uma cirurgia no Brasil, para uma hérnia de umbigo, quando eu tinha 8 anos. Eu não lembro muitos detalhes então fica difícil comparar. Mas o que chamou minha atenção positivamente no hospital alemão foi que eles me explicaram direitinho porque queriam fazer a cirurgia mesmo sem ter certeza se era necessária, e como a cirurgia seria feita, além dos riscos mais e menos prováveis, como seria o pós-operatório, e tudo. Mas foi sorte eu falar alemão, porque a médica não falava inglês… certamente se meu alemão não fosse o suficiente a situação toda teria sido bem mais assustadora e bizarra!

Outra coisa que eu não imaginaria que teria sido assim é que assim que a médica decidiu que a melhor alternativa era a cirurgia, ela me explicou tudo e me pediu para decidir e assinar o papel ali na hora – sem que eu antes pudesse pedir a opinião do meu namorado que estava esperando na sala de espera. Acho que se eu tivesse pedido para antes falar com ele eles teriam deixado, mas depois fiquei pensando que foi bem razoável que eles insistissem que a decisão fosse minha sem influências. Depois quando ela foi comigo procurá-lo para falar que eu ia passar para a cirurgia, ela mesma deu a notícia de maneira bem definitiva. Por outro lado eu fiquei com medo que por nós ainda não sermos casados, eles não deixassem ele ficar comigo depois da cirurgia ou coisa assim. Mas isso não foi problema, a única coisa que eles perguntaram foi o nome dele.

A cirurgia durou pouco menos de uma hora, e quando eu comecei a acordar da anestesia, ainda na sala de operação, experienciei a sensação mais estranha da minha vida: as pessoas à minha volta estavam falando só alemão, claro, e por causa disso eu comecei a pensar em alemão também. E não conseguia mudar a língua na cabeça para inglês ou português! Meu cérebro estava mais acordado que meu corpo, que eu quase não conseguia mexer, e eu estava sentindo uma necessidade muito forte de dizer que eu estava lá e acordada mas morrendo de sono. Estava preocupada de falar isso pro meu namorado quando chegasse no quarto, e fiquei pensando, “bom, pelo menos meu namorado fala alemão, então ele vai entender se eu falar com ele em alemão”, mas achando muito esquisito não conseguir mudar a língua. Quando cheguei no quarto, consegui falar – com mto esforço – que estava cansada (em alemão) e ele respondeu em inglês, e a língua no cérebro imediatamente mudou pra inglês e voltou tudo ao normal. Foi uma experiência bem inesperada, você fica achando que nessas situações vc só vai conseguir falar na própria língua… nem acreditei que consegui fazer tudo isso em alemão sem nenhum grande problema. Achei engraçado que a primeira frase que eu ouvi ao acordar da anestexia foi a anestesista dizendo “ela já está acordando.”. Rsrsrs, ainda bem que elas estavam prestando atenção!

O quarto em que fiquei tinha três leitos, mas deu sorte de os outros dois não estarem ocupados. Uma coisa que eu achei bem diferente (não sei se só nesse hospital é assim ou se é meio regra em hospitais alemães) é que não tinha horário pra visita, meu namorado podia ir e vir no horário que quisesse e ficar quanto tempo quisesse. Só dormir que ele não podia, lá, porque não tinha onde. Mas não tinha um horário que ele tivesse que ir embora, e isso eu achei muito conveniente.

Normalmente o seguro público cobre apenas um quarto compartilhado entre dois ou três pacientes, e você pode pagar extra para ficar num quarto privativo. Os seguros privados, dependendo de qual você tiver, às vezes cobrem um quarto privativo só pra você. Como foi só uma noite e deu a sorte de eu estar sozinha, não tenho do que reclamar. Certamente se fosse mais tempo e tivessem outras pessoas no quarto teria sido um tanto desconfortável dividir… mas enfim!

No dia seguinte de manhã tive alta – e foi outra coisa um tanto diferente. Basicamente depois da médica fazer os exames de manhã cedo para ver se estava tudo bem, uma enfermeira trouxe uma carta de alta (Entlassungsbrief) num envelope – que era basicamente uma carta para a minha médica normal (não a médica do hospital, mas a médica que me acompanha regularmente) dizendo o que tinha acontecido, como tinha sido a operação, com fotos da operação e tudo mais. Quando meu namorado chegou para me buscar, não precisamos dar satisfações a ninguém, foi só se trocar, pegar as coisas e ir embora. Achei curioso, porque eu poderia ter ido embora da mesma maneira também antes de me entregarem a tal carta. A minha impressão – em comparação com hospitais que eu visitei no Brasil para ver alguém que estava internado ou coisa assim – é que era tudo mais aberto, meu namorado podia ir e vir sem dar satisfações a ninguém, e eu tb pude sair sem dar satisfações a ninguém. Foi tudo meio na confiança de que eu seguiria as recomendações deles. Curioso.

De resto não vi grandes diferenças no hospital alemão para os hospitais brasileiros que visitei. Claro que não visitei muitos hospitais em lugares remotos do Brasil, que certamente são bem diferentes dos grandes hospitais de São Paulo. E também não tenho um conhecimento muito expert pra poder dizer se os instrumentos pareciam mais modernos e de última geração em comparação ao que se usa no Brasil ou não. Não achei nada particularmente impressionante nesse sentido, mas como falei, não tenho muita experiência no assunto. Quanto a remédios, depois da cirurgia e durante a noite eles injetaram algo para a dor, suponho que morfina, mas no dia seguinte e para o resto da semana, a médica recomendeu apenas ibuprofeno.

Mas um inconveniente é que a médica do hospital recomendou que eu tire uma semana de repouso mas não me deu o papel de licença médica do trabalho (Krankschreibung). Para pegar esse papel, terei que ir essa semana na minha médica normal com a tal Entlassungsbrief para que ela me dê a Krankschreibung que eu preciso entregar para meu chefe. Um tanto inconveniente já que não é exatamente repousante ter que sair de casa pra ir ao médico só pra buscar um papel… mas enfim!

Em tempo: Deu tudo certo a cirurgia, não era o que eles tinham suspeitado mas outra coisa que também precisava de cirurgia: um cisto que tinha se rompido e no processo machucado uns tecidos que estavam sangrando internamente! A médica e a enfermeira me disseram muitas vezes que ainda bem que eu fiquei no hospital (porque depois que eu cheguei a dor melhorou muito) e não fui pra casa, se não poderia ter sido bem pior! Mas deu tudo certo… e mais uma experiência de Alemanha pra coleção! O chato é que com essa confusão acabei perdendo as celebrações do dia da reunificação alemã, que esse ano foram aqui em Dresden… e eu estava planejando um post sobre o assunto… vai ficar pro ano que vem!


(Publicado em 04 de Outubro de 2016)

O sistema de saúde alemão 3: Receitas e farmácias

Esse é o terceiro post sobre o sistema de saúde alemão. Nos dois primeiros posts eu escrevi respectivamente sobre os tipos de seguros de saúde (público ou privado) e sobre médicos e consultas.

Nesse post – o último sobre o assunto por hora – vou falar um pouco sobre como funcionam as receitas.

Na verdade eu nem sei direito como funcionam receitas para remédios no Brasil. Todas as receitas que eu recebi lá eram para remédios que não precisavam de receitas, então não tinha nada de especial, era só um papel com o nome do remédio assinado pelo médico.

Mas uma diferença já começa aí: Aqui quase tudo precisa de receita. Remédios bem genéricos como aspirina, ibuprofeno, essas coisas típicas para dores gerais não precisam de receita. Mas, por exemplo, anti-concepcional é uma coisa que não dá de jeito nenhum pra comprar sem receita. E os anti-concepcionais vêm sempre em uma caixa com 3 ou 6 meses de pílulas. Ou seja, você tem que voltar no seu ginecologista para buscar uma receita nova a cada 3 ou 6 meses. Isso é uma coisa que eu acho meio exagerada – facilita demais você ficar sem a pílula porque não percebeu que já era a última cartela e não conseguiu ir no consultório a tempo pra buscar outra receita. E o preço dos anti-concepcionais nunca é coberto pelo seguro de saúde – seja público ou privado – o que eu também acho problemático. Mas enfim.

Tem quatro tipos diferentes de receitas, as rosas, azuis, verdes e amarelas.

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A receita rosa é a mais comum. É a para remédios em geral receitados pelo médico cujo custo é coberto – parcialmente ou no total – pelo seguro de saúde do paciente. Nesse papelzinho como na imagem acima o médico imprime os dados do remédio receitado, o nome e os dados do paciente assim como o nome, dados e assinatura do médico.

Tem ainda um monte de outros números e campos que eu não tenho a menor idéia de pra que servem (¯\_(ツ)_/¯) mas são certamente muito úteis. Uma observação é que ali do ladinho tem ainda um campo para a farmácia que te vendeu o remédio em questão imprimir a identificação deles e o valor pago pelos remédios. Assim você envia a receita para seu seguro de saúde para eles reembolsarem o preço dos medicamentos. Isso no caso de vc ter um seguro privado. Se o seu seguro for público, do valor que você paga pelo remédio já é automaticamente descontado o que o seguro público cobre, e a farmácia fica com a receita para ser reembolsada pelo seguro público. Essas receitas têm uma validade que acho que varia dependendo do remédio, pode ser entre 4 semanas e 3 meses.

Receita azul

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A diferença da receita azul para a rosa é que o remédio receitado nas receitas azuis deve ser pago pelo paciente – porque os seguros não cobrem (Por exemplo receita para anti-concepcional). Essas receitas são válidas por 3 meses.

Receita verde

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As receitas verdes são para remédios que não exigem receita (mas que só podem ser vendidos por farmácias), digamos por exemplo ibuprofeno. Essa receita obviamente não tem validade.

Receita amarela

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Já a receita amarela é para medicações mais controladas, como por exemplo morfina. Essas receitas têm uma validade de 7 dias, e o são emitidas em três cópias: uma para o médico, uma para o seguro de saúde e uma para a farmácia. O valor é coberto pelo seguro de saúde, mas normalmente o paciente tem que pagar uma parte (por exemplo um mínimo de 10 euros por medicação, algo assim dependendo do seguro).

 

Ok, receitas explicas, falta ainda saber onde comprar a medicação.

Existem dois tipos de lojas aqui que poderiam ser traduzidas como farmácias: As Apotheke e os Drogeriemarkt. 

Drogeriemarkt são grandes farmácias que vendem principalmente artigos de higiene: fraldas, absorventes, cremes, shampoos, lenços, protetor solar, camisinha e também outras coisas como elástico pra cabelo, esmalte, maquiagem, etc. Basicamente tudo o que você acha em farmácias no Brasil que não são remédios. As duas principais redes de farmácias desse tipo são a DM e a Rossmann, que você encontra fácil em qualquer lugar.

Apotheke são as farmácias que vendem medicações. Lá que você leva sua receita. Elas têm sempre esse mesmo logo, independente da loja:

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O curioso é que não é muito fácil achar farmácias abertas a noite ou em domingos. A maioria fica aberta só até às 6, 7. Se você precisa de uma farmácia em horários não-comerciais, tem uma ou outra que fica aberta, mas não aberta, aberta. Você tem que apertar a campainha e vem alguém abrir a porta e te perguntar na porta o que você precisa, e você espera lá fora! E ainda te cobram mais caro pelo medicamento.

O resto acho que é bem parecido com no Brasil. Se a Apotheke não tem o medicamento que você precisa e tem que encomendar, normalmente chega logo no dia seguinte. Eles também sugerem medicamentos (os que não precisam de receita) se você perguntar.

Acho que é isso! Por hora é o que eu tenho a compartilhar sobre o sistema de saúde alemão.  Talvez eu escreva algum dia um post sobre hospital se eu tiver a má-sorte de precisar de algum, ou então um post sobre gravidez (que certamente dá muito papo no assunto sistema de saúde) se algum dia eu resolver engravidar.


(Publicado em 4 de Agosto de 2016)

Sistema de saúde alemão 2: médicos e consultas

No primeiro post sobre o sistema de saúde alemão eu falei sobre os tipos de seguro (público e privado), como funcionam, e quem pode ter qual tipo.

Mas talvez o mais interessante sobre o assunto seja como funcionam as consultas, médicos e hospitais.

Uma diferença grande daqui pro Brasil é que é quase impossível você marcar uma consulta diretamente com um médico especialista sem antes passar por um clínico geral. Normalmente todo mundo tem um médico clínico geral que é com quem você marca uma consulta pra qualquer assunto e esse médico – se for o caso – te encaminha para algum outro especialista. Pra várias especialidades, se você ligar pra marcar consulta sem o papel de encaminhamento de um clínico geral (Chama Überweisung) eles não te aceitam. E o clínico geral trata várias coisas sem encaminhar.

No Brasil, a gente só vai no clínico geral se não sabe de onde vem o problema. Se sabe, já marca com o especialista.

Há, claro, algumas exceções: ginecologista, por exemplo, você marca diretamente sem passar por clínico geral.

Uma outra diferença por aqui – e uma muito prática, por sinal – é que vários dos exames quem faz é o próprio médico no consultório. Por exemplo exame de sangue ou os exames ginecológicos, o próprio médico ou médica já faz a coleta no próprio consultório e envia para o laboratório para a análise. E o laboratório envia o resultado de volta diretamente para o médico ou médica. Ou seja, você nem vê o resultado antes de marcar outra consulta – o que eu acho que faz muuuuuito mais sentido. Acho meio absurdo você ter acesso ao resultado do exame sem ter o conhecimento necessário para interpretá-lo, o que em vários casos deve gerar sustos super desnecessários. E a vantagem do médico fazer a coleta ali direto é, claro, que você não precisa achar um laboratório, marcar os exames pra sei lá quando, ir fazer os exames, etcetcetc. O processo todo acaba sendo bem mais rápido.

Claro que não são todos os exames que são assim, alguns mais específicos você tem que marcar em algum lugar específico, mesmo, já que o médico não vai ter todos os instrumentos possíveis lá no consultório dele.

Para marcar uma consulta não tem nada muito especial, mas nem todos os clínicos gerais aceitam pacientes novos. Então no começo você pode precisar tentar alguns até achar um para você. Alguns aceitam mas com o tempo de espera bem maior que para quem já é paciente. E mudar de um pro outro também não é muito fácil – se você não for paciente eles te perguntam se você já tem outro médico naquela cidade e porque você quer mudar de médico.

Se você tiver um seguro público, pode ser que não seja qualquer médico que te aceite. Mas não por escolha do próprio médico: o que acontece é que no sistema público tem um número x de vagas para cada especialidade por cidade. Por exemplo, digamos que em Berlim tenha, sei lá, 2000 vagas para fisioterapeutas. Se você se formou em fisioterapia e quer abrir um consultório em Berlim, mas todas as vagas já estão ocupadas, você tem que esperar abrir uma vaga (alguém fechar um consultório, se aposentar, etc) para poder atender pacientes do sistema público, e enquanto isso só pode atender pacientes com seguros privados. Pra você como médico isso é pior porque a maioria das pessoas tem seguros públicos, então sem poder atender pelo sistema público você vai ter menos pacientes te procurando. Mas se você como paciente não conseguir marcar nenhuma consulta entre os médicos que atendem o sistema público porque todos tem um enorme tempo de espera, você pode ver com o seu seguro de eles te reembolsarem uma consulta com um médico que não atende o sistema público.

Uma coisa que também é diferente é que no Brasil normalmente os convênios não cobrem dentista – exceto os planos mais caros – nem psicólogo, psicoterapeuta, psiquiatra, etc. Aqui os seguros públicos sempre cobrem ambos, e a maioria dos privados também. Alguns seguros (privados) cobrem também o custo de óculos novos a cada x anos (normalmente dois anos) e até um valor x.

Eu queria falar também sobre hospitais, mas aí me toquei que não sei nada sobre hospitais uma vez que nunca precisei de um aqui até agora, ainda bem.

No próximo e último post sobre o sistema de saúde alemão vou falar como funcionam as receitas e farmácias por aqui!


(Publicado em 3 de Agosto de 2016)