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Universidades alemãs: mensa

Já escrevi um pouco sobre universidades em quatro posts. Um sobre os aplausos curiosos típicos de universidades por aqui, um sobre os esportes oferecidos por universidades, outro sobre os professores, e o post mais recente, sobre bibliotecas.

Nesse post, vou abordar os típicos refeitórios das universidades alemãs, ou, como chamam os alemães, a Mensa (Mensen no plural, mas óbvio que eu vou falar as mensas e não as mensen).

Ok, pra ser honesta, não sei se eles são assim em todas as universidades alemãs, ou só aqui em Dresden. Mas eu suspeito que não sejam muito diferentes em outras universidades.

Aqui funciona assim: Tem várias mensas e cafés nos diferentes edifícios da universidade. Elas são todas bem parecidas. Para comprar algo, você precisa do cartão da mensa. É um cartão verdinho que você faz no caixa. Precisa de um comprovante de que você é estudante, que você recebe semestralmente quando faz a matrícula pro semestre seguinte, e um depósito de 5 euros (que é devolvido se você devolver o cartão).

Você coloca crédito no cartão (também no caixa) e paga colocando ele sobre uma maquininha que lê e desconta o que você gastou.

Tem as mensas restaurante, e tem as mensas café também, que só vendem uns doces e “sanduíches”. O sanduíche está entre aspas porque na Alemanha sanduíche de padaria = pão com queijo OU presunto OU salami, mais tomate e pepino.

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Studentenwerk-dresden.de

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Studentenwerk-dresden.de

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Studentenwerk-dresden.de

Nas mensas restaurantes, para pegar a comida é meio como num bufê, mas você não se serve sozinho. Tem normalmente opções de prato, que são uma combinação de alguma carne, algum carboidrato e algum legume. Por exemplo, peixe com batata e repolho. Em todas as mensas tem sempre uma opção vegetariana, já que tem bastante vegetariano na Alemanha, e em algumas tem também uma alternativa de macarrão self-service, com duas opções de macarrão e duas opções de molho (um com carne e um vegetariano). Costuma também ter um bufê (bem ruinzinho) de salada. O preço é fixo pelo prato ou por peso no caso da salada. Como costuma ter umas 3 opções de prato, às vezes dá pra vc fazer uma troca de coisas equivalentes, tipo se um prato tem arroz e o outro tem batata, se vc pede o um com batata ou o outro com arroz, normalmente não tem problema.

Mas no geral a comida é bem ruim. As opções de carne são quase sempre carne de porco, que é o que mais se come na Alemanha, e de qualidade bem questionável. Tem sempre um molho qualquer para a carne que eles jogam em quantidades tão exageradas que o prato vira quase uma sopa. Quase sempre o acompanhamento de legume é repolho sem gosto, ou outras coisas similares e os pratos no geral não são nem um pouco atrativos. As massas são moles e ruins. Eis aqui alguns exemplos tirados diretamente do site (onde fica disponível o menu da semana de cada mensa).

Chili con carne mit Reis und Salat

Chilli com carne com arroz e repolho – studentenwerk-dresden.de

Feuerfleisch vom Rind mit Kartoffelkroketten und Rotkohlsalat

Carne de porco com bolinhos fritos de batata e repolho – studentenwerk-dresden.de

Hähnchenfleisch süß-sauer an Erdnussreis

Frango agridoce com arroz e amendoim (?) – studentenwerk-dresden.de

Spargel-Gemüseragout mit Kurkumareis und Eisberg-Radicchiosalat

Arpargos com legumes, risoto e salada – studentenwerk-dresden.de

Mediterranes Pfannengemüse mit einer Rucola-Süßkartoffelschnitte

Uns legumes refogados com uma batata doce à milanesa e alface – Studentenwerk-dresden.de

Peixe à milanesa com purê de batata e brócoli.

Peixe à milanesa com purê de batata e brócoli. O único prato dos apresentados que eu comeria sem reclamar. – Studentenwerk-dresden.de

Um macarrão picante com  legumes refogados – Studentenwerk-dresden.de

Um macarrão picante com legumes refogados – Studentenwerk-dresden.de

Zwei scharfe Kokosplinsen mit Sesam-Koriander-Dip und Gemüsesalat

Não sei quê isso. – Studentenwerk-dresden.de

Sentiu vontade de almoçar lá? Eu não.

Mas se tem uma coisa que não dá pra reclamar é dos preços. Pratos como esses apresentações acima custam uma média de 2,50€, no máximo uns 3,00€. Os pratos de massas custam no máximo 2,00€. (Isso em Dresden. Em cidades maiores e mais caras os preços certamente são correspondentes!)

É, se tem algo na Alemanha que não é bonito nem atrativo são as comidas.

Mas bem, entre as sobremesas até que tem algumas coisas bem simpáticas. As opções normalmente são as mesmas em qualquer mensa: iogurte com frutas, uma fatia de bolo de limão ou de bolo mámore, umas cookies bem grandes e gostosas, algumas pães doces típicos de padarias, e algumas opções de tortas também. Nas mensas café tem sempre algumas alternativas de almoço como os já mencionados sanduíches, algum pedaço de pizza meio esquisita, coisas assim. Mas esses já costumam ser bem caros, praticamente o mesmo preço do prato de comida.

Opções de bebida são refrigerantes diversos (em garrafas), água (só com gás), e, claro, variedades de café.

E pelo site do Studentenwerk (a “organização” que organiza as mensas e as moradias estudantis) dá para ver o endereço de todas as mensas, o cardápio da semana presente e da semana seguinte, e horário de abertura.

É isso! Ficam mais umas fotos:

Neue Mensa

Studentenwerk-dresden.de

Alte Mensa

Studentenwerk-dresden.de

Uma mensa café super simpática – Studentenwerk-dresden.de

Uma mensa café super simpática – Studentenwerk-dresden.de


(Publicado em 2 de Abril de 2015)

 

Universidades alemãs: bibliotecas

Não sei se dá pra falar sobre bibliotecas de universidades alemãs como um conjunto e tão distinto de bibliotecas de universidades brasileiras. Mas eu adoro visitar bibliotecas públicas em lugares novos porque volta e meia você encontra umas muuuuito legais. E na minha universidade, a TU Dresden, tem um ótimo exemplo de uma biblioteca imperdível.

O nome da biblioteca é Sächsische Landesbibliothek Staats- und Universitätsbibliothek Dresden, convenientemente abreviado para SLUB. É a biblioteca central da universidade de Dresden, e também a biblioteca estadual da Saxônia.

O edifício da SLUB foi projetado pelo escritório de arquitetura Ortner & Ortner, e inaugurado em 2003, e tem essa cara:

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Mas essa é só uma partezinha da biblioteca. Na verdade, a maior parte da biblioteca – incluindo praticamente toda a parte aberta ao público – é subterrânea.

Vou fazer basicamente um tour virtual mostrando as diferentes coisas legais dessa biblioteca. A entrada se dá pela avenida principal que cruza a universidade, em uma pequena praça que se abre para a entrada da biblioteca. Essa praça fica literalmente lo-ta-da de bicicletas em fins de semestre e durante o verão (Não é o caso dessa foto).

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Entrada a partir da rua, chegando na praça das bicicletas

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A praça com o estacionamento de bikes (nesse dia com poucas bikes). A entrada da foto anterior aparece ali no canto à direita

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Praça de bikes na entrada, com poucas bikes. Essa foto é no outono, ou seja, bem no início do semestre de inverno. Durante o verão e primavera tem várias linhas de bicicletas no centro da praça.

Aliás, é interessante saber os momentos em que a biblioteca fica cheia. A época mais crítica é em fevereiro. Fevereiro é final do semestre de inverno na faculdade e freqüentemente o mês mais frio do inverno. Em fevereiro, se você chegar na biblioteca depois das 10 da manhã já não encontra lugar pra sentar. E olha que mesa de trabalho é o que não falta! Mas o mesmo não acontece no final do semestre de verão, em Julho/Agosto. Mesmo nas semanas de prova dá pra chegar tranquilamente a tarde e achar lugar pra sentar. Com o sol e tempo bom lá fora, acho que as pessoas não ficam muito animadas em estudar dentro da biblioteca, muito menos nessa que é subterrânea…

Mas voltando. Entrando então pela entrada principal, a primeira coisa são os armários. Uma saguão gigante lotado de armários (e em fevereiro é difícil até encontrar armário vazio, se você chegar tarde).

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Saguão de entrada, com os armários. Seguindo ali pela esquerda têm bem mais armários do que os que aparecem na foto.

Em dias de chuva as pessoas deixam seus guarda-chuvas secando sobre os armários e fica parecendo uma intervenção artística.

Em dias de chuva as pessoas deixam seus guarda-chuvas secando sobre os armários e fica parecendo uma intervenção artística.

Os armários nessa biblioteca assim como em qualquer outra biblioteca ou aliás em qualquer lugar que tenha armários para guardar coisas, na Alemanha, funciona, da seguinte maneira: A chave fica presa ao armário quando ele está aberto. Você coloca as suas coisas, e pra trancar e tirar a chave, você tem que depositar uma moeda de 1 ou de 2 euros (tem armário que aceita moeda de 1 euro, armário que aceita moeda de 2 euros, e armário que aceita as duas). Assim:

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Uma vez colocada a moeda, você fecha o armário e a ao trancar, a chave sai. Quando você voltar e colocar a chave para destrancar, a moeda inserida cai nessa bandejinha que aparece na foto, e você pega ela de volta e sai feliz e contente com seu euro. Mas isso significa que convém ter sempre uma moeda de um ou dois euros guardada num local separado da carteira para essas situações. Nessa biblioteca tem em um canto do saguão uma máquina de troco, para você trocar dinheiro e pegar umas moedas caso tenha gastado a sua moeda-de-biblioteca pra comprar um docinho na padaria de manhã.

E de quebra você ainda volta e meia encontra uma moeda esquecida num armário recentemente esvaziado! (e em compensação também esquece moedas de quando em quando ao esvaziar seu armário) Aliás, muitas coisas seguem esse esquema de depositar moeda, carrinhos no supermercado, carrinhos no aeroporto, armários em museus, academias, lugares diversos… é bem prático.

Bom. Como qualquer biblioteca, você deve deixar sua mochila e casaco no armário e entrar só com o material que for usar. Mas na verdade, ao passar pela catraca e entrar na biblioteca, o primeiro espaço é um salão de trabalho com muitas mesas onde você pode levar sua mochila e casaco. Nesse salão você pode também conversar em voz alta, diferente do resto da biblioteca. Então é onde ficam as pessoas que estão fazendo trabalhos em grupo, por exemplo, ou aquelas que chegaram realmente sem nenhuma moeda e conseqüentemente não puderam usar os armários, hehe.

Num dos lados têm os balcões e máquinas onde você empresta os livros. Nos balcões o funcionário da biblioteca faz o empréstimo pra você. Nas máquinas, você passa o código de barra do livro e a sua carteirinha e faz o empréstimo self-service! Bem prático.

Ali do lado do balcão tem também umas estantes onde ficam os livros encomendados. Nem todos os livros do acervo ficam acessíveis para você na parte aberta da biblioteca. Vários dos livros ficam guardados nos depósitos. Aí quando você quer retirar algum desses livros, você reserva e eles trazem para você do depósito e colocam naquela estante, marcado com o número da sua carteirinha para você encontrar. Os seus livros ligados à sua carteirinha vão sempre ser colocados mais ou menos no mesmo cantinho específico. E uma coisa muito legal – que eu infelizmente não tenho uma foto pra colocar – é que os livros são retirados do depósito (3 andares abaixo) e trazidos para o lugar onde ficam essas estantes automaticamente! Quando você reserva um livro (dá pra reservar pela internet), uma máquina o encontra no depósito e o coloca no elevador. Tem umas janelas dentro da biblioteca que mostram os livros chegando nas esteiras rolantes e subindo nos elevadores de livros, é bem legal! Mas eu infelizmente não tenho uma foto para mostrar. Volte aqui daqui a umas semanas e quem sabe eu tenha tirado uma foto e colocado aqui.

Também ali do lado ficam outros armários. Esses são especiais: para usar um você precisa se cadastrar e reservar. Você receberá uma chave assim que liberar um armarinho, e poderá usá-lo por 14 dias. As portas dele são transparentes de maneira que é possível ver que neles são guardados apenas livros: A idéia é que você pode usá-los para guardar os livros que estiver usando na biblioteca. Quer dizer, se você tem um livro que você está usando, mas não quer levar ele pra casa todo o dia só pra trazer de volta pra biblioteca no dia seguinte, você pode deixá-los lá nos armarinhos transparentes. Os livros dentro dos armarinhos têm que estar emprestados normalmente como se você os tivesse levado pra casa. É só um jeito sagaz de você não precisar carregá-los para lá e para cá caso vá trabalhar principalmente na biblioteca.

Daí seguindo pelos corredores da biblioteca você vai encontrar, além das várias estantes com muitos livros, muitas mesas de trabalho diferentes.

Tem mesa com banquinho alto, mesa com cadeira normal, mesa sem banquinho… e tem sempre pelo menos uma tomada por mesa com cadeira. Algumas mesas têm computadores, eu chutaria que uns 10% das mesas têm computadores fixos. E todas têm lâmpadas, claro. É bem comum para as pessoas que estão trabalhando na biblioteca deixar suas coisas na mesa quando precisa sair para ir ao banheiro, comer, fumar, sei lá. Se for uma coisa breve como ir ao banheiro, as pessoas deixam até o laptop na mesa. Se for algo mais longo como almoçar ou tomar um café na cantina, aí normalmente as pessoas levam seus eletrônicos e deixam só os livros/cadernos, etc. Não sei o quão seguro é, eu costumo deixar o laptop em saídas curtas, mas não sejamos ingênuos de achar que não há nenhuma possibilidade de furto. É um risco, talvez pequeno, mas ele existe.

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Falando ainda em mesas de trabalho, uma das melhores opções se silêncio é importante para você é o salão de leitura, ou Lesersaal, em alemão. Ele fica no nível -2, o nível mais baixo da parte aberta da biblioteca, mas tem um pé direito tão alto que chega à superfície. Ele é iluminado por aberturas zenitais (janelas no teto), sendo uma das poucas partes da biblioteca com iluminação natural durante o dia. Nesse salão há também uma área em que não é permitido usar eletrônicos, de maneira que nem o som de alguém digitando no teclado do laptop deve te incomodar.

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Lesersaal

Caso você queira fazer um trabalho em grupo na biblioteca, tem ainda outra alternativa bem legal: as salas para trabalhos em grupo. Tem salas de diversos tamanhos, para 4, 6, 10, 15 e até 20 pessoas. São salas fechadas, algumas com computador, algumas com projetor, outras só com mesas. E qualquer um pode reservá-las e usá-las gratuitamente pela internet. No site da SLUB tem um calendário mostrando os horários em que cada sala está ocupada. Claro que em certos períodos – como fim de semestre – fica difícil achar uma sala livre em horários normais (que não seja domingo às 8 da manhã, por exempl0). Mas reservando com antecedência, tudo é possível. No formulário de reserva online você pode até reservar ela repetidamente sempre naquele mesmo horário toda semana – e fazer um grupo de estudo, por exemplo. Bem legal!

E uma dessas salas de grupos é uma sala especial para pais com crianças. Tem uns brinquedos, colchões, e coisas para entreter as crianças enquanto os pais ficam trabalhando nos seus trabalhos ali do lado! Aliás, a universidade me parece bem friendly para pessoas com filhos (Não sei pq não tenho filhos, mas pelo que sei tem muitas opções pra quem quer estudar e não tem com quem deixar as crianças).

E ainda outra opção de mesa de trabalho na biblioteca – possivelmente a opção mais legal de todas – são as salinhas individuais. Você pode reservar uma salinha individual pra seu uso próprio para usar por 3 meses. Você recebe a chave da salinha e pode inclusive deixar suas coisas lá, fica sendo sua sala, mesmo. Só que claro, tem bem menos sala do que pessoas que gostariam de usar essas salas, então funciona da seguinte forma: As salas são emprestadas por 3 meses. Algumas semanas antes de começar um trimestre abre no site na biblioteca as inscrições para usar as salinhas. Você se inscreve e eles sorteiam aleatoriamente os nomes dos alunos que poderão usar as salinhas. Se você for sorteado, eles te avisam por email e você vai lá buscar a chave para usar a salinha naquele trimestre. A única condição para se inscrever para as salinhas é que você precisa estar fazendo um trabalho de conclusão de curso, dissertação ou tese. No momento de receber a chave você tem então que apresentar uma carta do seu orientador ou orientadora atestando que você está, de fato, escrevendo um TCC, tese ou dissertação. Dentre as, se não me engano, 40 salinhas disponíveis, 10 são isoladas acusticamente para que eventuais estudantes de música possam usá-las para seus trabalhos com música, também.

E, porque sentar em mesas não é o suficiente, tem pela biblioteca, também, sofás. Algumas opções diferentes de sofás. Que são usados majoritariamente para tirar uma sonequinha depois do almoço. Eu, por exemplo, fiz bom uso de um dos sofás quando tive a brilhante idéia de ir à biblioteca ler para um trabalho no dia 22 de dezembro, o último dia antes das férias de natal. Cheguei quase na hora do almoço, fiquei meia hora lendo, fui almoçar, e voltei morrendo de sono. Pensei “puxa, vou continuar lendo sentada naquele confortável sofazinho!”. Acordei 3 horas depois.

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Sofás dentro da biblioteca, ao lado do salão de leitura, freqüentemente ocupado por estudantes capotados.

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Sofás no saguão de entrada. No fundo aparecem as máquinas de devolução self-service e de troca de dinheiro.

Além de tudo isso, a SLUB tem em seus três andares abertos ainda áreas de revistas e jornais, áreas de livros raros, área de CDs e DVDs, área com copiadora e impressoras, livros de qualquer área de conhecimento (embora o acervo não seja suuuuuper bom, segundo o que me contam os alunos alemães, porque o governo gastou todo o dinheiro para construir a biblioteca e depois não tinha mais dinheiro para comprar livros! Mas não sei até que ponto essa história é verídica ou lenda urbana entre os estudantes), etc.

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E como faz para encontrar um livro específico nessa infinidade de salas, corredores, cantos e estantes? Muito fácil! No site da biblioteca tem nada menos nada mais que um mapa 3D virtual da biblioteca! Quando você procura um livro no catálogo, tem lá do lado do código de identificação do livro um botãozinho para mostrar em que estante ele está, no mapa virtual.

Pela internet, fazendo o login com seu número de carteirinha e senha, você pode ver todo o histórico de livros emprestados, livros a serem devolvidos e quando, pode fazer a renovação online, reservar as salas de grupos, reservar livros, pedir livros, etcetc. Tudo é possível pela internet. A maior parte das mídias são emprestadas por 28 dias, exceto CDs e DVDs que são emprestados por 14 dias. Esse período pode ser renovado duas vezes se não houverem reservas. E se você esquecer de devolver o livro, pode ter certeza que não escapará da multa! Só não consegui descobrir pelo site qual o número limite de mídias que podem ser emprestadas simultaneamente. Será que não tem limite?

Aliás, para ser associado da biblioteca e emprestar livros, não é necessário ser estudante da universidade. Como é uma biblioteca estadual, qualquer um pode ser membro, basta ter 14 anos de idade ou mais.

Assim como a máquina self-service de empréstimo, tem também a máquina self-service de devolução. Você passa a carteirinha, e coloca o livro numa esteira que lê o código de barras, engole o livro, e te dá um recibo de devolução. Bem prático, especialmente se você quiser devolver livros aos domingos.

Aos domingos?

Sim, aos domingos. A SLUB fica aberta todos os dias da semana e quase todos os dias do ano com pouquíssimas exceções! De segunda a sábado, o horário de funcionamento é das 8:00 à meia noite. De domingo, das 10:00 às 18:00. Alguns feriados durante o ano têm horários reduzidos de abertura, e em outros a biblioteca fecha. Mas o fato é que a maior parte do tempo a biblioteca está aberta.

Só que aos domingos e depois de certo horário não tem funcionários nos balcões de empréstimos e em outras áreas da biblioteca. De maneira que, se você quiser emprestar ou devolver um livro no domingo, tem que usar as máquinas self-service de empréstimo e devolução.

MAS, calma, não acaba aí! Saindo da área da biblioteca, e voltando ao saguão, temos ainda algumas opções de entretenimento na SLUB. Subindo um andar chegamos no andar onde tem o auditório e a cantina. A cantina, claro, possivelmente o lugar mais importante da biblioteca, tem opções diversas de sanduíches, cafés, doces e frutas, pãezinhos e salsichas. Eles pedem pra não levar marmita de casa, mas sendo essa a única área da biblioteca com mesas onde é permitido comer, esse pedido é solenemente ignorado pelos estudantes.

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Subindo mais um andar, no nível +2, tem um pequeno museu. Com livros raros, originais de pessoas importantes, e tal. O museu é uma grande sala com uma outra sala dentro dessa sala. A sala dentro da sala chama-se Salão dos tesouros! Essa sala fica trancada, mas para visitar bastar usar um interfone na porta da sala para pedir que suba alguém da administração para abrir a sala para você. Dentro dela você encontra partituras originais de Beethoven, desenhos originais de Dürer, mapas e livros extremamente antigos, e, pasmem, pasmem, o calendário maia do Fim do Mundo! Sim, ele mesmo, aquele calendário que terminava em 2012 e fez as pessoas acharem que o mundo terminaria então fica ali, no salão dos tesouros da biblioteca de Dresden, acessível para visita de Segunda a Domingo das 10:00 às 18:00!

É isso, agora acho que falei tudo. Provavelmente amanhã eu vou lembrar de mais alguma coisa muito legal relacionada a essa biblioteca que eu esqueci de falar, mas enfim. De qualquer maneira, fica a dica: se você for arquiteto, a visita à biblioteca é imperdível. Se você não for arquiteto, mas for um amante de bibliotecas, também. Se você não for nem arquiteto nem amante de livros ou bibliotecas, vá pelo menos para ver o tal calendário Maia.

Ficam aí mais algumas fotos:

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(Publicado em 31 de Março de 2015)

 

Universidades Alemãs: esportes

Eu queria já há um tempo fazer uma série de posts sobre aspectos das universidades alemãs. Mas claro, tudo o que eu posso dizer a respeito de universidades alemãs é baseado na minha experiência com a universidade onde eu estudo – a Universidade Técnica de Dresden.

Uma das coisas que me impressionou logo no início do curso foi a quantidade de esportes oferecidos pela Universidade semestralmente. Aliás, mais que semestralmente. Tem também esportes oferecidos nos dois períodos de férias – durante março, e durante agosto e setembro.

Só para dar um exemplo da variedade, nesse semestre de inverno (os semestres aqui são denominados semestre de inverno – o primeiro semestre, que vai de Outubro até Fevereiro – e semestre de verão – o segundo semestre, que vai de Abril a Julho) tem, entre os esportes mais comuns, também as seguintes opções:

Canoagem, sinuca, frisbee, caminhada, esgrima, equilibrismo (segundo o wikipedia chama Slackline também em português: se equilibrar em cima de uma corda. Eu chamo de equilibrismo), malabarismo (sim, malabarismo), danças diversas (flamenco, salsa, samba, hip hop, dança havaiana, dança do ventre, jazz), todas as ginásticas possíveis, lutas variadas (ju jutsu, jiu jitsu, Kung Fu, Krav Magá, defesa pessoal), esportes de inverno diversos (ski, patinação no gelo), patinação, bicicleta, sauna (?? sei lá o que se aprende num curso de sauna, mas tem), arco e flecha, xadrez, capoeira (!) e até bateria de escola de samba.

Oswald Hicker - Flickr

Oswald Hicker – Flickr

Isso sem falar, claro, nos clássicos futebol, basquete, vôlei, natação…

Ou seja, basicamente qualquer esporte que lhe vier à mente, ou até atividades que muito duvidosamente poderiam ser denominadas esportes (sauna??), dá pra fazer na universidade. Alguns são oferecidos por outras escolas/academias/empresas que oferecem esportes específicos, mas aí numa turma especial para a universidade por um preço bem mais baixo que o normal.

O que nos leva ao próximo assunto: tem que pagar? Sim. Mas é basicamente um valor simbólico. A maioria dos cursos custa apenas 20€. O semestre inteiro. Vale super a pena! Alguns cursos são um pouco mais caros, como canoagem, que custa 40€, e os cursos oferecidos por externos ficam na faixa dos 40, 50€. Mas raramente mais que isso.

Outra coisa muito legal é que os cursos não são restritos aos estudantes da universidade. Cada curso tem três preços: o primeiro, mais baixo, para estudantes, o segundo para funcionários, e o terceiro (normalmente na faixa dos 60€ para cursos que custam 20€ para estudantes) para pessoas sem ligação com a universidade. Alguns poucos cursos não têm essa opção, mas a maioria é aberto para pessoas de fora também.

Mas para se registrar para algum desses cursos tem que ficar atento: tem uma data de matrícula que vale para todos os cursos, mas cada um tem um horário específico em que o cadastro (online) abre. As matrículas para os cursos mais concorridos (os esportes mais comuns, e também alguns mais diferentões que servem a muitos gostos) acabam literalmente em segundos. Tem que ficar pronto no site atualizando até abrirem as inscrições e fazer tudo o mais rápido possível. Semestre passado tentei me inscrever para o curso de canoagem, cliquei no botão de inscrição no exato momento em que ele apareceu, digitei meus dados o mais rápido que pude, e quando cliquei “OK” as vagas já tinham terminado! Foi bem frustrante… mas com os outros cursos que tentei não foi tão extremo (patinação, patinação no gelo, krav magá). Os cursos mais concorridos também têm uma infinidade de vagas (vôlei, basquete, futebol…) em mil horários diferentes.

Bloemmie29 - Flickr

Bloemmie29 – Flickr

E, novamente, estou falando especificamente da TU Dresden… mas suspeito que em outras universidades não seja tão diferente.

Mas se você estudou em universidades brasileiras, você já deve ter notado uma diferença bem básica: os esportes e cursos não são ligados a nenhuma faculdade específica. Ou seja, as faculdades não têm seus times próprios de esportes, e, consequentemente, aquelas competições inter faculdades ou inter universidades também não existem por aqui. (Bom, talvez as faculdades de educação física tenham algo do tipo, já que é mais específico da área. Mas para um aluno regular de outras áreas certamente não tem aqueles eventos famosos “inter…” super típicos e importantes nas universidades brasileiras.


(Publicado em 1˚ de Outubro de 2014)

 

Universidades alemãs: professores

Continuando o tema de universidades alemãs, algumas particularidades no comportamento dos professores daqui são dignas de nota.

A primeira e mais bizarra de todas: 100% das aulas que eu tive na Alemanha até o presente momento começaram com o professor perguntando aos alunos se tem mais gente chegando, ou se ele pode começar a aula. Essa é uma pergunta que me irrita profundamente. Eu entendo que o professor não queira ser interrompido por alunos chegando atrasados. Mas o que ele espera, quando pergunta aos alunos já presentes na sala, se tem outros alunos que estão a caminho? Sabe, eu não telefono para todos os meus colegas de classe de manhã para saber se eles vêm ou não à aula, ou a que horas pretendem chegar! Como é que eu vou saber se tem mais gente a caminho? Os professores devem imaginar que moramos todos na mesma república, ou então que a primeira coisa que fazemos ao acordar de manhã é postar na página do facebook da turma o horário em que pretendemos chegar na universidade, sei lá! Não faz sentido, essa pergunta! Eu tenho uma vontade muito incontrolável de responder “COMO vc espera que a gente saiba onde estão os outros!! Nós já estamos aqui!”. E sabe, no nosso caso, a gente é uma turma de 15 pessoas, dá até pra perguntar se a turma está completa ou não, isso dá pra responder. Só que mesmo na disciplina que dividimos com outro curso, somando umas 40 ou 50 pessoas na sala, os professores fazem a mesma pergunta! Quer dizer, eu não sei nem dizer se tem alguém faltando, eles ainda querem que eu diga se os faltantes estão ou não estão a caminho! Sei lá, olha pela janela e vê se tem mais alguém vindo! De verdade, essa pergunta me tira do sério.

Aliás quanto à pontualidade, os alemães são mesmo bem alemães. Pela minha experiência, os professores ficam com tudo preparadinho, powerpoint no modo apresentação, olhando pro relógio esperando dar a hora oficial de início da aula, para começar a falar. Se isso parece exagero desnecessário, pelo menos é positivo no fim da aula. Eles são conseqüentes: as aulas nunca ultrapassam o horário de término. O professor fica de olho no relógio para ter certeza que vai respeitar o horário da aula. Com freqüência, se der o horário de término e o professor ainda não tiver terminado o que pretendia falar, ele interrompe mesmo, com bom-obrigado-até-logo. E se ocorrer de ele passar do horário, ainda que só dois minutos, não é desrespeitoso se algum aluno avisar que o horário de término já passou. Eles respeitam e ainda pedem mil desculpas. Mas bom, essa é a minha experiência particular. Não sei dizer se vale para qualquer curso em qualquer universidade. No nosso é sempre assim.

Sobre a quantidade de mulheres em cargos de professores universitários, não tenho dados concretos, mas pela minha impressão e experiência, aqui tem bem menos professoras que no Brasil. Pelo menos comparando com a faculdade que eu cursei, Arquitetura da USP, onde a taxa era de 44% de professoras e 56% de professores (contei agora pelos nomes no site da faculdade). Meu namorado, que cursou arquitetura aqui, conseguiu apontar apenas duas professoras na sua faculdade. Na minha, ainda não conheci nenhuma.

Embora a Alemanha esteja bem na frente em termos de igualdade de gêneros, essa diferença é bem gritante. Talvez o motivo seja o fato de que aqui os professores das universidades (que são todas públicas) não são contratados por concurso público, mas indicados para o cargo por outros professores ou pessoas em altos cargos na universidade. Basicamente não dá para você se candidatar, alguém tem que te indicar. Estranho, fato. Mas pelo menos existem algumas políticas que admitem o problema e tentam corrigi-lo: no caso de um homem e uma mulher terem sido apontados para o cargo e terem qualificações semelhantes, a preferência será dada à mulher.

Outra peculiaridade é que os professores, todos, são sempre tratados pelo sobrenome, e sempre tratam os alunos pelo sobrenome. Isso faz parte daquelas coisas que a gente já sabe sobre os países norte-americanos e norte-europeus, mas é mto difícil se acostumar a ser tratada pelo sobrenome! Isso, claro, é característica da relação professor-aluno por aqui. Aqui os alunos têm bem menos contato direto com o professor, a relação é bem distante. Ninguém jamais adicionaria seu professor no facebook (mas bom os alemães quase não usam facebook. Preciso falar disso em outro post.)

Para finalizar, algumas fotos de universidades alemãs:

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O belo edifício da faculdade de biologia da TU Dresden. Droga, devia ter estudado biologia. (Hm, só que aí eu não poderia apreciar o quão belo é esse edifício! Esquece.)

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Auditório da TU Dresden

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Edifício do Instituto de gestão florestal da faculdade de ciências ambientais da TU Dresden no outono.

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Mesmo edifício por dentro, também bem legal. Aliás, todos os edifícios de universidades alemãs que eu visitei até agora são super novinhos e bem cuidados e limpinhos. Not bad, Alemanha, not bad.


(Publicado em 4 de Dezembro de 2013)

 

Universidades alemãs: aplausos curiosos

Universidades alemãs tem diversas particularidades interessantes e diferentes do Brasil. Não vou abordá-las todas num único post, ouvi dizer que é melhor criar suspense.

Mas uma das peculiaridades mais interessantes, e totalmente específica da Alemanha, são os “aplausos” ao final da aula.

Você já está pensando aí com seus botões, como assim, o que tem de especial em aplaudir a aula, super normal, a gente também aplaude!

Mas a diferença reside no aplauso. Eis que na Alemanha não é exatamente um aplauso. Ao final de uma aula na universidade – e isso é exclusivo das universidades, em outros eventos aplaudíveis o aplauso é normal – os alunos batem na mesa com os nós dos dedos (também não sabia que chamava assim, quem me disse foi o Google translator, mas nó dos dedos são aqueles ossinhos da mão que você usa para verificar se um mês tem 30 ou 31 dias), da mesma maneira que você bateria numa porta antes de entrar, só que na mesa! Assim:

Eu sei, eu sei, é provavelmente a coisa mais bizarra que você já ouviu sobre a Alemanha nesse blog ou em qualquer outro lugar! Mas é verdade e totalmente difundido: provavelmente qualquer aula em uma universidade alemã que você presencie terminará com a típica batidinha de nós-de-dedos na mesa. Se você chegar desavisado vai achar totalmente incompreensível e talvez imaginar que os alunos estão fazendo graça do professor ou coisa do tipo. Mas é o equivalente de um aplauso.

Pesquisei um pouco e descobri um artigo no Deutsche Welle sobre o assunto, que descreve algumas possibilidades para a origem deste curioso costume alemão. Segundo o artigo, não existem estudos sobre o assunto e portanto a origem não é certa. Mas o autor sugere (entre outras alternativas) que possa ser relacionado ao fato de que ao final das aulas, há uns dois séculos atrás, aos alunos munidos de suas penas e pergaminhos (ok, pergaminhos talvez não) restava apenas uma mão livre para demonstrar seu entusiasmo com a proeminente fala de seu ilustre professor. Aparentemente deixar a pena de lado por alguns segundos para um aplauso normal era irrealizável restando-lhes apenas a oportunidade de bater na mesa como se fosse uma porta. Plausível.

Origens duvidosas à parte, interessa saber que bater na mesa é um gesto multifuncional!

Se quando realizado ao final da aula representa aplausos, ao ser efetuado poucos minutos antes do horário de término da mesma indica ao professor que a aula já durou o suficiente e os alunos estão cansados e desesperados para que chegue ao fim. Alunos batendo na mesa com esse intuito eu nunca presenciei, mas segundo o meu namorado, com mais anos de experiência em universidades alemãs que eu, acontece sim, de vez em quando, e não é desrespeitoso como soa! Conveniente!


 

(Publicado em 13 de Novembro de 2013)

Sistema educacional alemão

Continuando na linha dos “sistemas numéricos que não fazem o menor sentido”, o sistema de notas nas escolas e universidades alemãs também é bem questionável.

As notas podem variar de 1 a 6, onde, pasmem, 1 é a nota mais alta e 6 é a nota mais baixa.

Cada número significa um “conceito” variando de muito bom para insuficiente.

1 = sehr gut (muito bom) – entre 90% e 100%

2 = gut (bom) – entre 80% e 90%

3 = befriedigend (satisfatório) – entre 65% e 80%

4 = ausreichend (suficiente) – entre 50% e 65%

5 = mangelhaft (deficiente) – menos de 50%

6 = ungenügend (insuficiente) – também menos de 50% só que tipo bem menos

4 é a nota mínima (máxima?) para aprovação. Então se você tirar 5 ou 6, é reprovado. Portanto para facilitar, nas universidades eles costumam usar notas só de 1 a 5, meio numa idéia de não precisar especificar o quão mal vc foi, apenas que foi mal o suficiente para não passar.

O que eu acho que não condiz muito com a cultura alemã… os alemães são mega precisos e específicos, acho que faria muito mais sentido para eles dizer exatamente o quão mal você foi na prova. Mas enfim!

E já que estamos falando de notas, porque não uma breve explicação do complicado e esquisito sistema educacional alemão?

Na Alemanha tem algumas opções diferentes de escolas. Achei um desenho na internet que resume bem como funciona:

Como fica claro por essa bela palavra colorida em comics sans a vida escolar começa no Kindergarten, ou Jardim de Infância, aos 3 anos de idade. Claro que para crianças mais novas tem creches, também. E a educação obrigatória só começa na Grundschule, ou escola primária.

Aliás, aqui na Alemanha esse negócio de educação obrigatória é levado muito a sério. Se a criança estiver fora da escola, a polícia vai lá na casa da criança buscar a criança e levar para a escola. (claro, não pq vc faltou na aula um dia, mas se vc tiver sumido da escola sem explicações, e tal). Aliás, se vc faltar na aula um dia, já deve explicações para a escola.

Mas enfim, a Grundschule, ou escola primária, começa aos 6/7 anos de idade e dura 4 anos. E aí vem a parte estranha da história: aos 10 anos de idade você já tem que escolher para que tipo de escola você vai: Hauptschule, Realschule ou Gymnasium. Não é uma escolha totalmente livre, o professor vai orientar os pais do que é mais indicado para a criança de acordo com as notas. Cada tipo de escola tem uma quantidade diferente de anos e só com um diploma do Gymnasium que você pode ingressar na universidade, então a escolha aos 10 anos de idade basicamente decide se vc vai ter um emprego simples que não exige qualificação, um emprego médio que só exige qualificação tipo ensino técnico, ou um emprego que exige qualificação universitária. Um tanto cedo para definir todo o futuro da criança, na minha opinião.

Mas sejamos um pouco mais específicos: a Hauptschule dura 5 anos, portanto você estuda até os 14/15 anos mais ou menos. O mínimo permitido por lei.

A Realschule tem 6 anos e com o diploma da Realschule você pode fazer um ensino técnico para profissões que não exigem alta qualificação.

o Gymnasium dura 8 anos, então você termina com 17/18 anos (depende do estado, em alguns estados tem um ano a mais) e faz ao final o Abitur. O Abitur é uma prova nacional estilo vestibular, só que não específica para cada universidade, mas geral do país. É tipo a prova mega-final do colegial.

Um Gymnasium.

Um Gymnasium.

Com o Abitur é que você pode se inscrever em universidades, e ser aceito dependendo da sua nota. Se você não tiver tido nota suficiente para a universidade ou o curso que você quer fazer, você ou fica na lista de espera ou tenta um outro curso ou universidade que exija uma nota um pouco mais baixa. Na verdade a diferença maior vai ser entre os cursos, porque não tem uma grande diferença entre as universidades alemãs. A grande maior parte é pública e num nível similar de qualidade. Inclusive para alguns cursos, como medicina, você não pode escolher a universidade. Você se inscreve numa instituição central, que então distribui os alunos entre as diversas universidades.

Nem todos os cursos universitários exigem uma nota específica, então ainda que você tenha ido mal no Abitur, você consegue ingressar em algum curso de alguma universidade. Mas o Abitur tem uma nota mínima para passar também, de acordo com aquele sistema de notas explicado no começo. Então se você tirar 5 no seu Abitur, você não passa e portanto não pode se inscrever na universidade, mas tem que repetir o último ano do colegial.

Basicamente aqui não tem a questão das universidades públicas não terem vagas suficientes para todos os alunos que querem estudar. Mas algumas universidades são bem lotadas, e nos primeiros anos em alguns cursos tem aluno assistindo aula sentado no chão e tal. Então não é totalmente perfeito.

E, claro, esse sistema maluco de decidir o quão inteligente você é para fazer a escola boa, média ou ruim aos 10 anos é bem questionável. Mas existem atalhos e caminhos entre as escolas e portanto não é que se você for fazer a Haupschule seja completamente impossível forever fazer um curso universitário depois. Mas não é muito comum.

O sistema todo é portanto bem mais complicado do que esse resumo, e melhor explicado por esse maluco diagrama abaixo:

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A Hauptschule costuma ser bem ruim e bem mal vista e falam de fechá-las e deixar só Gymnasium e Realschule. E também há discussões sobre fazer uma escola única que vai até o final, afinal todo mundo é esperto o suficiente para terminar o colegial e é altamente tosco definir que uma criança de 10 anos é muito burra para fazer o Gymnasium… quem sabe mudem isso em algum momento do futuro. Mas, pelo menos, as escolas são na sua grande maioria públicas, e suficientes para todas as crianças. Tem escolas particulares, também, mas é bem incomum estudar em escola particular.

E boa qualidade e suficiente oferta das universidades públicas é também super positivo, claro. (E, pasmem, a infraestrutura das universidades públicas NÃO está caindo aos pedaços!). Na maioria dos estados a universidade é gratuita, mas você paga uma taxa de uns 200 euros no começo de cada semestre. A maior parte dessa taxa é para pagar o seu bilhete de transporte público ilimitado que vale no estado inteiro, e o resto vai para o grêmio estudantil. Então na verdade você não paga nada para a universidade em si. Em alguns poucos estados isso é diferente e tem também uma taxa que você paga para a universidade no começo do semestre, de uns 500 euros. Mas essa taxa é super impopular e está sendo aos poucos extinta em todos os estados.

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Uma universidade alemã.

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O edifício da Faculdade de Biologia da Universidade Técnica de Dresden.

Biblioteca da Universidade Técnica de Dresden

Biblioteca da Universidade Técnica de Dresden

Comecei esse post querendo falar sobre o sistema de notas na Alemanha e acabou virando um post sobre todo o sistema educacional! Mas tudo bem. Em breve escrevo um post mais específico sobre coisas interessantes referentes às universidades.

Mas resumindo: a educação é pública e decente, embora tenha seus problemas e coisas a melhorar!


(Publicado em 20 de Setembro de 2013)