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Ciclovias de longa distância

Há duas semanas atrás fizemos uma atividade nova para a gente (ou melhor, pra mim), mas bem comum entre os alemães: Um tour de longa distância de bicicleta! Pedalamos 60km, de um local na Böhmische Schweiz (o lado tcheco da Sächsische Schweiz) até em casa, em Dresden. A pedalada demorou 5 horas (contando três paradas de aproximadamente 20 min) e foi uma das coisas mais legais que eu já fiz por aqui: o caminho ao longo do vale do rio Elba é super cênico e o sentimento de missão cumprida ao chegar em casa depois de 60km na bike é ótimo.

O mais legal é que pela Alemanha há diversas ciclovias de longa distância, de maneira que se você for dessas pessoas ativas que gosta de pedalar por horas a fio, não vai precisar se arriscar pedalando do lado de carros há 120km/h. (Fora que nenhuma auto-estrada é assim nossa, que lugar bonito!)

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A ciclovia em que pedalamos, que cruza a Sächsische Schweiz, chama-se Elberadweg. Como diz o nome, é uma ciclova ao longo do rio Elba, mas o mais impressionante: ao longo de TODA a sua extensão!! Um total de 1260km de ciclovia, muitas vezes dupla (duas ciclovias, uma em cada margem do rio), começando na nascente do rio Elba, na República Tcheca, passando por Praga, pelas paisagens maravilhosas da Sächsische Schweiz, por Dresden, Meißen, Dessau, Magdeburg, Hamburgo e terminando na foz do Elba no Mar do Norte, quase na Dinamarca! Perto desse total, nosso tour de míseros 60km ficou até sem graça!

mapa Elberadweg

Mas ter uma ciclovia dessas na porta de casa é realmente um privilégio pra quem gosta de pedalar. Mesmo percorrendo um pequeno trecho você já vai cruzar pequenos e bucólicos vilarejos, campos, florestas, passar por castelos, maravilhosas montanhas (vistas do vale do rio, claro) e grandes cidades. É um caminho extremamente cênico.

E bastante conveniente é ser uma ciclovia ao longo de um rio, o que significa que ela é relativamente plana a maior parte do percurso. Principalmente se você escolhe descer o rio (ou seja, em direção a Hamburgo), não haverá longas e difíceis subidas.

E porque na Alemanha não poderia ser diferente, é claro que tem um site do Elberadweg com mil informações super detalhadas do percurso todo incluindo mapa interativo, pontos de interesse ao longo do percurso como biker-friendly hotéis, pensões, restaurantes e cafés, além de pontos turísticos, etcetcetc. Dá pra planejar todo o seu passeio, tirar um mês de férias e percorrer a ciclovia completa, parando nos diversos pontos interessantes pelo caminho!

Para terminar, ficam algumas fotos da região do nosso passeio!


Leia também os outros posts com o tema bikes!

Pedalando na Alemanha 1 – Onde e para quem
Pedalando na Alemanha 2 – Quando pedalar e onde estacionar
Pedalando na Alemanha 3 – Com chuva e carga
Bikes para alugar
Bicicletas e polícia


(Publicado em 04 de Agosto de 2018)

Viajando pela Alemanha – Atualizado

Em Março de 2013, no comecinho da vida deste ilustre blog (que hoje completa exatamente 4 anos de idade), eu escrevi um post sobre como viajar pela Alemanha.

Naquela época a maior parte das viagens a gente fazia com Mitfahrgelegenheit – esquemas de caronas pagas combinadas pela internet. Viagens de trem eram super caras e as companhias de ônibus estavam apenas começando a existir.

Citando um trechinho do post: “Até pouquíssimo tempo atrás, não tinha nenhuma empresa fazendo conexões rodoviárias entre cidades alemãs, nem era permitido. Existia uma lei que proibia conexões rodoviárias de longa distância, com a intenção de manter o monopólio dessa viagens com a Deutsche Bahn, a empresa ferroviária, que é estatal. Não sei detalhes da história, mas recentemente essa lei mudou, e a partir do início de 2013 algumas empresas já começaram a oferecer viagens de ônibus. Os preços são melhores que os trens, então quem sabe a competição não faça com que os preços dos trens caiam também.”

Realmente de lá pra cá as coisas mudaram bastante, e principalmente por causa dessa mudança na lei. Então vale a pena um post atualizado sobre o assunto. Em 2013 várias empresas de ônibus começaram a aparecer aos poucos oferecendo cada vez mais possibilidades de trechos e horários. As passagens de ônibus costumam ser muito baratas. A conexão que eu faço com mais freqüência de ônibus – Dresden-Berlim – costuma custar tão somente 6 euros. O percurso é relativamente rápido, entre 2h e 2h30 dependendo da estação em que você subir e descer. Nos primeiros anos depois da mudança tinham várias companhias oferecendo o mesmo percurso. Mas elas foram se fundindo (uma foi comprando as outras) e agora a companhia principal é o Flixbus. No começo eles faziam viagens só dentro da Alemanha, mas agora já dá pra ir quase pra qualquer lugar da Europa.

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Conexões do Flixbus

Só que ônibus acaba só valendo a pena para ir para locais não muito distantes. Com essas conexões todas, qualquer ônibus que você pega vai quase sempre parando em várias cidadezinhas no caminho, o que deixa a viagem muuuuito longa. O trem raramente precisa desviar do caminho pra parar numa estação em uma cidade qualquer, porque normalmente a estação já está no caminho do trem. Mas o ônibus tem que sair da estrada, entrar na cidade – onde tem semáforo e limite de velocidade – e essas paradas acabam fazendo você perder muuuuito tempo. O percurso mais longo que fizemos de ônibus até agora foi daqui de Dresden até Viena, 6 horas de viagem (480km) parando só em Praga no meio do caminho. Foi relativamente tranquilo. Mas para ir por exemplo para Colônia (580km) demora 9 horas de ônibus. Vai parando em várias cidades no meio do caminho… acaba nem valendo a pena, de trem demora menos de 6h!

Mas e os preços do trem? Isso é outra coisa que mudou muito do post antigo pra cá. As passagens de trem costumavam ser sempre muito caras. De Dresden pra Colônia, por exemplo (é um percurso que eu faço com freqüência também) a gente costumava pagar pelo menos 70 euros cada trecho. Hoje tem umas promoções de passagens por 29 ou 19 euros, e se você tiver uma relativa flexibilidade de data e comprar as passagens com antecedência, você quase sempre encontra as passagens com promoção. Nos últimos 2 ou 3 anos a gente passou a viajar muito mais frequentemente de trem, e foram pouquíssimos os casos em que não conseguimos uma passagem na promoção. A última passagem que compramos que foi mais cara que isso foi uma para dois dias antes do Natal. Custou por volta de 70 euros, e se tivéssemos comprado para o dia anterior, teríamos pago 24! Mas não tinha como não ir trabalhar naquele um dia, então não teve jeito… Então com um pouco de flexibilidade e antecedência, hoje em dia você sempre acha passagens de trem pagáveis.

Além disso, se você pega trens com relativa freqüência você pode ainda comprar um cartão de desconto. Tem um que dá desconto de 25% sobre quaquer passagem, 50% ou até 100%! A gente tem o Bahncard 25, de 25% de desconto, que é o ideal para quem viaja ocasionalmente. A gente costuma pegar trem umas 4 vezes por ano, e já vale a pena, já que o cartão custa só 60 euros. Além de ser barato, tooooda hora tem umas promoções de compre um bahncard 25 e ganhe outro de graça, ou teste o Bahncard 25 por 3 meses de graça, etc.

O de 50% de desconto já é para pessoas que viajam com bastante freqüência, já que custa 255 euros. E o de 100% de desconto é mais para firmas comprarem para empregados que precisam todo dia ir para uma cidade diferente a trabalho, porque custa 4.200 euros! Mas se você trabalhar para a Deutsche Bahn você tem o Bahncard 100, parte dos benefícios!

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Com essas facilidades todas de trens e ônibus, acabou ficando bem raro pra gente usar a Mitfahrgelegenheit. Basicamente para cidades próximas – como Berlim – nós vamos de ônibus, e cidades mais distantes, de trem.

Há também outros aspectos que vale a pena comparar entre trem e ônibus, além do preço e tempo de viagem:

Viajar de trem é beeeem mais confortável que de ônibus. Tem restaurante no trem, você pode sempre levantar e dar uma volta pra esticar as pernas, passa uma pessoa vendendo café… se você, que nem eu, às vezes passa mal em viagem, o trem com certeza é melhor que ônibus…

Outra vantagem do trem é que dá pra reservar lugar. O Flixbus não tem lugares reservados o que é péssimo não só pelo risco de você não conseguir sentar com a pessoa que está viajando com você – caso o ônibus esteja muito cheio – mas também pela confusão que fica na hora de entrar no ônibus, todo mundo no desespero de ser o primeiro a entrar pra pegar lugares juntos… E se você pega o ônibus numa estação intermediária, às vezes ele já chega cheio… No trem dá para reservar lugar (nos ICs e ICEs, nos trens regionais não dá), mas você paga extra: 4,50 por viagem. A gente quase sempre reserva porque você pode realmente correr o risco de viajar de pé. Já isso é uma desvantagem do trem: no ônibus eles não podem vender mais passagens que assentos, então você com certeza vai sentado. Mas no trem pode, e tem vezes que fica realmente realmente cheio. Viajar de pé ninguém merece… Então por via das dúvidas a gente sempre reserva lugar.

Também vantajoso nos trens é que os funcionários da Deutsche Bahn costumam ser simpáticos (há, claro, exceções). No Flixbus, motoristas simpáticos é que são exceção… e meu deus, às vezes são umas pessoas realmente MUITO grossas.

Um ponto que costumava ser vantajoso em viajar de ônibus era que tem Wi-Fi grátis. Ainda tem, mas agora tem nos trens também (demorou!). E em ambos tem tomadas do lado de cada assento.

Acho que é isso!

Aqui nesse post eu falei mais sobre trens e estações, como funciona tudo direitinho. Vale a pena se você está só viajando por aqui e não fala alemão, tem umas boas dicas para você não perder seu trem! 🙂


(Publicado em 16 de Março de 2017)

Se reunindo pra ver fotos de viagem

Hoje eu acordei com a seguinte mensagem no meu whatsapp, de uma amiga brasileira daqui:

Gente. Já aconteceu isso com vcs? Fui convidada por uma conhecida pra ir pra casa dela pra fazer uma festinha pra ela apresentar um PPT de como foram as férias dela. Tava sério, muito bege. Tava pensando que cilada eu vim parar! Já tava durando 1,5h e ainda não tinha acabado qdo fui embora!

S.I.M. Já aconteceu. MUITAS vezes.

Esse é um programa típico entre alemães que eu jamais compreenderei: convidar os migos em casa pra assistir o fulano mostrar as cinqueta e sete mil, novecentas e trinta e nove fotos da viagem de 5 semanas que ele fez nas Montanhas Tarvagatai na Mongólia.

Não é que eu não queira ver as fotos das montanhas Tarvagatai na Mongólia. Eu até quero. Eu acho bem bonitas as montanhas Tarvagatai na Mongólia. Mas eu gostaria de ver as fotos das montanhas Tarvagatai na Mongólia assim, de boa, na minha casa, no face, no meu ritmo, onde eu vou pulando as fotos que eu achei chatas, olho com mais cuidado uma ou outra aqui e ali, posso girar o olho pra selfie boba do fulano com o almoço mongolês dele, não necessariamente ficar meia hora olhando a foto embaçada bem de longe de algo que talvez possa ter sido um leopardo das neves, pular as fotos dele abraçando o guia mongolês que levou ele no tour das montanhas Tarvagatai na Mongólia, etc.

Mas assim, num powerpoint preparado com a pessoa me contando pra cada foto mil coisas que certamente são muito interessantes pra quem esteve lá mas totalmente x pra quem não esteve… “Aqui nesse pedaço de grama aqui tá vendo que tem uma manchinha meio escura? O guia falou pra gente que era uma pegada de lobo aqui!! Parece que os lobos aparecem aqui a noite às vezes, eu acho que talvez tenha ouvido um lobo a noite quando eu tava dormindo e sonhando com lobos, e…”

Não, gente!! Não!!

E isso quando eles preparam! Tem vezes que é tipo “ah, então, eu trouxe aqui as fotos da minha viagem pra te mostrar, eu não fiz uma seleção, ainda, mas….”

nãããããoooooooooo….. e lá se vão mais 3 horas da minha vida assistindo foto de viagem alheia!! Não mereço!!!

Quando a pessoa te convida pra ir na casa dela ver isso, beleza, vc ainda pode inventar uma desculpa, sair de finininho depois de meia hora… mas não é incomum que a pessoa chegue na sua casa convidada prum jantar entre amigos qualquer, trazendo o HD com as malditas fotos da viagem….

E aí quando finalmente terminam as fotos, o amigo fala “bom, essas foram as fotos dos primeiros três dias. Agora deixa eu entrar aqui na outra pasta com as fotos dos 3 dias seguintes…”

Nessas eu já tive que assistir até slideshow COM SLIDE DE VERDADE de fotos de uma viagem que a pessoa tinha feito em MIL NOVECENTOS E OITENTA E TRÊS. POR QUÊ? POR QUÊ?

Eu não agüento nem olhar as fotos das minhas próprias viagens desse jeito! Já tive várias briguinhas com o namorado que faz toda uma seleção de fotos da viagem e aí vai nos encontros de família e quer ficar mostrando uma por umaaaaaaaaaa nãããããooooooooo……

Sério, todo ano (pq isso acontece mto comigo no final do ano, quando encontramos a família e alguns amigos pro Natal) eu sofro com isso e tudo o que eu queria era levar algum migo brasileiro comigo pra ter com quem trocar uns olhares discretos e me sentir compreendida… porque os alemães, além de gostar de mostrar as fotos da viagem, também gostam de assistir as fotos das viagens alheias em slideshows de 2 horas… então no final não dá nem pra você comentar com o outro amigo que tb estava lá vendo as fotos “meu deus, o que foi isso!!!??”!

Então fique avisado. Se você vier pra cá. E fizer amigos alemães. Quando eles te convidarem pra ir na casa deles ver as fotos da viagem… é pra ir na casa deles ver um slideshow de três horas e meia com todas as doze mil oitocentas e quarenta e duas fotos que ele tirou na viagem de 5 semanas pras montanhas Tarvagatai na Mongólia. Boa sorte.


(Publicado em 6 de Novembro de 2016)

Trens alemães

Embora eu já tenha escrito um post sobre como viajar pela Alemanha e outro sobre transportes públicos – que mencionam algumas coisas sobre trens – vale a pena fazer um post só sobre os diferentes tipos de trens alemães.

O transporte sobre trilhos é um dos principais e mais tradicionais meios de transporte na Alemanha. Para ter uma idéia, a Alemanha é o sexto país com mais ferrovias, 41.981km, perdendo apenas para Canadá, Índia, China, Rússia e Estados Unidos, países infinitamente maiores em área que a Alemanha. Em relação à área, a Alemanha é provavelmente o país com mais quilômetros de ferrovias por km².

Todas as conexões de trem na Alemanha. Em Vermelho, conexões de ICE, em azul, conexões de IC, e em cinza, conexões de trens regionais e outros. Bahn-Streckenkarte_Deutschland.png: Qualle derivative work: YouthOfSword (talk) - Bahn-Streckenkarte_Deutschland.png - Wikipedia

Todas as conexões de trem na Alemanha. Em Vermelho, conexões de ICE, em azul, conexões de IC, e em cinza, conexões de trens regionais e outros.
Bahn-Streckenkarte_Deutschland.png: Qualle derivative work: YouthOfSword (talk) – Bahn-Streckenkarte_Deutschland.png – Wikipedia

Viajar de trem na Alemanha é portanto comum – mas não é barato. Para encontrar a opção mais econômica, é bom ter uma noção das possibilidades que a Deutsche Bahn – a companhia ferroviária alemã – oferece. A começar pelos tipos de trem. Primeiro uma definição simples: normalmente na estação você vê trens brancos e trens vermelhos. Os brancos são os trens de longa distância, e os vermelhos, os de curta distância.

ICE – Intercity Express

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“ICE3 Cologne” by Heinz Albers, http://www.heinzalbers.org–%5B%5BUser:Heinz Albers|Heinz Albers]] – Wikipedia

O ICE é a opção mais rápida, e também a mais cara. Os ICEs fazem as conexões entre as principais cidades com poucas paradas pelo caminho. São os trens mais modernos e rápidos da Alemanha, podendo atingir 320km/h!! Ó, mas que rápido! A ironia é que embora os trens tenham essa capacidade, os trilhos não têm. Sim, você entendeu certo. Os trens podem viajar a 300km/h, mas não sobre os trilhos existentes por aqui. Tem apenas duas linhas ferroviárias na Alemanha que suportam a velocidade da última geração dos ICEs, a conexão entre Frankfurt e Colônia, e uma conexão entre Nuremberg e Ingolstadt. Na maior parte das outras linhas, os ICEs têm que viajar na metade da velocidade de que são capazes. =/

O mapa abaixo mostra as linhas por onde os ICEs viajam e as velocidades permitidas de acordo com a legenda de cores.

“ICEtracks” by Classical geographer – Wikipedia.

Mas mesmo a 150km/h eles são trens super modernos e confortáveis. Achar espaço para a bagagem às vezes é um desafio se suas malas forem muito grandes, mas aqui e ali tem alguns bagageiros. Tem sempre também um vagão restaurante, e algum funcionário que passa pelos vagões oferecendo café ou outras bebidas para os passageiros. A única coisa que falta mesmo, e já está bem atrasada, é wifi grátis (Atualização em Maio de 2018: desde 2017 os ICEs agora todos têm Wi-Fi grátis! Demorou… agora falta o mesmo para os ICs…). Mas pelo menos tem tomada ao lado dos assentos, normalmente uma para cada dois assentos, no meio dos dois.

Vagão restaurante de um ICE

Vagão restaurante de um ICE

“Interior of 2nd class carriage of ICE 3 train” by Maxim75 – Wikipedia

Outra coisa legal dos ICEs é que para todas as viagens eles deixam, nas mesinhas ou nos assentos, um plano do percurso que mostra todas as cidades em que o trem para, o horário de chegada e de saída e as conexões a partir de cada cidade. Bem útil e interessante.

Reise Plan

IC – InterCity

“Leipzig IC” by ArtVandelay13 – Wikipedia

Menos modernos que os ICEs, os ICs também fazem conexões longas, mas com mais paradas pelo caminho. Eles são um pouco menos confortáveis que os ICEs, mas mais espaçosos (tem bagageiros para malas maiores em todos os vagões, e mesmo no bagageiros sobre os acentos cabem bagagens maiores). Ele é mais lento que os ICEs, e o problema é que nem sempre têm vagão restaurante no trem. Provavelmente tem na maioria das vezes, mas eu já fiz uma viagem de 8h em um IC sem restaurante, achei meio insano. (Atualização de Maio de 2018: tem trens ICs novos desde o ano passado, e eles são tão modernos quanto os ICEs, e com dois andares. Eles não têm vagão restaurante, mas tem alguém que passa oferecendo café, com quem você pode também comprar algumas coisas para comer.)

“DB Bpmz interior” by ArtVandelay13 – Own work – Wikipedia

Tanto o IC quanto o ICE têm assentos marcados, mas para reservar um assento específico é preciso pagar extra (4,50 euros por assento por trecho). Vale a pena reservar especialmente em alta-temporada ou em conexões com grande fluxo de passageiros (por exemplo Colônia-Frankfurt) para não correr o risco de ficar de pé. Sobre o assento, onde tem a indicação do número, vai aparecer ou eletronicamente (no ICE) ou um papelzinho (no IC) que diz que aquele assento está reservado da cidade x até a cidade y. Desta maneira, se você não tiver reservado um assento, saberá se aquele assento vazio está reservado para alguém ou se você pode sentar lá tranquilamente. (Na verdade, se vc estiver na Alemanha só como turista, eu recomendo reservar assento: aí você sabe que entrou no vagão certo e não num que vai para outra cidade (explico isso mais pra frente no post), e é sempre meio complicadinho entender o que está escrito nos visores que dizem se o assento está reservado ou não, e às vezes eles estão inconvenientemente desligados, awawawa mor complicado. Melhor reservar e ter seu assento ali esperandinho. E não fique constrangido, caso alguém esteja sentado no seu lugar quando vc chegar, em falar que vc reservou aquele assento. Já me aconteceu muitas vezes de ter alguém sentado no lugar que eu reservei, eu falo sem cerimônia que reservei ali e a pessoa normalmente levanta sem cerimônia.)

E se você tiver um assento reservado, antes de embarcar procure na estação a informação sobre a posição dos vagões do trem. Assim você poderá entrar no trem direto pelo seu vagão, e evitar ter que carregar suas malas ao longo de todo o trem até achar o seu lugar. O “mapa” da localização dos vagões fica em uns pôsteres ao longo da plataforma, assim:

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O desenhinho do trem mostra a localização de cada vagão (números), e na primeira linha e última linhas, em cima/embaixo de todos os desenhos de trens, aparece a localização na plataforma (letras). Na foto acima, por exemplo, o último vagão do trem EN477 das 21:07 (o último, lá embaixo) está na área B da plataforma. Você acha esse trecho da plataforma procurando umas grandes placas azuis com as letras correspondentes:

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E para saber em qual vagão você está? No seu bilhete, as informações do seu trem serão mostradas dessa forma:

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Produkte indica o tipo e o número do trem, nesse caso, IC1952. Em Reservierung você verá o número do vagão (Wg. 9, aqui), o(s) número(s) do(s) assento(s) (Pl. 95 96, aqui), e a indicação de que tipo de assento é (2 Fensters = 2 janelas; Tisch = na mesa). Finalmente, algumas informações extras sobre aquele vagão. Aqui, por exemplo, diz Nichtraucher, o que significa que é um vagão para não-fumantes (embora seja uma informação meio desnecessária já que não tem nenhum vagão para fumantes em trem nenhum). Outra informação que aparece às vezes é “Handy“, indicando que é permitido falar no celular naquele vagão.

RE e RB – Regional Express e Regional Bahn

Os trens regionais fazem conexões mais curtas, normalmente dentro de um mesmo estado, ou no máximo até o estado vizinho. Tem mais de um tipo de trem entre os trens regionais, mas normalmente esses são os mais comuns.

Trens regionais, ou aliás qualquer trem sem ser o ICE ou o IC, não têm vagão restaurante nem assentos marcados. Normalmente você compra um bilhete que não diz dia nem horário, e carimba na estação antes de entrar no trem.

A diferença entre um RE e um RB é que o RE, expresso, pára em menos estações, enquanto o RB pára basicamente em todas as estações pelo caminho.

S-Bahn

Os S-Bahns são trens locais ou metropolitanos, que conectam algumas cidades maiores às cidades ou vilarejos vizinhos, parando em todas as estações por qual passa. São um meio termo entre trem regional e metrô, basicamente.

Os mais comuns são esses trens simpáticos com dois andares:IMG_9755

U-Bahn e Straßenbahn (ou Tram)

U-Bahn e Straßenbahn são trens municipais. U-Bahn é como chama o metrô por aqui, e Straßenbahn, ou tram, são os bondes de rua, ou VLT. Eles são diferentes de cidade pra cidade.

Além desses tipos básicos, em alguns locais você vai encontrar alguns trens diferentes pertencentes a outras companhias que não a Deutsche Bahn. Normalmente eles fazem ligações regionais específicas, e funcionam como um trem regional. Nas estações de trem alemãs você poderá ainda encontrar outros trens diferentes vindos de outros países da europa, que são os correspondentes ao ICE ou IC dos seus países de origem.

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Uma coisa que convém saber sobre trens por aqui – que pode gerar confusão para quem não está acostumado a viajar de trem – é que alguns trens se dividem em dois. Eles começam juntos numa cidade, e em alguma outra cidade no caminho parte do trem é desconectada da outra e cada um continua seu próprio percurso. Então é bom prestar bastante atenção no que diz o seu bilhete e o que diz no visor do trem (lateral próximo às portas nos ICEs e ICs, e frontal, como em ônibus, nos trens regionais) e nas placas informativas na plataforma. Na dúvida, pergunte.

Exemplo de placa informativa na plataforma. Esta está indicando um trem que está para chegar (Ankunft = chegada) às 12:51, vindo de Zwickau.

Exemplo de placa informativa na plataforma. Esta está indicando um trem (RB 17221) que está para chegar (Ankunft = chegada) às 12:51, vindo de Zwickau.

Esses grandes cartazes amarelos podem ser encontrados em qualquer estação e plataforma, e indicam os trens que saem daquela estação, e os horários.

Esses grandes cartazes amarelos podem ser encontrados em qualquer estação e plataforma, e indicam os trens que saem daquela estação, e os horários.

Quanto às passagens, você pode comprá-las online, nos guichês nas estações de trem, ou nas máquinas de bilhetes das estações de trem.

No site da Deutsche Bahn você pode procurar conexões e adquirir passagens para os ICEs e ICs. Lembre-se que o quanto antes você comprar sua passagem, mais chances você tem de achar um preço bom ou alguma promoção. Nunca deixe para comprar a menos de 3 dias antes da viagem. Preste atenção nas conexões da sua passagem, algumas conexões exigem que você saia de um trem e entre no seguinte em menos de 10 minutos. Se você estiver com muita bagagem, pode ser mais seguro evitar conexões muito apertadas. Se o seu primeiro trem atrasar e você achar que vai perder a conexão, peça informações para o fiscal que passa verificando os bilhetes – ele vai poder te informar se vai ser possível pegar a conexão, e, se não, quais são as alternativas. Se você perder sua conexão por culpa de atrasos dos trens, a DB vai te indicar uma alternativa sem que você tenha que pagar nada, claro. Se for a última conexão do dia e tiverem suficientes passageiros fazendo aquela conexão, o segundo trem espera o primeiro chegar.

Pelos guichês nas estações você também pode comprar bilhetes, mas é menos prático do que parece. Você imaginaria que pelo guichê é a melhor opção para perguntar a alternativa mais econômica para a viagem que você quer saber mas que nada. Várias das promoções e descontos são disponibilizados só pelo site, então comprar online é sempre a melhor opção. No guichê eles só te perguntam origem, destino e dia/horário da viagem, e não te dão alternativas.

Para os trens regionais, a opção mais fácil é comprar o bilhete nas máquinas disponíveis nas estações.

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Para ler sobre outras maneiras de viajar pela Alemanha, este post aqui descreve as várias alternativas.

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(Publicado em 19 de Janeiro de 2015)